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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Sergipanidade: o tamanho do que não cabe no mapa

Foto: Reprodução

Artigo compartilhado do site RADAR SERGIPE, de 24 de outubro de 2025 

Sergipanidade: o tamanho do que não cabe no mapa

Por Thaiara Silva*

Ser sergipana é carregar o ddd 79 no corpo, como quem traz o código de origem tatuado na alma. É ouvir “oxe” e sorrir, não porque é engraçado, mas porque é casa. É comer amendoim cozido em volta de uma conversa, na praia, com amigos ou em casa, repetindo sem culpa o gesto de quem saboreia o costume. É ver as ladeiras que desembocam em rio e o vento morno que vem do mar. É saber que o pequeno aqui nunca foi sinônimo de pouco.

Sergipe é território de grandes ideias em corpo miúdo. Terra de Tobias Barreto, que filosofou em alemão sem sair do Nordeste profundo. De Maria Thétis Nunes, que escreveu a história do que os livros costumam esquecer. De Felte Bezerra, que ensinou política com coragem e verbo firme. De Beatriz Nascimento, que abriu caminhos para pensar o Brasil preto, feminino e insurgente. De Silvio Romero, Hermes Fontes, Laudelino Freire, Gurmecindo Bessa, Ibarê Dantas e Luís Antônio Barreto, nomes que transformaram palavras em patrimônio. Entre os mestres do povo, há também que mantenha viva a herança dos tambores e das ruas, como mestre Saci, guardião da Maloca e da memória que dança e resiste, ensinando que a cultura não mora só nos livros, mas no corpo e na alma de quem celebra a ancestralidade.

E há também a Sergipanidade que se manifesta em sabores, paisagens e encontros. O turismo nos Cânions do São Francisco, com suas águas esculpidas em silêncio, é quase uma oração diante da natureza. Em São Cristóvão, a queijada que desmancha na boca, história temperada com tempo. Em indiaroba, a empadinha de aratu ainda quente carrega o gosto do afeto. A renda irlandesa de Divina Pastora tece a memória nas pontas dos dedos; Laranjeiras revive o sagrado com Lambe-sujos e os Caboclinhos, e o forró segue como idioma oficial das nossas emoções, afinal, somos literalmente o país do forró, como lembrava o saudoso Rogério. Se o forró é língua materna, a música de Isamar Barreto é o sotaque que traz o sentimento de quem vive em Aracaju. Versos que atravessam gerações e a embalam o pôr do sol na Treze de julho. A  Orla de Aracaju, essa moldura azul que abraça a cidade, do farol da Coroa do Meio até a passarela do caranguejo, continua sendo convite, espelho e descanso.

Nosso “sergipanes” é esse sotaque manso e irônico, é a forma de olhar o mundo com humor e simplicidade. É rir de si mesmo, oferecer café antes de qualquer conversa séria e ainda agradecer por morar num lugar onde o tempo parece respirar diferente. O sergipano é um povo que acolhe, que escuta, que sabe dar notícia boa em tom de prosa.

Ser sergipano é herdar uma coleção de mundos condensados. É ter o costume de falar baixo, mas sentir fundo. É o gesto tímido que guarda um orgulho enorme. É entender que nossa cultura não se mede em metros quadrados, ela se espalha no toque do tambor do afoxé, nas rezas do interior, nas rendeiras de bilro, nas fogueiras de junho e nas prosas de mercado.

Sergipe é um estado que se afirma em miudezas: na tapioca de beira de estrada, no café servido com conversa, no abraço demorado depois da missa, no forró que ainda se dança de rosto colado. Aqui, o tempo anda no ritmo de quem sabe que a pressa nunca fez parte da identidade.

Celebrar o Dia da Sergipanidade é reconhecer a força de um povo que insiste em existir com delicadeza. É saber que há grandeza em ser pequeno e universalidade em ser local. É olhar o mapa e entender que, embora sejamos o menor estado, o que cabe dentro das nossas fronteiras é infinito, porque é feito de memória, resistência e afeto.

E quando alguém me pergunta de onde eu sou, não respondo apenas “de Aracaju”. Digo com a firmeza de quem sabe o valor da origem: sou sergipana, de ddd 79, de alma larga e chão pequeno.

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*Thaiara Silva é jornalista, mestranda e especialista em Análise do Discurso, Semiótica e Marketing Digital.

Texto e imagem reproduzidos do site: radarse com br

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

O que é SERGIPANIDADE ?

Foto: Ricardo Torres/www flickr com/photos

O que é SERGIPANIDADE ?

O que é a Sergipanidade que se comemora dia 24 de outubro? Vamos conhecer um pouco da nossa História. Em 2000 a Assembleia Legislativa de Sergipe, alterou o artigo 47 da Constituição Estadual, que estabelecia duas (02) datas de comemoração da Emancipação Política do nosso Estado, sendo uma 08 de julho, data do Decreto assinado por D. João VI, e a de 24 de outubro, que para os historiadores sergipanos é a data em que chega a Sergipe o Decreto e enfim os sergipanos puderam comemorar a sua independência. Dessa forma podemos ver que essa Emenda Constitucional deixou apenas o 08 de julho como data histórica e festiva. O que fazer com o 24 de outubro? Segundo o Prof. Luís Antõnio Barreto nós sergipanos somos - herdeiros de uma faixa de terra litorânea, irrigada até o interior pelos rios da história do Brasil - São Francisco, Cotinguiba, Sergipe, Vaza-Barris, Piauí e Real - aptos ao trabalho, criativos e inovadores no domínio do conhecimento os sergipanos compõem um povo que fez da luta o caminho da sua afirmação, e renova, a cada dia, a cada episódio de sua tragetória a mesma lição em defesa da liberdade contra todos os tipos de opressão, do direito como instrumento contra os privilérgios, da prosperidade, para evitar a indiginidade da vida, da justiça para com as hegemonias?. Então, sendo o povo sergipano tão forte e rico em suas produções, transformou-se o dia 24 de outubro, dia que a sociedade sergipana no passado, comemorou a sua liberdade, e transformou-se no dia da SERGIPANIDADE, palavra que foi usada pela primeira vez pelo ilustre sergipano Tobias Barreto. E o que é SERGIPANIDADE? É o conjunto de traços típicos da nossa cultura que torna a nossa identidade diferente das demais no Brasil, mostrando que temos uma relação muito especial com a nossa terra,e com a nossa cultura que é um mostuário de experiências, saberes e sensibilidade do povo que se orgulha de ser sergipano. Viva a nossa SERGIPANIDADE.

Fonte: www palacioolimpiocampos se gov br

Que Sergipanidade é essa?

Imagem reproduzida do Facebook/Fan Page/E-Sergipe Governo de Sergipe 
e postada pelo blog SERGIPE, para ilustrar o presente artigo

Artigo compartilhado do BLOG CLÁUDIO NUNES/INFONET, de 24 de outubro de 2025

Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça

“O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

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Um texto de Carlos Nascimento, Sergipaníssimo, Mestre em Gestão de Políticas Culturais, que merece uma reflexão profunda hoje, 24 de Outubro, Dia da Sergipanidade:

Que Sergipanidade é essa?

Quando décadas atrás Pinga e Walter, assim está gravado no compacto da Fonopress, compuseram “Sergipano Bom”, eles definiram o que, para eles, eram as características de um bom sergipano, e assim era cantado:

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“Para ser bom sergipano

É preciso ser bacana

Não dar bolas para o azar

É torcer pelo SERGIPE

Bater papo lá no Chic

Ir à praia farrear

Sergipano bom

Sergipano legal

Tem que gostar de praia,

Futebol e Carnaval”

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Naqueles tempos, a discussão sobre identidade cultural era restrita a uns poucos círculos acadêmicos. Não que hoje seja diferente, porém vez ou outra ela extrapola esses limites, e vem a inexorável pergunta: o que identifica um sergipano? Ou, muitas vezes, surge a afirmação: “Sergipano não tem identidade”.

A questão não é simples, até mesmo porque parte de dois termos abstratos e acadêmicos: identidade e cultura, os quais, juntos, expressam um conceito muito mais ideológico.

Quando em 2020 decidimos colocar no calendário cultural o Dia da Sergipanidade, o objetivo era muito mais provocar uma reflexão do que uma simples celebração em um só dia, ou semana. Assim estava no primeiro projeto que foi apresentado ao então Conselho de Turismo do Polo Costa dos Coqueirais. Hoje, a data se enche de discursos cheios de obviedades.

É preciso marcar que celebrar a sergipanidade é celebrar a contradição, pois a identidade de um povo não é monolítica. Ela é fluida, plástica, porém, em nome dessa fluidez, não se pode admitir que seja simplesmente diminuída por forças e interesses estranhos. Parafraseando Mahatma Gandhi: “Eu não quero que a minha casa seja murada por todos os lados e as minhas janelas sejam vedadas. Quero que a cultura de todas as terras seja soprada pela minha casa o mais livremente possível. Mas me recuso que ela seja derrubada por uma brisa qualquer”.

É necessário ter consciência que não existe cultura mais rica que outra, ou mais “certa” que outra, e que não podemos esconder o nosso modo de ser, porque há quem o ache mais pobre ou errado. Isso acontece especialmente no falar, que é mais mutável. Às vezes me estranham porque ainda falo palavras como “bola de assopro”, ao invés de “bexiga”, “sinaleira” no lugar de “semáforo”, “arraia” e não “pipa”, ou ainda “macacão” quando falam “amarelinha”. É sobre essa resistência que Gandhi falava.

Hoje, quando assisto aos programas locais de TV, muitas vezes não me reconheço na linguagem pasteurizada que é imposta pelas cabeças de redes às suas afiliadas, mas que nem todas aceitam, especialmente as do Sul e do Sudeste.

É o reconhecer-se, o sentido de pertencimento, independentemente do local de nascimento, que serve de amálgama para um povo. É ver-se refletido nos outros, compartindo modos de sentir e agir. É um conjunto de vários traços que define a sergipanidade, mesmo que nem todos eles sejam compartilhados em todos os rincões do estado, mas sempre haverá aspectos mais comuns que os outros que nos definem.

Texto reproduzido de post do blog Cláudio Nunes, hospedado no site: infonet com br

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

'Outubro, o mês da Sergipanidade', por Luiz Eduardo Oliva

Arte de Edidelson Silva, reprodução Perfil Facebook e postada pelo blog para ilustração do presente artigo.

Texto compartilhado do Perfil do Facebook de Luiz Eduardo Oliva, em 3 de outubro de 2021 


Outubro, o mês da Sergipanidade  

Por Luiz Eduardo Oliva *


Entramos no mês de outubro o mês que se consagra ao amor às coisas tipicamente sergipanas por conta, sobretudo do 24 de outubro que é chamado do Dia da Sergipanidade. E, de fato, o que seria essa tão falada e ao mesmo tempo pouco estudada “sergipanidade”? Aliás, o 24 de outubro era comemorado no passado tradicionalmente como a data da independência de Sergipe, apesar de o Decreto de emancipação da lavra de D. João VI datar de 8 de julho de 1820. As explicações para esse “erro” são as mais diversas. Diz-se, por exemplo, que foi a data em que chegou aos sergipanos a notícia da emancipação, tanto que os primeiros versos do Hino de Sergipe dizem:  


“Alegrai-vos, sergipanos 

Eis que surge a mais bela aurora 

Do áureo jucundo dia 

Que a Sergipe honra e decora” 


Jucundices” à parte, o tal e jucundo dia deve de fato ter sido o 24 de outubro, que ensejou o “alegrai-vos, sergipanos!”. Fato é que a Constituição Sergipana de 1989 resolveu juridicamente o impasse: o 8 de julho seria o “feriado” pela emancipação e o 24 de outubro seria o Dia da Sergipanidade, sem feriado. 


E o que seria essa palavra que ainda soa como um neologismo? Insisto que nem tudo que é de Sergipe está relacionado à sua sergipanidade. Há coisas que dizem respeito à nossa terra, mas que não são necessariamente típicas da nossa gente, mas ainda assim ressoa como nosso. A isso chamo de sergipanismo. Entretanto, é de bom alvitre já ir alertando que o termo não é propriamente um neologismo meu (filólogos são rigorosos, e podem criticar o sentido do sufixo “ismo”). Genolino Amado, um dos sergipanos a ocupar a Academia Brasileira de Letras (também era irmão de Gilberto Amado) é quem primeiro grafa a palavra “sergipanismo” no seu livro de memórias “Um Menino Sergipano” (Editora Civilização Brasileira, 1977) ao discorrer um capítulo dedicado à “Alma de Sergipe” onde finca raízes teóricas da “sergipanidade”. Diz ele: “Vez por outra, em chás da Academia, paroleio a propósito de “sergipanismos”. E sempre de algum colega gentil me vem a sugestão: - Aproveite o assunto num bom trabalho”. Ainda naquele mesmo capítulo, Genolino se refere à “alma de Sergipe” como sendo a sua sergipanidade. E diz: “sergipanizarei, portanto, ao léu do que me venha à cabeça, com as reflexões que me ocorram no instante de escrever, com informações colhidas sem ideia de me informar. E, desse modo, sergipanizemos...” para mais adiante dizer: “Sergipanizemos agora o que sobranceia em Sergipe – as suas marcas intelectuais”, destacando vultos sergipanos que ilustraram a cultura brasileira, sobremaneira no final do século XIX até meados do século XX onde despontaram nomes como Tobias Barreto, Silvio Romero, Bittencourt Sampaio, João Ribeiro, Manoel Bonfim, Felisbelo Freire, Gilberto Amado e o próprio Genolino. 


Luiz Antonio Barreto, que certamente foi o mais multifacetado intelectual sergipano nos últimos cinquenta anos, dizia, em um artigo datado de 2011, um ano anos de morrer, que a sergipanidade ainda é um conceito em construção. E, de fato, o é. Assim como há uma ideia de baianidade, ou de brasilidade, também um conceito ainda em construção (há um interessante estudo de Vamireh Chacon, intelectual pernambucano inclusive estudioso da obra de Tobias Barreto sobre “brasilidade” a partir dos estudos do sociólogo Gilberto Freire), a idéia de sergipanidade ainda não foi devidamente definida, dando razão à indagação do grande Luiz Antonio Barreto que mesmo usando o gerúndio para definir sergipanidade assim se expressou: “Sergipanidade é o conjunto de traços típicos, a manifestação que distingue a identidade dos sergipanos, tornando-o diferente dos demais brasileiros, embora preservando as raízes da história comum. A sergipanidade inspira condutas e renova compromissos, na representação simbólica da relação dos sergipanos com a terra, e especialmente com a cultura, e tudo o que ela representa como mostruário da experiência e da sensibilidade.” 


Silvério Fontes, no estudo “Formação do Povo Sergipano”, ao trazer explicações históricas sobre a formação da nossa gente, cita Prado Sampaio que, em artigo publicado em 1915 (Revista do IHGS) “procurou caracterizar os elementos diferenciadores das nacionalidades e especialmente do Brasil e tenta expor aqueles característicos do sergipano”. Silvério procura então aprofundar os estudos naquilo que ele chama de busca para “desvelar o rosto do sergipano”. Ora, a sergipanidade então está diretamente relacionada a mostrar características tipicamente sergipanas, uma cultura de raízes nossas e diferente do resto do país, ainda que guarde semelhanças com a cultura brasileira. Assim está o desvelo do “rosto sergipano”, a sua identidade. Silvério, com percuciência, demonstra que a própria sergipanidade vem da unidade e autonomia político-administrativa desde Cristóvão de Barros, diferente de outras capitanias como Ilhéus e Porto Seguro, que “não propiciaram a formação autonômica”. Tanto é verdade que das três capitanias, todas ligadas à Bahia, apenas Sergipe lutou por sua emancipação. Não fosse isso e seríamos apenas “baianos” sem identidade própria, ligados diretamente à cultura baiana como cidades pertencentes ao interior da Bahia. 


E o sergipanismo, o que seria? Nem tudo que ressoa de Sergipe é tipicamente nosso, com características da identidade sergipana. Mas faz o orgulho por ser “de Sergipe”, ou “sergipano”. Exemplos de sergipanismos são muitos. Por exemplo, o primeiro designe de cartazes para cinema no mundo é o laranjeirense Cândido Aragonês de Faria, que se destacou com um dos principais artistas entre o final do século XIX e inicio do século XX, no Rio de Janeiro, em Buenos Aires e principalmente em Paris, onde se tornou o grande produtor de cartazes para a Casa Pathé, empresa cinematográfica francesa pioneira nas artes dos irmãos Lumière, inventores do cinema. Dizia o compositor Orestes Barbosa, citando Olavo Bilac, que “se Minas dá queijo e São Paulo dá café, Sergipe dá talento”. Justamente esse destacar dos sergipanos na ilustração nacional é o que chamo de “sergipanismos”, como foi, por exemplo, a Escola do Recife, liderada pelos sergipanos Tobias Barreto e Silvio Romero, a ponto de causar ciúmes entre os intelectuais do sul, onde em tom de ironia o carioca Carlos Laet decidiu chamá-la de “Escola Teuto Sergipana”, e o que antes era uma ironia passou a ser também assim conhecida e denominada. 


Outro exemplo significativo de sergipanismo está num fato pouco conhecido, referente à data da ONU. No movimento para a formação das Nações Unidas, um dos diplomatas brasileiros participantes foi o estanciano Gilberto Amado. Diante do impasse da data para comemorar a fundação (vários atos em datas diferentes haviam se sucedido) e numa daquelas enfadonhas assembléias, discutia-se aqui e acolá qual a data mais precisa, quando Gilberto Amado gritou: “24 de outubro!” Cansados, os congressistas logo aprovaram. Segundo ainda Silvério Fontes, 24 de outubro foi a data que Gilberto Amado, propositadamente para ter o motivo, depositou a ratificação brasileira à Carta das Nações, condição necessária à fundação da ONU. Genolino perguntou-lhe: “foi sergipanismo consciente ou inconsciente?”. O fato é que basta ir ao Google e está lá: 24 de outubro, que é o dia da sergipanidade, também é o dia da Organização das Nações Unidas, proposto por um sergipano. 


Muitos outros exemplos de sergipanismo poderia se citar como a expressão “bom à beça” que se referencia ao sagaz poder de argumentação do grande jurista sergipano Gumercindo Bessa que na questão do Acre superou a figura exponencial do baiano Rui Barbosa (o beça cedilhado foi o resultado de posteriores reformas ortográficas).  


Esse mês, portanto é uma bela oportunidade para não só discutir o conceito de sergipanidade alertando para a importância de se estudar o que somos, de onde viemos e todo o esforço para formar a brava gente sergipana, esse povo de índole libertária que embora pequeníssimo na extensão de terras (Gilberto Amado dizia que Sergipe era “pequeno para não ofuscar a grandeza dos seus homens”, no que eu acrescento: “e de suas mulheres!”) sempre foi um Estado irradiador de inteligências, dos que mais contribuíram para a formação da ilustração brasileira. 


*  Advogado, poeta e membro da Academia Sergipana de Letras Jurídicas. 


(**) Artigo Publicado no Jornal da Cidade/SE, edição nº 14.469 de 02 a 04 de outubro de 2021, onde Luiz Eduardo Oliva escreve quinzenalmente. 


Texto reproduzido do Facebook/Luiz Eduardo Oliva 


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

24 de outubro - Dia da Sergipanidade

Chácara Aloha, cenário dos nossos veraneios.
Crédito - Arquivo de família Tanit Bezerra.

Publicado originalmente no blog Cartão Postal, em 24/10/2014.

24 de outubro - Dia da Sergipanidade.
Por Tanit Bezerra.

Sergipanidade pra mim é o sentir e ser sergipano. Sendo daqui ou de acolá, o que vale é o sentir. Sentir a brisa do mar, o cheiro do caju, o sabor da manga espada de caída, o perfume da goiaba tirada do pé, o cheiro da maresia da Atalaia, o calor do sol que aquece os ombros e ilumina a paisagem, pescar siris e caranguejos com o jereré, olhar a maré subir e descer, desvendando as areias da praia ou a lama do manguezal, chupar sorvete de mangaba, coco, pinha, manga e sapoti na Cinelândia, assistir a sessão da tarde do cine Palace e depois fazer o trotoir na Praça Fausto Cardoso, e o que dizer do cachorro quente do Seu João, no Parque Olímpio Campos, do ladinho da missa da Catedral, espiar o rio Sergipe da Ponte do Imperador, com direito a beijinhos carinhosos e lembranças do desembarque de Dom Pedro II, saudades dos veraneios, quando tudo era tão íntimo e tão normal, que só hoje percebo a magia. Como as festas de vinil, onde cada um levava seu LP preferido, botava pra tocar, dançava, beijava ou não, e voltava pra casa feliz só por ver os amigos e dançar ao som de boa música bebendo muita água e sorrindo em viver o veraneio. Com todos esses sentidos revividos, sinto que vou dormir muito bem, sonhando com tempos bons, novos e antigos. Feliz dia sergipanos, nascidos, criados e vividos!!! E aí seguem imagens das memórias mais que afetivas...

Texto e imagem reproduzidos do blog: cartao-postal-tanitbezerra.blogspot.com.br

A influência da cultura afro-brasileira para formação sergipana





Publicado originalmente no site Agência Sergipe, em 10 de Julho de 2015.

A influência da cultura afro-brasileira para formação sergipana.

As comunidades quilombolas e o folclore de origem africana são tradições características presentes na Sergipanidade.

Leonardo Tomaz, estagiário da ASN

O território sergipano possui inúmeras manifestações que garantem uma identidade chamada ‘Sergipanidade’. A cultura afro-brasileira é uma dessas manifestações e tem fortes influências para a formação dos cidadãos e comunidades na capital e interior do estado. São grupos folclóricos de origem africana e 29 comunidades quilombolas remanescentes reconhecidas pela Secretária de Estado da Inclusão Social.

Para o Mestre em Comunicação e Cultura e professor de história, Antônio Bitencourt, a indenidade cultural que forma a sergipanidade tem fortes aspectos na religião e folclore dos povos africanos. “Como em todo Brasil, a presença da cultura africana tem forte aspecto na identidade cultural. Em Sergipe, as tradições que temos da origem negra são resultantes da presença dos africanos, que vieram para cá na condição de escravos, e fortemente marcada pela influência religiosa hoje tão presente na identidade sergipana”, afirma, dizendo a importância da sergipanidade para formação de cidadãos, “é preciso que conheçamos a cultura do nosso estado, folclore e comunidades que preservam manifestações características”.

As manifestações características presentes em Sergipe, representadas em diversas tradições, trazem o folclore como representante desses costumes. Tendo as mais variadas origens que formam a cultura popular e, colocam em evidência as influências afro-brasileiras para a formação da sergipanidade.

De acordo com o assessor Executivo da Secretaria Estadual de Cultura (Secult), Irineu Fontes, a formação da sergipanidade com expressão afro-brasileira corresponde à forma de pertencer a um ciclo social. “O sinônimo de pertencimento move a identidade de um povo. Por isso a necessidade de desvendar a cultura da nossa comunidade, bairro ou município. Somente em Laranjeiras, são mais de 20 grupos folclóricos de todas as origens, comunidades quilombolas, terreiros de candomblé, danças, artesanatos, música de qualidade, ou seja, a sergipanidade está aí, basta o interesse em disseminar”, afirma Irineu.

Folclore em Laranjeiras

A cidade histórica de Laranjeiras é palco de muitas manifestações da Sergipanidade. Preserva a cultura popular através de festivais de música e grupos folclóricos na maioria de origem africana, representada com a originalidade e expressão do nordestino. Alguns dos grupos são os Reisados, Taiera, Cacumbi, os Fogueteiros, Chegança, Samba de Coco, Samba de Parelha, São Gonçalo e, os Lambe-sujos, de origem quilombola que mostra a luta do negro pelo espaço conquistado.

O representante cultural de Laranjeiras e Mestre dos Lambes-sujos, Zé Rolinha, como é conhecido, está à frente de três grupos folclóricos de Laranjeiras e destaca o valor cultural dos Lambes-sujos para os sergipanos. “Somos o maior grupo folclórico, e talvez o mais conhecido do estado, tenho muito orgulho de falar da nossa cultura pelo fato de morar em um município que ela é tão viva, não só para os grupos que lidero, mas também pelos outros que disseminam o folclore local”, coloca.

Folclore em Lagarto

Já no centro-sul sergipano, o município de Lagarto também não deixa de preservar a tradição folclórica. De acordo com assessoria da prefeitura de Lagarto, no decorrer dos anos, alguns grupos foram extintos por conta da falta de interesse da população.

Um dos grupos tradicionais que mantém atividade em Lagarto são os Parafusos, também de origem africana, retrata a fuga dos escravos para quilombos. Ao passarem pelas vilas, eles roubavam anáguas de linho com babados das senhorinhas. Depois de serem libertados, desfilavam pelas ruas da cidade com as vestes.

Comunidades quilombolas

Das 29 comunidades quilombolas existentes em Sergipe, a Maloca, situada na região central de Aracaju, também preserva as manifestações locais.

O líder comunitário da Maloca, Luiz Bonfim, diz ser de extrema importância tratar de assunto como este, no que diz respeito à identidade, e colocar como exemplo a Maloca pelo valor cultural para os moradores. “A nossa comunidade por ser o primeiro quilombo urbano de Sergipe e o segundo do Brasil, com todos os seus traços de africanidade, jamais poderia ficar fora de uma discussão como essa da sergipanidade, pela influência e contribuição cultural para Aracaju”, coloca.

Membro da pesquisa sobre comunidades quilombolas em Sergipe, José Pedro dos Santos Neto, diz que a memória cultural de uma sociedade não pode ser esquecida. “Tudo que o povo tem de bom é a história, e o cultivo dessas manifestações são importantes para mantê-la viva, os povos africanos sempre fizeram isso por meio dos levantes tracionais, como uma forma de ser notado e mostrar para os governantes que eles também precisam de atenção”, finaliza.

Texto e imagens reproduzidos do site: agencia.se.gov.br

Dia 24 de outubro é comemorado o Dia da Sergipanidade


Dia da Sergipanidade.

No dia 24 de outubro é comemorado o Dia da Sergipanidade. Este dia marca a data em que o estado de Sergipe se emancipou, politicamente, da província da Bahia, se tornando totalmente livre e independente.

Muito mais do que ser independente em termos territoriais, este dia marca o surgimento da identidade dos sergipanos em todos os aspectos, seja na cultura, folclore, música, dança ou literatura, dentre outros.

“Dia de Sergipe ou Dia da Sergipanidade”, o 24 de outubro tem a cara, o sentimento, a coragem dos sergipanos, na afirmação dos seus interesses e projetos. Todas as vezes que for preciso recorrer à história, para construir o futuro de liberdade, prosperidade, e paz, o 24 de outubro estará inabalado em sua importância, como uma referência que pertence a todos os sergipanos, de todos os tempos”, explica o historiador Luis Antônio Barreto, em um de seus textos publicados no Portal Infonet.

O dia 24 de outubro é, antes de tudo, um reforço do orgulho do povo em ser sergipano, por ser marcado por sua coragem, luta e determinação ao longo de séculos. É um dia que deve ser comemorado em qualquer data no ano.

Trecho de artigo publicado no site pge.se.gov.br/dia-da-sergipanidade