domingo, 26 de julho de 2026

Joubert, carne e osso - mais um que se vai!

Legenda da foto: Jouberto Moraes: sobre tela ou dedilhando um violão, causou e deixou uma marca forte na epiderme de Sergipe

Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 26 de Julho de 2026

Joubert, carne e osso - mais um que se vai!
Por Rian Santos *

Quando Ilma Fontes  partiu desta para melhor, o jornalista Antonio Passos abriu o próprio baú de memórias e sacou do escuro a mais pura verdade: Lu Spinelli, Amaral Cavalcante, Ilma e Joubert sustentaram sobre os ombros magros, sozinhos, como quatro pilares, uma tal contracultura Serigy.

Faz muito tempo. De tanta beleza e rebeldia, restam apenas versos, traços, histórias, fotografias... Passos acertou na mira!

Tudo mudou. A aldeia arenosa e à beira mar e rio, aliás, mudou muito. Encaretou e ficou mais reaça do que nunca. Até um dia desses, Joubert era o único dos quatro entre nós, carne e osso, ainda lúcido. 

Mas ele acaba de silenciar-se por definitivo. Sergipe perde um naco a mais da sua essência já meio avariada.

Penso nos quatro, mais Fernando Sávio, mais o poeta Mário Jorge Vieira, cuja existência durou a eternidade de um clarão, certo de reafirmar comigo mesmo um compromisso irrevogável com a vida. 

Aos quarenta e seis - tenho muito lembrado nesses dias a idade e os cabelos idos -, carrego o peso de alguma bagagem, o fardo de algumas perdas irremediáveis, tristezas e decepções. 

Vou à praia com meus filhos, no entanto, satisfeito de sentir tanto calor na tarde luminosa da Atalaia, quando ouço um refrão sergipaníssimo nos alto falantes do bar. E fico ainda mais feliz.

Apesar de acabar de silenciar-se materialmente, Joubert é vivo. Muito vivo. Os 60 anos de trabalho celebrados em uma exposição recente evocaram os seus feitos e feitios, a brevidade de tudo, como fizeram os nossos maiores poetas, os melhores dias do lugar Aracaju.

Esperasse um pouco mais, e no dia 13 de dezembro - o mesmo de Luiz Gonzaga ou de Araripe Coutinho - e ele faria 80 anos. Até as 17h seu corpo está sendo velado na Capela A do Cemitério Colina da Saudade e a seguir será sepultado ali mesmo. Que a terra lhe seja leve!

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* Articulista Rian Santos - É jornalista profissional e escreve às quartas. A opinião do articulista não reflete necessariamente o posicionamento do Portal JLPolítica & Negócio.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica com br

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