segunda-feira, 27 de julho de 2026

A noite ficou mais pobre sem Joubert Moraes

Na foto, Jade, ao lado do pai, Joubert Moraes

Artigo compartilhado do site FAUSTO LEITE, de 27 de julho de 2026

A noite ficou mais pobre sem Joubert Moraes
Por Fausto Leite

Acordei neste fim de semana com uma tristeza que não pediu licença, não bateu à porta e muito menos esperou que eu estivesse preparada. Joubert Moraes morreu, e com ele foi embora uma parte importante das noites que ajudaram a formar quem eu sou. Não falo apenas do pintor reconhecido, do músico celebrado ou do artista que Sergipe aprendeu a admirar. Falo do homem que conheci de perto, com quem dividi mesas, conversas, risadas, silêncios, canções e aquelas discussões culturais que começavam civilizadas e terminavam, algumas horas depois, tentando resolver o destino da humanidade. Joubert tinha essa capacidade rara de fazer uma mesa de bar parecer uma universidade, um palco, um confessionário e, dependendo da hora, uma assembleia constituinte da boemia sergipana.

Convivi com Joubert em muitas noites. Noites de amigos, de saraus, de música, de poesia e de conversas que não precisavam chegar a conclusão alguma para terem valido a pena. Ele gostava da noite porque a noite não exige que ninguém seja convencional. Durante o dia, o mundo cobra documentos, horários, respostas e comportamentos adequados. À noite, Joubert podia ser exatamente aquilo que sempre foi: livre. Cantava, contava histórias, ria com o corpo inteiro, falava de arte, de amor, de política, de gente e da vida com uma intensidade que fazia qualquer assunto banal parecer urgente. Quando pegava o violão, não havia anúncio oficial nem preparação de cerimônia, mesmo quando suas articulações doíam. A música simplesmente acontecia, como se estivesse apenas esperando uma distração dele para escapar.

Joubert não frequentava a cultura sergipana. Ele era parte dela. Estava nos bares, nos encontros, nas galerias, nos palcos, nos ateliês e na memória afetiva de uma Aracaju que ainda sabia se reunir sem precisar fotografar tudo para provar que havia vivido. Sua presença tinha cor, ritmo e personalidade. Ele entendia que a arte não nasce apenas nos espaços solenes, refrigerados e patrocinados por instituições. Muitas vezes, ela nasce numa mesa cercada de copos, guardanapos rabiscados, fumaça de conversa e gente que ainda acredita que uma canção pode modificar uma noite. Joubert transformava esses ambientes porque não separava o artista do homem. Não vestia a arte para sair. A arte já saía com ele.

Conhecer Joubert era também compreender seus silêncios. Eu sabia quando ele estava apenas observando, quando uma ideia estava sendo construída e quando alguma lembrança havia atravessado seu rosto antes de virar palavra. Sabia do entusiasmo que aparecia quando falava de um projeto, da delicadeza escondida por trás da irreverência e daquela inquietação de quem jamais aceitou viver dentro de uma moldura, embora tenha passado a vida criando tantas. Lamento profundamente não ter podido estar em seu sepultamento. Há ausências que pesam mais justamente porque não foram escolhidas. Eu gostaria de ter me despedido perto dos amigos, da família e daqueles que também aprenderam a reconhecer o som de sua chegada. Mas algumas despedidas acontecem dentro da gente, sem flores, sem discursos e sem plateia.

Sergipe amanheceu culturalmente mais pobre. Perdeu um grande pintor, um grande músico, um compositor, um escultor, um poeta da vida e um dos mais legítimos boêmios de sua história. Os intelectuais perderam um interlocutor inquieto. Os artistas perderam uma referência de liberdade. Os amigos perderam aquela presença que fazia a noite durar um pouco mais e acabar no Pastel Sol. E a própria noite de Aracaju perdeu uma de suas luzes mais originais. Joubert seguirá vivo nas telas, nas músicas, nas histórias e nas lembranças de quem teve o privilégio de caminhar ao seu lado. Eu guardarei as nossas noites, as conversas e os afetos como se guarda uma obra rara. Porque algumas pessoas morrem, mas continuam sentadas à mesa conosco. Joubert será sempre uma delas.

Texto reproduzido do site: faustoleite com br

Morre Wanderley Teixeira de Almeida, referência no transporte em Sergipe

Legenda da foto: Natural de Lagarto, ele foi um dos responsáveis pela expansão do transporte rodoviário no estado - (Crédito da foto: Arquivo Pessoal).

Publicação compartilhada do site INFONET, de 27 de julho de 2026

Morre Wanderley Teixeira de Almeida, referência no transporte em Sergipe

Aos 81 anos, empresário deixa legado na modernização do transporte de passageiros e marcou a história da mobilidade no estado

O empresário sergipano Wanderley Teixeira de Almeida morreu no último domingo, 26, aos 81 anos, no Hospital Sírio-Libanês, em Brasília. Ele estava em tratamento contra um câncer há cerca de um ano. Natural de Lagarto, Wanderley era um dos principais nomes do setor de transporte rodoviário de passageiros em Sergipe e deixa esposa, quatro filhos, 11 netos e dois irmãos.

Por mais de cinco décadas, a família Almeida contribuiu para o desenvolvimento da mobilidade urbana, intermunicipal e interestadual em Sergipe, consolidando um legado que marcou a história do transporte público no estado.

O velório e o sepultamento de Wanderley Teixeira de Almeida ocorrerão no Cemitério Colina da Saudade, em Aracaju. A família informou que a data e o horário das cerimônias de despedida serão divulgados posteriormente.

Trajetória

Filho de Josino José de Almeida, fundador da Empresa Nossa Senhora de Fátima, criada em 16 de janeiro de 1953, Wanderley deu continuidade ao legado da família e ajudou a transformar a empresa em uma das mais modernas do Nordeste.

A frota chegou a contar com mais de 200 veículos e a empresa passou a operar linhas urbanas em Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão, além de rotas intermunicipais em Sergipe e interestaduais para Salvador (BA) e Rio de Janeiro (RJ). Ao longo de sua trajetória, a qualidade dos serviços prestados rendeu diversos prêmios e reconhecimentos.

A família Almeida, a partir da empresa fundada pelo pai Josino, ajudou a estruturar a mobilidade intermunicipal, interestadual e urbana de Aracaju e da sua região metropolitana por mais de cinco décadas.

Por Marina de Sena e Aisla Vasconcelos

*com informações da família

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet com br

Artista Plástico Joubert Moraes (1947 - 2026)



domingo, 26 de julho de 2026

Joubert e as cores da memória

Post compartilhado do Facebook/Pascoal Maynard, de 26 de julho de 2026

Joubert e as cores da memória
Por Pascoal Maynard

Há pessoas que partem, mas não vão embora. Permanecem nas ruas por onde caminharam, nas casas onde viveram, nas conversas que despertam sorrisos e, sobretudo, naquilo que criaram. Hoje, com a partida de Joubert, não consigo pensar apenas no artista consagrado. Minha memória insiste em reencontrar o menino e o jovem que fizeram parte da paisagem afetiva da minha infância.

Li, mais uma vez, o belo texto de Mário Britto, e algumas de suas palavras ganharam um significado ainda mais profundo. Ele escreve que Joubert nasceu "no seio de uma família de artistas". É verdade. Aquela casa parecia respirar arte. O pai, poeta e escritor; a mãe, cantora e bordadeira. Não era apenas uma família que apreciava a cultura; era uma família que fazia da beleza um modo de existir.

Nossa proximidade ia além da geografia. Eu morava na Praça Fausto Cardoso. Joubert, na Rua Maruim, entre as ruas Itabaiana e Pacatuba. Eram poucos passos de distância. Naquele centro de Aracaju, onde as ruas ainda tinham o ritmo das conversas nas calçadas e o tempo parecia caminhar mais devagar, as famílias se conheciam, os meninos cresciam juntos e as amizades eram construídas sem cerimônia, como se fizessem parte da própria paisagem.

Naqueles dias, ninguém imaginava que aquele rapaz de fala tranquila carregava dentro de si um universo inteiro de cores, formas e poesia. Mário Britto lembra que, ainda adolescente, Joubert "tinha o hábito de visitar galerias de arte, comparecia a todas as exposições e frequentava, assiduamente, os ateliês dos mestres J. Inácio e Florival Santos". Hoje percebo que aquele jovem já perseguia um destino que só ele conseguia enxergar com nitidez.

Depois veio Salvador, a Escola de Belas Artes, os encontros com outros artistas, as experiências com a abstração. A vida foi ampliando seus horizontes, mas nunca lhe arrancou as raízes. Joubert levava Sergipe consigo. Em cada tela, em cada escultura, em cada cenário que criou, havia sempre um pouco da terra que o viu nascer e da sensibilidade que floresceu nas ruas da velha Aracaju.

Mário Britto encontrou uma definição que dificilmente poderia ser mais feliz: "Joubert tem uma relação completa e visceral com a arte". Talvez porque, para ele, a arte nunca tenha sido apenas profissão. Era respiração. Era linguagem. Era uma forma de compreender o mundo. E quando Britto escreve que "toca violão com a mão direita, pinta com a esquerda e, com ambas, faz as esculturas", desenha, em poucas palavras, um homem inteiro, cuja criatividade parecia desconhecer limites.

Hoje suas obras estão espalhadas pelo Brasil e por tantos outros países. Permanecerão onde sempre estiveram: nas paredes, nos museus, nas instituições, nas praças e nas casas de tantos admiradores. Mas permanecerão, sobretudo, onde Mário Britto tão bem registrou: "na memória e no coração do povo sergipano".

Quanto a mim, guardo outra galeria. Não é feita de quadros. É feita de lembranças. As ruas do centro de Aracaju, os encontros casuais, as famílias vizinhas, o cotidiano simples de uma cidade que nos ensinou o valor da convivência. Quando penso em Joubert, vejo também aquele pedaço da cidade que moldou nossas vidas e que continua existindo dentro de nós, mesmo quando o tempo transforma tudo ao redor.

A morte tem o estranho poder de silenciar uma voz, mas nunca consegue apagar uma presença. Os artistas conhecem esse segredo. Eles sobrevivem naquilo que deixam para os outros. Joubert compreendeu isso sem precisar dizê-lo. Pintou sua permanência em telas, esculpiu-a na matéria e gravou-a na memória de todos que tiveram o privilégio de conviver com sua arte e com sua generosidade.

Hoje Sergipe perde um de seus maiores artistas. Eu me despeço também de um companheiro de paisagem, de um rosto familiar da minha infância e juventude, de alguém cuja trajetória me enche de orgulho por ter acompanhado, ainda que de perto e silenciosamente, os seus primeiros passos.

Costuma-se dizer que a morte encerra uma vida. Talvez. Mas nunca encerra uma obra construída com talento, sensibilidade e amor. A verdadeira arte é uma forma de eternidade.

Joubert encerra hoje sua travessia humana. Paradoxalmente, é também hoje que sua obra se torna ainda mais definitiva. Porque o artista parte, mas a arte permanece. E, enquanto houver um sergipano capaz de se emocionar diante de uma de suas telas, de uma de suas esculturas ou da lembrança de sua delicadeza, Joubert continuará entre nós.

Adeus, meu querido Joubert.

Texto e imagem reproduzidos de post do Facebook/Pascoal Maynard

Morre Joubert Moraes, um dos maiores nomes das artes plásticas de Sergipe

Legenda da foto: Referência nas artes visuais, Joubert deixa um legado reconhecido dentro e fora do estado - (Crédito da foto: Rodrygo Besteti)

Publicação compartilhada do site INFONET, de 26 julho de 2026 

Morre Joubert Moraes, um dos maiores nomes das artes plásticas de Sergipe

Referência das artes visuais em Sergipe, ele construiu uma trajetória marcada por exposições, esculturas e obras reconhecidas dentro e fora do estado

Morreu neste sábado, 25, o artista plástico Joubert Moraes, considerado um dos principais nomes da história da arte em Sergipe. Natural de Propriá, o artista construiu uma trajetória marcada pela pintura, escultura e música, tornando-se referência na produção cultural sergipana. Ele deixa esposa, uma filha e um neto.

O governador Fábio Mitidieri lamentou a morte de Joubert Moraes e destacou o legado deixado pelo artista. “Sua trajetória, marcada pela pintura, escultura e música, deixa um legado de enorme valor para Sergipe e para as futuras gerações”, afirmou. O governador também prestou solidariedade aos familiares e amigos, em especial à filha do artista, Jade Moraes, servidora da Fundação Aperipê.

O secretário de Estado da Cultura, Valadares Filho, também manifestou pesar. Segundo ele, Joubert Moraes teve uma produção artística que ultrapassou as fronteiras de Sergipe, com obras presentes em coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior, influenciando gerações de artistas sergipanos.

Trajetória

Natural de Propriá, Joubert Moraes realizou sua primeira exposição em 1968, na Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju. Em 1976, pintou os afrescos da Igreja da Ascensão, em São Francisco do Conde (BA), e, ao longo da carreira, levou sua produção para diferentes regiões do país, com exposições na Igreja do Solar do Unhão, na Bahia, na Galeria Tina Zapolli, no Rio Grande do Sul, e participação em mostra coletiva no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

Em 2005, realizou sua primeira exposição dedicada exclusivamente às esculturas, no Hotel Parque dos Coqueiros. Já em 2021, inaugurou a escultura “Formas e Cores”, na Orla da Atalaia, e apresentou a exposição “Antes Arte do que Nunca”, no Centro Cultural de Aracaju. Em setembro de 2024, celebrou seis décadas de trajetória artística com a exposição inédita “Joubert – 60 anos de Arte”, fomentada pelo Programa Funarte Retomada 2023 – Artes Visuais, que reuniu telas e esculturas representando as diferentes fases de sua carreira.

Ao longo de sua trajetória, Joubert Moraes recebeu diversas homenagens, entre elas a Comenda Cultural Tobias Barreto e o Prêmio Mestre da Cultura Popular, em reconhecimento à sua contribuição para a arte e a cultura sergipanas.

Por Verlane Estácio

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet com br

Exposição > 60 anos de carreira de Joubert Moraes

“Eu não desenho, eu plasmo”, afirma Joubert Moraes. (Foto: Divulgação)

Publicação compartilhada do site MANGUE JORNALISMO, de 6 de setembro de 2024

Um mês inteiro para ver as obras que representam os 60 anos de carreira de Joubert Moraes

Por Valter Davi (Repórter)

Com obras que sempre destacaram o mistério, desde telas até esculturas, Joubert Moraes criou um legado artístico em Sergipe e no Brasil. Para comemorar os seus 60 anos de arte, o artista irá expor 20 obras que marcaram a sua carreira. Durante as seis décadas de atividade, Joubert passou por diferentes estilos artísticos, mas manteve a sua característica de desenhar novos jeitos de enxergar e sentir o mundo.

Joubert fez sua primeira exposição em 1968, na Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju, e desde então vem espalhando as suas obras em todo o Brasil. Hoje ele tem 76 anos, e foi na infância que o artista de Propriá começou a traçar seus primeiros desenhos.

“As minhas obras sempre foram carregadas de mistério, nos anos 70 pintava com os dedos, desta época tenho telas maravilhosas. Depois vieram os figurativos e abstrações, a fase do Royal Palace que pintei muitas telas vermelhas, as africanidades que deram leveza e movimento, não falar de movimento sem falar dos meus coqueirais que têm a brisa da atalaia. O ‘Cristo Ainda Apaixona’ é o meu clássico que possui reprodução e corre o mundo”, conta Joubert.

Obra ‘O Cristo Ainda Apaixona’, de Joubert Moraes.

A exposição “Joubert – 60 anos de arte” vem para celebrar a carreira do artista, mas o que deixa Jouber mais orgulhoso em abrir a vernissage é tornar as suas obras acessíveis para todos. “Celebrar 60 anos de arte é um privilégio. Reunir obras importantes e torná-las acessíveis ao público é o melhor de tudo. Além das minhas telas e esculturas, quem for ao museu ainda vai poder conferir o meu dvd do show que fiz no Atheneu, em 2021”, afirmou o artista.

Por passar por diversas formas de criar arte, Joubert também se aventurou na música. Compositor, cantor e instrumentista, acompanhou o tempo e percebeu que na contemporaneidade o que mais atrai no público jovem é a música, como conta a sua filha, Jade Moraes. “Joubert faz parte de uma geração que fez história nas artes de Sergipe e deixa um legado imenso na pintura, na escultura e hoje o que mais o conecta com as novas gerações é a música, muitos artistas jovens tocam e cantam suas composições”, explicou Jade, que, além de filha, é também curadora da exposição dos 60 anos de arte de Joubert.

“Meu pai é um dos últimos artistas da sua geração que ainda está vivo, manter sua arte pujante é salvaguardar nosso fazer artístico”, destacou a sua filha Jade.

A abertura da exposição “Joubert – 60 anos de arte” acontecerá no dia 12 de setembro, no Museu da Gente Sergipana, às 19 horas. As obras ficarão abertas para visitação do dia 13 de setembro ao dia 12 de outubro, de terça à domingo, das 10 horas às 15 horas.

A exposição faz parte do Programa Funarte Retomada 2023, que tem o objetivo de fomentar ações relacionadas a atividades artísticas, incluindo diversas manifestações, que englobam desde as técnicas tradicionais como a pintura, desenho e escultura, passando pela arte mural e, também, pelas manifestações contemporâneas e suas possibilidades de interatividade digital.

Edição: Aline Braga

Texto e imagens reproduzidos do site: manguejornalismo org

Morre Joubert Moraes (1947 - 2026)

Post compartilhado do Facebook/Sérgio Borges

Joubert, carne e osso - mais um que se vai!

Legenda da foto: Jouberto Moraes: sobre tela ou dedilhando um violão, causou e deixou uma marca forte na epiderme de Sergipe

Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 26 de Julho de 2026

Joubert, carne e osso - mais um que se vai!
Por Rian Santos *

Quando Ilma Fontes  partiu desta para melhor, o jornalista Antonio Passos abriu o próprio baú de memórias e sacou do escuro a mais pura verdade: Lu Spinelli, Amaral Cavalcante, Ilma e Joubert sustentaram sobre os ombros magros, sozinhos, como quatro pilares, uma tal contracultura Serigy.

Faz muito tempo. De tanta beleza e rebeldia, restam apenas versos, traços, histórias, fotografias... Passos acertou na mira!

Tudo mudou. A aldeia arenosa e à beira mar e rio, aliás, mudou muito. Encaretou e ficou mais reaça do que nunca. Até um dia desses, Joubert era o único dos quatro entre nós, carne e osso, ainda lúcido. 

Mas ele acaba de silenciar-se por definitivo. Sergipe perde um naco a mais da sua essência já meio avariada.

Penso nos quatro, mais Fernando Sávio, mais o poeta Mário Jorge Vieira, cuja existência durou a eternidade de um clarão, certo de reafirmar comigo mesmo um compromisso irrevogável com a vida. 

Aos quarenta e seis - tenho muito lembrado nesses dias a idade e os cabelos idos -, carrego o peso de alguma bagagem, o fardo de algumas perdas irremediáveis, tristezas e decepções. 

Vou à praia com meus filhos, no entanto, satisfeito de sentir tanto calor na tarde luminosa da Atalaia, quando ouço um refrão sergipaníssimo nos alto falantes do bar. E fico ainda mais feliz.

Apesar de acabar de silenciar-se materialmente, Joubert é vivo. Muito vivo. Os 60 anos de trabalho celebrados em uma exposição recente evocaram os seus feitos e feitios, a brevidade de tudo, como fizeram os nossos maiores poetas, os melhores dias do lugar Aracaju.

Esperasse um pouco mais, e no dia 13 de dezembro - o mesmo de Luiz Gonzaga ou de Araripe Coutinho - e ele faria 80 anos. Até as 17h seu corpo está sendo velado na Capela A do Cemitério Colina da Saudade e a seguir será sepultado ali mesmo. Que a terra lhe seja leve!

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* Articulista Rian Santos - É jornalista profissional e escreve às quartas. A opinião do articulista não reflete necessariamente o posicionamento do Portal JLPolítica & Negócio.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica com br