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terça-feira, 13 de abril de 2021

Domingos Pascoal ENTREVISTA Expedito de Souza

Legenda da foto: Imagem reproduzida do Facebook/Expedito de Souza e postada pelo blog para ilustrar a presente entrevista

Texto publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 13 de abril de 2021

Domingos Pascoal entrevista Expedito de Souza

Por Domingos Pascoal (Blog Infonet)

A nossa conversa de hoje é com José Expedito de Souza, originário de Riachão dos Dantas, escritor memorialista da história urbana das ruas, esquinas, bodegas e quitandas do centro antigo da cidade de Aracaju. Expedito pertence ao Movimento de Apoio Cultural de Sergipe da Academia Sergipana de Letras e à Academia Lítero-cultural de Sergipe.

DP – Quem é José Expedito de Souza?

ES – Sou Economista e iniciei minha vida profissional no CONDESE (Conselho de Desenvolvimento Econômico do Estado de Sergipe); trabalhei no CEAG, hoje, SEBRAE onde fui Gerente de Estudos e Pesquisas e publiquei livros e (Diagnósticos) sobre os principais setores econômicos do Estado de técnicos (Estudo da Mão-de-Obra nos Municípios de PDRI – Tabuleiros Sul do Estado de Sergipe). Trabalhei também na CODISE, na EMSURB e em Secretárias da Prefeitura Municipal de Aracaju e do Governo do Estado de Sergipe. Fui professor no Centro Federal de Educação Tecnológica de Sergipe, na FASE e UNIT. Fui funcionário da Petrobras durante oito anos e empresário no ramo metalúrgico.

DP- Qual a sua origem e trajetória?

ES – Sou o mais velho dos nove filhos de Seu Zuza do Bilhar e Dona Eulina. Nasci em Riachão do Dantas em Sergipe, onde meu pai durante mais de quatro décadas teve um bar que era conhecido por: Bilhar de Seu Zuza… O romancista Francisco Dantas fala do bilhar de meu pai em seus livros. Óbvio que jogo sinuca e bilhar desde criança.Tive uma infância de menino do interior, com muito jogo de bola, banho em tanques, em riachos, pescarias, caçadas, jogo de marraio (gude) e outros. Comi mel-cabaú com farinha de mandioca no engenho Salgado de seu Manezinho, junto com um bando de meninos.

Com onze anos de idade, vim morar em Aracaju na casa de meus avós maternos e tias, que possuíam bodegas.

DP – Fale de sua formação.

ES – Em Riachão, estudei no Grupo Escolar e fiz banca na escola de Dona Mariana. Em Aracaju, estudei no Grupo Escolar Manoel Luiz, no colégio Graccho Cardoso, na Escola Industrial de Aracaju, no Atheneu Sergipense, na Escola Técnica Federal de Sergipe. Formei-me em Economia na Universidade Federal de Sergipe no ano de 1973. Durante o curso de Economia estagiei um mês no Congresso Nacional, em Brasília. Fiz curso de Consultoria Comercial e Pesquisas na USP – Universidade de São Paulo, em São Paulo. Mestrado em Mediação e Arbitragem. Foi tutor de Cursos online e presenciais sobre Mediação e Arbitragem. Assessor da Câmara de Mediação e Arbitragem da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe. Fiz vários cursos na área gerencial e pesquisas em centros de treinamento nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Pirenópolis, Recife, São Paulo e outras.

DP – Durante seu aprendizado existiam vozes dissonantes? Você poderia citar algum exemplo e como você reagiu e superou.

ES – Os percalços que vivenciei em minha caminhada serviram de motivação e experiência para continuar produzindo.

DP – Como você se tornou um escritor.

ES – Quando exerci a atividade de Economista escrevia por dever de ofício. Fotografo a cidade de Aracaju desde o ano de 1974 e formei um acervo de imagens que me possibilitaram realizar exposições e publicar álbuns e livros. No arrojo das fotos, escrevi romances e crônicas que também publiquei.

DP – Fale um pouco sobre sua produção literária.

ES – Publiquei os álbuns de fotografias: “Memórias de Aracaju”, em 2012 e “Memórias de Aracaju II”, em 2013 e 2017. Os livros: “Relógio do Tempo”, em 2014 e 2015; “Tempo de Almas e Anjos”, em 2016; No “Tempo de Cada Um”, em 2018 e “Memórias de Aracaju Bodegas”, em 2019. Os álbuns de fotografias contrapõem fotos de locais da cidade em anos remotos com os dias de hoje, demonstrando as mudanças arquitetônicas, geográficas e outras, ocorridas na cidade de Aracaju num lapso de quase 50 anos. Os livros são estórias sobre as estripulias de minha infância em Riachão do Dantas, da adolescência e as mudanças ocorridas com a minha vinda do interior para a capital.

DP – Você tem algum trabalho para publicar?

ES – Sim. “Memórias de Aracaju III” (álbum fotográfico), “Aracaju 50 anos de Fotografias” (catálogo e 39 quadros). E um novo livro de contos e crônicas (rememorações) ainda sem título.

DP – Mande uma mensagem aos jovens que querem escrever.

ES – Que leia muito. Registre todos os seus momentos de lazer, estudo e trabalho. Um dia você poderá transformá-los em livros.

DP – Fale sobre as suas realizações como participante de tantos movimentos envolvendo a produção cultural e literária.

ES – Participo dos movimentos literários: Bienal do Livro de Itabaiana; Encontro de Escritores; O Escritor vai à Escola e O escritor na livraria. E outros. Sou membro da Academia Literária de Sergipe – ACLS e do MAC – Movimento Cultural Antônio Garcia Filho da Academia Sergipana de Letras e da Academia Lítero-Cultural de Sergipe, como já foi dito.

DP – Avalie momento crítico que atravessamos.

ES – Apesar de estarmos num tempo difícil, a produção de livros e as atividades literárias têm crescido. Ultimamente surgiram novas academias em Aracaju e no interior do Estado e este é um movimento cultural de suma importância. Elas reúnem escritores, mesmo virtualmente, que publicam livros, fazem antologias, realizam concursos e descortinam um mundo novo e promissor para jovens estudantes em rincões onde o livro é um objeto raro. Graças ao semeador de academias, o incansável Domingos Pascoal, apoiado pela Academia Sergipana de Letras, esse momento crítico que atravessamos tem sido menos traumático.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Memórias de Aracaju – Bodegas, de Expedito Souza


Publicado originalmente pelo blog ACADEMIA LITERÁRIA DE VIDA, em 8 de junho de 2019

A Propósito de Memórias de Aracaju – Bodegas

Por Sandra Natividade *

Obra: Memórias de Aracaju – Bodegas
Autor: Expedito Souza, Aju/SE. (2019)
206 páginas
Impressão: Sercore Artes Gráficas Ltda.

Agradável, envolvente é assim que classifico o talentoso escritor Expedito Souza, autor de Memórias de Aracaju – Bodegas, por certo o mercado editorial sergipano se tornou mais rico com produção tão significativa lançada dia 31 de maio de 2019, às 19h30, no Hotel Sesc - Orla de Atalaia - local que abriga uma das mais belas praias do nordeste brasileiro. Nesse memorial, tão especial, o autor faz uma anamnese descrevendo, identificando seus proprietários e até mesmo alguns clientes em sua grande maioria conhecidos nas áreas política, econômica e outros nem tanto, são cidadãos do povo, gente simples, mas consumidores regulares, de caderneta e tudo o mais.

A propósito, as bodegas eram um negócio em potencial que oxigenava o mercado atacadista aqui em Aracaju e alhures, os pequenos bodegueiros iam buscar suas compras in loco outros mais avantajados, os atacadistas, o serviam entregando suas encomendas pontualmente, não deixando que esses estabelecimentos faltassem à freguesia. Embevecida na leitura me detive na página 88 sob o título “De mascate a auditor e radialista” conta o autor, a história de uma mocinha, Priscila, de dezesseis anos, que se descobriu grávida lá para as bandas de Pernambuco, seu estado natal e com receio da reação dos pais fugiu, refugiando-se na residência de uma tia no Recife. E lá passou pouco tempo, a experiência não foi das melhores; saiu apenas com uma muda de roupa e a barriguinha já aparente. Pernoitou na rodoviária e dia seguinte - conta o autor- que a jovem adentrou num ônibus, sem destino, sentou ao lado de uma senhora que residia em Maceió, conversaram no percurso e a senhora a convidou para trabalhar em sua casa e de pronto ela aceitou.

 Foi muito bem tratada e lá Mizael, seu filhinho nasceu. Após três anos os dias ali estavam contados, um incidente provocado pelo filho da patroa que se mudou com a família para a casa da bondosa senhora, criou mal-estar acontecimento que a fez sair do lugar que lhe propiciou ter e criar o filho. Por providência Priscila mudou-se para Aracaju (de onde nunca mais saiu) e aqui encontrou logo na rodoviária uma senhora, d. Eunice, que a acolheu com orientações. Morou numa vila de quartos na Rua Divina Pastora e por indicação da d. Eunice foi trabalhar na residência do doutor Pedro Braz e professora Josefina Braz. Mizael sempre aplicado nos estudos concluiu o curso primário no Grupo General Valadão instituição onde recebeu a Medalha de melhor aluno da turma, contudo não descuidava de ajudar a mãe, vendendo frutas na feira como também fazendo alguns mandados dos feirantes do mercado de Aracaju.

Entra nesta história a bondosa professora Josefina Cardoso Braz, minha confreira na Academia Literária de Vida, sodalício criado pela abnegação de educadoras de escol, lideradas pela ilustre e saudosa Maria Lígia Madureira Pina. A professora Josefina foi fada madrinha de Mizael e de sua genitora, ela levou o menino na Escola Industrial de Aracaju onde o matriculou, mais tarde, submetido ao exame de admissão, passou e fez o curso de Tipografia, estudando em tempo integral, sempre bastante desenvolto trabalhou na Rádio da escola como controlador de som. Ao concluir o curso de Tipografia, matriculou-se em Contabilidade. A situação da pequena família melhorou: o rapaz comprou uma casa com uma bodega na frente para que a genitora descansasse um pouco do labor diário como doméstica. O rapaz conseguiu emprego numa fábrica localizada no interior do Estado, ajudante de limpeza era o cargo. Mizael era obstinado e perspicaz chegou a diretor financeiro, como também auditor de todas as empresas do grupo, instaladas no país. Após sua aposentadoria, Mizael foi indicado membro do Conselho Consultivo do grupo empresarial. A história termina com Mizael diretor de uma emissora católica. Esta em especial é uma das setenta e oito histórias que ilustra Memórias de Aracaju – Bodegas, do habilidoso Expedito Souza, filho de Riachão do Dantas/SE, escritor, experiente profissional da área econômica, festejado professor universitário.
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* Sandra Natividade - cadeira n.12 Da Academia Literária de Vida e Membro da Academia de Letras de Aracaju, cadeira 19. 

Texto e imagem reproduzidos do blog: academialiterariadevida.blogspot.com