domingo, 17 de junho de 2018

Leozírio Fontes Guimarães (1916 - 2002)

Leozírio Guimarães... Grande Maestro capelense, fundador do  Coral Genaro Plech 
em Capela-SE. e fundador da "Sociedade Filarmônica de Sergipe" (SOFISE).
Foto reproduzida de postagem de Milton Melo/Facebook/MTéSERGIPE.
 
Leozírio Fontes Guimarães (1916 - 2002)

Nasceu em Capela no dia 26 de janeiro de 1916, onde fez os seus primeiros estudos. Estudou música com o mestre Francisco de Carvalho Júnior, com o alemão Frei Elias e a Ir. Canísia, professora do Colégio Imaculada Conceição.

Aos 15 anos ingressou na Banda de Música da cidade. Em Capela foi mestre de banda e fundou o Coral Genaro Plech.

Foi nomeado em 1950 professor de Canto Orfeônico do Estado. Mudou-se para Aracaju em 1956 e tornou-se professor de Música em vários colégios, deixando sempre um coral em cada colégio por onde passava: Arquidiocesano, N. Sra. De Lourdes, S. José, Escola Normal. Nesta, fundou e regeu uma banda de música só para moças, fundou e regeu a Banda de Música para jovens carentes no Instituto Lourival Fontes, fundou a Sociedade Filarmônica de Sergipe que se mantém até hoje e foi diretor do Conservatório de Música, firmando ali a primeira Orquestra Sinfônica do Estado. Foi presidente da Ordem dos Músicos do Brasil, secção de Sergipe. Recebeu vários títulos honoríficos dos governos estadual e municipal.

Compôs: dobrados, valsas, marchas, missa e trilha sonora para teatro. A SOFISE, em sua homenagem reuniu seus títulos, composições e troféus em um memorial anexo ao Arquivo da Casa. Faleceu em 2002.

Fonte: Sofise

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Notícia do falecimento do maestro Leozírio Guimarães, em 04/11/2002, pelo Portal Infonet.

"A sociedade sergipana está de luto. Ontem à tarde foi sepultado no Cemitério Santa Isabel o maestro Leozírio Guimarães, uma das mais sérias expressões da música erudita em Sergipe. Professor e compositor, o maestro foi o fundador da Sociedade Filarmônica de Sergipe, em cuja sede, na Rua de São Cristóvão, o corpo foi velado e, antes de partir para a última morada, celebrou-se missa. Ele faleceu aos 86 anos de idade, uma semana depois de perder a mulher, professora Lindalva Cardoso Dantas, cuja missa de sétimo dia foi celebrada na última quinta-feira, também no auditório da Sofise. No último mês de agosto, já havia falecido a primeira mulher do professor Leozírio. Durante anos, o professor Leozírio ensinou em escolas da capital sergipana. Na antiga Escola Normal, Instituto de Educação Ruy Barbosa, por anos, dirigiu a banda de música que se apresentava com galhardia nos desfiles do dia da Independência"

Texto reproduzido do site: infonet.com.br

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Rotary homenageia jornalista João Oliva Alves

Foto extraída do Google e postada pelo blog SERGIPE..., para ilustrar o presente artigo

Texto publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 13/06/2018

Rotary homenageia jornalista João Oliva Alves

Por Ivan Valença/blog Infonet

O Rotary Clube de Aracaju Norte prestou significativa homenagem ao jornalista João Oliva Alves. Aos 95anos de idade, chegando nas próximas semanas a 96 anos, João Oliva é o mais antigo jornalista do Estado ainda vivo. Lúcido, só agora a voz começa a lhe fugir. A homenagem consistiu na entrega da Comenda Carlos Melo, cuja denominação é uma homenagem por seu turno, aquele que foi Presidente do Clube e é pai de muitos rotarianos, como Carlos Melo Filho, Carlos Magalhães, entre outros. Acompanhado dos filhos Terezinha Oliva, historiadora e Luiz Eduardo Oliva, professor e jornalista. João Oliva Alves foi vivamente aplaudido pelos rotarianos que estavam presentes no almoço festivo da 2ª feira.  Nascido em 1922, João Oliva ingressou na vida pública em 1941. Atuou em todos os jornais que circularam na cidade e foi Secretário de Imprensa do Governo de Seixas Dória. O rotariano Carlos Magalhães fez uma saudação especial a João Oliva. Lembrou que quando veio de Propriá para morar em Aracaju, Aracaju só tinha calçamento a paralelepípedos até a rua Arauá e João já era uma figura humana extraordinária. Falou também sobre Carlos Melo, seu pai, que dá nome à Comenda recebida por João Oliva e que era um rotariano de escol. Em nome do jornalista João Oliva falou o seu filho, Luis Eduardo, numa prosa cheia de bom humor e ótimas revelações.  Luiz Eduardo foi convidado, pelo futuro presidente do Clube, Jorge Carvalho Nascimento, que toma no próximo dia 3 de julho, a retornar ao Clube ao qual já pertenceu no que foi muito aplaudido. O último a falar foi o Presidente do Clube, Sr. Ravisson que após congratular-se com o jornalista João Oliva Alves, anunciou que na próxima reunião fará a prestação de contas de sua administração.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca

sábado, 9 de junho de 2018

Um sujeito proparoxítono





Publicado originalmente no Facebook/Lucio Prado Dias  

Um sujeito proparoxítono

Por Lucio Prado Dias

“O futuro da humanidade está nas mãos daqueles que são capazes de transmitir hoje às gerações do amanhã, razões de vida e de esperança.”

Hoje como ontem, o exemplo de vida do médico Cleovansóstenes Pereira de Aguiar se encaixaria perfeitamente no pensamento do saudoso Papa João Paulo II. E eu acrescentaria: e lições de humildade, generosidade e tolerância.

A homenagem que a Prefeitura de Aracaju lhe concedeu ao inaugurar o Centro de Zoonoses de Aracaju com o seu nome, refletiu à época o reconhecimento do povo de Aracaju aos inestimáveis serviços prestados pelo homem que dedicou a maior parte de sua vida aos problemas de saúde da nossa gente, como médico e educador, transmitindo ao longo de sua existência lições de decência, honradez, respeito, probidade, dignidade, trabalho, altruísmo e amizade. E novamente reafirmo: lições de humildade, generosidade e tolerância.

Especial para mim foi ter o privilégio de saudá-lo naquela oportunidade, em nome da classe médica sergipana, poder falar um pouco sobre o colega, o amigo, o professor e o confrade da Academia Sergipana de Medicina, o mais que proparoxítono, por que não estava somente no detalhe gramatical que o seu nome trazia, Cleovansóstenes, mas pela pluralidade de suas virtudes. Hoje, com o coração partido, falo em nome da Academia Sergipana de Medicina e da Academia Sergipana de Letras, missão confiada pelo nosso presidente José Anderson do Nascimento, e também pela Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - SOBRAMES, entidade que presido no momento em Sergipe. Mas poderia falar somente por mim, em função do profundo respeito e elevada consideração que me tornaram um de seus inúmeros admiradores, como professor, depois colega, e por fim, confrade e fraternal amigo.

Descrever a trajetória desse eminente cidadão, a sua importância no contexto histórico sergipano, por uma pessoa tão modesta e limitada, no entanto, é tarefa no mínimo arriscada. Escrevo, porém, com o coração, o que por si só dispensa maiores exigências intelectuais. Falo também como aluno permanente, desde os tempos idos da Faculdade; falo como admirador e colega. “Se um homem fala ou age com o pensamento puro, a felicidade o acompanha como uma sombra que jamais o deixa”, dizia Buda, líder espiritual hindu.

Cleovansóstenes Pereira de Aguiar, sergipano de Alagoas, nasceu na Usina Utinga Leão, em Rio Largo, em 16 de agosto de 1926, como segundo filho de uma série de doze. Seus pais chamavam-se Rafael Pereira de Aguiar, farmacêutico e Laura Gomes de Aguiar, prendas do lar. Aos 13 anos foi estudar em Garanhuns, Pernambuco, no Colégio 15 de novembro, em regime de internato, onde recebeu rigorosa e primorosa educação, principalmente nos campos da moral, da ética e dos bons costumes. Fez o curso colegial em Maceió, no Liceu Alagoano. Nessa fase praticou muitos esportes, chegando a jogar futebol em clubes da capital alagoana. Se o futebol não ganhou um excelente craque, melhor foi para a Medicina que ganhou um novo e destacado baluarte.

Fez o curso superior em Recife, superando inúmeras adversidades por dificuldades financeiras. Não fosse o seu grande esforço pessoal e a enorme colaboração prestada por duas organizações, a Casa do Estudante de Pernambuco, onde fazia suas refeições e a Companhia de Escolas da Comunidade, dificilmente o nosso homenageado teria conseguido o diploma de médico, como especialista em Ginecologia e Obstetrícia, em 1953. Mas a saúde pública era o seu destino. Não somente tratar do indivíduo mas cuidar de toda uma coletividade.

Em 2 de janeiro de 1954, Cleovansóstenes aportou em Própria onde estagiou durante 23 dias no SESP, antes de ser designado em definitivo para Gararu, em 25 de janeiro. Iniciava-se a fase do Cleovansóstenes sergipano. Em Gararu conheceu Maria da Glória, que viria a ser a sua esposa em 1955. Em 1957 estabeleceu moradia em Riachuelo, onde teve uma intensa participação social e comunitária, realizando obras na forma de mutirões, como o ginásio, a construção de um novo hospital e maternidade, reformando as instalações da igreja, entre outras realizações. Fez muito por Riachuelo, mesmo sem mandato, onde permaneceu até 1969 quando então passou a residir em Aracaju, mas sem se desligar da querida cidade.

Em 1963, atendendo convite do inseparável amigo Alexandre Gomes de Menezes Neto, colega e confrade, que partiu para o infinito no ano que passou, ingressou na Faculdade de Medicina na disciplina de Parasitologia. Uma vez confidenciou-me: ser professor na nossa escola de Medicina, talvez tenha sido sua maior realização. O homem certo na hora certa.

E eu questiono agora, qual teria sido mesmo a sua maior realização? Ter sido o professor ainda hoje, mesmo aposentado, idolatrado pelos seus alunos? Ou ter sido Prefeito de Aracaju, cumprindo o mandato com dignidade, lisura e probidade, com inúmeras realizações entre as quais a ampliação da Av. Hermes Fontes, tornando possível a expansão da zona sul da cidade. Difícil agora querer enumerar as suas realizações como Prefeito de Aracaju. Livre de amarras ideológicas, exerceu o cargo sem vinculação sem a sombra da política partidária.

Alguns vão querer dizer que a maior realização do nosso querido confrade foi a intensa obra médico-social que desempenhou, como médico sanitarista, cuidando da saúde coletiva do nosso povo. Mas muitos vão replicar, dizendo que a sua maior realização foi construir uma plêiade de admiradores, de amigos feitos ao longo da caminhada, pela sinceridade de seus propósitos, pela lealdade de suas colocações, pela sinceridade de suas palavras ou pela grandiosidade de seus atos. Outros, não satisfeitos, vão querer lembrar o ser cristão, o homem de fé inabalável, humanitário, humilde e modesto na sua generosidade.

E todos terão razão. Porque esse é o proparoxítono Cleovansóstenes Pereira de Aguiar. Na Academia Sergipana de Medicina, um dos seus mais entusiastas participantes. Quando o confrade Gileno da Silveira Lima desfraldou a bandeira de criação da Academia, esteve presente com toda a garra e perseverança e por isso coube-lhe, por indicação de seus pares, a indicação para ser seu primeiro presidente, de 1994 a 1996. E mais uma vez cumpriu a contento a sua tarefa.

Finalizando, recordo uma entrevista sua no Jornal da Sociedade Médica de Sergipe quando o repórter lhe fez a seguinte pergunta: que tipo de lição o senhor aprendeu no decorrer da vida? E a resposta: “Primeiro que somos filhos de Deus e que Deus é amor. Segundo, é que o homem não nasce feito, porém se faz pelo seu proceder, pelo seu caráter e por sua vivência. Vivendo no meio dos outros homens com retidão e probidade. Terceiro, é que não devemos nos considerar inferiores a ninguém, nem tampouco superiores e marchar com a cabeça erguida, seja para onde for”.

Este é o imortal Cleovansóstenes Pereira de Aguiar. Que Deus, na sua infinita bondade, proteja a sua alma por toda a eternidade. Descanse em paz, grande guerreiro, na tranquilidade de sua grandeza. Ficaremos nós aqui na planície mais pobres, tristes, desolados e consternados com a sua partida.

Aracaju, 07 de junho de 2018

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Lucio Prado Dias.

sexta-feira, 8 de junho de 2018

José Carlos Teixeira, de mecenas a político de expressão nacional

Foto: Wellington Barreto/Agência Aracaju de Notícias
e postada pelo blog 'SERGIPE...', para ilustrar o presente artigo

Texto publicado originalmente no site JLPolítica, em 08 de Jun de 2018

José Carlos Teixeira, de mecenas a político de expressão nacional

Por Tarcísio Teixeira *

Falar de José Carlos Teixeira e de sua profícua vida é algo que exige entender a história recente do nosso país e da iniciativa de produção e divulgação da cultura, tanto no seu lado erudito quanto na sua feição popular. Nascido na cidade de Itabaiana em 1936, a partir de 1939 passou a residir em Aracaju, para onde seu pai, Oviedo Teixeira, se mudou com a família para se instalar como um dos mais importantes comerciantes de tecidos da época.

Na juventude, começou a trabalhar com o pai na loja de tecidos da família, atendendo a todo o povo sergipano. A vida estudantil, com participação nos grêmios, fez com que José Carlos fosse convidado a participar da Sociedade de Cultura Artística de Sergipe – SCAS -, fundada por Feltre Bezerra, assumindo o cargo de presidente. Tinha menos de 22 anos, passando a produzir, localmente, espetáculos que, até então, só podiam ser assistidos no eixo Rio-São Paulo.

Para diminuir os custos de produção, José Carlos hospedava na casa do seu pai os artistas que vinham se apresentar aqui. Após seu casamento, em 1958, passou a hospedá-los em sua própria casa e ainda na casa do pai. Durante este período, foram inúmeros os espetáculos de música erudita, contando com quartetos, orquestras e outras formações, além de peças de teatro, que abrilhantavam a cena cultural aracajuana.

Apesar de Oviedo Teixeira desejar que José Carlos assumisse com ele o comando da empresa, a veia política se manifestou de forma muito mais pujante, talvez por uma admiração precoce do seu tio Sílvio Teixeira, que foi prefeito de Itabaiana e deputado estadual, tendo assumido a Presidência da Assembleia Legislativa.

Esta atuação cultural significativa fez com que fosse convidado pelo senador Júlio Leite, líder do Partido Republicano – PR -, para se candidatar a deputado estadual. Quando o líder do Partido Social Democrático –PSD -, senador Leite Neto, soube do convite do Partido Republicano, tomou a iniciativa de convidá-lo para concorrer ao mandato de deputado federal. Ambos os partidos atuavam na oposição à UDN, partido do então governador Luiz Garcia.

José Carlos optou por se filiar ao PSD e concorrer a deputado federal, apesar de não conseguir, inicialmente, o apoio de Oviedo Teixeira, que não o queria envolvido na política e sim se preparando para sucedê-lo à frente dos negócios. Quem demoveu seu Oviedo de sua posição, fazendo-o apoiar José Carlos, foi Luiz Teixeira, irmão de José Carlos.

A partir daí, Oviedo Teixeira entrou na campanha, pedindo voto para o filho a todos os comerciantes e clientes. Oviedo Teixeira tinha uma inserção muito grande na sociedade sergipana e foi decisivo na eleição de José Carlos, fazendo-o o segundo candidato mais votado na eleição, tendo assumido o mandato em 1962 e sido reeleito em 1966.

Com a eleição, José Carlos mudou-se para Brasília, sem esquecer da SCAS e do projeto que vira frutificar por seu trabalho intenso em prol da divulgação cultural em sua terra natal. Seu sucessor na Presidência da SCAS foi o professor João Costa, que passou a contar com a colaboração de José Carlos, agora na condição de deputado federal.

Neste momento surgiu a ideia de construir um prédio que, com o aluguel de salas, possibilitasse a sobrevivência da SCAS. José Carlos foi fundamental neste projeto, fazendo destinações de verba do orçamento da União para bancar as obras. O projeto tornou-se realidade e ainda hoje pode ser visto na esquina da Rua São Cristóvão com a Av. Rio Branco, no centro da cidade de Aracaju.

Iniciando sua vida política, continuou ligado ao senador Leite Neto, que presidia no Congresso Nacional a comissão responsável pela aprovação do Orçamento da União. Desta forma, o prestígio de José Carlos aumentava, sendo-lhe abertas as portas de todos os Ministérios e os contatos com políticos de todos os Estados da federação, independentemente de seus matizes político-ideológicos.

Com a morte de Leite Neto, José Carlos continuou sua atuação parlamentar com muito empenho e seguindo a linha de ação de seu padrinho político, aumentando ainda mais o seu prestígio no meio político. Quando Jânio Quadros renunciou à Presidência do Brasil e assumiu João Goulart, José Carlos se aliou ao novo presidente, mantendo sua atividade parlamentar enquanto diversos companheiros assumiam Ministérios. Desta forma, seu prestígio aumentou e se consolidou, fazendo com que os políticos locais sempre acorressem ao seu prestígio para conseguir verbas e soluções para os problemas locais.

Com a Revolução de 31 de março de 1964, João Goulart foi deposto e José Carlos foi para a oposição ao governo, arrastando não só Oviêdo Teixeira como todos os irmãos. Em 1966 fundou o MDB em Sergipe. Face às dificuldades para conseguir a adesão de pessoas que se candidatassem pelo MDB, Oviêdo Teixeira foi candidato a senador em 1966, e como a chapa tinha de ter suplente e ninguém aceitava se candidatar pelo partido, a busca da viabilidade da chapa acabou com o convite ao médico Lucilo da Costa Pinto, recém-chegado do Rio de Janeiro na véspera do prazo final do registro.

A mesma situação se repetiu na eleição de 1970, porém foi mais fácil de arrumar o suplente, pois Humberto Mandarino aceitou compor a chapa com Oviedo Teixeira como candidato ao Senado. Mesmo em 1974, quando o médico Gilvan Rocha se candidatou ao Senado, houve dificuldade de conseguir um candidato a suplente para compor a chapa, sendo chamado o secretário do partido, Antônio Cabral Tavares, que só aceitou até que se arrumasse quem estivesse disposto a concorrer. Como não apareceu ninguém, ele acabou sendo eleito suplente de Gilvan Rocha.

Em 1974, Oviedo Teixeira foi eleito deputado estadual e José Carlos Teixeira deputado federal. Mas como o perfil de Oviedo era da amizade e da conciliação, desistiu de atuar na política como candidato. Mesmo se candidatando à reeleição, começou a pedir voto para os candidatos do partido e não para ele. Durante este período da ditadura militar, José Carlos foi o único parlamentar sergipano a denunciar, no Congresso Nacional, as prisões e as torturas do regime.

Entre tantos que tiveram sua defesa enérgica, destaca-se um casal de conterrâneos que participavam de um movimento de guerrilha, tendo sido presos e estavam sendo torturados em Recife. Já era praxe que estas prisões, se não fossem denunciadas publicamente, acabariam em sessões contínuas de tortura e até de assassinato. Um dos parentes do casal, que trabalhava no governo municipal, que era pró-ditadura, não vendo possibilidade de manifestação entre seus pares, recorreu a José Carlos para que ele denunciasse a prisão, de modo a preservar a vida e integridade deste casal.

José Carlos viajou às pressas para Brasília, fez a denúncia no Congresso Nacional, sendo registrado o pronunciamento nos anais da casa, e o regime abrandou o tratamento aos presos, tendo, posteriormente, libertado o casal. Inúmeros são os casos onde a coragem e a sua particular vinculação às liberdades democráticas, efetivamente, salvaram vidas, como no caso da Operação Cajueiro.

Com a redemocratização do país, José Carlos cerrou fileiras com Tancredo Neves, tendo, inclusive a oportunidade de oferecer um jantar para o candidato a presidente e vice-presidente na residência desse seu irmão aqui. Com o falecimento do presidente Tancredo Neves, e o prestígio adquirido nas lutas por democracia, o grupo político o indicou para assumir o mandato de prefeito de Aracaju, por apenas 7 meses, mas de uma administração extremamente transformadora para a capital de seu Estado e reconhecida pela população. Para sucedê-lo, foi eleito em 1985 Jackson Barreto, correligionário e uma nova liderança que surgia no cenário político do Estado.

Em 1986, nas primeiras eleições diretas para governador após o período de exceção, José Carlos resolveu candidatar-se a governador do Estado de Sergipe. Naquele momento, as lideranças do PMDB ficaram divididas entre os dois candidatos: José Carlos Teixeira, pelo PMDB, e Antônio Carlos Valadares, pelo PFL. José Carlos Teixeira e Jackson Barreto eram as duas mais importantes lideranças da época. Nesta eleição, José Carlos foi derrotado, de modo que Sergipe foi o único Estado em que a candidatura do PMDB não saiu vitoriosa. Com o resultado das eleições desfavorável, o presidente José Sarney o nomeou diretor de Captação da Caixa Econômica Federal.

Na eleição seguinte, a de 1990, José Carlos voltou à cena política, sendo candidato a vice-governador na chapa que elegeu João Alves Filho para o período de 1991-1995. A última participação de José Carlos Teixeira na política aconteceu na nomeação dele, pelo governador João Alves Filho, no período de 2003-2007, para a Secretaria da Cultura.

Nesta última missão, voltando às origens da sua vida, José Carlos atuou com a energia de um jovem, promovendo várias apresentações artísticas e a viabilização da Orquestra Sinfônica de Sergipe. Seu envolvimento com a cultura era tão grande que, muitas vezes, ele empregava recursos próprios nas iniciativas da Secretaria de Estado da Cultura, além de solicitar patrocínio aos amigos e irmãos empresários.

Mas José Carlos sempre pôs acima de tudo os interesses de nosso povo e das instituições democráticas, relevando toda e qualquer atuação em momentos de discordância. Quando, em 2014, Jackson Barreto foi eleito governador do Estado, José Carlos fez questão de comparecer à posse dele e se congratular pela vitória, desejando um governo que fosse a reafirmação de toda a trajetória política deles.

Na noite de seu velório, uma composição reduzida da Orquestra Sinfônica de Sergipe lhe prestou uma homenagem que jamais será esquecida por seus familiares e amigos presentes. Em um momento em que se fala tanto em defesa dos direitos humanos, igualdade das mais diversas formas e que se caracteriza por uma liberdade de expressão ampla, é sempre bom recordar que nem sempre foi assim.

E, nos momentos em que estas liberdades minguaram, é sempre bom lembrar daqueles que tiveram coragem de se insurgir contra o poder para que o nosso povo pudesse vivenciar o verdadeiro espírito da democracia: a tolerância e o respeito à diversidade como forma de convivência; a discussão pública dos problemas que nos afligem; a expectativa de sempre poder lidar com os problemas, grandes ou pequenos, na esperança da honestidade e da justiça.

* É empresário, mantenedor, juntamente com o irmão Luiz Teixeira, da Norcon-Rossi e ex-presidente da Ademi e Sinduscon de Sergipe.

Texto reproduzido do site: jlpolitica.com.br

Ex-prefeito Dr. Cleovansóstenes Pereira morre em Aracaju

Texto publicado originalmente no site G1 SE., em 07/06/2018 

Ex-prefeito Dr. Cleovansostenes Pereira morre em Aracaju

Ele foi o primeiro presidente da Academia Sergipana de Medicina.

Por G1 SE

Faleceu na tarde desta quinta-feira (7), o ex-prefeito Dr. Cleovansostenes Pereira de Aguiar. Ele foi o primeiro presidente da Academia Sergipana de Medicina.

Cleovansostenes tinha 91 anos e deixa sete filhos, a mulher e netos. Segundo a família, ele sofreu um infarto no final da tarde desta quinta-feira (7) e não resistiu.

O velório vai ser na noite desta quinta-feira e o sepultamento vai ser nesta sexta-feira (8) no cemitério Colina da Saudade.

Texto reproduzido do site: g1.globo.com/se

Dr. Cleovansóstenes Pereira de Aguiar (1926 - 2018)

Foto reproduzida do blog medicosilustresdabahia.blogspot.com 
e postada pelo blog SERGIPE..., para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 16/03/2007 

Aracaju e seus Prefeitos Médicos

O médico CLEOVANSÓSTENES PEREIRA DE AGUIAR, que foi prefeito de Aracaju de 1971 a 1975. Natural de Rio Largo, em Alagoas, nascido em 16 de agosto de 1926, filho do farmacêutico Rafael Pereira de Aguiar e Laura Gomes de Aguiar, formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco em 1953. Fez curso especial de Saúde Pública pela Fundação Osvaldo Cruz e Medicina Tropical pela Fundação Gonçalo Muniz. Atuou inicialmente no município de Gararu, em 1954, como médico concursado do SESP. Dois anos após transferiu-se para Porto Real do Colégio, em Alagoas, onde permaneceu por dois anos. Depois seguiu para Riachuelo onde residiu por 13 anos, com forte atuação na comunidade. Em seguida transferiu-se para Aracaju, mas permaneceu atuando em Riachuelo, no hospital da cidade, que era um centro de referencia em doenças infecciosas, durante 17 anos. Em Aracaju trabalhou na SUCAM, sendo seu diretor e também na Legião Brasileira de Assistência e INAMPS. Na Universidade Federal de Sergipe, lecionou as disciplinas de parasitologia e bioagentes patogênicos. Foi presidente do CNEC/SE, da Fundação Projeto Rondon e do Conselho Estadual de Educação. Membro fundador da Academia Sergipana de Medicina, foi o seu primeiro presidente, de 1994 a 1996. Mesmo aposentado de suas funções, permanece ainda atuante em ações pastorais na Paróquia de São José.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br

Homenagem a Dr Cleovansóstenes Pereira de Aguiar (1926 - 2018)

 Foto reproduzida do site: institutomarcelodeda.com.br

Foto reproduzida de postagem de Antonio Samarone‎ no grupo 'Minha Terra é SERGIPE'

Foto: César de Oliveira
Reproduzida do site: a8se.com

Cleovansóstenes Pereira de Aguiar (1926 - 2018)


Publicado originalmente no Facebook/Antonio Samarone

Cleovansostenes Pereira de Aguiar - médico da saúde pública (SUCAM e Hospital de Riachuelo), professor de parasitologia, Prefeito de Aracaju; membro da Academia Sergipana de Medicina. Um homem sereno, adorado pelos alunos, sempre escolhido para ministrar a aula da saudade. Uma seriedade bem humorada. Muita gente imprescindível indo embora ao mesmo tempo. Descanse em paz, professor...

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Personalidades falam sobre trajetória de José Carlos Teixeira

Foto reproduzida do Google e postada pelo blog

Texto publicado no Jornal da Cidade, em 30 de maio de 2018

Personalidades falam sobre trajetória de José Carlos Teixeira

Ex-prefeito e ex-secretário de Cultura, ele marcou época como fundador do MDB

Faleceu na tarde de ontem (29/05/2018) o ex-vice-governador de Sergipe, José Carlos Mesquita Teixeira, aos 82 anos. Ele exerceu os cargos de deputado federal, prefeito de Aracaju e secretário de Estado da Cultura, tendo sido um dos fundadores e o primeiro presidente do MDB em Sergipe. Ele lutava contra um câncer e faleceu em sua residência, onde era acompanhado por médicos.

Zé Carlos Teixeira, como era chamado, deixa esposa, cinco filhas e netos. O velório está sendo realizado desde ontem no Palácio Olímpio Campos (Praça Fausto Cardoso). O cortejo para o sepultamento sairá às 10 horas desta quarta-feira, 30, para o Cemitério Colina da Saudade, onde o corpo será sepultado às 11h.

Filho do empresário Oviêdo Teixeira e de Alda Mesquita Teixeira, Zé Carlos Teixeira, como era conhecido, foi militante da União Sergipana dos Estudantes Secundaristas (Uses), ao lado de Jaime Araújo e Tertuliano Azevedo, em 1950, quando estudava no Colégio Estadual Atheneu Sergipense. Também estudou na Bahia, onde vivera outra experiência no movimento estudantil secundarista, participando ativamente da campanha “O petróleo é nosso”.

Formou-se em Contabilidade pela Escola Técnica de Comércio Tobias Barreto, em Aracaju (1957). Em outubro de 1962 elegeu-se deputado federal na legenda da Aliança Social Democrática – coligação formada pelo Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Republicano (PR).

Vice-líder do PSD na Câmara dos Deputados (1965), com a extinção dos partidos políticos por força do Ato Institucional nº 2 (27/10/65), e a implantação do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), sigla que fazia oposição ao regime militar instalado no país em abril de 1964.

Presidente do diretório regional e integrante do diretório nacional da agremiação (1966), vice-líder da bancada (1966-1967), vice-presidente das comissões da Bacia do São Francisco, de Segurança Nacional e de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas, além de titular Comissão de Orçamento, em novembro de 1966 foi o único candidato do MDB de Sergipe a reconquistar o mandato federal. Com o retorno do pluripartidarismo foi um dos fundadores e primeiro presidente do PMDB em Sergipe.

Foi nomeado prefeito de Aracaju pelo governador João Alves Filho exercendo o mandato entre 30 de maio de 1985 e 1º de janeiro de 1986, quando transmitiu o cargo ao seu correligionário Jackson Barreto, o primeiro prefeito da cidade eleito pelo voto popular após 20 anos. Em 1990 foi eleito vice-governador de Sergipe na chapa que reconduziu João Alves Filho ao Governo do Estado. “Ele representa a história do MDB. O que Ulysses Guimarães foi para o Brasil ele é para Sergipe. Meu pai, Antônio Carlos Franco, era muito amigo, muito próximo. Ele foi um dos motivos da minha filiação ao MDB. Uma pessoa de palavra, de credibilidade e posicionamentos firmes. Com isso ele nos conquistou. Fui o deputado estadual mais novo e também o mais votado do então PMDB, e sempre tive uma boa relação. Sempre fui tratado com atenção e carinho. Recebi muitas orientações dele, o que me ajudou muito, já que fui deputado muito jovem. A contribuição dele ficou na história do MDB e de Sergipe. É uma referência de pessoa e de político, ele nunca será apagado da história de Sergipe”.

Marcos Franco,
Empresário, ex-deputado estadual.

“José Carlos Teixeira nos deixa num momento de grande turbulência política. É significativa sua perda neste momento. Mais um democrata nos deixa. Temos que exaltar o legado de José Carlos, um amante da nossa cultura, que sempre carregou a bandeira de nosso Estado, de nossa arte e da liberdade”.

Belivaldo Chagas,
Governador de Sergipe.
                  
“O falecimento de José Carlos Teixeira representa uma enorme perda para Sergipe. Sobretudo nos tempos atuais, quando o pensamento conservador de direita avança no país, a lembrança da luta de Zé Carlos, no combate ao regime militar e pela redemocratização do país é emblemática. Sergipe perde um homem que se agigantou na luta pela liberdade, militando pela organização do principal partido de oposição à ditadura, o MDB de Ulisses Guimarães. Foi sob seu comando que este partido mostrou ao Brasil a face de inúmeros combates sergipanos. Descanse em paz, Zé Carlos. Minhas mais sinceras homenagens. Seu legado de luta nunca será esquecido”.

Jackson Barreto,
Ex-governador

“Um grande itabaianense e um dos maiores políticos que Sergipe já teve. Foi deputado federal por quatro mandatos, vice-governador do Estado e prefeito de Aracaju, sempre demonstrando grande inteligência e boa vontade. Um ilustre sergipano do qual tive a honra de ser amigo e de quem sempre me lembrarei. Fica aqui a minha pequena homenagem e meus sinceros sentimentos à família!”

José Carlos Machado,
Ex-deputado federal

“O Diretório Estadual do MDB/Sergipe vem a público lamentar profundamente o falecimento do ex-prefeito de Aracaju, José Carlos Teixeira. Um dos fundadores do antigo MDB em nosso Estado, ele foi o primeiro presidente da sigla em Sergipe. Foi também um bravo soldado nas trincheiras da luta pela democracia. Empresário de família tradicional, ele emprestou seu nome a esta causa, assumindo os mesmos riscos que todos os outros que abraçaram este nobre objetivo”.

João Augusto Gama,
Secretário de Estado da Cultura e presidente estadual do MDB

Texto reproduzido do site: jornaldacidade.net

Dom Luciano José Cabral Duarte (1925 - 2018)


Publicado originalmente no site infonet/blogs/ivanvalenca, em 06/06/2018

Albano despede-se de d. Luciano Duarte

Por Ivan Valença

Em artigo publicado neste final de semana, na Imprensa de Aracaju, o dr. Albano Franco despediu-se de Dom Luciano José Cabral Duarte, Arcebispo Emérito de Aracaju, de quem era grande amigo. Destaca o ex-governador Albano Franco: “Intelectual brilhante, servo de Deus, irretocável e missionário incansável a serviço da Igreja Católica, D. Luciano Duarte na sua brilhante trajetória eclesiástica, conseguiu realizar com brilhantismo, tudo aquilo a que se propôs em benefício do catolicismo e do ser humano, especialmente da gente sergipana”. Escreveu mais adiante: Orador sacro de renome internacional, encantou plateias por esse mundo afora, convertendo incréus ao levar a Palavra de Deus por onde andou. Educador renomado criou faculdades e foi um batalhador incansável pela fundação da Universidade Federal de Sergipe, quer como membro respeitado do Conselho Federal de Educação utilizando de seus enorme prestígio no âmbito dos poderes de Brasília. Está aí a UFS, há exatamente 50 anos, cumprindo seu importante papel na formação de profissionais indispensáveis ao desenvolvimento de Sergipe!  E finaliza: “Amigo da minha família, em algumas oportunidades tive a fortuna de assistir conversações de elevado nível sobre ciência, política e religião entre Dom Luciano e Dr. Augusto Leite, meu avô. Eram amigos! Ele – Prelado Emérito da Igreja Católica – e Dr. Augusto Leite – Pai da Medicina Sergipana! Que Deus os tenha em sua glória”

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D. Luciano já era Cardeal

Ainda sobre D. Luciano Duarte, falecido aos 93 anos a semana passada, o Padre Walterwan, que é Secretário do Rotary Clube de Aracaju Norte, fez uma revelação: D. Luciano morreu com o título que sonhava. Ele era Cardeal já há algum tempo, embora “in pectore”. Isto é, o Papa o homenageou cardeal mas manteve em segredo esta nomeação, daí porque in pectore. Quando foi nomeado, D. Luciano deveria se mudar para Brasília, já que o cardinalato teria que ser executado na Capital Federal. Ocorre que naquele momento d. Luciano já começava a desenvolver o mal de Alzheimer. Tal fato foi comunicado ao Papa de então, mas o Papa não anulou a nomeação apenas não o tornou público.  

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca

Thetis e a História da Educação em Sergipe


Publicado originalmente no Facebook/Jorge Carvalho do Nascimento, em 02/06/2018.

Thétis e a História da Educação em Sergipe.

Texto do Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento.

Até o início da década de 90 do século XX, os estudos sobre História da Educação em Sergipe foram feitos como iniciativa individual dos pesquisadores, com especial destaque à contribuição da historiadora Maria Thétis Nunes. Sozinha, a partir da sua posição no Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe, ela publicou entre os anos de 1962 e 1998, vinte e dois trabalhos importantes sobre o tema. Vale registrar os trabalhos freqüentemente publicados pela autora no jornal Gazeta de Sergipe. O seu livro História da Educação em Sergipe, apresenta a única síntese produzida até hoje sobre o assunto, tornando-se referência obrigatória dentre os estudos sergipanos da área. Assumindo interpretações de caráter marxista em seus textos, a partir de 1962, com a publicação do livro Ensino Secundário e Sociedade Brasileira, Maria Thétis Nunes foi uma aplicada estagiária do Instituto Superior de Estudos Brasileiros – ISEB, no qual se ligou a intelectuais como Nelson Werneck Sodré e Álvaro Vieira Pinto. Apesar desse seu primeiro livro encontrar dificuldades para continuar circulando no Brasil sob a ditadura militar da década de 60, a autora continuou pesquisando com base na teoria marxista tal como concebida pela esquerda isebiana. Em 1984, Thétis Nunes publicou a História da Educação em Sergipe, mantendo a mesma perspectiva teórica e o mesmo rigor metodológico que assumira já no estudo de 1962. Historiadora de profissão, ao tratar da educação sob a perspectiva isebiana, Thétis adotou o viés interpretativo que diz ser a história fundamentalmente a história das lutas de classes, licenciando-se para, a partir daí, fazer uma série de operações analíticas, nas quais as evidências que extrai das fontes se prestam a localizar as relações entre burguesia e proletariado. E também para identificar os interesses que as classes dominantes defendem. Na sua interpretação assumiu os pressupostos da história monumento que Fernando de Azevedo estabeleceu, sob os quais somente se viabiliza uma política educacional consistente no Brasil depois que o campo foi dominado pela ação dos chamados “Pioneiros da Educação Nova”.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Jorge Carvalho do Nascimento.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Homenagem a professora Ada Augusta Celestino Bezerra (1949 - 2018)

 Foto reproduzida do Facebook/Ada Augusta

 Foto reproduzida do Facebook/Eliseu Silva

Foto reproduzida do Facebook/Ada Augusta 

Familiares e amigos se despedem de Ada Augusta

Foto: Eugênio Barreto.

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 05/06/2018

Familiares e amigos se despedem de Ada Augusta

Professora possuía Mestrado e Doutorado em Educação e faleceu na noite da última segunda.

A professora Ada Augusta Celestino, de 69 anos, faleceu na noite de segunda-feira, 4, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Lucas, situado no Bairro São José, na Zona Sul da capital Aracaju. A professora estava internada na unidade há cerca de 15 dias. O falecimento foi comunidade com pesar pelos familiares.

Desde as primeiras horas desta terça-feira, 5, o corpo está sendo velado no Cemitério da Colina da Saudade, onde familiares e amigos prestam suas últimas homenagens. O sepultamento ocorre às 16h de hoje. De acordo com a família, a professora teve morte cerebral e na segunda, após exames, houve a confirmação da suspeita.

“Ela era como se fosse uma mãe para nós e era muito querida no meio educacional do Estado. Nos últimos dias, na UTI, a todo instante ela recebia visitas dos alunos de mestrado. É um momento muito difícil para nossa família”, declarou o irmão e deputado estadual, Augusto Bezerra.

A professora Ada Augusto Celestino possuía Mestrado e Doutorado em Educação e estava aposentada pela Universidade Federal de Sergipe. Mas, sempre ativa, antes da sua internação, estava trabalhando na Universidade Tiradentes (Unit), na zona sul da capital.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net

Encontros e desencontros com a professora Ada Augusta


Publicado originalmente no Facebook/JorgeNascimento Carvalho, em 04/06/2018

Encontros e desencontros com a professora Ada Augusta

Texto do Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento

Acabei de receber a notícia da morte da professora Ada Augusta Celestino Bezerra. Viuva de Elizeu Silva, deixou dois netos (Pedro e Dimitri), dois filhos (Elizeu e Elisângela) e três irmãos (Augusto Bezerra, Augusto Junior e Fabiano). A sua irmã mais velha, Heloísa, assistente social, morreu alguns anos antes. Nascida no dia 25 de abril de 1949, com brilho intelectual invulgar, Ada marcou o cenário do debate educacional em Sergipe durante 47 anos consecutivos como professora, gestora educacional e pesquisadora.

Ada Augusta ingressou no ensino superior em 1968, na primeira turma do curso de Pedagogia da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe. Colou grau em 1971. No seu primeiro ano como estudante do ensino superior testemunhou a incorporação da Faculdade de Filosofia pela Universidade Federal, implantada no mesmo ano do seu ingresso. Na sua turma, conviveu com nomes que marcariam o cenário intelectual da vida sergipana. Jovens que, como ela, estavam matriculados naquela primeira turma: Angélica Vieira Donald, Ana Maria Soares, Clara Angélica Porto, Evanda Maria dos Santos, Ester Alves de Oliveira, Ione Pais, Gerson Vilas-Bôas, Janice de Oliveira Sales, Judite Oliveira Aragão, Lílian Leal do Lago, Luci Ferreira de Andrade, Luíza Nascimento Costa, Manoel Messias Porto, Maria José de Almeida Soares, Maria das Graças Tavares, Maria Ivanda Bezerra de Sant’anna, Maria Lúcia Souza Ramos, Nádia Fraga Vilas-Bôas, Vera Lúcia Sobral e Vera Lúcia Fontes. Essa turma teve como professores nomes igualmente importantes: Juan José Rivas Pascua, João Costa, Cacilda de Oliveira Barros, Maria Thétis Nunes, Dom Luciano José Cabral Duarte e Maria Olga de Andrade.

Depois de colar grau, Ada trabalhou como Professora da Faculdade Tiradentes, ministrando a disciplina Metodologia da Ciência. A partir de 1974, tomou posse como Técnica em Assuntos Educacionais na Universidade Federal de Sergipe, ingressando no quadro docente da mesma instituição na condição de professora de Administração Escolar, no curso de Pedagogia. Depois de aposentada trabalhou como professora visitante da Universidade Estadual de Feira de Santana e por último como professora e pesquisadora dos cursos de Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Tiradentes.

Colou grau, mas nunca parou de estudar, fazendo uma rica trajetória de formação. Concluiu o curso de Especialização em Metodologia do Ensino Superior na própria UFS, em 1973; Especialização em Planejamento e Administração de Sistemas Educacionais, pelo Instituto de Estudos Avançados em Educação da Fundação Getúlio Vargas, em 1974; Mestre em Educação pelo mesmo IESAE/FGV, em 1986; Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo, em 1998; Pós-Doutorado pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, em 2012.

Conheci Ada quando inciei minhas atividades como profissional de Educação, no final dos anos 70 do século XX. Eu, um jovem professor aspirando a carreira de docente e pesquisador da Universidade Federal de Sergipe, e Ada já profissional consolidada com larga credibilidade e reconhecida competência. Com ela aprendi, dela divergi em diferentes situações. Estivemos de mãos dadas na campanha eleitoral de 1985, após a queda da ditadura militar, quando das primeiras eleições para prefeito das capitais. Fizemos a campanha de Jackson Barreto de Lima. Após as eleições, fui designado Secretário Municipal de Educação, aos 29 anos de idade. Ada fez dura oposição ao meu período como gestor, nos anos de 1986 e 1987.

Em 1989, a situação se inverteu. Wellington Paixão se elegeu prefeito de Aracaju e nomeou a professora Ada Augusta para o mesmo cargo que eu havia exercido: Secretário Municipal de Educação. Ela se investiu no posto com brilho e competência durante quatro anos. Eu era, em 1989, fundador e primeiro presidente do Sindicato dos Profissionais de Ensino do Município de Aracaju – Sindipema. Tinha como companheiros de diretoria importantes nomes como Diomedes Silva, Tereza Cristina Cerqueira da Graça, Rosângela Santana Santos, Betisabel Vilar, José Ítalo Augusto Sobreira Correia e Adelmo Menezes, dentre outros. Fizemos oposição dura e rigorosa a gestão da professora Ada. Lideramos, em 1989, uma greve longa e muito difícil contra a então titular da Secretaria da Educação. Naquele processo Ada deu a todos nós, grevistas, fundamentalmente uma lição de equilíbrio, ponderação e temperança. Aprendi muito.

Em 1995, regressei do meu período de Doutorado Sanduiche, como bolsista na Johan Wolfgang Göethe Universität, em Frankfurt, na Alemanha, onde permaneci por quase dois anos. Fui trabalhar como consultor da Secretaria de Estado da Educação. À época, Luiz Antônio Barreto, o Secretário, montou um grupo especial para desenhar e implementar dois programas importantes: o Programa de Qualificação Docente – PQD e o projeto de criação da Universidade Estadual, com o qual ele sonhava. Do grupo, coordenado pelo professor Luiz Alberto dos Santos, participavam Ada, Consuelo Maia e Eduardo Ubirajara. Eu discutia permanentemente as ideias centrais da gestão com Luiz Antônio e fazia muita interlocução com Luiz Alberto e Ada Augusta. O PQD foi um sucesso e em quatro anos formou em nível superior quase três mil professores leigos da Educação Básica sergipana que atuavam em escolas estaduais e municipais. A Universidade Estadual nunca foi implantada e virou um desses projetos concebidos que nunca se transformam em realidade. Mas, as ideias de muitas pessoas estavam ali presentes. Em tudo era muito visível o gênio de Ada ao lado de outros tantos que nem sempre concordavam com ela, como eu e Luiz Alberto.

Concordando ou divergindo, o fato é que foram muitas as lições do ofício de professor e pesquisador deixadas por Ada Augusta. Ela se impôs diante de todos nós pela competência, pela capacidade de trabalho, pelo modo como sabia formar equipes e liderar. O fato é que, todos os profissionais da Educação que vivemos e trabalhamos em Sergipe temos consciência que ficamos hoje muito mais pobres.

Siga em paz, cara amiga Ada Augusta. Siga em paz, querida mestra. Dos encontros e desencontros, ficam as suas lições, o seu ensinamento.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/JorgeNascimento Carvalho

sábado, 2 de junho de 2018

Homenagem a Dom Luciano José Cabral Duarte (1925 - 2018)










Fotos de arquivo Universidade Federal de Sergipe.

Dom Luciano José Cabral Duarte (1925 - 2018)

Foto: arquivo UFS
Reproduzida do site: ufs.br

Texto publicado originalmente no site da UFS, em 30 de maio de 2018
  
UFS determina luto oficial pelo falecimento de dom Luciano José Cabral Duarte

Ele foi professor aposentado e emérito e um dos fundadores da UFS

O reitor Angelo Antoniolli assinou portaria determinando luto oficial de três dias por conta do falecimento de dom Luciano José Cabral Duarte (veja a portaria aqui). Professor aposentado e emérito e um dos fundadores da UFS, o arcebispo emérito de Aracaju faleceu na tarde de ontem, 29, aos 93 anos.

Natural de Aracaju, Dom Luciano nasceu em 1925 e foi ordenado sacerdote em 1948. Foi professor e primeiro diretor da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe. Com honras, obteve doutorado em Filosofia pela Sorbonne e foi o primeiro presidente do Conselho Diretor da UFS.

Homenagem

Dom Luciano foi um dos homenageados na cerimônia dos 50 anos da instituição, que ocorreu no último dia 15 de maio. Leia aqui o texto produzido por Ednalva Freire Caetano, pró-reitora de Gestão de Pessoas, que refez a trajetória de dom Luciano.

Ascom

comunica@ufs.br

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Morre Dom Luciano Cabral Duarte aos 93 anos


Um dos fundadores da UFS, foi primeiro presidente do Conselho Diretor e arcebispo emérito de Aracaju


Faleceu na tarde desta terça-feira, 29, aos 93 anos, o arcebispo emérito de Aracaju e um dos fundadores da Universidade Federal de Sergipe, Dom Luciano Cabral Duarte.

Natural de Aracaju, Dom Luciano nasceu em 1925 e foi ordenado sacerdote em 1948. Foi professor e primeiro diretor da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe. Com honras, obteve doutorado em Filosofia pela Sorbonne e foi o primeiro presidente do Conselho Diretor da UFS.

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Homenagem

Dom Luciano foi um dos homenageados na cerimônia dos 50 anos da instituição, que ocorreu no último dia 15 de maio. Abaixo, leia o texto produzido por Ednalva Freire Caetano, pró-reitora de Gestão de Pessoas, que refez a trajetória de Dom Luciano:

“O movimento em prol da criação da universidade envolveu muitos atores sociais como o Estado, a Igreja, os intelectuais os estudantes e a sociedade em geral. Vários nomes se destacaram nessa criação, porém, na impossibilidade de retratarmos todos eles, a nossa homenagem é dirigida a uma figura que, pelo grau de envolvimento, se destacou nesse processo.

No dia 12 de março de 1951 foi instalada a Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, funcionando provisoriamente no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em reunião da congregação na qual foi eleito o Padre Luciano Cabral Duarte como primeiro diretor. Como professor, lecionou Filosofia, Latim e Psicologia. Para abrir novos caminhos e preocupado com a excelência do seu trabalho, foi doutorar-se em Filosofia pela Sorbonne, na França, cuja tese foi defendida em 1957 obtendo a menção ‘trés honorable’.

Em 1963, D. Luciano José Cabral Duarte é nomeado para o Conselho Estadual de Educação, assumindo, em seguida a presidência da Câmara de Ensino Superior. É, então, designado pelo Secretário de Educação, Luiz Rabelo Leite, para coordenar um grupo de trabalho, visando à criação de uma universidade federal em Sergipe.

Logo após o ato de criação da Fundação Universidade Federal de Sergipe foi nomeado o Conselho Diretor que ficou encarregado de elaborar os estatutos da nova fundação. No dia 30 de setembro de 1967 D. Luciano foi eleito Presidente da Fundação Universidade Federal de Sergipe função que exerceu durante três mandatos consecutivos de dois anos.

Em 07 de março de 1968 D. Luciano foi nomeado membro do Conselho Federal de Educação, onde permaneceu por mais de quinze anos.

A contribuição de D. Luciano Cabral Duarte para a criação, instalação e manutenção da Universidade Federal de Sergipe nesses 50 anos é atestada por todos aqueles que tiveram o privilégio de participar da sua convivência.”

Ascom

comunica@ufs.br

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30 de maio de 2018

Dom Luciano Duarte: um dos esteios da criação da UFS

Por Angelo Roberto Antoniolli *

A UFS perdeu não apenas um professor aposentado e emérito, mas, especialmente, perdeu um dos esteios da sua criação

Não foi somente a Igreja Católica que perdeu o seu Arcebispo Emérito, Dom Luciano José Cabral Duarte. Sergipe inteiro perdeu. Perdeu um dos seus filhos mais ilustres. Em particular, a Universidade Federal de Sergipe também perdeu. E perdeu não apenas um professor aposentado e emérito, mas, especialmente, perdeu um dos esteios da sua criação.

A criação da Universidade Federal de Sergipe foi precedida de muitos embates, nos anos 1960. Calorosos. Desafiadores. Pensamentos opostos. Aspirações diferentes. No fundo, destacaram-se duas correntes, amiudadas, ambas, por algumas conotações periféricas. Uma corrente tinha sua liderança maior na pessoa do então Bispo Auxiliar de Aracaju, Dom Luciano Duarte, diretor da Faculdade Católica, e que viria a ser, depois, Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Aracaju (1971-1998). Costuma-se dizer que Dom Luciano Duarte representava as forças conservadoras. Ele tinha, todavia, um norte traçado, que atendia ao que preconizavam as diretrizes do governo federal para o ensino superior e, em particular, para a criação de Universidades, tanto na era do governo de João Goulart, quanto nos anos seguintes em que os militares governavam o Brasil. Do lado oposto ao prelado, despontavam estudantes, professores e outros segmentos sociais, que se posicionavam contra o anteprojeto elaborado pelo Bispo Duarte, ou por ele coordenado. Uma das vozes contrárias ao referido anteprojeto era a do professor e diretor da Faculdade de Medicina, Antônio Garcia Filho, católico, mas, nem por isso, adepto do pensamento do Bispo Auxiliar no que dizia respeito à criação da Universidade. A Faculdade de Direito, de natureza autárquica, também resistia à criação nos moldes preconizados pelo Bispo. Deu-se um embate entre os dois líderes através da imprensa, cada um defendendo as posições que abraçavam.

Uma das divergências da época dizia respeito à natureza jurídica que deveria ter a Universidade. Uns argumentavam que o ideal seria dar à Universidade a natureza fundacional, como era o caso de Dom Luciano. Outros alegavam que o certo seria dar-lhe a natureza autárquica, como entendia Antônio Garcia. Nessa questão, pairavam, naquele tempo, entendimentos jurídicos diferentes. As autarquias deveriam gozar de autonomia administrativa, a partir da própria nomenclatura. Já a fundação não gozaria da autonomia que tinha a autarquia. Temia-se, então, que as fundações ficassem a reboque do Ministério da Educação. Ora, tanto as autarquias quanto as fundações eram, como ainda o são, vinculadas a um órgão público (Ministério, no caso federal, ou Secretaria, no caso estadual, distrital ou municipal). Em suma, salvo algumas particularidades, autarquias e fundações equivalem-se. Ao menos, para fins de suporte orçamentário-financeiro que advém da administração direta, como é o caso específico das Universidades federais.

Ao que tudo indicava as duas Faculdades mais expressivas em termos de visibilidade social, Medicina e Direito, sem desmerecer as demais, pois cada uma tinha a sua importância no seio da sociedade sergipana, juntavam-se contra o anteprojeto conduzido por Dom Luciano Duarte. Sem dúvida, eram duas forças consideráveis. Professores e alunos formavam fileiras contra a forma como era conduzida a situação. Todavia, o Bispo tinha muita força social e também nos meios políticos. Dom Luciano era uma voz ouvida e respeitada, apesar de ainda muito novo. Como membro do Conselho Federal de Educação, conhecia o que se passava nas raias do poder.

As aspirações dos sergipanos por uma Universidade vinham da década de 1950 e aumentariam na década seguinte, especialmente após a criação da Faculdade de Medicina, no mandato do governador Luiz Garcia (1959-1962). Atravessou os governos de Juscelino Kubitscheck, Jânio Quadros e João Goulart. Em 1963, através da Lei nº 1.194, de 11 de junho, o governador do Estado de Sergipe, João de Seixas Dória, autorizou a transferência dos estabelecimentos de ensino superior existentes no Estado para a futura Universidade Federal de Sergipe. A UFS começava, assim, a ser gestada.

É inegável que o Estado e a Igreja, esta representada, sobretudo, por Dom Luciano Duarte, uniram-se para a criação da Universidade Federal de Sergipe. As Faculdades então existentes e que se congregaram eram: Faculdade de Ciências Econômicas, Faculdade de Química, Faculdade de Direito (federalizada), Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe (que ofertava os cursos de Filosofia, Letras Anglo-Germânicas, Matemática, Geografia, História e Pedagogia), Escola de Serviço Social e Faculdade de Medicina.

Pela letra do Decreto-Lei nº 269, de 28 de fevereiro de 1967, da lavra do presidente Castelo Branco, a Universidade Federal de Sergipe foi criada. Enfim, a 15 de maio de 1968, no governo do presidente Costa e Silva, depois de muitas marchas e contramarchas, a UFS foi solenemente instalada com natureza fundacional, como defendeu Dom Luciano, e cujo primeiro reitor foi o professor de Medicina, João Cardoso Nascimento Júnior.

Nunca se deverá negar a contribuição decisiva de Dom Luciano para a criação da Universidade Federal de Sergipe. Embora por muito tempo o patrulhamento ideológico esquerdista posicionou-se radicalmente contra Dom Luciano, cometendo injustiça contra ele, não haverá como apagar da UFS o nome deste homem da Igreja que nos deixou na última terça-feira, dia 29.

Há tempos, o CONSU aprovou o nome de Dom Luciano Duarte para a Biblioteca Central – BICEN. Tal aprovação não pôde ser efetivada por força de lei federal que impede nominar bens públicos imóveis com o nome de pessoas vivas. Agora, nada mais impede que a UFS efetive a homenagem a quem tanto lutou pela sua criação.
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* Reitor da Universidade Federal de Sergipe.

Texto e imagem reproduzidos do site: ufs.br

A memória de Dom Luciano Duarte

Foto extraída do Google e postada pelo blog, para ilustrar o presente artigo

Texto publicado originalmente no site da UFS, em 30 de maio de 2018

A memória de Dom Luciano Duarte

Por Jorge Carvalho do Nascimento *

Dom Luciano foi uma das figuras de que maior contribuiu com a vida de Sergipe, sob todos os aspectos

A memória está depositada nas lembranças dos velhos, em registros escritos nas bibliotecas, em computadores, em residências de particulares, em empresas, no espaço urbano, no campo.
Sergipe perdeu nesta terça-feira, 29 de maio de 2018, um dos seus filhos de maior importância, que nos legou importantes registros de memória que dão sentido a História da vida deste Estado durante a segunda metade do século XX. O Arcebispo Emérito de Aracaju, Dom Luciano José Cabral Duarte, que morreu aos 93 anos de idade, foi uma das figuras de que maior contribuiu com a vida de Sergipe, sob todos os aspectos e, como todos os homens de brilho e com capacidade de liderar despertou também muitas polêmicas em torno do seu nome.

Ao longo de toda a sua vida sacerdotal e docente, Dom Luciano Duarte teve ao seu lado, como guardiã do seu trabalho e também da sua memória, a expressiva figura da sua irmã, Carmen Dolores Duarte, irmã de Dom Luciano, uma espécie de secretária particular do prelado. Se já o era antes, agora é fundamental que os intelectuais brasileiros aprofundem a reflexão sobre as formas de ação de Dom Luciano José Cabral Duarte.

Ele foi um pastor obstinado com a sua missão, homem de personalidade igualmente forte, alta sensibilidade social, extraordinária capacidade de realização e um refinado intelectual no trato das idéias. Doutor em Filosofia, professor, fundador da Faculdade Católica de Filosofia, do Ginásio de Aplicação e da Universidade Federal de Sergipe. Jornalista, radialista, dinamizador de um importante projeto de assentamento agrário, escritor, uma das principais lideranças da Igreja Católica no Brasil e Vice-Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano – CELAM.

Agora, é tarefa de todos analisar a sua trajetória de vida, passando pelas suas atividades em família, pelo período durante o qual foi estudante, pela sua vida de sacerdote católico, de intelectual e profissional da educação, da cultura e da assistência social. É notável a contribuição dada por ele. É importante salvaguardar a sua memória, envidar esforços para compreender este passado recente da vida brasileira. É este o melhor caminho para aprofundar a narrativa histórica.

Foi pelo esforço de Carmen Duarte que se organizou o acervo documental que pertenceu a Dom Luciano Duarte e que atualmente se encontra depositado no Museu de Arte Sacra, em São Cristóvão, institutição fundada pelo próprio Arcebis durante o período no qual governou a Arquidiocese de Aracaju e liderou a Igreja Católica em Sergipe. O material inclui documentação impressa, manuscrita, áudio-visual e magnética, com significativo valor para a sua memória. Também foram incorporados documentos por familiares e amigos de Dom Luciano. Do mesmo modo que o acervo musical com gravações em Long Plays que o prelado acumulou ao longo da sua vida. E a sua biblioteca. São aproximadamente 8.600 documentos escritos e cerca de 5 mil fotos. E mil LPs digitalizados e transformados em CDs.

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* Professor do Departamento de História.

Texto reproduzido do site: ufs.br