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terça-feira, 10 de julho de 2018

Luciano José Cabral Duarte (21.01.1925 - 29.05.2018)

 Dom Luciano durante a Tarde de Poesia dedicada à  Graziella Cabral ( in-memoriam) em 17.12.2005. Foto acervo ALV

23.10.1981- X FASC - solenidade de reabertura do Museu de Arte Sacra 
São Cristóvão/Sergipe. Foto acervo ALV.

Publicado originalmente no blog Academia Literária de Vida, em 30/05/2018

Dom Luciano Cabral Duarte 

Luciano José Cabral Duarte (21.01.1025 - 29.05.2018)

     Faleceu dia 29 e foi sepultado hoje (30) na Igreja de São Salvador, centro da cidade, o Arcebispo Emérito de Aracaju, Dom Luciano José Cabral Duarte. A fundadora da Academia Literária de Vida, Maria Lígia Madureira Pina, sua ex-aluna na Faculdade de Filosofia, falecida em 2014, sempre dizia do seu bem querer, sua admiração e a sua gratidão ao professor, ao intelectual, ao sacerdote que abriu novos caminhos para a juventude sergipana. Foi como professor universitário, que ele investiu esforços, tempo, estudo, amigos, relacionamento com políticos para fundar a nossa Universidade Federal em maio de 1968, sendo que antes já tinha sido instalas as faculdades de Química, Filosofia, Serviço Social, Economia e Medicina. Anos depois veio o Colégio de Aplicação, destinado a servir de treinamento para os estagiários da Universidade. Sacerdote da Igreja São Salvador por longos anos, depois Bispo Auxiliar de Aracaju e finalmente Arcebispo, sua carreira sacerdotal, social e intelectual tinha respaldo nos estudos pelo Institut Catholique de Paris e o título de Doutor da Universidade de Paris em Filosofia com a mais alta condecoração concedido pela instituição da Sorbonne - “Très honorable”, com a tese “La Nature de I’Intelligence dans le Thomisme et dans la Philosophie de Hume”, Depois publicada em forma de livro. Foi bolsista da Embaixada Norte-Americana. Foi redator e diretor do jornal A CRUZADA, em Aracaju e jornalista correspondente do Brasil para a revista O CRUZEIRO, no Concílio Vaticano II, quando era o Papa João XXIII. Escreveu por vários anos para o Jornal Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e no Jornal do Brasil. Foi presidente do Conselho Diretor da Fundação Universidade Federal de Sergipe e membro do Conselho Federal de Educação, por vários anos. Foi presidente do Departamento de Ação Social do Conselho Episcopal Latino- Americano, e depois eleito o 1º. vice-presidente deste Conselho.

      Dom Luciano fez parte da minha infância, pois minha mãe o ouvia diariamente, através da Rádio Cultura, (que ele trabalhou junto a Dom José Vicente Távora para instalar) em verdadeiros discursos, mas compreensíveis a qualquer pessoa, discorrendo não só sobre religião, mas dos problemas atuais que afligiam o país. Sua oratória era famosa no mundo inteiro, tinha o dom do improviso, quem o ouvia se encantava, sendo considerado o maior orador sacro do País. Seus livros referendados internacionalmente são prova cabal do seu conhecimento, da vida itinerante pelo mundo, exemplos estão nos livros “Europa e Europeus”, “Europa, Ver e Olhar”. Idealizou e organizou junto com o governo da época, o Museu de Arte Sacra de São Cristóvão, tentou a experiência pioneira de reforma agrária através do órgão PRHOCASE - Promoção do Homem do Campo - as terras doadas pela Cúria ele entregou às famílias por cessão por dez anos com a ajuda de governo do Estado, instituições e amigos. Taxado por uns de comunista, por causa disso, no entanto, era ferrenho defensor da democracia e abominava o comunismo, registrado em seus discursos e escritos, mas foi defendido pela maioria. Provou sua lealdade e princípios ao atender apelos de prisioneiros da ditadura, ao ajudar suas famílias, ao recolher estudantes de dentro dos quarteis e trazê-los para salas de aulas na universidade, graças a sua diplomacia junto aos militares. Membro da Academia Sergipana de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e tantas outras instituições, no Brasil e além fronteiras, sempre honradas com sua presença excepcional.

     Dono de uma memória extraordinária, ironicamente, a doença da qual foi vítima, Alzheimer, o fez prisioneiro do esquecimento. Viveu assim durante muitos anos amparado no carinho e cuidados da  irmã Carmem Dolores que sempre procura cultivar seu trabalho através do Instituto Dom Luciano, reunindo livros, discursos, revistas com suas publicações, fotos e objetos. São demonstrativos da admirável pessoa que nos deixou ante a saudade e nossa eterna gratidão, por tudo que fez em prol do seu povo. Descanse em Paz Dom Luciano.

Carmem, sua missão foi cumprida com amor e abnegação.
Nosso  abraço fraterno
Shirley Maria Santana Rocha – presidente da ALV e demais membros: Maria da Conceição Ouro Reis, Yvone Mendonça de Sousa, Maria Hermínia Caldas, Cléa Brandão de Santana. Josefina Cardoso Chagas, Adelci Figueiredo  Santos, Marlaine Lopes de Almeida, Raylane Andreza Dias Navarro Barreto, Sandra Maria Natividade, Jane Alves Nascimento Moreira de Oliveira, Maria Inácia Santos Dória, Tânia Cristina Santos de Souza, Izabel Cristina Melo dos Santos Pereira, Maria Eunice Guimarães Santos Garcia, Maria Edneide dos Santos Lemos, Maria Zélia da Silva Rocha.

Texto e imagem reproduzidos do blog: academialiterariadevida.blogspot.com

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Dom Luciano José Cabral Duarte (1925 - 2018)


Publicado originalmente no site infonet/blogs/ivanvalenca, em 06/06/2018

Albano despede-se de d. Luciano Duarte

Por Ivan Valença

Em artigo publicado neste final de semana, na Imprensa de Aracaju, o dr. Albano Franco despediu-se de Dom Luciano José Cabral Duarte, Arcebispo Emérito de Aracaju, de quem era grande amigo. Destaca o ex-governador Albano Franco: “Intelectual brilhante, servo de Deus, irretocável e missionário incansável a serviço da Igreja Católica, D. Luciano Duarte na sua brilhante trajetória eclesiástica, conseguiu realizar com brilhantismo, tudo aquilo a que se propôs em benefício do catolicismo e do ser humano, especialmente da gente sergipana”. Escreveu mais adiante: Orador sacro de renome internacional, encantou plateias por esse mundo afora, convertendo incréus ao levar a Palavra de Deus por onde andou. Educador renomado criou faculdades e foi um batalhador incansável pela fundação da Universidade Federal de Sergipe, quer como membro respeitado do Conselho Federal de Educação utilizando de seus enorme prestígio no âmbito dos poderes de Brasília. Está aí a UFS, há exatamente 50 anos, cumprindo seu importante papel na formação de profissionais indispensáveis ao desenvolvimento de Sergipe!  E finaliza: “Amigo da minha família, em algumas oportunidades tive a fortuna de assistir conversações de elevado nível sobre ciência, política e religião entre Dom Luciano e Dr. Augusto Leite, meu avô. Eram amigos! Ele – Prelado Emérito da Igreja Católica – e Dr. Augusto Leite – Pai da Medicina Sergipana! Que Deus os tenha em sua glória”

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D. Luciano já era Cardeal

Ainda sobre D. Luciano Duarte, falecido aos 93 anos a semana passada, o Padre Walterwan, que é Secretário do Rotary Clube de Aracaju Norte, fez uma revelação: D. Luciano morreu com o título que sonhava. Ele era Cardeal já há algum tempo, embora “in pectore”. Isto é, o Papa o homenageou cardeal mas manteve em segredo esta nomeação, daí porque in pectore. Quando foi nomeado, D. Luciano deveria se mudar para Brasília, já que o cardinalato teria que ser executado na Capital Federal. Ocorre que naquele momento d. Luciano já começava a desenvolver o mal de Alzheimer. Tal fato foi comunicado ao Papa de então, mas o Papa não anulou a nomeação apenas não o tornou público.  

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca

sábado, 2 de junho de 2018

Homenagem a Dom Luciano José Cabral Duarte (1925 - 2018)










Fotos de arquivo Universidade Federal de Sergipe.

Dom Luciano José Cabral Duarte (1925 - 2018)

Foto: arquivo UFS
Reproduzida do site: ufs.br

Texto publicado originalmente no site da UFS, em 30 de maio de 2018
  
UFS determina luto oficial pelo falecimento de dom Luciano José Cabral Duarte

Ele foi professor aposentado e emérito e um dos fundadores da UFS

O reitor Angelo Antoniolli assinou portaria determinando luto oficial de três dias por conta do falecimento de dom Luciano José Cabral Duarte (veja a portaria aqui). Professor aposentado e emérito e um dos fundadores da UFS, o arcebispo emérito de Aracaju faleceu na tarde de ontem, 29, aos 93 anos.

Natural de Aracaju, Dom Luciano nasceu em 1925 e foi ordenado sacerdote em 1948. Foi professor e primeiro diretor da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe. Com honras, obteve doutorado em Filosofia pela Sorbonne e foi o primeiro presidente do Conselho Diretor da UFS.

Homenagem

Dom Luciano foi um dos homenageados na cerimônia dos 50 anos da instituição, que ocorreu no último dia 15 de maio. Leia aqui o texto produzido por Ednalva Freire Caetano, pró-reitora de Gestão de Pessoas, que refez a trajetória de dom Luciano.

Ascom

comunica@ufs.br

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Morre Dom Luciano Cabral Duarte aos 93 anos


Um dos fundadores da UFS, foi primeiro presidente do Conselho Diretor e arcebispo emérito de Aracaju


Faleceu na tarde desta terça-feira, 29, aos 93 anos, o arcebispo emérito de Aracaju e um dos fundadores da Universidade Federal de Sergipe, Dom Luciano Cabral Duarte.

Natural de Aracaju, Dom Luciano nasceu em 1925 e foi ordenado sacerdote em 1948. Foi professor e primeiro diretor da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe. Com honras, obteve doutorado em Filosofia pela Sorbonne e foi o primeiro presidente do Conselho Diretor da UFS.

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Homenagem

Dom Luciano foi um dos homenageados na cerimônia dos 50 anos da instituição, que ocorreu no último dia 15 de maio. Abaixo, leia o texto produzido por Ednalva Freire Caetano, pró-reitora de Gestão de Pessoas, que refez a trajetória de Dom Luciano:

“O movimento em prol da criação da universidade envolveu muitos atores sociais como o Estado, a Igreja, os intelectuais os estudantes e a sociedade em geral. Vários nomes se destacaram nessa criação, porém, na impossibilidade de retratarmos todos eles, a nossa homenagem é dirigida a uma figura que, pelo grau de envolvimento, se destacou nesse processo.

No dia 12 de março de 1951 foi instalada a Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, funcionando provisoriamente no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em reunião da congregação na qual foi eleito o Padre Luciano Cabral Duarte como primeiro diretor. Como professor, lecionou Filosofia, Latim e Psicologia. Para abrir novos caminhos e preocupado com a excelência do seu trabalho, foi doutorar-se em Filosofia pela Sorbonne, na França, cuja tese foi defendida em 1957 obtendo a menção ‘trés honorable’.

Em 1963, D. Luciano José Cabral Duarte é nomeado para o Conselho Estadual de Educação, assumindo, em seguida a presidência da Câmara de Ensino Superior. É, então, designado pelo Secretário de Educação, Luiz Rabelo Leite, para coordenar um grupo de trabalho, visando à criação de uma universidade federal em Sergipe.

Logo após o ato de criação da Fundação Universidade Federal de Sergipe foi nomeado o Conselho Diretor que ficou encarregado de elaborar os estatutos da nova fundação. No dia 30 de setembro de 1967 D. Luciano foi eleito Presidente da Fundação Universidade Federal de Sergipe função que exerceu durante três mandatos consecutivos de dois anos.

Em 07 de março de 1968 D. Luciano foi nomeado membro do Conselho Federal de Educação, onde permaneceu por mais de quinze anos.

A contribuição de D. Luciano Cabral Duarte para a criação, instalação e manutenção da Universidade Federal de Sergipe nesses 50 anos é atestada por todos aqueles que tiveram o privilégio de participar da sua convivência.”

Ascom

comunica@ufs.br

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30 de maio de 2018

Dom Luciano Duarte: um dos esteios da criação da UFS

Por Angelo Roberto Antoniolli *

A UFS perdeu não apenas um professor aposentado e emérito, mas, especialmente, perdeu um dos esteios da sua criação

Não foi somente a Igreja Católica que perdeu o seu Arcebispo Emérito, Dom Luciano José Cabral Duarte. Sergipe inteiro perdeu. Perdeu um dos seus filhos mais ilustres. Em particular, a Universidade Federal de Sergipe também perdeu. E perdeu não apenas um professor aposentado e emérito, mas, especialmente, perdeu um dos esteios da sua criação.

A criação da Universidade Federal de Sergipe foi precedida de muitos embates, nos anos 1960. Calorosos. Desafiadores. Pensamentos opostos. Aspirações diferentes. No fundo, destacaram-se duas correntes, amiudadas, ambas, por algumas conotações periféricas. Uma corrente tinha sua liderança maior na pessoa do então Bispo Auxiliar de Aracaju, Dom Luciano Duarte, diretor da Faculdade Católica, e que viria a ser, depois, Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Aracaju (1971-1998). Costuma-se dizer que Dom Luciano Duarte representava as forças conservadoras. Ele tinha, todavia, um norte traçado, que atendia ao que preconizavam as diretrizes do governo federal para o ensino superior e, em particular, para a criação de Universidades, tanto na era do governo de João Goulart, quanto nos anos seguintes em que os militares governavam o Brasil. Do lado oposto ao prelado, despontavam estudantes, professores e outros segmentos sociais, que se posicionavam contra o anteprojeto elaborado pelo Bispo Duarte, ou por ele coordenado. Uma das vozes contrárias ao referido anteprojeto era a do professor e diretor da Faculdade de Medicina, Antônio Garcia Filho, católico, mas, nem por isso, adepto do pensamento do Bispo Auxiliar no que dizia respeito à criação da Universidade. A Faculdade de Direito, de natureza autárquica, também resistia à criação nos moldes preconizados pelo Bispo. Deu-se um embate entre os dois líderes através da imprensa, cada um defendendo as posições que abraçavam.

Uma das divergências da época dizia respeito à natureza jurídica que deveria ter a Universidade. Uns argumentavam que o ideal seria dar à Universidade a natureza fundacional, como era o caso de Dom Luciano. Outros alegavam que o certo seria dar-lhe a natureza autárquica, como entendia Antônio Garcia. Nessa questão, pairavam, naquele tempo, entendimentos jurídicos diferentes. As autarquias deveriam gozar de autonomia administrativa, a partir da própria nomenclatura. Já a fundação não gozaria da autonomia que tinha a autarquia. Temia-se, então, que as fundações ficassem a reboque do Ministério da Educação. Ora, tanto as autarquias quanto as fundações eram, como ainda o são, vinculadas a um órgão público (Ministério, no caso federal, ou Secretaria, no caso estadual, distrital ou municipal). Em suma, salvo algumas particularidades, autarquias e fundações equivalem-se. Ao menos, para fins de suporte orçamentário-financeiro que advém da administração direta, como é o caso específico das Universidades federais.

Ao que tudo indicava as duas Faculdades mais expressivas em termos de visibilidade social, Medicina e Direito, sem desmerecer as demais, pois cada uma tinha a sua importância no seio da sociedade sergipana, juntavam-se contra o anteprojeto conduzido por Dom Luciano Duarte. Sem dúvida, eram duas forças consideráveis. Professores e alunos formavam fileiras contra a forma como era conduzida a situação. Todavia, o Bispo tinha muita força social e também nos meios políticos. Dom Luciano era uma voz ouvida e respeitada, apesar de ainda muito novo. Como membro do Conselho Federal de Educação, conhecia o que se passava nas raias do poder.

As aspirações dos sergipanos por uma Universidade vinham da década de 1950 e aumentariam na década seguinte, especialmente após a criação da Faculdade de Medicina, no mandato do governador Luiz Garcia (1959-1962). Atravessou os governos de Juscelino Kubitscheck, Jânio Quadros e João Goulart. Em 1963, através da Lei nº 1.194, de 11 de junho, o governador do Estado de Sergipe, João de Seixas Dória, autorizou a transferência dos estabelecimentos de ensino superior existentes no Estado para a futura Universidade Federal de Sergipe. A UFS começava, assim, a ser gestada.

É inegável que o Estado e a Igreja, esta representada, sobretudo, por Dom Luciano Duarte, uniram-se para a criação da Universidade Federal de Sergipe. As Faculdades então existentes e que se congregaram eram: Faculdade de Ciências Econômicas, Faculdade de Química, Faculdade de Direito (federalizada), Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe (que ofertava os cursos de Filosofia, Letras Anglo-Germânicas, Matemática, Geografia, História e Pedagogia), Escola de Serviço Social e Faculdade de Medicina.

Pela letra do Decreto-Lei nº 269, de 28 de fevereiro de 1967, da lavra do presidente Castelo Branco, a Universidade Federal de Sergipe foi criada. Enfim, a 15 de maio de 1968, no governo do presidente Costa e Silva, depois de muitas marchas e contramarchas, a UFS foi solenemente instalada com natureza fundacional, como defendeu Dom Luciano, e cujo primeiro reitor foi o professor de Medicina, João Cardoso Nascimento Júnior.

Nunca se deverá negar a contribuição decisiva de Dom Luciano para a criação da Universidade Federal de Sergipe. Embora por muito tempo o patrulhamento ideológico esquerdista posicionou-se radicalmente contra Dom Luciano, cometendo injustiça contra ele, não haverá como apagar da UFS o nome deste homem da Igreja que nos deixou na última terça-feira, dia 29.

Há tempos, o CONSU aprovou o nome de Dom Luciano Duarte para a Biblioteca Central – BICEN. Tal aprovação não pôde ser efetivada por força de lei federal que impede nominar bens públicos imóveis com o nome de pessoas vivas. Agora, nada mais impede que a UFS efetive a homenagem a quem tanto lutou pela sua criação.
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* Reitor da Universidade Federal de Sergipe.

Texto e imagem reproduzidos do site: ufs.br

A memória de Dom Luciano Duarte

Foto extraída do Google e postada pelo blog, para ilustrar o presente artigo

Texto publicado originalmente no site da UFS, em 30 de maio de 2018

A memória de Dom Luciano Duarte

Por Jorge Carvalho do Nascimento *

Dom Luciano foi uma das figuras de que maior contribuiu com a vida de Sergipe, sob todos os aspectos

A memória está depositada nas lembranças dos velhos, em registros escritos nas bibliotecas, em computadores, em residências de particulares, em empresas, no espaço urbano, no campo.
Sergipe perdeu nesta terça-feira, 29 de maio de 2018, um dos seus filhos de maior importância, que nos legou importantes registros de memória que dão sentido a História da vida deste Estado durante a segunda metade do século XX. O Arcebispo Emérito de Aracaju, Dom Luciano José Cabral Duarte, que morreu aos 93 anos de idade, foi uma das figuras de que maior contribuiu com a vida de Sergipe, sob todos os aspectos e, como todos os homens de brilho e com capacidade de liderar despertou também muitas polêmicas em torno do seu nome.

Ao longo de toda a sua vida sacerdotal e docente, Dom Luciano Duarte teve ao seu lado, como guardiã do seu trabalho e também da sua memória, a expressiva figura da sua irmã, Carmen Dolores Duarte, irmã de Dom Luciano, uma espécie de secretária particular do prelado. Se já o era antes, agora é fundamental que os intelectuais brasileiros aprofundem a reflexão sobre as formas de ação de Dom Luciano José Cabral Duarte.

Ele foi um pastor obstinado com a sua missão, homem de personalidade igualmente forte, alta sensibilidade social, extraordinária capacidade de realização e um refinado intelectual no trato das idéias. Doutor em Filosofia, professor, fundador da Faculdade Católica de Filosofia, do Ginásio de Aplicação e da Universidade Federal de Sergipe. Jornalista, radialista, dinamizador de um importante projeto de assentamento agrário, escritor, uma das principais lideranças da Igreja Católica no Brasil e Vice-Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano – CELAM.

Agora, é tarefa de todos analisar a sua trajetória de vida, passando pelas suas atividades em família, pelo período durante o qual foi estudante, pela sua vida de sacerdote católico, de intelectual e profissional da educação, da cultura e da assistência social. É notável a contribuição dada por ele. É importante salvaguardar a sua memória, envidar esforços para compreender este passado recente da vida brasileira. É este o melhor caminho para aprofundar a narrativa histórica.

Foi pelo esforço de Carmen Duarte que se organizou o acervo documental que pertenceu a Dom Luciano Duarte e que atualmente se encontra depositado no Museu de Arte Sacra, em São Cristóvão, institutição fundada pelo próprio Arcebis durante o período no qual governou a Arquidiocese de Aracaju e liderou a Igreja Católica em Sergipe. O material inclui documentação impressa, manuscrita, áudio-visual e magnética, com significativo valor para a sua memória. Também foram incorporados documentos por familiares e amigos de Dom Luciano. Do mesmo modo que o acervo musical com gravações em Long Plays que o prelado acumulou ao longo da sua vida. E a sua biblioteca. São aproximadamente 8.600 documentos escritos e cerca de 5 mil fotos. E mil LPs digitalizados e transformados em CDs.

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* Professor do Departamento de História.

Texto reproduzido do site: ufs.br

O Arcebispo Luciano, o Homem, a Biblioteca

Foto extraída do Google e postada no blog, para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no blog Luiz Eduardo Costa

O Arcebispo Luciano, o Homem, a Biblioteca 

Por Luiz Eduardo Costa

                  Meados dos anos cinquenta, a Atalaia Nova, um povoado de casas de palha de pescadores e de algumas de taipa e telha dos veranistas. Por lá, começou a ir nos verões um jovem padre. Na casa do seu irmão Carlos Duarte, havia na frente um areal branquinho. Ali ele armou uma rede e costumava jogar voleibol com jovens veranistas.

                  Havia uma praça e, no centro, uma deteriorada capelinha. O jovem padre tomou a iniciativa de ampliá-la. Conseguiu recursos e as obras andaram rápidas, com ele sempre fiscalizando. No fim do verão, em fevereiro, houve a missa inaugural. Um menino veranista andava apegado a um grosso livro de álgebra, escrito pelo coronel professor Sinésio de Farias. Era preciso aproveitar a luz do dia, não havia luz elétrica, mas a Petromax a querosene alumiava a sala, onde o pai ficava a matraquear à noite toda uma Remington, e isso o desconcentrava.

                No fim da tarde foi a igreja. Havia muita gente, e ele ficou sobre a calçada em frente à porta principal, aliás, única. Nunca assistira aquele padre celebrar, mas a homilia o encantou, ou melhor, o fez extasiar-se. O padre discorria, em tom quase coloquial, sobre o que move uma coletividade e a semelhança desse movimento com a fé. A união de todos resultara na construção daquela igreja, fruto da solidariedade e da fé. Lembrava que das suas casas de palha e chão batido de areia, as pessoas saíram para colocar a pedra, pavimentando o chão da “casa de Deus” e pedia que esse ato de desprendimento se transformasse, também, numa força coletiva para mudar a vida de todos, para que também pudessem um dia pavimentar um chão e fazer paredes. Uma réstia clara de um sol encaminhando-se ao poente, penetrou por uma das frestas do telhado e esbateu-se na testa larga do padrezinho, esfogueado pela fé. E ele parecia envolvido de luz. Uma senhorinha ao lado murmurou baixinho: “Tá vendo? É o Espírito Santo! Esse padre vai ser um Papa”.

             A velhinha errou a profecia, mas acertou ao avaliar a grandeza, a força transformadora, daquele padre, que não sentaria no Trono de São Pedro, mas percorreu todos os caminhos possíveis do seu tempo, sendo um peregrino de ideias, de ações, de mudanças, de evolução cultural, de aperfeiçoamento da sociedade, que desejava justa, entendendo que a isso se chegaria pela fé, pela razão, pelo conhecimento, jamais por revoluções.

                 O padre, o bispo, o arcebispo, o intelecto mais potente e mais operoso do seu tempo, não atravessaria uma época de conflitos e dissensos, sem deixar, bem nítidas, as suas convicções. Isso o fez vítima de alguns equívocos, desses inevitáveis, quando se esfarelam os laços que harmonizam a convivência. Mas, em 64, o então Bispo Auxiliar de Aracaju foi ao quartel do 28º BC, onde estavam, infelizmente, e para nunca mais, encarceradas pessoas, estudantes na maioria, pelo crime de pensar. Celebrou uma missa, onde falou sobre ideias e o trânsito delas através da história, e sobre a solidariedade que deriva do sentimento cristão. O implícito significado daquela missa não chegou a ser devidamente avaliado.

              O conservador corria na frente do seu tempo. Fez isso, quando criou a PROCHASE, início da reforma agrária em Sergipe. Fez isso, quando na JUC, Juventude Universitária Católica, evangelizava e formava pessoas dignas para exercerem seu papel na sociedade. Em duas pessoas, a professora Carmelita Pinto Fontes e no conselheiro Juarez Alves Costa, caracterizamos a dimensão humana de todos os que passaram pela JUC.

                Fez isso, também, quando, numa atitude invulgar, rompeu a barreira de preconceitos e desinformação que separava a Igreja Católica da Maçonaria, visitando a Loja Simbólica Cotinguiba e fazendo um histórico discurso. Era venerável da Cotinguiba Carlos Teles Sattler. Ali, nasceu uma parceria e um convênio entre a Arquidiocese e a Loja Cotinguiba, para a implantação do primeiro projeto de reforma agrária em Sergipe. O advogado e líder maçônico José Francisco da Rocha deu forma jurídica ao acordo e à PROCHASE e lembra sempre, com muita emoção, da presença e da força de Dom Luciano.

                   Muitos anos depois, o menino que assistiu a missa na igrejinha da Atalaia, estava no Instituto Luciano Duarte, para, de Carminha Duarte, guardiã do acervo cultural do irmão Arcebispo, a quem sempre carinhosamente chamava de padre, receber a tarefa que consistia na seleção de livros da imensa biblioteca, para doá-los à diferentes instituições.

              Na biblioteca, na coleção de músicas, nos objetos e fotografias recordações de tantas viagens, havia a síntese do homem, do religioso, do intelectual sobretudo. Da Suma Teológica ao O Capital, de Lutero a Trotski, de Sartre a Bernanos, de Teillhard de Chardin ao Aiatolá Khomeini, lá, em diversas línguas, estava, na sua variedade e na sua abrangência, a parte do conhecimento, do existir humano, pelos quais transitara o privilegiado cérebro do padre, que, na igrejinha da Atalaia Nova, estava envolvido em luz. E ele foi uma luz da razão, que agora perdemos.

Texto reproduzido do blogluizeduardocosta.com.br

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Arcebispo emérito Dom Luciano Cabral será sepultado hoje

Foto: Ascom/UFS

Publicado originalmente no site do Cinform, em 30 de maio de 2018

Arcebispo emérito Dom Luciano Cabral será sepultado hoje

Por Thayná Ferreira 

O arcebispo emérito de Aracaju, Dom Luciano Cabral Duarte, de 93 anos, faleceu em decorrência do mal de Alzheimer nesta última terça-feira, 29, e será sepultado hoje, 30, na Igreja São Salvador, localizada na Rua Laranjeiras, Centro.

Dom Luciano além de religioso, teve grande importância na educação do estado. Ele foi professor, fez doutorado em Filosofia pela Sorbonne, foi um dos fundadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS), foi o primeiro diretor da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe e o primeiro presidente do Conselho Diretor da UFS.

A pró-reitora de Gestão de Pessoas da UFS, Ednalva Freire Caetano, divulgou um texto a respeito da trajetória do arcebispo. Em um dos trechos, ela relata que em 1963, ele foi nomeado para o Conselho Estadual de Educação, assumindo, em seguida a presidência da Câmara de Ensino Superior e designado pelo Secretário de Educação, Luiz Rabelo Leite, para coordenar um grupo de trabalho, com o intuito de criar uma universidade federal no estado.

Em outro trecho ela relata que logo após o ato de criação da Fundação Universidade Federal de Sergipe, Dom Luciano ficou encarregado de elaborar os estatutos da nova fundação. Em 1967, foi eleito Presidente da Fundação Universidade Federal de Sergipe e no ano seguinte nomeado membro do Conselho Federal de Educação.

Por fim, a pró-reitora finaliza declarando que a “contribuição de D. Luciano Cabral Duarte para a criação, instalação e manutenção da Universidade Federal de Sergipe nesses 50 anos é atestada por todos aqueles que tiveram o privilégio de participar da sua convivência”.

Texto e imagem reproduzidos do site: cinform.com.br

A morte de Dom Luciano Duarte

Imagem reproduzida da TV SERGIPE e postada pelo blog: 
"SERGIPE, sua terra e sua gente",  para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no site infonet/blog/ivanvalenca

A morte de Dom Luciano Duarte

Texto de Ivan Valença

Aos 93 anos de idade faleceu ontem a tarde aqui em Aracaju o Arcebispo Emérito de Aracaju, dom Luciano José Cabral Duarte. Figura exponencial da Igreja Católica em Sergipe, d. Luciano teve uma vida vitoriosa no campo eclesiástico e plena de realização. Ele trabalhou assiduamente para a constituição da Universidade Federal de Sergipe, na metade dos anos 60. 

Um pouco antes, o seu trabalho também foi vitorioso para a constituição e instalação da Rádio Cultura de Sergipe, em 1959. Professor universitário, ele trabalhou também para a instalação das faculdades de Filosofia e de Serviço Social. Fui seu aluno ainda na Faculdade Católica de Filosofia. Embora divergíssemos politicamente, era, no entanto, um enorme prazer assistir aulas suas de Filosofia. Era um poço de conhecimento dentro de uma oratória especialmente cativante.

As vezes contraditório, D. Luciano era capaz de se preparar para constituir uma entidade que trabalhou pela Reforma Agrária. A doença de que foi vítima, o Mal de Alzheimer, privou os sergipano dos seus conhecimentos sobre quase tudo na vida das pessoas, além de um discurso primoroso, e um texto maravilhoso (isto pode ser conferido nos livros que publicou, principalmente em “Europa e Europeus”, seu primeiro livro.

Por muito tempo foi o editorialista da Rádio Cultura de Sergipe, texto transmitido, por cinco minutos diários, a partir das 13h. Frequentador assíduo de cinema, tinha um gosto refinado na literatura e na música. Assistir uma aula do professor Luciano Duarte era um prazer que nos foi retirado muito cedo. 

D. Luciano Duarte agora descansa em paz. No período da doença, recebeu assistência de sua irmã, uma verdadeira santa, d. Carmen Duarte.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca

Homenagem a Dom Luciano José Cabral Duarte (1925 - 2018)

Vídeo reproduzido da Fanpage Facebook/Arquidiocese de Aracaju

Dom Luciano José Cabral Duarte | ☼ 1925 + 2018

Foto: Arquivo UFS.

Texto publicado originalmente no site da Arquidiocese de Aracaju.

DOM LUCIANO Cabral Duarte (1971-1998)
2º Arcebispo Metropolitano | 1925 + 2018

Com o falecimento de Dom José Vicente Távora, em 1970, Dom Luciano José Cabral Duarte, que já exercia as funções de Bispo Auxiliar, foi nomeado pelo Papa Paulo VI, o 2º Arcebispo Metropolitano de Aracaju.

Ainda como Bispo Auxiliar de Aracaju, na condição de Diretor da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, como membro do Conselho Estadual de Educação de Sergipe, especificamente como Presidente da Câmara de Ensino Médio e Superior, e, posteriormente, como membro atuante do Conselho Federal de Educação, notabilizou-se pela maneira como se empenhou pela criação da Universidade Federal de Sergipe. Sua presença atuante foi deveras marcante para o advento da Universidade, inclusive incorporando-lhe a Faculdade Católica de Filosofia, a Faculdade de Serviço Social e o Colégio de Aplicação, este último por ele mesmo fundado. Atuação como Arcebispo:

1) Incrementou o cultivo das vocações sacerdotais, criando em toda a Arquidiocese um clima, como ele sempre afirmava, de sensibilidade vocacional. Compôs e ordenou que fosse rezada em todas as Missas a Oração pelas Vocações Sacerdotais e Religiosas, ainda hoje rezada em toda a província eclesiástica de Aracaju.

2) Criou várias paróquias na Capital e no interior.

3) Através de suas homilias e sermões, especialmente durante a Semana Santa e horas católicas, doutrinava e encantava seus ouvintes pelo brilho de sua palavra.

4) Ordenou vários sacerdotes, frutos de seu trabalho pelas vocações sacerdotais.

5) Pouca gente sabe, mas é digno de menção o esforço empreendido por Dom Luciano junto ao Ministério da Previdência Social para que as empregadas domésticas de Aracaju, de Sergipe e do Brasil, pudessem usufruir dos benefícios do Instituto de Previdência e Seguridade Social.

6) Nesta mesma dimensão, fundou a Escola João XXIII, na Vila João Costa, para recuperação de mulheres marginalizadas e o Centro Educacional BEM-ME-QUER, na rua São Cristóvão, para filhos de Domésticas.

7) Transferiu o Seminário Menor para o Bairro Industrial, onde ainda hoje se encontra.

8) Recuperou a posse dos conventos Nossa Senhora do Carmo e São Francisco, em São Cristóvão, fundando, neste último, o Museu de Arte Sacra de Sergipe, onde se encontra o acervo valioso de imagens e objetos sacros, legados preciosos das gerações passadas que, hoje, estão preservados graças à instituição do referido Museu.

9) Transformou o Convento São Francisco em centro de encontros de evangelização e estudos sociais.

10) Já o Convento do Carmo ele entregou às Irmãs Beneditinas que, até pouco tempo, nele instalaram o Mosteiro Beneditino Nossa Senhora da Vitória.

11) Outro ponto marcante na atuação de Dom Luciano foi a resolução tomada por ele, juntamente com os Bispos de Estância e de Propriá, para a fundação do Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, com o objetivo de facilitar a formação dos sacerdotes para a Arquidiocese de Aracaju e para as dioceses sufragâneas.

12) Entre as iniciativas altamente benéficas de Dom Luciano, registre-se a presença da Comunidade SHALOM entre nós. Não só pela direção da Rádio Cultura que lhe foi entregue, desde 1992, como também por sua atuação na evangelização, através dos constantes encontros, que são promovidos pelos membros da comunidade, visando à formação humana da juventude e das famílias.

13) Acolheu e estimulou também a fundação, em Aracaju, da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa - ADCE, visando à divulgação dos princípios da Doutrina Social da Igreja entre os empresários, para que exista um fraterno relacionamento entre empregadores e empregados, dentro dos sadios princípios da Doutrina Social da Igreja.

Para que se tenha uma idéia da ação da ADCE em Aracaju, posso citar a realização de 21 encontros de reflexão, atingindo, mais ou menos, 500 empresários e 5 encontros de reflexão, para funcionários, abrangendo cerca de 400, que saem cientes de que patrões e empregados não devem viver em antagonismo, porém irmanados, tendo como fundamento os princípios da fé, da justiça, da verdade, da solidariedade e do amor ao trabalho para que, juntos, construam uma sociedade fraterna, próspera e pacífica.

14) Para facilitar o acesso da comunidade à programação da Rede Vida de Televisão, empreendeu uma campanha em prol da instalação de uma torre repetidora em Aracaju.

15) Para mostrar concretamente a viabilidade da reforma agrária e, concomitantemente, da criação de empregos para as pessoas não alfabetizadas ou de pouca instrução, que não possuíam terra para trabalhar, Dom Luciano empreendeu uma bem sucedida experiência de reforma agrária em Sergipe. Contando com a colaboração dos governadores da época, como Dr. Lourival Batista, Dr. Paulo Barreto de Menezes e Dr. João Garcez e, ainda da Misérior, instituição alemã, e até da maçonaria de Aracaju, a Loja Cotinguiba, Dom Luciano José Cabral Duarte, ainda como Bispo Auxiliar e, a partir de 1971, como Arcebispo Metropolitano de Aracaju, conseguiu recursos e comprou grandes propriedades: duas no município de Maruim, uma em Santo Amaro das Brotas, uma em Santa Rosa de Lima, uma em Carmópolis e uma em Divina Pastora. Essas 06 propriedades foram divididas em lotes de 33 tarefas (dez hectares) e nelas foram assentadas 261 famílias. Antes e depois de instalados, os chefes de família eram treinados e orientados para o cultivo da terra e tornaram-se pequenos agricultores e criadores de gado. Muitos deles, hoje, possuem transporte próprio e até casa em Aracaju. Esta melhoria de vida dos participantes do projeto justifica plenamente o nome PROCASE - Promoção do Homem do Campo de Sergipe, que, ao longo de sua existência, entre 1968 e 1988, beneficiou cerca de 5.000 pessoas.

Trata-se de uma iniciativa-modelo que poderia muito bem servir de orientação para os nossos governantes Nacionais, Estaduais e Municipais, para que promovam a verdadeira reforma agrária justa e produtiva, precedida, como aconteceu com a PROCASE, pela criteriosa escolha de quem quer, de fato, trabalhar e pela necessária preparação para o correto uso da terra que lhe foi doada.

Assim, a terra é dividida e quem não tem preparo para outras atividades, ou não consegue emprego em outras áreas, acaba tendo uma ocupação, diminuindo, com isso, os altos índices de desemprego, o grande mal da Nação Brasileira, que tem feito tantos dos nossos irmãos caírem na marginalidade.

Fonte: Livro Presença Participativa da Igreja Católica nos 150 anos de Aracaju – Monsenhor José Carvalho

Texto reproduzido do site: arquidiocesedearacaju.org

Arcebispo emérito de Aracaju, Dom Luciano, morre aos 93 anos

Foto reproduzida do Facebook/Rádio CulturaAM e postada pelo blog

Texto publicado originalmente no site F5 News, em 29/05/2018

Arcebispo emérito de Aracaju, Dom Luciano, morre aos 93 anos

Velório acontece na Igreja Jesus Ressuscitado, a partir das 19h   

Morreu na tarde desta terça-feira (26), em Aracaju, o arcebispo emérito de Aracaju, Dom Luciano Cabral Duarte. Ele tinha 93 anos e sofria de mal de Alzheimer. Segundo a Cúria Metropolitana, Dom Luciano estava acamado e tinha a saúde fragilizada por conta da doença.

Segundo a Arquidiocese de Aracaju, o velório será realizado na Igreja Jesus Ressuscitado, a partir das 19h. Já o sepultamento será na Igreja São Salvador, logo após a missa de corpo presente que ocorrerá às 16h da quarta-feira (30).

O arcebispo emérito de Aracaju estudou na Escola de Aprendizes Artífices, depois Escola Técnica, hoje IFS, antes de ingressar no Seminário Menor do Sagrado Coração de Jesus, aos 11 anos. Sempre foi o primeiro colocado na turma. Em 1942, mudou-se para o Seminário de Olinda, em Pernambuco. Em fevereiro de 1945 transferiu-se para São Leopoldo (Rio Grande do Sul) onde concluiu os estudos eclesiásticos necessários para se tornar padre. Foi ordenado sacerdote por Dom Fernando Gomes, então bispo de Penedo, no dia 18 de janeiro de 1948 e iniciou suas atividades sacerdotais na Igreja do São Salvador.

Ações desenvolvidas por Dom Luciano em Sergipe

Ainda como Bispo Auxiliar de Aracaju, na condição de diretor da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, como presidente da Câmara de Ensino Médio e Superior e, membro atuante do Conselho Federal de Educação, notabilizou-se pela maneira como se empenhou pela criação da Universidade Federal de Sergipe.

Sua presença atuante foi marcante para o advento da Universidade, inclusive incorporando a ela a Faculdade Católica de Filosofia, a Faculdade de Serviço Social e o Colégio de Aplicação, este último por ele mesmo fundado.

Atuação como Arcebispo:

​Incrementou o cultivo das vocações sacerdotais, criando em toda a Arquidiocese um clima, como ele sempre afirmava, de sensibilidade vocacional. Compôs e ordenou que fosse rezada em todas as Missas a Oração pelas Vocações Sacerdotais e Religiosas, ainda hoje rezada em toda a província eclesiástica de Aracaju.

​Criou várias paróquias na capital e no interior. ​ Pouca gente sabe, mas é digno de menção o esforço empreendido por Dom Luciano junto ao Ministério da Previdência Social para que as empregadas domésticas de Aracaju, de Sergipe e do Brasil, pudessem usufruir dos benefícios do Instituto de Previdência e Seguridade Social.

​Fundou a Escola João XXIII, na Vila João Costa, para recuperação de mulheres marginalizadas e o Centro Educacional BEM-ME-QUER, na rua São Cristóvão, para filhos de Domésticas.

​Transferiu o Seminário Menor para o Bairro Industrial, onde ainda hoje se encontra.

​Recuperou a posse dos conventos Nossa Senhora do Carmo e São Francisco, em São Cristóvão, fundando, neste último, o Museu de Arte Sacra de Sergipe, onde se encontra o acervo valioso de imagens e objetos sacros, legados preciosos das gerações passadas que, hoje, estão preservados graças à instituição do referido Museu.

​Transformou o Convento São Francisco em centro de encontros de evangelização e estudos sociais. Já o Convento do Carmo ele entregou às Irmãs Beneditinas que, até pouco tempo, nele instalaram o Mosteiro Beneditino Nossa Senhora da Vitória.

​Outro ponto marcante na atuação de Dom Luciano foi a resolução tomada por ele, juntamente com os Bispos de Estância e de Propriá, para a fundação do Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, com o objetivo de facilitar a formação dos sacerdotes para a Arquidiocese de Aracaju e para as dioceses sufragâneas.

​Entre as iniciativas altamente benéficas de Dom Luciano, registre-se a presença da Comunidade SHALOM entre nós. Não só pela direção da Rádio Cultura que lhe foi entregue, desde 1992, como também por sua atuação na evangelização, através dos constantes encontros, que são promovidos pelos membros da comunidade, visando à formação humana da juventude e das famílias.

​Acolheu e estimulou também a fundação, em Aracaju, da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa - ADCE, visando à divulgação dos princípios da Doutrina Social da Igreja entre os empresários, para que exista um fraterno relacionamento entre empregadores e empregados, dentro dos sadios princípios da Doutrina Social da Igreja.

​Para facilitar o acesso da comunidade à programação da Rede Vida de Televisão, empreendeu uma campanha em prol da instalação de uma torre repetidora em Aracaju.

​Para mostrar concretamente a viabilidade da reforma agrária e, concomitantemente, da criação de empregos para as pessoas não alfabetizadas ou de pouca instrução, que não possuíam terra para trabalhar, Dom Luciano empreendeu uma bem sucedida experiência de reforma agrária em Sergipe. Contando com a colaboração dos governadores da época, como Dr. Lourival Batista, Dr. Paulo Barreto de Menezes e Dr. João Garcez e, ainda da Misérior, instituição alemã, e até da maçonaria de Aracaju, a Loja Cotinguiba, Dom Luciano José Cabral Duarte, ainda como Bispo Auxiliar e, a partir de 1971, como Arcebispo Metropolitano de Aracaju, conseguiu recursos e comprou grandes propriedades: duas no município de Maruim, uma em Santo Amaro das Brotas, uma em Santa Rosa de Lima, uma em Carmópolis e uma em Divina Pastora. Essas 06 propriedades foram divididas em lotes de 33 tarefas (dez hectares) e nelas foram assentadas 261 famílias. Antes e depois de instalados, os chefes de família eram treinados e orientados para o cultivo da terra e tornaram-se pequenos agricultores e criadores de gado. Muitos deles, hoje, possuem transporte próprio e até casa em Aracaju. Esta melhoria de vida dos participantes do projeto justifica plenamente o nome PROCASE - Promoção do Homem do Campo de Sergipe, que, ao longo de sua existência, entre 1968 e 1988, beneficiou cerca de 5.000 pessoas.

​*Com informações da Arquidiocese de Aracaju

Texto reproduzido do site: f5news.com.br

terça-feira, 29 de maio de 2018

Sergipe perde Dom Luciano José Cabral Duarte


Publicado originalmente no site A8 SE, em 29 de maio de 2018

Sergipe perde Dom Luciano Cabral Duarte

Redação Portal A8

Dom Luciano Cabral Duarte, arcebispo emérito de Aracaju, faleceu na tarde desta terça-feira (29), aos 93 anos, em decorrência do Alzheimer – que já o deixava com a saúde bastante debilitada.

O arcebispo emérito de Aracaju estudou na Escola de Aprendizes Artífices, depois Escola Técnica, hoje IFS, antes de ingressar no Seminário Menor do Sagrado Coração de Jesus, aos 11 anos. Sempre foi o primeiro colocado na turma. Em 1942, mudou-se para o Seminário de Olinda, em Pernambuco. Em fevereiro de 1945 transferiu-se para São Leopoldo (Rio Grande do Sul) onde concluiu os estudos eclesiásticos necessários para se tornar padre. Iniciou suas atividades sacerdotais na Igreja do São Salvador.

De acordo com a Arquidiocese de Aracaju, o velório de Dom Luciano Cabral Duarte ocorrerá nesta terça-feira (29), às 19h, na Igreja Jesus Ressuscitado. Já o sepultamento, será na Igreja São Salvador, logo após a missa de corpo presente que ocorrerá às 16h.

Texto e imagem reproduzidos do site: a8se.com/sergipe