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quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

In memorian, Assembleia homenageia o jornalista João Oliva

Legenda da foto:  João Oliva exerceu também o jornalismo político, tendo sido secretário 
de Imprensa do ex-governador Seixas Dória - (Crédito da foto: arquivo da família)

Legenda da foto: O deputado Iran Barbosa (centro) foi autor do projeto para homenagear João Oliva Alves

Publicação compartilhada do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 21 de dezembro de 2022

In memorian, Assembleia homenageia o jornalista João Oliva

O jornalista, radialista, escritor e acadêmico João Oliva Alves completaria, no próximo dia 29 de dezembro, se vivo estivesse, 100 anos. Nesse cenário de celebração à memória do comunicador sergipano, a Assembleia Legislativa realizou, nesta terça-feira (20), uma Sessão Especial para conceder a ‘Medalha da Ordem do Mérito Parlamentar’ a João Oliva (in memorian). Em seu discurso, o autor da propositura, deputado Iran Barbosa (Psol), revelou que a iniciativa da concessão da honraria partiu de uma conversa com o filho do jornalista, o advogado e professor Luiz Eduardo Oliva, que não compareceu ao evento por questões de saúde.

Segundo destacou ainda o parlamentar, o Estado inteiro conhece o valor, a história e a contribuição de João Oliva para o jornalismo e rádio em Sergipe. “João Oliva é pai e avô de uma geração de filhos também dedicados a intelectualidade do nosso estado. Nós achamos, por bem, neste ano, que é ano do centenário, fazer essa homenagem, que é justa. É um reconhecimento a todo o seu trabalho. Essa homenagem se estende a toda uma geração de jornalistas que marcou aqui o nosso estado. Portanto, é com muita satisfação que, após a conversa que teve com o Eduardo Oliva, filho do homenageado, apresentei a sugestão a Assembleia Legislativa, que provou por unanimidade. Se vivo estivesse, estaremos fazendo essa homenagem justa, merecido e necessária”, declarou Iran Barbosa.

Amigo do homenageado, o professor doutor em história e filosofia, advogado e assessor especial da Assembleia Legislativa de Sergipe, Jorge Carvalho do Nascimento é contemporâneo de João Oliva. Presente na solenidade festiva, destacou a importância da menção honrosa ao legado do jornalista. Segundo relatou, João Oliva é um dos homens mais importantes da história da mídia em Sergipe. Enfatiza que reconhecer e aplaudir o centenário de nascimento do homenageado é uma obrigação de todos os sergipanos.

Diretor de A Cruzada

“Eu particularmente fico sensibilizado. João Oliva é um jornalista conhecido, um editorialista de muita qualidade. De Riachão do Dantas, veio para a capital e logo foi trabalhar na Gazeta de Sergipe ao lado de nomes como Orlando Dantas, José Rosa de Oliveira Neto e outros tantos, escrevendo artigos de fundo, fazendo editoriais. Depois se transferiu para o Jornal A Cruzada, onde foi diretor, nomeado pelo arcebispo de Aracaju, Dom José Vicente Távora. João Oliva exerceu também o jornalismo político, momento que foi marcado por alguns episódios muito relevantes quando foi secretário de Imprensa do governador João Seixas Dória. Quando houve o golpe militar em 1964, João foi uma figura central, ele escreveu uma carta a qual Seixas Doria afirmou que não iria apoiar a ditadura, e com isso, terminou sendo deposto do governo”, mencionou Jorge, enfatizando ainda que além de jornalista, João foi também um escritor muito qualificado e um poeta refinado.

“Ele te muitos poemas publicados. João construiu também uma família de intelectuais, de pessoas muito influentes na vida sergipana, como a professora Terezinha Oliva, do departamento de História da Universidade Federal de Sergipe; Luis Eduardo Oliva, jornalista como o pai, advogado, gestor público, figura muito importante na liderança da vida cultural e também, o médico Almir Oliva, que é um nome importante da Medicina do estado”, disse.

Honraria

A maior honraria da Assembleia Legislativa de Sergipe, a ‘Medalha da Ordem do Mérito Parlamentar’, foi entregue a professora Teresinha Alves Oliva, filha do homenageado. Na ocasião, Teresinha fez uma explanação sobre o legado de seu pai, José Oliva, morto há 03 anos (1922-2019). Ela se diz muito orgulhosa por tantos discursos de louvor sobre a vida de seu pai. “Isso é o nosso patrimônio. É o que eu costumo dizer, diante dessas manifestações que temos recebido por ocasião do centenário dele. São como bálsamo para a nossa alma e preenche esse vácuo que a saudade dele deixou”, externou Teresinha Oliva, que na ocasião da Sessão Especial agradeceu ao deputado Iran Barbosa pela homenagem.

Fonte e foto: Alese

Texto e imagens reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

domingo, 4 de julho de 2021

'Dois anos sem João Oliva, meu pai', por Luiz Eduardo Oliva


Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, em 3 de julho de 2021

Dois anos sem João Oliva, meu pai
Por Luiz Eduardo Oliva*

Escrever é um ato complexo, sobretudo se quem escreve busca a isenção da parcialidade. Por mais que se tente, todavia, fazer juízo de valor isento de paixão é extremamente difícil quando você escreve com o afeto de quem vai falar sobre o próprio pai. É natural que filhos exaltem a figura paterna, Mas se vou dizer do meu pai, posso buscar até a isenção de dizer de um homem extraordinário, fora de curva, que deixou um legado para além da própria família, cujo reconhecimento é visível na manifestação de muitos desde que ele partiu, há exatos dois anos (03/07/2019): João Oliva, o jornalista, o escritor, o incansável defensor da democracia, o homem de fé.

De uma escola que teve em Orlando Dantas o principal mestre, o velho Oliva fez parte de uma época romântica dos grandes jornalistas, forjados nas redações dos jornais, onde o aprender a manejar com as facetas da arte do jornalismo se fazia no auto-didatismo ou na troca de informações e idéias com os companheiros de redação. Cresci ouvindo o ritmado som das teclas de uma velha e portátil máquina Olivetti, varando madrugadas para dar conta de editoriais e artigos que ele escrevia para jornais e rádios de Aracaju. Nas redações, meu pai encontrava-se com sua própria alma – alma de escrevinhador diário das coisas da terra, do seu país e do mundo. E, naturalmente reforçava o já combalido orçamento doméstico naqueles anos difíceis de modesto funcionário público, que tinha a carga de educar e manter  (ao lado de minha mãe Maria)  onze  filhos.

É fato que sempre tive a dimensão da sua grandeza. Mas o amor de filho tende a camuflar muito e hoje, depois que ele partiu, vejo que dimensionei até para menos. Há um reconhecimento quase unânime com relação ao valor e legado de João Oliva, nas infindáveis manifestações de intelectuais, escritores, admiradores do grande jornalista e escritor que ele foi. Ancelmo Góis acostumado a viver no meio dos maiores intelectuais brasileiros, ele que é uma das principais referências do jornalismo brasileiro sendo um dos principais colunistas do jornal “O Globo”, ao saber do seu falecimento disse à Folha de São Paulo: “João Oliva foi um dos mais importantes intelectuais que conheci; na época, havia [em Aracaju] um jornalismo voltado às questões locais, quase paroquial. Ele se diferenciava ao olhar para fora. Reunia generosidade e brilhantismo.”.

Luiz Eduardo Costa, referência do maior do jornalismo sergipano escreveu: “esse cidadão, jornalista, advogado escritor, poeta, um frade sem envergar o hábito, viveu profundamente a fé, mourejou no seu dia a dia a prática virtuosa da solidariedade que deve ser o âmago da consciência cristã. João Oliva foi o cidadão de uma época e um exemplo para todas as épocas”. O romancista Francisco C. Dantas, autor de “Os Desvalidos” (Companhia das Letras) e seu conterrâneo do Riachão do Dantas disse: “os textos de Oliva valorizavam o progresso ao mesmo tempo em que buscavam repor as bases da tradição sergipana”.

Vivemos tempos terríveis, obscuros, à busca de luzes. Não que seja algo novo viver tempos assim. As vezes quero crer que o “eterno retorno” de que falava o filósofo Nietzsche é de fato uma categoria que persiste na história da humanidade. Mas é preciso também acreditar que em tempos sombrios, homens e mulheres se sobressaem para combater o ordinário, o banal, o estúpido, ou como dizia São Paulo: combater o bom combate. Meu pai foi uma dessas personalidades, daí o dizer de Luiz Eduardo Costa que ele foi o cidadão de uma época e um exemplo para todas.

Hoje, lendo os textos que saíam daquela velha máquina de escrever, observo o esforço que o velho fazia para camuflar dos censores e dos “linha-dura” do regime militar o que pretendia dizer, na luta incessante para reafirmar suas convicções democráticas, na esperança pela humanização da vida. Não era fácil ser editorialista numa ditadura e defender com fé inabalável a democracia. Há textos até que parece concessão aos opressores e eu um dia lhe perguntei: “porque meu pai?” Ele me respondeu: “Driblar a censura não era fácil. É como alguns jogos. Às vezes você recua duas casas para depois avançar dez, sem sair do jogo”

Que dizer então, como filho, sobre a pessoa que o encaminhou para o pensamento democrático, para não aceitar as injustiças, para trilhar a vida com ética e dignidade? Tento, de forma trôpega, seguir os passos do velho pai, quando escrevo textos para serem publicados, ultimamente mantendo uma rotina quinzenal no Jornal da Cidade.  Às vezes sinto faltar a fé, sobretudo na humanidade, num mundo de mentiras e desilusões. Mas quando leio meu pai e lembro o seu exemplo, e vejo como sua fé era inabalável e tinha um olhar para além do seu tempo, percebo o quanto é difícil e ao mesmo tempo um privilégio ser filho de João Oliva. Então ponho o ceticismo de lado e de imediato renovo a esperança na humanidade, e passo a acreditar que o otimismo é uma energia mais que necessária em tempos tão incertos como os atuais, e que nunca é demais acreditar.  João Oliva para além de ser meu pai é voz permanente a sussurrar em meu ouvido: não desista, a vida não é fácil, lutar é mais que necessário, lutar é viver!

*É advogado, ex-secretário de Estado dos Direitos Humanos de Sergipe, poeta e membro da Academia Sergipana de Letras Jurídicas.

Texto reproduzidos do site: jlpolitica.com.br

sábado, 3 de agosto de 2019

'João Oliva, Docemente Cristão', por Luiz Eduardo Costa

Foto reproduzida do site: folha.uol.com.br e postada pelo Blog

Texto publicado originalmente no site F5NEWS, em 02 de agosto de 2019

João Oliva, Docemente Cristão 
(João Oliva, um cidadão exemplo)

Por Luiz Eduardo Costa (Coluna F5News)

Fala-se tanto, agora, porque o vozerio emana do mais alto escalão da República, aliás ainda laica, numa qualidade necessária a cada brasileiro, que seria aquela convicção “terrivelmente cristã", mais especificamente “terrivelmente evangélica”, até credencial para que sejam ungidos de agora por diante possíveis futuros ocupantes do Supremo Tribunal Federal.

Mas esse não é assunto do qual aqui queremos tratar.

Na verdade, o que desejamos é tendo como foco a vida de um homem agora morto, retemperar a força da razão, diante do desvario que até pretende transformar a fé, ou seja, uma a religião exclusiva, em instrumento da política, e orientação do Estado.

Esse cidadão, jornalista, advogado, escritor, poeta, um frade sem envergar o hábito, João Oliva, viveu profundamente a fé, mourejou no seu dia a dia a prática virtuosa da solidariedade, que deve ser o âmago da consciência cristã. Para isso, aparelhou-se por toda a vida para tornar-se um homem do saber. E o fez para poder pensar, distinguir, intuir, também aconselhar e harmonizar. João Oliva não foi apenas um intelectual da sua época, da sua geração. Seguindo aquele dístico “Ao espírito vivo",  que está no pórtico da universidade de Heidelberg, onde se inicia o “caminho dos filósofos", Oliva integrava-se ao mundo, participava de tudo que significasse a clarificação do espírito, o que mais acendia a sua chama interior da religiosidade, e o fazia compreender melhor as transformações do mundo, dos costumes, da própria vida, e demonstrando junto com a esposa, para a sua  numerosa prole que o choque de gerações somente gera consequências quando falta o sorriso da compreensão, ao lado da firmeza do exemplo. Por isso, os onze filhos se fizeram seus herdeiros do que era a sua maior riqueza: o caráter, a honra, a sede de saber, a ânsia de justiça.

Ele passou a vida harmonizando, disse, ao lado do esquife na Academia Sergipana de Letras o acadêmico presidente Anderson Nascimento. A arte da harmonização era uma característica do meu pai, disse o filho Luiz Eduardo Oliva.

Antônia Amorosa, artista, na despedida fez música e poesia, uma epifania para o instante. Tudo muito no clima de suavidade e paz, a síntese do que foi a vida daquele exemplar morto.

Se perguntassem a João Oliva se ele aceitaria ser Ministro do Supremo sendo "terrivelmente" cristão, ele, com certeza diria que gostaria de definir-se como docemente cristão, empregando um advérbio mais próximo da mansa serenidade do Cristo.

Na noite do dia primeiro de abril de 1964, Seixas Dória que estava no Rio de Janeiro, retornou a Aracaju, e reassumiu o governo tendo a certeza de que em breve seria preso. No Palácio Olímpio Campos, que tinha a dupla função de sede do governo e morada oficial do governador, em torno da mesa onde Seixas jantava com a família e alguns auxiliares, naqueles instantes tensos, depois de reunir-se com sindicalistas, estudantes, líderes da esquerda, todos ansiosos por ouvir uma palavra do governador que significasse resistência ao golpe já consumado, Seixas explicara que não haveria resistência em nenhuma parte do país, e que ele todavia, iria fazer um manifesto externando seu compromisso com a legalidade e a democracia, mesmo tendo a certeza de que logo seria deposto e preso.

O Palácio logo esvaziou-se, indo o grupo concentrar-se na Estação Central da ferrovia Leste Brasileiro. Em torno da mesa de refeições, o reduzido número de auxiliares e amigos permaneceu fazendo companhia ao governador. Começou-se, então, a discutir os termos do Manifesto. João Oliva era o Secretário de Imprensa e deu o tom: “O texto deve ser sereno para evitar provocações, e afirmativo para não denotar covardia”. Recebeu logo do governador a incumbência de redigí-lo. Foi à Remington, concluiu a tarefa, e informou a Seixas Dória: “Vou ler antes o texto ao telefone para Dom Távora”, que era o Arcebispo.

João Oliva tinha em Dom Távora um paradigma para a sua vida. Guardou com ele o que o Arcebispo lhe dissera, e o manifesto, tal como redigira foi levado à Rádio Difusora para ser lido pelo diretor, o locutor Sodré Junior.

Na madrugada Seixas Dória foi preso, e ao amanhecer do dia Oliva retornou ao Palácio ocupado pelos militares. Dirigiu-se ao vice já “empossado" Celso de Carvalho, disse-lhe que estava ali para entregar-lhe o cargo, e dar ao sucessor as informações que fossem necessárias.

Celso, sempre gentil e moderado pediu-lhe que aguardasse para que o assunto fosse decidido e Oliva com voz mansa e tranquila respondeu-lhe: “Doutor Celso, o governador Seixas Dória me nomeou, e como ele está preso e não pode exonerar-me, eu tenho a obrigação moral de me considerar exonerado”.

Assim fez, e assim, lúcido, tranquilo, permaneceu por toda a vida conservando aquela altivez e coragem moral que, somente os puros de espírito sabem manter, sem disso fazer alardes.

João Oliva foi o cidadão de uma época, e um exemplo para todas as épocas.

Texto reproduzido do site: f5news.com.br

terça-feira, 9 de julho de 2019

João Oliva, um Riachão de cultura para preservar

Imagem extraída de vídeo do YouTube e postada pelo blog

Texto publicado originalmente no site JLPOLÍTICA, em 05 de Julho de 2019

Opinião - João Oliva, um Riachão de cultura para preservar
Por Patrícia Dantas*

Na última quarta, 3 de julho, durante a despedida do senhor João Oliva, cantaram Trem das Onze, de Adoniram Barbosa. Simplesmente não aguentei. Fui surpreendida por aquele som tão familiar, e ao mesmo tempo já tão distante.

Se fechasse os olhos, por segundos, abraçaria o meu pai, que se foi há muito tempo, e vivia cantarolando a canção. A sensação de reencontro foi muito forte, mas veio levemente e caudalosa feito um riachinho.

Foi ali que entendi porque eu e Mércia Oliva, filha do jornalista João Oliva, perdemos horas conversando, nas raríssimas vezes em que nos encontramos, e sempre parece que foi ontem.

Entendi porque com ela não tenho vergonha de ser quem sou. Acho que pertencemos à mesma linhagem. Somos pontes que ligam o ontem ao hoje, as guardiãs de um museu de boas “velharias”.

E naquela quarta, 3 de julho, para a minha alegria, percebi que não estamos sozinhas. O João de Maria, do Riachão, dos 11 filhos, dos netos artistas, fez família numerosa, plantou e colheu abundantemente. Temos uma boa quantidade de museus recém-inaugurados, cheirando a novo, levando adiante o conteúdo cultural dos Oliva.

Sergipe perde o jornalista, intelectual, poeta, escritor, homem de incrível saber que, com certeza, fará muita falta aos que com ele conviveram. Mércia perde o paizinho carinhoso, o amigo confidente, uma verdadeira joia rara do outro século e, por isso tudo, perde muito mais.

Com seu João, vai um tanto de gentileza, honradez, cultura vasta e ética, valores tão raros hoje. O próprio escritor descreve magistralmente, no seu livro “Mural de Impressões”, o que vem a ser um homem gentil, referindo-se ao médico João Garcez, cuja leitura, tão leve quanto ele, recomendo com urgência, para que possamos lembrar, uns aos outros, os valores humanos esquecidos ou pouco valorizados atualmente.

Museus servem para isso. Para nos recordar de nós mesmos, saber quem somos e para onde queremos ir. Por sorte, tivemos seu João por 96 anos a repassar seus saberes e vamos torcer para que as novas gerações visitem os museus da gente e bebam das águas dos nossos riachinhos e riachões. Garanto que elas são cristalinas, cristalinas, cristalinas.

[*] É jornalista, servidora do Ministério Público do Trabalho e bailarina nas horas vagas.

Texto reproduzido do site: jlpolitica.com.br

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Prefeito acompanha velório do jornalista João Oliva




Fotos: Ana Lícia Menezes/PMA

Publicado originalmente na Agência Aracaju de Notícias, em 03/07/19

Edvaldo acompanha velório do jornalista João Oliva

O prefeito Edvaldo Nogueira acompanhou o velório do escritor e jornalista João Oliva Alves, na tarde desta quarta-feira, 3, na sede da Academia Sergipana de Letras (ASL), no Centro de Aracaju. Considerado “o cronista da vida sergipana”, João Oliva faleceu aos 97 anos. Em homenagem a ele, Edvaldo decretou luto oficial de uma dia no município.

“João Oliva foi um grande cronista da nossa realidade, um homem que lutou a favor da democracia e pelo desenvolvimento de Sergipe. Foi de uma geração de notáveis sergipanos, com atuação brilhante no Jornalismo, principalmente no rádio. Foi também um grande escritor, tanto que era um dos imortais da Academia Sergipana de Letras. Fiz questão de vir ao seu velório pela importância dele para a nossa cidade e em solidariedade a familiares e amigos”, declarou o prefeito.

Um dos filhos de João Oliva, Luiz Eduardo Oliva, muito emocionado, afirmou que “nunca” duvidou da “grandeza” de seu pai. “Meu pai era um homem admirável, um homem completo que veio do interior, mas que tinha visão de tudo, um homem do diálogo, conciliador, um pai aberto, que acreditava nas liberdades e na democracia. Meu pai era também um homem de fé”, afirmou.

Também imortal da ASL, o ex-governador Albano Franco homenageou João Oliva em discurso. “Estamos aqui em reverência a João Oliva. Foi um privilégio ter João ao meu lado trabalhando comigo. Ele era uma referência em Sergipe e deixa seu exemplo de honradez, dignidade, competência e lealdade”, disse.

Na imprensa sergipana, João Oliva atuou no rádio e também imprensa escrita como repórter e redator. Era imortal da Academia Sergipana de Letras e exerceu cargos públicos nos governos de Seixas Dória e Augusto Franco. Como assessor de Relações Públicas da Universidade Federal de Sergipe (UFS), ele foi um dos criadores do Festival de Artes de São Cristóvão. De acordo com o Sindicato dos Jornalistas de Sergipe, João Oliva, que nasceu no ano de 1922, era o jornalista mais velho do Estado.

Após o velório, o corpo foi levado para o município de Riachão do Dantas, cidade natal de Oliva, onde ele será sepultado.

Texto e imagens reproduzidos do site: aracaju.se.gov.br

Mural de Impressões, de João Oliva Alves


Publicado originalmente no blog Antônio Saracura sobre livros lidos, em 19/02/2016

MURAL DE IMPRESSÕES, João Oliva Alves

MURAL DE IMPRESSÕES, João Oliva Alves, Criação editora, 254 pag., Isbn: 978-8562-576249

Por Antônio Saracura

João Oliva é uma pessoa de quem gosto desde a adolescência quando foi meu chefe por um tempo na redação do jornal “A Cruzada”. Nos idos de 1965. Foi quem me ensinou um pouco da arte da escrita útil, sem perfumaria desnecessária. Pelo menos tentou me ensinar.

Uma vida inteira, mais de noventa anos de observação científica da nossa vida social, política, religiosa e o que seja mais, faz de João um autor respeitável. Cada crônica (ou ensaio) desse seu livro, carrega dentro uma sabedoria imensa. Eu li compulsivo, precisando reter o mais que pudesse desta crônica, correndo em busca da próxima, com medo que fugisse de mim ou que eu me acabasse antes.

O poeta  precisa apenas de um bom o poema para se consagrar, para que o chamemos de Grande. E João tem mais de um. Mas bastava este Amor de Outono, que começa assim:

“Um amor outonal, cuja beleza calma
Tem o doce langor de um final de tarde,
De folhas a cair, de brisa que acalma,
De sol que ao declinar já não queima nem arde.”

O livro é dividido em três partes. A primeira fala de personalidades sergipanas. A segunda, de literatura e jornalismo (como lamentei não ter publicado meus livros antes para ganhar também uma resenha; ganharia?). A terceira compõe-se de ensaios e memorialística. E o foco das três partes é Sergipe. E a que o autor faz abordagem é muito pessoal, pois João testemunha o que viu, não fala por ter ouvido falar.

Reencontrei-me com meu amigo do tempo de jornal, nos idos de 1965, Acrísio Torres Araujo, quebrando caranguejo nos bares de Atalaia ou visitando um lote perdido no meio dos cajueiros onde hoje é o bairro Jardins. E José Amado Nascimento, que sempre o vi de longe, mesmo quando foi meu professor na faculdade de economia nos idos de antigamente... Sabia do seu valor mas não tinha uma ideia certa da dimensão, que agora consegui.

Em um ensaio, este de abordagem generalista, João fala sobre o desprestígio do pecado. Essa perda de sentido do pecado, que tem a ver com a moral e os costumes, vai nos levar outra vez ao barbarismo. Não se obedece ás leis de Deus, que são as leis naturais, e, na sequência, questiona-se e transgride-se as leis dos homens. Valei-me Senhor São Bento!

E sobre o centenário de Clodoaldo de Alencar. O Ceará é o grande exportador de talentos, inclusive para Sergipe. Clodoaldo, de cepa ilustre, descende de José de Alencar (O Guarani, Iracema) foi trazido por Gracho Cardoso em 1922 e produziu uma plêiade de intelectuais genuinamente nossos.

O Riachão não poderia ficar de fora. Que terra é essa que produziu tantos filhos ilustres? Inclusive João. Os tipos folclóricos desfilam como se fossem os mesmos de Itabaiana na minha infância. O cronista João Oliva os ressuscita o contador de histórias (Pai Jocundo), o poeta popular (Gino Costa), o vendedor de quebra-queixo (Martinho Caga-pilar) o Ceguinho Marcelino.

E o caso acontecido sobre José Araujo Nascimento... Uma decisão insólita e corajosa de ir à casa do desafeto com as mãos estendidas pedindo a paz, sentar-se à mesa, e rezar um padre nosso. É loucura ou é absoluta sanidade?

João Oliva apresentou-me pessoas decentes, que eu precisava conhecer para que minha vida melhorasse muito, como Ursino Ramos e muitos outros. Leia o livro e comemore. Não é sempre que podemos desfrutar um livro tão bom.

Mural de Impressões, João Oliva Alves,Criação editora, 254 pag. João Oliva é uma figura simpática para mim desde a adolescência, quando foi meu chefe, por um tempo, em 1965, na redação do jornal “A Cruzada”. Foi quem me ensinou um pouco da arte da escrita útil, sem perfumaria desnecessária. Pelo menos tentou. Uma vida inteira, mais de noventa anos de observação científica à nossa vida social, política, religiosa e o que seja mais, faz de João um autor respeitável. Cada crônica (ou ensaio) desse seu livro carrega dentro uma sabedoria imensa. Eu li compulsivo, precisando reter o mais que pudesse desta, correndo em busca da próxima, com medo que me fugisse ou que eu me acabasse antes. A começar com o poema de abertura em homenagem à sua esposa, simples e belo, uma lição aos jovens poetas. (Corra ao livro!). (Perfil ano 17 numero 2)

Texto e imagem reproduzidos do blog: antoniosaracurasobrelivroslidos.blogspot.com

Acival Gomes ENTREVISTA João Oliva Alves (4 vídeos)









João Oliva Alves (1922 - 2019)

Foto: Portal Infonet

Foto: Márcio Garcez

Foto: César de Oliveira

Foto: Portal Infonet 

Foto: Luiz Eduardo Oliva 

Foto: Portal Infonet

João Oliva Alves nasceu em 1922, no município de Riachão do Dantas. Sua atuação nos jornais iniciou-se em sua terra natal, de onde enviava artigos para veículos de comunicação da capital e do interior. Atuou como repórter, redator-chefe e editorialista nos impressos Gazeta de Sergipe, A Cruzada e Diário de Aracaju. No radialismo, produziu, apresentou e escreveu crônicas para programas da Rádio Cultura de Sergipe.

Foi secretário de imprensa do Governo do Estado na gestão Seixas Dória e assessor de comunicação na Associação Comercial e na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Na Associação Sergipana de Imprensa (ASI), foi vice-presidente e exerceu temporariamente a presidência. Em 2001, João Oliva assumiu a 24ª cadeira da Academia Sergipana de Letras (ASL)...

Fonte: infonet.com.br

Morre aos 97 anos o jornalista sergipano João Oliva

João Oliva: vida dedicado ao jornalismo, à democracia e, sobretudo, à família
Foto: Arquivo da Família/Facebook

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 3 de julho de 2019

Morre aos 97 anos o jornalista sergipano João Oliva

Morre, aos 97 anos, o jornalista e escritor sergipano João Oliva, membro da Academia Sergipana de Letras. De acordo com uma das filhas, a jornalista Mércia Oliva, João sentiu uma forte dor na noite da terça-feira, 2, foi hospitalizado e, por volta das 5h da manhã desta quarta-feira, 3, a equipe médica constatou o óbito.

O corpo foi liberado para sepultamento há pouco e será velado a partir das 10h na Academia Sergipana de Letras. O sepultamento está previsto para o final da tarde, por volta das 17h, no cemitério de Riachão do Dantas, onde o jornalista nasceu, em 1922.

João Oliva deixa 11 filhos, netos e bisnetos. O professor Luiz Eduardo Oliva, ex-secretário de Estado dos Direitos Humanos, filho do jornalista, fez uma homenagem ao pai em redes sociais, destacando que João Oliva seria o mais velho jornalista vivo em Sergipe. “Foi sobretudo um jornalista, um escritor. Era da Academia Sergipana de Letras. Escreveu a crônica de Sergipe e do Brasil. Amou as pessoas, a vida, a democracia. Era um homem de fé”, resumiu, na mensagem, o professor.

Por Cassia Santana

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Rotary homenageia jornalista João Oliva Alves

Foto extraída do Google e postada pelo blog SERGIPE..., para ilustrar o presente artigo

Texto publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 13/06/2018

Rotary homenageia jornalista João Oliva Alves

Por Ivan Valença/blog Infonet

O Rotary Clube de Aracaju Norte prestou significativa homenagem ao jornalista João Oliva Alves. Aos 95anos de idade, chegando nas próximas semanas a 96 anos, João Oliva é o mais antigo jornalista do Estado ainda vivo. Lúcido, só agora a voz começa a lhe fugir. A homenagem consistiu na entrega da Comenda Carlos Melo, cuja denominação é uma homenagem por seu turno, aquele que foi Presidente do Clube e é pai de muitos rotarianos, como Carlos Melo Filho, Carlos Magalhães, entre outros. Acompanhado dos filhos Terezinha Oliva, historiadora e Luiz Eduardo Oliva, professor e jornalista. João Oliva Alves foi vivamente aplaudido pelos rotarianos que estavam presentes no almoço festivo da 2ª feira.  Nascido em 1922, João Oliva ingressou na vida pública em 1941. Atuou em todos os jornais que circularam na cidade e foi Secretário de Imprensa do Governo de Seixas Dória. O rotariano Carlos Magalhães fez uma saudação especial a João Oliva. Lembrou que quando veio de Propriá para morar em Aracaju, Aracaju só tinha calçamento a paralelepípedos até a rua Arauá e João já era uma figura humana extraordinária. Falou também sobre Carlos Melo, seu pai, que dá nome à Comenda recebida por João Oliva e que era um rotariano de escol. Em nome do jornalista João Oliva falou o seu filho, Luis Eduardo, numa prosa cheia de bom humor e ótimas revelações.  Luiz Eduardo foi convidado, pelo futuro presidente do Clube, Jorge Carvalho Nascimento, que toma no próximo dia 3 de julho, a retornar ao Clube ao qual já pertenceu no que foi muito aplaudido. O último a falar foi o Presidente do Clube, Sr. Ravisson que após congratular-se com o jornalista João Oliva Alves, anunciou que na próxima reunião fará a prestação de contas de sua administração.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca