terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Joel Macieira Aguiar

Joel Macieira Aguiar (Imagem: Inventário Cultural de Maruim).

Joel Macieira Aguiar: Um maruinense apaixonado pelo Direito!
Por Keizer Santos

Filho de José de Aguiar Meneses e Maria Macieira Aguiar, Joel Macieira Aguiar nasceu no dia 11 de agosto de 1905, em Maruim, município distante a 30 Km da capital sergipana , Aracaju.

Joel Aguiar foi cirurgião dentista, formado pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1926 e Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito da Bahia, em 1936.

Aguiar exerceu o cargo de Promotor de Justiça, em Capela e em Neópolis; Foi Delegado de Polícia, em Aracaju, na gestão do Interventor Estadual Eronides de Carvalho; Foi Juiz de Direito, em Maruim, Estância e Aracaju. Mais tarde, tornou-se Desembargador do Tribunal de Justiça e Corregedor Geral da Justiça de Sergipe.

Aos 70 anos, em 1975, mesmo com sua aposentadoria, não abandonou o Direito, voltando a advogar por cerca de dez anos.

Em 1927, Joel Aguiar publicou a primeira edição do Escorço Histórico do Gabinete de Leitura de Maruim. Neste ano, Joel Aguiar ocupou o cargo de Orador no biênio presidido pelo, também maruinense, Josias Vieira Dantas.

Em 31 de julho de 1972, Joel Aguiar e mais 32 magistrados fundaram a Associação dos Magistrados de Sergipe (Amase), entidade de Utilidade Pública Estadual.

Joel Aguiar era um estudioso e parecia estar anos luz à frente das pessoas de seu tempo. Coordenou o levantamento cadavérico de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, bem como das pessoas assassinadas na gruta do Angico, em Poço Redondo. Joel também atuou como redator do jornal “O Comércio”.

Em 1986, Joel Macieira Aguiar escreveu TRAÇOS DA HISTÓRIA DE MAROIM (antiga grafia do município de Maruim), livro este, que foi reeditado, em 2004, pelo Governo do Estado de Sergipe, em homenagem ao sesquicentenário (150 anos) de elevação de vila à categoria de cidade.
Joel Aguiar morreu em Aracaju, aos 89 anos, em fevereiro de 1995, e foi sepultado em Maruim.

No dia 27 de junho de 1996, o então prefeito de Aracaju, José Almeida Lima, sanciona a Lei nº 2.416, que denomina a Rua “Desembargador JOEL MACIEIRA AGUIAR” (antes Rua “N”, localizada no Loteamento Tramandaí, bairro Grageru), prestando homenagem ao jurista maruinense.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- AGUIAR, Joel. Traços da História de Maroim. 2. ed. Edição comemorativa dos 150 anos de Maruim. Aracaju: Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe, 2004.
- BARRETO, Luiz Antônio. Maruim, a cidade e seu cronista. Publicado em 11 abr. 2006. Disponível em < http://iaracaju.infonet.com.br/serigysite/ler.asp?id=59&titulo=Municipios>. Acesso em: 19 fev. 2012.
- CÂMARA MUNICIPAL DE ARACAJU. Lei nº 2.416/1996. Disponível em . Acesso em: 19 fev. 2012.
- CRUZ E SILVA, Maria Lúcia Marques. Inventário Cultural de Maruim. Edição comemorativa aos 140 anos de Emancipação Política da cidade. Aracaju: Secretaria Especial de Cultura, 1994.
ROSA, Gilvan dos Santos. Maruim, coisas que ouvi dizer... 2. ed. rev. Aracaju: Secretaria de Estado da Educação e do Desporto e Lazer, Sercore, 1999.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldemaruim.com

Francisco Quintiliano da Fonseca

Dr. Fonseca (Foto: Infonet)

Francisco Quintiliano da Fonseca: O maior clínico de Sergipe no Séc. XX
Por Keizer Santos*

Francisco Quintiliano da Fonseca nasceu em 26 de fevereiro de 1882, no município de Maruim, distante a 30 Km de Aracaju, capital sergipana.

Filho de José Quintiliano da Fonseca e Maria Diniz da Fonseca. Francisco Fonseca estudou em Aracaju e colou grau em Medicina, em 20 de abril de 1907, pela Faculdade de Medicina do Rio Janeiro, sendo aprovado na defesa de sua tese de dissertação com o tema “Estudo clínico das hemoptises tuberculosas”.

Em 15 de outubro de 1910, em parceria com alguns colegas (Daniel Campos, Militão de Bragança, Rodrigues Dória e outros) ajudou a fundar primeira entidade médica-associativa do Estado a Sociedade de Medicina de Sergipe, que durou apenas 1 ano. Foi o precursor do serviço de Radiologia Médica em Aracaju, em 1922. Exerceu, interinamente, o cargo de Inspetor Sanitário na 2ª Comissão Federal da Saúde Pública em Sergipe. Participou de 4 a 9 de julho de 1932, da Comissão Organizadora do Primeiro Congresso de Pediatria e Higiene Infantil, ocorrido no Rio de Janeiro. Dr. Fonseca foi o primeiro a ocupar a cadeira nº 14 da Academia Sergipana de Medicina. Por essas ações foi considerado, por colegas de profissão, o maior clínico geral de Sergipe no século XX.

Fonseca também atuou como colaborou do “Correio de Aracaju” e foi Deputado Estadual, de 1910 a 1911.

Hortência Rollemberg da Fonseca Carvalho, sua filha, foi casada com o grande médico sergipano Benjamin Carvalho, falecido em 1995.

Dr. Fonseca, casado com Maria Rollemberg da Fonseca, faleceu em 12 de abril de 1973, em Aracaju (SE), aos 91 anos de idade.

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*Estudante do 3º período de Jornalismo, na Universidade Federal de Sergipe (UFS).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
- ACADEMIA Sergipana de Medicina. Patronos e Acadêmicos. Disponível em . Acesso em 15 abr. 2012.
- CRUZ E SILVA, Maria Lúcia Marques. Inventário Cultural de Maruim. Edição comemorativa aos 140 anos de Emancipação Política da cidade. Aracaju: Secretaria Especial de Cultura, 1994.
- DIAS, Lúcio Antônio Prado. O maior clínico geral de Sergipe. Publicado em 29 mar. 2012. Disponível em . Acesso em 15 abr. 2012.
- Gomes, Petrônio Andrade; SANTANA, Antônio Samarone de. Dicionário Biográfico de Médicos de Sergipe. Academia Sergipana de Medicina. Publicado em 2009. Disponível em . Acesso em 15 abr. 2012.
- SANTOS, Osmário. Benjamin Alves de Carvalho. Publicado em 04 set. 2004. Disponível em < http://iaracaju.infonet.com.br/osmario/igc_conteudo.asp?codigo=9306&catalogo=5&inicio=24>. Acesso em 15 abr. 2012.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldemaruim.com

Glorita Portugal: Uma maruinense dedicada à Educação!

Glorita Portugal (Imagem: Ascom/Seed).

Publicado originalmente no site Jornal de Maruim, em Maio/2012.

Glorita Portugal: Uma maruinense dedicada à Educação!
Por Keizer Santos

Maria da Glória Menezes Portugal Montes, a professora Glorita Portugal, nasceu no dia 27 de junho de 1917, no Engenho Beleza, no povoado Caititu, no município de Maruim, distante a 30 Km de Aracaju, capital do Estado de Sergipe.

Glorita Portugal é filha de Inácio José de Menezes e de Jardelina de Góis; neta de João Ferreira de Góis e Ana Joaquina Cortes Góis; e irmã do Dr. Geraldo Majela de Menezes.

Glorita iniciou sua vida escolar aos seis anos de idade numa escola do povoado Caititu. Após dois anos, é transferida para o Colégio Nossa Senhora da Conceição, comandado pela professora Violante Macieira, na sede municipal. Um ano depois, Glorita passa a estudar no colégio da professora Zizinha Guimarães, em Laranjeiras. Em 1932, aos 15 anos de idade, passa a residir em Aracaju e, consequentemente, a estudar no Colégio Tobias Barreto.

Em 1934, Glorita firma matrimônio com o baiano Francisco Portugal, professor “amante” das línguas (Dominava o latim, a língua francesa, a inglesa, a espanhola, a alemã, a grega e a russa). Do casamento, nasceram Eglantina, Tornélia, Fortunato, Inácio, Fedro, Eglélia, Verbena e Geraldo Majela, este morreu aos quatro meses de vida.

Glorita Portugal passa a dedicar mais tempo da sua vida ao magistério para ajudar no orçamento familiar, quando seu esposo vai à falência com sua loja de artigos elétricos. Torna-se então, professora de Francês nos Colégios Tobias Barreto, Nossa Senhora de Lourdes, Patrocínio São José, Escola Normal Rui Barbosa e outros.

Em 1957, Glorita presta concurso para a Cátedra de Francês do Colégio Estadual de Sergipe, o Atheneu Sergipense.

Em 1962, sua vida começa a ser marcada com a morte do seu esposo Francisco Portugal. Mais tarde morre sua filha mais velha, a bioquímica do Instituto Parreiras Horta, Eglantina, após ser picada por abelhas.

No Governo Lourival Baptista, assume, por dois anos, a direção do Colégio Estadual Atheneu Sergipense.

Quando Glorita se aposenta, passa a morar no Rio de Janeiro, e contrai mais um casamento, com o também viúvo, João Alfredo Montes, que também fora professor de Física e diretor do Colégio Atheneu Sergpense. Após a morte do professor Alfredo, volta a Aracaju, onde permanece atualmente.

No Conjunto Eduardo Gomes, no bairro Rosa Elze, em São Cristóvão, existe um unidade escolar em sua homenagem, o Colégio Estadual Professora Glorita Portugal.

Glorita Portugal faleceu no dia 4 de janeiro de 2015, no Hospital São Lucas, em Aracaju (SE).

P.S.: A matéria foi atualizada para a inclusão da data de falecimento da professora Glorita Portugal.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldemaruim.com

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Cônego Filadelfo Oliveira


Cônego Filadelfo Oliveira

Filadelfo Jônatas de Oliveira   nasceu na cidade de Laranjeiras, interior de Sergipe, em 15 de janeiro de 1879. Estudou as primeiras letras em sua terra natal, transferindo-se para o Ateneu em  Aracaju, onde fez os estudos secundários, mudando-se para Salvador para concluir os preparatórios no Seminário Santa Tereza, iniciando o curso teológico, concluído em 21 de de dezembro de 1901, no Seminário de Olinda, com sua solene ordenação, sob as vistas do padre Luiz Raimundo da Silva Brito, Vigário de Laranjeiras. Em 12 de janeiro de 1912  deixou o Recife para cantar sua Missa Nova,  na Igreja Nossa Senhora da Conceição, em Laranjeiras, cumprindo uma promessa.

Professor, nomeado em 1902 para reger as Cadeiras de Português, Francês e Aritmética, em Laranjeiras, permanecendo até o final e 1904. Jornalista, colaborou em diversos jornais. Orador, integrou a Academia Sergipana de Letras como um dos seus fundadores, ocupando a cadeira 31.

Como pároco de Laranjeiras esforçou-se para manter a tradição religiosa, abriu as igrejas para os folguedos populares, e segundo a memória local batizou cerca de 30 mil pessoas.

Philadelfo Jônatas de Oliveira morreu em Laranjeiras, pobre e velho, em 1972, aos 93 anos.

Texto e imagem reproduzidos do blog: kokalaranjeiras.blogspot.com.br

João Sapateiro

Imagem extraída do site YouTube e postada pelo blog "SERGIPE, sua terra e sua gente",
para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no blog Koka Laranjeiras, em 21/06/2016.

João Sapateiro
Por: Luiz Antônio Barreto

Laranjeiras produziu, como útero cultural de Sergipe, uma galeria de mulheres e homens que cobertos de glória deixaram seus nomes, estandartizados na memória social daquela que já foi a Atenas Sergipense, e, mais recentemente, Um museu a céu aberto. Assim como os nascidos em Simão Dias são denominados Capa bode, os de Lagarto Papa Jaca, os de Porto da Folha Buraqueiros, quem nasce em Laranjeiras carrega o “gentílico” de Caga Palácio. Alguns dos mais consagrados vultos daquela terra nasceram em outros locais de Sergipe, como é o caso da professora Quintina Diniz, que nasceu em Lagarto, e de João Silva Franco, nascido em Riachuelo. No entanto, a professora e o poeta foram legítimos laranjeirenses, na identidade com a terra e com o espírito dominante no casario assobradado que simbolizou, no século XIX, a riqueza açucareira de toda uma região banhada pelas águas do rio Cotinguiba.

João Silva Franco trabalhou duro para sobreviver. Negro, quase dois metros de altura, teve a vida marcada pelo sobrenome postiço. Profissionalizou-se como sapateiro, remendando o couro, trocando o salto, pondo meia sola nos sapatos da população, independentemente do poder aquisitivo de cada pessoa. Quem podia, é claro, comprava sapato novo, em Aracaju, ou em outra qualquer cidade do País. Mas, quem tinha dinheiro curto, e queria fazer bonito na festa de São Benedito, que é colada na festa de Santos Reis, encerrando o ciclo natalino, entregava seu sapato velho a João Sapateiro, estabelecido nas cercanias do Mercado Municipal. Discreto, mas de boa conversa, o sapateiro exibia na sua oficina de trabalho, folhas de papel pautado, repletas de palavras escritas em letras de forma, fixadas nas paredes e nos poucos móveis do seu canto laboral. Eram trovas, pequenos e longos poemas, que surpreendiam a freguesia. João Silva Franco passou a ser conhecido como João Sapateiro, e reconhecido como o sapateiro poeta.

O pequeno espaço de trabalho de João sapateiro foi, em Laranjeiras, um ponto de encontro, um daqueles lugares que reúne as pessoas para uma conversa animada. Farmácia e barbearia, no interior, terminam sendo locais atrativos, onde são formados grupos para as conversas, passando em revista os assuntos dominantes da cidade. Em Laranjeiras o Cartório de Antonio Gomes, a alfaitaria de Graquinho, e a oficina de João Silva Franco, ao lado da farmácia de Antonio Rollemberg, se constituíram em locais especiais, que assitiram a decadência econômica e cultural da cidade, sentindo o êxodo dos mais  novos, que saíam para estudar, e o desaparecimento dos mais velhos, arrancados da vida. Quando morreu Bilina, Laranjeiras chorou e o toque do Patrão da Taeira silenciou, até que Maria de Lourdes, também já morta, foi buscar o ritmo, as cores e a coreografia para continuar cantando: “Meu São Benedito, eu não quero mais c’roa, quero uma toalha, enfeitada em Lisboa.” Quando morreu Alexandre, os fiéis do culto negro tomaram nos braços o seu caixão e desfilaram pelas ruas laranjeirenses, elevando e baixando a urna funerária, num gesto simbólico da religiosidade dos afrodescendentes.

João Silva Franco viveu quase 90 anos, antes de morrer, placidamente, quinta-feira, dia 9 de setembro de 2008. Sua poesia, tal qual sua arte de consertar sapatos, é um patrimônio de Laranjeiras, um rico exemplo de criação, que nada fica devendo aos vates nascidos naqueles domínios, e que encantaram auditórios, animaram reuniões, motivaram saraus, e deixaram que a alma laranjeirense tocasse as palavras, dispondo-as com a beleza que é matéria prima própria dos poetas. João Ribeiro, Bitencourt Sampaio, entre os mais velhos, Edith Vinhas, entre os contemporâneos, foram artistas da lira, reinventando paisagens e sonhos, para ornar de sutilezas a vida, sem sempre bela, do cotidiano de uma cidade desigual.

João Silva Franco era um lírico, mas não cantava apenas o amor. Suas trovas estavam afiadas como navalhas, cortando com cada verso o tecido da realidade. Não calava diante das injustiças, mesmo quando a doçura de seu jeito simples e bom acolhia a todos. Numa de suas quadras, publicada na primeira antologia dos seus versos (Aracaju: Nova Editora de Sergipe, 1965), João Sapateiro corrigia a admoestação de São Paulo, que na segunda Carta aos Tessalonicenses exortava ao trabalho, como única forma de sobrevivência. O poeta, tomado de justa ira, tingiu as linhas do papel pautado com letras  grandes, todas maiúsculas  letras de imprensa, que diziam:

“QUEM NÃO TRABALHA NÃO COME
É CONVERSA MUITO FALHA,
PORQUE SÓ VEMOS COM FOME
O POVO QUE MAIS TRABALHA.”

Ele mesmo, trabalhador e poeta, glória entre os simples, da grande e rica Laranjeiras, fez do pé de cabra e do martelo, da faca afiada e do couro, um ofício fino, para embelezar os pés dos seus contemporâneos, como fez da palavra uma arma, manejada para criar beleza, com a coragem dos bons e dos justos. Os sapatos, gastos, se perdem, mas a poesia continua servida, nos livros que publicou.

Cântico
Aos Laranjeirenses

Minha terna  Laranjeiras,
Terra das lindas palmeiras,
Adoro tudo que é teu;
Admiro os belos prados,
E adoro os lindos trinados,
Das aves que Deus te deu.

O teu passado eu bendigo,
E adoro o “Bom gosto” amigo,
Aonde vou me banhar;
Adoro a meiga corrente
Que canta canção dolente
Andando em busca do mar.

Adoro a tua Matriz,
Aonde a velhinha feliz
Vai rezar o seu rosário;
Amo o teu belo Cruzeiro
Que lá no cimo do outeiro
Nos lembra o Monte Calvário.

Amo a tua marujada,
E adoro a Pedra Furada,
Que nos encanta e fascina!
Gosto da policromia
E da coreografia
Da Taieira de “Bilina”.

Amo os sinos  maviosos
E os teus jardins olorosos
Que te dão tanta beleza!
Amo as igrejas dos montes,
Amo as tuas velhas pontes
Que fazem lembrar Veneza.

Admiro o candomblé,
E o zabumba do José,
Torrentes de poesia!
Amo a face angustiada,
Da imagem cobiçada
Do Senhor da Pedra Fria.

Admiro a Matriana,
Aonde em fins de semana
O povo vai repousar;
E adoro o Barro Vermelho,
Que fez do rio um espelho
Onde vive a se mirar.

Eu gosto dos Penitentes
Que contritos, reverentes,
Rezam por todos do além.
-  E é com orgulho que falo
Na dança de São Gonçalo,
Que nos encanta e faz bem.
  
Eu adoro as procissões
Que povos de outros rincões
Não deixam de acompanhar;
E os teus velórios cantados
Que nos deixam encantados
Esquecidos de chorar.

Amo ao Samba de Tropelo,
Coco, Forró e Martelo,
Bacamarte e Batalhão;
E as tuas garotas belas,
Cantando trovas singelas
Nas rodas de São João.

Amo a vista deslumbrante,
E a brisa acariciante
Do morro de Bom Jesus;
O Serra-Velho, dioso,
E o mês de doloroso,
Que aos namorados seduz.

Adoro o teu céu de anil,
Amo o teu povo gentil,
Amo tudo que é de ti;
Eu amo os tamarindeiros
Eu amo os velhos coqueiros
Onde canta o bem-te-vi.

Admiro os Caboclinhos,
E os Negros do Rei  Raminho,
Lamentando o cativeiro;
E a cantoria bonita
Da turma de João de Pita,
No dia seis de janeiro.

Adoro os velhos sobrados,
Aonde em tempos passados
Se cultivava o lirismo;
E os bancos da Conceição,
Onde sentou-se a paixão
No tempo do romantismo.

Adoro a rua Direita,
Porque quanto mais se ajeita,
Fica bem mais sinuosa;
E o Alto do Xavier
Que mostra pra quem quiser,
O quanto és  majestosa!

Minh’alma também é louca
Por ti, cidade barroca,
Residência do saber;
Terra de João Ribeiro,
Meu amor é verdadeiro,
E te adoro até morrer!

 João Sapateiro.

Texto reproduzido do blog: kokalaranjeiras.blogspot.com.br

domingo, 3 de dezembro de 2017

Ilma Fontes e as Memórias de Álvaro Santos


Sandra e Ilma Fontes no lançamento do livro 
em favor da ASI -Associação Sergipana de Imprensa

Publicado originalmente no blog Academia Literaria de Vida, em 29/09/2017.
  
Ilma Fontes e as Memórias de Álvaro Santos

Por Sandra Natividade*

   Enfim, Álvaro Santos Memórias que alegria! Todos os trunfos para Ilma Mendes Fontes que finalmente publica o esperado livro trilíngue - no idioma pátrio, francês e inglês - chegar até aqui custou à autora uma luta titânica, mas vitoriosa. Por trás da aparente estatura franzina, pequenina mesmo, reside Ilma Fontes com uma força de vontade gigante, força que extrapola seus limites físicos, uma profissional notável, determinada e que enfrenta as adversidades sejam elas de que matizes forem

   Ilma herdou do pai senhor Aderbal Fontes Góis funcionário público de moral ilibada, a honradez personificada na palavra dita e no cuidado com o próximo. A determinação da escriba começou cedo: psiquiatra e legista por formação, trocou sem qualquer trauma a medicina pelo jornalismo, ativismo cultural e cinema, uma ruptura opcional bem-sucedida e que dispensa comentários. A profissional brilha com intensidade em tudo o que faz, chega aos 50 anos de jornalismo mantendo com acurada mestria o conhecido jornal O Capital, como bem o designa, “órgão de resistência ao ordinário”.

   Nas comemorações alusivas ao seu cinquentenário de profissão Ilma presenteia a cultura sergipana com literatura irretocável sob o título, Álvaro Santos Memórias. Um trabalho hercúleo, que por incidentes de percurso hibernou 20 anos para sair melhor, mais substancioso, assim como os bons vinhos e chega ao prelo com a chancela da ASI através do presidente Cleiber Vieira e a inestimável incursão do mecenas Dr. Anderson Nascimento, presidente da ASL, melhor impossível; daí na contracapa, o leitor poderá observar instituições e, pessoa física no caso específico, o imortal Dr. Francisco Rollemberg, que acreditaram no projeto vitorioso da arrojada jornalista.

   A autora não denomina a obra catálogo de artes, mas como um Relicário de lembranças, para mim ele representa importante catálogo que já enriquece a pesquisa e o acervo cultural deste Estado. Ilma coletou pacientemente por mais de vinte anos a obra do propriaense Álvaro Santos, filho de Verselina e Pedro Dozzia dos Santos - irmão mais novo de Magnólia, Laudicéia, Maria de Jesus  e Florival, - de cátedra afirma que Álvaro além de pintor era livre pensador, poeta, crítico, escritor de muitas leituras, enfim, um intelectual reconhecido e respeitado pelos formadores de opinião da cidade de Aracaju na primeira metade do século XX.

   Os enriquecedores depoimentos sobre Álvaro Santos não deixarão o leitor tirar os olhos da obra enquanto não chegar à última página. Como exemplo cito, o saudoso Santo Souza que se reportou sobre Álvaro discorrendo a grandiosidade do artista sergipano, lembrando também dos momentos de folga... da boemia. Dom Luciano Cabral Duarte diz que a doçura da arte de Álvaro é inigualável, reconhece o profissionalismo do artista, dedicando em seu livro Estrada de Emaús, um capítulo sob o título, Álvaro Santos e o Amarelo de Nápolis, transcrito na obra pela hábil autora. Embevecida com a leitura, na certeza de que haverá muitas oportunidades de lançamento da obra Sergipe afora, congratulo-me com a autora e recomendo a aquisição e leitura de Álvaro Santos Memórias.

 *Jornalista, escritora, Cadeira n. 12 da Academia Literária de Vida e Cadeira n. 19 da Academia de Letras de Aracaju.

Texto e imagens reproduzidos do blog: academialiterariadevida.blogspot.com.br

O livro Álvaro Santos – Memórias

 Ponte de Atalaia - 1950

Nu feminino - 1946

“A pintura tem sua origem na própria alma do artista” – Álvaro Santos.

Por Sandra Natividade.

O livro Álvaro Santos – Memórias, escrito por Ilma Fontes traz para quem gosta de arte e artistas, informações preciosas a respeito do pintor, nascido na cidade de Propriá, município de Sergipe, em 1920.  Escrito em português, traduzido para o inglês e francês, com certeza chegará às livrarias além fronteiras. Tem 131 páginas, tamanho 27cmx 20cm, papel couchê fosco (o que permite um manusear delicado), as telas reproduzidas são coloridas, conforme os originais, e as fotos de Álvaro vão permitir a quem não o conheceu ver como ele era bonito.  Traços da sua personalidade serão detectados nos relatos de vários parentes, amigos e no texto escrito por ele (para a revista Alvorada) na página 56, comentando sobre A pintura e as exposições. Lutou e sofreu como todo artista pobre à procura de estudo e apoio para exposições. Morreu precocemente, muito jovem (1963). A orelha é escrita pelo presidente da Academia Sergipana de Letras, José Anderson Nascimento que contribuiu na recuperação das fotos. A apresentação é de Cleiber Vieira, jornalista, escritor, presidente da Associação Sergipana de Imprensa-ASI, que na introdução, Ilma o coloca como o padrinho que através da ASI, acolheu o afilhado (que ele não conhecia), após vinte anos. Sim, vinte anos se passou para Ilma publicar o livro, trabalhado desde 1977. Tudo a autora expõe de forma concisa na introdução.

E o livro passou por várias mãos que poderiam favorecer a arte, a literatura, mas não quiseram. Mas tudo tem seu dia. Assim, ele recebeu o patrocínio da TV Sergipe, Secretaria de Estado da Cultura, Fundo Estadual de Cultura, Conselho Estadual de Cultura, e o apoio da Gráfica Editora J. Andrade, Academia Sergipana de Letras, Faculdade Pio Décimo, Funcaju - Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esportes, Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, e do ex-senador e imortal da Academia Sergipana de Letras, Francisco Guimarães Rollemberg. E toda renda gerada pela venda unitária pertence a ASI, conforme estabeleceu a autora.

Ilma afirma que não deu para colher registro da maioria das telas pintadas por Álvaro Santos. Mas assinala que deverá haver alguém que completará o trabalho.  Que seja ela própria, para enriquecer ainda mais seu currículo e reforçar o título de agente cultural. Se você conhece alguém que tem algo a acrescentar ou uma tela, ou uma xilogravura pintadas por Álvaro Santos ou do seu irmão Florival Santos (outro grande pintor e seu professor), e que não se importa de compartilhar essa informação e a foto da tela, passe para Ilma Fontes. Terá todos créditos. Na Assembleia Legislativa ou na residência, ela estará de braços abertos para receber os “felizardos” pela posse das obras de arte e – com certeza surgirá um novo livro. Os livros estão à venda na ASI e nas boas livrarias da cidade.

Texto e imagens reproduzidos do blog: academialiterariadevida.blogspot.com.br

A Cerca do Insuperável Joel Silveira

Joel Silveira (23.09.1918 - 15.08.2007). Foto de Bel Pedrosa/Folha Imagem, 
postada pelo  blog "SERGIPE...", para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no blog Academia Literaria de Vida, em 06/11/2017.

A Cerca do Insuperável Joel Silveira. 
Por Sandra Natividade.

    Joel Silveira traz à memória terna inspiração único como cada um de nós. Viveu em plenitude, intensamente e às vezes perigosamente; nos últimos anos de existência como bem dizia, solitário, creio por opção. Assim não morreu e suas obras estão aí a falar dele e sobre ele, da maneira que gostava de construir lépido e faqueiro, brincalhão por excelência, às vezes quando zangado um tanto ácido nas palavras, coisas intrínsecas ao temperamento humano. Trabalhar com ele era interessante e gratificante, parece que ouço sua voz falando ao telefone com alguém influente da República, incisivo “... manda livro para Sergipe homem, manda livro para Sergipe...”, Joel titular da Secretaria de Estado Especial da Cultura dos sergipanos tinha uma perspectiva hercúlea, talvez um sonho: equipar as sofridas bibliotecas dos 75 municípios sergipanos com novos volumes - ao assumir a pasta sua meta era conseguir 20 mil livros para prover essas - e construir um grande centro cultural. Ideias arrojadas - os livros ele no pouco tempo que passou por estas plagas conseguiu, sonho realizado - quantas entregas fez!  No rosto do já idoso escritor sergipano o belo sorriso que nunca lhe faltou, acompanhado por assessores diretos da pasta, convidava cheio de contentamento prefeito, secretário de educação e cultura do município contemplado e oficialmente fazia a entrega dos livros.

    A postura do ilustre sergipano de Lagarto, além de jornalista, escritor renomado, contista, poeta e prosador cheio de graça fez diferença, influenciando a organização do XIV Fórum Nacional de Secretários de Cultura realizado em Goiânia a trazer para Sergipe a XV edição do Fórum Nacional, uma tacada de mestre do novel secretário de cultura dos sergipanos. A XV reunião tinha como foco entre outros pontos, debater a política de aprimoramento e consolidação das estruturas da Administração Cultural. Sob a coordenação nacional de José Carlos Capinam, Secretário de Estado da Cultura da Bahia e de Beth Mendes, Secretária de Cultura do Estado de São Paulo assumindo na época a função de secretária geral, o evento foi realizado com significativas representações das regiões Nordeste, Sudoeste, Centro-Oeste, Sul e Norte no Salão de Convenções do imponente Hotel Parque dos Coqueiros, no período de 3 a 5 de dezembro de 1987. Foram os palestrantes na pauta: Ministro da Cultura, Celso Furtado, o Embaixador Wladimir Murtinho do INL representantes dos órgãos Regionais de Desenvolvimento, Fundação Nacional de Artes Cênicas, Fundação Nacional de Cinema, entre outros que já não lembro. A realização se constituiu uma conquista de peso para o pequenino Estado de Sergipe.

    Joel Silveira deixou grande legado, mais de trinta obras publicadas e perfil cidadão que influenciava, casado com Dona Iracema, o casal se completava com a pequena prole que constituiu composta pelos filhos Elizabeth e Ismael - falava pouco da família e muito do neto Rodrigo - entendo a atitude como preservação da privacidade. Enquanto o inesquecível intelectual escrevia na inseparável Olivetti e fazia seu merchandising, a esposa cuidava de tudo, nos mínimos detalhes. O apartamento onde residia em Copacabana era impecável - a pinacoteca com 80 quadros e a biblioteca com 22 mil livros - cobria as paredes da aconchegante morada. Quanto trabalho de Dona Iracema na manutenção daquele patrimônio, ela nada reclamava, vivia a alegria do marido.  Joel e Iracema foram tão unidos que após três anos da partida dele para a eternidade, parece que a vida da eficiente e dedicada esposa perdeu o sentido, indo ao encontro do seu eterno amor.

    As pessoas passam e deixam marcas indeléveis. Joel Silveira colaborador de jornais em Sergipe, mudou-se em 1937 para o Rio de Janeiro e construiu sem pretensão uma biografia profissional fascinante. Iniciando ali a carreira como repórter, aos 26 anos foi enviado à Itália pelos Diários Associados comandado pelo desbravador Assis Chateaubriand como correspondente de guerra, fato que lhe rendeu novas experiências tornando-se destacado colunista e editor. Colecionou prêmios extraordinários: Esso, Jabuti, Golfinho de Ouro, Machado de Assis e Líbero Badaró. Partiu passou a povoar uma nova morada, certamente por lá encontrou vários intelectuais participes da boa prosa, a exemplo de Silvio Romero, Tobias Barreto, dos irmãos Gilberto e Genolino Amado e tantos outros notáveis da constelação literária que dignifica o Estado de Sergipe, o Brasil e o mundo.

Aracaju, 15/08/2017.

Texto reproduzido do blog: academialiterariadevida.blogspot.com.br

46 anos sem o visionário Josias Vieira Dantas

Josias Vieira Dantas

Publicado originalmente no site Jornal de Maruim, em março/2017.

46 anos sem o visionário Josias Vieira Dantas
Por Keizer Santos*

Há exatos 46 anos, o município sergipano de Maruim perdia o seu ilustre filho, Josias Vieira Dantas. Em 26 de março de 1971, Josias Dantas faleceu em Aracaju e foi sepultado no Cemitério Cruzeiro do Novo Século, situado em sua cidade natal.

Nascido na Rua Barão do Rio Branco, nº 15, no centro do município de Maruim, em 20 de janeiro de 1890, o filho do coronel Francisco Correia Dantas Filho, o Dantinhas, e da sra. Antônia Rosa Vieira de Mello, foi um grande progressista e esteve associado a diversos empreendimentos no pequeno município sergipano. Dantas, segundo filho mais velho do casal, tinha como irmãos: Alcebíades Vieira Dantas (ex-prefeito de Maruim), Agenor Vieira Dantas, Adalberto Vieira Dantas, Celso Vieira Dantas e Cacilda Vieira Dantas.

Em 5 de fevereiro de 1914, Josias Vieira Dantas casou-se com com Dorvalina de Mello Dantas, filha do desembargador Dr. José Sotero Vieira de Mello e de Arminda Barreto de Menezes Mello. A cerimônia aconteceu no Engenho Catete Novo, no município de Rosário do Catete, com direito a registro nos principais jornais da região, apresentação da cavalaria e da banda Lyra Paladina.
Da união entre Josias e Dorvalina, nasceram 14 filhos, sendo que destes, seis morreram precocemente: Lidorval, Euler, Jaime, Renato, Luiz e Valdice. Outros filhos morreram anos depois: Padre Lidorval de Mello Dantas, cujo nome era uma homenagem ao primeiro filho do casal (faleceu em 1974); Professora Antônia Vieira Dantas (faleceu em 1998); Professora Josilda de Mello Dantas, fundadora da Escola São José, em Maruim (faleceu em 1998); Ex-vereador de Maruim, Otávio de Mello Dantas (faleceu em 1990); Coronel do Exército Sylvio de Mello Dantas (faleceu em 2016) e professora Yvonne de Mello Dantas (faleceu em 1999).

Apenas dois filhos do casal, Josias e Dorvalina, permanecem vivos: o engenheiro civil Nélson de Mello Dantas, 94 anos, que vive em Sete Lagoas/MG; e o ex-vereador e ex-prefeito de Maruim, Pedro de Mello Dantas, 89 anos, que reside em Aracaju/SE.

Dorvalina de Mello Dantas, sua esposa, faleceu no dia 12 de agosto de 1971.

Josias Vieira Dantas e família

O visionário

Josias Vieira Dantas era um visionário, gostava de atrair diversos profissionais e empresas para o município de Maruim. O próprio Josias era um exemplo ao apontar seus investimentos para o município como a criação do Banco de Crédito Popular de Maroim [antiga grafia do município]; a Sergipe Fabril (antiga Fábrica Maísa); Casa comercial de ferragens Alcebíades Dantas & Irmão; Curtume São José; Sapataria; Farmácia Globo; Cine-teatro Tobias Barreto; Trapiche Novo; diversos sítios; uma olaria, na Fazenda Nova; um moinho; criou um viveiro, além da criação de gado e plantações de árvores frutíferas. Por seu desempenho, Josias Dantas representou a Federação das Indústrias de Sergipe (Fies) em diversos eventos pelo Brasil.

Sergipe Fabril

A atuação de Josias Vieira Dantas não se resumia ao comércio e a indústria, por ser um grande estudioso, ocupou diversos cargos no majestoso Gabinete de Leitura de Maruim. Foi Bibliotecário em 1917-1918, na gestão do Presidente do Gabinete, o Sr. Deocleciano Rocha e 1921-1922, na gestão de Durval Maynart; Em 1918-1919, na gestão de Olívio Barretto; 1920-1921, na gestão de José Quintiliano da Fonseca e 1921-1923, na gestão de Manoel M. Polito, exerceu o cargo de Vogal. Ocupou a Presidência do Gabinete de Leitura em 1923-1924, 1924-1925, 1925-1926, 1926-1927 e 1927-1928, contando com apoio de diversos intelectuais, entre eles o Dr. Joel Macieira Aguiar.

Quando ocupou a presidência do “majestoso”, em 1926, Josias Vieira Dantas adquiriu o prédio que hoje funciona o Gabinete de Leitura.

Dantas recebeu o título de “Zelador da Obra das Vocações Sacerdotais”, por Dom Fernando Gomes, pelo apoio dedicado à Diocese e pela tentativa, sem êxito, de criar em 1951, o Seminário Menor em Maruim. Durante sua vida, preocupou-se em auxiliar à igreja, por exemplo, quando providenciou o reparo de um dos sinos da igreja matriz. O sino rachado foi transportado para ser consertado na oficina de manutenção da Viação Férrea Federal do Leste Brasileiro, situada em Aramari, no Estado da Bahia.

Josias Vieira Dantas ainda instituiu, na década de 20, o Colégio Diocesano; a Irmandade Carmelita, em 1942, e a Congregação Religiosa Feminina das Irmãs de Santa Terezinha, em 1958.

Em 05 de maio de 1954, apoiado por seu primo Clodoaldo Passos e pelo fundador da Campanha Nacional de Educandários Gratuitos (CNEG), em Sergipe, o Dr. Felipe Tiago Gomes, continuou a valorização da educação ao inaugurar o Ginásio Maruinense no Instituto Cruz, prédio que hoje funciona a Secretaria Municipal de Maruim, na Praça João Rodrigues.

Com a segunda grande guerra mundial, os preços dos produtos importados utilizados na indústria têxtil como derivados do petróleo e material químico para tinturaria começaram a subir por conta das importações, como consequência, o produto final passou por uma elevação de preço. Com a dificuldade em manter a empresa, a Sergipe Fabril foi concedida, em 1969, ao Grupo Constâncio Vieira. 

Em fevereiro de 1969, transferiu-se para Aracaju para realizar tratamento de saúde, pois seu estado era debilitado.

Homenagens

Em 1958, Josias Vieira Dantas recebeu a medalha comemorativa da Conferência Internacional de Investimentos em Belo Horizonte e Araxá, em Minas Gerais e Brasília, no Distrito Federal, pelo Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Em 1968, a Associação Comercial de Sergipe, através do então Presidente Ayrton Valença de Vasconcelos, concedeu a Josias Dantas, o título de sócio remido da instituição por sua honradez, exemplo de homem de bem, trabalhador honesto e que muito fez pela nossa terra, sendo exemplo para as novas gerações. Na ocasião, sr. Josias havia solicitado a sua exclusão do quadro social da entidade, tendo em vista que não conseguiria quitar as obrigações financeiras.

Josias Vieira Dantas recebeu diversas homenagens, entre elas estão à denominação do Gabinete de Leitura para Biblioteca Municipal Josias Vieira Dantas, que a partir de 1992, passou a ser administrado pela Prefeitura Municipal de Maruim; a Escola Municipal de Ensino Fundamental Josias Vieira Dantas, na Rua Pedro Freire, bairro Lachez, em Maruim; Em Aracaju, a Rua RT-5, na Coroa do Meio, que passou a denominar-se Rua Josias Vieira Dantas pela Lei Municipal Nº 1.524 e sancionada pelo então prefeito da capital sergipana, Wellington da Mota Paixão.

*Jornalista e especialista em Marketing, Comunicação integrada e Assessoria

Imagens: Reprodução do livro Josias Vieira Dantas, meu pai (ver referência)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGUIAR, Joel. Traços da História de Maroim. 2. ed. Edição comemorativa dos 150 anos de Maruim. Aracaju: Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe, 2004.

CRUZ E SILVA, Maria Lúcia Marques. Inventário Cultural de Maruim. Edição comemorativa aos 140 anos de Emancipação Política da cidade. Aracaju: Secretaria Especial de Cultura, 1994.

ROSA, Gilvan dos Santos. Maruim, coisas que ouvi dizer... 2. ed. rev. Aracaju: Secretaria de Estado da Educação e do Desporto e Lazer, Sercore, 1999.

DANTAS, Sylvio de Mello. Josias Vieira Dantas, meu pai: In memorian. Salvador: SMD, 2002.

Texto e imagens reproduzidos do site: jornaldemaruim.com

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Alese homenageia Ilma Fontes pelos 50 anos de jornalismo


Publicado originalmente no site F5 News, em 28/11/2017

Alese homenageia Ilma Fontes pelos 50 anos de jornalismo

A escritora, roteirista, cineasta, jornalista, médica psiquiatra, curadora e editora do jornal “O Capital”, Ilma Fontes, recebeu das mãos da deputada estadual Ana Lúcia a homenagem da Assembleia Legislativa de Sergipe pelos 50 anos de dedicação ao jornalismo. Realizada na tarde desta segunda-feira (27), a solenidade reuniu autoridades dos três poderes, jornalistas, literatas, artistas e militantes culturais que prestigiaram a justa homenagem.

Ana Lúcia emocionou a todos com seu discurso cheio de poesia e despido de formalidade, tal qual a homenageada da tarde. “Um enredo de vida marcado pela coerência e pelo compromisso com a ‘resistência ao ordinário’. Egrégia é a resistência. Eminente é a renitência. Ilma é ilustríssima. Dos dias de Mário Jorge, Joubert Moraes e Cacique Chá à garupa da motocicleta do jovem pintor Tintiliano. Da Praça Tobias Barreto, da casa de seu Aderbal e dona Jenny ao Rio de Janeiro e ao firmamento”, apontou.

“Ainda que a tempestade desabasse, pesadíssima, sobre o país e os sobre cajueiros da província del Rey, uns e outros muito poucos seguraram a barra enquanto perdurou a longa e vexaminosa borrasca da ignorância dos coturnos do 28 BC”, declarou Ana Lúcia em referência à resistência de Ilma durante o período da ditadura militar.

“Deputada Ana Lúcia, a senhora me faz muito feliz nesta tarde, mas ao mesmo tempo dispara uma adrenalina, que há muito tempo não vivenciava”, agradeceu a homenagem e o discurso da deputada. “O ato de escrever é um ato solitário. Falar é outra praia. E falar para um público tão excelso, é me considerar uma felizarda. Eis aqui uma pessoa vitoriosa, porque nunca nada foi fácil para mim, mas tudo valeu a pena”, destacou emocionada a homenageada.

Ícone da cultura sergipana, Ilma Fontes marcou e permanece marcando a história de Sergipe. “Nunca saí do jornalismo”, contou, ao falar sobre sua saída de Aracaju para estudar medicina no Rio de Janeiro, onde trabalhou como psiquiatra na Clínica Visconti Silva. Largou a psiquiatria para dissecar a cultura e retornou a Aracaju, onde trabalhou com cinema, literatura, artes e, claro, jornalismo. “Sair da fôrma da conformidade é desconfortável”, disparou a ilustríssima Ilma, referindo-se à coragem de deixar a medicina para dedicar-se à cena cultural.

“Médica, Ilma é poeta. Doutora como Guevara, como Guimarães Rosa, como Tchekhov. Legista, não se limitou a dissecar carcaças inertes. Deitou olhos sobre a anatomia distrófica do conservadorismo de nossa terra para alcançar o mundo todo. Dissecou o cacique Serigy, mas também Jean Genet e Rimbaud. Psiquiatra, negou-se à lobotomização e a reforçar o superego chatíssimo que interditou a emancipação e condenou à indigência cultural tantas mulheres de seu tempo”, completou Ana Lúcia.

Em seu discurso, Ilma rememorou histórias suas e do jornalismo sergipano. Histórias de repressão e de libertação, da ditadura militar e do rock’n’roll. Em uma dessas histórias, nossa homenageada contou que seu modo de desafiar a sociedade e de subverter o conservadorismo dominante, lhe rendeu a demissão do jornal Gazeta de Sergipe. Em plena ditadura militar, Ilma entrevistou seu amigo, o poeta Mário Jorge, para o periódico. Com o título “Poesia no paredão”, a entrevista foi considerada “inadequada” para a edição e a jornalista, “inadequada” para o jornal.

“O ativismo politico e cultural é uma coisa que entranhou-se e não poderia deixar de entranhar-se na minha geração, que é a geração do rock’n’roll”, resumiu Fontes.

E definiu-se no poema “Cogito”, de Torquato Neto: “eu sou como eu sou / pronome pessoal intransferível / do homem que iniciei  / na medida do impossível / eu sou como eu sou  / agora  / sem grandes segredos dantes  / sem novos secretos dentes  / nesta hora  /  eu sou como eu sou  / presente / desferrolhado indecente /feito um pedaço de mim”.“Aos 50 anos de jornalismo, Ilma Fontes ainda tem tudo a dizer e a mostrar”, finalizou Ana Lúcia.

Texto e imagem reproduzido do site: f5news.com.br

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Assembleia Legislativa Homenageia a jornalista Ilma Fontes.

Foto reproduzida do site: antoniomiranda.com.br e postada pelo blog
‘SERGIPE, sua terra e sua gente’, para ilustrar o presente artigo.

Texto compartilhado de publicação originária do Portal Infonet, de 24/11/2017

AL Homenageia a jornalista Ilma Fontes.
Por Ivan Valença.

Sessão especial de homenagem à Jornalista Ilma Fontes está programada para 2a feira, a partir das 17h, pela Assembleia Legislativa do Estado. A homenagem é pela passagem dos 50 anos de atividade jornalística daquela que, se fosse seguir a carreira pela qual se formou, seria médica.

 Mas, um belo dia, 50 anos atrás ela se encontrou com o jornalismo e foi mordida pela mosca azul, transformando-se, no jornal “Gazeta de Sergipe”, numa das melhores e mais lidas cronistas sociais da época. Depois é que se dedicou ao mundo das Artes, organizando exposições e mostras fotográficas. 

Por muitos anos foi a curadora das mostras de arte organizadas pelo Legislativo Estadual e mantém um jornalzinho alternativo de boa circulação no Estado, também dedicado ao mundo das artes. Se há uma homenagem merecida certamente é esta dedicada a Ilma Fontes.

O peso da idade não diminui o entusiasmo pela Arte feita por sergipanos para sergipanos.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Biografia de Leandro Maynard Maciel

Foto reproduzida do site: harpyaleiloes.com.br e postada pelo blog
"SERGIPE, sua terra e sua gente", para ilustrar o presente artigo.

Nome: MACIEL, Leandro

Nome Completo: LEANDRO MAYNARD MACIEL

Tipo: BIOGRAFICO

*const. 1934; sen. SE 1935-1937; const. 1946; dep. fed. SE 1946-1955; gov. SE 1955-1959; sen. SE 1967-1975.

Leandro Maynard Maciel nasceu em Rosário do Catete (SE) em 8 de dezembro de 1897, filho de Leandro Ribeiro de Siqueira Maciel e de Ana Maynard Maciel. O pai, abastado senhor de engenho em Sergipe, foi político militante desde 1871, tendo sido, durante o Império, diversas vezes deputado provincial e deputado-geral; após a proclamação da República (15/11/1889), foi deputado por Alagoas à Constituinte de 1891 e à primeira legislatura do Congresso Nacional (1891-1893), além de senador por Sergipe (1894-1902).

Fez os estudos primários e secundários no Colégio Salesiano de Aracaju e nos colégios Spencer e dos Irmãos Maristas, em Salvador. Ainda estudante, influenciado pela figura de Rui Barbosa, tomou parte, na capital baiana, da Campanha Civilista, movimento que promoveu, entre agosto de 1909 e março de 1910, a candidatura de Rui Barbosa à presidência da República em oposição à do marechal Hermes da Fonseca, afinal eleito no pleito de março de 1910.

Aluno do curso de engenharia da Escola Politécnica da Bahia, representou sua faculdade no Congresso dos Estudantes de Engenharia, realizado no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Ao terminar o curso, em março de 1922, apresentou uma tese que foi depois incorporada ao levantamento de um dos grandes problemas nacionais: O aproveitamento do potencial hidráulico do rio São Francisco na garganta de Paulo Afonso.

Recém-formado, ingressou nos quadros do Ministério de Viação e Obras Públicas, sendo designado para exercer suas funções na Paraíba. Ali trabalhou nas obras do porto da cidade da Paraíba, atual João Pessoa, capital do estado. Transferido para o Rio de Janeiro, trabalhou no Departamento de Portos, Rios e Canais.

Ingressou na política em 1926, com a chegada de Ciro Franklin de Azevedo à presidência de Sergipe. Com a morte deste, em 1927, assumiu o governo o coronel Manuel Correia Dantas, presidente da Assembleia Legislativa, a quem se ligou politicamente, ocupando em seu governo o cargo de diretor do Departamento de Obras Públicas do estado. Em 1929 filiou-se ao Partido Republicano (PR) de Sergipe e candidatou-se a deputado federal nas eleições de maio de 1930, sendo eleito com o apoio da Coligação Democrática Sergipana.

Em 3 de outubro de 1930 estalou a revolução. No dia 14, o capitão Juarez Távora, à frente dos revolucionários vindos da Paraíba, ocupou o estado de Sergipe e depôs o presidente Correia Dantas. Assumiu o governo o primeiro-tenente Eronides Ferreira de Carvalho, que ainda antes do final do ano foi substituído pelo capitão Augusto Maynard Gomes, nomeado interventor federal pelos chefes revolucionários. Leandro Maciel manteve o cargo de diretor de Obras Públicas do novo governo.

Em maio de 1933, elegeu-se deputado por Sergipe à Assembleia Nacional Constituinte na legenda do Partido Social Democrático (PSD) de seu estado, tomando posse em novembro do mesmo ano. Promulgada a nova Constituição em 16 de julho de 1934 e eleito, no dia seguinte, o presidente constitucional da República, Getúlio Vargas, até então chefe do Governo Provisório, os deputados constituintes tiveram os mandatos prorrogados até maio de 1935. Nas eleições de outubro de 1934, Leandro Maciel elegeu-se deputado federal na mesma legenda para a primeira legislatura ordinária após a Constituinte. Entretanto, com a instalação da Assembleia sergipana no início de 1935, foi eleito indiretamente senador por seu estado. Preferindo exercer o mandato no Senado, abriu mão de sua cadeira na Câmara dos Deputados. Com o golpe do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937, que fechou todos os órgãos legislativos vigentes no país, teve porém o mandato de senador interrompido.

Na UDN

Em abril de 1945, foi criada a União Democrática Nacional (UDN), partido que nasceu da campanha pela redemocratização do país e que reuniu as forças políticas contrárias ao presidente Getúlio Vargas. Filiando-se à UDN, Leandro Maciel participou da primeira reunião de seu diretório nacional, realizada no dia 21, quando foram nomeadas as comissões para a elaboração do primeiro projeto de estatuto do novo partido. Coube-lhe participar da comissão incumbida do estudo dos problemas estaduais e municipais.

Em 29 de outubro desse ano, Getúlio Vargas foi deposto pelos chefes militares. No pleito de dezembro, Leandro Maciel elegeu-se deputado por Sergipe à Assembleia Nacional Constituinte, na legenda da UDN. Empossado em 19 de fevereiro de 1946, participou dos trabalhos constituintes e, após a promulgação da nova Carta (18/9/1946), passou a exercer mandato legislativo ordinário. Em 1948, foi eleito membro da Comissão de Obras Públicas e membro da Comissão Especial da Bacia do Rio São Francisco, na Câmara dos Deputados.

Em outubro de 1950, reelegeu-se deputado federal, sempre na legenda da UDN, para o período legislativo de 1951-1955. Nesse mesmo ano, concorreu pela UDN ao governo de seu estado, sendo derrotado por Arnaldo Rollemberg Garcez, lançado pelo PSD e pelo Partido Republicano (PR). Como deputado federal por Sergipe, canalizou verbas para seu estado, destinadas a obras de construção de açudes, estradas de rodagens, hospitais e escolas, e à aquisição de máquinas e geradores elétricos para diversos municípios.

Em outubro de 1954, venceu as eleições para governador de seu estado, na legenda da UDN e com o apoio do Partido Social Progressista (PSP), do Partido Social Trabalhista (PST) e do Partido Trabalhista Nacional (PTN), vencendo Edélzio Vieira de Melo, candidato do PSD. Deixando a Câmara em janeiro de 1955, assumiu o governo em fevereiro, tendo como vice-governador o médico José Machado de Sousa, que o substituiu de março a junho desse ano. Nesse período viajou ao Rio de Janeiro a fim de tratar de interesses do estado, ligados à usina hidrelétrica de Paulo Afonso, cuja expansão até Sergipe pleiteava.

Durante sua administração, realizou a dragagem e desobstrução do porto de Aracaju e a construção de mais de trezentos quilômetros de estradas de rodagem. Reconstruiu a rede de distribuição de energia elétrica e reformou o sistema de abastecimento de água do estado. Restaurou o palácio Olímpio de Campos ou das Secretarias, destinado ao funcionamento dos vários órgãos do governo, e vários edifícios e escolas públicas, inaugurando em fevereiro de 1958 o Instituto de Educação Rui Barbosa, em Aracaju. Concluiu e inaugurou igualmente o aeroporto de Santa Maria, também na capital estadual. Instituiu, finalmente, o sistema de mesas-redondas para debater assuntos de interesse público e obter maiores esclarecimentos sobre os vários problemas do estado. Findo o seu governo, passou o cargo, em 31 de janeiro de 1959, a Luís Garcia.

Em novembro de 1959, seu nome foi apresentado à convenção nacional da UDN como candidato à vice-presidência da República na chapa de Jânio Quadros. Nessa ocasião, derrotou o deputado Fernando Ferrari. Todavia, em abril de 1960, renunciou à candidatura, sendo substituído, em julho, por Mílton Campos.

Em fevereiro de 1961, foi nomeado presidente do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), por Jânio Quadros, que então iniciava seu governo. À frente dessa autarquia federal, modificou o Plano do Álcool, fixando preços para o produto adquirido pelo instituto, modificando a sistemática de entrega do álcool às companhias de gasolina e estabelecendo a obrigatoriedade de as usinas receberem, para a produção de álcool direto, a mesma percentagem fixada para a produção do açúcar. Regulamentou ainda o pagamento de canas fornecidas às usinas associadas a cooperativas centralizadoras de vendas e alterou as datas de início e fim de safra de alguns estados do Nordeste. Extinguiu o Serviço Especial de Requisição e Destilação de Aguardente e criou a Divisão de Exportação do IAA, por decreto de 22 de junho de 1961. Em setembro de 1961, após a posse do vice-presidente João-Goulart na presidência da República em virtude da renúncia de Jânio Quadros (25/8/1961), deixou a presidência do IAA, sendo substituído, em caráter interino, pelo vice-presidente do instituto, Eduardo Rios Filho.

Em outubro de 1962, lançado pela UDN e pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), voltou a concorrer ao governo de Sergipe, sendo, contudo, derrotado por João Seixas Dória, candidato do PSD e do Partido Republicano Trabalhista (PRT).

Na Arena

Com a dissolução dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965, e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), agremiação criada em abril de 1966, formada pelas forças políticas ligadas ao movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart.

Em novembro de 1966, elegeu-se senador por Sergipe, na legenda da Arena. Nesse pleito derrotou o industrial Oviedo Teixeira, candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar, e pai do deputado José Carlos Teixeira, presidente do diretório regional daquele partido em Sergipe. Durante seu mandato, iniciado em fevereiro de 1967, foi presidente da Comissão de Transportes, Comunicações e Obras Públicas, vice-presidente da Comissão de Redação, membro da Comissão de Finanças e Economia, e da Comissão de Minas e Energia, além de suplente das comissões de Indústria e Comércio, do Polígono das Secas, de Agricultura, de Justiça de Ajustes Internacionais, de Legislação sobre Energia Atômica e de Serviço Público Civil.

Concorrendo novamente às eleições de novembro de 1974 para o Senado na legenda arenista, não conseguiu reeleger-se, sendo derrotado por João Gilvan Rocha, do MDB. Ao terminar seu mandato de senador em fevereiro de 1975, retirou-se da vida política.

No exercício da vida pública, foi ainda fiscal do Serviço de Águas e Esgotos de Aracaju, diretor da Companhia de Serviços de Luz e Força de Sergipe (Energipe) e presidente das Usinas Nacionais.
Faleceu em Aracaju no dia 14 de julho de 1984.

Era casado com Marina de Albuquerque Maciel, filha de Otacílio de Albuquerque, médico, jornalista e político paraibano, que foi deputado estadual e federal e senador pela Paraíba (1923), e um dos articuladores no Nordeste do movimento revolucionário de 1930.


FONTES: ARQ. PÚBL. EST. SE; ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais; BANDEIRA, L. 24; Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CISNEIROS, A. Parlamentares; COSTA, M. Cronologia; Diário do Congresso Nacional; Encic. Mirador; FRANCO, A. Escalada; FUND. GETULIO VARGAS. Cronologia da Assembléia; GODINHO, V. Constituintes; Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (9/3/60, 27/7 e 16/10/66); LACERDA, C. Depoimento; NABUCO, C. Vida; NÉRI, S. 16; OLIVEIRA, H. Presidentes; Perfil (1972); PINTO, L. Pequenos; SENADO. Anais (1935); SENADO. Dados; SENADO. Dados biográficos (1974); SENADO. Endereços; SENADO. Relação; SILVA, G. Constituinte; WYNNE, J. História.

Texto reproduzido do site: fgv.br/cpdoc/acervo

domingo, 19 de novembro de 2017

Dona Dulce e Sr. Orlando Dantas


“Meus avós Dulce e Orlando Dantas. No final dos anos 40 ou início dos anos 50, acredito que na Fazenda Coqueiro, em Socorro, que era propriedade de meu avô”. (Paulo Roberto Dantas Brandão).

Foto e Legenda reproduzidos do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão.