quinta-feira, 2 de abril de 2026

'Vidas que guardam saberes', por Pascoal Maynard

Artigo compartilhado de Post do Facebook/Pascoal Maynard, de 1 de abril de 2026

Vidas que guardam saberes
Por Pascoal Maynard *

Há momentos na vida pública em que a função que ocupamos deixa de ser apenas institucional e passa a ser profundamente simbólica. A cerimônia de diplomação dos novos Patrimônios Vivos da Cultura Sergipana foi um desses momentos. Ali, mais do que entregar certificados, reafirmamos um pacto coletivo com a memória, com a identidade e com o futuro de Sergipe.

Na condição de Presidente do Conselho Estadual de Cultura, senti, com intensidade, o peso e a honra dessa responsabilidade. Não se trata apenas de reconhecer trajetórias individuais — ainda que elas sejam grandiosas —, mas de assegurar que os saberes que moldaram nosso povo continuem vivos, pulsantes, transmitidos de geração em geração.

A chamada “Lei dos Mestres”, instituída pela Lei nº 9.118, é, sem dúvida, uma das mais nobres políticas públicas culturais do nosso estado. Ela materializa algo que, por muito tempo, permaneceu apenas no campo do desejo: o reconhecimento concreto daqueles que guardam e compartilham os saberes tradicionais. Ao conceder o título de Patrimônio Vivo, acompanhado de uma bolsa vitalícia e do incentivo à transmissão do conhecimento, o Estado não apenas homenageia — ele protege, fortalece e perpetua.

Ao ver mestres como Josefa Maria da Silva Santos (Zefa da Guia), Cícero José dos Santos (Véio), Antônio dos Santos (Mestre Sabau), José Ronaldo de Menezes (Mestre Zé Rolinha) e Alzira Alves Santos(Alzira Rendeira) sendo diplomados, tive a certeza de que estamos no caminho certo. Cada um deles carrega em si um universo inteiro de práticas, crenças, técnicas e narrativas que não podem — e não devem — desaparecer.

O patrimônio imaterial, por sua natureza, é frágil. Ele não está protegido por paredes, nem guardado em vitrines. Ele vive nas mãos que fazem, nas vozes que cantam, nos gestos que ensinam. E exatamente por isso exige de nós vigilância constante, compromisso contínuo e, sobretudo, sensibilidade.

É nesse ponto que o papel do Conselho Estadual de Cultura se torna ainda mais relevante. Cabe a nós não apenas deliberar ou normatizar, mas compreender profundamente o valor desses saberes e atuar como guardiões de sua continuidade. É uma missão que ultrapassa a burocracia — é, antes de tudo, um compromisso ético com a história viva do nosso povo.

Saí daquela cerimônia com o sentimento de dever renovado. Sabemos que ainda há muito a avançar: ampliar o alcance das políticas, garantir maior inclusão de manifestações culturais diversas, fortalecer os mecanismos de salvaguarda. Mas também sabemos que cada passo dado é significativo.

Celebrar os nossos mestres é, na verdade, celebrar a nós mesmos. É reconhecer que nossa identidade não está apenas no que fomos, mas no que escolhemos preservar e transmitir.

E enquanto estivermos à frente dessa missão, seguiremos firmes — com honra, responsabilidade e profundo respeito — na defesa do patrimônio imaterial de Sergipe. Porque preservar a cultura é, acima de tudo, preservar a própria vida de um povo.

-----------------------------

* Pascoal Maynard é jornalista, documentarista  e produtor cultural. Atualmente exerce o cargo de Assessor Especial da Funcap, Presidente do Conselho Estadual de Cultura e apresentador do programa Expressão na Aperipê TV.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Pascoal Maynard

terça-feira, 31 de março de 2026

'Ilma Fontes — Nunca se Curvou!', por Neu Fontes

Artigo compartilhado do site NEU FONTES, de março de 2026

Ilma Fontes — Nunca se Curvou!
Por Neu Fontes (Blog do Neu)

Olá, gente boa,

Quando menino, gostava de ouvir escondido as conversas dos meus pais. Meu pai, Seu Irineu, falava do comércio, das representações da Empire, da rádio, da televisão que ajudou a chegar a Aracaju com a repetidora no Morro do Urubu. Minha mãe, dona Susete, cuidando da casa, dos filhos, mas também inventando caminhos para ajudar no sustento, vendendo roupas, bordados e tudo que pudesse virar renda.

No começo da noite, antes do jantar, eles se sentavam na varanda da casa da Rua Divina Pastora. Às vezes com Seu Milson e Dona Lucy. Eu ficava por perto, quieto, fingindo não ouvir — mas ouvindo tudo. Talvez ali tenha nascido esse meu gosto de contar histórias.

De vez em quando, vinha a ordem:

— Vá brincar, Irineuzinho, isso aqui é conversa de gente grande.

Mas na maioria das vezes eram histórias da cidade, dos acontecimentos, da política, dos artistas, dos ousados. E foi ali que conheci nomes que marcaram Aracaju. Gente que ousava, que enfrentava o conservadorismo de uma cidade pequena, cheia de olhos e línguas.

E minha mãe… ah, minha mãe sempre estava do lado da ousadia.

Quando surgia o comentário sobre jovens “rebeldes”, ela dizia:

— Isso é a modernidade.

E quando era uma mulher, ela cravava:

— As mulheres são iguais e têm o direito de viver como quiserem.

Foi assim que fui criado. Cercado de mulheres fortes. Mulheres que não pediam licença para existir.

Foi nessas conversas que ouvi, ainda nos anos 60, sobre dois jovens que “aprontavam”: Ilma Fontes e Mario Jorge. Filhos de famílias conhecidas, inquietos, provocadores. Meu pai comentava, minha mãe compreendia. Ela já enxergava o que muitos não viam: o novo chegando.

Anos depois, já nos anos 70, entendi quem eram aqueles nomes.

Mario Jorge — poeta marginal, vanguardista, inquieto, livre. Um desses que vivem intensamente e deixam marcas profundas. Partiu cedo demais.

E Ilma…

Ilma não era apenas uma mulher.

Ilma era um movimento.

Médica, psiquiatra, diretora do Adauto Botelho — mas, acima de tudo, alguém que escolheu a liberdade. Liberdade de pensar, de criar, de confrontar, de existir fora das caixinhas estreitas de uma sociedade provinciana.

Jornalista, cineasta, escritora, ativista cultural.

Hoje chamariam de “influencer”.

Mas Ilma era muito mais: era inspiração, ruptura.

Uma guerrilheira.

Da palavra.

Da imagem.

Da existência.

Uma mulher que abriu — a ponta de pés, mas com firmeza — as portas fechadas pela intransigência e pela mediocridade de uma sociedade que não estava preparada para ela.

Meu encontro com Ilma só aconteceu nos anos 80, através de outra mulher gigante da minha vida: Lú Spinelli. E não foi fácil.

Dois Fontes. Duas cabeças duras. Dois mundos fortes.

Ela me achava arrumadinho demais. Talvez até pedante. E eu, tentando compreender aquela força indomável.

Mas o respeito veio. E veio forte.

Principalmente quando, já na gestão em Laranjeiras, pude reconhecer publicamente o quanto Ilma foi importante — não só para mim, mas para toda uma geração.

Cada texto.

Cada provocação.

Cada enfrentamento.

Tudo carregado de uma vida intensa, de batalhas ganhas e perdidas, numa sociedade que ainda hoje tem dificuldade de reconhecer o diferente — imagine naquela época.

Ilma escrevia:

“Sabe, meu bem, eu não tenho nada contra quem.

A questão é não negar. Não medir. Nunca.

Hoje ou depois de ontem, o dia é o seguinte.

Sequências. Consequências. Hipotenusas ilusões.

Você tanto pode dizer sim como não.”

E também deixou frases que atravessam o tempo, como:

“É fácil ser Spielberg nos Estados Unidos do que ser Ilma em Aracaju.”

E sobre Mario Jorge:

“Viver como passarinho e morrer a duras penas.”

Ilma foi mundo.

Publicou fora do Brasil.

Levou sua arte à Europa, à África, à Ásia.

Mas nunca saiu de Aracaju.

Seu olhar sempre foi daqui.

Sua alma sempre foi daqui.

Como ela mesma escreveu:

“A vontade de amar, que me impulsiona

O trabalho, vem de Aracaju, de suas noites

Azuis onde sobram mulheres e horizontes.

O hábito de mexericar, que tanto dilacera,

é amarga herança aracajuína.”

Ver hoje a Imagina — Feira de Artes Visuais, realizada pela Rede Colaborativa Mulheres da Imagem Sergipe (MIS), no Museu da Gente Sergipana, dedicada a Ilma Fontes, é mais que uma homenagem.

É um reencontro.

Um reconhecimento necessário.

Com curadoria de Germana Araújo e Maycira Leão, duas gigantes, reunindo obras de mulheres e coletivos do Nordeste, exibição de “Lampião – A Última Semana”, dirigido por Ilma, além de oficinas, debates, performances e música — a feira é a prova viva de que a semente plantada por ela continua germinando.

Mais de 180 mulheres.

Criando.

Ocupando.

Transformando.

Seguindo caminhos que Ilma ajudou a abrir.

Quero aqui agradecer a Gabi Etinger pelo convite e pelo brilhante trabalho sempre, e parabenizar todas as mulheres envolvidas nesse movimento tão potente.

Porque, no fim das contas, Ilma não foi exceção.

Ela foi anúncio.

Anúncio de um tempo que ainda estamos aprendendo a viver:

O tempo das mulheres livres.

Viva Ilma Fontes.

Viva as mulheres.

Texto e imagem reproduzidos do site: neufontes com br

sábado, 14 de março de 2026

Morre aos 84 anos Frei Enoque, ex-prefeito de Poço Redondo-SE.

Publicação compartilhada do site F5 NEWS, de 13 de março de 2026

Morre aos 84 anos Frei Enoque, ex-prefeito de Poço Redondo

Religioso franciscano atuou por décadas no sertão sergipano e também teve trajetória marcante na política do município

Por F5 News

Faleceu nesta sexta-feira (13), em Aracaju, o religioso franciscano Frei Enoque Salvador de Melo, aos 84 anos. Ele estava internado há cerca de um mês em um hospital particular da capital sergipana. A causa da morte não foi divulgada.

Natural de Cachoeirinha, em Pernambuco, Frei Enoque construiu grande parte de sua trajetória no sertão de Sergipe, especialmente na região de Poço Redondo, onde atuou como líder religioso e também como gestor público. O velório deverá ocorrer na Igreja Matriz do município, mas os detalhes sobre o sepultamento ainda não foram confirmados.

Além da atuação religiosa, Frei Enoque também teve participação ativa na política local. Ele foi eleito prefeito de Poço Redondo por três mandatos. No entanto, em 2012, quando estava no último ano da terceira gestão, decidiu renunciar ao cargo após recomendação da Igreja Católica para que religiosos não ocupassem funções políticas.

Mesmo após deixar o cargo, continuou atuando em defesa das comunidades do sertão sergipano, mantendo forte ligação com causas sociais e com a população mais vulnerável da região.

A trajetória religiosa de Frei Enoque começou ainda jovem. Aos 21 anos, ingressou na ordem franciscana, no convento da Ordem dos Frades Menores, em Recife, em 1967. Pouco tempo depois, foi enviado para a Diocese de Propriá, no alto sertão de Sergipe, onde passou a desenvolver atividades pastorais e sociais.

Desde então, permaneceu ligado à região semiárida do estado, onde se tornou uma figura conhecida pela atuação junto às comunidades locais.

A Diocese de Propriá ainda deve divulgar informações sobre as cerimônias de despedida e homenagens ao religioso.

Texto e imagem reproduzidos do site: www f5news com br

-------------------------------------------------------

Corpo de Frei Enoque é velado na Igreja

Publicação compartilhada do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 14 de março de 2026

Frei Enoque Salvador morreu num hospital de Aracaju

O corpo de Frei Enoque Salvador de Melo, 84 anos, está sendo velado na Igreja Matriz de Poço Redondo. O religioso morreu, nessa sexta-feira, após cerca de 20 dias internado no Hospital da Unimed, em Aracaju, para tratamento de condições adversas no estômago e intestino. O sepultamento está marcado para às 16 horas deste sábado, no cemitério daquele município do semiárido sergipano.

A Diocese de Propriá divulgou nota informando que Frei Enoque Salvador “dedicou sua vida ao serviço de Deus e aos mais pobres, sendo um verdadeiro testemunho de fé, simplicidade e entrega ao Evangelho. Com seu jeito fraterno e missionário, ajudou na evangelização de muitas pessoas, fortalecendo a fé de nossas comunidades e deixando uma marca profunda na vida de todos aqueles que tiveram a graça de conviver com ele”, frisa.

Três mandatos

Frei Enoque Salvador foi prefeito de Poço Redondo por três mandatos. Em 2012, quando estava no último ano da terceira gestão municipal, renunciou em favor de seu vice Roberto Araújo (PT). A renúncia visou atender a uma determinação da Igreja Católica, recomendando que religiosos não ocupassem cargos políticos. Mesmo tendo deixando o mandato eletivo, Frei Enoque continuou fazendo política com o objetivo de defender as comunidades pobres do sertão sergipano.

Natural de Cachoeirinha (PE), Enoque Salvador de Melo entrou, aos 21 ano de idade, no Convento dos Franciscanos Menor da região de Siriahein, em Recife, em 1967. Recebeu o seu primeiro hábito naquele mesmo ano, tornando-se noviço franciscano. No início de 1970, quando ainda era estudante, vai à Diocese de Propriá (SE), localizada no alto sertão sergipano e que era administrada pelo bispo dom José Brandão de Castro. Desde então, Frei Enoque não abandonou mais a região semiárida de Sergipe.

Por Destaquenotícias

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias com br

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Vera Lúcia Aparecida da Silva (1955 - 2026)


--------------------------------------------------


Post compartilhado do Facebook/Pedro Jorge Moraes Menezes, de 21 de fevereiro de 2026

"Manézinha"

Tudo aconteceu tão rápido não? Quem diria que aquela conversa boba um dia se tornaria algo tão grande e especial. Não sei explicar direito o que aconteceu, não sei descrever isso. Só sei que um sentimento que toma conta de mim, um carinho bom, um carinho que conforta. Nunca imaginei que um dia alguém ia conseguir me aturar por tanto tempo. Afinal, 23 anos, não é pouco. Dentro desse período você me ensinou o que é o amor, me mostrou que ainda existe motivos que fazem a vida valer a pena. Passamos por cada problemas mas superamos. Tivemos nossas brigas, muitas brigas; Mas nunca desistimos, um do outro. Obrigado por tentar me fazer feliz e fez, obrigado por tirar um sorriso meu todo os dias. Seu jeito de falar me fascina; Quando você me chama de chatolino e ao mesmo tempo de Mané, quando você tem seus momentos de raiva e quando vem me zoar porque não entendi direito, tudo isso me encanta, você por completo me faz feliz.
Obrigado por me mostrar que eu ainda sei amar...
Eu te amo até o infinito...

Até breve "Manuelzinha"

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Pedro Jorge Moraes Menezes

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Homenagem a Antônio Gonçalves (Toinho)

Post compartilhado do Facebook/Restaurante Mangará, de 14 de fevereiro de 2026

Hoje o Mangará permanece em silêncio.

Em respeito e em memória de Seu Antônio Deda, nosso querido Antônio Candeeiro, não abriremos as portas neste dia.

Artesão de mãos sábias e coração generoso, ele ajudou a fazer o Mangará brilhar, transformando matéria em significado, detalhe em memória, presença em identidade. Em cada peça, deixou seu olhar, seu cuidado e sua delicadeza — marcas que permanecerão vivas em nossa casa e em nossa história.

Hoje nos despedimos com gratidão e saudade.

Que Deus conforte o coração dos familiares, amigos e de todos que tiveram o privilégio de partilhar de sua luz.

Voltaremos amanhã, honrando seu legado — com respeito, cultura e afeto.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Restaurante Mangará.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Morre o amigo artesão Toinho

Antônio Gonçalves e seus santos, no Centro de Arte e Cultura J.Inácio,
 Espaço de exposição e venda do artesanato sergipano. Orla de Atalaia, em Aracaju/SE.
Foto reproduzida do blog: centrodearteeculturajinacio.blogspot

--------------------------------------------------------
NOTA:

-----------------------------------------------------------
AVISO:

----------------------------------------------------

> Link do post original, no Facebook/Armando Maynard.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

O Andarilho da Caridade: A Rota de Padre Pedro pela Alma de Aracaju

Imagem reproduzida do Canal YouTube/Dida Araújo e postada pelo blog, 
para ilustrar o presente artigo

 Artigo compartilhado do site RO ACONTECE, de 28 de dezembro de 2025  

O Andarilho da Caridade: A Rota de Padre Pedro pela Alma de Aracaju
Por Emanuel Rocha* (Coluna Opinião)

A jornada luminosa de um sacerdote que fez da humildade sua força, da fé seu norte e do amor ao próximo a semente que continua florescendo no coração de Aracaju

Pedro Alves de Oliveira, o querido Padre Pedro, nasceu em 3 de julho de 1904, em Riachão do Dantas, Sergipe, terra onde a simplicidade floresce como oração silenciosa. Filho de Vilobaldo do Amaral e Maria Alves de Oliveira, cresceu envolto em um lar tecido por valores cristãos e pela firmeza de uma fé que sustenta as almas humildes. Ainda menino, caminhou por Estância e São Cristóvão, cidades que lhe abriram novos horizontes e lhe ofereceram ventos brandos de aprendizado. Mais tarde, encontrou em Aracaju o chão onde fincaria suas raízes, cidade que o acolheu com ternura e onde seu coração, feito de luz serena, assumiria a missão que marcaria definitivamente sua existência.

Em Aracaju, trabalhou como sacristão da Catedral Metropolitana, função humilde que lhe permitiu vislumbrar, desde cedo, o chamado sacerdotal. Ingressou no Seminário, onde não apenas absorveu o conhecimento das línguas e das doutrinas, mas também se destacou como professor, ensinando com paciência e competência português, francês e latim, pilares que sustentaram sua oratória e seu trabalho pastoral ao longo da vida.

Ordenado padre em 8 de dezembro de 1928, dia dedicado a Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade, Padre Pedro iniciou seu ministério com a docilidade de quem serve por amor. Atuou como vigário em diversas cidades do interior sergipano, entre elas Propriá, Rosário do Catete e Tobias Barreto, levando consigo um espírito incansável de dedicação e presença. Foi também na Barra dos Coqueiros que seu ministério se fez profundamente sentido, primeiro entre 1949 e 1952 e, depois, em 1959. Ali ensinou catecismo, orientou jovens e adultos, visitou casas humildes e acompanhou de perto as famílias da ilha. Participou ativamente da criação da vida paroquial local, conduziu campanhas, organizou leilões e bazares e ajudou a comunidade a adquirir a casa paroquial. Sua presença deixava na Barra uma claridade mansa, como se cada gesto seu acendesse esperança nas ruas de areia e nos corações simples da vila.

Por mais de quarenta anos, serviu como capelão do Hospital Santa Izabel, lugar onde sua voz se tornava consolo e sua presença devolvia coragem aos enfermos e às famílias. Caminhava pelas ruas das cidades com passos firmes e coração aberto, irradiando esperança como quem espalha luz por onde passa.

Sua vida foi um exercício diário de caridade, gesto após gesto, como quem reza com as próprias mãos. Conhecido por repartir pão e carinho com pessoas em situação de rua, caminhava sem buscar vantagens, recusando favores pessoais e caronas, atitude que revelava sua humildade profunda e seu compromisso sincero com o mandamento maior do amor ao próximo. Como educador no Colégio Tobias Barreto e na Escola Normal, marcou gerações que viram nele um exemplo luminoso de firmeza, ética e dedicação.

Padre Pedro partiu em 21 de julho de 1997, deixando para trás uma cidade que o reconhece como guardião da fé e da fraternidade. Em sua memória, em 2002 o governo de Sergipe batizou com seu nome um Restaurante Popular, gesto que perpetua seu compromisso social e humanitário. Ali, o alimento servido a preço acessível continua a ecoar seu legado, oferecendo dignidade e cuidado aos que mais precisam, como se sua presença ainda iluminasse cada mesa. Essa homenagem se estende também ao Conjunto Padre Pedro, comunidade que guarda seu nome como quem preserva uma bênção no cotidiano, lembrando a todos a força silenciosa de sua bondade.

Esse restaurante é mais que um espaço de refeições, é um memorial vivo dedicado ao homem que ensinou que a verdadeira riqueza nasce da entrega e do amor ao próximo. A memória de Padre Pedro, escolhido Sergipano do Século XX, permanece vibrante, ecoando nas ruas, nas igrejas e nos corações de Aracaju, como uma melodia que o tempo não apaga.

Assim, sua história revela mais que os feitos de um homem. Revela uma lição que atravessa gerações, pois a santidade se manifesta na simplicidade de quem vive pelos outros, na chama que continua acesa no caminho da vida comunitária, na força tranquila de um amor prático capaz de transformar o mundo. Padre Pedro não pertence apenas ao passado, permanece como inspiração viva, chamando cada pessoa a ser melhor, a amar mais, a fazer da própria vida um gesto de fé e humanidade.

E quando o dia chega ao seu silêncio mais profundo, ainda é possível sentir, no ar de Aracaju, o rastro doce da presença de Padre Pedro. Sua vida, feita de gestos pequenos e grandiosos, continua a iluminar caminhos como uma lâmpada acesa na varanda das almas cansadas. Há quem diga que, ao passar diante do restaurante que leva seu nome, o coração se enternece, como se recebesse um abraço antigo, desses que aquecem a memória e devolvem sentido ao mundo. E, no Conjunto Padre Pedro, essa mesma ternura parece caminhar pelas ruas, como se cada morador carregasse uma centelha da luz que ele deixou.

Porque ele permanece onde o amor insiste em existir, onde a bondade floresce mesmo em terrenos áridos, onde um simples prato de comida pode ser também esperança. Padre Pedro vive na brisa que sopra nas madrugadas sergipanas, vive no sorriso oferecido sem exigir retorno, vive na fé discreta que sustenta cada gesto de cuidado.

E quando a noite repousa sobre Aracaju, suave como um véu de estrelas, a lembrança de Padre Pedro continua a respirar no silêncio das casas, no farfalhar das árvores, no brilho tímido das lâmpadas que guardam a cidade adormecida. Há quem diga que sua luz percorre as ruas como uma prece que não se cansa, guiando passos, aquecendo corações, despertando esperanças esquecidas. Em cada gesto de bondade que brota do povo sergipano, é como se um pouco dele renascesse, discreto, mas inteiro, fiel ao amor que espalhou sem medidas.

Assim, o leitor encerra estas linhas sem sentir despedida. Leva consigo a certeza serena de que Padre Pedro permanece vivo na claridade dos dias e na doçura das madrugadas, lembrando ao mundo que a ternura é força e que o amor, quando oferecido sem exigir retorno, se transforma em eternidade.

-------------------------------

* Emanuel Rocha é Historiador, poeta popular, escritor  e Repórter fotográfico

Texto reproduzido do site: roacontece com br

OAB/SE lamenta falecimento de Dr. Rochinha...

Legenda da Imagem: Ordem se solidariza com familiares, amigos e toda a advocacia neste momento de luto –  (Crédito da imagem: ascom/divulgação)

Publicação compartilhada do site SE NOTÍCIAS, de 31 de dezembro de 2025

OAB/SE lamenta falecimento de Dr. Rochinha, ícone da advocacia sergipana

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Sergipe (OAB/SE) recebe, com profundo pesar e consternação, a notícia do falecimento de José Francisco da Rocha, o Dr. Rochinha, um dos mais relevantes e emblemáticos nomes da história da advocacia sergipana.

Membro honorário vitalício desta Seccional, Dr. Rochinha construiu uma trajetória marcada pelo compromisso inabalável com a advocacia e com a Ordem. Ao longo de sua vida profissional, exerceu diversos cargos na OAB, tendo alcançado, com mérito e reconhecimento da classe, a Presidência da OAB Sergipe, função na qual deixou contribuições duradouras para o fortalecimento institucional e a valorização da advocacia.

Sua atuação lhe rendeu homenagens, medalhas e distinções, reflexo do respeito conquistado entre colegas e instituições. Mais do que os cargos e títulos, Dr. Rochinha consolidou-se como um verdadeiro ícone do sistema OAB, referência de liderança, ética, firmeza de princípios e dedicação à defesa da advocacia e do Estado Democrático de Direito.

Seu legado transcende gerações e permanece inscrito na memória institucional e afetiva da advocacia sergipana.

Neste momento de dor, a OAB/SE manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos e colegas, externando sentimentos de profundo respeito, reverência e gratidão por tudo o que Dr. Rochinha representou, construiu e ensinou.

Que Deus conforte a todos e conceda força para atravessar esta irreparável perda.

Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Sergipe (OAB/SE).

Fonte: ascom/OAB/SE

Texto e imagem reproduzidos do site: senoticias com br

Morre Dr. Rochinha

Foto: Divulgação

Publicação compartilhada do site HORA NEWS, de 1 de janeiro de 2026

Morre Dr. Rochinha, um dos nomes mais influentes da advocacia em Sergipe

Por Redação

A advocacia sergipana perdeu um de seus nomes mais representativos com a morte de José Francisco da Rocha, conhecido como Dr. Rochinha. A informação foi confirmada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), que destacou a relevância do advogado para a história da instituição e da profissão no estado.

Dr. Rochinha era membro honorário vitalício da OAB Sergipe e construiu uma trajetória marcada pela atuação firme e constante em defesa da advocacia. Ao longo da carreira, ocupou diversos cargos na entidade, chegando à Presidência da Seccional, função na qual teve papel importante no fortalecimento da OAB e na valorização das prerrogativas da classe.

“Sua atuação lhe rendeu homenagens, medalhas e distinções, reflexo do respeito conquistado entre colegas e instituições. Mais do que os cargos e títulos, Dr. Rochinha consolidou-se como um verdadeiro ícone do sistema OAB, referência de liderança, ética, firmeza de princípios e dedicação à defesa da advocacia e do Estado Democrático de Direito. Seu legado transcende gerações e permanece inscrito na memória institucional e afetiva da advocacia sergipana”, diz nota da OAB sergipana.

Reconhecido pelo perfil ético e pela liderança, recebeu homenagens e distinções ao longo da vida profissional, reflexo do respeito conquistado entre colegas e instituições. Sua atuação o consolidou como uma referência dentro do sistema OAB, sendo lembrado pela defesa do Estado Democrático de Direito e pelo compromisso com a profissão.

“Neste momento de dor, a OAB/SE manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos e colegas, externando sentimentos de profundo respeito, reverência e gratidão por tudo o que Dr. Rochinha representou, construiu e ensinou. Que Deus conforte a todos e conceda força para atravessar esta irreparável perda”, acrescenta a diretoria da entidade.

A morte de Dr. Rochinha gerou repercussão entre advogados e representantes da área jurídica em Sergipe, que destacam o legado deixado por ele para as novas gerações. Familiares, amigos e colegas lamentam a perda e prestam homenagens ao advogado, cuja contribuição permanece marcada na história da advocacia sergipana.

Texto e imagem reproduzidos do site: horanews net