SERGIPE, sua terra e sua gente.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
domingo, 15 de fevereiro de 2026
Homenagem a Antônio Gonçalves (Toinho)
Post compartilhado do Facebook/Restaurante Mangará, de 14 de fevereiro de 2026
Hoje o Mangará permanece em silêncio.
Em respeito e em memória de Seu Antônio Deda, nosso querido Antônio Candeeiro, não abriremos as portas neste dia.
Artesão de mãos sábias e coração generoso, ele ajudou a fazer o Mangará brilhar, transformando matéria em significado, detalhe em memória, presença em identidade. Em cada peça, deixou seu olhar, seu cuidado e sua delicadeza — marcas que permanecerão vivas em nossa casa e em nossa história.
Hoje nos despedimos com gratidão e saudade.
Que Deus conforte o coração dos familiares, amigos e de todos que tiveram o privilégio de partilhar de sua luz.
Voltaremos amanhã, honrando seu legado — com respeito, cultura e afeto.
Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Restaurante Mangará.
sábado, 14 de fevereiro de 2026
Morre o amigo artesão Toinho
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
O Andarilho da Caridade: A Rota de Padre Pedro pela Alma de Aracaju
Artigo compartilhado do site RO ACONTECE, de 28 de dezembro de 2025
O Andarilho da Caridade: A Rota de Padre Pedro pela Alma de Aracaju
Por Emanuel Rocha* (Coluna Opinião)
A jornada luminosa de um sacerdote que fez da humildade sua força, da fé seu norte e do amor ao próximo a semente que continua florescendo no coração de Aracaju
Pedro Alves de Oliveira, o querido Padre Pedro, nasceu em 3 de julho de 1904, em Riachão do Dantas, Sergipe, terra onde a simplicidade floresce como oração silenciosa. Filho de Vilobaldo do Amaral e Maria Alves de Oliveira, cresceu envolto em um lar tecido por valores cristãos e pela firmeza de uma fé que sustenta as almas humildes. Ainda menino, caminhou por Estância e São Cristóvão, cidades que lhe abriram novos horizontes e lhe ofereceram ventos brandos de aprendizado. Mais tarde, encontrou em Aracaju o chão onde fincaria suas raízes, cidade que o acolheu com ternura e onde seu coração, feito de luz serena, assumiria a missão que marcaria definitivamente sua existência.
Em Aracaju, trabalhou como sacristão da Catedral Metropolitana, função humilde que lhe permitiu vislumbrar, desde cedo, o chamado sacerdotal. Ingressou no Seminário, onde não apenas absorveu o conhecimento das línguas e das doutrinas, mas também se destacou como professor, ensinando com paciência e competência português, francês e latim, pilares que sustentaram sua oratória e seu trabalho pastoral ao longo da vida.
Ordenado padre em 8 de dezembro de 1928, dia dedicado a Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade, Padre Pedro iniciou seu ministério com a docilidade de quem serve por amor. Atuou como vigário em diversas cidades do interior sergipano, entre elas Propriá, Rosário do Catete e Tobias Barreto, levando consigo um espírito incansável de dedicação e presença. Foi também na Barra dos Coqueiros que seu ministério se fez profundamente sentido, primeiro entre 1949 e 1952 e, depois, em 1959. Ali ensinou catecismo, orientou jovens e adultos, visitou casas humildes e acompanhou de perto as famílias da ilha. Participou ativamente da criação da vida paroquial local, conduziu campanhas, organizou leilões e bazares e ajudou a comunidade a adquirir a casa paroquial. Sua presença deixava na Barra uma claridade mansa, como se cada gesto seu acendesse esperança nas ruas de areia e nos corações simples da vila.
Por mais de quarenta anos, serviu como capelão do Hospital Santa Izabel, lugar onde sua voz se tornava consolo e sua presença devolvia coragem aos enfermos e às famílias. Caminhava pelas ruas das cidades com passos firmes e coração aberto, irradiando esperança como quem espalha luz por onde passa.
Sua vida foi um exercício diário de caridade, gesto após gesto, como quem reza com as próprias mãos. Conhecido por repartir pão e carinho com pessoas em situação de rua, caminhava sem buscar vantagens, recusando favores pessoais e caronas, atitude que revelava sua humildade profunda e seu compromisso sincero com o mandamento maior do amor ao próximo. Como educador no Colégio Tobias Barreto e na Escola Normal, marcou gerações que viram nele um exemplo luminoso de firmeza, ética e dedicação.
Padre Pedro partiu em 21 de julho de 1997, deixando para trás uma cidade que o reconhece como guardião da fé e da fraternidade. Em sua memória, em 2002 o governo de Sergipe batizou com seu nome um Restaurante Popular, gesto que perpetua seu compromisso social e humanitário. Ali, o alimento servido a preço acessível continua a ecoar seu legado, oferecendo dignidade e cuidado aos que mais precisam, como se sua presença ainda iluminasse cada mesa. Essa homenagem se estende também ao Conjunto Padre Pedro, comunidade que guarda seu nome como quem preserva uma bênção no cotidiano, lembrando a todos a força silenciosa de sua bondade.
Esse restaurante é mais que um espaço de refeições, é um memorial vivo dedicado ao homem que ensinou que a verdadeira riqueza nasce da entrega e do amor ao próximo. A memória de Padre Pedro, escolhido Sergipano do Século XX, permanece vibrante, ecoando nas ruas, nas igrejas e nos corações de Aracaju, como uma melodia que o tempo não apaga.
Assim, sua história revela mais que os feitos de um homem. Revela uma lição que atravessa gerações, pois a santidade se manifesta na simplicidade de quem vive pelos outros, na chama que continua acesa no caminho da vida comunitária, na força tranquila de um amor prático capaz de transformar o mundo. Padre Pedro não pertence apenas ao passado, permanece como inspiração viva, chamando cada pessoa a ser melhor, a amar mais, a fazer da própria vida um gesto de fé e humanidade.
E quando o dia chega ao seu silêncio mais profundo, ainda é possível sentir, no ar de Aracaju, o rastro doce da presença de Padre Pedro. Sua vida, feita de gestos pequenos e grandiosos, continua a iluminar caminhos como uma lâmpada acesa na varanda das almas cansadas. Há quem diga que, ao passar diante do restaurante que leva seu nome, o coração se enternece, como se recebesse um abraço antigo, desses que aquecem a memória e devolvem sentido ao mundo. E, no Conjunto Padre Pedro, essa mesma ternura parece caminhar pelas ruas, como se cada morador carregasse uma centelha da luz que ele deixou.
Porque ele permanece onde o amor insiste em existir, onde a bondade floresce mesmo em terrenos áridos, onde um simples prato de comida pode ser também esperança. Padre Pedro vive na brisa que sopra nas madrugadas sergipanas, vive no sorriso oferecido sem exigir retorno, vive na fé discreta que sustenta cada gesto de cuidado.
E quando a noite repousa sobre Aracaju, suave como um véu de estrelas, a lembrança de Padre Pedro continua a respirar no silêncio das casas, no farfalhar das árvores, no brilho tímido das lâmpadas que guardam a cidade adormecida. Há quem diga que sua luz percorre as ruas como uma prece que não se cansa, guiando passos, aquecendo corações, despertando esperanças esquecidas. Em cada gesto de bondade que brota do povo sergipano, é como se um pouco dele renascesse, discreto, mas inteiro, fiel ao amor que espalhou sem medidas.
Assim, o leitor encerra estas linhas sem sentir despedida. Leva consigo a certeza serena de que Padre Pedro permanece vivo na claridade dos dias e na doçura das madrugadas, lembrando ao mundo que a ternura é força e que o amor, quando oferecido sem exigir retorno, se transforma em eternidade.
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* Emanuel Rocha é Historiador, poeta popular, escritor e Repórter fotográfico
Texto reproduzido do site: roacontece com br
OAB/SE lamenta falecimento de Dr. Rochinha...
Legenda da Imagem: Ordem se solidariza com familiares, amigos e toda a advocacia neste momento de luto – (Crédito da imagem: ascom/divulgação)
Publicação compartilhada do site SE NOTÍCIAS, de 31 de dezembro de 2025
OAB/SE lamenta falecimento de Dr. Rochinha, ícone da advocacia sergipana
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Sergipe (OAB/SE) recebe, com profundo pesar e consternação, a notícia do falecimento de José Francisco da Rocha, o Dr. Rochinha, um dos mais relevantes e emblemáticos nomes da história da advocacia sergipana.
Membro honorário vitalício desta Seccional, Dr. Rochinha construiu uma trajetória marcada pelo compromisso inabalável com a advocacia e com a Ordem. Ao longo de sua vida profissional, exerceu diversos cargos na OAB, tendo alcançado, com mérito e reconhecimento da classe, a Presidência da OAB Sergipe, função na qual deixou contribuições duradouras para o fortalecimento institucional e a valorização da advocacia.
Sua atuação lhe rendeu homenagens, medalhas e distinções, reflexo do respeito conquistado entre colegas e instituições. Mais do que os cargos e títulos, Dr. Rochinha consolidou-se como um verdadeiro ícone do sistema OAB, referência de liderança, ética, firmeza de princípios e dedicação à defesa da advocacia e do Estado Democrático de Direito.
Seu legado transcende gerações e permanece inscrito na memória institucional e afetiva da advocacia sergipana.
Neste momento de dor, a OAB/SE manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos e colegas, externando sentimentos de profundo respeito, reverência e gratidão por tudo o que Dr. Rochinha representou, construiu e ensinou.
Que Deus conforte a todos e conceda força para atravessar esta irreparável perda.
Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Sergipe (OAB/SE).
Fonte: ascom/OAB/SE
Texto e imagem reproduzidos do site: senoticias com br
Morre Dr. Rochinha
Foto: Divulgação
Publicação compartilhada do site HORA NEWS, de 1 de janeiro de 2026
Morre Dr. Rochinha, um dos nomes mais influentes da advocacia em Sergipe
Por Redação
A advocacia sergipana perdeu um de seus nomes mais representativos com a morte de José Francisco da Rocha, conhecido como Dr. Rochinha. A informação foi confirmada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe (OAB/SE), que destacou a relevância do advogado para a história da instituição e da profissão no estado.
Dr. Rochinha era membro honorário vitalício da OAB Sergipe e construiu uma trajetória marcada pela atuação firme e constante em defesa da advocacia. Ao longo da carreira, ocupou diversos cargos na entidade, chegando à Presidência da Seccional, função na qual teve papel importante no fortalecimento da OAB e na valorização das prerrogativas da classe.
“Sua atuação lhe rendeu homenagens, medalhas e distinções, reflexo do respeito conquistado entre colegas e instituições. Mais do que os cargos e títulos, Dr. Rochinha consolidou-se como um verdadeiro ícone do sistema OAB, referência de liderança, ética, firmeza de princípios e dedicação à defesa da advocacia e do Estado Democrático de Direito. Seu legado transcende gerações e permanece inscrito na memória institucional e afetiva da advocacia sergipana”, diz nota da OAB sergipana.
Reconhecido pelo perfil ético e pela liderança, recebeu homenagens e distinções ao longo da vida profissional, reflexo do respeito conquistado entre colegas e instituições. Sua atuação o consolidou como uma referência dentro do sistema OAB, sendo lembrado pela defesa do Estado Democrático de Direito e pelo compromisso com a profissão.
“Neste momento de dor, a OAB/SE manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos e colegas, externando sentimentos de profundo respeito, reverência e gratidão por tudo o que Dr. Rochinha representou, construiu e ensinou. Que Deus conforte a todos e conceda força para atravessar esta irreparável perda”, acrescenta a diretoria da entidade.
A morte de Dr. Rochinha gerou repercussão entre advogados e representantes da área jurídica em Sergipe, que destacam o legado deixado por ele para as novas gerações. Familiares, amigos e colegas lamentam a perda e prestam homenagens ao advogado, cuja contribuição permanece marcada na história da advocacia sergipana.
Texto e imagem reproduzidos do site: horanews net
domingo, 28 de dezembro de 2025
Morre no Rio o trombonista Zé da Velha, ás do choro e discípulo de Pixinguinha
Texto compartilhado do site G1 GLOBO POP-ARTE, de 27 de dezembro de 2025
Morre no Rio o trombonista Zé da Velha, ás do choro e discípulo de Pixinguinha
Por Mauro Ferreira*
O trombonista Zé da Velha podia se gabar de ter tocado com ases do choro como o seminal Pixinguinha (1897 – 1973), o referencial Jacob do Bandolim (1918 – 1969) e o notável Waldir Azevedo (1923 – 1980), para citar somente três exemplos de mestres do gênero.
Já músicos mais jovens, como o trompetista fluminense Silvério Pontes, com quem Zé formou afinada dupla em 1986, podem se orgulhar de ter tocado com José Alberto Rodrigues Matos (1º de junho de 1941 – 26 de dezembro de 2025), nome artístico de Zé da Velha, trombonista sergipano nascido em Aracaju (SE) e falecido na última sexta-feira do ano, aos 84 anos, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em decorrência de infecção bacteriana.
Zé da Velha se tornou, ele próprio, um ás do choro, um mestre. “Hoje me despeço do meu pai musical. [...} Foi com o mestre Zé da Velha que comecei a entender o que era tocar com a alma e o coração, servindo à música. Zé da Velha me ensinou a tocar Choro, mas, principalmente, me ensinou a ser. A respeitar a música, a tradição, o silêncio entre as notas. A tocar com o coração arrepiado”, lembrou Silvério Pontes em texto emocionado publicado em rede social.
José Alberto virou Zé da Velha Guarda nos anos 1950 quando tocava no conjunto Velha Guarda ao lado de Donga (1889 – 1974) e do supracitado Pixinguinha. Depois, o nome artístico foi abreviado para Zé da Velha. E assim fica imortalizado este trombonista tido como um elo entre a velha guarda do choro e os músicos jovens que cultuam o gênero.
A carreira do músico abarcou cerca de 60 anos. A partir dos anos 1970, a trajetória do trombonista inclui passagens pelo Conjunto Sambalândia, pela Orquestra Gentil Guedes e pelos grupos Chapéu de Palha e Suvaco de Cobra.
Na década de 1990, Zé iniciou a discografia da dupla que formara com Silvério Pontes. O primeiro dos seis álbuns do duo, Só gafieira (1995), foi lançado há 30 anos. A este disco, aclamado no nicho da música instrumental,. seguiram-se os álbuns Tudo dança (1998), Ele & eu (2000), Samba instrumental (2003), Só Pixinguinha (2006) e Ouro e prata (2012).
Ágil e hábil nos improvisos, a dupla era conhecida como “a menor big band do mundo”, título, aliás, da biografia publicada em 2016 com o percurso de Zé da Velha e Silvério Pontes no circuito da música instrumental do Brasil.
Trombonista de técnica assombrosa, Zé da Velha estava fora dos palcos e estúdios há sete anos, por problemas de saúde, agravados neste ano de 2025 com duas pneumonias.
A morte de Zé da Velha engrossa a lista de artistas singulares, insubstituíveis, que saíram de cena ao longo deste ano, provocando perdas irreversíveis na música brasileira.
* Jornalista carioca que escreve sobre música desde 1987, com passagens em 'O Globo' e 'Bizz'. Faz um guia para todas as tribos
Texto reproduzido do site: g1 globo com/pop-arte/musica
sábado, 27 de dezembro de 2025
Morre, aos 83 anos, Zé da Velha, trombonista sergipano
Publicação compartilhada do site FAN F1, de 27 de dezembro de 2025
Morre, aos 83 anos, Zé da Velha, trombonista sergipano
O trombonista sergipano José Alberto Rodrigues Matos, conhecido nacionalmente como Zé da Velha, faleceu nessa última sexta-feira, 26, aos 83 anos, no Rio de Janeiro.
A Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) divulgou nota lamentando a perda do músico.
Com uma carreira que se estendeu por aproximadamente seis décadas e natural de Aracaju, Zé da Velha começou a se dedicar à música ainda muito jovem. Aos 15 anos, já atuava profissionalmente e dividia palcos com grandes nomes do choro brasileiro.
O apelido Zé da Velha Guarda surgiu na década de 1950, quando integrou o grupo Velha Guarda ao lado de figuras históricas como Donga (1889–1974) e Pixinguinha.
O trombonista integrou diversos grupos a partir dos anos 1970, entre eles o Conjunto Sambalândia, a Orquestra Gentil Guedes e os conjuntos Chapéu de Palha e Suvaco de Cobra.
Ao longo de sua vida artística, Zé da Velha se tornou como uma das maiores referências do gênero, participando de inúmeras rodas de choro, gravações e colaborações com destacados artistas da música brasileira.
O Conselho Estadual de Cultura de Sergipe destacou a importância do músico para a cultura popular e para a identidade musical do país.
“Zé da Velha dedicou sua vida à arte, tornando-se referência nacional no trombone e levando o nome de Sergipe para palcos de todo o país. Sua trajetória é marcada pela paixão pela música, pela preservação de tradições e pelo talento que inspirou gerações de artistas”, diz nota do conselho.
Texto e imagem reproduzidos do site: fanf1 com br
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
O lagartense José Artêmio Barreto
quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
José Augusto Sergipano: A Canção que Nasceu em Sergipe e Ecoou no País
Artigo compartilhado do site RITA OLIVEIRA ACONTECE, de 14 de dezembro de 2025
José Augusto Sergipano: A Canção que Nasceu em Sergipe e Ecoou no País
Por Emanuel Rocha*
O Ídolo Romântico de Sergipe que Imortalizou a Saudade em Canções
No dia 3 de outubro de 1936, as primeiras luzes suaves tocavam com delicadeza as casas humildes da Avenida Santa Terezinha, no bairro da Baixinha, em Aquidabã, Sergipe. Nesse cenário de simplicidade, nasceu José Augusto Costa, um menino que desde cedo revelou uma força interior capaz de transformar sonhos em melodias. Crescendo entre ladeiras transmitidas de histórias antigas e o pulsar diário de Aracaju, uma cidade que abraçou sua infância, José Augusto bebeu das fontes da cultura nordestina e do cotidiano sergipano, alimentando-se de suas ricas tradições e filhos variados.
Desde menino, a música não era apenas som, era companhia íntima que se insinuava nas festas populares, brilhava nos programas de rádio e encantava os bailes que faziam a cidade respirar alegria. Sua voz, terna e forte ao mesmo tempo, parecia abrir um caminho direto para o coração sergipano, coletando emoções como quem pesca estrelas na maré da madrugada. Assim, com esse dom que nasceu dele como nasceu o sol naquela manhã de outubro, as portas do destino se abriram, convidando-o a seguir os trilhos pelos luminosos da própria história.
Em Aracaju, onde ainda pulsava a lembrança do menino que soltava sua voz entre os ônibus da linha Marinete do Chico, o sonho de romper fronteiras começava a germinar como semente teimosa buscando o sol. Trazendo no peito a coragem dos que respiram esperança, ele partiu em 1963, aos 27 anos, para São Paulo, cidade imensa que parecia inalcançável, porém pronto para reconhecer a força de um talento que nasce do coração do Nordeste.
Naquele universo de luzes apressadas, entre noites em palcos modestos e dias de trabalho rigoroso, sua determinação ressoava como quem insistia em fazer a vida florescer mesmo em terrenos duros. Foi nesse compasso que a gravadora Chantecler estendeu a mão decisiva, e sua canção “Minha Mãezinha” rompeu o silêncio da cena musical brasileira, espalhando uma melodia doce e emocional que conquistou o país e revelou o intérprete romântico que nasceu para encantar multidões.
O que veio depois foi um rastro luminoso de conquistas, com mais de 200 canções e 22 LPs navegando por mares de emoção e ternura. Álbum após álbum, de Florisbela Saint-Tropez / Saudade Bateu Na Porta (1961) a Valor de um Coração (1976), José Augusto entregou ao mundo uma voz capaz de tocar o que há de mais simples e profundo na alma brasileira. Entre seus grandes sucessos, “Beijo Gelado” emocionava com versos que traduziam a dor do amor não correspondido: “Tenho um beijo gelado que ninguém quis beijar…”, uma imagem poderosa que capturou a essência de sua interpretação sensível e verdadeira.
Suas canções não falavam apenas de amor, mas também das dores que nos visitam, das alegrias que nos elevam e dos sentimentos que fazem a existência vibrar. Por isso, sua arte se tornou ponte entre o íntimo e o universal, entre o que cada pessoa guarda para si e o que todos reconhecem como verdade do coração. Assim, suas melodias percorreram calçadas de Aracaju, avenidas das grandes cidades e até fronteiras distantes, chegando aos cantos da América Latina onde sua voz encontrou novos abraços e afetos.
A relação de José Augusto com Aracaju não foi mera circunstância, mas capítulo decisivo de sua formação artística, lugar onde sua voz ganhou corpo e horizonte. Embora não fosse filho legítimo da cidade, encontrou ali um chão afetivo que o acolheu e o impulsionou, fazendo naquela paisagem litorânea uma espécie de lar escolhido para tecer seus sonhos. Como alguém que leva consigo cada rua que o viu crescer, seu legado entrelaça-se à memória sergipana, continuando a iluminar a cultura do estado. Esse vínculo ganhou reconhecimento público em 2024, quando a Assembleia Legislativa de Sergipe declarou sua obra Bem de Interesse Cultural, gesto que reafirma o valor de sua música e a marca profunda que deixou na história regional.
Nos estudos contemporâneos, sua trajetória é pensada como um pacto luminoso entre cultura popular e memória coletiva, onde a magia das antigas rádios e televisões dos anos dourados dialoga hoje com o pulsar das redes sociais, preservando sua presença e mantendo viva a chama de sua arte. Sua trajetória como artista negro, moldado entre as ladeiras de Sergipe e os palcos do país, acrescenta novas camadas a essa história, revelando um intérprete que não apenas cantou sentimentos, mas traduziu pertencimentos, lutas e afetos coletivos. Assim, José Augusto se torna figura de múltiplas faces, símbolo de expressão cultural que caminha em comunhão com o canto da alma sergipana, ecoando como herança viva no imaginário do país.
A vida, porém, lhe pregou uma peça cruel. Aos 45 anos, em 5 de dezembro de 1981, um trágico acidente abafou sua voz física, mas nunca apagou o brilho infinito de sua obra, que segue viva, pulsante, ecoando nas histórias, nas vozes e nos corações de quem o ouve. José Augusto Sergipano não foi apenas um cantor; foi um poeta do amor, um intérprete da saudade e um filho eterno de Aracaju, cuja música ressoa como uma canção sem fim no tempo.
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* Emanuel Rocha é Historiador, poeta popular, escritor e Repórter fotográfico.
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Texto reproduzido do site: roacontece com br
sábado, 20 de dezembro de 2025
"José Silvério Leite Fontes, a paixão pela história", por Gilfrancisco
José Silvério Leite Fontes, a paixão pela história
Por Gilfrancisco*
Intelectual sergipano, conhecido por sua atuação como jurista, professor, historiador, escritor, além de professor da Universidade Federal de Sergipe – UFS, José Silvério Leite Fontes (1925-2005), nome de referência para estudiosos e pesquisadores. Participou de diversos congressos científicos de História, Filosofia e Direito, escreveu muito, com competência e profundidade, sua produção intelectual é apresentada em diversas áreas do saber.
Silvério Fontes completa 100 anos e uma série de eventos em sua homenagem foram programados:
A Ordem, dos Advogados do Brasil – Seccional Sergipe (OAB/SE), realizou em 8 de maio um Colóquio e Exposição em Homenagem ao Centenário de Silvério Fontes. O Colóquio aconteceu no Plenário da OAB/SE, promovendo um debate sobre a trajetória de José Silvério Leite Fontes e sua rica contribuição política, social e cultural para o Estado de Sergipe. Em seguida foi aberta a Exposição Itinerante, que permanecerá até dezembro do centenário, apresentando por meio de fotos, registros e objetos pessoais da família, em fim a história do professor, jurista e historiador.
O volume 2, nº 55/2025 da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, apresentou quatro artigos escritos por professores: Magno Francisco de Jesus (Como obra de arte, cheia de beleza: o pensamento católico nos fazeres histórico gráficos de José Silvério Leite Fontes); Ibaré Costa Dantas (Minha convivência com o professor José Silvério Fontes); João Mouzart de Oliveira Júnior e Ana Carolina Fontes Mendes (Professor intelectual Silvério Fontes: 100 anos de memória, legado e saberes que moldaram gerações) e finalizando com Pedro Abelardo de Santana e José Vieira da Cruz, ambos organizadores da edição (Silvério Fontes: intelectual, humanista e cristão, 1925-2015).
Longa Caminhada
Filho de Silvério da Silveira Fontes, proprietário de uma salina na área de Socorro e Iracema Leite Fontes. José Silvério Leite Fontes, nasceu em Aracaju, a 6 de abril de 1925. Batizado na mesma data do nascimento um ano depois, tendo como padrinhos João Junqueira Leite, tendo passado a procuração ao dr. Garcia Rosa e Celuta Fontes. Silvério tinha dois irmãos mais velhos, Cândida Maria Leite Fontes e Jorge Henrique Leite Fontes, fruto do casal.
Em 1932 fez a primeira comunhão com o padre Gervásio, na igreja Stº Antônio. Aos sete anos ingressa no Colégio Tobias Barreto, que mantinha segmento militar. Em 1940 fez o primeiro ano complementar no Colégio Atheneu Sergipense e no ano seguinte cursava o segundo ano complementar no Colégio da Bahia. Presta vestibular e aos 17 anos torna-se acadêmico da Faculdade de Direito da Bahia e conclui o curso em 1946.
Influência
Após estudar no Tobias Barreto, o secundário e concluir a primeira série complementar no Atheneu Sergipense, segue para Salvador e matricula-se no curso complementar do Ginásio da Bahia. Foi nesse período que José Silvério Leite Fontes despertou para a cultura, apesar de anteriormente ter sido tomado pela história, estimulado pelas aulas do professor e poeta Artur Fortes (1881-1944). Mas sem dúvida, foi o professor Herbert Paranhos Fortes (1897-1953) integralista e médico, formado em 1923, que nasce esse novo desejo:
O professor Herbert Paranhos Fortes contribuiu de duas maneiras: primeiro ele foi meu professor de História da Filosofia e Sociologia e a Filosofia.
Segundo, porque ele fazia uma apologia frequente do cristianismo nas aulas. Ele misturava o ensino da disciplina com a apologética cristã, no bom sentido da palavra. De modo que Herbert Paranhos Fortes teve para mim uma grande importância.
Depois na Faculdade de Direito, admirei sobretudo o professor Orlando Gomes, pois seu método de ensino e a sua capacidade de analisar os institutos jurídicos não apenas no aspecto de formação legal, mas também aprofundando a noção de cada instituto, a razão de ser de cada um deles.
Foram esses pontos iniciais da minha formação. Ao retornar a Aracaju, ingressei na Ação Católica, pois já fizera parte dela na Bahia, na juventude Universitária Católica. [1]
A Volta
Retornando à Aracaju na qualidade de bacharel em ciências jurídica, afirma ele em uma de suas entrevistas:
Não advoguei logo, inscrevi-me na Ordem dos Advogados em 1952 ou 1953. Não tinha entusiasmo pela advocacia. Gostava de ensinar.
Foi dessa forma que Silvério Fontes inicia as suas atividades no magistério. Por intermédio de José Rollemberg Leite, aceita convite para ser professor interino na Escola Normal, sendo efetivado anos depois através de concurso. Foi professor da Escola de Comércio, lecionando a disciplina Economia Política, na Escola Normal e no Atheneu, lecionando História do Brasil. Em 1962 ingressa na Escola Técnica Federal de Sergipe e logo em seguida, participa da fundação da Faculdade de Filosofia de Sergipe.
Foi secretário particular do Governador José Rollemberg Leite (1947-1951). Diretor do Colégio Estadual Atheneu Sergipense, na gestão do Governo João Seixas Dória (1917-2012 ), tendo-se exonerado do cargo antes do Golpe de 1964. Silvério exerceu os cargos de Procurador-Geral da Universidade Federal de Sergipe e Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, secção Sergipe, Sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e membro da Academia Sergipana de Letras.
Casamento
José Silvério Leite Fontes casa-se em 1954 com Elza da Silveira Fontes e juntos tiveram sete filhos: Luiz Carlos da Silveira Fontes (1955); Maria Ângela da Silveira Fontes (1956); Paulo Henrique da Silveira Fontes (1957); Ana Letícia da Silveira Fontes (1958); Rosa Myriam da Silveira Fontes (1960); Hélio José da Silveira Fontes (1963) e Mônica Maria da Silveira Fontes (1967).
Primeiras Teses
Segundo Silvério Fontes:
A primeira foi Jackson de Figueiredo, com a finalidade de concorrer à cátedra de História do Brasil na Escola Normal. Escolhi Jackson de Figueiredo porque era um líder católico sergipano, embora já naquela época eu não me afinasse tanto com seu pensamento propriamente dito, mas a sua personalidade que era incomum, merecia ser analisada.
Depois outra tese foi com um nome complicado: Formação do conceito de fato histórico na cultura ocidental, para concorrer à cátedra de História do Colégio Estadual de Sergipe. Nessa época publiquei quatro conferências: sobre Leão Blay personalidade religiosa, sobre Jacques Maritain, e a última intitulada Lutas Militares no Prata.
A terceira tese, “Quatro diretrizes de historiografia brasileira contemporânea, (Livre Docência) de 1975, revela o autor:
O interessante é que as Quatro diretrizes historiográficas não são todas de historiadores, porque as pessoas estudadas foram Darcy Ribeiro, antropólogo; Florestan Fernandes, sociólogo; Caio Prado Junior, historiador e economista; e Nelson Werneck Sodré, historiador, todos ligados ao marxismo. [2]
A Cruzada ouve líderes
Em 1951 A Cruzado (SE), procurou ouvir a palavra de dois dos maiores líderes católicos, sobre o último ano da vida social e religiosa de Sergipe: José Silvério Leite Fontes e Manoel Cabral Machado. Vejamos o que diz Silvério Fontes:
Que acha do ano que passou, para Sergipe do ponto de vista social ?
Silvério Fontes – Assistimos ao contínuo desenvolvimento das obras de assistência social. O SAME conseguiu prosseguir em sua atividade benfazeja. O governo Estadual, por seu lado assistencial, sobretudo no plano sanitário a qual já deu início. Nota-se, entretanto, que em Sergipe há grande dispersão de obras, que assim se em pequecem, pela exiguidade dos recursos. Demais, falta-lhes coordenação. Também se observa que essas instituições se ressentem da insuficiência, no Estado, de elementos para organizarem o Serviço Social.
E, em nosso Estado, dificuldades de ordem social se agravam dia a dia. Continuam a subir os preços. O espírito burguês mostra-se impotente para solucionar a crise, antes a agrava pela inversão de valores que lhe é própria. Necessário, pois, que se encaminhem as reformas de base. Infelizmente, a configuração social e política do país, o estado de espírito das classes dominantes, não as permitem no momento.
E o ponto de vista religioso ?
Silvério Fontes – Quando comparamos a atual situação religiosa de Sergipe, com a de quinze anos atrás, damos graças a Deus. Éramos um povo indiferente laicista e anticlerical. A igreja recebia, apenas, as horarias de praxe, despojadas do seu conteúdo.
De então até hoje, passou um sopro de renovação. Há ainda inimigos ativos, mas a indiferença se está esvaindo.
No ano em curso, notamos, sobretudo, a transformação dos nossos meios intelectuais. Vários elementos de real valor exprimiram, publicamente, sua adesão à Igreja. Também à Faculdade Católica de Filosofia é uma realidade promissora. Cabe ressaltar ainda a posição de A Cruzada, esclarecendo a consciência católica sobre os problemas do dia. Houve um aspecto do movimento religioso em 1951, especialmente grato a Deus e a Igreja: o impulso crescente da renovação litúrgica. Multiplicaram-se as nossas dialogadas, os mistérios divinos foram abertos ao povo, cuidando-se, realisticamente, de adequar essa divulgação às condições psicológicas. Daí missas para homens, para crianças, etc.
Pouco a pouco se vai firmando uma mentalidade cristã inspirada na Liturgia, que, por conseguinte, é mais autêntica.
Noto apenas que há muita dificuldade de penetração na massa popular. O povo, embora radicalmente cristão, precisa de consciência mais esclarecida. Creio que os maiores obstáculos advêm dos defeitos da formação dos que poderiam dar início a um movimento popular. (…) [3]
Prisão
Informa a Tribuna da Imprensa, edição de 11 de dezembro de 1952, do Rio de Janeiro:
Aracaju – Por motivo de sua recente prisão o Centro Acadêmico e Democrático de Sergipe, transmite sua solidariedade ao ilustre e combativo jornalista, cuja pena está a serviço da grande luta contra a corrupção e a deturpação do regime democrático. Atenciosas saudações. Dr. Lucilio Costa Pinto, presidente; dr. José Silvério Leite Fonte, secretário, e dr. José Bonifácio Fortes Neto, tesoureiro.
Conforme O Jornal – órgão dos Diários Associados (RJ), informa está praticamente desarticulado o movimento comunista na zona rural do Nordeste (Alagoas e Sergipe), pois se encontrava em Alagoas o inspetor Jair de Souza Martins que apresentou um volumoso relatório ao delegado Brandão Filho, chefe da Divisão de Ordem Política e Social – DOPS, sobre os movimentos e articulações dos comunistas em quase todos os Estado do Norte e Nordeste. Na época da publicação desta Nota, não pode ser divulgada maiores informações secretas, em virtude do poder repressivo surpreende-los com a Operação, pois intencionava desbaratar de maneira definitiva toda articulação das células comunistas.
Prisões em Sergipe
Agora acabam de regressar de Sergipe o tenente Ávila e o escrivão do Departamento Federal de Segurança Pública que ali foram para orientar o processo movido contra os comunistas.
O inquérito foi presidido pelo comandante da guarnição de Aracaju, tendo sido efetuado nada menos de 60 prisões, além de terem sido tomadas outras providências, visando evitar novas articulações. O tenente Ávila fez também substancioso relatório, apresentando uma cópia a Divisão de Ordem Política e Social e outra ao Serviço Secreto do Exército.
Também este relatório é mantido em sigilo, sabendo-se, no entanto, que contém informações de grande valor sobre as atividades vermelhas no Estado. [4]
A ficha de José Silvério Leite Fontes, (Projeto Memórias Reveladas, Dossiês/DOPS), emitida pela Secretaria de Ordem Pública e Social, é de 1965, pois o identifica com 40 anos, advogado e professor, casado, residindo na rua Santa Luzia. Sem foto nem impressões digitais.
Durante a repressão militar (1964) o regime autoritário enviou a Universidade Federal de Sergipe (Luiz Bispo, Reitor durante o período de 1972-1976), ofícios (AI) solicitando informações sobre professores ou alunos, que não se enquadravam nas propostas do regime de exceção. Encaminhado sempre ao Magnifico Reitor, solicitou por várias vezes informações sobre as atividades do Professor José Silvério Leite Fontes.
Atendendo ao Pedido de busca nº 11/75-SI/01- DSI/MEC/71, datado de 17.9.1975, ASI/UFSE – Informação nº 47/75:
De acordo com o documento anexo o epigrafado foi enquadrado nos artigos 13 e 17 da Lei de Segurança Nacional e artigo 201 e 202 do Código Penal.
Entretanto o Professor José Silvério Leite Fontes é homem estudioso e conhece a matéria que leciona, cumpre os horários a que está obrigado na Universidade, é excessivamente rigoroso na avaliação da aprendizagem e é respeitado por seus colegas e alunos.
Homem de personalidade forte, defende suas opiniões com intransigência.
Pelos jornais locais tomamos conhecimento que foi eleito recentemente para 2º Vice-Presidente do Diretório Estadual do Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
É candidato a reeleição como membro da Federação Internacional dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino (FITEE), no Rio de Janeiro. [5]
Congresso de Nova Friburgo
O IX Congresso Nacional dos Jornalistas da cidade de Nova Friburgo (RS), foi proveitoso para a unidade da classe jornalística do Brasil. Mostrou que os homens de imprensa do país se entendem perfeitamente na defesa dos ideais por uma imprensa livre, responsável, democrática e plenamente a serviço dos interesses do país.
O jornalista José Silvério Leite Fontes compareceu ao Congresso, que reuniu cerca de 400 jornalistas, chefiando a Delegação de Sergipe, nos dias de 21 a 27 de setembro de 1961. Segundo Silvério Fontes o conclave teve na pessoa do seu presidente, o jornalista carioca Jeferson Ávila, seu grande êxito:
Entre as proposições aprovadas destacou a indicação da Delegação de Sergipe, pleiteando do Governo o restabelecimento do câmbio privilegiado para importação do papel de imprensa, o que “virá trazer benefícios imediatos à imprensa, principalmente aos jornais que lutam com maiores sacrifícios”. [6]
O jornalista João Oliva Alves Redator-Chefe de A Cruzada, reparou que no Congresso os maiores oradores do plenário eram os do Norte, que levavam sempre à discussão através de moções e indicação, assuntos de interesses nacional ou regional:
Os do Sul era mais estritamente específico em relação às finalidades do Congresso procurando focalizar quase que exclusivamente os problemas da classe jornalística. Referiu-se também à organização do conclave, louvando no seu Presidente jornalista Jeferson Ávila.
Academia Sergipana de Letras
Em 7 de julho de 1969, José Silvério Leite Fontes, assume a cadeira nº 5 (patrono, Prado Montes Pires da Franca) da Academia Sergipana de Letras, em substituição ao fundador Dom Antônio dos Santos Cabral e saudado pelo poeta amigo Freire Ribeiro:
(…) Em corporação semelhante, no âmbito da província sergipana, sou hoje recebido por aqueles que me escolheram para ser de seus pares. E recebido numa cerimônia que reflete uma das praxes seculares da instituição, praxe começada em 1640, por Patru. Os primeiros sentimentos que experimento são de contentamento e alegria por permitirem, de tão ilustre ompanhi8a, manter com seus membros conversações espirituais, partilhar com ele reflexões sobre os problemas do ser, da sociedade e da arte, e juntos trabalharmos pelo aprimoramento das letras e do saber. Sou, por isso, especialmente reconhecido aqueles acadêmicos que me encorajam na apresentação da candidatura. Também a todos os que sufragaram o meu nome, considerando-me digno e bom companheiro. Aos demais, se não tenho por que agradecer, manifesto respeito pelo ponto de vista que desposaram e espero com todos convivência boa e produtiva.
Confesso ser motivo de particular satisfação merecer a honrosa saudação de entrada dos lábios de Freire Ribeiro. Agora confrade, mas de muito tempo amigo e vizinho. Na rua Sta. Luzia, é a residência de Freire Ribeiro uma pequena academia de letras e artes. Pelo menos, preenche tais funções. Lá se reúnem poetas, músicos e pintores para os colóquios do espírito e ara publicar suas obras num círculo seleto.
Quando minhas tarefas o permitem, tenho a felicidade de estar presente, embora numa presença muda e contemplativa, pois não sou poeta, nem outra arte cultivo. Sirvo-me das letras, da melhor maneira que posso, como veículos de pensamento e convites à ação e ao aperfeiçoamento da personalidade. Mas admiro os desprendidos das exigências concretas e cujos sonhos e cantos tocam nas fibras do existente. Em Freire, vejo diariamente uma pessoa que vive para verter em vasos de beleza as suas instituições. Admiro-lhe a fluência e om colorido, assim como a vivacidade, alternada de melancolia, de comunhão de corações. [7]
Palavras do poeta Freire Ribeiro
Sobre Silvério Fontes, em certo trecho da Oração disse o poeta Freire Ribeiro quando o recebeu na Academia Sergipana de Letras:
O professor José Silvério Leite Fontes – aqui nascido, ali em “Santo Antônio”, junto à residência do inesquecível poeta Garcia Rosa: (Garcia, amigo – irmão do Dr. Silvério – via d’olhos risonhos, Silverinho no berço do nascimento, em 6 de abril de 1924) candidatou-se, em 1958, à cadeira de História Geral do Colégio Estadual de Sergipe “Formação de fato histórico na cultura Ocidental”, foi a tese apresentada para o concurso à douta congregação desse estabelecimento cultural que muito honra Sergipe. Noventa e oito páginas em que o professor Silvério põe a lume os seus conhecimentos no vasto campo da História, – espelho que reflete o homem nos caminhos do tempo nas jornadas da glória, e da morte. – Trabalho profundo. Passam aos nossos olhos nessa tese brilhante, à vida humana pelo espírito, as contribuições da antiguidade oriental, da hebraica-cristã, da Greco romana, de espírito Germânico, da idade média, média posterior, renascimento, século XVII, o iluminismo inglês, francês e alemão; do século XIX, tendência romântica e realista. Mostrou-nos ainda o douto conterrâneo, a fonte inesgotável dos seus conhecimentos nas citações em que alicerça tão empolgante trabalho através de noventa e quatro obras de autores de renome mundial, consultados e relidos. Trabalho de fôlego que não desmente as tradições do pensamento. Sergipano, fulgindo no seio da cultura do continente. [8]
Centro de Ação Democrática
Esse manifesto ao povo Sergipano, foi assinado por vários intelectuais, em 22 de outubro de 1952. Vejamos alguns: Lucílio Costa Pinto, José Bonifácio Fortes Neto, Rosalvo José Calasans, José Silvério Leite Fontes, José Amado Nascimento, João Seixas Dória, José de Campos, Manoel Cabral Machado, Antônio Garcia Filho e outros:
Os abaixo-firmados vêm expor ao público sergipano algumas considerações sobre problemas da nossa comunidade, que julgam merecedoras da mais acurada atenção, ao tempo em que desejam exprimir seus propósitos de bem servir a Sergipe, esboçando neste Manifesto as linhas gerais, da conduta que pretendem assumir:
Todo cidadão sente os male da nossa vida pública: política, econômica e social. Percebe, primeiramente, a corrupção dos costumes, que a tudo invade, embora nosso Estado seja ainda dos menos atingidos pela terrível praga. No fundo dessa decomposição moral está um particularismo sem freios, que põe como única realidade o indivíduo. As posições políticas, econômicas e sociais são procuradas para servir ao egoísmo avassalador e demoníaco. A sede desmesurada de conforto, poder e glória não repugna o uso dos meios mais infames, como sejam: o suborno, a venalidade, a violência, o desrespeito à vida a deslealdade, a mentira, a exploração dos vícios, etc. (…) [9]
Morte (1925-2005)
Silvério Fontes foi sepultado no final da tarde do dia 6 de dezembro de 2005, no cemitério Santa Izabel. O corpo do professor, 80 anos, que morreu às 6 horas, no Hospital São Lucas, por conta das complicações causadas pelo diabetes, doença com a qual convivia desde os 18 anos de idade. Antes de ser sepultado, o corpo de José Silvério Leite Fontes, foi levado na casa da família, localizada na Avenida Augusto Maynard. Em seguida, foi levado para a sede da Ordem dos Advogados do Brasil, secção Sergipe e depois para a Academia Sergipana de Letras – ASL, instituições que estiveram intimamente ligadas.
Diversas pessoas foram se despedir do intelectual, , entre elas a professora Maria Thétis Nunes (1923-2009) que disse sobre o colega amigo:
Estudamos juntos no Atheneu Sergipense durante o antigo curso complementar. Depois fomos colegas de pensionato na Bahia, durante a fase da universidade. Mais tarde nos reencontramos no Atheneu Sergipense desta vez como professores. Fomos fundadores da Faculdade Católica de Filosofia, em 1951, e também colegas na Universidade Federal de Sergipe, pois ensinamos no Departamento de História. Antes tive a honra de ter sido recebida na Academia Sergipana de Letras por ele. Foi Silvério Fonte quem leu as honrarias de boas-vindas para mim naquela casa. [10]
Luiz Carlos seu filho, registra também algumas palavras saudosas:
Meu pai era uma pessoa que não se afastava do caminho da ética, tanto na vida pessoal quanto na pública, por isso sempre será uma pessoa importante para o Estado. [11]
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*Gilfrancisco é jornalista, escritor, Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Sergipe, Membro do Grupo Plena/CNPq/UFS, do GPCIR/CNPq/UFS e do Clic – grupo de pesquisa – Crítica Literária e Identidade Cultural. gilfrancisco.santos@gmail.com
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[1] A paixão pela história, José Silvério (Entrevista). Aracaju, Arte & Palavra, pg. 4-5
[2] A paixão pela história, José Silvério (Entrevista). Aracaju, Arte & Palavra, pg. 4-5
[3] A Cruzada. Aracaju, nº 732, 25 de dezembro de 1951
[4] O Jornal. Rio de Janeiro, nº 10.018, de 1º de janeiro de 1953.
[5] Documento em papel timbrado da UFS, assinado e carimbado pela Ass. Esp. de Segurança e Informação.
[6] A Cruzada. Aracaju, nº 1.222, 7 de outubro de 1961.
[7] Revista da Academia Sergipana de Letras. Aracaju, maio, nº 24, 1974
[8] Revista da Academia Sergipana de Letras. Aracaju, maio, nº 24, 1974.
[9] A Ordem. Rio de Janeiro, 1953 pg. (53-55)
[10] Jornal da Cidade. Aracaju,7 de dezembro de 2005.
[11] Jornal da Cidade. Aracaju,7 de dezembro de 2005.
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Texto e imagens reproduzidos do site: destaquenoticias com br
















