segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Itabaiana – 350 anos

Airton Mendonça Teles

Artigo compartilhado do site 93 NOTÍCIAS, de 22 de setembro de 2024

Itabaiana – 350 anos. Passos Porto, Maria Thetis, Fernando Nunes, Alberto Carvalho, Elias Andrade e Airton Teles.

Por Antonio Samarone*

Antes do Murilo Braga, os poucos itabaianenses que se formaram: Fernando Nunes, formado em Direito, pela Universidade do Brasil, no Rio de janeiro; Maria Thetis Nunes; Alberto Carvalho; Passos Porto, o primeiro da turma de agronomia em Cruz das Almas, na Bahia; Elias Andrade, o melhor aluno de engenharia em Salvador e Airton Mendonça Teles, médico formado na Bahia, em 1947.

Airton Mendonça Teles (foto) nasceu em Itabaiana, em 07 de outubro de 1924, filho do líder político Manoel Teles e Dona Pequena. Deputado estadual e federal. Faleceu em 25 de junho de 1960, aos 35 anos. Acidente aéreo, na Baia de Guanabara.

Passos Porto nasceu em Itabaiana em 28 de dezembro de 1923, filho de Eliezer Porto e Ana Passos Porto. Fez o primário em Itabaiana, com a professora Maria da Glória Ferreira, numa escola isolada, onde todo o primário era ensinado numa única sala.

Durante a seca de 1932, Passos Porto vivia em Itabaiana, e fez um relato realista:

“Eu era criança, tinha apenas 9 anos, quando assisti a maior tragédia de um povo solidário e isolado, sem água, sem comida, sem recursos, importando até farinha de mandioca que, naquela época, vinha de Minas Gerais e se chamava farinha de barca. Para resolver o problema de comida dos retirantes, Maynard Gomes, que era o Interventor Federal, dava para cada sujeito, dois litros de milho em troca do trabalho suado da construção das rodovias Itabaiana/Frei Paulo e Itabaiana/Aracaju.” Passos Porto – Jornal da Cidade, 16/02/1992.

Em 1936, Passos Porto deixou Itabaiana, para fazer o curso ginasial, interno no Colégio Salesiano, em Aracaju. Fez o científico no Atheneu. Formou-se em 1946, sendo o primeiro da turma e o orador oficial.

Othoniel Dorea, chefe politico em Itabaiana, era casado com uma tia de Passos Porto. A sua entrada na política ficou fácil. O caminho foi a UDN, sendo apadrinhado por Leandro Maciel. Foi Deputado Federal por 4 mandatos e Senador da República. Como diretor-geral do Senado, Passos Porto levou Cosme Fateira, irmão de Chico do Cantagalo, para Brasília.

Mesmo tendo feito politica fora de Itabaiana, as suas raízes eram profundas. Casou-se com uma conterrânea, Maria Terezinha Santos Porto, irmã de Juca Cego. Passos Porto faleceu em Aracaju, em 2010, aos 86 anos.

Alberto Carvalho, nasceu em Itabaiana, em 03 de novembro de 1932, filho Ivo Carvalho (Seu Vivi alfaiate) e Maria Elisa (Dona Iaiazinha).

Quando menino, Alberto vendeu as tradicionais balas de café da mãe, no cinema de Zeca Mesquita. Formado em ciências jurídicas em 1956. Alberto Carvalho foi o primeiro itabaianense a ensinar na UFS. Alberto é o autor da letra do hino do Tremendão e dar nome ao Campus da UFS. Faleceu em 24 de abril de 2002, aos 70 anos.

“Minha infância em Itabaiana foi igual a qualquer menino: peladas, brinquedos rústicos, brigas em que sempre levava a pior e uma biografia rica: caxumba, sarampo, tifo.” – Alberto Carvalho.

Elias Pereira de Andrade nasceu em Itabaiana, em 20 de julho de 1920, filho de Pedro Pereira Andrade (Pedro de Cesário) e Dona Josefa Andrade. Irmão de Seu Filomeno e irmão por parte de pai, da famosa professora Maria Pereira.

Elias Andrade fez o primário no Colégio Tobias Barreto e o ginásio no Atheneu. Formou-se em engenharia na Universidade da Bahia. Ficou conhecido como Elias 9,8… pois nunca tirou uma nota menor, em nenhuma prova. Faleceu precocemente, em 10 de novembro de 1950, com apenas 30 anos. Acidente de avião, sobrevoando o aeroporto de Fortaleza.

Fernando Barreto Nunes, irmão de Maria Thetis, nasceu em Itabaiana, em 26 de junho de 1924, filho de José Joaquim Nunes e Maria Anita Barreto Nunes. Fez o primário com a mesma professora de Passos Porto e Elias Andrade, Maria da Glória Ferreira.

No mesmo caminho, Fernando Nunes veio para Aracaju em 1935, fazer o ginásio no Colégio Tobias Barreto, do conceituado professor Zezinho. Também fez o científico no Atheneu. Formou-se em Direito, no Rio de Janeiro. Em novembro de 1998, Fernando Nunes falece em Aracaju.

Já a historiadora Maria Thetis Nunes, também de Itabaiana, irmã de Fernando, fez o curso primário, com a professora Izabel Esteves de Freitas, carinhosamente chamada de Dona Bebé, responsável pela cadeira feminina.

A vontade de estudar, a seca de 1932 e o medo de Lampião, expulsaram Maria Thetis de Itabaiana. Ela Fez o ginásio no Atheneu. Foi aprovada em primeiro lugar no vestibular da faculdade de Filosofia da Bahia, aos 19 anos. Com certeza, Thetis foi o grande nome de Itabaiana, no século XX. Faleceu em Aracaju, em 25 de outubro de 2009, aos 85 anos.

“Em 1930, havia em Itabaiana quatro escolas primárias na sede, sendo duas para o sexo masculino e duas femininas e nove nos povoados. O ensino restringia-se ao primário. Até esse período não havia grupo escolar, esse só foi construído em 1937, na administração de Silvio Teixeira, incorporando as crianças dispersas em escolas isolada.” – Adriana A. Santos.

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* Antonio Samarone – médico sanitarista.

Texto e imagem reproduzidos do site: 93noticias.com.br

domingo, 22 de setembro de 2024

Uma breve história do pioneirismo feminino na magistratura sergipana

 Josefa Paixão de Santana

Clara Leite de Rezende

Marilza Maynard de Carvalho 

Artigo publicado originalmente no site TJSE, em 6 de março de 2023 

8 de Março: Justiça e Igualdade – uma breve história do pioneirismo feminino na magistratura sergipana

Por Luiz Paulo Teixeira

“Naquela época havia o preconceito terrível de que ‘mulher não é para isso’. Pois, eu fui lá, me inscrevi, e graças a Deus, passei no concurso” relembra Josefa Paixão de Santana, primeira juíza estadual da história de Sergipe, ainda em 1970. Nesta reportagem especial da Diretoria da Comunicação do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE) em celebração ao Dia Internacional da Mulher, confira um breve histórico do pioneirismo feminino no Judiciário Sergipano.

No projeto Vivas Memórias, organizado pela Presidência e Comunicação do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), a magistrada aposentada conta que precisou lidar com a desconfiança da própria sociedade da época desde a sua nomeação. “O conhecimento jurídico eu tinha, tanto que fiquei em 3º lugar no certame. E o tempo mostrou o quanto valeu a pena”, ressalta a magistrada natural de Lagarto, que foi ainda professora de Direito na Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Corregedora-Geral da Justiça (2003/2005), evoluindo o sistema de Correição Eletrônica.

1ª Presidenta

Pioneirismo e modernização também foram as marcas da carreira da desembargadora Clara Leite de Rezende, primeira mulher presidenta do TJSE (1995-1997) e do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/SE – 1990/93). “O concurso de 1970 foi o primeiro que as mulheres se interessaram em fazer e muitas ingressaram na magistratura. Pela minha classificação, era para eu assumir as minhas funções em Nossa Senhora dos Dores, mas acabei indo para Nossa Senhora da Glória, porque um desembargador da época, que depois se tornaria um amigo, não queria mulher por lá”, revela a desembargadora nascida em Riachuelo, no Vivas Memórias.

A magistrada relembra ainda toda a expectativa que antecedeu à sua eleição como presidenta do TJSE e a necessidade de modernização da corte. “Achando que não poderia ser eleita, fiquei muito reservada. Mas quando saiu o resultado, consegui montar uma equipe muito boa, que trabalhou em cima de um projeto que buscou modernizar a máquina judiciária, ampliar o número de varas, desenvolvendo a estrutura física dos prédios e capacitar os servidores. Tudo para ter um tribunal atuante, melhorando prestação judicial para a população”, ressalta a magistrada, cuja gestão no TJSE foi responsável pela obra do Fórum Gumersindo Bessa, maior do Estado, e instalação dos juizados especiais cíveis e criminais, desobstruindo a questão processual.

Múltiplas Funções

Também ex-presidenta do TJSE, ex-corregedora-geral e desembargadora aposentada, Marilza Maynard de Carvalho relembra que já no seu tempo de faculdade de Direito na UFS, as mulheres começavam a ocupar as vagas em sala de aula, mas a transição para as carreiras jurídicas ainda era difícil. “Elas ainda ficavam muito retraídas, mas a minha turma foi privilegiada, com muitas colegas assumindo postos importantes no sistema judiciário”, conta a magistrada laranjeirense no Vivas Memórias, que tomou posse como juíza no final de 1971.

Além da perda do pai pouco tempo antes da posse e do matrimônio recém-contraído, a desembargadora Marilza Maynard precisou assumir logo de início a prestação jurisdicional de 10 municípios ribeirinhos do São Francisco, por questões de saúde do juiz responsável pela outra comarca. “Um começo complicado, mas prazeroso. Uma verdadeira formação como magistrada, na prática”, destaca a desembargadora, que na presidência do TJSE (2005-2007) conseguiu desenvolver projetos reconhecidos nacionalmente que modernizaram e racionalizaram todo o sistema Judiciário Sergipano, como o Juizado Virtual, a Central da Conciliação e o Diário da Justiça Eletrônico, além de vários Mutirões de Conciliação.

Composição Atual

Em toda a sua história, o TJSE já teve 13 desembargadoras, sendo que sete destas assumiram a Corregedoria-Geral e três foram alçadas ao cargo de presidenta – desembargadoras Clara Leite de Rezende, Marilza Maynard Salgado de Carvalho e Célia Pinheiro. Na atual composição, das 13 vagas de desembargador, quatro são ocupadas por mulheres – desembargadoras Ana Lúcia Freire dos Anjos, Elvira Maria de Almeida Silva, Iolanda Santos Guimarães e Ana Bernadete Leite de Carvalho Andrade (atual Corregedora-Geral).

“Com a ampliação do acesso e igualdade de condições, é natural que as mulheres ocupem ainda mais espaços, não só dentro da magistratura, mas também no Ministério Público, nos cargos políticos e em outras carreiras”, explica a Desa. Iolanda Guimarães, atual Diretora da Escola do Judiciário de Sergipe (Ejuse) e que dentre as mulheres é a que está há mais tempo no TJSE.

A magistrada, que ingressou como juíza estadual ainda em 1989, diz que a maior participação feminina traz um novo olhar ao judiciário. “Mais inovação para as políticas públicas e uma outra atitude frente aos desafios do cotidiano. Temos lutado para reduzir todo tipo de violência contra as mulheres, como no assédio. Uma recomendação do CNJ que estamos colocando em prática, seja pela Coordenadoria da Mulher ou em outras ações”, destaca.

Desembargadoras no TRE-SE

Com a posse da desembargadora Elvira Maria na corte eleitoral, o TRE-SE chega em 2023 à sua sétima presidenta. “Um grande desafio que vamos enfrentar com muita felicidade e a realização de um sonho, porque antes de me tornar juíza estadual e desembargadora do TJSE, eu já havia ingressado como servidora concursada do tribunal eleitoral”, explica a magistrada itabaianense, que também já foi corregedora-geral da Justiça (2019-2021).

A desembargadora se tornou juíza estadual através do concurso de 1983 e diz que a missão é manter o TRE como um tribunal com padrão de excelência na justiça eleitoral. “Nós mulheres estamos ocupando o nosso espaço de direito e cumprindo muito bem as obrigações. Além de capacidade, temos muita intuição, coração e pé no chão para resolver as coisas”, ressalta a nova presidenta.

Compõe também a nova mesa diretora da corte eleitoral sergipana a desembargadora Ana Lúcia dos Anjos. “Quando era estagiária de Direito no TJSE e apenas sonhava em ser magistrada, tive contato com essas mulheres tão importantes. Juízas e desembargadoras, com capacidade e competência que nos inspiravam, abrindo o caminho para todas nós”, relembra a magistrada, que ingressou como juíza ainda em 1989.

A nova vice-presidenta e corregedora destaca a importância de Sergipe ter uma direção do TRE 100% feminina. “Ter duas mulheres a frente da corte eleitoral é um exemplo para a sociedade de que podemos ocupar qualquer cargo, seja dentro ou fora do judiciário. Um estímulo para que outras possam sonhar e colocar os seus planos de vida e carreira em prática. Nós podemos tudo!”, conclui.

Texto e imagens reproduzidos do site: www tjse jus br/portal

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Morrem os amigos e vizinhos da rua Socorro, BETO & DINHA

Beto, Robertinho, um dos filhos, a neta e Dinha.

Isabela, Beto, Dinha e a neta.

Postagem no instagram de Isabela Baptista, nora do casal.

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Comentário de Guilherme Maynard

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Faleceram no mês de agosto de 2024, os amigos e vizinhos, Beto & Dinha. Os mesmos moravam na rua Socorro esquina com Lagarto, no bairro São José (próximo ao Largo do Carro Quebrado), em Aracaju. O Beto era funcionário aposentado do Ministério do Trabalho, em Sergipe e Dinha, era filha do Seu Abílio e Dona Josefa, muito conhecidos na região, por terem sidos proprietários de um armazem, onde podia se comprar, as cocadas mais gostosas da cidade... (MD).

Sergipanos se despedem da ex-senadora Maria do Carmo Alves



Crédito fotos: f5news e Marcos Oliveira/Senado.

Publicado originalmente no site F5NEWS, de 1 de setembro de 2024 

Sergipanos se despedem da ex-senadora Maria do Carmo Alves

Familiares e autoridades valorizam sua atuação pelo desenvolvimento do Estado 
  
Por F5News

A ex-senadora Maria do Carmo Alves, 83 anos, foi enterrada na tarde deste domingo (01) sob muitas homenagens de familiares, amigos, admiradores e autoridades políticas. O sepultamento ocorreu no cemitério Colina da Saudade, em Aracaju.

Centenas de pessoas estiveram no velório de Dona Maria para prestar condolências à sua família. Tanto o governo do Estado, quanto a Prefeitura de Aracaju e até mesmo o Senado Federal decretaram luto oficial pela morte da advogada, que foi a primeira mulher sergipana a ocupar uma cadeira na Casa Alta do Congresso Nacional.

Uma missa de corpo presente marcou o encerramento das homenagens póstumas antes do sepultamento. Maria faleceu após a descoberta repentina de um câncer de pâncreas, já em estágio de metástase, que a levou à internação hospitalar no final de agosto com um quadro de infecção.
Para a família, apesar da rapidez com que o quadro de saúde da ex-senadora se agravou, o legado construído ao longo de sua vida e a concretização dos seus últimos desejos servem de conforto neste momento de despedida.

“O seu principal ensinamento foi de que a gente tem que ser mais gente, sabe? A gente está nessa vida é pra ajudar aos outros, que quanto mais a gente divide, mais a gente tem”, disse José Luciano Filho, sobrinho neto de Maria do Carmo, que trabalhou com a ex-senadora em seu último mandato, acrescentando que “ela soube aproveitar bem todas as fases da vida dela”.

A morte da ex-senadora Maria do Carmo trouxe consternação aos mais diversos setores da sociedade sergipana e ganhou repercussão nacional por ter sido ela a primeira mulher a cumprir três mandatos consecutivos no Senado Federal. Foram 3 eleições, em 1998, 2006 e 2014, somando 24 anos ininterruptos como senadora.

“Tenho a honra de ter assumido a cadeira dessa mulher, que é um símbolo do protagonismo feminino na política. Seu legado ficará para sempre no coração de todos os sergipanos”, afirmou o senador Laércio Oliveira, ao manifestar pesar pela morte da antecessora no Senado.

“Ao longo da sua trajetória política, Maria sempre lutou pelos aracajuanos e sergipanos, em especial, os mais necessitados. Em seus três mandatos consecutivos como senadora, ela contribuiu de maneira significativa com as cidades, destinando emendas para diversas áreas, inclusive, para a nossa capital, durante as minhas gestões, sendo uma grande parceira”, publicou o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira.

Para o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, o estado perdeu a baluarte das políticas públicas voltadas à assistência social. “Seu olhar técnico e trabalho sensível inspirou e abriu caminhos para as sergipanas na política.Como uma mãe, cuidou, ensinou e viverá para sempre nos corações de todos os sergipanos”, disse. 

Sua carreira política foi ligada à de seu marido, João Alves Filho, que foi duas vezes prefeito de Aracaju e três vezes governador de Sergipe. Ela deixa três filhos, netos e irmãos.

Texto e imagens reproduzidos do site: www f5news com brom br/cotidiano

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