SERGIPE, sua terra e sua gente.
terça-feira, 27 de outubro de 2026
Morre Admilson Alves Melo, 78 anos
terça-feira, 20 de outubro de 2026
Tonho Baixinho: a amizade que a música tornou eterna
Post compartilhado do Perfil do Facebook/Pascoal Maynard, de 19 de outubro de 2026
Tonho Baixinho: a amizade que a música tornou eterna
Por Pascoal Maynard
Hoje, 19 de outubro de 2026, recebo com profunda tristeza a notícia da partida de Tonho Baixinho, meu amigo, companheiro de música e parceiro de tantas histórias que o tempo jamais conseguirá apagar.
É difícil falar de Toinho (assim que eu o chamava), apenas como cantor e compositor, porque, para mim, ele foi muito mais do que um grande artista sergipano. Foi um amigo querido, alguém com quem compartilhei sonhos, palcos, composições e momentos que fazem parte da minha própria história.
Nossa caminhada musical atravessou diferentes épocas. Estivemos juntos no The Top’s, quando a música era também descoberta, juventude e paixão. Mais recentemente, voltamos a dividir experiências no Grupo Memórias, reencontrando no palco a alegria de tocar, cantar e reviver tantas lembranças. Entre esses momentos, construímos uma amizade que ultrapassou os limites da música.
Também compusemos várias canções juntos. Cada parceria guardava um pouco de nossas conversas, de nossas afinidades e da maneira como enxergávamos a música. Hoje, essas composições ganham outro significado: tornam-se testemunhos de uma convivência que a morte interrompe, mas não consegue apagar.
Hoje, despeço-me do amigo com o coração apertado e a gratidão de quem teve o privilégio de compartilhar com ele uma parte importante da vida. A saudade já começa a ocupar o espaço de sua presença, mas nenhuma despedida será capaz de desfazer o que construímos juntos.
A amizade permanece. A música continua. E você, meu amigo, seguirá vivo em cada nota que nos fizer lembrar de tudo o que vivemos.
Texto e imagem reproduzidos de post do Facebook/Pascoal Maynard
Morre o cantor e compositor Tonho Baixinho aos 74 anos
Publicação compartilhada do site INFONET, de 19 de outubro de 2026
Morre o cantor e compositor Tonho Baixinho aos 74 anos
O cantor, compositor e músico sergipano Antônio Robson Barreto Pereira, conhecido como Tonho Baixinho, faleceu aos 74 anos
O cantor, compositor e músico sergipano Antônio Robson Barreto Pereira, conhecido como Tonho Baixinho, faleceu aos 74 anos. A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 19. Ainda não há informações sobre o velório e sepultamento.
Em nota, a Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap) se solidarizou com familiares, amigos e admiradores do artista, reconhecendo seu legado para a memória e a identidade cultural do estado. O cantor foi homenageado no Carnaval de Aracaju em 2008.
Biografia
Pioneiro da música autoral em Sergipe, Tonho Baixinho construiu uma trajetória marcada pela valorização da cultura sergipana. Desde criança, participou dos movimentos carnavalescos de Aracaju, desfilando em escolas de samba, como a Império Serrano, e integrando manifestações tradicionais como o Rasgadinho e o Clube do Povo, na Praça Fausto Cardoso. Sua vivência e atuação em diferentes movimentos culturais fizeram dele uma referência na história do carnaval de rua e da música sergipana.
por Carol Mundim
Texto e imagem reproduzidos do site: infonet com br
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Texto publicado originalmente no site site G1 GLOBO SE, em 19 de outubro de 2026
Cantor e compositor Tonho Baixinho morre aos 74 anos em Aracaju
Artista sofreu um infarto na manhã desta segunda-feira (19) em sua residência.
Por g1 SE
O cantor e compositor Tonho Baixinho morreu na manhã desta segunda-feira (19), em Aracaju. O artista sofreu um infarto em sua residência. A informação foi confirmada pelo Sindicato dos Músicos de Sergipe (Sindmuse).
Também conhecido como Tom Robson, Antônio Robson Barreto Pereira iniciou a carreira musical ainda jovem. Ele começou a trajetória em programas de calouros nas rádios sergipanas e integrou conjuntos musicais como 'The Top's', 'Os Nômades' e 'Os Vikings'.
Na década de 1970, participou de festivais de música e venceu o Festival Estanciano da Canção com a música 'O Claro e o Escuro. Além do trabalho na música, Tonho atuou no teatro e estudou no Rio de Janeiro com o dramaturgo Augusto Boal.
Na área musical, trabalhou na produção de discos e manteve uma parceria de décadas com o cantor Irmão. O artista também atuou no Carnaval de Aracaju, com participação no resgate do carnaval de rua da capital e no Bloco Rasgadinheiro.
Tonho Baixinho deixa dois filhos. O sepultamento será realizado no Cemitério Colina da Saudade em Aracaju, a partir das 10h, desta terça-feira.
Texto reproduzido do site: g1 globo com/se
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sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Depoimentos sobre o Monsenhor Carvalho
Publicação compartilhada do site INFONET, de 24 de novembro de 2006
Depoimentos sobre o Monsenhor Carvalho
Marcelo Déda – Governador eleito
“O Padre Carvalho é um religioso de grande influência, não só na Igreja Católica, mas na vida civil, na vida social do Estado de Sergipe. Um educador reconhecido, um líder nato. É dele essa obra da educação privada sergipana, da educação religiosa, que é o Arquidiocesano. Ele assumiu desde o início a responsabilidade pela condução dessa obra educacional, e firmou o Arqui como um dos mais importantes núcleos educacionais de Sergipe. Além disso, ao lançar seu livro, o monsenhor nos dá a oportunidade de conhecer com mais detalhes a contribuição da Igreja Católica na formação da cidade de Aracaju, e na implementação de projetos sociais e religiosos que ajudaram a dar a Aracaju a feição que ela tem hoje. Não há como contar a história de Aracaju, sem contar a história da Igreja católica, dos seu clérigos e da família cristã dessa cidade”.
Zélia Alves – Secretária Geral do Arquidiocesano há 32 anos
Zélia, braço direito do monsenhor no Arquidiocesano, e Monsenhor Claudionor, colega de seminário
“Eu conheci o padre Carvalho através das irmãs missionárias. Eu vinha sempre em visita à irmã Augusta e a Dom Távora, que era muito meu amigo. Trabalhava na faculdade Católica e no Hospital Português como escriturária. Como eu já tinha uma boa experiência de trabalho, o padre Carvalho, sabendo que a comunidade das Irmãs ia fechar, me chamou pra controlar a administração da cozinha e do seminário. Eu era encarregada do economato, fazia a feira do seminário, e depois ele me convidou pra ser coordenadora da pré-escola. Isso em 1977. Nessa época, a pré-escola estava entregue somente às professoras. No começo o convívio com ele deu medo. O que as pessoas iriam pensar, de me ver morando no colégio com o padre? Mas depois eu vi que tudo é muito respeitoso aqui, e que eu ia morar lá no primário. Nessa época eu já era ex-religiosa, deixei o convento em 1972. Ele me apresentou as vantagens de vir morar aqui, ganharia bem, e não teria despesas com o pensionato (risos). A minha convivência com ele é de irmão direto. Eu saí de um convento e entrei em outro, porque minha vida é muito presa aqui. Eu acho às vezes que as pessoas de fora têm mais acesso a ter conversas com o padre que eu, porque ele é tão ocupado… Tem vezes que eu quero falar algo sério com ele e não dá. Chega a noite e ele já está cansado. Hoje ele tem mais confiança em mim e aceita minhas decisões. São 32 anos de convivência. O padre é uma pessoa de oração, de muita leitura. Quando ele está na Atalaia ele gosta de ler, orar e de trabalhar em roça. Quando ele era mais novo até na enxada ele pegava, e ainda pega, porque é teimoso! (risos). Eu brigo com ele, porque na idade que ele tem pode acontecer alguma coisa. O que eu tenho que dizer e o que eu sofro eu digo abertamente a ele. Tenho muita confiança. Foi isso que me prendeu aqui. Eu tinha muito medo do que as pessoas falavam, porque morando com o padre, as pessoas falavam que eu iria tirar a vocação dele. Mas não há nada disso. Ele é um grande amigo-irmão. Eu até me confesso com ele”.
Monsenhor Claudionor
“O Monsenhor foi meu colega de turma de seminário menor de Aracaju. Depois ele foi pra João Pessoa e eu pra São Paulo. Encontramos-nos de novo no seminário, ele como reitor, e eu como diretor espiritual. No sacerdócio ele é muito dedicado à Igreja. Inteligente e trabalhador. Ele tem muitos merecimentos. São muito justas as homenagens aos seus 80 anos. É um rapaz sincero leal e confiável.
Edvaldo Nogueira- prefeito de Aracaju
“Monsenhor Carvalho é uma figura extraordinária da Igreja sergipana, ele tem um papel muito importante, seja como evangelizador ou como educador. A sua obra marca significativamente a sua presença na Igreja Católica sergipana. É uma alegria pra gente da prefeitura patrocinar esse livro que comemora os 150 anos de Aracaju. A igreja católica teve um papel muito importante na fundação da nossa cidade. E o padre, dos 150 anos, tem 80 de vida, sendo 50 de sacerdócio, colaborando para os desenvolvimentos social, intelectual e espiritual da nossa cidade”.
Morena – 44 anos de Arquidiocesano
“Eu conheci o padre Carvalho quando eu costurava na casa de uma senhora que a filha era professora aqui. O padre estava precisando de uma pessoa para trabalhar na cantina, e eu vim, quando cheguei aqui ele disse que ia montar a cantina ainda, que depois ia me chamar. Eu mal cheguei em casa e ele mandou me buscar no mesmo dia, disse que tinha gostado muito de mim. Aí fiquei trabalhando com os seminaristas, quando só havia eu de mulher com eles. Eu passava o dia todo aqui. Eu tenho 44 anos de convivência com o padre. Não existe outro diretor como ele. É um grande amigo. Calmo, sereno, trata todo mundo bem. Ele é fora de série. Eu lembro de um momento com ele, quando Gouveia (professor do Abique) veio atrás de uma chave comigo. Eu trabalhava o dia todo, e já no portão de acesso. Eu disse que a chave não estava comigo. Depois o padre veio à minha procura, perguntando por que eu não dava a chave pra ele. Eu disse que só trabalhava com uma chave e nada mais. A gente discutiu, eu chorei o dia todo e não fui comer. Ele veio me perguntar ‘Morena, por que não vai comer?’. Eu disse ‘O carão do senhor já encheu minha barriga’. Aí ele me abraçou e tudo voltou ao normal. A minha vida aqui no Abique é muito boa até hoje. E não há pessoa que eu queira um bem maior que ao padre. Ele me chama de ‘nega’. Eu acho tão bonito quando ele me pergunta: ‘Nega, tá tudo em ordem?’ (risos). O que eu puder fazer pelo padre aqui no colégio, eu faço”.
José Carlos Teixeira – Secretário de Cultura
“Ele sempre foi um ícone no clero sergipano. Um evangelizador, um educador, mas um grande executivo. Um homem de talento incomensurável. Um homem com estudos extraordinários na formação e na construção de uma política educacional de evangelização, extraordinária. De maneira que o Monsenhor não é apenas um filho de Lagarto que veio fazer seminário em Aracaju. Nunca ficou uma relação mais distante daquilo que representa as aspirações das novas gerações e dos objetivos da Igreja Católica. Ele tem sido um difusor, um entusiasta, uma figura excepcional do ponto de vista da visão dos compromissos da Igreja Católica na atualidade. Eu o conheci através de meu tio Monsenhor Oliveira, e a partir de então se desenvolveu um relacionamento que a gente pode avaliar como extraordinariamente positivo”.
Fernando Monteiro – coordenador do Arqui há 24 anos
“Eu estudei aqui no Arqui entre 1975 e 1981. Naquela época eu fiz os chamados 1º e 2º graus, e me envolvia muito nas coisas do colégio. O contato dos alunos com o padre naquela época era de certa forma maior porque ele tinha condições de se fazer mais presente, com as aulas de religião. Naquela época toda sexta-feira havia uma palestra que ele mesmo conduzia na igreja. O padre falava de orientações para a vida e religião. Em 1982 eu fui chamado para ensinar aqui. Fazia o curso de engenharia e vim ensinar desenho para as turmas de 7ª e 8ª série. Eu tinha contato com alguns professores, como Mitidieri, e houve a saída de um professor no segundo semestre. Foi uma coisa repentina e eles tinham que chamar um professor. Aqui no Arqui é comum os ex-alunos voltarem ao colégio pra ensinar. Aí eu passei a ter um contato mais freqüente com o padre. Eu tinha uma disponibilidade de tempo e me sempre me dediquei a organizar algumas atividades do colégio, como gincanas e excursões. Eu entrei na coordenação do Ensino Fundamental em 1995 e recebi o convite pra substituir Gouveia em 1999. Foi nesse período que meu contato com o padre se estreitou. As reuniões aqui são constantes, e apesar do padre ter uma postura centralizadora nas decisões ele sempre ouve todos. Acredito que o momento mais difícil dentro desses 11 anos de contato com o padre e no colégio foi o acidente com o ônibus de excursão em 2002. Naquela noite eu estava em casa quando recebi um telefonema avisando. Uns 40 minutos depois do acidente eu estava no local. Primeiramente foi o impacto, a incerteza de mortes, foi extremamente traumático. Fui eu que liguei para o padre e avisei do ocorrido. Falei que tudo era muito sério, e indicava que havia pessoas mortas. Como foi por telefone ele pediu pra ir pra lá e passar informações, foi um contato rápido. Depois eu não precisei mais ligar e logo depois quando eu saí do Hospital João Alves ele estava chegando. Ele ficou muito sentido, mas foi muito forte. Para idade dele, e para o trauma que foi, ele se mostrou muito forte. Ele fez questão de entrar no IML e ver os corpos para confortar os parentes e pais. Nos dias posteriores ele ficou muito abalado. Esse foi um momento traumático. Acho que a imprensa, surpreendentemente, provavelmente por causa da figura do Padre Carvalho, agiu com uma imensa prudência na hora de explorar o assunto. É difícil identificar um só momento alegre no padre porque para mim uma das maiores características dele é ser idealista. Ele está fazendo 80 anos e ainda sonha com muitas coisas. Participa das reuniões conosco com o mesmo entusiasmo de dez anos atrás. Sempre sonha com novas conquistas, atribuições e empreendimentos. Ele é muito otimista. Eu lembro da inauguração da unidade Atalaia do Arqui, onde ele estava muito feliz. Nas conquistas de esporte e de vestibular ele sempre vibra muito. Ele fundou o colégio muito cedo, com 34 anos. Então ele abriu mão de muitas coisas pra se dedicar exclusivamente ao colégio. Claro que ele desenvolveu seu sacerdócio aqui, com a igreja onde ele celebra a missa. Mas ele abriu mão de oportunidades, até de estudar fora. Tem uma história que ele conta que Dom Luciano, bispo da época, queria que ele fizesse doutorado em Roma ou na França, e ele entendia que a obra do colégio era mais importante para ele, que iria dar muito mais pra sociedade, e que ele só conseguiria transformar o que é com dedicação total. Acho que o espírito de família do colégio tem muito a ver com a forma que ele conduz esse processo todo. É o perfil dele, de muita fraternidade, de boas relações pessoais.
Paulo César Santana – assistente de coordenação do Arqui
“Ele é muito centralizador no trabalho, mas também dá liberdade e gosta de pessoas com iniciativa. Sempre que a gente percebe que uma coisa não está andando como ele gostaria que estivesse, a gente tenta consertar. Nós gostamos da escola. Todo mundo aqui viu uma parte do crescimento desse colégio. Eu tenho muito que agradecer ao padre. Como eu não tive a presença paterna, o colégio ajudou muito na minha educação. De maneira particular, sempre que precisei dele ele me ajudou, não como diretor em si, mas como homem generoso. Admiro muito as posturas dele. Ele fica indignado com os casais que não têm os valores de família. Nas missas e palestras que ele dá ele sempre fala que as meninas hoje em dia não podem ser subservientes, e sim independentes. Outro ponto é a questão social do colégio, de aceitar de forma integral ou parcial as bolsas de aluno”.
Maria Ângela Siqueira Dias – 30 anos de Arqui
“Eu venci uma maratona estadual em 1976 sobre a vida de Santos Dumont, e o padre me convidou a fazer uma prova de acesso ao colégio. E o Arqui se transformou na minha segunda casa. Nós no início tínhamos mais contato com ele, não só como patrão mas como amigo também. Ele me respeita muito, e eu também respeito ele. Até politicamente, porque ele não tem a mesma ideologia que eu tenho, mas respeita plenamente. Respeita minha presença em sala de aula, pede licença. Fala com alunos sem expor os professores. Ele é altamente ético. Eu nunca o procurei para me aconselhar, mas ele sempre me aconselhou eu sempre fui muito intempestiva, sempre gostei de falar a verdade, e às vezes as pessoas não gostam de ouvir. Ele me dizia que eu tinha que me conter e eu perguntava: ‘O senhor quer que eu fale mentira?’. Ele respondia: ‘Não, não quero que você minta. Mas as pessoas se acostumaram com relações hipócritas, e pra conviver de forma equilibrada é necessário omitir determinadas coisas’. Ele me possibilitou ter mais maturidade, porque eu entrei aqui com 19 anos, muito imatura. Eu passei a me controlar e amadureci com o apoio dele”.
Luís Antônio Barreto – Historiador
“Eu tenho uma admiração e acompanho de algum modo o trabalho educacional dele. Tivemos oportunidade quando eu era secretário de Educação de Aracaju, e depois de Sergipe, de conviver com ele, de tratar das questões de Educação, ele como conselheiro ou como diretor do colégio Sagrado Coração de Jesus. E tem uma particularidade: ele é da minha terra, Lagarto. Acho agora que ele está dando uma contribuição formidável para o conhecimento da história de Sergipe”.
Depoimento de Ben-Hur de Assis Correia – ex-aluno do Arquidiocesano e estagiário de Jornalismo responsável pela matéria especial do Monsenhor Carvalho no Portal Infonet.
Texto reproduzido do site: infonet.com.br
Morre Morena do Arqui
Post compartilhado do Instagram/cafecompoliticasergipe, de 30 de setembro de 2026
Faleceu nesta quarta-feira (30), aos 98 anos, Morena, mulher que dedicou mais de 44 anos de sua vida ao Colégio Arquidiocesano, tornando-se uma figura querida e conhecida por várias gerações de alunos que passaram pela instituição.
Ao longo de mais de quatro décadas de trabalho, Morena construiu histórias, amizades e vínculos que ultrapassaram os muros da escola. Sua presença marcou a vida de inúmeras gerações e fez dela uma pessoa lembrada com muito carinho por alunos, ex-alunos, familiares e amigos.
Sua partida deixa um grande vazio no coração dos familiares e de todos que tiveram a oportunidade de conhecê-la e conviver com ela.
Aos 98 anos, Morena deixa como legado uma trajetória marcada pelo trabalho, pela dedicação e pelo carinho de tantas pessoas que fizeram parte de sua caminhada.
Que Deus conforte o coração dos familiares e amigos neste momento de dor e saudade.
Texto e imagem compatilhados do site: www instagram com
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Morre o primo Sergio Rollemberg Caldas Garcez
domingo, 16 de agosto de 2026
Praça Fausto Cardoso: Patrimônio Histórico de Aracaju
Artigo compartilhado do site da PMA, de 24 de março de 2010
Praça Fausto Cardoso: Patrimônio Histórico de Aracaju
Por Amâncio Cardoso*
Se fosse eleito um núcleo urbano para Aracaju, ele deveria estar inscrito na praça Fausto Cardoso. Ela é uma das primeiras áreas públicas demarcadas pelo engenheiro Pirro em seu desenho fundador da capital, em 1855. Desde os primórdios da cidade que a antiga praça participa da vida aracajuana como um lugar de significativa importância e de diversas funções. Anotemos, assim, algumas histórias que atestam tais qualificações.
Nos idos de 1868, o então presidente da província relatou que aterrara a "Praça de Palácio" para diminuir os pântanos e charcos que alagavam Aracaju. Neste período, onde hoje está a praça, havia um largo de areia em que se situava o primeiro palácio do governo provincial. Daí a expressão "Praça de Palácio" como primeiro topônimo do lugar. Atualmente, onde funcionava o antigo palácio está a Delegacia Fiscal, do Ministério da Fazenda, na esquina da face norte da praça com a rua da Frente. Quanto ao serviço de aterro, informado no documento, era de extrema importância à época, pois se acreditava que as águas estagnadas no areal sofriam evaporação e infectavam o ar, produzindo gases miasmáticos, os quais provocariam doenças epidêmicas.
Desse modo, Aracaju e, especificamente, a antiga praça eram um quadrante encharcado que precisou de muito aterro. Prova disso é o registro de um ilustre visitante de nossa capital, oito anos antes, em 1860, o Imperador D. Pedro II (1825-1891). O monarca assim escreveu sobre os charcos da novel cidade: "botaram terra sobre a areia das ruas: não contavam com a chuva de hoje que formou muita lama." .
Por coincidência, foi na antiga "Praça de Palácio" que se hospedaram o Imperador, a Imperatriz e suas comitivas. Além disso, o desembarque imperial ocorreu "em frente à Praça de Palácio" num atracadouro de madeira, hoje conhecido como Ponte do Imperador, outro marco histórico-arquitetônico contíguo à praça. Sendo assim, enquanto a ponte serviu de portão de entrada para Suas Majestades, o velho largo se prestou como ante-sala. Pois, de seus aposentos, no antigo palácio (hoje Delegacia Fiscal), transformado em Paço Imperial durante a visita, o monarca vislumbrou a praça apinhada de súditos em sua reverência. Até hoje, esta insigne visita marca a memória dos sergipanos, materializada no largo da praça e monumentos contíguos: "ponte" e "palácio" imperiais.
Ainda no século XIX, foram plantadas, no descampado da praça, palmeiras imperiais importadas; talvez para lembrar a visita de D. Pedro II. Este foi o primeiro esforço de arborização em Aracaju, depois complementado com o plantio de oitizeiros e figos-benjamin; trazidos do Horto Florestal do Rio de Janeiro. A importação de árvores exóticas obedecia a um movimento estético das cidades européias, vistas como modelo civilizador.
Exemplo de embelezamento da Fausto Cardoso, com intenções modernizadoras, ocorre no início do século XX, quando são construídos os coretos que até hoje existem. Estes equipamentos arquitetônicos, além de embelezar, intensificavam a sociabilidade, pois ali ocorriam as retretas - apresentações de banda de música em praça pública -; os discursos políticos, que os utilizavam como palanques; e as missas campais. A partir de 1920, ano do centenário da emancipação política de Sergipe, foram construídos também os passeios externos e internos; instalados os postes de iluminação; assentados novos bancos vindos dos Estados Unidos. Por conta disso, o lazer, o civismo e o bem-estar serão novos serviços oferecidos pelo velho largo com seus modernos mobiliários.
Sobre seu nome, a vetusta praça experimentou vários topônimos, além do "Praça de Palácio", já foi chamada "do Imperador"; "da República" e finalmente, em 1910, "Fausto Cardoso". Aliado a este último topônimo, ela recebeu em 1912 outra inovação: a primeira estátua pública de Aracaju. Pois o assassinato de Fausto Cardoso (1864-1906) foi eternizado na memória popular no local em que o deputado e advogado falecera. Assim, praça documenta, desde então, uma das tragédias mais lembradas da história política de Sergipe.
Quanto ao episódio da instalação da estátua, o escritor Genolino Amado (1902-1989), lembra que naquele dia a praça estava numa "aglomeração como nunca se viu". Tanto para cultuar, segundo Amado, o mito político; como para "ver e ouvir" o então afamado magistrado Gumercindo Bessa (1859-1913) em sua última manifestação de eloqüência, pois o orador estanciano raramente saía à rua, muito menos para discursar em praça pública.
Outro memorialista da cidade, Mário Cabral (1914-2009), lembra da praça em um de seus momentos mais significativos em termos estéticos. Admira-se Cabral, em 1948: os "jardins [da Fausto Cardoso] são magníficos. Possui dois coretos monumentais, uma fonte luminosa, além de outras obras de arte". Nesse ambiente agradável, continua o memorialista, "aos domingos e feriados, à tarde e à noite, ao som da música, ora da polícia, ora do exército, as moças e os rapazes fazem o seu desfile de elegância e futilidade". Pelo que indica Cabral, o espaço da praça nestes eventos era dominado pela juventude classe média e/ou abastada que desfrutava de um lugar central e privilegiado para ostentar seus símbolos exteriores de poder social e econômico, tais como carros novos e roupas elegantes durante o "footing" pela bela praça.
Neste período, além dos poucos carros particulares, a Fausto Cardoso era ponto dos "carros de praça" (atuais táxis). Aliás, para o memorialista Fernando Porto (1911-2005), as expressões dicionarizadas no Aurélio "carros de praça" (táxi) e "chofer de praça" (motorista de táxi) teriam sido originadas em alusão aos carros e motoristas estacionados na praça Fausto Cardoso. Segundo outro memorialista de Aracaju, Murilo Melins, em agosto de 1933, "o ponto dos carros de praça foi transferido [da rua de Laranjeiras] para a Praça Fausto Cardoso", que recebeu o nome de "Praça de Carros 131", número de telefone que servia aquele local. Fica patente que os modernos serviços públicos tinham na velha praça seu lugar assegurado. Era e ainda é ponto de referência para todos.
Mas as memórias de Melins registram também outras tragédias de que a praça foi testemunha. A primeira delas diz respeito ao torpedeamento dos navios mercantes na costa sergipana em 1942, durante a 2ª. Guerra Mundial. Da sacada do palácio para o povo assustado na praça, o interventor Augusto Maynard (1886-1957) discursara pedindo "calma, e muita calma" aos sergipanos atônitos. O segundo episódio trágico foi o linchamento do líder trabalhista Lídio Paixão, "próximo à estátua de Fausto Cardoso", durante um ato público no dia do suicídio do presidente Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954. Como se vê, entre momentos de lazer, festas e romances, a praça parece ter a sina de testemunhar tragédias emblemáticas, como a do personagem que lhe empresta o nome.
No aspecto cultural, uma das manifestações mais tradicionais da religiosidade aracajuana, e que possui íntima relação com a praça Fausto Cardoso, é a procissão de Bom Jesus dos Navegantes, no dia 1º de janeiro. Durante o préstito católico, a praça se torna uma passarela para o embarque e desembarque da charola do Bom Jesus na Ponte do Imperador. Muitas fotografias, tiradas ao longo do século XX, documentam o uso da praça pelos devotos durante a centenária procissão.
No campo político, no entanto, o evento mais marcante, e que teve a praça Fausto Cardoso como palanque, foi o da campanha das "Diretas Já". Este movimento selou o início da derrocada do Regime Militar após vinte anos de ditadura; sem eleições diretas, inclusive para presidente da República. A campanha se espraiou por todo o Brasil na forma de grandes comícios. Em Sergipe, o evento se realizou num domingo, 26 de fevereiro de 1984. Segundo o Jornal da Cidade, a Fausto Cardoso acolheu cerca de trinta (30) mil pessoas. Dentre as autoridades presentes, estavam o então presidente nacional do PT, Luiz Inácio Lula da Silva (atual presidente do Brasil); e também o então presidente do DCE/UFS, Edvaldo Nogueira (atual prefeito de Aracaju), em cujo mandato se realizou a última reforma de nossa praça.
No âmbito das artes, a Fausto Cardoso foi musa de vários poetas. Mas destaco o poema de Jacintho de Figueiredo, escrito à época das comemorações do centenário de Aracaju, em que ele chama a praça de "coração da cidade". Eis os versos: "Na praça principal, - coração da cidade -/ (Como é bom recordar o que de bom havia!)/ Um viçoso jardim, e ornando-lhe a vaidade,/ Esplêndida calçada em torno se estendia./ Nas noites de domingo a invariabilidade/ Da Banda no coreto em estos de harmonia;/ Ao longo da calçada, a vida, a mocidade,/ Distraidamente, em grupos, conversava e ria". O poeta cantava um tempo liricamente idealizado que, para ele, já se finava: das retretas nos coretos; do jardim viçoso; da esplêndida calçada; das alegrias da mocidade. Era como se a velha praça estivesse se extinguindo; como se as mudanças não perpassassem por seus jardins.
Mas a praça vem se revitalizando, a exemplo da última reforma sofrida este ano. Remoçada, o "coração da cidade" voltou a pulsar, recebendo prostitutas; convidando turistas; acolhendo mendigos; esperando estudantes; suspirando com os namorados; bocejando com os comerciários; legislando com os parlamentares e acompanhando as passeatas. Enfim, voltando a ter vida e a ser, como dizia o poeta, a "praça principal".
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* Professor do Instituto Federal de Sergipe (IF-SE)
Sócio do IHGS. E-mail: acneto@infonet com br
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Referência bibliográfica
1- BULCÃO. Antônio de Araújo d'Aragão. Relatório apresentado à Assembléia Legislativa. Aracaju: Typographia do Jornal de Sergipe, 02 de março de 1868.
2 - SANTOS NETO, Amâncio Cardoso dos. Sob o signo da peste: Sergipe no tempo do cholera, 1855-1856. Campinas/SP: IFCH-Unicamp, 2001. (Dissertação de Mestrado em História).
3 - Diário do Imperador D. Pedro II na sua visita a Sergipe em Janeiro de 1860. Revista do IHGS. Aracaju,
4- Relatório da Viagem Imperial à Província de Sergipe em janeiro de 1860. Bahia, Typographia do Diário, 1860. p. 18 e passim.
5 - BARBOZA, Naide. Em busca de imagens perdidas: Centro histórico de Aracaju, 1900-1940. Aracaju: Funcaju, 1992. p. 43-54.
6 - AMADO, Genolino. Um menino sergipano. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. p. 210.
7 - CABRAL, Mário. Roteiro de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Banese, 2001.p 204. (1ª edição em 1948; e 2ª em 1955).
8 - PORTO, Fernando. Alguns nomes antigos do Aracaju. Aracaju: J. Andrade, 2003. p. 178.
9 - MELINS, Murilo. Aracaju romântica que vi e vivi. 3. ed. Aracaju: Unit, 2007. p. 85.
10 - MELINS, Murilo. Aracaju romântica que vi e vivi. 3. ed. Aracaju: Unit, 2007. p. 45.
11 - "Comício reúne mais de trinta mil pessoas". Jornal da Cidade. Aracaju, n. 3641, 28 de fev. de 1984. p. 02.
12 - FIGUEIREDO, Jacintho de. Retretas. In: Motivos de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Funcaju, 2000. p. 69.
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Texto e imagem reproduzidos do site: www aracaju se gov br
sábado, 15 de agosto de 2026
Joubert Moraes Seu tempo, um ciclo
Artigo compartilhado do site RADAR SERGIPE, de 15 de agosto de 2026
Joubert Moraes Seu tempo, um ciclo
Por Luiz Eduardo Oliva*
As barricadas de Paris e a magia woodstoquiana ecoaram no Parque Teófilo Dantas, moldando uma geração que ousou quebrar estruturas.
Final dos anos sessenta o mundo vivia um reboliço, literalmente. “1968 foi o ano que não acabou” disse Zuenir Ventura. E continua inacabado, como o século XX, enquanto esse que vivemos teima em não acontecer. Em Paris, as barricadas dos estudantes enfrentavam o establishment. Nos EUA, outra onda varria o mundo. Woodstock foi a maior revolução sem disparar um único tiro. Jimi Hendrix e Janis Joplin foram as principais referências de uma juventude que resolveu dizer “chega”, que tinha o sentido de um “basta” aos costumes mofentos e corroídos da hipocrisia, um basta às guerras, onde o Vietnã era a Gaza dos dias de hoje. E eu era só “um garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones”.
Fato: eu era só um garoto. Mas, antes de mim, já existia uma tribo de jovens sobretudo inconformados. E Aracaju era uma cidade carcomida por uma sociedade centrada no patriarcalismo e no padrão vestal da vida: enquanto ia-se à missa aos domingos, os senhores vestais iam ao Vaticano — não o da Basílica de São Pedro, mas aquele que abrigava os “cabarés” de uma Aracaju noturnamente boêmia. Dá para acreditar? Sim, dá.
Tudo seguia o ritmo natural das coisas, tanto em Aracaju como em alhures. Uma sociedade totalmente revestida de uma moralidade incorporada como dogma. E quem haveria de contestar? Se as barricadas de Paris, os alucinógenos de Woodstock e o som dos Beatles e Rolling Stones davam o tom daqueles anos no mundo, na capital do menor estado do país uma parcela da juventude não ficou indiferente, muitíssimo pelo contrário.
Dizia Marquinhos do Rio (onde andará?) que no Parque Teófilo Dantas, no centro de Aracaju, ficava a “duodécima porta do inferno”, numa alusão aos nove círculos do inferno, pela iconoclastia que se estabeleceu naquela juventude que girava em torno da recém-inaugurada Galeria de Arte Álvaro Santos. O inferno de Dante comportava só nove! E Sergipe, tal qual araruta, teve seu dia/tempo de mingau! E uma geração fez acontecer como no resto do mundo.
O poeta Mário Jorge era a liderança natural, pela sua irreverência, genialidade e criatividade. Ao seu lado, os compositores Alcides Mello, Marcos Chulé e Zenóbio Alfano; os poetas Amaral Cavalcante e Hunald Alencar; a poeta Mara Lopes; o artista plástico Joubert Moraes; a atriz Wilma Rodrigues (Nêga); o cronista João de Barros (o Barrinhos); o cinéfilo Djaldino Mota Moreno; a jornalista, poeta e cineasta Ilma Fontes; as jornalistas Clara Angélica (também cantora) e Lânia Duarte (também artista plástica); o fotógrafo Marinho Neto; o tapeceiro e também colunista Luiz Adelmo; e alguns mais jovens estavam ali como “noviços”, como Caio Rubens, o poeta Vinicius Dantas e Hugo Julião. Eu via, na “cuca” anotava e depois passei a interagir também. Claro que não eram só esses, mas aí está um punhado altamente representativo. Muitos já partiram, outros saíram de cena.
No apagar das luzes do último mês de julho, saiu de cena definitivamente um dos mais icônicos daquela troupe, o multifacetado artista, o performático Joubert Moraes. Tendo incursionado na pintura, desenho, escultura, música, cenografia, poesia e diversas outras linguagens artísticas, ele marcou de tal maneira a cena aracajuana que havia até o neologismo “Aracajoubert”.
Joubert representou a síntese de sua geração, que abriu caminhos para a minha e as vindouras. Na forma de viver; na casa que tinha justamente na avenida Mário Jorge, seu parceiro e amigo querido; na música que criava e interpretava; na pintura que trazia tons psicodélicos, com cores pastel em movimento, como eram os quadros de coqueirais ao vento. Alguns, como um que tenho, parece mesclar um pouco da pintura clássica sem ser antiga, mas para além do seu tempo, parecendo caminhar livremente entre a justa proporção clássica renascentista, o psicodelismo surrealista e o abstracionismo expressionista.
Vivem-se tempos terríveis. O século XXI teima em não acontecer, há até um retroceder numa espiral de mediocridade que contrasta com a evolução cibernética. A partida de Joubert Moraes nos convida à reflexão. Ele foi um personagem que, sobretudo, ousou. Ousou e quebrou estruturas carcomidas, pensamentos que insistem em querer voltar. Nesse mundo da superfície, mergulhar por alguns momentos em personalidades como a de Joubert, para além da homenagem que se deve prestar ao grande artista, é necessário também refletir sobre o seu legado — não só no fazer artístico, mas no de se posicionar no seu tempo e buscar transformá-lo. Ave, Joubert!
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* Luiz Eduardo Oliva é advogado, poeta, professor e membro das Academias Sergipana de Letras Jurídicas e Riachuelense de Letras, Artes e Cultura.
Texto e imagem reproduzidos do site: radarse com br
terça-feira, 4 de agosto de 2026
Mangue Jornalismo ENTREVISTA Terezinha Oliva
domingo, 2 de agosto de 2026
Onde estariam Cleomar Brandi e sua enorme capacidade de ironizar a vida?
Artigo compartilhado da Coluna JLCULTURA, de 18 de julho de 2026
Onde estariam Cleomar Brandi e sua enorme capacidade de ironizar a vida?
Por Jozailto Lima
É profundamente enigmático morrer - e os espiritualistas não me venham com explicações piegas nesta hora.
A questão básica aqui é a seguinte: onde estarão Cleomar Brandi e aquela escrachada alegria e a iconoclastia existencial lá dele?
Estas perguntas são feitas a partir da lembrança de que ontem completou 15 anos que capou o gato de entre nós a grande figura Cleomar Brandi e foi sepultado no dia 18 depois de ele deixar uma farra, uma cervejada, paga pro magote de amigos lá no Bar do Camilo.
O meu amigo engenheiro Leonel Guimarães, um baiano como eu e o próprio Brandi, me manda a foto que ilustra este texto e me ativa a lembrança da data.
Numa piada bem comum de Cleomar, dir-se-ia que hoje/ontem estaria a fazer 15 anos que este camarada retirou seus dois pés daqui deste mundo!
Lembro-me que ele vez por outra frequentava o terraço do Cinform naqueles happy hours promovidos por aquela casa jornalística.
Numa das vezes, ao se despedir de Antônio Bonfim, o dono da bodega, ele tacou a frase-sacana, em forma de agradecimento irônico e anarquístico que só os descendentes de italianos conseguem: "Bonfim, obrigado, mas nunca mais piso meus pés aqui".
Eu o conheci - como a maioria dos sergipanos - já com uma perna só. Um saci sobre uma cadeira de rodas e nem me pergunte a origem da amputação.
Mais tarde, lá se foi a outra. E desta supressão veio outra piada escatológica deste baiano, que envolvia Dona Cleonice, a mãe com quem ele morou até os 65 anos quando partiu.
"Eu acho que de mim vai sobrar somente a cabeça, como um João Batista, pra Dona Cleonice me conduzir por aí numa bandeja", dizia.
Não, não sobrou a cabeça para a bandeja. Mas sobraram a lembrança desta grande figura e as perguntas que formulo no começo deste texto: onde cacete estão socados Cleomar Brandi e sua insuportável alegria e capacidade inalienável de reunir pessoas em torno de boa prosa? Com quem estariam estas respostas? Onde se socam os mortos? Por favor, não me venha com...
Texto e imagem reproduzidos do site: jlcultura com br
segunda-feira, 27 de julho de 2026
A noite ficou mais pobre sem Joubert Moraes
Artigo compartilhado do site FAUSTO LEITE, de 27 de julho de 2026
A noite ficou mais pobre sem Joubert Moraes
Por Fausto Leite
Acordei neste fim de semana com uma tristeza que não pediu licença, não bateu à porta e muito menos esperou que eu estivesse preparada. Joubert Moraes morreu, e com ele foi embora uma parte importante das noites que ajudaram a formar quem eu sou. Não falo apenas do pintor reconhecido, do músico celebrado ou do artista que Sergipe aprendeu a admirar. Falo do homem que conheci de perto, com quem dividi mesas, conversas, risadas, silêncios, canções e aquelas discussões culturais que começavam civilizadas e terminavam, algumas horas depois, tentando resolver o destino da humanidade. Joubert tinha essa capacidade rara de fazer uma mesa de bar parecer uma universidade, um palco, um confessionário e, dependendo da hora, uma assembleia constituinte da boemia sergipana.
Convivi com Joubert em muitas noites. Noites de amigos, de saraus, de música, de poesia e de conversas que não precisavam chegar a conclusão alguma para terem valido a pena. Ele gostava da noite porque a noite não exige que ninguém seja convencional. Durante o dia, o mundo cobra documentos, horários, respostas e comportamentos adequados. À noite, Joubert podia ser exatamente aquilo que sempre foi: livre. Cantava, contava histórias, ria com o corpo inteiro, falava de arte, de amor, de política, de gente e da vida com uma intensidade que fazia qualquer assunto banal parecer urgente. Quando pegava o violão, não havia anúncio oficial nem preparação de cerimônia, mesmo quando suas articulações doíam. A música simplesmente acontecia, como se estivesse apenas esperando uma distração dele para escapar.
Joubert não frequentava a cultura sergipana. Ele era parte dela. Estava nos bares, nos encontros, nas galerias, nos palcos, nos ateliês e na memória afetiva de uma Aracaju que ainda sabia se reunir sem precisar fotografar tudo para provar que havia vivido. Sua presença tinha cor, ritmo e personalidade. Ele entendia que a arte não nasce apenas nos espaços solenes, refrigerados e patrocinados por instituições. Muitas vezes, ela nasce numa mesa cercada de copos, guardanapos rabiscados, fumaça de conversa e gente que ainda acredita que uma canção pode modificar uma noite. Joubert transformava esses ambientes porque não separava o artista do homem. Não vestia a arte para sair. A arte já saía com ele.
Conhecer Joubert era também compreender seus silêncios. Eu sabia quando ele estava apenas observando, quando uma ideia estava sendo construída e quando alguma lembrança havia atravessado seu rosto antes de virar palavra. Sabia do entusiasmo que aparecia quando falava de um projeto, da delicadeza escondida por trás da irreverência e daquela inquietação de quem jamais aceitou viver dentro de uma moldura, embora tenha passado a vida criando tantas. Lamento profundamente não ter podido estar em seu sepultamento. Há ausências que pesam mais justamente porque não foram escolhidas. Eu gostaria de ter me despedido perto dos amigos, da família e daqueles que também aprenderam a reconhecer o som de sua chegada. Mas algumas despedidas acontecem dentro da gente, sem flores, sem discursos e sem plateia.
Sergipe amanheceu culturalmente mais pobre. Perdeu um grande pintor, um grande músico, um compositor, um escultor, um poeta da vida e um dos mais legítimos boêmios de sua história. Os intelectuais perderam um interlocutor inquieto. Os artistas perderam uma referência de liberdade. Os amigos perderam aquela presença que fazia a noite durar um pouco mais e acabar no Pastel Sol. E a própria noite de Aracaju perdeu uma de suas luzes mais originais. Joubert seguirá vivo nas telas, nas músicas, nas histórias e nas lembranças de quem teve o privilégio de caminhar ao seu lado. Eu guardarei as nossas noites, as conversas e os afetos como se guarda uma obra rara. Porque algumas pessoas morrem, mas continuam sentadas à mesa conosco. Joubert será sempre uma delas.
Texto reproduzido do site: faustoleite com br
Morre Wanderley Teixeira de Almeida, referência no transporte em Sergipe
Legenda da foto: Natural de Lagarto, ele foi um dos responsáveis pela expansão do transporte rodoviário no estado - (Crédito da foto: Arquivo Pessoal).
Publicação compartilhada do site INFONET, de 27 de julho de 2026
Morre Wanderley Teixeira de Almeida, referência no transporte em Sergipe
Aos 81 anos, empresário deixa legado na modernização do transporte de passageiros e marcou a história da mobilidade no estado
O empresário sergipano Wanderley Teixeira de Almeida morreu no último domingo, 26, aos 81 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília. Ele estava em tratamento contra um câncer há cerca de um ano. Natural de Lagarto, Wanderley era um dos principais nomes do setor de transporte rodoviário de passageiros em Sergipe e deixa esposa, quatro filhos, 11 netos e dois irmãos.
Por mais de cinco décadas, a família Almeida contribuiu para o desenvolvimento da mobilidade urbana, intermunicipal e interestadual em Sergipe, consolidando um legado que marcou a história do transporte público no estado.
O velório e o sepultamento de Wanderley Teixeira de Almeida ocorrerão no Cemitério Colina da Saudade, em Aracaju. A família informou que a data e o horário das cerimônias de despedida serão divulgados posteriormente.
Trajetória
Filho de Josino José de Almeida, fundador da Empresa Nossa Senhora de Fátima, criada em 16 de janeiro de 1953, Wanderley deu continuidade ao legado da família e ajudou a transformar a empresa em uma das mais modernas do Nordeste.
A frota chegou a contar com mais de 200 veículos e a empresa passou a operar linhas urbanas em Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão, além de rotas intermunicipais em Sergipe e interestaduais para Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ). Ao longo de sua trajetória, a qualidade dos serviços prestados rendeu diversos prêmios e reconhecimentos.
A família Almeida, a partir da empresa fundada pelo pai Josino, ajudou a estruturar a mobilidade intermunicipal, interestadual e urbana de Aracaju e da sua região metropolitana por mais de cinco décadas.
Por Marina de Sena e Aisla Vasconcelos
*com informações da família
Texto e imagem reproduzidos do site: infonet com br
domingo, 26 de julho de 2026
Joubert e as cores da memória
Post compartilhado do Facebook/Pascoal Maynard, de 26 de julho de 2026
Joubert e as cores da memória
Por Pascoal Maynard
Há pessoas que partem, mas não vão embora. Permanecem nas ruas por onde caminharam, nas casas onde viveram, nas conversas que despertam sorrisos e, sobretudo, naquilo que criaram. Hoje, com a partida de Joubert, não consigo pensar apenas no artista consagrado. Minha memória insiste em reencontrar o menino e o jovem que fizeram parte da paisagem afetiva da minha infância.
Li, mais uma vez, o belo texto de Mário Britto, e algumas de suas palavras ganharam um significado ainda mais profundo. Ele escreve que Joubert nasceu "no seio de uma família de artistas". É verdade. Aquela casa parecia respirar arte. O pai, poeta e escritor; a mãe, cantora e bordadeira. Não era apenas uma família que apreciava a cultura; era uma família que fazia da beleza um modo de existir.
Nossa proximidade ia além da geografia. Eu morava na Praça Fausto Cardoso. Joubert, na Rua Maruim, entre as ruas Itabaiana e Pacatuba. Eram poucos passos de distância. Naquele centro de Aracaju, onde as ruas ainda tinham o ritmo das conversas nas calçadas e o tempo parecia caminhar mais devagar, as famílias se conheciam, os meninos cresciam juntos e as amizades eram construídas sem cerimônia, como se fizessem parte da própria paisagem.
Naqueles dias, ninguém imaginava que aquele rapaz de fala tranquila carregava dentro de si um universo inteiro de cores, formas e poesia. Mário Britto lembra que, ainda adolescente, Joubert "tinha o hábito de visitar galerias de arte, comparecia a todas as exposições e frequentava, assiduamente, os ateliês dos mestres J. Inácio e Florival Santos". Hoje percebo que aquele jovem já perseguia um destino que só ele conseguia enxergar com nitidez.
Depois veio Salvador, a Escola de Belas Artes, os encontros com outros artistas, as experiências com a abstração. A vida foi ampliando seus horizontes, mas nunca lhe arrancou as raízes. Joubert levava Sergipe consigo. Em cada tela, em cada escultura, em cada cenário que criou, havia sempre um pouco da terra que o viu nascer e da sensibilidade que floresceu nas ruas da velha Aracaju.
Mário Britto encontrou uma definição que dificilmente poderia ser mais feliz: "Joubert tem uma relação completa e visceral com a arte". Talvez porque, para ele, a arte nunca tenha sido apenas profissão. Era respiração. Era linguagem. Era uma forma de compreender o mundo. E quando Britto escreve que "toca violão com a mão direita, pinta com a esquerda e, com ambas, faz as esculturas", desenha, em poucas palavras, um homem inteiro, cuja criatividade parecia desconhecer limites.
Hoje suas obras estão espalhadas pelo Brasil e por tantos outros países. Permanecerão onde sempre estiveram: nas paredes, nos museus, nas instituições, nas praças e nas casas de tantos admiradores. Mas permanecerão, sobretudo, onde Mário Britto tão bem registrou: "na memória e no coração do povo sergipano".
Quanto a mim, guardo outra galeria. Não é feita de quadros. É feita de lembranças. As ruas do centro de Aracaju, os encontros casuais, as famílias vizinhas, o cotidiano simples de uma cidade que nos ensinou o valor da convivência. Quando penso em Joubert, vejo também aquele pedaço da cidade que moldou nossas vidas e que continua existindo dentro de nós, mesmo quando o tempo transforma tudo ao redor.
A morte tem o estranho poder de silenciar uma voz, mas nunca consegue apagar uma presença. Os artistas conhecem esse segredo. Eles sobrevivem naquilo que deixam para os outros. Joubert compreendeu isso sem precisar dizê-lo. Pintou sua permanência em telas, esculpiu-a na matéria e gravou-a na memória de todos que tiveram o privilégio de conviver com sua arte e com sua generosidade.
Hoje Sergipe perde um de seus maiores artistas. Eu me despeço também de um companheiro de paisagem, de um rosto familiar da minha infância e juventude, de alguém cuja trajetória me enche de orgulho por ter acompanhado, ainda que de perto e silenciosamente, os seus primeiros passos.
Costuma-se dizer que a morte encerra uma vida. Talvez. Mas nunca encerra uma obra construída com talento, sensibilidade e amor. A verdadeira arte é uma forma de eternidade.
Joubert encerra hoje sua travessia humana. Paradoxalmente, é também hoje que sua obra se torna ainda mais definitiva. Porque o artista parte, mas a arte permanece. E, enquanto houver um sergipano capaz de se emocionar diante de uma de suas telas, de uma de suas esculturas ou da lembrança de sua delicadeza, Joubert continuará entre nós.
Adeus, meu querido Joubert.
Texto e imagem reproduzidos de post do Facebook/Pascoal Maynard
Morre Joubert Moraes, um dos maiores nomes das artes plásticas de Sergipe
Legenda da foto: Referência nas artes visuais, Joubert deixa um legado reconhecido dentro e fora do estado - (Crédito da foto: Rodrygo Besteti)
Publicação compartilhada do site INFONET, de 26 julho de 2026
Morre Joubert Moraes, um dos maiores nomes das artes plásticas de Sergipe
Referência das artes visuais em Sergipe, ele construiu uma trajetória marcada por exposições, esculturas e obras reconhecidas dentro e fora do estado
Morreu neste sábado, 25, o artista plástico Joubert Moraes, considerado um dos principais nomes da história da arte em Sergipe. Natural de Propriá, o artista construiu uma trajetória marcada pela pintura, escultura e música, tornando-se referência na produção cultural sergipana. Ele deixa esposa, uma filha e um neto.
O governador Fábio Mitidieri lamentou a morte de Joubert Moraes e destacou o legado deixado pelo artista. “Sua trajetória, marcada pela pintura, escultura e música, deixa um legado de enorme valor para Sergipe e para as futuras gerações”, afirmou. O governador também prestou solidariedade aos familiares e amigos, em especial à filha do artista, Jade Moraes, servidora da Fundação Aperipê.
O secretário de Estado da Cultura, Valadares Filho, também manifestou pesar. Segundo ele, Joubert Moraes teve uma produção artística que ultrapassou as fronteiras de Sergipe, com obras presentes em coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior, influenciando gerações de artistas sergipanos.
Trajetória
Natural de Propriá, Joubert Moraes realizou sua primeira exposição em 1968, na Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju. Em 1976, pintou os afrescos da Igreja da Ascensão, em São Francisco do Conde (BA), e, ao longo da carreira, levou sua produção para diferentes regiões do país, com exposições na Igreja do Solar do Unhão, na Bahia, na Galeria Tina Zapolli, no Rio Grande do Sul, e participação em mostra coletiva no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.
Em 2005, realizou sua primeira exposição dedicada exclusivamente às esculturas, no Hotel Parque dos Coqueiros. Já em 2021, inaugurou a escultura “Formas e Cores”, na Orla da Atalaia, e apresentou a exposição “Antes Arte do que Nunca”, no Centro Cultural de Aracaju. Em setembro de 2024, celebrou seis décadas de trajetória artística com a exposição inédita “Joubert – 60 anos de Arte”, fomentada pelo Programa Funarte Retomada 2023 – Artes Visuais, que reuniu telas e esculturas representando as diferentes fases de sua carreira.
Ao longo de sua trajetória, Joubert Moraes recebeu diversas homenagens, entre elas a Comenda Cultural Tobias Barreto e o Prêmio Mestre da Cultura Popular, em reconhecimento à sua contribuição para a arte e a cultura sergipanas.
Por Verlane Estácio
Texto e imagem reproduzidos do site: infonet com br
















