domingo, 2 de agosto de 2026

Onde estariam Cleomar Brandi e sua enorme capacidade de ironizar a vida?

Legenda da foto: E aí velho Brandi: se tens notícias daí, nos mande pra cá!

Artigo compartilhado da Coluna JLCULTURA, de 18 de julho de 2026

Onde estariam Cleomar Brandi e sua enorme capacidade de ironizar a vida?
Por Jozailto Lima 

É profundamente enigmático morrer - e os espiritualistas não me venham com explicações piegas nesta hora.

A questão básica aqui é a seguinte: onde estarão Cleomar Brandi e aquela escrachada alegria e a iconoclastia existencial lá dele?

Estas perguntas são feitas a partir da lembrança de que ontem completou 15 anos que capou o gato de entre nós a grande figura Cleomar Brandi e foi sepultado no dia 18 depois de ele deixar uma farra, uma cervejada, paga pro magote de amigos lá no Bar do Camilo. 

O meu amigo engenheiro Leonel Guimarães, um baiano como eu e o próprio Brandi, me manda a foto que ilustra este texto e me ativa a lembrança da data.

Numa piada bem comum de Cleomar, dir-se-ia que hoje/ontem estaria a fazer 15 anos que este camarada retirou seus dois pés daqui deste mundo!

Lembro-me que ele vez por outra frequentava o terraço do Cinform naqueles happy hours promovidos por aquela casa jornalística. 

Numa das vezes, ao se despedir de Antônio Bonfim, o dono da bodega, ele tacou a frase-sacana, em forma de agradecimento irônico e anarquístico que só os descendentes de italianos conseguem: "Bonfim, obrigado, mas nunca mais piso meus pés aqui".

Eu o conheci - como a maioria dos sergipanos - já com uma perna só. Um saci sobre uma cadeira de rodas e nem me pergunte a origem da amputação.

Mais tarde, lá se foi a outra. E desta supressão veio outra piada escatológica deste baiano, que envolvia Dona Cleonice, a mãe com quem ele morou até os 65 anos quando partiu. 

"Eu acho que de mim vai sobrar somente a cabeça, como um João Batista, pra Dona Cleonice me conduzir por aí numa bandeja", dizia.

Não, não sobrou a cabeça para a bandeja. Mas sobraram a lembrança desta grande figura e as perguntas que formulo no começo deste texto: onde cacete estão socados Cleomar Brandi e sua insuportável alegria e capacidade inalienável  de reunir pessoas em torno de boa prosa? Com quem estariam estas respostas? Onde se socam os mortos? Por favor, não me venha com...

Texto e imagem reproduzidos do site: jlcultura com br