Foto: Jorge Henrique.
Publicado no blog Malas Prontas, em 28/09/2014.
Um cantinho português em Sergipe.
Por Acácia Trindade.
Quem teve o privilégio de ir a Lisboa e saborear os pastéis
de Belém e os bolinhos de bacalhau, fabricados no Mosteiro dos Jerónimos, deve
sonhar até hoje em comer algo igual ou que se assemelhe. Não é que descobri
aqui, em Aracaju, um cantinho aconchegante onde pude desfrutar das delícias de
Portugal? Estou falando da lanchonete Luzitânia, que fica num pequeno espaço no
calçadão da rua Laranjeiras, vizinho da Igreja São Salvador, um ponto turístico
da capital. Fui recebida por um português legítimo, bom papo e que mostra logo
de cara que mantém as suas raízes vivas. O senhor Abel Emídio Gonçalves de
Oliveira, no alto dos seus 86 anos, usa a gastronomia para manter o contato
diário com as tradições da sua terrinha.
A idade pode até criar alguns limites para o senhor Abel
Emídio, mas não lhe rouba os sonhos. Ele sonha em trazer mais da sua querida
Portugual para os sergipanos e esse sonho ainda pode se transformar em um
grande restaurante, onde os sergipanos poderão saborear a verdadeira
bacalhoada, aquela que o filé se solta ao toque do garfo. Uma delícia... A
Luzitânia já foi loja de calçados lá nos idos de 1960 e uma década depois, se
tornou lanchonete. Muitas coisas se passaram na vida da família Gonçalves, mas
só as fortaleceu. Abel Emídio tem dois filhos, um casal, mas é o Abel Santana,
de 39 anos, que está capitaneando a lanchonete.
Juro que sentei no balcão da lanchonete meio descrente de
que iria provar um verdadeiro bolinho de bacalhau e um gostoso pastel de Belém,
que fiquei fã. A apresentação do prato estava bonita, mas à primeira mordida,
voltei ao tempo e juro que me deu vontade de fazer um ‘huuummm’... tão gostoso
como o da apresentadora Ana Maria Braga. O bolinho é de bacalhau mesmo, não de
massa. Saboroso demais e garanto que aqui em Sergipe não tem igual. Comi muito
e depois fui provar a sobremesa, finalmente, o sagrado pastel de Belém.
Foi outra grata surpresa. A massa do pastel de nata não tem
o mesmo sabor da receita do Mosteiro dos Jerónimos, mas se assemelha muito, é
uma delícia. Foi ai que Abel Emídio me contou que a sua esposa, Maria Clara,
atravessou o oceano em busca da receita. Passou 30 dias lá aprendendo a receita
do pastel de Belém. Não é que descobriu o segredo e agora o guarda a sete
chaves? O pastel é produzido na casa do casal e não na lanchonete, com os
outros salgados e doces. Tudo para não ser copiado.
Por fregueses antigos de Abel, jornalistas, artistas
plásticos, cantores, empresários e, alguns turistas que estavam no local,
fiquei sabendo que a lanchonete também oferece o melhor pastel de bacalhau de
Sergipe. Os sucos de frutas, sem agrotóxicos, que ele faz questão de frisar que
produz na sua própria chácara, são muito bons. Fui conhecendo espaço, conversa
vai conversa vem, e me deparei com outros produtos que Abel Emídio importa de
Portugal. A carta de vinhos não deixa a desejar. Tem diversos fornecedores das
mais diversas regiões de Portugal: Douro, Alentejo, Bairrada, Vinhos Verde e
Rosé, Ribatejo, Dão, Estremadura, Setúbal (Moscatel) e do Porto. Os azeites,
também são os queridinhos do senhor Abel. Ele tem azeite com acidez 0,2, que é
medicinal, produzido com as melhores azeitonas. Sem falar nas sardinhas, no
atum e em outras delícias portuguesas. É um verdadeiro cantinho português em
Sergipe.
Texto e imagem reproduzidos do
blogmalasprontas.com.br/sergipe

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