domingo, 26 de julho de 2026

Morre Joubert Moraes, um dos maiores nomes das artes plásticas de Sergipe

Legenda da foto: Referência nas artes visuais, Joubert deixa um legado reconhecido dentro e fora do estado - (Crédito da foto: Rodrygo Besteti)

Publicação compartilhada do site INFONET, de 26 julho de 2026 

Morre Joubert Moraes, um dos maiores nomes das artes plásticas de Sergipe

Referência das artes visuais em Sergipe, ele construiu uma trajetória marcada por exposições, esculturas e obras reconhecidas dentro e fora do estado

Morreu neste sábado, 25, o artista plástico Joubert Moraes, considerado um dos principais nomes da história da arte em Sergipe. Natural de Propriá, o artista construiu uma trajetória marcada pela pintura, escultura e música, tornando-se referência na produção cultural sergipana. Ele deixa esposa, uma filha e um neto.

O governador Fábio Mitidieri lamentou a morte de Joubert Moraes e destacou o legado deixado pelo artista. “Sua trajetória, marcada pela pintura, escultura e música, deixa um legado de enorme valor para Sergipe e para as futuras gerações”, afirmou. O governador também prestou solidariedade aos familiares e amigos, em especial à filha do artista, Jade Moraes, servidora da Fundação Aperipê.

O secretário de Estado da Cultura, Valadares Filho, também manifestou pesar. Segundo ele, Joubert Moraes teve uma produção artística que ultrapassou as fronteiras de Sergipe, com obras presentes em coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior, influenciando gerações de artistas sergipanos.

Trajetória

Natural de Propriá, Joubert Moraes realizou sua primeira exposição em 1968, na Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju. Em 1976, pintou os afrescos da Igreja da Ascensão, em São Francisco do Conde (BA), e, ao longo da carreira, levou sua produção para diferentes regiões do país, com exposições na Igreja do Solar do Unhão, na Bahia, na Galeria Tina Zapolli, no Rio Grande do Sul, e participação em mostra coletiva no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo.

Em 2005, realizou sua primeira exposição dedicada exclusivamente às esculturas, no Hotel Parque dos Coqueiros. Já em 2021, inaugurou a escultura “Formas e Cores”, na Orla da Atalaia, e apresentou a exposição “Antes Arte do que Nunca”, no Centro Cultural de Aracaju. Em setembro de 2024, celebrou seis décadas de trajetória artística com a exposição inédita “Joubert – 60 anos de Arte”, fomentada pelo Programa Funarte Retomada 2023 – Artes Visuais, que reuniu telas e esculturas representando as diferentes fases de sua carreira.

Ao longo de sua trajetória, Joubert Moraes recebeu diversas homenagens, entre elas a Comenda Cultural Tobias Barreto e o Prêmio Mestre da Cultura Popular, em reconhecimento à sua contribuição para a arte e a cultura sergipanas.

Por Verlane Estácio

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet com br

Exposição > 60 anos de carreira de Joubert Moraes

“Eu não desenho, eu plasmo”, afirma Joubert Moraes. (Foto: Divulgação)

Publicação compartilhada do site MANGUE JORNALISMO, de 6 de setembro de 2024

Um mês inteiro para ver as obras que representam os 60 anos de carreira de Joubert Moraes

Por Valter Davi (Repórter)

Com obras que sempre destacaram o mistério, desde telas até esculturas, Joubert Moraes criou um legado artístico em Sergipe e no Brasil. Para comemorar os seus 60 anos de arte, o artista irá expor 20 obras que marcaram a sua carreira. Durante as seis décadas de atividade, Joubert passou por diferentes estilos artísticos, mas manteve a sua característica de desenhar novos jeitos de enxergar e sentir o mundo.

Joubert fez sua primeira exposição em 1968, na Galeria de Arte Álvaro Santos, em Aracaju, e desde então vem espalhando as suas obras em todo o Brasil. Hoje ele tem 76 anos, e foi na infância que o artista de Propriá começou a traçar seus primeiros desenhos.

“As minhas obras sempre foram carregadas de mistério, nos anos 70 pintava com os dedos, desta época tenho telas maravilhosas. Depois vieram os figurativos e abstrações, a fase do Royal Palace que pintei muitas telas vermelhas, as africanidades que deram leveza e movimento, não falar de movimento sem falar dos meus coqueirais que têm a brisa da atalaia. O ‘Cristo Ainda Apaixona’ é o meu clássico que possui reprodução e corre o mundo”, conta Joubert.

Obra ‘O Cristo Ainda Apaixona’, de Joubert Moraes.

A exposição “Joubert – 60 anos de arte” vem para celebrar a carreira do artista, mas o que deixa Jouber mais orgulhoso em abrir a vernissage é tornar as suas obras acessíveis para todos. “Celebrar 60 anos de arte é um privilégio. Reunir obras importantes e torná-las acessíveis ao público é o melhor de tudo. Além das minhas telas e esculturas, quem for ao museu ainda vai poder conferir o meu dvd do show que fiz no Atheneu, em 2021”, afirmou o artista.

Por passar por diversas formas de criar arte, Joubert também se aventurou na música. Compositor, cantor e instrumentista, acompanhou o tempo e percebeu que na contemporaneidade o que mais atrai no público jovem é a música, como conta a sua filha, Jade Moraes. “Joubert faz parte de uma geração que fez história nas artes de Sergipe e deixa um legado imenso na pintura, na escultura e hoje o que mais o conecta com as novas gerações é a música, muitos artistas jovens tocam e cantam suas composições”, explicou Jade, que, além de filha, é também curadora da exposição dos 60 anos de arte de Joubert.

“Meu pai é um dos últimos artistas da sua geração que ainda está vivo, manter sua arte pujante é salvaguardar nosso fazer artístico”, destacou a sua filha Jade.

A abertura da exposição “Joubert – 60 anos de arte” acontecerá no dia 12 de setembro, no Museu da Gente Sergipana, às 19 horas. As obras ficarão abertas para visitação do dia 13 de setembro ao dia 12 de outubro, de terça à domingo, das 10 horas às 15 horas.

A exposição faz parte do Programa Funarte Retomada 2023, que tem o objetivo de fomentar ações relacionadas a atividades artísticas, incluindo diversas manifestações, que englobam desde as técnicas tradicionais como a pintura, desenho e escultura, passando pela arte mural e, também, pelas manifestações contemporâneas e suas possibilidades de interatividade digital.

Edição: Aline Braga

Texto e imagens reproduzidos do site: manguejornalismo org

Morre Joubert Moraes (1947 - 2026)

Post compartilhado do Facebook/Sérgio Borges

Joubert, carne e osso - mais um que se vai!

Legenda da foto: Jouberto Moraes: sobre tela ou dedilhando um violão, causou e deixou uma marca forte na epiderme de Sergipe

Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 26 de Julho de 2026

Joubert, carne e osso - mais um que se vai!
Por Rian Santos *

Quando Ilma Fontes  partiu desta para melhor, o jornalista Antonio Passos abriu o próprio baú de memórias e sacou do escuro a mais pura verdade: Lu Spinelli, Amaral Cavalcante, Ilma e Joubert sustentaram sobre os ombros magros, sozinhos, como quatro pilares, uma tal contracultura Serigy.

Faz muito tempo. De tanta beleza e rebeldia, restam apenas versos, traços, histórias, fotografias... Passos acertou na mira!

Tudo mudou. A aldeia arenosa e à beira mar e rio, aliás, mudou muito. Encaretou e ficou mais reaça do que nunca. Até um dia desses, Joubert era o único dos quatro entre nós, carne e osso, ainda lúcido. 

Mas ele acaba de silenciar-se por definitivo. Sergipe perde um naco a mais da sua essência já meio avariada.

Penso nos quatro, mais Fernando Sávio, mais o poeta Mário Jorge Vieira, cuja existência durou a eternidade de um clarão, certo de reafirmar comigo mesmo um compromisso irrevogável com a vida. 

Aos quarenta e seis - tenho muito lembrado nesses dias a idade e os cabelos idos -, carrego o peso de alguma bagagem, o fardo de algumas perdas irremediáveis, tristezas e decepções. 

Vou à praia com meus filhos, no entanto, satisfeito de sentir tanto calor na tarde luminosa da Atalaia, quando ouço um refrão sergipaníssimo nos alto falantes do bar. E fico ainda mais feliz.

Apesar de acabar de silenciar-se materialmente, Joubert é vivo. Muito vivo. Os 60 anos de trabalho celebrados em uma exposição recente evocaram os seus feitos e feitios, a brevidade de tudo, como fizeram os nossos maiores poetas, os melhores dias do lugar Aracaju.

Esperasse um pouco mais, e no dia 13 de dezembro - o mesmo de Luiz Gonzaga ou de Araripe Coutinho - e ele faria 80 anos. Até as 17h seu corpo está sendo velado na Capela A do Cemitério Colina da Saudade e a seguir será sepultado ali mesmo. Que a terra lhe seja leve!

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* Articulista Rian Santos - É jornalista profissional e escreve às quartas. A opinião do articulista não reflete necessariamente o posicionamento do Portal JLPolítica & Negócio.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica com br