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quinta-feira, 6 de junho de 2019

Apolônio Xocó: um cacique, um representante de um povo, um guerreiro!

Foto Arquivo UNIT, reproduzida do site nenoticias.com.br e postada pelo blog SERGIPE...

Texto publicado originalmente na Coluna Aparte do site JLPOLÍTICA, em 05 de Junho de 2019

Apolônio Xocó: um cacique, um representante de um povo, um guerreiro!

Por Luiz Eduardo Oliva*

Recebi, com pesar a notícia da morte do amigo cacique Apolônio Xocó da única tribo indígena sergipana que resistiu ao massacre físico e cultural dos primeiros povoadores do território sergipano.

Quando fui secretário de Estado dos Direitos Humanos, tive em Apolônio Xocó uma referência da questão indígena sergipana na luta por políticas públicas da promoção da igualdade racial. Ali, estreitamos laços que se transformaram numa amizade.

Como um grande guerreiro, Apolônio sabia ser combativo e ao mesmo tempo terno. Tinha uma visão precisa da questão indígena e também da forma como sua gente foi massacrada e como resistiu.

Pertencente à tribo dos Xocós, Apolônio era quem melhor expressava a resistência cultural dos únicos remanescentes de nações indígenas que outrora povoavam esse pedaço do Brasil chamado Sergipe (vem do tupi siri ‘ype, que significa “no rio dos siris”).

Sergipe que abriga lugares que receberam topônimos como Aracaju, Japaratuba, Itaporanga, Propriá, Siriri, Macambira, Pacatuba, Canindé, Itanhy, Aquidabã, Itabaiana, Carira, Cumbe, Gararu, Itabi, Arauá, Canhoba, Indiaroba, Muribeca, Pirambu, Umbaúba.

Todos nomes de nações indígenas que foram dizimadas. Restou somente a nação Xocó! Minha homenagem a esse grande homem das terras de Serigy, que os portugueses quando aqui chegaram insistiram em dizer ser de El Rey.

* É advogado e professor de Direito.

Texto reproduzido do site: jlpolitica.com.br

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Morre Apolônio Xocó, ex-cacique da única tribo indígena de Sergipe


Publicado originalmente no site FAN F1, em 28 de maio de 2019

Morre Apolônio Xocó, ex-cacique da única tribo indígena de Sergipe

Por Célia Silva

O primeiro cacique da tribo Xocó, José Apolônio dos Santos, morreu aos 58 anos nesta terça-feira, 28, no Hospital de Nossa Senhora da Glória, sertão de Sergipe. Ele estava internado havia 22 dias para tratamento de problemas decorrentes da diabetes e do coração, mas faleceu por volta das 15h na companhia de familiares.

O corpo chegou na aldeia no início da noite. Segundo Noel Ramos, radialista e indígena da tribo Kariri Xocó, em Porto Real do Colégio (AL), o sepultamento será às 10h dessa quarta, 29, no cemitério da tribo, que fica na ilha, no rio Francisco, onde Apolônio morava.

 Apolônio com Noel Ramos. Foto: Arquivo pessoal

Ultimamente, Apolônio Xocó dedicava-se à música e ao programa Voz do Índio, na Aperipê AM, aos sábados das 13h às 14h. Desde outubro de 2013, quando o programa começou, dividia a bancada com Noel Ramos.

Há cerca de dois meses, Apolônio se afastou do programa em decorrência dos problemas de saúde. “Ele era um guerreiro em defesa do povo indígena. Com o programa ele buscava mostrar o potencial do povo indígena”, disse Noel Ramos.

Apolônio Xocó deixa seis filhos. Ele foi o primeiro cacique da tribo e o embaixador do único povo indígena de Sergipe.

A aldeia Xocó fica na Ilha São Pedro, município de Porto da Folha (SE), município ribeirinho do São Francisco.

A tribo – A tribo Xocó é a única comunidade indígena de Sergipe legalmente reconhecida. Os indígenas estavam dispersos pelo município de Porto da Folha e localidades próximas, mas no dia 9 de setembro de 1979, voltaram a ocupar a Ilha de São Pedro, território do qual haviam sido expulsos pelos jesuítas séculos atrás. Apenas nos anos de 1990, a Funai homologou a Caiçara, território que eles também reivindicavam, como parte das terras indígenas de etnia Xocó. A aldeia abriga mais de 600 índios em um território de aproximadamente 4.500 hectares.

Texto e imagens reproduzidos do site: fanf1.com.br