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quinta-feira, 22 de julho de 2021

Jornalista e artista plástico Luiz Adelmo deixa legado para cultura sergipana

Imagem com arte da Ascom/Funcaju

Publicação compartilhada do site da PMA, em 20 de julho de 2021

Jornalista e artista plástico Luiz Adelmo deixa legado para cultura sergipana

A irreverência, o sarcasmo e a contundência eram as marcas mais emblemáticas de Luiz Adelmo Soares de Souza, falecido nesta terça-feira, 20. O estanciano era dono de um conhecimento cultural e social incomparável, e distribuiu sabedoria, críticas e análises durante anos através das suas colunas sociais, quadros televisivos e radiofônicos na imprensa sergipana. Aos 79 anos, Luiz Adelmo se despede deixando o seu nome marcado na história cultural de Sergipe.

Jornalista, artista plástico, curador e cerimonialista, Luiz Adelmo, além de personagem importante da imprensa sergipana, também marcou o seu nome na gestão pública. Ele ocupou cargos de destaque pela competência e contribuição no desenvolvimento de políticas públicas, sobretudo, daquelas voltadas para o segmento cultural.

“A morte de Luiz Adelmo representa uma perda muito grande para a cultura e comunicação sergipana. Ele era um personagem da nossa contemporaneidade com muitos talentos e em todas as áreas que pôs o pé, fez sucesso. Na comunicação foi colunista social que revigorou essa linguagem do jornalismo sergipano, e desde os anos 60 foi um dos principais colunistas da cidade. Tinha uma verve literária muito forte, com público cativo, capaz de despertar ao mesmo tempo ódio e paixões”, lembra Luciano Correia, presidente da Funcaju.

Luiz Adelmo dirigia a Galeria de Artes Álvaro Santos, unidade da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), um momento emblemático para a vida do artista e jornalista. “Meu irmão até criou a sua própria galeria, mas o sonho dele sempre foi dirigir a Galeria Álvaro Santos. Era o sonho dele que se tornou uma realidade com Edvaldo, que gostava demais do meu irmão e sabia da capacidade dele”, conta a irmã de Luiz Adelmo, Tânia Soares.

À frente da Galeria Álvaro Santos, Luiz Adelmo realizou inúmeras exposições, democratizando o espaço e permitindo que tanto artistas de nomes carimbados, quanto aqueles novos no segmento cultural, tivessem espaço dentro da unidade municipal. “Ele tinha muita sensibilidade para encontrar artistas novos, de descobrir esses talentos. E na Álvaro Santos, uma das coisas que ele mais amava era o Salão dos Novos”, comenta a irmã.

A trajetória profissional de Adelmo abriu caminhos também em outros nichos culturais do Brasil. O sergipano tinha portas abertas em diversas casas culturais, ao lado de grandes nomes da cultura brasileira, participando de eventos como a Bienal de São Paulo.

“Como artista plástico, ele foi importantíssimo porque sempre atuou no sentido de organizar o segmento das artes visuais em Sergipe. Foi dono de galerias e era um artista com linguagem refinada. Teve passagens pelo Sul do país, no teatro, na comunicação, na cultura. Trabalhou com gente de renome no cenário nacional, carregando influências das mais altas esferas que ele frequentou em Sergipe e fora daqui. Deixa um legado de uma trajetória muito rica e de muitas realizações”, destaca Luciano.

O corpo de Luiz Adelmo está sendo velado nesta terça-feira na OSAF, em Aracaju, e logo em seguida será cremado.

Texto e imagem reproduzidos do site: aracaju.se.gov.br

quarta-feira, 21 de julho de 2021

O Conservador Iconoclasta Chocou os Conservadores

Foto reproduzida Facebook/Nestor Amazonas e postada pelo blog

Texto compartilhado do blog Educação História e Política, em 21 de julho de 2021

O Conservador Iconoclasta Chocou os Conservadores 

LUIZ ADELMO

Por Jorge Carvalho do Nascimento*

Jornalistas que fazem coluna social normalmente são vistos como pessoas que vivem promovendo a vida glamourosa de ricos e poderosos e em alguns momentos entendidos como profissionais que se dedicam a bajular os grupos da elite econômico e os filhos das famílias ditas tradicionais.

Nos últimos anos tenho me dedicado a estudar, pesquisar e escrever sobre o tema e quanto mais me aprofundo fico convencido de que não é bem assim. A coluna social, como qualquer outra prática humana comporta as distintas dimensões daquilo que somos nós humanos no modo como vemos os outros e como somos vistos pelas outras pessoas.

A morte nesta terça-feira, 20 de julho de 2021, do jornalista Luiz Adelmo Soares de Souza, outra vez me chama a atenção para o quanto todos nós somos complexos e contraditórios. Inteligente e sagaz, ele encarnou ao mesmo tempo, ao longo da sua produtiva vida, distintos personagens que o fizeram conservador e revolucionário.

A começar pelos distintos papéis que desempenhou. Além de jornalista e colunista social de muito prestígio, Luiz Adelmo, filho de Adelaido, um conhecido militante de esquerda que viveu a maior parte da sua existência na cidade sergipana de Estância, cercado por uma família católica que o fez o primeiro menino a ser admitido no colégio das freiras daquela localidade.

Aos 11 anos de idade Luiz Adelmo foi mandado para um seminário pelos seus familiares, esperançosos em vê-lo ordenar-se frade franciscano. Não era isto que o jovem desejava. Caiu na vida e se fez bancário, em Aracaju. Talvez por contestar a autoridade paterna, politicamente se fez conservador.

De outra perspectiva, talvez por admirar a figura paterna, cultivou ótimos relacionamentos com líderes da esquerda, principalmente alguns ligados ao Partido Comunista, como o seu ex-cunhado Edvaldo Nogueira e o expressivo líder comunista sergipano Wellington Mangueira.

No início da década de 60 do século XX, viveu entre o Rio de Janeiro e São Paulo, privando do relacionamento de figuras que chocavam os padrões conservadores da família brasileira, como a atriz Leila Diniz, com quem participou da produção do eterno espetáculo teatral TEM BANANA NA BANDA.

Antes de partir para o Rio de Janeiro chocou a acanhada sociedade aracajuana ao instalar na ainda inexplorada praia de Atalaia o bar Barracão, espaço no qual os descolados de Aracaju podiam se entregar aos prazeres do rock e da bossa nova, das drogas lícitas e algumas ilícitas, e encontrar pessoas dispostas aos prazeres do amor e do sexo fora do casamento, o que fazia tremer as estruturas das famílias de uma sociedade na qual o comportamento buscava os caminhos da tradição, família e propriedade.

O jornalista Pedrito Barreto registrou com muito entusiasmo, no ano de 1978, em sua coluna no jornal Gazeta de Sergipe, uma nova iniciativa de Luiz Adelmo como empresário da noite: a inauguração da boate 147, na praia de Atalaia, mais um espaço que encantou os descolados de Aracaju e que atraiu os nomes jovens que frequentavam a noite aracajuana.

A Aracaju que via TV recebendo o sinal da Televisão Jornal do Comércio, da cidade do Recife, distribuído na capital de Sergipe pela antena repetidora instalada no Morro do Urubu, viu, entre atônita e extasiada, um Luiz Adelmo circulando com desenvoltura no programa Almoço Com As Estrelas, apresentado pelo casal Airton e Lolita Rodrigues na TV Tupi de São Paulo, principal emissora da rede dos associados fundada por Assis Chateubriand.

Contribuindo ao seu modo, o jornalista Luiz Adelmo consolidou em Sergipe um estilo novo de fazer coluna social nas décadas de 60 e 70 do século XX. O estilo passou para outros jornais diários e revistas, através de colunistas como Ricardo Boechat e Carlos Leonam, com os quais ele aprendeu no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O mesmo estilo posteriormente solidificado por jornalistas como Ancelmo Gois, Joyce Pascowitch e Mônica Bérgamo, no Rio e em São Paulo. Aquele jeito de escrever na coluna social, reificado em Sergipe por Luiz Adelmo, fez escola e ganhou adeptos que continuaram ocupando espaço até a primeira década deste século XXI, a exemplo do jornalista Osmário Santos.

Luiz Adelmo Soares assumiu a titularidade da coluna Gazeta Social na edição do dia 29 de dezembro de 1965 do jornal Gazeta de Sergipe. Chegou com um estilo que foi considerado novo, apresentado por R. C. de Souza, pseudônimo utilizado pela advogada Zelita Correia para assinar a sua coluna.

R. C. de Souza assinou a coluna durante 10 meses. No dia 25 de dezembro daquele mesmo ano, em uma nota elegante, ela anunciou o seu afastamento e a presença de um novo titular. “A partir da nossa edição de quarta-feira a coluna social da Gazeta de Sergipe será escrita pelo jovem bancário Luiz Adelmo Soares, pessoa que, melhor que a colunista atual, preencherá os requisitos de outra verdadeira crônica social em nossa imprensa. O Luiz Adelmo estudou teatro em S. Paulo, é um jovem culto e inteligente com quem todos vocês ficarão satisfeitos”.

Luiz Adelmo publicou uma nota informativa ao assinar a coluna pela primeira vez: “A partir de hoje deixa de escrever a colunista R. C. de Souza (nossa querida Zelita), a quem desejamos pleno sucesso na nova carreira que abraçou (a advocacia) e agradecemos os elogios dirigidos ao cronista. Da sociedade espero contar com o mesmo carinho dirigido à minha antecessora”.

Importante anotar que o cenário dos anos 70 e 80 do século XX na crônica social publicada pela imprensa de Sergipe foi dominado por nomes como os de Karmen Mesquita, Pedrito Barreto, Lânia Duarte, Clara Angélica Porto, Leilinha Leite (pseudônimo do jornalista Ivan Valença), Maria Luiza Cruz, Luduvice José, João de Barros, Paulo Nou e Luiz Adelmo Soares de Souza.

Luiz Adelmo Soares de Souza, do mesmo modo que Leilinha Leite, certamente teve o mérito de inovar a linguagem e o estilo da crônica social. Fez com que esse tipo de jornalismo fosse não apenas o registro de bailes, casamentos, jantares e recepções glamourosos, mas incorporasse também o noticiário de fatos da vida política e econômica, mesmo quando os personagens envolvidos eram pessoas de pouco glamour.

Nascido em 1942, permaneceu no seminário dos frades franciscanos durante cinco anos e aos 16 anos de idade desistiu de ingressar no clero, voltando a Estância, sua cidade natal, e logo depois indo viver em São Paulo por três anos, quando trabalhou em uma indústria e estudou artes plásticas e artes cênicas.

Na idade de ingresso no serviço militar estava em Brasília, como soldado do Exército, atuando na segurança do gabinete do ministro da Guerra, marechal Odílio Denys, durante os governos de Juscelino Kubitscheck e Jânio Quadros. Concluído o período obrigatório de serviço militar retornou a Sergipe e trabalhou como bancário e jornalista.

Iniciou-se no jornalismo trabalhando no Sergipe Jornal, de propriedade do então deputado federal José Carlos Teixeira. Na condição de repórter alargou o seu círculo de relações e fez contato com as lideranças da vida política e econômica de Sergipe e saiu do Sergipe Jornal para ser colunista na Gazeta de Sergipe.

Com Luiz Adelmo, a Gazeta Social ganhou um perfil diferenciado, aprofundando a experiência da coluna Background que Anderson Nascimento comandou entre 1963 e 1964. A diferença fundamental era de natureza ideológica. Enquanto Anderson vinha da militância política de esquerda, Luiz Adelmo, que recebera formação religiosa e militar, tinha um perfil político mais à direita, apesar de filho de Adelaido, nascido em Riachão do Dantas e conhecido militante comunista.

Muito avançado para os padrões sergipanos quanto aos costumes, por sua formação junto aos grupos de artistas quando vivera em São Paulo, as posições políticas conservadoras de Luiz Adelmo e a sua formação militar abriram generosos espaços para as lideranças militares que passaram a ocupar espaço com citações frequentes na Gazeta Social.

Ainda na primeira coluna assinada por Luiz Adelmo, tal pauta ficou visível. “Florival Santos que expôs em Salvador em julho deste ano (com absoluto sucesso), está pintando o retrato da Sra. Cel. Tércio Veras. O quadro do Florival deverá enriquecer o adress da residência do casal”.

O fato é que Luiz Adelmo produziu um jornalismo diferente e teve condições de aprofundar o estilo que Anderson Nascimento iniciara. Não há explicação para o fato de a partir da edição do dia 18 de janeiro de 1966 a denominação da sua coluna haver sido modificada, assumindo o título de Em Sociedade. Todavia, foi mantido o nome do mesmo Luiz Adelmo como jornalista responsável.

Uma nova mudança ocorreu no dia 24 de maio daquele ano, quando a coluna assumiu o nome do colunista como sua denominação: Luiz Adelmo. A sua última coluna na Gazeta de Sergipe foi assinada no dia dois de fevereiro de 1967 e dedicada a posse de Lourival Baptista no cargo de governador do Estado de Sergipe.

“A posse do novo Governador Lourival Baptista foi de grande repercussão nacional e contou não só com o representante do Presidente da República, Brigadeiro Parreiras Hortas, como também com a presença do Governador Lomanto Junior, da Bahia; Lamenha Filho, de Alagoas e João Agripino, da Paraíba; o Comandante da 6ª Região, Gen. Augusto Tinoco; além de grande comitiva de deputados da Bahia e parentes do novo Governador”.

Nem o jornal e muito menos o jornalista deram qualquer satisfação acerca do encerramento das atividades da coluna e do seu afastamento do periódico. A presença de Luiz Adelmo na Gazeta de Sergipe outra vez fez com que se cumprisse a saga de alta rotatividade entre os jornalistas dedicados a coluna social. Ele permaneceu na Gazeta de Sergipe apenas durante 13 meses.

A colunista que o substituiu, Ilma Fontes, também praticou um estilo no gênero que se diferenciava do lugar comum das colunas. Trilhou um pouco das sendas de Anderson Nascimento e de Luiz Adelmo, desde a primeira nota que publicou. “Ciranda é uma peça-estudo organizada com músicas populares infantis e poemas de Amaral Cavalcante”.

Quando a Gazeta de Sergipe celebrou o seu décimo segundo aniversário (antes era Gazeta Socialista), a jornalista Clara Angélica Porto estreou como colunista social. Na edição do dia 14 de janeiro de 1968, ao assinar a coluna Vida Social pela primeira vez, Clara anunciou num texto de abertura aquilo que pretendia realizar.

“Depois de desaparecer por alguns dias, volta agora mais uma coluna social da Gazeta de Sergipe. Esperamos que a nossa maneira de ver a vida social agrade aos nossos leitores, pois procuramos dar o máximo de nós. Aos domingos faremos uma reportagem mais ampla, com entrevistas e notícias várias, a fim de não nos tornarmos monótonos. Vida Social deseja a todos os seus leitores um 68 cheio das coisas boas que o mundo ainda tem”.

A coluna manteve um padrão próximo àquele seguido por jornalistas como Anderson Nascimento, Luiz Adelmo e Ilma Fontes, porém em tom mais brando e menos revelador das paixões ideológicas da jornalista, o que não impediu Clara Angélica de ter problemas políticos com a ditadura militar que governava o Brasil.

Luiz Adelmo voltou a fazer coluna social em janeiro de 1979, quando aceitou o convite do Jornal da Cidade para assinar um espaço do caderno JC REVISTA. O caderno incorporou mais outros nomes originais que se somaram aos que já estavam trabalhando, como a então jovem jornalista Siomara Madureira, responsável por uma página dedicada a crianças.

Luiz Adelmo manteve o seu estilo irônico, ao agrado de uma parcela elevada de leitores. O jornalista Paulo Nou deu um bom exemplo do estilo jornalístico do estanciano, narrando um fato ocorrido em uma das colunas que Luiz Adelmo assinou. “Ele colocou uma foto de Clara Angélica em um dia. No dia seguinte colocou outra foto da Clara, porque ela era uma figura destacada da sociedade e eram duas situações diferentes. Eram duas fotos bonitas. E virou um ti-ti-ti em Aracaju, algumas pessoas comentaram. Como Luiz Adelmo era uma pessoa muito independente, no terceiro dia colocou outra foto da Clara”.

Como se toda a atividade já narrada fosse pouca coisa, Luiz Adelmo se fez empresário do ramo de móveis e decorações, em Aracaju e em Maceió, fazendo muito sucesso com suas lojas de bom gosto que davam um toque de refinamento às casas e apartamentos que ele decorava.

Artista plástico e artesão, difundiu a tapeçaria de decoração em macramê na cidade de Aracaju e instalou um movimentado ateliê que funcionava também como escola para a formação de artesãos na avenida Barão de Maruim. No mesmo endereço, o marchand Luiz Adelmo criou uma galeria de arte que reunia trabalhos dos mais importantes dentre os artistas plásticos de Sergipe.

Os últimos anos da sua vida Luiz Adelmo dedicou a gestão da Galeria de Arte Álvaro Santos, espaço público de difusão das artes plásticas. A Galeria construída e inaugurada pelo prefeito Godofredo Diniz, na década de 60 do século XX, ganhou uma programação ativa e movimentada sob Luiz Adelmo que buscou modernizar a instituição.

 A morte de Luiz Adelmo retira do cenário sergipano um agitador cultural que nos deixará órfãos. Do mesmo tipo de orfandade que padecemos com o desaparecimento de intelectuais como Clodoaldo de Alencar Filho, Osires Rocha, Luiz Antônio Barreto, Amaral Cavalcante, Fernando Sávio, Garcia Moreno, Antônio Garcia Filho e tantos outros que poderíamos enumerar.

Para os que ainda vivem, fica o registro de um intelectual que soube trafegar em meio a muitas ousadias protagonizadas por um conservador iconoclasta.

Jornalista, professor, doutor em Educação, membro da Academia Sergipana de Letras e presidente da Academia Sergipana de Educação.

Texto reproduzido do blog: educacaohistoriaepolitica.blogspot.com

'Luís Adelmo foi brilhar com a estrela Dalva', por Clara Angélica Porto

Legenda da foto: Imagem reproduzida do Facebook/Luiz Adelmo Soares de Souza e postada pelo blog

Texto publicado originalmente no Perfil do Facebook de Clara Angélica Porto, em 20 de julho de 2021

Luís Adelmo foi brilhar com a estrela Dalva
Por Clara Angélica Porto

Conheci-o ainda adolescente. Dançamos muitos carnavais, caminhamos muitas noites de conversas e gargalhadas pela Ivo do Prado, namorando o rio Sergipe. No Rio de Janeiro, dirigiu Leila Diniz no show por ele criado Tem Banana na Banda, com participação especial de Dalva de Oliveira. Fez questão que eu fosse. E fui! Estava de visita ao Brasil e ao Rio. Leila, com a bebê Janaína no camarim para amamentar, abusava, vestida de vedete com muitas plumas e paetês, de mostrar o corpo perfeito de dois meses de parida. Enchia o show de cacos, reescrevia tudo. Maravilhosa, solta, escolhia o mais sisudo cavalheiro da plateia para sentar no colo e mostrar o peito cheio de leite, perguntando se ele estava com sede. O público se deliciava. Leila podia fazer tudo, o que lhe desse na cabeça e todo mundo amava. Luís Adelmo estava no auge do sucesso que teve no Rio. Na plateia, eu, toda orgulhosa dele, Denner, Chico Buarque e Tarso de Castro. Nosso plano secreto era ele dar um jeito de eu dançar com Chico, mas Chico estava bêbado e dançou com Denner. E como resistir às pantufas de cetim bordado de Denner? Eu dancei com Tarso de Castro, no auge do Pasquim, por obra e graça de Luís. Bem, é verdade que Tasso ficou bem alegrinho em dançar com a moça de 22 anos. A pedido de Luís, Leila também chegou pra mim e disse que eu estava branquinha daquele jeito porque tinha chegado dos States. O show era lindo, todo solto, cada noite novas loucuras iam enriquecendo o texto. Quando Dalva entrou pra cantar, já bem idosa, ao soltar aquela voz imensa e tão bela, causou um verdadeiro delírio da plateia. Leila dizia depois que Dalva cantava porque o show precisava de alguém que sabia fazer alguma coisa, “porque eu não sei fazer nada, mas vocês gostam, não gostam?” Não tinha como não amar Leila Diniz e sair do show apaixonado. A intimidade das celebridades presentes com Luís Adelmo era a mesma que tinham entre si. E o humor cortante dele mais forte do que nunca, bem nutrido pelo sucesso do momento. Luís Adelmo viveu se reinventando. Aventurava-se, ousava, subia e descia sem nunca deixar de dançar a vida. Parecia daquelas pessoas que existem para sempre. E viveu assim, dessa maneira, até o fim. Fazia humor da própria doença que o consumia: “meu médico disse que já tenho câncer no corpo inteiro. Ainda bem que não tenho metástase”. Vou sentir a sua falta, Luís Adelmo. Tenho muitas lembranças boas de você.

Texto reproduzido do Facebook/Clara Angélica Porto

terça-feira, 20 de julho de 2021

"O Barracão de Luiz Adelmo", por Amaral Cavalcante

Foto reproduzida do Google

Foto reproduzida Facebook/Nestor Amazonas e postada pelo blog

Texto publicado originalmente no Perfil do Facebook/Amaral Cavalcante, em 9 de junho de 2017

O Barracão de Luiz Adelmo
Por Amaral Cavalcante

Viajávamos num submarino amarelo, movidos pelo gás psicodélico da contracultura. Nosso destino eram os oceanos de paz e amor que banhavam o mundo. Na colorida década de sessenta, éramos Hippie, sim senhor.

Aqui em Aracaju, como no resto do mundo ocidental, a juventude tinha dois modos de resistir aos fundamentos de uma civilização que caducava: o engajamento no ativismo político partidário ou o choque de costumes, a reinvenção de posturas existenciais pregadas pelo movimento Beat.

De qualquer modo, era a juventude lutando pelos ideais de plena liberdade e de respeito aos direitos individuais, acima de tudo.

Reconfigurava-se a cabeça dos bem nascidos e bem instalados no topo da pirâmide social, uma galera rica de nascença contida no sufoco de uma Aracaju provincial, querendo igualar-se em curtição e consumo ao glamour do mundo lá fora. Mas precisávamos de algum lugar, aqui, que desse guarida às nossas inquietações.

Foi então que voltou Luiz Adelmo regressando de experiências cariocas onde aprendera as demandas do consumo cultural e suas possibilidades comerciais. Trazia histórias empolgantes: Intimidade com as estrelas, notícias de um mundo fantástico que existia pra lá do Vaza Barris, no Sul Maravilha do Teatro Opinião, nos bares de Ipanema e nas luzes estreboscópicas do Hippopótamus.

Adelmo sempre foi um visionário e voltou para cá na hora certa.

Abriu o primeiro bar multicultural de Aracaju, o “Barracão”, em imóvel alugado na Atalaia. Virou point obrigatório. Foi o Bar que nos acostumou a rumar para a praia, fosse como fosse: de carona ou dissimulado no transporte da Bonfim para encontrar consonância e abrigo psicodélico num bar que reunia tudo. Todo mundo ia!

E como era chique o bar de Luiz Adelmo! Primeiro, ele pintou grandes margaridas sob fundo azul no muro da calçada e decorou o ambiente com profusas flores de papel crepon. Tudo na linha despojada, como convém a um bar na beira da praia, mas já era uma ousadia estética na mesmice provinciana.  Depois, inventou noites temáticas como a do “Amor e paz”, devidamente decorada com o símbolo do movimento Hippe. Tratou de armar matinês políticas onde a turma dos “engajados” pudesse tramar a derrocada do poder, encorajados pela valentia etílica de vários engradados de cerveja. Logo depois, teve de consentir bailes de máscara e outros rococós, para contentamento da freguesia gastante. Tudo bem! E se não fosse ali, onde haveríamos de estar? A pista que trazia Aracaju à Atalaia nunca estivera tão congestionada!

Mas a missão de Luiz Adelmo não era tão fácil! Toda vez que ele promovia uma festa ela acabava em briga de murro. Rapazes brigões se afirmavam assim, no esfrega-esfrega da luta corporal. Mesas de pernas pro ar, contas sem dono, prejuízo irrecuperável e intimações policiais resultavam sempre. Chegou o dia em que não deu mais pra segurar e Luiz Adelmo foi tratar de vida melhor em outros ramos.

Voltou a inovar com a Galeria de Artes “Horácio Hora”, onde, por muito tempo, fez da incipiente arte plástica sergipana um empreendimento lucrativo. Graças a Luiz Adelmo começamos a entender a função essencial do marchand e a instituir por aqui um mercado de artes plásticas.

O seu memorável bar, o Barracão, foi o precursor da Atalaia que temos hoje: um lugar onde curtimos os refrigérios da cidadania e demos vazão à nossa recém descoberta rebeldia.

Texto reproduzido do Facebook/Amaral Cavalcante

Câncer mata o jornalista Luiz Adelmo

Publicação compartilhada do site DESTAQUE NOTÍCIAS, em 20 de julho de 2021

O jornalista Luiz Adelmo dirigiu a Galeria Álvaro Santos por muitos anos

Câncer mata o jornalista Luiz Adelmo

Por Destaquenoticias

Vítima de câncer, morreu, nesta terça-feira (20), o diretor da Galeria Álvaro Santos, jornalista Luiz Adelmo Soares. Pelas redes sociais, o prefeito Edvaldo Nogueira (PDT) lamentou: “Muito triste com o falecimento de Luiz Adelmo Soares, jornalista, cerimonialista, atual diretor da galeria Álvaro Santos e grande impulsionador cultural. Tinha muito respeito e admiração pelo seu trabalho e pela sua pessoa. Toda minha solidariedade aos familiares e amigos”. O jornalista era irmão da ex-deputada federal Tânia Soares, ex-esposa do prefeito.

O também jornalista Luiz Eduardo Oliva registrou, com tristeza, a perda do amigo: “A morte do multifacetado Luiz Adelmo leva com ele o símbolo de uma época, o espírito irrequieto do seu tempo. Se digo multifacetado cabe-lhe também a alcunha de homem plural, porque ele era único e ao mesmo tempo tantos como no Samba da Benção de Vinicius de Moraes!

Marcou a cena cultural sergipana, saindo de Estância e filho do riachãense Seu Aderbal. Passou pelo seminário (pensou em ser frade) e depois foi ao Rio de Janeiro e logo se integrou à cena artística. Ainda lembro garoto e o orgulho dos sergipanos ao vê-lo no célebre programa da TV Tupi “Almoço com as Estrelas” apresentado por Lolita Rodrigues.

Atuação no Rio de Janeiro

No Rio desenvolveu o talento para as artes plásticas e também se voltou para a produção quando foi um dos produtores do espetáculo “Tem Banana na Banda” uma espécie de teatro de revista com a lendária Leila Diniz dos anos 70, produção que lembrava sempre co. orgulho.

No final dos anos 70 voltou para Sergipe e aqui introduziu a tapeçaria como arte, com a técnica macramê com muitos seguidores. Inovou a coluna social e pode-se dizer que inaugurou a noite aracajuana na Atalaia com o Barracão no final dos anos 60, e já nos anos 80 comandou a Boate 147 à época a mais badalada casa noturna de Aracaju.

Fundar a Galeria Horacio Hora na Avenida Barão de Maruim nos anos 70 foi um ato de coragem e ousadia que movimentou o comércio das artes plásticas. Lá conheci o grande Zé de Dome. Luiz Adelmo era o irmão mais velho da ex deputada Tânia Soares e também das educadoras Yarinha e Ana Soares, as duas também já falecidas. Foi também empresário em Sergipe e Alagoas no ramo de decoração. Ultimamente era Diretor da Galeria de Arte Álvaro Santos.

Tinha uma inteligência sagaz, um extraordinário senso de humor, às vezes sarcástico mas sempre humor!

Há pessoas que incorporam o espírito de um tempo. Luiz Adelmo foi dessas, aconteceu e fez acontecer. Cabe-lhe a poesia da partida. Todas as homenagens a esse gigante sergipano. Aqui na terrinha, que tanto amou, ficamos com a sua saudade. Minha benção meu amigo, que tanto rimos e também tanto brigamos! Mas sobretudo tínhamos a amizade e a recíproca admiração. Saravá, como diria Vinicius de Moraes”.

O jornalista Elton Coelho também lamentou a morte de Luiz Adelmo:

“Luto. Quadrilha Maracangaia

Essa postagem, pessoal, se deve em função de ter sido o jornalista Luiz Adelmo um grande entusiasta da Maracangaia. Sempre que encontrava a mim ou Gilberto, falava e defendia nosso trabalho. Estimulava. Dizia que a gente era referência da tradição e que nunca deixássemos a causa. Registro meus sentimentos por esta perda. Um grande intelectual.

Elton Coelho, ex-componente e ex-presidente da Maracangaia”.

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

"A morte do multifacetado Luiz Adelmo..." (Luiz Eduardo Oliva)

Texto original do Facebook/Luiz Eduardo Oliva, em 20 de julho de 2021

A morte do multifacetado Luiz Adelmo leva com ele o símbolo de uma época.  Se digo multifacetado cabe-lhe também a alcunha de homem plural, porque ele era único e ao mesmo tempo tantos como no Samba da Benção de Vinicius de Moraes!

Marcou a cena cultural sergipana, saindo de Estância e filho do riachãense Seu Aderbal. Passou pelo seminário (pensou em ser frade) e depois foi ao Rio de Janeiro e logo se integrou à cena artística. Ainda lembro garoto e o orgulho dos sergipanos ao vê-lo no célebre programa da TV Tupi "Almoço com as Estrelas" apresentado por Lolita Rodrigues.

No Rio desenvolveu o talento para as artes plásticas e também se voltou para a produção quando foi um dos produtores do espetáculo "Tem Banana na Banda" uma espécie de teatro de revista com a lendária Leila Diniz dos anos 70, produção que lembrava sempre com orgulho.

No final dos anos 70 voltou para Sergipe e aqui introduziu a tapeçaria como, com a técnica macramê com muitos seguidores. Inovou a coluna social e pode-se dizer que inaugurou a noite aracajuana na Atalaia com o Barracão no final dos anos 60, e já nos anos 80 comandou a Boate 147 à época a mais badalada casa noturna de Aracaju.

Fundar a Galeria Horácio Hora nos anos 70 foi um ato de coragem e ousadia que movimentou o comércio das artes plásticas. Lá conheci o grande Zé de Dome. Luiz Adelmo era o irmão mais velho da ex deputada Tânia Soares e também das educadoras Yarinha e Ana Soares, as duas também já falecidas.   Foi também empresário em Sergipe e Alagoas no ramo de decoração.  Ultimamente era Diretor da Galeria de Arte Álvaro Santos.

Tinha uma inteligência sagaz, um extraordinário senso de humor, às vezes sarcástico mas sempre humor!

Há pessoas que incorporam o espírito de um tempo. Luiz Adelmo foi dessas, aconteceu e fez acontecer.  Triste com a perda do grande amigo. Todas as homenagens a esse gigante sergipano.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Luiz Eduardo Oliva

'O elegante e sábio Luiz Adelmo partiu no dia do amigo..." (Antônia Amorosa)

Postagem original do Facebook/Antônia Amorosa Sergipana, em 20 de julho de 2021

Nosso último encontro aconteceu na Exposição em homenagem ao poeta das sínteses, Araripe. Você ficou encantado com tudo que viu e maravilhado com um cantinho especial, criado por @marimalb - "Este espaço está perfeito!" Exigente como você sempre foi, um elogio seu representava nota 10 em uma prova. A precisão do seu olhar, a sagacidade da sua opinião, o bom gosto transbordando em tudo que fazia, a ousadia de não levar para casa nenhum desaforo, o seu silêncio gritante quando percebia que era ignorado por quem você escolhia amar, marcava seu estilo de ser. Mas, quem ganhava seu coração tinha acesso a um mundo de inteligência e saberes. Sergipe fica mais pobre sem você! Acredito, inclusive, que Sergipe teve um gênio que não foi verdadeiramente reconhecido.

O elegante e sábio Luiz Adelmo partiu no dia do Amigo, deixando na terra os amigos que ele, seletivamente, escolheu. Quem o conheceu e venceu os níveis da sua exigência, teve ao seu lado, um precioso amigo.

Vá com Deus, Luiz! Foi uma honra para mim, ter lhe conhecido.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antônia Amorosa Sergipana

Jornalista Luiz Adelmo morre em Aracaju

Publicação compartilhada do site do jornal CORREIO DE SERGIPE, em 20 de julho de 2021

Jornalista Luiz Adelmo morre em Aracaju

Da redação, AJN1

O jornalista e curador da galeria Álvaro Santos, Luiz Adelmo Soares de Souza, 79, morreu na madrugada desta terça-feira (20). A informação é que ele já vinha enfrentando problemas de saúde. Luiz Adelmo já atuou em vários jornais, emissoras de Rádio e TVs de Sergipe, e foi cerimonialista no governo de Augusto Franco. O corpo está sendo velado no Osaf, da rua Itaporanga.

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT), usou as redes sociais para lamentar a morte do jornalista. “Muito triste com o falecimento de Luiz Adelmo Soares de Souza, jornalista, cerimonialista, atual diretor da galeria Álvaro Santos e grande impulsionador cultural de Sergipe. Tinha muito respeito e admiração pelo seu trabalho e pela sua pessoa. Que vá em paz, meu amigo! Toda minha solidariedade aos familiares e amigos de Luiz”.

O ex-governador Jackson Barreto prestou solidariedade aos amigos e a família. “Meus sentimentos e toda solidariedade aos familiares de Luís Adelmo. Um amigo que contribuiu muito com à cultura em nosso estado. Vá em paz amigo”.

A cantora Antonio Amorosa também usou as redes sociais para homenagear o jornalista. “O elegante e sábio Luiz Adelmo partiu no dia do Amigo, deixando na terra os amigos que ele, seletivamente, escolheu. Quem o conheceu e venceu os níveis da sua exigência, teve ao seu lado, um precioso amigo. Vá com Deus, Luiz! Foi uma honra para mim, ter lhe conhecido”, diz um trecho da postagem da artista.

Texto e imagem reproduzidos do site: ajn1.com.br