Mostrando postagens com marcador - DR FRANCISCO ROLLEMBERG. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador - DR FRANCISCO ROLLEMBERG. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de março de 2020

85 anos de Chico Rollemberg: a arte da medicina servindo ao próximo



Publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 5 de maço de 2020

85 anos de Chico Rollemberg: a arte da medicina servindo ao próximo

Por Cláudio Nunes (Blog Infonet)

Em abril deste ano, o laranjeirense Francisco Guimarães Rollemberg completará 85 anos. Os mais novos não devem ter conhecimento do trabalho desenvolvido por Chico Rollemberg como deputado federal, senador e, sobretudo, médico para os sergipanos. Como cirurgião, formado na Faculdade de Medicina da Bahia, Chico Rollemberg ficou conhecido nas décadas de 60, 70, 80 até a de 90, como o médico do povo. Gratuitamente, Chico Rollemberg fez milhares de cirurgias (isso mesmo!) em todo o Estado. Cirurgias simples e de médio porte que ajudaram muita gente carente num período que as dificuldades eram bem maiores que as atuais.

Como político, Chico Rollemberg foi deputado federal e senador de 1987 a 1995. Foi candidato a governador em 2002. Foi neste ano que conheci Chico Rollemberg. Uma figura humana, ímpar, com uma memória espetacular. Foi assim que descobri que ele conheceu meu José Nunes, presidente do Centro Operário Sergipano, Hélio Nunes, tio, e Célio Nunes, pai, todos já falecidos. Tido como conservador na política, Chico Rollemberg, quando jovem, teve uma grande aproximação com as causas da esquerda e, inclusive, como cirurgião foi médico de vários comunistas sergipanos.

Como senador da República, Chico Rollemberg teve uma atuação destacada. Foi ele que, em 1993, apresentou a proposta de criação de garantias para os idosos que se tornou, mais tarde, o Estatuto do Idoso. Outro luta vitoriosa foi a exploração do potássio em Sergipe iniciada em 1970, o fortalecimento da UFS, a defesa da micro e pequena empresa, a necessidade de ações para combater a seca no Nordeste, limites da fronteira Sul da Bahia com Sergipe e diversas proposituras na área de saúde que hoje são realidades. Uma propositura dele, apresentada em 1989, foi a base da política de gerenciamento e tratamento dos resíduos sólidos (lixo) em 2010 para todo o país. Ou seja, mesmo fora do Senado, muitas das proposituras apresentadas por ele até 1995 foram discutidas e aprovadas anos depois.

Chico exerceu a profissão não só atuando como técnico cirurgião, mas, sobretudo, como um médico humanista. Aquele que conversava e se preocupava com a pessoa como um todo. De alma para alma.

Chico, hoje, vive rodeado de familiares e amigos. Com a mesma simplicidade de sempre pode ser encontrado no shopping ou tomando o café semanal na feira com amigos contando histórias que guarda numa memória invejável.

A ambição de Chico não foi ficar rico e possuir muitos bens, mas servir ao próximo.

Ao homenagear Chico Rollemberg, que completará 85 anos, a Somese está homenageando também todos os profissionais médicos que fizeram e fazem da profissão não apenas um instrumento de trabalho, mas aqueles que são humanistas e não tratam os pacientes como apenas “mais um.”

A vida profissional de Chico Rollemberg mostrou que é possível exercer a arte da medicina se dando completamente ao próximo e ao mesmo tempo ser referência técnica e política para sempre na história de Sergipe.

*Este artigo foi escrito para a edição especial da revista da Somese em homenagem a Francisco Rollemberg que já está em circulação.

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Gente Sergipana – Francisco Guimarães Rollemberg


Publicado originalmente no Facebook/Antonio Samarone, em 11/01/2019

Gente Sergipana – Francisco Guimarães Rollemberg

Por Antonio Samarone

Francisco Rollemberg nasceu em Laranjeiras, em 07 de abril de 1935, um domingo de ramos. Filho de Antonio Valença Rollemberg e Maria das Dores Guimarães Rollemberg. Chico desfrutou da infância interiorana em Laranjeiras, jogando bola, tomando banho de rio, vadiando livremente, sem medos ou sustos.

O pai de Chico Rollemberg foi proprietário do Cinema Iris, em Laranjeiras. Chico era quem fazia a projeção. O carro chefe da programação era “A vida, paixão e morte de Jesus Cristo”. Todas as vezes que entrava em cartaz, era casa cheia.

Logo cedo entrou na escola da professora Zizinha Guimarães, educadora conceituada, e logo se destacou como o melhor aluno. O filho de Seu Antonio era estudioso! Com o tempo, a professora botou Chico para ensinar outros alunos. Com 11 anos não tinha mais o que apreender em Laranjeiras. Fez um teste, e foi considerado apto para entrar no ginásio.

O menino Chico, além de traquino, era muito religioso, puxador do terço na igreja, mostrando uma forte vocação para padre. Só que de onde ele morava, avistava-se a entrada hospital, a entrada e saída dos doentes. Aquele movimento, fez o menino mudar a cabeça para a medicina. Ali, Chico decidiu que seria médico. O pai adorou, a mãe nem tanto, preferia o filho padre.

Chico Rollemberg veio fazer o ginásio em Aracaju, no Colégio Tobias Barreto, do professor Alcebíades Melo Vilas Boas. Chico foi aluno interno do Colégio, absorvendo toda a disciplina. Ainda de calças curtas, com 11 anos, Chico Rollemberg chegou no Aracaju. Fez o curso ginasial com maestria. Concluído, migrou para o Atheneu, onde fez os dois primeiros anos do científico. No último ano, para se preparar melhor para o vestibular, concluiu o científico no Colégio Central da Bahia.

Em 1954, Chico Rollemberg ingressou na Faculdade medicina da Bahia. Vocacionado para a medicina, estudioso, Chico entrou de corpo e alma no curso. Chico não saia do hospital, tudo que era plantão, final de semana, feriado, lá estava Chico para aprender. Logo percebeu que tinha habilidades cirúrgica, e decidiu seguir a urologia. Uma decisão pragmática, pois em Sergipe só existia um urologista, o Dr. Costa Pinto.

Durante o curso de medicina, Chico participou do movimento estudantil na Bahia, sob a orientação ideológica do Velho Partidão. Ainda em Aracaju, na juventude, Chico tinha contato com os grupos clandestinos do Partido Comunista, em Aracaju. Calma, Chico não é comunista, daqui a pouco eu conto a participação dele na política.

Formado em 1959, Chico Rollemberg retornou à Sergipe. Bem formado, habilidoso e como muita disposição para trabalhar. Ele começou exercer a medicina em Laranjeiras. Foi um sucesso, quando o filho do Seu Antonio, chegava era um rebuliço, o povo corria para o hospital. Logo, com as ciumeiras locais, o diretor do hospital dispensou os serviços de Chico, e ele veio para a Aracaju.

Começou a operar na Capital nos dois hospitais existentes (Santa Izabel e Cirurgia), clinicar no Serigy, no IPASE, no Pronto Socorro Municipal, que funcionava nos fundos da antiga Prefeitura. Chico operava cinco a seis pacientes por dia. Constitui uma clientela imensa, gente com quem ele criou amizade, e que até hoje visita. Chico Rollemberg ficou famoso como bom médico, muitos favores, muito serviço prestado. Chico Rollemberg foi o primeiro sergipano a ingressar no Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Antes só Augusto leite, como membro honorário.

Esse prestigio despertou os chefes políticos: olha aí quem pode trazer votos para as nossas legendas. Não se elege, mas ajudará a nossa chapa. Dito e feito. Nas eleições de novembro de 1970, Chico foi convidado a compor a Chapa da ARENA para deputado federal. Era só para ajudar. Resultado, foi o deputado federal mais votado de Sergipe, com 19 mil votos. Para se ter uma ideia da disputa, os outros federais eleitos foram Luiz Garcia, Raimundo Diniz, Passos Porto e Eraldo Lemos, todos da ARENA.

A partir dessa estreia, Chico Rollemberg elegeu-se deputado federal por 4 legislaturas, permanecendo na Câmara dos Deputados até 1987. Exerceu os mandatos no bloco de sustentação aos militares, numa bancada conservadora. Participou do movimento de apoio a Sílvio Frota e votou em Paulo Maluf, no Colégio Eleitora. Em 1973, fez o curso da Escola Superior de Guerra, destinado a pessoas de prestígio.

Vejam como são as coisas: o médico Chico Rollemberg, conservador, sempre deu assistência e visita até hoje, a família de Walter Ribeiro, um comunista de carteirinha. Ouvi um depoimento de um velho camarada: Chico Rollemberg sempre prestou a assistência aos camaradas, ia nas casas se precisasse, e nunca dedurou ninguém. Somando-se a uma postura ilibada na vida pública! Não é a ideologia que define o caráter.

Durante o exercício dos mandatos, Chico Rollemberg nunca abandonou a medicina, continuou trabalhando. Todo o final de semana, a partir da sexta, ele retornava à Aracaju para realizar as suas cirurgias. Aliás, até hoje, aos 84 anos, ele continua trabalhando no Hospital de Riachuelo. Ele sempre brinca, enquanto a mão não tremer, eu continuo operando. E para provar que está bem, mostra as mãos espalmadas, sem nenhuma tremedeira.

Mesmo sendo um médico operador, voltado para a prática, Chico Rollemberg não fechou os livros depois de formado. Continuou estudando, para se manter atualizado. Publicou Gangrena de Fournier, tratamento cirúrgico com enxertos livres (1961); Lesão cirúrgica do ureter (1969); Saneamento básico do Nordeste, Cocene, estudo nº.1 (1971); A problemática de saúde do Nordeste, Cocene, estudo nº.1 (1971); O potássio em Sergipe; Desenvolvimento e população e Osvaldo Cruz, centenário de nascimento.

Além de uma publicação sobre Fausto Cardoso, que se tornou referência aos pesquisadores sobre o ilustre sergipano. ROLLEMBERG, Francisco. Introdução. In: CARDOSO, Fausto. Discursos parlamentares. Brasília: Câmara dos Deputados, 1987. p. 19-112. (Perfis parlamentares, 31). Chico Rollemberg é membro da Academia Sergipana de Letras, ocupando a cadeira nº 15.

Em 1986, Francisco Rollemberg se elege Senador pelo PMDB, numa eleição disputadíssima. Em 2002, Chico Rollemberg se despede da política disputando o Governo do Estado, numa coligação confusa e heterogênea, sendo derrotado por João Alves Filho.

Chico Rollemberg casou em julho de 1959, com a colega de turma, Dra. Elcy Vianna Rollemberg. Chico é pai de cinco filhos: Francisco, Gustavo, Paula, Carlos Eduardo e Rodrigo Otávio. Com a morte da primeira esposa, Chico casa com Maria Helenita Santos Rollemberg, com quem convive até hoje.

Cheguei a conclusão que Chico Rollemberg, apesar de ser mais conhecido como político, tem a alma de médico, do antigo médico humanistas, que adora o que faz, que faz amizade com os doentes, que lembra do nome e das histórias.

Chico tem a mania de visitar os amigos, semanalmente. Quis saber o motivo, ele brincou: “os meus amigos estão velhos, quase todos doentes. Na verdade, cumpro uma obrigação cristã de visitar os enfermos.” Chico ainda viaja para o interior, só para visitar os amigos.

Chico Rollemberg é um homem fino, cuidadoso no trato, cheio de histórias interessantes. Chico tem a alma dos médicos antigos, voltada para o alívio do sofrimento humano. Não amealhou fortuna com a medicina (nem com a política).

Publicado também no blogdesamarone.blogspot.com

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone