domingo, 26 de abril de 2026

Morre Dr. Marcos Simões


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Post compartilhado do Facebook/Eduardo Ferreira Dudu, de 25 de abril de 2026

EDUARDO FERREIRA – DUDU LAMENTA MORTE DO PSIQUIATRA DR. MARCOS SIMÕES

–  Nota destaca pesar pela perda e solidariedade à família.

Eduardo Ferreira – Dudu, jornalista, radialista e policial militar, manifestou profundo pesar pelo falecimento do Dr. Marcos José Andrade Simões, conhecido como Dr. Marcos Simões, ocorrido neste sábado (25), aos 73 anos, conforme informado pelo Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (SINDIMED) nas redes sociais. Em nota, Dudu se solidarizou com familiares e amigos neste momento de dor e ressaltou que Sergipe perde um grande nome da psiquiatria, deixando um legado importante na área da saúde.

Texto reproduzido de post do Facebook/Eduardo Ferreira Dudu

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Foto compartilhada do Instagram/Feloradaliri

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Morre o empresário sergipano Gilson Figueiredo, da Ótica Santana

Gilson atuou no ramo empresarial durante 75 anos 
Foto: Fecomércio-SE.

Publicação compartilhada do site INFONET, de 16 de abril de 2026 

Morre o empresário sergipano Gilson de Oliveira Figueiredo aos 99 anos

O velório de Gilson Figueiredo acontece a partir das 12h desta quinta-feira, 16, no Cemitério Parque Colina da Saudade

Morreu na manhã desta quinta-feira, 16, o empresário sergipano Gilson de Oliveira Figueiredo, aos 99 anos de idade. A informação foi confirmada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Sergipe (Fecomércio-SE). A causa da morte não foi divulgada.

O empresário é pai do presidente do Sindicato dos Lojistas de Sergipe (Sindilojas/SE), Gilson Figueiredo Filho, conhecido como Gilsinho, e atuou no ramo empresarial durante 75 anos, iniciando as atividades no negócio em 1958. 

O velório de Gilson Figueiredo acontece a partir das 12h desta quinta-feira, 16, no Cemitério Parque Colina da Saudade. Já o sepultamento, acontecerá a partir das 16h de hoje.

Biografia

Gilson iniciou as atividades no negócio ao comprar a ótica de seu Santana, em 1958. A empresa se estabeleceu e expandiu as atividades pelo período. Hoje o negócio é de seus filhos Gilsinho e Adriano e do genro Milton. Foi líder empresarial, participante ativo da vida sindical empresarial e de entidades de classe.

por Carol Mundim

Texto reproduzido do site: infonet com br

terça-feira, 14 de abril de 2026

Alese relembra a transferência da capital nos 171 anos de Aracaju


Quadro alegórico de Aracaju em 1855 – Cadastro de Sergipe 1933 
(acervo Paulo Roberto Dantas Brandão)

Pça. Inácio Barbosa, na Av. Ivo do Prado, preserva o obelisco em homenagem 
ao fundador da cidade (Foto: Ana Lícia Menezes/PMA)

Detalhe do mapa de Aracaju, 1875 – Arquivo Nacional. 
Ministério da Viação e Obras Públicas

Cartão postal com o Palácio Fausto Cardoso em 1914.
 Autoria desconhecida (coleção privada)

O Palácio Fausto Cardoso, hoje – Foto: Jadilson Simões (Alese)

Publicação compartilhada do site da ALESE, de 13 de março de 2026

 Alese relembra a transferência da capital nos 171 anos de Aracaju
Por Alessandro Santos Monteiro

No próximo dia 17 de março, a cidade de Aracaju celebra 171 anos de emancipação política, data que marca não apenas a criação da atual capital sergipana, mas também um momento decisivo para o desenvolvimento econômico, administrativo e institucional do estado de Sergipe. 

A história da capital está diretamente ligada à organização política da província e à consolidação do Poder Legislativo sergipano.Considerada hoje uma das capitais brasileiras com melhor qualidade de vida e conhecida por seu equilíbrio entre urbanização e natureza, Aracaju nasceu de uma decisão estratégica tomada no século XIX. 

Antes de sua fundação, a capital da província era a histórica cidade de São Cristóvão, quarta cidade mais antiga do Brasil e centro administrativo desde a emancipação de Sergipe.

Essa emancipação ocorreu em 8 de julho de 1820, quando Sergipe foi desmembrado da capitania da Bahia e elevado à condição de província do Império brasileiro. Durante os primeiros anos, São Cristóvão concentrou as funções políticas e administrativas, mas a distância do litoral e as dificuldades logísticas para o escoamento da produção agrícola passaram a representar um obstáculo para o crescimento econômico.

Foi nesse contexto que o então presidente da província, Inácio Joaquim Barbosa, liderou o processo de transferência da capital. Atendendo às demandas econômicas da época, sobretudo dos produtores de açúcar, ele defendeu a criação de uma nova cidade próxima ao litoral, com melhores condições portuárias e de navegação.

Assim, em 17 de março de 1855, foi sancionada a Resolução nº 413, aprovada pela Assembleia Legislativa Provincial e sancionada por Inácio Joaquim Barbosa, que elevou o Povoado de Santo Antônio do Aracaju à categoria de cidade, com a denominação de Cidade do Aracaju, e transferiu oficialmente a capital da província de São Cristóvão para Aracaju, incluindo as atividades da Assembleia Legislativa Provincial.

“Fica elevado à categoria de cidade o Povoado de Santo Antônio do Aracajú na Barra da Cotinguiba com a denominação de Cidade do Aracajú. (…) As reuniões da Assembleia Legislativa Provincial celebrar‑se‑ão desde já e d’ora em diante na mesma Cidade do Aracajú. (…) Fica transferida desde já da Cidade de São Cristóvão para a do Aracajú a Capital desta Província.”

O próprio nome Aracaju tem origem na língua tupi e significa “cajueiro dos papagaios”, referência à vegetação e à fauna características da região.

Por ironia, Inácio Barbosa veio a falecer naquele mesmo ano, em 6 de outubro de 1855, na cidade de Estância, vítima da epidemia de Cólera, que matou milhares de pessoas em Sergipe. Seus restos mortais foram inicialmente sepultados em uma cripta nos fundos da Catedral Metropolitana de Aracaju. Posteriormente, foram transferidos para uma praça que existia junto ao Mercado Thales Ferraz. Hoje, seus despojos repousam na Praça Inácio Barbosa, na confluência da Avenida Rio Branco, da Travessa Getúlio Vargas e do início da Avenida Augusto Maynard, em um obelisco alusivo à sua personalidade, conservado pela Petrobras.

Aracaju também se destaca por sua concepção urbanística inovadora para a época. Diferentemente de muitas cidades brasileiras que cresceram de forma espontânea, a nova capital foi planejada. Seu traçado urbano foi organizado em linhas retas e quarteirões regulares, formando um desenho geométrico semelhante a um tabuleiro de xadrez. A única curva permitida foi a da avenida que margeia o rio, imposta pelo próprio presidente da província.

O projeto foi elaborado por uma comissão de engenheiros liderada por Sebastião Basílio Pirro. A construção da cidade, no entanto, representou um grande desafio técnico. Grande parte da área escolhida era formada por mangues, pântanos e terrenos alagadiços, o que exigiu intervenções para permitir a implantação das primeiras ruas, prédios públicos e residências.

O núcleo inicial da nova capital foi organizado a partir do plano urbano elaborado pelo engenheiro Sebastião Basílio Pirro, que estruturou as primeiras quadras em um traçado regular conhecido posteriormente como “Quadrado de Pirro”, área planejada em forma de tabuleiro de xadrez que concentrou as primeiras quadras urbanizadas de Aracaju e as principais repartições administrativas da província. Foi nesse espaço, nas proximidades de onde hoje se localiza a Praça Fausto Cardoso, que passaram a funcionar as primeiras estruturas do governo e também as atividades do Poder Legislativo, inicialmente em instalações provisórias.  Apesar das dificuldades iniciais, Aracaju cresceu de forma ordenada e tornou-se, ao longo dos anos, o principal centro político, econômico e administrativo de Sergipe.

A história da capital sergipana também está profundamente conectada com a trajetória do Poder Legislativo estadual. A instituição que hoje é conhecida como Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe teve origem ainda no período provincial.

O Legislativo foi instituído em 1835, quando Sergipe passou a contar com sua Assembleia Provincial, criada após a reorganização política do Império. As primeiras sessões ocorreram no Convento de São Francisco, localizado em São Cristóvão, e posteriormente em um prédio conhecido como Casa de Balcão, vizinho ao antigo Palácio do Governo.

Com a transferência da capital para Aracaju em 1855, a Assembleia passou a funcionar nas proximidades da atual Praça Fausto Cardoso, área que se consolidou como o primeiro centro político e administrativo da nova capital. Posteriormente, o Parlamento sergipano ganhou sede própria no histórico Palácio Fausto Cardoso, construído entre 1868 e 1874, edifício que marcou por décadas a atividade legislativa do estado e que atualmente abriga a Escola do Legislativo.

Mais de um século depois, em 9 de maio de 1987, a Assembleia foi transferida para sua sede atual, o Palácio Governador João Alves Filho, localizado na Avenida Ivo do Prado, onde funciona até hoje.

Ao longo das últimas décadas, o Parlamento sergipano ampliou suas ações institucionais e mecanismos de transparência. Em 2003 foi criada a Escola do Legislativo João de Seixas Dória, voltada à formação cidadã e à capacitação técnica de servidores e da sociedade.

Outro marco importante foi a criação da TV Alese, em 2004, iniciativa que ampliou o acesso da população às atividades parlamentares. Desde 2017, o canal passou a operar em sinal aberto, reforçando a transparência das ações legislativas.

Ao completar 171 anos de emancipação política, Aracaju reafirma seu papel como centro administrativo e econômico do estado, além de símbolo da modernização que marcou Sergipe ao longo do século XIX.

A transferência da capital representou uma decisão estratégica que redefiniu o desenvolvimento do território sergipano. Junto com a cidade, também se consolidaram instituições fundamentais para a democracia estadual, entre elas a Assembleia Legislativa, que segue atuando como espaço de debate, representação e construção das políticas públicas para a população sergipana. Mais de um século e meio depois, a história de Aracaju continua sendo também a história da evolução política e institucional de Sergipe.

Nesse percurso histórico, a capital sergipana transformou-se em um espaço de memória, cultura e participação cidadã. Suas praças, edifícios públicos e instituições preservam marcas do passado e testemunham as mudanças que moldaram a vida política e social do estado, reafirmando Aracaju como cenário central das decisões que influenciam o presente e projetam o futuro de Sergipe.

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Com informações de: Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe; Stephanie Macedo / Agência de Notícias Alese; Armando Maynard / Blog Minha Terra é Sergipe; Portal F5News; Escritório de Artes Miguel Salles; Portal Rede Tupi.

Capa: Praça Fausto Cardoso, data não identificada, com destaque para o Palácio Fausto Cardoso, à esquerda, e para o Palácio-Museu Olímpio Campos, antiga sede do Governo do Estado. Arquivo do historiador e memorialista Murillo Melins. Fonte: Portal Infonet.

Texto e imagens reproduzidos do site: al se leg br/alese

domingo, 5 de abril de 2026

"Sem eliminar meus vícios", por Odilon Machado

O meu Cristo na Semana Santa de 2026

Artigo compartilhado do site INFONET, de 2 de abril de 2026

Sem eliminar meus vícios.
Por Odilon Machado (do blog Infonet)

No cimo de meus setenta e oito anos eu me contemplo com muitos vícios.

Eliminar vícios é coisa difícil. Quem quiser que os tenha!

Há o vício da bebida: não tenho!

Há o vício do cigarro: já o tive, por 15 anos, inclusive!

Há o vício da jogatina: Deus me livre tê-lo!

Nunca me animo a fazer uma fezinha, nem na loteria, seja quina ou sena, quando o prêmio acumula.

Há até mesmo o vício da pederastia, termo bastante utilizado, antigamente e hoje não tanto, para designar a homossexualidade enquanto perversão sexual.

Nunca o tive, como hábito ou vício!

Minha preferência é bem mais saudável, se posso assim dizê-lo sem inferir danos, mesmo porque sou o que se chama “animal doméstico”!

Em tempos hodiernos, acusar alguém de sodomita virou crime.

Hoje a sodomia virou tema simples de degustes, ou quem o sabe: “gustuum ad lamentandum”, outrora “gustus paenitentiae”, quando o gosto era grafado sem vício como “gustebus-us”, quarta declinação, salve engano, valendo o aforismo latino assaz famoso: “De gustibus, coloribus, et amores non disputantur”. Não se discutem gostos, cores e amores, ou…, quem bem quiser, que os tenha!

Todavia, hoje nem vale a pena referir, quanto mais lamentar.

Pelo menos, era assim. Hoje nem isso!, sob pena de nos impingirem uma corrigenda via lei; lex-leges, segunda declinação, “dura lex, sed lex”, no “cabelo só gumex”, brilhantina que eu usava, quando adolescente, para fixar os meus rebeldes cachos, em tempos idos e perdidos.

Tempos em que eu contraíra o único vício que tive, o tabagismo, se posso dizer assim, porque se fez único e resistente algum tempo no meu viver, consumidor que fui, por quinze anos seguidos da Souza Cruz, companhia de cigarros mais famosa, percorrendo todos os seus sabores do Continental ao Hollywood, tossindo com o Astória, o Gaivota, para mim o pior, tendo Columbia como o melhor, por mais caro, tragado por Dona Nani, cujo sarro resistia ao escarro, única mulher da minha meninice que dirigia sem esbarro o seu elegante automóvel pelas ruas tranquilas de Aracaju.

Dona Nani, lembro-a ainda, era uma mulher rija, autoritária, uma alma nobre que tomara para si a responsabilidade pela cobrança financeira dos associados do Same, entidade filantrópica surgida para minorar os sofrimentos da mendicância, num tempo em que a Diocese de Aracaju, tinha suas missas em Latim, com o Celebrante virado de Costas para os Fiéis, e uma vibrante atuação da Ação Católica, por seu Clero e Laicato.

A Missa na minha infância era rezada em Latim. Dizia-se: dialogada!

Lembro que eu, estudante do Educandário Brasília das Professoras Alaíde Oliveira e Helena Barreto, aprendera sonoramente a dialogá-la em Latim, porque o Padre assim dizia no inicio das Missas: “Introibo ao altare Dei” (Subirei ao altar de Deus).

Ao qual nós todos, crianças, velhos e adultos, homens e mulheres, sem distinção, acolitávamos: “Ad Deum qui laetificat juventutem meam.” (Ao Deus que alegra a minha juventude).

Se tenho algum vício persistente, e os tempos vigentes urgem eliminá-lo, é o de me embevecer ainda com essa prece notável; hoje esquecida sem ninguém mais recitar.

Que elegia! “Ao Deus que nos alegra a juventude”, afinal jovem, criança ou idoso, quem tem Deusconsigo; não envelhece!

Prece banida pela Igreja que o Papa Francisco, assaz festejado pelas esquerdas descabeçadas, resolveu demonizar e proibir todo o Rito Tridentino, aquele, que devia ser o da Missa de Sempre, justo o Salmo 42 ou 43 pela vulgata, gerando cisma “per orbem terrarum”, resistente em toda orbe da Terra, sobretudo na França.

E como esquecer o “Gloria in Excelsis Deo” ( Glória a Deus nas alturas) “Et in terra pax hominibus bonae voluntati ( E na terra aos homens de boa vontade) Laudamus te,  benedicimus te, Adoramus te, Glorificamus te, Gratias agimus tibi…”

E o que dizer do Credo Niceno-costantinopolitano, quando a Igreja reunida estabeleceu seu professar definitivo: “Credo in unum Deum, Patrem omnipotentem, Factorem caeli et terrae, visibilium omnium et invisibilium. Et in unum Dominum Iesum Christum, Filium Dei unigenitum et ex Patre natum ante omnia saecula. (Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. E em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos)

Credo que era uma verdadeira profissão de fé, pois afirmava enquanto dogma fundamental “Deum de Deo, Lumen de Lumine, Deum verum de Deo vero, genitum, non factum,

 consubstantialem Patri” (Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai).

Sobretudo porque “o consubstancial ao Pai”, ensejou enormes contendas entre os Santos da Igreja, nas diversas heresias surgidas, vencidas muitas delas, a ferro e fogo, quando falhavam os argumentos, afinal o Diabo tem as suas mil facetas, seus enganos… E o homem que ao Demônio tudo cede.

Credo, enquanto dogma, que se aprofundava “Per quem omnia facta sunt; (“Por meio de quem todas as coisas foram feitas) qui propter nos homines 

et propter nostram salutem, descendit de caelis, et incarnatus est de Spiritu Sancto ex Maria Virgine, et homo factus est, crucifixus etiam pro nobis sub Pontio Pilato, passus et sepultus est, et resurrexit tertia die secundum Scripturas, (Que por nós homens e para nossa salvação desceu dos céus, e se encarnou pelo Espírito Santo da Virgem Maria, e se fez homem, e foi crucificado por nós sob Pôncio Pilatos, e padeceu e foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras).

E aí eu intercalo algo que existia na prece antiga, e minha memória falha, porque recitava-se ajoelhado numa descida aos infernos (“descendit ad inferos”) onde fizera ressurgir os mortos antigos, afinal  a ressurreição viera para os de ontem, os de hoje e os de sempre.

Inferno que depois foi suprimido, preferindo-se falar em “mansão dos motos”, afinal era complicado alocar Abraão, Isaac e Jacob, com Moisés, Samuel e David, et all, aguardando padecentes nos infernos, até a vinda e ressurreição de Jesus.

Todavia, após tal descida refeita aos infernos, ou à mansão dos motos,  “Iesus ascendit in caelum, sedet ad dexteram Patris, 

et iterum venturus est cum gloria,

iudicare vivos et mortuos;

 cuius regni non erit finis.

 (Jesus subiu aos céus, está sentado à direita do Pai e voltará em glória para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim.)

Se a prece já falara do Pai e do Filho, agora falava do Espírito Santo: “Credo in  Spiritum Sanctum,

 Dominum et vivificantem, 

qui ex Patre Filioque procedit,

 qui cum Patre et Filio

s imul adoratur et conglorificatur,

 qui locutus est per profetas”.

( Creio no Espírito Santo, Senhor e fonte de vida, que procede do Pai e do Filho, e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado, e que falou pelos profetas.)

Profissão de fé que era concluída, agora falando da Igreja Católica, por Única,  Santa e Verdadeira: “Et unam, sanctam, cathólicam et apostólicam Ecclésiam. Confíteor unum baptísma in remissiónem peccatorum. Et expecto resurrectionem mortuorum; Et vitam ventúri saeculi Amen”. (Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para remissão dos pecados. Espero a ressurreição dos mortos; E a vida do mundo que há de vir. Amém.)

A prece em Latim, fiz questão de a explicitar, não com um saudosismo tolo. E que seja! Eu tenho os meus direitos!

Isto é: não tenho esse direito todo!

Dizem que é um vício que preciso eliminar, sobretudo agora que a Igreja reverencia sua Semana Santa, e teima em esquecer suas preces tradicionais em nome da modernidade que relativiza todas as crenças, inclusive a de não possuir nenhuma, por suprema intolerância, que a tudo aceita!

E nesse reboar niilista, a Missa Tridentina, tão bela e piedosa, tem resistido ao banimento ditado pelo Papa Francisco, sobretudo na França, cada vez mais descristianizada, com as igrejas se esvaziando, e dando lugar, não ao racionalismo ateu dos Revolucionários da Marselhesa e da Bastilha, mas a muito Minaretes de Mesquitas, erguidos ao sabor da modernidade, evidenciando um prenúncio de derrota, frente aos inúteis esforços de Charles Martel, aquele que barrou a invasão moura da Europa em Tours ou Poitiers, nos idos heroicos de 732.

Se o laicismo é tão belo em tolerância, por sua conta a cruz vem merecendo ser banida nos edifícios e repartições públicas, para que se possa erigir em equidade um crescente lunar, ou outro qualquer símbolo de crença, cada um cedendo o seu pensar ao de seu oponente e divergente, como símbolos maiores de uma rasa liberdade, uma falsa igualdade, e uma, sempre farsesca e demagógica, fraternidade!

E nesse meu vício persistente, eu continuo a lamentar enquanto católico praticante, ver tudo assim crescer, até no rito de minha Igreja, cedendo-se ao vulgo, até na prece, afinal não se recita mais o Glória nem o Credo, prefere-se cantar qualquer coisa no lugar.

Uma certeza de que, dia virá, e não está longe, em que tais preces não serão mais sabidas, de cor, nem pelos próprios celebrantes.

É o excesso de “aggiornamiento”, palavra muito louvada nos idos de um Papa Santo, João XXIII, quando abriu o Concilio Vaticano II.

Para concluir minhas reclamações, devo dizer que no Domingo de Ramos, deste 2026, fui mais uma vez à Capela do São Salvador.

Trata-se de um costume antigo meu, de longa data!

Ali fui desde os idos de criança, quando o Padre Luciano Duarte, sem imaginar que um dia seria um Arcebispo Notável da nossa Igreja, adotou aquela Capela como a de sua preferência.

No Domingo passado, encontrei alguns conhecidos, todos como eu, envelhecidos.

Outros ficaram apenas em minha memória.

Rezei por eles, pelo menos.

Esta é a missão também dos vivos: rezar pelos que resistem em nossa memória.

O próprio salmista canta expressamente, que ninguém louva a Deus na mansão dos mortos.

Quanto aos Ramos, eu os levei de casa, porque assim foi recomendado na matéria divulgada aqui na Infonet.

Foi-se o tempo, sinal dos tempos (e sua decadência), em que a Igrejinha se cobria de muitas palmas de palmeiras.

Por certo não existe mais um abnegado que abasteça previamente os ramos, ou então é por extinção de palmeiras, ou quem o sabe: alguém o proibiu, em preservação da natureza…

Para que danificar as palmeirinhas, não é mesmo?

Assim, se antes eu saia da Igrejinha com muitos ramos, até para oferecer tolamente a alguns familiares, eu levei e trouxe os dois raminhos, sem repartir, um meu e outro de Tereza, minha eterna companhia.

Como de costume, eu coloco os meus ramos já abençoados num Crucifixo que eu venero no meu viver, ali ficando todo ano, até que uma nova Semana Santa os renove.

Partilho com os meus leitores uma fotografia do meu Cristo com os Ramos de 2026. Ele ficou lindo!

Desejo a meus leitores uma Feliz Páscoa e que Deus nos aumente a nossa fé.

Quanto a esses meus vícios, que Deus me permita tê-los por mais um tempo!

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet com br

quinta-feira, 2 de abril de 2026

'Vidas que guardam saberes', por Pascoal Maynard

Artigo compartilhado de Post do Facebook/Pascoal Maynard, de 1 de abril de 2026

Vidas que guardam saberes
Por Pascoal Maynard *

Há momentos na vida pública em que a função que ocupamos deixa de ser apenas institucional e passa a ser profundamente simbólica. A cerimônia de diplomação dos novos Patrimônios Vivos da Cultura Sergipana foi um desses momentos. Ali, mais do que entregar certificados, reafirmamos um pacto coletivo com a memória, com a identidade e com o futuro de Sergipe.

Na condição de Presidente do Conselho Estadual de Cultura, senti, com intensidade, o peso e a honra dessa responsabilidade. Não se trata apenas de reconhecer trajetórias individuais — ainda que elas sejam grandiosas —, mas de assegurar que os saberes que moldaram nosso povo continuem vivos, pulsantes, transmitidos de geração em geração.

A chamada “Lei dos Mestres”, instituída pela Lei nº 9.118, é, sem dúvida, uma das mais nobres políticas públicas culturais do nosso estado. Ela materializa algo que, por muito tempo, permaneceu apenas no campo do desejo: o reconhecimento concreto daqueles que guardam e compartilham os saberes tradicionais. Ao conceder o título de Patrimônio Vivo, acompanhado de uma bolsa vitalícia e do incentivo à transmissão do conhecimento, o Estado não apenas homenageia — ele protege, fortalece e perpetua.

Ao ver mestres como Josefa Maria da Silva Santos (Zefa da Guia), Cícero José dos Santos (Véio), Antônio dos Santos (Mestre Sabau), José Ronaldo de Menezes (Mestre Zé Rolinha) e Alzira Alves Santos(Alzira Rendeira) sendo diplomados, tive a certeza de que estamos no caminho certo. Cada um deles carrega em si um universo inteiro de práticas, crenças, técnicas e narrativas que não podem — e não devem — desaparecer.

O patrimônio imaterial, por sua natureza, é frágil. Ele não está protegido por paredes, nem guardado em vitrines. Ele vive nas mãos que fazem, nas vozes que cantam, nos gestos que ensinam. E exatamente por isso exige de nós vigilância constante, compromisso contínuo e, sobretudo, sensibilidade.

É nesse ponto que o papel do Conselho Estadual de Cultura se torna ainda mais relevante. Cabe a nós não apenas deliberar ou normatizar, mas compreender profundamente o valor desses saberes e atuar como guardiões de sua continuidade. É uma missão que ultrapassa a burocracia — é, antes de tudo, um compromisso ético com a história viva do nosso povo.

Saí daquela cerimônia com o sentimento de dever renovado. Sabemos que ainda há muito a avançar: ampliar o alcance das políticas, garantir maior inclusão de manifestações culturais diversas, fortalecer os mecanismos de salvaguarda. Mas também sabemos que cada passo dado é significativo.

Celebrar os nossos mestres é, na verdade, celebrar a nós mesmos. É reconhecer que nossa identidade não está apenas no que fomos, mas no que escolhemos preservar e transmitir.

E enquanto estivermos à frente dessa missão, seguiremos firmes — com honra, responsabilidade e profundo respeito — na defesa do patrimônio imaterial de Sergipe. Porque preservar a cultura é, acima de tudo, preservar a própria vida de um povo.

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* Pascoal Maynard é jornalista, documentarista  e produtor cultural. Atualmente exerce o cargo de Assessor Especial da Funcap, Presidente do Conselho Estadual de Cultura e apresentador do programa Expressão na Aperipê TV.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Pascoal Maynard