sexta-feira, 1 de maio de 2026

'Meus dois Papas', por Paulo Roberto Dantas Brandão

Post compartilhado do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão, de 27/04/2025

Meus dois Papas
Por Paulo Roberto Dantas Brandão

Venho de família católica, porém, no mínimo, não praticante.  Fui batizado, fiz primeira comunhão e fui crismado.  Mas há muito que não me considero católico.  So vou à Igreja em ocasiões especiais, tipo Missa de 7º Dia, por exemplo, ou casamentos.

No meu casamento quis fazer birra, do tipo “não caso na Igreja”.  A família de Ana, porém, fazia questão.  Minha sogra quis me convencer que fazer a comunhão no casamento era lindo.  Não dava para engolir.   Meu avô Orlando me chamou.  “Meu filho, deixa de bobagem, releve nessas coisas para não ter que ceder no essencial.  Todo mundo vai ficar feliz, então pronto, case na Igreja”.

Casei na Igreja, mas comunhão não deu.  Mas levei essa lição para o resto da vida: “Se todo mundo ficar feliz, está tudo bem.  Minhas filhas foram batizadas e fizeram primeira comunhão, era o costume, todas as colegas iam fazer, então tudo bem.  Fernanda, a mais nova, era mais ligada nesses acontecimentos de colégio.  Tinha sido convidada para na missa de Primeira Comunhão representar lá no altar os colegas.  Mas tinha que ir com os padrinhos de batismo.  No caso, os tios que já estavam separados, e o padrinho não tinha qualquer contato.  Mandei perguntar se podia ir com o pai e a mãe, e fui, segurei uma grande vela e tudo mais.  Minha filha ficou muito feliz, e isso é o que importa.

Apesar de tudo, sei reconhecer a importância de certas figuras.  Uma vez, lá pelo ano 2000, houve uma enquete sobre quem seria a maior figura do século XX.  Não titubeei:   O Papa João XXIII, respondi.  Pois, eleito como um Papa de transição, já velho, convocou o Concílio Vaticano II, levando a Igreja para a modernidade.  Deu um solavanco daqueles, naquela organização letárgica.  Sua cara de avô bondoso, mascarou a sua imensa energia transformadora.

Depois de João XXIII, que morreu quando eu era criança, nunca mais dei importância ao que falavam os senhores papas.  Até que surgiu Francisco, com sua simplicidade tocante, e sua capacidade de ação comparável a João XXIII.  Aí, esse Papa que muitos chamavam de “comunista” tocou meu coração.  E passei a prestar atenção ao que ele dizia.  Francisco, para mim, é daquelas figuras que nunca nos deixam.  Morreu, mas está presente por seu exemplo no nosso dia a dia.  Se por acaso fizeram uma enquete sobre a principal figura nesse início do Século XXI, não tenho dúvidas, meu voto é para Francisco.

Só não sei como se sentem alguns carolas empedernidos que passaram a maldizer o Papa.  Acho que sou mais cristão do que eles.  Espero um Francisco II ou um João XXIV.

Texto reproduzido de post do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão