Fonte da Foto: Revista Manchete
Joel Silveira foi correspondente dos Diários Associados na Segunda Grande Guerra
Fonte da Foto: Agência Nacional
Fonte da Foto: Agência Nacional
Publicado originalmente no site do CINFORM, em 19 de fevereiro de 2019
Exposição “Tempo de Contar” celebra Centenário de Joel
Silveira
Da Redação
Por Suyene Correia [suyenecorreia@cinform.com.br]
Apesar de seu nome estar estampado numa das pontes mais
importantes de Sergipe, de ter sido um
dos poucos correspondentes brasileiros na Segunda Grande Guerra, ser
considerado um dos mais importantes jornalistas do Brasil e um dos precursores
do “New Journalism”, Joel Silveira ainda é uma personalidade desconhecida para
muitos de seus conterrâneos.
Por isso, a exposição “Tempo de Contar- Centenário de Joel
Silveira”, em caráter permanente, na Biblioteca da Universidade Tiradentes
(UNIT), Campus Farolândia, tem como um dos principais objetivos, oportunizar ao
público que circula pelo prédio, um contato com a história desse ilustre
sergipano.
Dividida em dois núcleos, a exposição sob a curadoria da
historiadora Sayonara Viana e da diretora da Biblioteca da UNIT, Maria Eveli
Pieruzi de Barros Freire, conta com uma parte introdutória, em que através de
uma linha do tempo, é possível acompanhar fatos marcantes da vida desse
lagartense, nascido no dia 23 de setembro de 1918.
O segundo núcleo é dedicado ao Memorial Joel Silveira, onde
se encontra parte da sua biblioteca particular, assim como fotografias,
bilhetes de personalidades da área artística, medalhas, troféus e diplomas
recebidos ao longo da sua carreira profissional.
O acervo de Joel Silveira chegou em agosto de 2018, à UNIT,
a partir da doação da filha do homenageado, Elizabeth Silveira. Ela pensou em
doar o acervo pessoal do pai para a Biblioteca Nacional, mas ao ser convidada
para participar de evento comemorativo do centenário de nascimento de Joel
Silveira, na Universidade Tiradentes, preferiu que esse rico material viesse
para Sergipe.
Durante três meses, os quase seis mil itens do acervo foram
tratados, higienizados e catalogados por uma equipe especializada na própria
universidade particular. A partir daí, começaram os trabalhos de seleção dos
itens que serviriam para a exposição, tendo em vista que era um material muito
diverso, da década de 1930 até a morte do jornalista, no dia 15 de agosto de
2007.
“Pesquisando sobre sua obra completa, escolhemos ‘Tempo de
Contar’ (1985) para auxiliar na narrativa da exposição, que começa pela
infância, seguindo pelo início dos trabalhos como jornalista e escritor, até
sua participação como correspondente da Segunda Grande Guerra. Em várias
entrevistas, inclusive, Joel Silveira disse que amadureceu muito durante essa
cobertura. Ele voltou, aparentemente, mais velho, mais maduro e com um texto
mais brilhante”, explica Sayonara Viana.
A acidez dos seus textos fez com que recebesse a alcunha de
víbora, pelo chefe Assis Chateaubriand, que lhe dá como primeira missão, nos
Diários Associados, a possibilidade de cobrir a Segunda Guerra Mundial. Mas
antes de chegar a esse ponto alto da carreira do jornalista sergipano, o
visitante percorrerá um caminho definido pelas curadoras, através de plotagens
nas paredes- idealizadas pela designer Gabi Ettinger-, onde é possível
acompanhar sua trajetória de vida, da infância até a fase adulta, bem como
frases de sua autoria, de jornalistas que apreciam o seu trabalho e até uma
poesia, “Quantos Caminhos Há no Mundo”, enviada para seu irmão Paulo, quando
Joel já morava no Rio de Janeiro.
Com apenas 14 anos de idade, Silveira já escrevia em “A Voz
Operária” e liderava o Grêmio Literário Clodomir Silva, do Colégio Atheneu
Pedro II. Também chegou a escrever em “A Voz do Atheneu” e, em 1936, escreveu
seu primeiro romance “Desespero”, sendo contemplado com o prêmio Clodomir
Silva. Com 19 anos, partiu no navio Itagiba em direção ao Rio de Janeiro, a fim
de estudar Direito e se distanciar do pai que tinha pensamentos “burgueses”
demais para o gosto do jovem esquerdista.
Lá, começou a trabalhar no “Dom Casmurro”, a mais importante
publicação literário-jornalística dos anos de 1930, que contava com nomes ilustres,
a exemplo de Carlos Lacerda, Rachel de Queiroz, Aníbal Machado, Cecília
Meireles, Graciliano Ramos, Jorge Amado.
Após esse contato com parte da intelectualidade carioca,
Joel Silveira trabalharia ainda na revista Diretrizes, onde escreveria uma crônica
“1943: Eram assim os Grã-finos em São Paulo”, chamando a atenção de Assis
Chateaubriand, que o contratou tempos depois para os Diários Associados. Foi
aí, que o jornalista sergipano se notabilizou no jornalismo brasileiro, como o
correspondente estrangeiro mais jovem (26 anos) a cobrir a Segunda Guerra
Mundial.
Na primeira parte da exposição, é possível conferir algumas
fotos do jornalista no front italiano, onde passou 10 meses e cuja experiência
singular, pode ser conferida no livro “Inverno da Guerra”, lançado em 2005.
Além disso, também foram plotadas caricaturas dos amigos Manuel Bandeira e
Cândido Portinari, a partir dos originais, presenteados por Augusto Rodrigues.
Mas é na sala reservada para o Memorial Joel Silveira,
propriamente dito, que a exposição ganha força. A primeira coisa que nos
deparamos, quando entramos no recinto, é a famosa estante da “Víbora” que
continha um compartimento central, onde ele guardava suas garrafas de uísque 12
anos. Nesse móvel, que foi totalmente reformado, é possível encontrar em suas
prateleiras, clássicos da literatura universal e brasileira, além da
bibliografia completa do jornalista (foram 47 títulos).
Alguns troféus e prêmios importantes também chamam a atenção
dos visitantes, a exemplo do Jabuti de 1986, concedido ao autor pelo lançamento
de “Tempo de Contar”; o VI Prêmio Líbero Badaró- Destaque do Ano e uma peça em
azulejo tendo o rosto de Joel Silveira, pintada por Rosa Faria, na época em que
ele foi Secretário de Cultura do Estado de Sergipe, no final dos anos de 1980.
Numa das paredes do Memorial é possível observar fotos de
Joel Silveira com familiares (irmãos, esposa, filhos e netos); com colegas de
trabalho, como a icônica foto com os escritores que trabalhavam no Dom
Casmurro; na cobertura da Segunda Grande Guerra e como correspondente
internacional da revista Manchete, onde trabalhou 16 anos, tendo como chefe
Zevi Ghivelder.
Também expostos na parede, é possível ler alguns bilhetes
endereçados a Joel Silveira, por amigos ilustres como Aníbal Machado, Rubem
Braga, Drummond, Caymmi, Jânio Quadros e Di Cavalcanti. Não faltam diplomas,
medalhas, prêmios e até mesmo um certificado inusitado: o Título de Primeira
Linha da Panair 1952, por ser um passageiro assíduo da empresa aérea.
Como se não bastasse tudo isso, várias estantes de ferro que
ocupam a parte central da sala acolhem, em suas prateleiras, os livros que um
dia Joel Silveira folheou. É possível encontrar títulos em várias línguas como
japonês, russo, alemão, francês e inglês. Mas a maioria das publicações, que
podem ser consultadas pelos visitantes, está em português, sendo algumas
edições raras e até autografadas pelos autores.
A exposição de caráter permanente pode ser visitada de
segunda a sexta-feira, das 8 às 12h e das 14 às 18h, na Biblioteca da
Universidade Tiradentes- Campus Farolândia. O acesso é gratuito.
Texto e imagens reproduzidos do site: cinform.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário