domingo, 21 de junho de 2020

Os 95 anos do grande Jorge Leite e a crônica afetiva de um filho

Dr Jorge Leite, como é carinhosamente chamado, e a sua Angelina: rumo ao centenário!

Publicado originalmente no site JLPOLÍTICA, em 19 de junho de 2020

Opinião - Os 95 anos do grande Jorge Leite e a crônica afetiva de um filho

Por Ivan Leite * (Coluna APARTE)

No dia 19 de junho de 1926 nasceu em casa, na Avenida Ivo do Prado em Aracaju, meu pai, Jorge Prado Leite, primogênito de Júlio César Leite e de Carmem Prado Leite, e também primeiro neto do coronel Gonçalo Rollemberg. Aos 11 anos de idade foi estudar, sozinho, em Fortaleza, Ceará, na Escola Militar.

Aos 12 anos, mudou-se para Minas Gerais. Foi estudar internamente no Colégio Cataguases Leopoldinense, e de lá ele mantém até hoje memórias deliciosas, não apenas pelos tradicionais doces mineiros, mas pelo carinho e amizade de famílias e amigos que o acolhiam aos finais de semana e as paqueras de adolescente.

Mudou-se para São Paulo alguns anos depois, para o internato do Colégio Mackenzie, do qual também guarda sempre boas memórias. Serviu ao CPOR - Centro Preparatório de Oficiais da Reserva - Exército, o que lhe era fácil, pelo temperamento disciplinado, mas difícil pelas ações físicas, pois mesmo não tendo limitações que o impedissem de executá-las, a elas não era muito afeito.

Mas conseguiu superá-las através de atribuições que buscou na biblioteca. Aos 19 anos, papai ingressa na já cobiçada nacionalmente e já consagrada formadora de excelentes engenheiros, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo -, feito este que muito o orgulha.

Na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo estudaram contemporaneamente jovens que vieram a ser dois governadores de São Paulo, Mario Covas e Paulo Maluf. Com este, papai concorreu em eleição para o Grêmio da Poli, e o venceu - fato que atesta a sua grande capacidade de aglutinação e liderança.

Como presidente do Grêmio da Poli, e vindo de outro Estado morar em São Paulo, era conhecedor das dificuldades que enfrentavam os alunos originários do interior e de outros Estados de todo o Brasil.

Por isso, idealizou e empenhou-se na viabilização e construção da Casa do Politécnico. E teve sucesso nesta empreitada, construindo um prédio de 11 andares que, ao término da sua gestão, já estava no sexto pavimento e com recursos assegurados para a sua conclusão.

Em 1950, já formado em Engenharia Civil, papai retorna a Sergipe a convite de seu pai, que dele precisava para dirigir a Fábrica Santa Cruz uma vez que, como senador, iria morar no Rio de Janeiro. Este é o mesmo ano em que conheceu e apaixonou-se pela ainda adolescente Angelina, a minha mãe.

Em 1956, três importantes fatos ocorrem na vida de papai: o time de futebol da fábrica, o Santa Cruz, o Azulão do Piauitinga, sagra-se campeão estadual no primeiro campeonato desta abrangência, e ainda fora campeão seguidamente 1957/58/59/60, sendo o primeiro pentacampeão; é fundada a Companhia Sul Sergipana de Eletricidade, a Sulgipe, e lhe nasce o seu primogênito, euzinho aqui.

Em 5 de maio de 1964, ocorrem os dois maiores reveses de sua vida: a perda prematura de sua genitora, Vovó Carmem e, no mesmo dia, a destruição da Fábrica Santa Cruz por uma gigantesca enchente dos rios Piauí e Piauitinga.

Demonstrando sua garra e seu empreendedorismo, em 1º de maio de 1967 papai inaugura a primeira estação de rádio do interior de Sergipe, a Rádio Esperança, numa data que demonstra explicitamente seu apreço e reconhecimento aos trabalhadores - ele próprio um eterno trabalhador -, a ponto de receber o codinome de um homem chamado trabalho!

Aos filhos, que criou e educou com exemplos - Ivan, Marcelo, Adriana -, e aos netos Jorge, Yvette, Júlia e Luiza, e ao bisneto Pedro Jorge, ele segue dando demonstração de perseverança. Chega hoje aos 95 anos e, como lhe é peculiar sempre ter metas, a de agora é de ir rumo aos 100. Então vamos!

[*] É engenheiro, foi deputado estadual, prefeito de Estância e secretário de Estado da Indústria e Comércio de Sergipe, mas para o que ele mais levanta crachá mesmo é para a condição de um filho de Jorge.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br

sábado, 20 de junho de 2020

Homenagem a Barreto Colchões (1937 - 2020)

Barreto Colchões

Publicado originalmente no site ESPAÇO LIVRE NOTÍCIAS, em 19 de junho de 2020

Morre Barreto Colchões 

O deputado estadual, Garibalde Mendonça (MDB), manifesta pesar pelo falecimento na noite desta quinta-feira, 18 de junho, de Ederaldo Pereira Bonfim, pai de seu assessor parlamentar, o radialista Ferreira Filho.

Barreto Colchões, como era conhecido, estava internado em um hospital de Aracaju há mais de 30 dias, em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ele vinha enfrentando alguns problemas de saúde e o quadro se agravou após contrair a Covid-19.

Filho de Eduardo Bonfim e Ermínia Ferreira Bonfim, Ederaldo Bomfim, nasceu no povoado Roque Mendes, município de Riachuelo. Ele deixa esposa, filhos e netos.

Sepultamento – O sepultamento será realizado nesta sexta-feira, 19, às 10hs, no Cemitério Santa Izabel, em Aracaju.

Por conta das medidas de distanciamento social, o velório e sepultamento serão reservados aos familiares e pessoas bastante próximas, cumprindo-se o devido protocolo.

Texto e foto reproduzido do site: espacolivrenoticias.com.br

***************************************************************




Fotos reproduzidas do Perfil do Facebook/Barreto Colchões

Barreto colchões: “Naquela mesa vai ficar faltando ele”, diz Ferreira Filho


Publicado originalmente no site MIRA GERAL, em 19 de junho de 2020

Barreto colchões: “Naquela mesa vai ficar faltando ele”, diz Ferreira Filho

Depois escreverei mais sobre você, mas, no momento é o que me intui.

Por Ferreira Filho

Nesse momento de dor me inspiro na música, fazendo algumas alterações diante do instante, dizendo que “Naquela mesa vai ficar faltando ele, e a alegria dele, vai ficar doendo em mim”.

Que legado meu pai!

Até na hora de partir para o lado do Pai Celestial lutou bravamente pela vida, quando, enfim, a hora da sua ida para eternidade foi inevitável.

Esta imagem que Deus me deu oportunidade de registrar nos últimos dias de sua vida, é um gesto que representa para mim, e toda família, tudo o quanto fomos servidos por sua luta na sua passagem por aqui para nos proporcionar o que era possível e de melhor.

Obrigado meu pai!

Depois escreverei mais sobre você, mas, no momento é o que me intui.

Me dê sua benção, meu pai!

Você partiu, e ficará aqui presente na nossa saudade eterna!

Texto e imagem reproduzidos do site: mirageral.com.br

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Réquiem por Reginaldo Silva, por Odilon Machado

Imagem reproduzida da Ascom/UFS e  postada
 com arte pelo blog SERGIPE...

Texto publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 17 de junho de 2020

Réquiem por Reginaldo Silva
Por Odilon Machado (Blog Infonet) 

O médico Reginaldo Oliveira Silva, falecido nesta semana, vítima do Covid19, era um homem de muito valor para a sociedade sergipana.

Filho de raízes itabaianenses, Reginaldo em criança viveu ao lado da Panificadora Aimoré, na Rua de Itabaiana, esquina com Maroim, em Aracaju, de propriedade de seus pais, Jovino e Caçula Silva.

Neste tempo eu morava na Rua de Pacatuba, nunca chegando a travar conhecimento, afinal os nossos caminho pouco se cruzavam, embora nossas residências fossem bem próximas.

Também nunca fomos colegas nem contemporâneos de estudos, embora nossas idades justificassem uma maior proximidade.

Eu estudara nos Colégios Brasília, no Jackson de Figueiredo e no antigo Atheneu, o Colégio Estadual de Sergipe; ele talvez tivesse estudado no Colégio Menino Jesus e no Tobias Barreto, salvo engano.

O meu conhecimento com Reginaldo aconteceu a partir dos nossos casamentos; eu com Tereza Cristina, filha de Aldjebran e Julia Garcia Moreno, há quase cinco décadas, e ele com Marilda, em tempo igual, filha de Edinaldo e Janice Bravo de Oliveira da sociedade propriaense.

Tereza e Marilda são parentas e amigas, minha sogra sendo o elo desta amizade, afinal Julia e Janice sempre se trataram como tia e sobrinha, em tradição de longa data.

Marilda deu a Reginaldo três filhas; Karina, Karolina e Katarina, e um varão; Reginaldo Filho, criados sempre próximos de meus filhos, chegando inclusive a serem colegas nos estudos.

Minha proximidade com Reginaldo se fez maior a partir da política universitária, quando fomos convidados pelo Magnífico Reitor Gilson Cajueiro de Holanda a exercer a função de Diretor de Centro Universitário.

O ano era 1980, tempo em que a Universidade fervilhava rebeldemente contra os poderes constituídos em demanda entrópica sempre norteada de maior liberdade, quando os barbudinhos do PT se ensaiavam como, verbosos e fabulosos, maus construtores da pátria.

O Magnífico Reitor e nós seus assessores éramos açoitados como “biônicos”, acusados de não possuir a legitimidade das urnas, antes nunca usada, mas que agora era requerida, quiçá exigida, pelo febril assembleísmo nascente.

Os quatro Diretores de Centro Universitário fustigados por liderança estudantil enraivecida contra o Regime Militar minguante, eram todos Professores de Mérito inatacáveis, nunca ligados a mecanismos repressores, e menos ainda ao seu endosso : José Bonifácio Fortes Neto, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas, José Alexandre Felizola Diniz, do Centro de Educação e Ciências Humanas, Reginaldo Oliveira Silva, do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde e eu, Odilon Cabral Machado, do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia.

Animava-nos o fiel cumprimento da missão por necessário, afinal ninguém escolhe o momento ideal para bem servir a nação, a comunidade ou a sua Faculdade, nem pode achar que um eventual marulho ou um barulho insensato mereça o estouvado mergulho na intolerância que tudo envilece e desconstrói.

Infelizmente, por desconstrução farsesca de releitura da História, o Herói de ontem pode ser o vilão de amanhã, estátuas como a de Winston Churchill sendo depredadas e rasuradas, a ponto de requerer alambrados de proteção, porque a humanidade que ergue, que constrói, e que resiste, é a mesma que rói e corrói, se escafede, foge e desiste, o vandalismo sempre surgindo e refluindo, urrando e zurrando, sem razão ao desembesto.

Compromissado ao bom serviço, depois da missão de Direção de Centro Universitário, e como resultado da administração de Gilson Cajueiro de Holanda, a UFS conseguiu a cessão do antigo Hospital de Aracaju (Hospital Sanatório) pelo Ministério da Saúde, visando a implantação do Hospital Universitário.

A UFS de então tinha o sonho de construir um Hospital Universitário, tendo sido previsto a sua construção no Campus Universitário.

Na planta e na maquete tudo é fácil. Difícil é tornar o sonho realidade.

Sobretudo naquele tempo em que o país ingressara nos comuns dias de déficit econômico, e as Universidades públicas então criticadas por massificar o ensino superior, em acréscimo de vagas e construções de Campi por todo o país, e aqui também, vivia momentos diastólicos de contenção de despesas, os chamados “contingenciamentos”, denunciados mais das vezes como tentativas demoníacas de privatização do ensino público.

Se em Sergipe tal ampliação de cursos utilizara convênios laboratoriais da Escola Técnica Federal, e de órgãos estaduais como o Departamento de Estradas e Rodagens (DER-SE) e o Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITPS), a custo zero, ou quase, na área das Ciências Exatas, os cursos da área médica utilizavam o acervo do Hospital das Clínicas Augusto Leite, mediante um convênio cujo custo exorbitava o próprio orçamento da Universidade Federal.

Foi então que o Reitor Gilson Cajueiro conseguiu mediante negociações entre os Ministério da Educação e o da Saúde, a cessão para a nossa Universidade Federal do antigo Hospital Sanatório de Aracaju, nosocômio que se achava perdido e esquecido nas colinas do Santo Antônio, sendo Reginaldo Silva um dos heróis fundadores desta nova fase da História da Medicina em Sergipe, sendo inclusive o seu primeiro Diretor.

Hoje tudo isso é lembrança e, como dizia o poeta, lembrar é não ver.

Todavia, os homens prosseguem nos mesmos caminhos, a terra gastando a pele, a ensejar seguidores, que olvidam e apagam quem lhes foram desbravadores.

De Reginaldo Silva restou sua lembrança enquanto cirurgião e obstetra, auxiliando o vir a luz de muitos, como a Odilon, o meu terceiro filho, minorando a dor de centenas de mulheres, curando-as muitas, quiçá milhares, sem nunca perder a paciência, nem atender com displicência, virtude mais que requerida aos obstetras em suas horas difíceis e urgentes.

Como Médico, também se fez empresário, criando a Clínica e Hospital Renascença.

Depois, por capricho da vida, atingiu-o uma moléstia progressiva e limitante, em pleno labor e proficiência, saindo pouco, ficando restrito à sua casa, onde, leio-o na internet, atingiu-o esta doença cruel que a todos ceifa e amedronta.

– “Fiquem em casa!” – Gritam loucos e destrambelhados os nossos Governantes cercados de Especialistas do nada, a prescreverem tudo, sobretudo causando miséria e fome a serem cobrados mais adiante.

E o Vírus louco se aproximando de quem está na rua e de quem não está, ficando em casa, como Reginaldo que não mais saia, morrendo sem que nós seus amigos pudéssemos louvá-lo em despedida.

Em tantos ídolos derrubados no noticiário, se o homem morre não mais deixando a fama, ficará sempre a lembrança naqueles que aquecidos permanecem em sua chama e sua luz, memória da sua presença e de sua passagem entre nós.

Que o Deus que é, que era, e que vem, receba em seus braços a alma imortal de Reginaldo de Oliveira Silva, um sergipano da melhor extirpe, para sempre amém.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br

terça-feira, 16 de junho de 2020

Fundador do Hospital Renascença morre aos 74 anos

Foto: Divulgação/Assessoria de Comunicação

Publicado originalmente no site do JORNAL DA CIDADE, em 15 de junho de 2020

LUTO - Fundador do Hospital Renascença morre aos 74 anos

Ele estava internado devido a complicações da Covid-19

Da redação do JC Online

Faleceu, na manhã desta segunda-feira, 15, o médico Reginaldo de Oliveira Silva. Ele tinha 74 anos de idade e estava internado devido a complicações da Covid-19.

Fundador e proprietário do Hospital Renascença, um dos principais da capital, drº Reginaldo tinha mais de 40 anos de atuação, sendo referência nas áreas da ginecologia e obstetrícia. Além de médico, ele também atuou como professor do Departamento de Medicina da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

O sepultamento será às 11h da manhã de hoje, porém, devido a causa de sua morte, será realizada uma cerimônia rápida, sem velório e sem presença de público.

Em nota enviada à imprensa, o hospital destacou a trajetória profissional e pessoal do médico, ressaltando os mais de seis mil partos realizados ao longo de sua carreira.

Confira a nota na íntegra

"O tempo é rápido, duro e imbatível, mas com ele, marcas profundas são deixadas na história. A trajetória de Dr. Reginaldo Oliveira Silva é um grande exemplo; ele nos deixará a certeza da saudade de um grande homem, pai e profissional, que tanto fez pela saúde da população sergipana.

Ao longo dos 40 anos que foram dedicados à Ginecologia e Obstetrícia, foram mais de seis mil partos e cirurgias ginecológicas realizados, priorizando sempre a humanização e o bem-estar das mães e recém nascidos. Foi professor concursado da Universidade Federal de Sergipe, professor titular do Departamento de Medicina, Diretor do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da UFS e um visionário: conseguiu a cessão do antigo Hospital de Aracaju (Hospital Sanatório) do Ministério da Saúde para a UFS, tendo em vista a implantação do Hospital Universitário, fato que se concretizou, assim, se tornando além de fundador, o primeiro diretor do Hospital.

Em 1982, fundou o Hospital e Maternidade Renascença. Desde lá, mudanças transformadoras já aconteceram e inúmeros cidadãos já foram beneficiados.

Nós, do Hospital Renascença, esperamos que as lembranças e suas concretizações reforcem os bons momentos vividos ao seu lado. O seu legado empático, de imensas contribuições e de cuidado com a saúde da sociedade em Sergipe continuará sendo eternizado aqui, afinal suas ações e companhia farão parte da nossa história para sempre."

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net

domingo, 14 de junho de 2020

O jornalista Márcio Rollemberg Leite


Publicado originalmente no site EVIDENCIE-SE

O jornalista Márcio Rollemberg Leite
Por GILFRANCISCO [*]

O nome de Márcio Rollemberg Leite me intriga desde 2008 quando iniciei as pesquisas sobre a formação do Partido Comunista em terras sergipanas. Foi seu companheiro de militância, o jornalista Célio Nunes (1938-2009) quem me contou algumas histórias e seus encontros políticos em uma de suas residências, localizada na Aruana. Mas seu nome era um mistério, ninguém tinha notícia do seu paradeiro.  Então, passei a colecionar textos do homenageado publicados em diversos periódicos, desde a época estudantil iniciada em 1934, alguns dos textos incluídos no livro Agremiações Culturais de jovens intelectuais na Imprensa Estudantil, publicado pela EDISE, 2019.

De família tradicional e numerosa, descendente da linhagem dos “Leites”, os primeiros registros com o sobrenome Leite datam de 1258.  Filho do médico Sylvio Cezar Leite (1880-1943) e Lourença Dias Coelho e Melo Rollemberg (filha do Barão de Itaporanga) o casal tiveram cinco filhos: Gonçalo Rollemberg Leite (1906-1977), Francisco Leite Neto (1907-1964), José Rollemberg Leite (1912-1996), Alfredo Rollemberg Leite e Márcio Rollemberg Leite (1919-1980) e do segundo casamento com Guiomar Sampaio Leite nasceram os irmãos Fernando Sampaio Leite, Josefina Leite Campos e Clara Leite Resende (1940). Cada um dos seus filhos teve destaque em fortes áreas de articulação e poderio representativo do estado de Sergipe.

Márcio Rollemberg: importante na formação das ideias políticas no Estado

Nascido em Riachuelo (SE) há 29 quilômetros de Aracaju em 14 de abril de 1919 no Engenho Angico. Márcio Rollemberg Leite, intelectual importante na formação das ideias políticas no Estado, estudou as primeiras letras em escolas particulares, em Riachuelo e em Aracaju, fazendo o curso secundário no Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora, passando pelo Colégio Tobias Barreto, em 1935, onde dirigiu com outros colegas o jornal estudantil Boletim nº 2 órgão do Grêmio Lítero-Científico Tobias Barreto, e finalmente matricula-se no curso complementar do Ateneu, onde teve como colegas Joel e seu irmão Paulo Silveira, João Nou e outros. Bacharelou em Direito pela Faculdade Nacional, do Rio de Janeiro, tendo atuação de destaque na União Nacional dos Estudantes – UNE. Regressando a Sergipe, fixa residência em Aracaju, onde inicia sua carreira de advogado e jornalista.

Militância Estudantil

Desde muito cedo, iniciou-se nos movimentos de agitação política estudantil, escrevendo artigos e poemas para os jornais estudantis, pessoa ligada ao estudo e à inteligência de um modo geral. O Boletim nº 2, Aracaju, Ano I, outubro, 1935, 4 páginas, dirigido por José Barreto, Márcio Rollemberg, Sindulfo B. Filho, Gustavo Dantas, Paulo Garcez e Durval Maynard. Vejamos o editorial, Umas Palavras:

Parece que dentre todas as classes sociais a estudantina é a que mais possui representantes da inconstância. Isto, ao menos em Sergipe, passa na fechadura da observação tal qualmente a chave das afirmações. Serve de exemplo aos vistos períodos, o caso deste Boletim que possui atrasadíssimo o seu segundo número.

Entretanto, não se culpe a diretoria. O desânimo dos colegas que em maioria desprezam a leitura e, portanto, não chegam a assinar um jornalzinho recreativo isto é que detém a marcha do órgão fundado para defesa e honra da mocidade.

Contudo, agora, com a prematura morte de Lyses não podia deixar de sair a luz este novo número do Boletim, que dará habilmente ao ilustre extinto o adeus saudoso dos sócios do G.L.C.T.B. E sai o número, ainda que sem o auxílio daqueles tão números alunos que não são principais leitores. Sai com o auxílio infalível das nobres autoridades do Colégio Tobias Barreto.

A morte que levou ao saudoso Lyses, não sabia talvez que inúmeras eram as pessoas que iriam ao enterro dele. Na verdade este foi descomunal. Pela manhã da sexta-feira, a pé colegiais e gente de várias classes prestaram homenagem ao morto em o acompanhando ao cemitério.

Aqui, antes do sepultamento, falaram pelo Ateneu (lugar onde estudava Lyses) Abelardo Horta, Rivaldo Oliveira, Gerson Pinto, Lauro Fontes, Adalberto Campos, Neide Albuquerque e Julieta Dias pelo Salesiano. Raul Leite e José Bittencourt, pelo Tobias Barreto, José Barreto Fontes (representando o Colégio) e Márcio R. Leite (representando o Grêmio a quem pertence este Boletim). Todos os discursos pronunciados mostraram ao público quanto Lyses, era querido por qualquer um dos oradores. Aqui vai um dos lidos discursos, e que, portanto, encerará as mesmas palavras que encerrou à hora fúnebre.

Aliás, é o do representante do Grêmio Lítero-Científico Tobias Barreto.

Provavelmente no início de setembro de 1937, os colegas Wilson Lima, Paulo Silveira, Abelardo Horta e Márcio Rollemberg Leite, alunos do Ateneu Pedro II, enviaram carta ao poeta mineiro Murilo Mendes (1901-1975), questionando alguns pontos sobre o integralismo. Católico ligado ao grupo do sergipano Jackson de Figueiredo (1881-1928), o poeta Murilo Mendes responde carta datado de 6 de outubro (Rio de Janeiro) a qual foi publicada no Correio de Aracaju com o seguinte título: “Carta aos jovens estudantes que combatem s extremismos”:

Vocês me desculparão por eu não lhes ter respondido há mais tempo. Ultimamente minha vida está complicadíssima. Além de tudo sou sujeito a uma gripe medonha que, quando me pega não quer largar nem a pau, e que me impossibilita e escrever nem que seja uma linha. Tanto assim que nos dois últimos números de Dom Casmurro não publica coisa alguma.

Não me tratem de Senhor, deixem a solenidade de lado. A carta de vocês me tocou profundamente – tanto mais quanto não os conheço pessoalmente. Vejo assim que meu esforço não tem sido útil. Tem repercutido e talvez possa causar utilidade aos outros. Não me move nenhum interesse subalterno, nem paixão partidária ou pessoal. Não conheço nenhum dos chefes integralistas. Move-me somente o respeito às instruções da Santa-Sé, guia seguro da Igreja Católica, depositaria da verdade total que não é outra senão a doutrina de Jesus Cristo, Deus encarnado o “único” Redentor da humanidade. O catolicismo não se identifica com nenhum partido, regime ou doutrina política, por mais aperfeiçoados que sejam. O primado da vida católica não reside na moral, mas sim na transcendência as virtudes teológicas, a Fé, a Esperança e a Caridade. A política – como a própria moral – é um aspecto secundário do catolicismo. A maioria dos integralistas são maurrasianos – partidários da fórmula “politique d’abord”, condenada pela Igreja.

Por outro lado, o comunismo é uma doutrina perversa, errada, unilateral – que não se sustenta hoje nem ao menos diante da ciência positiva. Se fosse aplicada, aumentaria o desespero n coração humano. Seus criadores são homens falíveis como nós, e se contradisseram muitas vezes. Só em Jesus Cristo o caminho, a verdade, a vida em Jesus Cristo cujas palavras não passarão, embora passem o céu e a terra – Só nele os homens poderão encontrar orientação definitiva para a sua vida total. O comunismo vive das parcelas cristãs de verdade que encerra. Mas quem possui o todo, não precisa de uma parte. Eis porque não sou comunista.

Agradeço-lhes com toda sinceridade este movimento espontâneo de vocês. Ele calou profundamente no meu espírito. Tenho-os desde já como amigos.

Aqui fico ao dispor de todos, enviando-lhes um afetuoso abraço. Murilo Mendes.                                                   

A militância na imprensa estudantil fez com que Márcio Rollemberg Leite participasse de inúmeras publicações. Em 1944 ele escreve especialmente para A Voz do Estudante o artigo Recordando o Ateneu, o qual foi publicado na edição de nº6, 30 de novembro..

Começo pedindo a vocês, os colegas de hoje, que o clamem sempre “velho Ateneu”. Os ecos saudosos de uma longínqua opinião pública me disseram no Rio que estudantes desta geração sergipana avançam e trunfam como os seus colegas de outrora. Não foi em vão que uma plêiade de moços fez o Grêmio Clodomir Silva um estudium de ruídos libertários. A Voz do Estudante já falava naquele tempo. Suas colunas adolescentes marchavam como átomos brilhantes do movimento modernista. Digo apenas pelo reflexo magnífico que me chegou daquela quadra do Ateneu. Não fui dos que se deixaram abalar de perto por aquelas primeiras emoções da cultura. Mas o Colégio Tobias Barreto, a despeito de todas as ressalvas, era o maior aliado do Ateneu. Os dois velhos estabelecimentos mantinham um intercâmbio, quase inacreditável, em Aracaju. Infelizmente, no Tobias, dominava, a princípio, a mística dos bons alunos, filatelistas de vários sem todos os meses. Não era possível organizar o Grêmio sem destacar-se à frente um estudante de boas notas. O Grêmio tinha de esperar que o mocinho retirasse os pés da bacia onde espinhava a memória e a força de vontade. Foi com muito trabalho que fundamos o “Silvio Romero” e lhe imprimimos um programa sem qualquer subordinação às cadernetas de notas nos estudos.

No Ateneu, ninguém queria saber se um Célio Araújo ou Joel Silveira tinha credenciais como “bom aluno” para escrever ou discursar. O Grêmio Clodomir Silva era um misto de idealista e foliões que falavam em solenidades e davam gargalhadas no oitão do Palácio. Realizavam mesmo um programa de cultura moça. Ninguém podia com eles. O Joel regou-se na presidência do Grêmio. Queria ser um presidente perpétuo, um Machado de Assis. Levantou-se contra ele uma oposição. Até o irmão Paulo Silveira falava nas retretas em dar um tombo no jovem caudilho as letras. Na hora ninguém o derrubava Joel prosseguia dando vida ao Grêmio com o apoio traquina da oposição. Entre os oposicionistas, estava Célio Araújo com a sua cabeleira romântica e a sua pena simples de ensaísta prematuro. Célio merece a nossa recordação mais avançada. Doente retirou-se do Ateneu em Maruim pouco depois que sumira das letras, sumia para sempre da vida. Teve a mesma sorte de Lyses Campos, o poeta jovem que sorriu até a morte. Estes dois amigos da cultura moça merecem ter os seus retratos na sala do Grêmio Clodomir Silva. São dois sócios de honra que muito fizeram por ele.

Quando saiu a turma de Joel e Lauro Fontes, o Grêmio continuou marchando com o mesmo espírito de luta. Ao matricular-me no curso complementar do Ateneu, encontrei Paulo Silveira, João Nou e outros à frente. Havia lá dentro gente de ideias desencontradas. Gente de ideias que em todo o Brasil se atracavam nas ruas. Paulo e João Nou, com rapidez elétrica, arrancaram-me um trabalho sobre Santos Dumont. Mas o momento virava s olhos para outras bandas. O Centro aparentemente arrefeceu a sua luta. Na verdade, ele mudou o seu campo de batalha para a praça pública. O nazi-fascismo que, sondava o destino de todos os povos, tinha-se azougado, ao extremo, como um decifra-se ou devora-te contra a cultura. Os estudantes foram em massa ao encontro do monstro verde. Professores mal orientados quiseram reprimir o Clodomir Silva. Foi inútil. Ele ressurgiu dos escombros da crise moral como a cultura vai restaurando-se gloriosa, de sob as ruínas da velha Europa libertada. O mesmo diretor que os alunos do Ateneu reconquistou é um grande amigo do Grêmio. O Estado, pela primeira vez, patrocina A Voz do Estudante, custeando-lhe as despesas. Compreendeu-me mesmo que os moços idealistas querem somente construir e que os moços destemidos em todo o mundo se molham de suor e de sangue para a redenção da liberdade e da cultura.                     

Após o falecimento do poeta Enoch Santiago Filho (1919-1945) em 7 de fevereiro,  o Grêmio Cultural Clodomir Silva para homenageá-lo, promoveu um Concurso de poesia social, para incentivar a cultura no meio estudantil, patrocinado pelo Dr. Enoch Santiago. A comissão julgadora do Concurso foi composta pela professora Ofenísia Soares Freire, Walter Sampaio e Márcio Rollemberg Leite e a entrega dos prêmios marcada para outubro. O aluno vencedor foi Florival Ramos de Souza que arrebatou a 1ª e 2ª colocação com os poemas: Despertar da Manhã e Canto da América. O amigo Mário Rollemberg, abatido pela perda publica no Diário de Sergipe, 8.fevereiro o artigo Adeus, Enoch.

Em 1943, em meio à repressão exercida por Getúlio Vargas, a UNE promove mobilizações estudantis em todo o país. A UNE realiza, entre outros movimentos, a Campanha Universitária Pro-Bonus da Guerra, Campanha Pro-Banco de Sangue, e o combate à Quinta Coluna. A Faculdade Nacional de Direito sofrerá a influência da dicotomia esquerda-direita que reinava na instituição, com a disputa entre os partidos acadêmicos “Movimento pela Reforma” de cunho socialista, e a “Aliança Liberal Acadêmica”, de direita. Na edição de 22 de agosto de 1942 do Diário Carioca entrevista o acadêmico Márcio Rollemberg Leite que fala sobre a ação dos estudantes na hora presente, alertando o povo contra o perigo da 5º Coluna e afirmam que os acadêmicos de Direito pretendem destruir o nazismo no Brasil.

Em Sergipe, Mácio Rollembeg Leite divide a direção do Diário de Sergipe com João Maynard Barreto, desde 1944 até a edição de 3 de março de 1945 e passa a militar no Jornal do Povo (órgão ligado ao Partido Comunista) a partir de janeiro de 1946 permanecendo até a edição de 12 de agosto do mesmo ano. Em junho de 1948 Márcio Rollemberg trava polêmica com o jornalista udenista Paulo Costa, diretor do Sergipe-Jornal, através do Diário de Sergipe. E publica: Paulo Costa e o furto da Malaria – dança de protelações suspeitas:

Jornal do Povo (1945-1948)

Tendo iniciado a sua publicação no final do mês de novembro, o semanário sergipano foi dirigido por vários jornalistas, começando pelo advogado Márcio Rollemberg Leite seguido pelo filósofo João Batista Lima e Silva e finalizando com o advogado Carlos Garcia. O periódico alcançou em edição de abril de 1946 uma tiragem de dois mil exemplares, caso raro para um semanário. A única coleção existente no Estado, pertencente ao acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, encontra-se incompleta iniciando a partir do número 7, Ano I, 3 de janeiro de 1946 indo até o nº279, Ano III, 31 de dezembro, 1947. Foram muitos os seus colaboradores durante os três anos de existência  alguns como Austrogesilo Porto, Aluysio Sampaio, Armando Domingues, Astrojildo Pereira, Antonio Clodomir, Bonifácio Fortes, Camilo de Jesus Lima, Carlos Garcia, Franco Freire,  Florival Ramos, Hugo Tavares, Hernane Prata, J. Santiago, José Waldson Campos, João Batista Lima e Silva, Luiz Carlos Prestes, Mauricio Grabois, Márcio Rollemberg Leite, Monteiro Lobato, Nélson de Araújo, Pedro Pomar, Robério Garcia, Santos Morais, Walter Sampaio e outros.     Fechado pela polícia em 14 de maio de 1945, o Jornal do Povo impetrou uma ordem de habeas-corpus ao Egrégio Tribunal de Apelação, tendo como advogado da defesa o militante comunista Carlos Garcia. O jornalista Paulo Costa, diretor do Sergipe-Jornal, contesta a invasão do jornal popular, através do artigo “Uma Medida Arbitrária”

Flagelos e Esperanças

Capa do livro Flagelos e Esperanças Fotos: Arquivo Pessoal

Após o Golpe militar e civil de 1964, quando o juiz de Gameleira (PE) Márcio Rollemberg Leite foi preso, assumiu o exercício do cargo de juiz de direito desta Comarca, como segundo substituto, o bel, Claudio Américo de Miranda, da Comarca de Cortês. Segundo informa o Diário de Pernambuco em sua edição de 23 de maio “Três juízes de Direito enquadrados na Lei de Segurança: 21 processos” entre eles estavam os nomes de Márcio Rollemberg Leite (juiz de direito da Comarca de Gameleira, na zona da Mata), Edgar Homem de Siqueira (juiz de Direito da Comarca de Olinda) e João Batista Neto (juiz de Direito de Barreiros).

Em 1978 Márcio Rollemberg Leite publica pela Revista Continente Editora (RJ), 204 p. o livro de poemas Flagelos e Esperanças e fez lançamento em Aracaju conforme registro da Gazeta de Sergipe em 27 de dezembro deste ano:

Com a presença do Governador José Rollemberg Leite, do governador eleito, Augusto Franco e do Prefeito João Alves Filho, além de mais de uma dezena de autoridades e intelectuais sergipanos, o escritor Márcio Rollemberg Leite lançou em Aracaju o seu livro Flagelos e Esperanças. A solenidade de lançamento foi realizada às 17h30min horas de ontem, na Galeria de Artes Álvaro Santos, numa promoção conjunta da Universidade Federal de Sergipe, Conselho Estadual de Cultura e Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Na oportunidade em nome dos promotores falou o Presidente do Conselho de Cultura e Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UFS, Dr. Antonio Garcia. O livro é uma coletânea de poemas que retrata em versos a realidade nordestina, um poema de amor e patriotismo, e sobre a obra assim se expressou Othon Garcia na época Presidente da Academia Carioca de Letras e da Academia Brasileira de História: É, como já foi dito, uma cartilha cívica e humana do Nordeste. O lançamento atraiu grande número de intelectuais.

Quando o juiz de Gameleira (PE) Márcio Rollemberg Leite foi preso, assumiu o exercício do cargo de juiz de direito desta Comarca, como segundo substituto, o bel, Claudio Américo de Miranda, da Comarca de Cortês. Segundo informa o Diário de Pernambuco em sua edição de 23 de maio “Três juízes de Direito enquadrados na Lei de Segurança: 21 processos” entre eles estavam os nomes de Márcio Rollemberg Leite (juiz de direito da Comarca de Gameleira, na zona da Mata), Edgar Homem de Siqueira (juiz de Direito da Comarca de Olinda) e João Batista Neto (juiz de Direito de Barreiros). Segundo depoimento de Fernando Augusto de Mendonça Filho, preso em 8 de abril de 1964 em Pernambuco diz que:

Nas masmorras da velha Casa de Detenção, a única coisa boa, foi a convivência, naquela triste situação, com homens da estirpe e do caráter de um Jáder de Andrade, Miguel Dália da Silveira, Zanoni Lins, Drumond Xavier, José Bonckvis, Luiz Iglésias de Holanda Cavalcanti, Jarbas de Holanda Cavalcanti, Márcio Rollemberg Leite, Edgar Sobreira Moura, Gerson Maciel Neto, Bianor Silva Teodósio, todos os companheiros de cela e de tantas outras insignes figuras da militância política e da intelectualidade pernambucana.

Outro companheiro de militância foi o Desembargador Edgar Sobreira, que em depoimento de 19 de novembro 2013 – Comissão Estadual da Memória e Verdade – Dom Helder Câmara – Pernambuco, diz que: lá atrás, há alguns anos passados, Márcio Rollemberg Leite, tinha sido estudante na Universidade do Rio de Janeiro, e talvez um dos fundadores da UNE. Eram tidos como revolucionários e comunistas, o seu passado deve ter influído nessa senda de crimes e ele foi preso, não sei o destino, se ele foi morto ou para onde foi. O pernambucano Aldo Lins e Silva, militante comunista e amigo de Luiz Carlos Prestes e Carlos Marighella, formado pela Faculdade Nacional de Direito do Rio em 1943, foi colega de Márcio Rollemberg e ambos foram convocados para a guerra, no instante em que se formava a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Ambos escaparam por pouco de enfrentar os nazifascistas na Europa.

Militante comunista, tanto Márcio Rollemberg Leite quanto João Batista de Lima e Silva figuras que já desapareceram, mas que exerceram influência muito grande nas ideias da esquerda em Sergipe. Márcio colaborou em alguns periódicos: Revista Época (SE); Diário de Sergipe; Correio de Sergipe; Boletim nº2; O Seminário (RJ); A Juventude (SE); Voz do Estudante (SE); Diário Carioca (RJ) e outros. Márcio era casado com Haydée Gouveia Leite, pais do Desembargador do Tribunal de Justiça de Sergipe – TJSE Alberto Romeu Gouveia Leite. Desquitado e domiciliado no Rio de Janeiro, Márcio Rollemberg Leite faleceu aos 61 anos, as 10h00min horas em 25 de maio de 1980 num hospital de Aracaju, vítima de câncer de próstata, sendo seu corpo sepultado no Cemitério Santa Isabel.
—————————
[*] É jornalista e professor universitário. E-mail:  gilfrancisco.santos@gmail.com

Texto e imagens reproduzidas do site: evidencie-se.com

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Homenagem a Neusa D'Ávila Maynard (1928 - 2020)


Publicado originalmente na Linha do Tempo do Perfil no Facebook de Armando Maynard, em 4 de junho de 2020.

Homenagem a Neusa D'Ávila Maynard (1928 - 2020)

A querida Tia Neusa, irmã de minha mãe.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Armando Maynard


Link post original, destacando reações e comentários:   [https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3231378970214528&set=a.105076429511480&type=3&theater]

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Bispo emérito de Propriá, Dom Mário morre aos 78 anos em Aracaju

Dom Mário estava internado há oito dias 
Foto: Arquidiocese de Aracaju

Publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 3 de junho de 2020

Bispo emérito de Propriá, Dom Mário morre aos 78 anos em Aracaju

O bispo emérito de Propriá, Dom Mário Rino Sivieri, morreu no final da tarde desta quarta-feira, 3, aos 78 anos, em um hospital particular de Aracaju.

Dom Mário estava internado há oito dias por causa de uma erisipela, tipo de infecção na pele. Ele teve uma complicação pulmonar, foi levado para Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), mas não resistiu.

Nascido na Itália, Dom Mário vivia há pelo menos 50 anos no Brasil. Atuou durante 30 anos em Lagarto e 20 anos em Propriá.  Dom Mário também é responsável pela fundação de três fazendas em Sergipe destinadas a recuperação de dependentes químicos.

Por Verlane Estácio

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

Professor Almiro Oliva morre com suspeita de coronavírus

 Foto reproduzida da SEED

Professor Almiro Oliva numa celebração em família

Texto publicado originalmente no site DESTAQUE NOTÍCIAS, em 3 de junho de 2020

Professor Almiro Oliva morre com suspeita de coronavírus

Com suspeita de Covid-19, morreu, nesta quarta-feira (3), professor Almiro Oliva Alves. Ele tinha 94 anos e estava internado num hospital de Aracaju. Irmão do saudoso jornalista João Oliva Alves, Almiro era natural de Riachão do Dantas, tendo sido padre no município sergipano de Carira, na década de 70.

Após deixar a batina, Almiro Oliva Alves ingressou na rede estadual de ensino como professor de Filosofia. Ele também era poliglota e poeta. Casado com Celma Oliva, o educador deixa as filhas Celmira e Mariana, além de uma netinha. A família não informou o horário e local do sepultamento.

Carira decreta luto

Tão logo tomou conhecimento da morte do professor Almiro Oliva, o prefeito de Carira, Arodoaldo Chagas, decretou luto oficial no município por três dias. A Câmara de Vereadores também fez uma homenagem pelos relevantes serviços prestados à cidade pelo ex-padre. “Estamos muito sentidos. Professor Almiro foi um divisor de águas para a educação de Carira, tendo implantado o Educandário Paroquial e ajudado a construir o Ginásio João Ribeiro”, afirmou o prefeito, que na juventude foi aluno do professor Almiro.

Texto e imagem 2, reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br


****************************************************************



Publicado originalmente na Linha do Tempo do Perfil do Facebook de Luiz Eduardo Oliva, em 3 de junho de 2020

Amigos e amigas

Faleceu essa madrugada na UTI do Hospital São Lucas com suspeita de Covid o meu Tio Almiro Oliva Alves. Tinha 94 anos, casado com Selma. Tinha duas filhas: Mariana e Selmira e uma netinha.

Tio Almiro era ex-padre, considerado um divisor de águas no desenvolvimento do município de Carira quando foi o primeiro pároco lá nos longínquos anos 60. Nasceu no Riachão do Dantas, logo adolescente foi estudar no seminário em São Leopoldo, Rio Grande do Sul onde pretendia ser frade tendo recebido o nome de Frei Justo, mas depois mudou de seminário é ordenou-se padre na Catedral de Aracaju. Foi reitor do Seminário Diocesano.

Era poliglota (francês, latim, grego, hebraico, alemão, inglês) foi também pároco da Igreja São José. Durante anos foi professor da Faculdade Pio X lecionando dentre outras matérias filosofia. Foi membro do Conselho Estadual de Educação e ocupou diversos cargos públicos. Mesmo tendo deixado o sacerdócio continuava um homem de fé. Era poeta, fazia músicas, era um entusiasta da vida. Um grande homem cheio de sabedoria, carregava a pureza dos homens bons. Fica a tristeza e a certeza que Sergipe perdeu um de seus grandes educadores. 

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Luiz Eduardo Oliva

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Homenagem a Dona Dezinha (1923 - 2020)


João Garcez, visitando a professora Dona Dezinha, da antiga Escola Santa Joana D'Arc, que funcionava na Avenida Augusto Maynard, em Aracaju.

Foto reproduzida da Linha do Tempo do Perfil no Facebook de João Garcez, em post de abril de 2014.

****************************************************************

Texto reproduzido de post na Linha do Tempo do Perfil no Facebook de Aida Brandão, em 01 de junho de 2020

Família Luduvice Enlutada

Amigos é, com muito Pesar que informo á Passagem da Professora Dezinha para Eternidade. Ela é a minha Sogra mãe de Marcos Luduvice e @ritacassialuduvice .

A Professora Dezinha há 18 dias atrás foi vítima da Covid19, foi internada, mas recebeu alta médica,sem nenhum sintoma do vírus.

Estava Bem, parecia que veio se despedir de todos nós.

Dona Dezinha deixa filhos netos e bisnetos.

Ela morava há três anos e meio com seu filho Marcos Luduvice.

Dona Dezinha, saiba que tive a maior Honra de tê-la conosco durante todos esses anos.

Nosso Coração está Partido, mas sei que você terá o Descanso Eterno junto ao Pai, com sua mãe e seu Grande Amor Hamilton Luduvice.

Você durante esses dias tinha chamado muito por ele. E Jesus o enviou! Você fez a Partida Dormindo como um Passarinho.

Obrigado por ter Existido em nossas Vidas.

E nos Deixando um Grande Legado.

Te Amamos Eternamente !!! Vá Com Deus e Descanse Paz !!!

Texto reproduzido de post na Linha do Tempo do Perfil no Facebook de Aida Brandão.

domingo, 17 de maio de 2020

"Dr. João Gomes Barreto - O João do Bem", por Jorge Bomfim

Foto arquivo família: Dr. João e sua esposa, a professora Olga,
com arte e postada pelo blog

Texto publicado originalmente no Facebook/Jorge Bomfim Menezes, em 16 de maio de 2020

Dr. João Gomes Barreto - O João do Bem 

João do Pulo

João Presidente

João Chapéu de Couro

Quantos “João” nós conhecemos por este Brasil afora. Mas eu ainda não vi nenhum que se iguale ao João Gomes Barreto – o João de Sergipe, o João Exemplo de Ser Humano e Homem Público, o João um Homem de Bem e do Bem.

Uns dias atrás recebi uma mensagem pelo whatsapp: “Luto – João Gomes Barreto”. Achei que era Fake News. Li novamente e liguei imediatamente para um amigo para verificar se tinha fundamento esta notícia.

Tinha falado com Dr. João duas semanas antes e ele parecia bastante disposto.

É difícil de acreditar, mas era verdade está triste notícia.

Dr. João Gomes Barreto, ou simplesmente Dr. João Barreto, nasceu em Maruim, em 8 de abril de 1930. Filho de Bráulio Menezes Barretto e D. Cecília Cardoso Barretto. Casado com a professora Olga Andrade Barreto. Em sua trajetória na vida pública ocupou altos cargos tanto no governo municipal, estadual e federal.

Foi Secretário Municipal da Administração, Chefe de Gabinete do vice-governador, Secretário Particular do governador, Secretário da Casa Civil, Secretário de Governo e Secretário da Educação. Em Brasília, foi secretário particular do ministro do Interior, João Alves Filho.

Quantos de nós não sentimos uma verdadeira amargura por não podermos, neste tempo de pandemia, dar um último adeus ao “Bom e Velho Amigo Dr. João”.

Porque era assim que o considerávamos. Dr. João, ela aquela pessoa atenciosa (não esquecia o aniversário de ninguém, não faltava a nenhum casamento, solenidade, missa de 7º dia, lançamento de livro, etc.), humilde (sabia tratar bem a todos independente da sua condição social), alegre (parecia que nunca tinha tido um problema na vida), e sempre tinha uma palavra de incentivo para qualquer um que dele se aproximava.

O lema da sua vida era “Quem não vive para servir, não serve para viver”. A sensação que tínhamos dele era que sempre transmitia a seguinte mensagem: “Precisando de alguma coisa, pode contar comigo. Eu estou aqui para resolver o seu problema”. Uma pessoa que tinha prazer em servir. Fazia com tanta alegria que não deixava transparecer que estava fazendo um favor a ninguém, por maior que fosse.

Dr. João era possuidor de inúmeras qualidades que ficarão sempre na memória e no coração de todos os seus inúmeros e incontáveis amigos.

Um sacerdote do bem, um gigante ético, moralmente inatacável, um homem bom, fino, elegante na essência dos atos e na forma de praticá-los, de excelente trato social, muito qualificado pessoalmente, raro exemplar humano, do tipo que tratava os demais humanos com uma humanidade que parece que estamos progressivamente perdendo, um professor de todos nós.

Ele partiu, cumpriu sua missão, e este legado por certo tornará João Barreto sempre presente entre nós.

À veneranda professora D. Olga Barreto, sua eterna companheira, nosso mais profundo sentimento de solidariedade e que Deus lhe dê muitas forças para seguir sem seu companheiro querido. Um par que se fazia uno, um casal cuja liga do infatigável amor sempre os manteve felizes.

Concluo afirmando que Sergipe está mais pobre com a sua partida e como disse acima:

“Quantos “João” nós conhecemos por este Brasil afora. Mas eu ainda não vi nenhum que se iguala ao João Gomes Barreto – o João de Sergipe, o João Exemplo de Ser Humano e Homem Público, o João um Homem de Bem e do Bem”.

Descanse em paz!

Seu amigo,

Jorge Bomfim 16/05/2020

Texto reproduzido do Facebook/Jorge Bomfim Menezes

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Morre João Gomes Cardoso Barreto


Texto publicado originalmente no Facebook/César Cabral, em 9 de maio de 2020

Com tristeza, recebi na manhã deste sábado, 9 de maio de 2020, a notícia do falecimento do Dr. João Barreto, homem público de conduta irretocável, prestativo e que dedicou parte da sua vida servindo a Sergipe e aos sergipanos. No dia 20 de junho de 2019 eu o entrevistei, em sua residência, para a seção "Por Onde Anda Você", do RADAR SERGIPE, cuja reportagem conta um pouco da sua história e que republico, neste espaço, em sua póstuma homenagem. O sepultamento será realizado no decorrer do dia de hoje (9/05/2020), no cemitério Santa Izabel, sem a devida e merecida homenagem dos seus inúmeros amigos, face a essa pandemia que estamos atravessando. Se alguém perguntar "por onde anda você, Dr. João Barreto?", pode ter certeza que ele está na Casa do Senhor, pois ele foi um homem de bem, uma reserva moral, literalmente! Vá em paz, Dr. João Gomes Cardoso Barreto!

Texto reproduzido do Facebook/César Cabral

domingo, 10 de maio de 2020

João Gomes Cardoso Barreto


Publicado originalmente no Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão, em 9 de maio de 2020

Há alguns anos uma greve interrompeu a circulação do tradicional jornal The Times, de Londres. Dizem que durante a paralisação do jornal a preocupação dos lordes britânicos era que se morressem no período seus obituários não seriam publicados no jornal da elite britânica.

Nesses tempos de pandemia e quarentena tenho outras preocupações. Não com meu obituário, que se saísse em algum jornal seria bem resumidozinho, mas com meus amigos que estão morrendo, e não os posso velar. Uma crueldade não poder consolar a família, para poder nos consolarmos a nós mesmos.

Dentre esses meus amigos o último foi João Gomes Barreto. Uma figura ímpar que aprendi muito a admirar. Sempre em companhia de D. Olga estava presente em todos os acontecimentos culturais de Aracaju. Sempre me abraçava com afeto, e dizia que gostava de ler meus artigos, desde os velhos tempos da Gazeta. Muitas vezes traçava ligações com os antigos escritos do meu avô Orlando, que para mim era uma honra.

Há um velho clichê do qual não posso fugir: Sergipe ficou mais pobre.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão

Professor João Gomes Cardoso Barreto não morreu. Encantou-se!

João Gomes Cardoso Barreto: uma alma diferente!

Publicado originalmente no site JLPOLÍTICA, em 9 de maio de 2020

Professor João Gomes Cardoso Barreto não morreu. Encantou-se!
Por Jozailto Lima (Coluna APARTE)

Dou-me por muito triste com a morte do amigo professor João Gomes Cardoso Barreto, ocorrida neste sábado, 9, quando ele completava 90 anos, um mês e um dia.

Ex-secretário de Estado da Educação, o professor João Gomes Cardoso Barreto, de família tradicional da histórica Maruim, era um raro exemplar humano, do tipo que tratava os demais humanos com uma humanidade que parece que estamos progressivamente perdendo.

Sempre coladinho em sua Olga tão afável quanto ele, João era uma presença viva em Aracaju. Praticava uma cordialidade presencial e porosa. Presencial que digo é a do tipo de ligar telefonicamente para saber como a pessoa amiga estava - o que resulta numa clara manifestação, uma declaração por certo, de afeto nestes tempos de mensagens eletrônicas.

João me ligava constantemente. E sempre chegava leve, com sua voz forte, segura, macia. Nunca impositiva. Queria sempre saber de mim. Da minha família, de notícias da política. De livro e de poesia. O agradabilíssimo sem enjoo e sem afetação morava neste João.

A última vez que me ligou foi no dia 21 de abril, uma terça-feira feriado nacional em memória de Tiradentes. Eu estava no banzo dessa quarentena. Quisemos saber um do outro, como estavam se cuidando.  Na última sexta, dia 8, foi a vez de eu fazer isso.

Às 11h09 da manhã a vozona firme dele me atende ao celular. Diz-me de tom bem sustentado que estavam ele e Olga trancadinhos em casa, sentindo-se muito bem, revelou-me que fizera 90 anos no dia 8 de abril, me reforçou que não tinham filhos, perguntou pelos meus e eu lhe informei.

Na conversa sobre filhos, em tom de brincadeira eu disse-lhe que ele poderia me adotar, do que ele riu alto e zombou de mim, afirmando que “seria ótimo ser o pai ainda que adotivo de um intelectual”.

João era este. João era assim. A conversa durou 2m33s. Tão boa. Tão humana. Ao desligar, jurei a mim mesmo: quando esta pandemia passar, vou fazer uma visita a Olga e a João. Mas ele não me esperou. Hoje, eu e o meu projeto de visitação nos sentimos órfãos - daí o dar-me por triste.

No dia 16 de novembro de 1967, ao tomar posse numa vaga na Academia Brasileira de Letras, João Guimarães Rosa, o João de Cordisburgo, e de “Grande Sertão: Veredas”, disse em eu discursos que “a gente morre é para provar que viveu”.

Sim, o nosso João daqui viveu. E viveu bem. Mas esse seu xará mineiro, que faleceu três dias depois da posse, ainda inscreveu na literatura nacional, como a negar a outra frase, a afirmação de que “as pessoas não morrem, ficam encantadas”.

Vou então pedir licença a esse nobre João mineiro para patentear que o nosso João Barreto não morreu. Encantou-se. E, encantado, paira sobre todos nós. Estou lhe vendo flanar, amigo. E nem dou-lhe adeus, para que fique sempre em forma do que sempre fora: a cordialidade encarnada.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br