quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Almir do Picolé relembra dores e agradece a honraria na Alese

Foto: Jadilson Simões

Publicado originalmente no site da ALESE, em 21 de agosto de 2018

Almir do Picolé relembra dores e agradece a honraria na Alese

Por Aldaci de Souza – Rede Alese

Abandonado pelos pais aos quatro anos de idade, Almir Almeida Paixão, 48, sabe de perto o que é sobreviver da boa vontade e passar por cima dos obstáculos nas ruas de Aracaju. Conhecido como Almir do Picolé (era vendedor), as dores e marcas da infância o fizeram correr atrás de um sonho: construir uma creche para que dezenas de crianças e adolescentes não passem as amarguras que ele sofreu juntamente com sua irmã.

Desejo realizado, Almir não consegue deixar as ruas e é nos semáforos que ele pede ajuda para levar seu projeto adiante. Em meio às dificuldades, uma alegria: no próximo dia 23 de agosto, o presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe, deputado Luciano Bispo (MDB), lhe entregará a Medalha do Mérito Parlamentar, a maior honraria da Alese. “Já escolhi o terno, estou me sentindo importante. Vai ser aqui no mesmo lugar que os deputados ficam?”, indaga com toda a simplicidade que lhe é característica.

Quem contribui para a Creche Almir do Picolé nos semáforos da capital sergipana não sai de mãos limpas. Recebe um texto contando a história da entidade localizada em Nossa Senhora do Socorro e uma canetinha. Quem não doa nada, pode levar os brindes sem problema. Como bem diz Almir do Picolé, o importante é que a população conheça o seu trabalho intenso para que não falte alimentação, saúde e educação aos

“Eu tive uma vida de infância sofrida, fui garoto de rua e dormi muito na rodoviária velha, inclusive na rua de Arauá, tem uma casa recuada, que eu pedia todo dia comida e a finada d. Noêmia Almeida me dava. Ela me ajudou muito. Eu e minha irmã sofremos muito, mas ela também conseguiu superar, casou, tem cinco filhos e todos estão se formando. Eu estudei até a terceira série porque tenho problemas visuais”, conta.

Abandono

Difícil é saber que foi abandonado pelos pais com quatro anos, a irmã com apenas dois e perdoar. Mas para Almir do Picolé difícil mesmo é não ter como proporcionar dias melhores aos seus filhos naturais e adotivos. “A gente foi abandonado muito pequeno e minha irmã não quer perdoar minha mãe, mas eu já perdoei. Minha mãe mora em São Paulo e meu pai já faleceu. Ela pegou um ônibus cinco horas da manhã para ir para São Paulo trabalhar e deixou a gente na rodoviária confiando que os parentes de Lagarto viessem buscar. Ela não fez por maldade. Já fui me encontrar com ela em São Paulo e perdoei. Morei em orfanatos, mas voltava pras ruas pra vender picolé. Tenho uma gratidão grande a d. Ildete Falcão Batista que me tirou das ruas e me colocou no Instituto Lourival Fontes. Mandou o motorista Seu Candinho me pegar na Kombi, nas proximidades da rodoviária velha e dizia que eu era um menino bom; me tratava como filho”, relembra sem conseguir conter as lágrimas.

Trabalho Social

O sonho começou a se transformar em realidade no ano de 2003, com dez crianças de meses até cinco anos de idade.

“Agora eu tenho 93 meninos e meninas que se alimentam e estudam. Além da creche eu dou assistência funeral às pessoas carentes, dou remédios e faço outros trabalhos sociais. Tenho um trabalho fantástico dentro da rodoviária nova com as pessoas desabrigadas; fico nos semáforos e tenho o sistema de telemark, em que as pessoas podem ajudar pelos telefones (79) 3248-1413 e (79) 3254-7644, além de contas bancárias nas agências do Banese, da Caixa Econômica e Banco do Brasil”, diz.

Na Creche Almir do Picolé, as atividades são desenvolvidas por ele, a esposa, a filha de 17 anos e o filho de 14 anos, além 27 funcionários. “São 27 pais de famílias registrados para recolher INSS e FGTS todo mês. Tenho 28 anos de trabalho social e agora está chegando o Dia das Crianças, onde vai ter o palco e o som em frente à creche para a diversão das crianças”, afirma lembrando que na creche, as crianças chegam antes das sete horas da manhã, recebem três refeições e participam de atividades pedagógicas até às 17h quando as mães retornam.

Homenagem

Sobre a homenagem que receberá da Assembleia Legislativa de Sergipe, Almir do Picolé disse ter ficado muito feliz quando foi informado.

“Essa homenagem que o deputado Luciano Bispo junto com os outros deputados vão fazer pra mim é o reconhecimento do meu trabalho. Eu já recebi quase 50 prêmios, já apareci no Fantástico e no programa de Luciano Huck. Isso me dá mais responsabilidade com as minhas responsabilidades no que eu faço para manter os salários dos meus funcionários em dia e ajudar as crianças com as doações que recebo não só nas ruas, mas de vários órgãos públicos e empresas particulares. A gente recebe doação do mais humilde até os empresários, a imprensa, o Poder Judiciário. É uma honra receber essa homenagem dia 23, vou chegar de terno aqui e estou convidando um monte de amigos, estou dando entrevistas nas rádios”, comemora...

Texto e imagem reproduzidos do site: al.se.leg.br

Nome de Maria Beatriz será gravado em Comenda Cultural

Foto: Google - Arquivo Nacional

Publicado originalmente no site do Portal da ALESE, em 03 de setembro de 2018

Nome de Maria Beatriz será gravado em Comenda Cultural

Por Stephanie Macêdo – Rede Alese

A sergipana Maria Beatriz Nascimento terá seu nome gravado em Comenda Cultura que foi  aprovada por unanimidade pela Casa Legislativa de Sergipe. A comenda foi proposta pela deputada petista, Ana Lula, por meio de Projeto de Resolução de nº 38/2018, que fora aprovado durante votação de Projetos de Lei no último dia 28 de agosto.

Intelectual, pesquisadora e ativista, Beatriz Nascimento nasceu em Aracaju, em 12 de julho de 1942, filha da dona de casa Rubina Pereira do Nascimento e do pedreiro Francisco Xavier do Nascimento. Ela e seus dez irmãos migraram com a família para o Rio de Janeiro na década de 1950. Com 28 anos iniciou o curso de graduação em História, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), formando-se em 1971. Durante a graduação fez estágio no Arquivo Nacional com o historiador José Honório Rodrigues.

Para a deputada Ana Lula, “Beatriz era uma grande teórica e pesquisadora da histórica do negro no Brasil na ótica da pesquisa dos quilombos. “Comenda terá o nome de Maria Beatriz  para homenagear  e  fazer referência às pessoas que promovem e trabalham para a cultura no Estado. Ela tem cerca de 10 livros publicados,e  em Aracaju,  tem seu nome dado na ocupação do Japãozinho”, explica Ana Lúla.

Além da militância intelectual, Beatriz era poetisa. Sua poesia traz à cena a experiência de ser mulher negra. Essa sensibilidade se traduziu em toda sua escrita. Estava fazendo mestrado em comunicação social, na UFRJ, sob orientação de Muniz Sodré, quando sua trajetória foi interrompida. Beatriz foi assassinada ao defender uma amiga de seu companheiro violento, deixando uma filha.  Faleceu em 28 de janeiro de 1995 no Rio de Janeiro.

História de Vida

Formada, passaria a trabalhar como professora de História da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro, articulando ensino e pesquisa. Nessa mesma época, passaria a exercer sua militância intelectual através de temáticas e objetos ligados à história e à cultura negras. Esteve à frente da criação do Grupo de Trabalho André Rebouças, em 1974, na Universidade Federal Fluminense (UFF), compartilhando com estudantes negros universitários do Rio e de São Paulo a discussão da temática racial na academia e na educação em geral. Exemplo dessa militância intelectual foi a sua participação como conferencista na Quinzena do Negro, realizada na USP, em 1977, evento que se configurou como importante encontro de pesquisadores negros.

Concluiu a Pós-graduação lato sensu em História, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em 1981, com a pesquisa “Sistemas alternativos organizados pelos negros: dos quilombos às favelas”, mas seu trabalho mais conhecido e de maior circulação foi o filme Ori (1989, 131 mim), de sua autoria, dirigido pela socióloga e cineasta Raquel Gerber. O filme, narrado pela própria Beatriz, apresenta sua trajetória pessoal como forma de abordar a comunidade negra em sua relação com o tempo, o espaço e a ancestralidade, emblematicamente representados na ideia de quilombo.

Beatriz Nascimento, ao longo de vinte anos, tornou-se estudiosa das temáticas relacionadas ao racismo e aos quilombos, abordando a correlação entre corporeidade negra e espaço com as experiências diaspórias dos africanos e descendentes em terras brasileiras, por meio das noções de “transmigração” e “transacionalidade”. Seus artigos foram publicados em periódicos como Revista de Cultura Vozes, Estudos Afro-Asiáticos e Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, além de inúmeros artigos e entrevistas a jornais e revistas de grande circulação nacional, a exemplo do suplemento Folhetim da Folha de S. Paulo, Isto é, jornal Maioria Falante, Última Hora e a revista Manchete.

Com informações do site; antigo, acordacultura

Texto e imagem reproduzidos do site: al.se.leg.br

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Maria Ruth Wynne Cardoso, conhecida por Tia Ruth (1930 - 2018)


Publicado originalmente pelo blog Contexto Reporter A, em 7 de junho de 2011

Campanha pelo Hospital do Câncer em Sergipe é nova batalha da criadora da Avosos

Por Ilton Bispo

Maria Ruth Wynne Cardoso, hoje mais conhecida por Tia Ruth, nasceu em 1930, em Aracaju. De família simples, aprendeu com seus pais, Eduardo e Débora Wynne Cardoso, o sentido da vida. Dona de um sorriso meigo e de um olhar penetrante que cativa qualquer um, principalmente pela sua humildade, tem a força da mulher brasileira e as mãos sempre prontas para servir.

A luta de Tia Ruth na oncologia teve início com as visitas diárias que realizava aos pacientes internados no Hospital Cirurgia, levada pelo compromisso de servir ao próximo. Nestas visitas ela percebeu a carência tanto de recursos hospitalares, quanto de apoio humano. Doceira de mão cheia foi através de um simples bolo que começou seus primeiros contatos junto aos pacientes. Com o trabalho voluntário de distribuir seus bolos, Tia Ruth foi ganhando a confiança dessas pessoas que já notavam algo diferente naquela senhora, pois quando algum paciente não podia mastigar, ela molhava o bolo em um suco e oferecia, com a mesma calma e sorriso de sempre. Levada pela necessidade, além do bolo, Tia Ruth começou a distribuir lanches, agasalhos e palavras de conforto.

Em um gesto de bondade, abriu as portas da sua própria casa para acolher pacientes que ficavam nas calçadas do hospital, alguns chegavam a pernoitar à espera de um leito, ou até mesmo de uma sessão de quimioterapia: avia ainda os que recebiam alta, mas não tinham para onde ir. Até o transporte chegar; muitas dessas pessoas acabavam se instalando na casa de Tia Ruth. Depois de alguém tempo, sua casa passou a ser frequentada pelos pacientes que vinham do interior de Sergipe e dos estados da Bahia e de Alagoas. Ela repartia seu alimento com seus hóspedes e quando acabava, o que era comum, saia pedindo aos vizinhos. Assim mesmo, sem saber, estava transformando sua casa em casa de apoio, funcionando informalmente, que ela mesma chamava de “A casa do Caminho”.

Essa aracajuana de 81 anos, mãe de três filhos, sensibilizou outras pessoas que se uniram a ela na luta pelos pacientes portadores de câncer. O grupo de voluntários cresceu e passou a ter reconhecimento junto à comunidade, recebendo doações e mantimentos. Houve então a necessidade de maior organização no trabalho e em 24 de julho de 1987, foi fundada legalmente a Associação dos Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe (Avosos), instituição filantrópica e sem fins lucrativos. No ano seguinte, foi instalada a primeira sede oficial da Avosos.

Tia Ruth optou pelos pacientes de câncer pela carência e a descriminação que existia tempos atrás. Na época nem a palavra “câncer” podia ser pronunciada. Alguns enfermos chegavam a ser renegados pela própria família, o que a tocava muito e a motivava cada vez mais. Para diminuir a distância entre os pacientes e seus familiares, ela passava horas escrevendo cartas, pois a maioria deles não sabia ler nem escrever. Eram pequenos gestos que significavam muito para eles.


Ao longo dos anos, Sergipe não desenvolveu uma política de tratamento do câncer e por isso não possui um hospital específico para o tratamento do câncer. O estado tem apenas dois centros de oncologia que funcionam em hospitais da capital, mas os serviços não são ofertados satisfatoriamente. O HUSE - (Hospital de Urgências de Sergipe) possui apenas dois aparelhos de radioterapia, quando na verdade são necessário mais dois. Cada aparelho comporta somente 75 procedimentos por dia, mas atualmente faz mais de 110 e durante todos os dias da semana. A consequência disso é a quebra constante do aparelho prejudicando todo o procedimento terapêutico nos pacientes, piorando uma doença que já é grave.

E em virtude das deficiências do HUSE, a Avosos sofreu a perda de muitas crianças e adolescentes, fato triste que marcou profundamente a vida de Tia Ruth e fez com que a instituição implementasse em suas campanhas a compra de medicamentos oncológicos para suprir a deficiência hospitalar. Em 1992 nasceu a Casa de Apoio à Criança com Câncer Tia Ruth, que faz parte do Avosos e contribui para suprir as limitações do HUSE, realizando o tratamento de câncer em nível ambulatorial através de convênios.

Os números de pacientes com câncer em Sergipe são altos. Segundo o especialista Dr Petrônio Gomes, para 2011 são estimados mais de 4 mil novos casos de câncer dos quais mais de 1.600 em homens e 2.000 em mulheres. O câncer de próstata será o mais devastador, atingindo mais de 520 casos e os de mama e de colo de útero atingirão mais de 600 mulheres. Desses casos, 50% necessitarão de radioterapia, cirurgia oncológica e quimioterapia. Sem falar nas crianças e nos adolescentes, que não estão inclusos nessa estatística. A cada o sofrimento e a mortalidade dos pacientes aumenta no HUSE e fora dele. São crianças, adolescentes e adultos que necessitam não só de meios médicos, mas também de um ombro amigo e de uma palavra de conforto.

É nesse cenário que Tia Ruth surge mais uma vez, realizando suas tradicionais visitas, levando lanches, cuja distribuição se tornou sua marca registrada. Ela não se cansa de ser voluntária e de se doar, pois acredita que o trabalho voluntário é uma das formas mais generosas de contribuir para um mundo melhor, mais justo e sem disparidades. É difícil encontrar alguém, pelos corredores dos hospitais, que não fale da sua luta. Todos a admiram pela coragem, força de vontade e generosidade. Tinha Ruth é o exemplo que todos querem seguir.

Foi em virtude da importância e necessidade de se obter um hospital especializado para tratar pacientes que sofrem com o câncer que o senador Eduardo Amorim (PSC) lançou, neste ano, uma campanha para construção de um hospital do câncer em Sergipe. A sociedade sergipana está se mobilizando para conseguir, através de abaixo-assinado, as assinaturas necessárias para mostrar ao governo federal a necessidade de enviar os recursos para a construção do hospital.
  
Essa construção é esperada com muita expectativa por Tia Ruth, que acredita e torce por essa campanha. Ainda assim ela prefere manter os pés no chão, pois, segundo ela, já houve outras iniciativas semelhantes que, apesar de serem louváveis, não se concretizaram, por algum motivo. Enquanto o sonho de Tia Ruth não se realiza, a Avosos vai realizando sua missão junto aos pacientes. Criando e articulando soluções de forma integral para a melhoria do tratamento e da qualidade de vida de crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas.

Hoje Tia Ruth é presidente da ONG que se transformou no Complexo Avosos, formado por duas unidades, a Casa de Apoio à Criança com Câncer Tia Ruth e o Centro de Oncologia Dr. José Geraldo Dantas Bezerra. Atualmente mais de 350 crianças e adolescentes com câncer e hemopatias são assistidas pela Avosos. As atividades da instituição são elaboradas visando elevar a qualidade de vida dos assistidos e de seus familiares.
  

Todos dizem que o xodó de Tia Ruth é sua filha biológica e especial, conhecida como “Jéjé,” que se tornou especial devido à demora da realização do parto. Extremamente religiosa, não desanimou e acreditou que tudo poderia ser superado pela força da oração. Cuidar de sua filha, segundo ela, é uma aprendizagem mesmo em meio às limitações. Um dos medos de Tia Ruth é morrer e ter que deixar sua filha, por isso desde já começa a se disciplinar. Como todo brasileiro, gosta de música a predileta de Tia Ruth é o Hino da Avosos, música de melodia doce que toca profundamente o seu coração. Mas o que ela realmente gosta de fazer é ser voluntária. Em 2005 foi condecorada em Brasília, com a medalha do “Mérito Legislativo Câmara dos Deputados”, pelos serviços prestados a sociedade sergipana e ao Brasil através da Avosos, conquistas como esta são atribuídas por ela a Deus.

A campanha para o hospital do câncer em Sergipe tem apoio de Tia Ruth, e está a todo vapor, as assinaturas com abaixo assinado em apoio à construção do Hospital do Câncer de Sergipe será entregue ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ainda este mês em Brasília/DF. As pessoas que se identificam com a causa da Tia Ruth podem procurar a instituição, para realizar um cadastro de voluntário, qualquer pessoa pode ajudar, basta se dirigir a sede da Avosos onde Tia Ruth e o seu grupo lutam, até hoje, para provar que o “amor cura.”

Endereço da Avosos - Rua Leonel Curvelo, 55, bairro Suissa

Créditos fotográficos: atalaiaagora.com. br, portal da saúde, emsergipe.com

Texto e imagens reproduzidos do blog: contextoreportera.blogspot.com

Fernando Lins de Carvalho (1948 - 2018)

Foto reproduzida do Google e postada pelo blog

Intelectuais sergipanos lamentam morte de Fernando Lins de Carvalho.

De post no Facebook/Jorge Nascimento Carvalho, em 15 de setembro de 2018

“Triste com a notícia da morte do amigo professor Fernando Lins de Carvalho. Fernando Lins foi Presidente da Fundesc e Secretário de Educação do Município de Aracaju. Possui especialização em Estudos Brasileiros pela Universidade Presbiteriana Mackenzie(1981) e mestrado em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe(2004). Era professor titular aposentado da Universidade Federal de Sergipe e professor da Faculdade de Administração e Negócios de Sergipe. Duas pesquisas e publicações foram sempre voltadas para a área de Antropologia, com ênfase em Antropologia Cultural” (Jorge Carvalho do Nascimento). 

******************************************************

De post no Facebook/Amaral Cavalcante, em 15 de setembro de 2018

“Foi-se o professor Fernando Lins de Carvalho, uma Inteligência privilegiada, intelectual operoso e bom amigo. Fui seu assessor especial na Subsecretaria da Cultura do 1º governo João Alves e testemunhei os seus esforços para que fosse criada uma Fundação Cultural e uma Secretaria de Estado da Cultura com status e orçamento próprios. Além dos avanços na área da administração cultural, Fernando deixa os mais importantes estudos sobre a Antropologia Cultural em Sergipe e uma legião de ex-alunos saudosos” (Amaral Cavalcante).

Textos reproduzidos do Facebook

domingo, 16 de setembro de 2018

Tia Ruth e sua obra solidária

Tia Ruth, um exemplo de vida

Publicado originalmente no Blog Luiz Eduardo Costa

Tia Ruth e sua obra solidária 

Por Luiz Eduardo Costa

          Quando no futuro for registrado como se cuidava dos pacientes oncológicos em Sergipe, das crianças com câncer, dos pobres afetados pelo câncer, surgirá o nome da Tia Ruth como a pessoa que foi muito além do que fazem os que simplesmente reclamam e procuram identificar culpados.

          Tia Ruth tinha a consciência límpida de que a responsabilidade diante de fatos que constrangem, que causam dor e sofrimento, deve sempre ser compartilhada com toda a sociedade. Entendia que a falta de ação, a ausência de protagonismo de indivíduos ou grupos sociais, eram omissões intoleráveis, que deveriam ser combatidas através de exemplos, capazes de demonstrar que a solidariedade é possível e é sentimento que existe, precisando ser despertado.

          E o que ela fez durante quase toda a sua vida foi uma cruzada em busca da solidariedade. Sacrificou-se nesse intento que a dominava, às vezes até abatia, mas encontrava uma inspiração para não se deixar dominar pelo desanimo. Tia Ruth conseguiu fazer da sua existência um permanente exemplo de que é possível sentir o sofrimento de cada indivíduo como se fosse uma dor coletiva, que coletivamente teria de ser amenizada e vencida.

          Para fazer o que imaginava, ela criou uma instituição, que cedo se tornou referência: a AVOSOS, que cuida de quem tem câncer, principalmente crianças. Criou um ambiente propício, para se contrapor à desesperança e gerar a resistência psicológica ao mal, e fez uma rede de interação com as clínicas estatais e particulares especializadas.

          Tia Rute morreu de câncer aos 89 anos e deu exemplos de como a ele se pode resistir, ou chegar ao fim com dignidade. A AVOSOS tem mais de 150 voluntários, tornou-se uma iniciativa coletiva, sob o comando, agora, de um devotado ao que faz, Wilson Melo. Nela, Tia Rute permanecerá como inspiração intensa de coragem, denodo e virtudes.

Texto e imagem reproduzidos do blogluizeduardocosta.com.br

sábado, 15 de setembro de 2018

Antropólogo Fernando Lins morreu neste sábado em Aracaju

Foto reproduzida do Facebook/GrupoMTéSERGIPE/Jorge Lins

Texto publicado originalmente no site G1 Globo SE., em 15/09/2018

Antropólogo Fernando Lins morreu neste sábado em Aracaju, em consequência de problemas pulmonares.

Por G1 SE

Morreu neste sábado (15) o antropólogo Fernando Lins Carvalho na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital localizado no Bairro São José, em Aracaju (SE).

De acordo com informações passadas pelos familiares, no meio da semana ele apresentou problemas pulmonares e foi internado na unidade de saúde.

Fernando Lins era professor, antropólogo e ex-secretário da Educação do município de Aracaju.

A família informou que o velório ocorre na tarde deste sábado em um velatório localizado na Rua Itaporanga, Região Central de Aracaju. O sepultamento está marcado para às 16h30 no Cemitério Santa Izabel, também na capital.

Texto reproduzido do site: g1.globo.com/se

Jorge, Lineu e Fernando - Irmanados na Vida, na Arte e na Cultura


Publicado originalmente no Facebook/GrupoMTéSERGIPE/Jorge Lins, em 16/12/2014.

"Três dos Lins...eu, Lineu (o mais velho) e Fernando (o Professor).

 Tenho muito orgulho da história construída pelos meus irmãos para o fortalecimento da Cultura do nosso Estado" (Jorge Lins).

Reprodução: Facebook/Minha Terra é SERGIPE.

Fernando Lins de Carvalho (1948 - 2018)

Professor Fernando Lins de Carvalho e docentes da rede
municipal de Canindé do São Francisco - SE, durante oficina
pedagógica. Revista Canindé, n. 2, p. 324.
Foto e legenda reproduzidas do blog: itamarfo.blogspot.com

Homenagem a Fernando Lins de Carvalho (1948 - 2018)


O Mestre Fernando Lins de Carvalho é uma personalidade sergipana.

Formado em História e Direito, Mestre em Arqueologia e uma sumidade na área cultural. 

Em 2008 recebeu a mais alta condecoração concedida pelo município de Aracaju: a Medalha Cultural Ignácio Barbosa. 

Foi homenageado com a construção do Centro Municipal de Aperfeiçoamento e Recursos Humanos Profº Fernando Lins de Carvalho. 

Em 2003 lançou o livro Pré-História Sergipana pelo Max e pela UFS (ambas instituições comportam projetos do professor) e, no 1º Fórum da Sergipanidade proferiu a Palestra "Religiosidade Sergipana: Análise do sagrado no processo de criação e da organização dos grupos sociais e da sociedade sergipana"...

Fonte: yaonile.blogspot.com

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Morre Tia Ruth, fundadora da Avosos


Fotos: Avosos

Texto publicado originalmente no site Xodó News, em 13 de setembro de 2018

Morre Tia Ruth, fundadora da Avosos

 Velório será a partir de 11h desta quinta, dia 13 de setembro de 2018, na sede da Avosos.

“Ciranda de amor, às vezes de dor”. Assim começa o Hino da Associação dos Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe (Avosos). O momento agora é de dor entre assistidos, acompanhantes, voluntários, funcionários e parceiros da instituição, uma vez que acaba de falecer Maria Ruth Wynne Cardoso, carinhosamente conhecida como Tia Ruth. Na ciranda da vida as palavras de Tia Ruth ao descobrir, em fevereiro deste ano, que estava com câncer no estômago: “Se minhas crianças passaram por isso e suportaram eu também vou aprender a suportar”. O velório será a partir de 11h desta quinta, dia 13 de setembro de 2018, na sede da Avosos (rua Leonel Curvelo, 55, bairro Suíssa).

Inspiração

Impossível descrever em palavras um ser humano como Tia Ruth. Amor, carinho, dedicação ao próximo, bondade, gentileza, inspiração, mensageira da paz… São muitos os adjetivos que pincelam a imagem desta grande mulher. Fortaleza na luta contra o câncer infantojuvenil, Tia Ruth sempre estampou nos corações de quem a segue a frase: “O amor cura”. O lema virou slogan da Avosos e a legião de voluntários, atualmente composta por 140 pessoas, sempre se inspiram em suas orientações morais e hoje estão munidos de uma base forte para que, como Tia Ruth costuma dizer, “a obra Superior seja sempre mantida e que o mestre Jesus continue guiando através das mãos de cada um”.

Linha do tempo

A vida desta grande mulher se cruza, em diversos pontos, com a história da Avosos. Era uma quarta-feira do ano de 1982 e a Fundação Beneficência Hospital de Cirurgia foi o cenário para o início dessa linda história. Tia Ruth, dona de casa, morava perto ao hospital e resolveu dedicar parte de seu tempo na ajuda ao próximo. Tia Ruth passou a realizar constantes visitas aos pacientes internados no hospital e a Ala de Oncologia foi a que mais mexeu com seus sentimentos.

Tia Ruth começou então a atuar neste setor, levando agasalhos, lanches e palavras de conforto e carinho. Desde então, alguns amigos forneceram, e fornecem, ajuda preciosa para que esta missão possa ser levada adiante. E quanto mais se trabalha em prol do próximo, mais necessidades são observadas. Os olhos atentos de Maria Ruth Wynne Cardoso viram mãezinhas, crianças e adolescentes do interior do Estado, e também de Estados vizinhos, dormindo em condições precárias, esperando um leito, passando fome, frio, nas calçadas do hospital esperando um transporte… Tia Ruth abriu as portas de sua casa para estas pessoas, que funcionou informalmente como a primeira casa de apoio do que se chamaria mais tarde de Avosos.

Mais pessoas se juntaram a causa ao longo do tempo e aos poucos um grupo foi se formando e conquistando o reconhecimento da comunidade, que ajudava doando roupas e mantimentos. Eram 17 pessoas trabalhando em prol de um único objetivo: ajudar e acolher pacientes oncológicos carentes.

Com tamanha proporção, o grupo sentiu a necessidade de oficializar esse trabalho. Foi em 24 de julho de 1987, após uma reunião na casa de Tia Ruth, que a Associação de Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe foi fundada. Neste dia estavam presentes Tia Ruth, Anna Lobão, Jeane Vieira, Wilson Melo, Judite Lobão, Inah Leão, Marlene Andrade, Marcelo Andrade, Silvia Maciel, Dilma de Souza e Nivalina Brás.

A partir de então a Avosos passou a acolher pacientes com câncer e seus acompanhantes na casa de Tia Ruth, que passou a funcionar como sede provisória da Associação. O abrigo que antes era informal passou a ser sede temporária da entidade.

Desafios

Naquela época muitas crianças e adolescentes abandonavam o tratamento devido às dificuldades financeiras e sociais para locomoção, alimentação, hospedagem e até mesmo pela falta de estrutura do hospital. Hoje, com o auxílio da Avosos, a taxa de abandono foi reduzida a zero.

Em 1988, a Avosos conquistou sua primeira sede oficial em virtude da generosidade de uma voluntária. Em 1992 a instituição recebeu a generosa doação de uma casa, feita por um casal amigo por intermédio da voluntária Telma Andrade. Mais amplo e confortável, o local proporcionava mais comodidade aos pacientes e seus acompanhantes. A entidade começava a se desenvolver e oferecer melhores condições aos seus assistidos. A partir daí a Avosos passou a atender apenas crianças e adolescentes com câncer, dando origem à Casa de Apoio à Criança com Câncer Tia Ruth/Avosos.

Uma prova do reconhecimento do trabalho da instituição veio no ano de 1996 com o convite da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e da direção do Hospital Governador João Alves Filho (HGJAF), atual Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE), para implantar e administrar um serviço médico ambulatorial na área de oncologia do hospital. Além disso, a entidade assumiu o internamento sem receber nada da SES pelo atendimento hospitalar.

No ano seguinte a Avosos inaugurou a Unidade Dr. Jorge Marsillac, hoje Centro de Oncologia Dr. José Geraldo Dantas Bezerra, que realizava tratamento do câncer em nível ambulatorial por meio de convênios. A renda ajudava a suprir as necessidades do setor oncológico do HGJAF e os trabalhos assistenciais da Casa de Apoio.

A Avosos administrou o setor de oncologia do HGJAF por quatro anos. Durante esse período o Centro de Oncologia da Unidade de Saúde consolidou-se como referência regional no tratamento oncológico. No ano de 2000 a coordenação do HGJAF foi passada para Secretaria Estadual de Saúde. Mesmo não estando mais à frente da administração do hospital, a Avosos continuou presente, levando lanches, palavras amigas aos pacientes oncológicos e dando o suporte necessário na falta de medicamentos e de exames para as crianças e adolescentes tratados no setor.

Mudanças

Com mais de 10 anos de caminhada, bem como novos desafios a superar, a instituição passou por algumas mudanças físicas e estruturais. Uma nova sede surge em 2000, ainda mais ampla e com um número maior de voluntários e profissionais, dando origem assim à equipe multidisciplinar da entidade para melhor atender seus assistidos.

A captação de recursos também foi intensificada com a implantação do serviço de Telemarketing na sua sede para divulgar e arrecadar mais fundos para a Avosos. No ano seguinte os atendimentos foram ampliados, passando a atender pacientes com doenças hematológicas crônicas.

Em 2004, fundadores, voluntários e assistidos puderam presenciar a concretização de um sonho. A associação inaugurava sua sede própria: o Complexo Avosos, composto pela Casa Tia Ruth de Apoio à Criança com Câncer/Avosos e o Centro de Oncologia Dr. José Geraldo Dantas Bezerra, antes denominado Dr. Jorge de Marsillac.

Os recursos para a construção da Casa Tia Ruth de Apoio à Criança e ao Adolescente com Câncer foram doados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com financiamento não reembolsável da área social. Também contribuíram para a construção da sede própria o Instituto Ronald Mcdonald (campanha McDia Feliz). Já o Centro de Oncologia foi construído com recursos próprios. A mobília da Casa de Apoio teve a contribuição da Construtora Celi e do Banco do Estado de Sergipe (Banese).

Em 2010 a Avosos inaugurou o Serviço de Oncologia e Hematologia Pediátrica (Sohep) para somar forças no combate do câncer infantojuvenil. Atualmente, a entidade presta apoio aos casos suspeitos da doença encaminhados pelo Centro de Oncologia do HUSE e as Unidades Básicas de Saúde, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju.

Conquistas, perdas, muitas lutas e, acima de tudo, vitórias. Assim é a história da Avosos e desta grande mulher, eterna presidente de Honra da Avosos: Tia Ruth.

Fonte: Ascom/Avosos

Texto reproduzido do site: xodonews.com.br

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Morreu em (05/09/2018), na cidade de Aracaju, o economista Nilton Pedro

Foto: Infonet

Publicado originalmente no site F1 Fan, em 05 de setembro de 2018

Morre em Aracaju (SE) o economista Nilton Pedro

Por Leonardo Barreto

Faleceu nesta quarta-feira, 5, em Aracaju (SE), o economista Nilton Pedro. De acordo com informações de amigos, ele estava com a saúde fragilizada depois de ter sofrido um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Nilton era um intelectual respeitado, graduado em Economia e Direito pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE. O economista, foi diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da Universidade Federal de Sergipe (UFS) de 1997 a 2005.

Nilton é considerado um dos nomes importantes do Partido Socialista Brasileiro (PSB) em Sergipe. Pernambucano do Timbaúba, escolheu Sergipe para viver e deu sua contribuição para o desenvolvimento do menor estado do país.

O economista era casado e deixou quatro filhos.

O velório acontece no cemitério Colina da Saudade, em Aracaju, onde corpo será sepultado às 16h.

Texto e imagem reproduzidos do site: fanf1.com.br

**************************************************************

Texto publicado originalmente no site JLPolítica, em 05 de Set de 2018

Opinião - Nilton Pedro era um companheiro inigualável

[*] Dilson Menezes

Nilton Pedro, que faleceu nesta quarta-feira, 5 de setembro, era um grande amigo. Um economista competente, que prestou enorme serviço em prol do desenvolvimento do Estado de Sergipe. Solidário, prestativo, sabia cultivar grandes amizades, não apenas em Sergipe, mas no Brasil.

Professor da Universidade Federal de Sergipe, sabia integrar-se aos seus alunos, ministrando excelentes aulas e contribuindo para a formação de uma grande quantidade de profissionais da nossa época.

Nilton tinha também, além do seu valor intelectual, um espírito humanitário. Sempre esteve no Condese, ajudando e incentivando seus companheiros de trabalho. Era um companheiro inigualável.

Não existem palavras para defini-lo face à sua grandiosidade. Deixa uma grande lacuna pela sua envergadura moral difícil de ser preenchida. Os homens de bem estão gradativamente desaparecendo de Sergipe.

[*] É economista e especializado em Projeto de Desenvolvimento pelo Comissão Econômica para América Latina e em Planejamento do Setor Público pelo Centro de Treinamento Para o Desenvolvimento.

Texto reproduzido do site: jlpolitica.com.br

Uma Mulher Alemã em Maruim

Adolphine Schramm

Uma Mulher Alemã em Maruim

Por Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento

Um depoimento de Joel Aguiar, memorialista da vida maruinense, é bastante esclarecedor acerca da importância que teve a família alemã Schramm, na Província de Sergipe, durante o século XIX: “Os Schramm exerceram na cidade de Maruim benéfica influência e a opulência do seu viver, como também a generosidade dos seus gestos ainda hoje são conhecidos. O cônsul Otto Schramm foi, para Maruim, um símbolo de rara cultura e um edificante exemplo de que o trabalho tudo vence.

Velhos de hoje, que moços frequentaram o solar dos Schramm, narraram-me o fausto que ali resplandecia nas largas e claras salas muradas de espelhos e adornadas a rigor; no salão-refeitório, em cuja imensa, pesada e custosa mesa de jacarandá, com pitorescos entalhes, lampejavam os mais finos cristais, tinia um serviço extravagante de prata reluzente, branqueava uma enorme toalha de linho holandês e aromatizavam o ambiente todos os frutos da Europa e todas as especiarias do Oriente. Nas lácteas espáduas e nos alabastrinos colos das sonhadoras filhas do Reno e do Danúbio, rangiam as sedas asiáticas e cintilavam as pedrarias italianas. Era o alto burguesismo comercial de Bremen e de Hamburgo em toda a sua magnificência, neste retalho geográfico da América Austral”.

A dona da casa, a senhora considerava a sua residência aconchegante e na correspondência que enviava aos seus familiares na Alemanha a descrevia em detalhes: duas salas de estar, uma sala de jantar, quarto de dormir, o quarto de vestir do marido Ernst, o quarto de hóspedes, o quarto da empregada, um quarto grande com armários e banheira e uma grande despensa. Todos os quartos davam para um corredor que dividia a casa em duas partes. A residência era toda cercada por varandas e na parte da frente tinha dois andares. Nos fundos estavam situados a cozinha e os estábulos e na parte mais baixa ficava um grande quarto onde dormiam os escravos, a lavanderia, um quarto de passar a ferro e a despensa para vinho, cerveja e batatas.

A casa era muito bem ventilada. Todo o mobiliário era de jacarandá maciço com palhinhas finas, enquanto os móveis dos quartos tinham estilo rococó com pernas recurvas, portères de tule e cortinas. Segundo Adolphine, existiam na casa 13 tipos diferentes de cadeiras de encosto e de balanço. Para administrar a residência ela contava com duas empregadas alemãs. Além da sua casa, a alemã também gostava das noites de lua maruinenses e elogiava o céu cheio de estrelas, as frutas, os pássaros e as borboletas.

Via ainda os hábitos alimentares como outro ponto alto da vida em Maruim, destacando a ótima sopa de carne que consumia diariamente, além da carne cozida com molho picante, as verduras, o maxixe, o chuchu, a abóbora, a farinha de mandioca, a galinha ao molho pardo, o enrolado de carne, os bolinhos de carne, a salada de arenque, os bolinhos de peixe, a carne assada com feijão preto, o inhame, a salada de batata, a carne de carneiro, a carne de porco. O comércio local pareceu a Adolphine Schramm um espaço adequado para se fazer boas compras.

Todo esse refinamento, contudo, não fazia a felicidade da dona da casa, como pode ser compreendido na descrição que faz José Edgard da Mota Freitas, na introdução do livro Cartas de Maruim, acerca da vida de Adolphine Schramm em Sergipe: “um pássaro numa gaiola de ouro”. Apesar de toda a estrutura residencial de que dispunha e da admiração por alguns poucos elementos naturais e pela culinária, foi muito elevado o grau de estranhamento de Adolphine em relação ao ambiente dos trópicos. E, várias vezes, expressou claramente a sua amargura: “a vida aqui está ligada a tantas privações espirituais e naturais! Com as últimas é possível se acostumar, mas, com as primeiras, sente-se cada vez mais”.

Para Edgar Freitas, ela “não conseguiu adaptar-se ao rigor do clima tropical e à estreiteza do meio cultural. Essas dificuldades de adaptação afetaram-lhe (…) não só o corpo, mas também a alma. (…) As suas únicas compensações, para suportar as dificuldades do convívio numa terra distante, cujos costumes eram tão diferentes daqueles da sua terra natal e cujo clima lhe destruiu a beleza física, eram o amor do marido e a esperança de um dia retornar à Alemanha”.

Ao se manifestar sobre o seu estranhamento em relação ao ambiente, Adolphine, através da sua correspondência com seus familiares alemães, reclamava da natureza dos trópicos, que lhe parecia demasiadamente feia, em relação ao ambiente natural europeu.

Texto e imagem reproduzidos do site: sosergipe.com.br

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Homenagem ao sergipano Félix D’Ávila

Imagem extraída de foto de Marcelo Freitas, 
reproduzida do site do Portal Infonet 
e postada pelo blog SERGIPE..., para ilustrar artigos 

Texto publicado originalmente no site Usuário/Web/Infonet/Osmário, em 20/08/2007

Félix D’Avila uma lenda na Educação Física

Por Osmário Santos

Félix D’Avila nasceu a 19 de janeiro de 1928, na cidade de Aracaju/SE, precisamente na rua
São Cristóvão, esquina com Lagarto.

Nome dos pais: Luiz José da Costa Filho Alice Ferreira Cardoso. O pai foi advogado e o primeiro inspetor do Trabalho em Aracaju. Também atuou na política e ensinou no Atheneu. Com ele aprendeu a ter objetivos na vida, a determinação, dignidade e honestidade. Sua mãe se formou em Pernambuco e Félix conta que foi a primeira sergipana a ter um curso superior em Direito, embora tenha exercida a profissão por um curto período. Emplacou uma vida de professora no Colégio Tobias Barreto e cuidou de seus 10 filhos. Admira sua mãe pela sua personalidade e interesse pelos filhos.

A infância do menino Félix foi dividida entre Aracaju e na fazenda do pai na proximidade da cidade de Estância. Recebeu da professora Almerinda as primeiras lições no Colégio Tobias Barreto, onde iniciou os estudos do curso primário, concluído no Colégio Jackson de Figueiredo. "Lembro bem da Judite e do Benedito, expressões da Educação em Sergipe e no Jackson fui aluno das professoras Maria Odete Barreto e Nair Galrão, que me prepararam para o curso de admissão no Atheneu". Aprovado, passa pouco tempo no famoso colégio da rede pública estadual, diante da mudança de residência dos pais para a cidade do Rio de Janeiro, onde termina o ginásio no Colégio 28 de Setembro e faz o curso científico no Colégio Piedade, chegando ao final do curso médio. Na Escola Nacional de Educação Física e Desporto da Universidade do Brasil, hoje UFRJ, depois de enfrentar vestibular em 1955 e estudar por três anos, cola grau no curso superior em Educação Física em 1957. "Na minha época reitor da Universidade era o Pedro Calmon".

O despertar para educação física ficou por conta do seu lado de atleta no tempo de estudante no Rio de Janeiro, onde jogou e bem no times do Colégio 28 de Setembro de voleibol e basquetebol.

Por ter conseguido junto ao então governador do Estado de Sergipe, Leandro Maciel, uma bolsa para custear seus estudos na Escola Nacional de Educação Física, ao receber o diploma, já casado, deixa o Rio de Janeiro em 1958 e volta a Sergipe, fixando residência em Aracaju, onde começa sua vida profissional.

Além de trabalhar para o Estado na condição de professor de Educação Física do Colégio Atheneu, tem tempo para ensinar nos colégios particulares: Jackson de Figueiredo e Salesiano.

No campo de trabalho que começava atuar bons professores já tinham emplacado a nova metodologia da Educação Física em Sergipe, a exemplo dos professores Edilberto Reis Cunha, Adalberto Silva, José Calazans, José Carlos Barbosa, professor Adalberto e outros. Mas quando do seu retorno a Aracaju conta que só tinha com nível superior o professor Edilberto que dava aulas na Escola Técnica e no Atheneu. Também coordenou atividades a Educação Física nas escolas da rede estadual de ensino.

Como prestou concurso público para o Ministério da Educação e com aprovação, não demora muito e retorna em 1962 ao Rio de Janeiro para trabalhar como inspetor de ensino do MEC.

Com a fundação da Universidade Federal de Sergipe em 1969, o seu primeiro reitor, professor João Cardoso do Nascimento Júnior, consegue liberação do professor Félix junto ao ministro da Educação Jarbas Passarinho e a partir daí mais outra história de trabalho, iniciada no Centro de Civismo, Educação Física e Desporto criado por João Cardoso e com sede na praça Camerino. "Assumi a direção do centro, que estava recém-criado e cuidei de toda sua estrutura organizacional".

Em 1972, ano da autorização depois de participar do todo o processo de criação o Ministério da Educação autoriza o funcionamento do Curso de Educação Física da Universidade Federal de Sergipe que tem em Félix D´Ávila seu primeiro diretor. Foi mantido no comando do curso até o ano de 1979, quando é convidado para fazer um trabalho na Universidade do Paraná, sendo colocado a disposição da universidade pelo então reitor da UFS. "Depois de quatro anos de trabalho, no momento do meu regresso a Aracaju, o reitor de lá não me deixou voltar. Veio até Aracaju e conseguiu do então reitor da UFS, Gilson Cajueiro de Holanda, minha transferência para o Paraná, onde fiquei até 1991, quando em aposentei. Lá ministrava duas disciplinas e coordenava a pós-graduação em Educação Física da Universidade Federal do Paraná".

Ao se aposentar, recebe convite do Departamento Nacional do Sesi, através do seu superintendente e amigo, o sergipano Rui Nascimento, para trabalhar em Brasília, onde presta serviço até 2000.

Da vida de professor e passagem pela UFS por várias turmas, inclusive como paraninfo, sente-se gratificado. "Quando a gente vê alunos da época a gente sente que a nossa missão foi cumprida. Um Déda, governador do Estado, por exemplo. Benedito Figueiredo e Walter Franco foram ex-alunos do Salesiano. Como professor é uma satisfação muito grande constatar o sucesso dos meus ex-alunos".

Das homenagens recebidas: "Hoje sou o único professor de Educação Física no Brasil com título de Professor Emérito. A primeira era a professora Maria Lenk, que morreu no ano passado e foi homenageada com seu nome no Complexo de Natação onde aconteceu o Pan. O segundo sou eu. Não existe mais ninguém no Brasil. Ela recebeu o Título pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e eu pela Universidade Federal de Sergipe".

Além de professor é jornalista profissional. "Em Aracaju atuei fazendo crônicas no jornal ‘A Cruzada’. No Rio de Janeiro trabalhei na Revista do Rádio do Anselmo Domingos, na Vida Doméstica, também escrevendo crônicas. No rádio carioca trabalhei Na Rádio Cruzeiro do Sul no programa do Celso Garcia, que era Cruzeiro pelos Teatros. Nós transmitíamos toda a terça-feira uma peça de algum teatro. Como sempre gostei de escrever, hoje em dia tenho uma coluna aos sábados no Jornal do Dia sobre educação física, desporto e lazer".

Casou com a mineira Terezinha Brito e com ela quatro filhos: Marcos, Omar, Maria Tereza e Félix Filho. Do segundo casamento, com Maura Costa Lobo, a filha Melanei Costa D´Ávila. Tem sete netos.

Texto reproduzido do site: usuarioweb.infonet.com.br/~osmario

*****************************************************************

Texto publicado originalmente no site Clientes/Infonet/Serigy/Site, em 08/02/2008

Félix D'Ávila: 80 anos de vida, 50 de magistério

Por Luiz Antônio Barreto

Félix D’Ávila, filho do advogado e intelectual Costa Filho e de Alice Ferreira Cardoso, nasceu em Aracaju no dia 19 de janeiro de 1928. Estudou no Colégio Jackson de Figueiredo o curso primário, de 1937 a 1940, mudando para o Rio de Janeiro, para estudar o curso ginasial no Colégio 28 de Setembro, de 1941 a 1944.  e o Científico no Colégio Piedade, de 1945 a 1947, ingressando, em 1955, na Escola Nacional de Educação Física e Desportos da Universidade do Brasil, ainda no Rio de Janeiro, concluindo o curso em final de 1957.

Apesar de exercer, enquanto estudante, atividades em jogos e competições, Félix d’Ávila iniciou sua carreira de professor de Educação Física em 1958, em Aracaju, nos colégios Estadual de Sergipe (Ateneu), Jackson de Figueiredo, Nossa Senhora Auxiliadora (Salesiano) e Pio Décimo, ampliando sua participação na então Cidade de Menores, nos primeiros quatro anos de atividades docentes em Aracaju.

O Ginásio Pio Décimo, situado na rua de Estância, tinha um grupo respeitável de professores, liderados pelo Diretor, Manoel Joaquim Soares de Lima, ele próprio professor de Matemática, que mais tarde transferiu-se para Salvador, criou o Colégio Nobre, e morreu em plena atividade pedagógica. Sua mulher Letícia Sobral Lima, filha do velho professor Joaquim Sobral, morreu meses depois, enlutando a educação sergipana, no capítulo das décadas de 1950 e 1960. O Ginásio Pio Décimo contava com o professor Jugurta Franco, ensinando Latin, ele ex-padre, ordenado por Dom José Tomás Gomes da Silva, no Seminário Sagrado Coração de Jesus, com o professor João Costa, de Português, um dos mais jovens do grupo, com a professora Maria Augusta Lobão Moreira, de História, firme nas convicções, serena no trato, com o professor Joaquim Sobral, experiente mestre, velho Diretor do Ateneu, ícone de uma época, com o professor Jouberto Uchoa de Mendonça, que cumpria as funções de Secretário e era uma espécie de “faz-tudo” que dava vida e alma ao pequeno Ginásio. Felix d’Ávila não podia ter começado em melhor meio, experimentando a prática docente em algumas das melhores escolas dos anos de 1950.

A partir de 1962 o professor Félix d’Ávila deixou novamente Sergipe, fixando-se no Rio de Janeiro, onde deu fôlego ao seu trabalho de professor. Na década de 1970 andou por Brasília e voltou a Sergipe, sempre colaborando, na teoria e na prática, com o ensino da Educação Física. Pós graduou-se pela Universidade de São Paulo, em 1976, fez cursos de Extensão universitária na Universidade de São Paulo,vários cursos de Aperfeiçoamento e de Atualização técnico-pedagógica, e ligou-se aos Jogos Estudantis Brasileiros e a outros eventos que destacaram o seu nome, em todo o País. Nos anos de 1980 foi para o Paraná, e naquele Estado construiu um currículo repleto de méritos, que tornou sua biografia de mestre ainda mais importante.

Saindo e voltando, o professor Félix d’Ávila concorreu para modernizar o ensino da Educação Física, o desporto estudantil, o desporto social, dando uma contribuição da mais alta qualificação, cujo exemplo de vida o faz credor do reconhecimento público e da admiração dos sergipanos. São 80 anos de vida, 50 de magistério, datas que referenciam o talento, a disposição, a responsabilidade, a dedicação a uma causa que abraçou, realizando uma biografia notável, que merece todos os elogios dos seus conterrâneos.

Jornalista, com registro profissional deste 1959, Félix d’Ávila colaborou na difusão da Educação Física, na discussão das formas interativas do desporto brasileiro, e sempre com a palavra acreditada, atualizada, orientando seus leitores, tanto os colegas de profissão, como os leigos nas matérias tratadas. Ativo, ágil, dinâmico Felix d’Ávila chega aos 80 anos de vida feliz por tudo o que pôde fazer pelo seu Estado e pelo País, como atestam a grande quantidade de homenagens, diplomas, títulos, medalhas, que adornam seu currículo. Sergipe deve mais que parabéns a Félix d’Ávila, deve um agradecimento solene pela sua vida de trabalho inovador. Vivendo, novamente, em Aracaju Félix d’Ávila continua colaborando com a Educação Física e com os desportos, e colaborando com o Jornal do Dia, com matérias esclarecedoras.

Texto reproduzido do  site: clientes.infonet.com.br/serigysite 

Professor Felix D'Ávila, faleceu em 10 de setembro de 2013, na cidade de São Paulo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Crônica aos 40 anos do Colégio Jackson de Figueiredo




Texto publicado originalmente no site do Correio do Povo de Alagoas, em 14/08/2017

Crônica aos 40 anos do Colégio Jackson de Figueiredo

Depois da partida do CJF fui direto para Maceió onde passei no vestibular de Física onde cursei na UFAL.

Por Raul Rodrigues 

Há exatos quarenta anos, saía este redator do Colégio Jackson de Figueiredo localizado em Aracaju, na Praça Olímpio Campos. Na época, cercado de pontos comerciais – a Sorveteria Yara, o Bar e Restaurante A Cascatinha, e bem em frente ao colégio, o Cachorro Quente do Seu João, após perdurar interno por três anos ao cursar o Curso Científico, atual Ensino Médio. Ali estudavam alunos internos, e, alunos e alunas considerados externos por não morarem na própria escola. A melhor passagem da minha vida estudantil. Nada superou tamanho aprendizado.

Era uma escola modelo para o país. Indiscutivelmente uma das melhores do Brasil, contando em sua lista de alunos internos com estudantes de todas as partes do imenso país, tamanha era a merecida fama do Jackson de Figueiredo. Os melhores professores do Estado de Sergipe, e os melhores resultados em todas as áreas da educação brasileira. Formava competentes cidadãos a serviço do Brasil.

O casal dona Judite e professor Benedito não ensinavam a viver, mas como viver bem e melhor! A formação do cidadão ficava por conta do casal proprietário da escola de completa amplitude ao formar cidadãos. Os professores – os melhores do estado – primavam com maestria pelo melhor aproveitamento dos conteúdos programáticos de todas as disciplinas. Eram mestres sem mestrados e doutores sem doutorados. Inigualáveis.

A disciplina cobrada e ensinada pelo saudoso professor Augusto – nos períodos da manhã e tarde – nos moldava qual ferro em fornalha para sermos verdadeiros homens de bem na caminhada da vida de cada um. Roberto Calumby, também professor de Biologia com sua marca inesquecível do falar e mostrar o boyce marque ou marca passo, também era o responsável pelo dormitório, onde nenhum aluno ousaria desafiá-lo mesmo ante a sua pequena paralisia de uma das pernas, porém com tórax desenvolvido ao ponto de fazer desistir qualquer adolescente mais atrevido a enfrentá-lo. Calumby impunha respeito pelo amor dedicado a todos, sem nunca perder a brandura de quase pai. Calumby era substituído por vezes para seu merecido descanso por Carlão, uma espécie ainda mais dura ao punir os desatentos. Destaque também Ladislau na disciplina.

Os auxiliares de disciplina – Chico na portaria e Erasmo – no entremeio, quase um faz tudo, não permitia respirar qualquer interno ao aspirar fugir. Os olhares atentos dos dois fazia tremer o mais ousado dos internos que desistia da tentativa de escapar, mesmo como forma de um desafio. A punição seria severa e indiscriminada. Lá não existia melhor nem pior; éramos todos iguais.

O regime de horários, dormir às sete horas em ponto, acordar às cinco horas para tomar banho frio, escovar os dentes e por sua farda impecavelmente limpa e sem dobras fazia parte da rotina diária, bem o obedecer das três palmas para formar filas em frente ao refeitório, a segunda para entrar e a terceira para silenciar totalmente. Ninguém ousava quebrar tais regras. Isto sagradamente durante as três refeições.

Fizemos história no Jackson de Figueiredo, e ele fez mais histórias ainda em nós.

E agora, depois de passados quatro décadas que nos separam os colegas Waldir, Célio, Denise e Nícia que administram o grupo de ex-alunos do período 1975/1977, estão a manter contato com os possíveis alunos da época para a realização de um encontro em Aracaju no dia 15 de setembro, ao qual já confirmei presença.

Texto reproduzido do site: correiodopovo-al.com.br

Hermínia Caldas guardiã da memória cívica do Estado

Maria Hermínia autografando Vultos da História da Educação em Sergipe
Foto: Shirley Rocha

Publicado originalmente no blog Academia Literária de Vida, em 21/08/2018

Hermínia Caldas guardiã da memória cívica do Estado

De Sandra Natividade

    A menina nascida em Santa Cruz do Sítio, município de Propriá/Sergipe, mas registrada na cidade de Japaratuba do mesmo Estado, filha de José de Aguiar Caldas e Maria Silva Caldas é a nossa joia rara, Maria Hermínia Caldas ou simplesmente professora Hermínia. Amiga dedicada e leal, patrimônio da educação e civismo de Sergipe, sua vida marca época, durante o tempo laboral doou saberes à educação em diversos estabelecimentos de ensino, entre eles: Instituto de Educação Rui Barbosa, Colégios Estadual, Atheneu Sergipense, Nossa Senhora de Lourdes, Tiradentes e Pré-vestibulares das Faculdades de Serviço Social e Pio Décimo, ministrando as disciplinas Língua Portuguesa e Literatura, Francês, Espanhol, Latim, Psicologia e Pedagogia essas as disciplinas que se especializou e escolheu partilhar com discentes durante seu trajeto na docência. Professora Hermínia construiu história de vida ao lado dos alunos que tanto amava sem distinção, hoje aonde chega, como toda professora dedicada é circundada por pessoas adultas reconhecendo-a como aquela que sempre ensinou para a construção da vida profissional de muitos.

    Na Secretaria de Educação do Estado assumiu cargos burocráticos, contudo um lhe projetou foi o de maior relevância para o próprio Estado - presidente da Comissão de Moral e Civismo. Para a inesquecível escritora Lígia Pina (in memoriam) em seu livro A MULHER NA HISTÓRIA, “Hermínia é a guardiã da memória cívica do País, em nosso Estado”. Ela respira amor pela pátria e por seu Estado, abrem-se espaços quando a mestra com fala mansa se reporta aos valores pátrios. Professora Hermínia Caldas é escritora, poetisa, autora de projetos consistentes nas áreas social e da educação foi uma das pioneiras da Nova Hora Literária ao lado de catedráticas como Maria Conceição Ouro Reis, Leyda Régis, Yvone Mendonça de Sousa e Cléa Brandão informação que encontrei cotejando A Mulher na História. Essa confraria mais tarde se tornaria Academia Literária de Vida - ALV. O início da ALV se identifica com a Academia Sergipana de Letras, ambas nasceram de confraria.

    Para a escritora ucraniana Clarice Lispector “O que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo”, Hermínia trabalhou todo o tempo e mesmo aposentada continua produzindo, isto é não desistir de si mesmo - é uma honra tê-la entre nós - lucidez, disposição e criatividade são suas aliadas de primeira hora, creio logo em breve ter no prelo nova obra de sua autoria, vejo nessa abnegada de passinhos curtos um presente de Deus. Ela escreve e como escreve, produz e cria além da conta, é prazeroso receber anualmente ATIVIDADES um indicativo com as Atividades Gerais da ALV, reunindo controle de pagamento, calendário, endereço completo das acadêmicas com data de nascimento e ainda espaço para as atividades extraordinárias; a criatividade realmente reside nessa catedrática que na forma de folder faz inúmeros fascículos, a exemplo: Boas Festas, Boletim Cívico, Reedição de uma palestra de 1998 de sua amiga Lígia Pina sob o título Nasce uma Capital, Mulheres Sergipanas e ultimamente criou o "Projeto Conheça mais as Acadêmicas da ALV”, iniciando com a biografia da confreira Josefina Cardoso Braz, isto é gratificante.

    Ao escrever o poema sob o título O Ateu, do qual transcrevo o primeiro trecho, a ilustre confreira Hermínia Caldas expõe sem reserva sua veia poética:

Dizes que és ateu
Somente porque queres
Ser maior que o Senhor?
Ou, então pretendes
Do teu viver apagar
Os lumes todos da vida,
As luzes do teu olhar
Para não enxergares longe,
As coisas que te respondem:
Deus realmente há!
Ou talvez, não queiras
Nem um momento ouvir
As queixas do coração
Nem a voz da consciência
Que te diz com insistência:
Deus realmente existe!...

(escrito em 1966) publicado no Jornal da ALV/1997.

    Gosto de observá-la, olhando a placidez de sua face, lembro o que Abraão falou em Gn. 22.8/a “Deus proverá”, é assim que a vejo como se estivesse sempre na vanguarda agradecendo e confiando na provisão de Deus.

    Trago a lume uma passagem que li sobre ela na Revista da ALV editada pela jornalista e confreira Shirley Rocha, à época 2002, em comemoração aos dez anos de existência do sodalício, informando as homenagens prestadas pelos colegas de trabalho de Hermínia Caldas na passagem dos cinquenta anos de magistério da mestra. No artigo/ reportagem, diz taxativamente que a rua onde reside a homenageada parou ao som de música, fogos de artificio e, Hermínia recebendo flores, doces e ouvindo efusivos discursos. A palavra de Deus explica isto com o versículo “Dai a cada um o que lhe é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra”. Rm. 13.7.

    Hermínia é solteira, mas o magistério e seu estilo de ser fizeram-na mãe de filhos incontáveis que a reverenciam com o respeito e atenção que merece.

    Saúde, paz e alegria caríssima confreira professora Hermínia Caldas,

    Deus a abençoe sempre.

Texto e imagem reproduzidos do blog: academialiterariadevida.blogspot.com