terça-feira, 16 de maio de 2023

O artista brasileiro... é tema de exposição nos EUA

Legenda da foto: Arthur Bispo do Rosario acreditava ter recebido de vozes celestiais a missão de 'representar todas as coisas existentes na Terra'. Na foto, de 1943, ele veste uma de suas obras (Crédito da foto: Jean Manzon, cortesia da AS/COA).


Legenda da foto: O 'Manto da Apresentação', destaque da mostra em Nova York, é considerado a obra-prima de Bispo e foi produzido para ser vestido pelo artista no Dia do Juízo Final (Crédito da foto: Ragael Adorjan, cortesia da AS/COA).

Legenda da foto: Bispo deixou um acervo de mais de mil objetos, entre indumentárias, estandartes, bordados, vitrines, fichários, móveis, esculturas, miniaturas e outras peças. (Crédito da foto: Arturo Sánchez, cortesia da AS/COA).

Legenda da foto: Os Estandartes, feitos de lençóis, trazem nomes de pessoas que conheceu, eventos mundiais, embaixadas de diferentes países e navios de guerra entre outros temas. (Crédito da foto: Arturo Sánchez, cortesia da AS/COA).

Legenda da foto: Na década de 1980, no fim da vida, Bispo e suas obras começaram a chamar a atenção da mídia e dos críticos de arte. A foto mostra o artista em 1982 (Crédito da foto: Hugo Denizart, cortesia da AS/COA).

Publicação compartilhada do site BBC NEWS BRASIL, de 15 de maio de 2023

O artista brasileiro que viveu 50 anos em instituições psiquiátricas e é tema de exposição nos EUA

Por Alessandra Corrêa (De Washington para a BBC News Brasil)

Era quase véspera de Natal quando o sergipano Arthur Bispo do Rosario, então com 29 anos de idade, recebeu a revelação que iria definir sua vida e obra.

Na noite de 22 de dezembro de 1938, guiado pelo que descreveu como a aparição de sete anjos e vozes celestiais, ele peregrinou durante dois dias pelas ruas do Rio de Janeiro, onde morava, até chegar ao Mosteiro de São Bento, no centro da cidade.

Após anunciar aos monges que era um enviado de Deus para "julgar os vivos e os mortos", Bispo foi encaminhado ao Hospital Nacional de Alienados, antigo manicômio localizado na Praia Vermelha. Diagnosticado com esquizofrenia paranoide, foi transferido dias depois para a Colônia Juliano Moreira, instituição psiquiátrica em Jacarepaguá onde passaria a maior parte das cinco décadas seguintes.

Segundo Bispo, as vozes que o acompanhavam diziam que ele deveria se "trancar em um quarto e começar a reconstruir o mundo" e "representar todas as coisas existentes na Terra". Durante o resto da vida, ele se dedicou incansavelmente a cumprir a missão divina que acreditava ter recebido, de catalogar e organizar "o caos do mundo" em preparo para o Dia do Juízo Final.

Ele transformou as celas em que estava confinado em oficina de trabalho e começou a recriar cenas do cotidiano e a contar a sua versão da história do universo. Utilizava qualquer material que encontrasse, como lençóis, uniformes, pedaços de madeira de caixas de feira, cabos de vassouras, chinelos, tênis Conga, talheres, canecas e todo o tipo de sucata e objetos que ganhava e trocava com outros pacientes.

Quando morreu, em 1989, aos 80 anos, havia deixado um acervo de mais de mil objetos, entre estandartes, indumentárias, bordados, vitrines, fichários, móveis, esculturas, miniaturas e outras peças diversas sem categorização. Nenhuma tinha data ou a assinatura do autor.

Pobre, negro e considerado "louco", Bispo passou a vida inteira à margem da sociedade, e não se considerava um artista e nem via seu trabalho como arte. "Essa é minha missão, representar a existência na Terra. É o sentido da minha vida", dizia.

Mas, a partir da década de 1980, nos anos finais de sua vida, o mundo artístico começou a descobrir suas obras. Após a morte, ele continuou a ganhar reconhecimento da mídia e da crítica especializada, com exposições no Brasil e no exterior e uma apresentação na Bienal de Veneza, em 1995, onde sua arte foi aclamada como vanguardista.

"Bispo do Rosario é um dos maiores artistas brasileiros", diz à BBC News Brasil o curador do Museu Bispo do Rosario Arte Contemporânea, Ricardo Resende. O museu funciona nas instalações da Colônia Juliano Moreira.

"Quando sua obra emergiu, não se encaixava em nada do que havia registrado na história da arte, mas parecia se inserir em tudo o que a modernidade e a contemporaneidade haviam criado. Na verdade, pode-se dizer, precede tudo", diz Resende.

"O que poderíamos chamar de ‘estética da precariedade’, ou ‘estética da pobreza’, tão comum na arte contemporânea, expressando a simplicidade da vida na instituição, nas cidades e campos, e da criança que nunca foi esquecida. É isso que Bispo involuntariamente nos apresenta como sua estética."

Agora, sua vida e obra são tema de uma exposição na galeria da Americas Society, em Nova York, no que é a primeira retrospectiva dedicada a ele nos Estados Unidos. O título da mostra, que vai até 20 de maio, é Bispo do Rosario: All Existing Materials on Earth (Todos os Materiais existentes na Terra), uma referência à missão que marcou a trajetória do artista.

Do caos à ordem

Bispo do Rosario nasceu em 1909 na cidade de Japaratuba, em Sergipe. Teve passagem pela Marinha, de onde foi desligado em 1933 por indisciplina, e uma breve carreira como pugilista profissional, encerrada após um acidente em que teve o pé esmagado. Também trabalhou como lavador de bondes na companhia Light e empregado doméstico, até ser internado.

"Todas essas experiências de vida, marcadas por diferentes graus de marginalização por conta de raça, classe e doença mental, se refletem em sua obra", diz à BBC News Brasil uma das curadoras da mostra, Tie Jojima, responsável pela exposição ao lado de Ricardo Resende, Aimé Iglesias Lukin e Javier Téllez.

Após a internação inicial, Bispo chegou a passar alguns períodos fora de instituições psiquiátricas, por ter fugido ou recebido alta. Em 1954, fugiu da Colônia Juliano Moreira, e nos anos seguintes exerceu diversas atividades, como segurança, porteiro e funcionário em uma clínica pediátrica, onde continuou a se dedicar a sua obra, trabalhando no porão do prédio.

Em 1964, voltou definitivamente à Colônia e foi instalado no Núcleo Ulisses Vianna, que era composto por 11 pavilhões cercados por um muro alto, nos quais eram alojados pacientes considerados violentos ou agitados. Os pavilhões eram divididos em enfermarias, cada uma com cerca de 40 camas, onde não havia privacidade, e também tinham uma ala sem camas, chamada de "bolo".

Segundo o Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, "nessas alas, os pacientes ficavam amontoados no chão e, ao seu redor, 10 celas-fortes – pequenos cubículos com portas de ferro – mantinham os mais agitados contidos ou isolados por punição". Eles "recebiam alimentação pela fresta da porta e utilizavam um buraco no chão como sanitário".

Bispo acabou transformando um conjunto de celas no Pavilhão 10 em ateliê. "Forte e sisudo, o ex-boxeador tornou-se um 'xerife', posição que lhe assegurou privilégios e permitiu a recusa de eletrochoques e medicações", descreve o museu. "Nunca se interessou em participar dos ateliês de arteterapia, mas estava sempre produzindo objetos num processo criativo incessante e solitário."

Tie Jojima ressalta a capacidade de Bispo de "resistir e sobreviver às forças que o reprimiam" e de encontrar formas de "subverter o sistema hospitalar que deveria controlá-lo". "Ele transformou o espaço em que vivia em um lugar onde criava seu trabalho e, eventualmente, tinha as chaves e controlava quem entrava e saía. Também trocava favores com funcionários para conseguir materiais", destaca.

Bispo trabalhava dia e noite, e só concedia acesso ao local a quem respondesse qual era a cor de sua aura. "A criação obsessiva de trabalhos têxteis e o acúmulo de objetos o levaram do caos à ordem e o ajudaram a sobreviver às duras condições de sua vida", diz à BBC News Brasil o co-curador Javier Téllez.

Há traços da Colônia por toda a sua obra, como nas linhas azuis extraídas dos uniformes e utilizadas nos bordados, nas representações de prédios e nas listas de nomes de pacientes, psiquiatras e funcionários.

"Era um lugar extremamente difícil para os pacientes, mas forneceu a Bispo tempo e materiais para desenvolver sua obra, o que ele não teria conseguido em outro lugar, considerando sua condição social", observa Téllez.

Descoberta e reconhecimento

Em 1980, Bispo e seus trabalhos apareceram em uma reportagem de TV que mostrava a Colônia Juliano Moreira e denunciava a precariedade em que viviam pacientes psiquiátricos no Brasil. Dois anos depois, ele foi tema do curta-metragem "Prisioneiro da Passagem", do fotógrafo e psicanalista Hugo Denizart.

Também em 1982, estandartes produzidos por Bispo foram incluídos na mostra coletiva "À margem da vida", no Museu de Arte Moderna do Rio, na primeira vez que sua obra foi exibida fora da Colônia. Nos anos seguintes, Bispo foi tema de outras reportagens, mas somente após a sua morte, em 1989, ele ganhou a primeira exposição individual, intitulada "Registros de minha passagem pela Terra".

Suas obras continuaram a chamar a atenção dos críticos e do público e circularam em mostras em diversas capitais brasileiras. Em 1991, foi realizada sua primeira exposição internacional, em Estocolmo, na Suécia, com curadoria de Frederico Morais, que organizou várias das mostras dedicadas ao artista.

A arte de Bispo continuou ganhando notoriedade, representando o Brasil na Bienal de Veneza em 1995, e sendo exposta em diversas cidades e países nos anos seguintes. Sua vida e obra inspiraram filmes, livros, teses, peças de teatro, espetáculos de dança e até enredo de escolas de samba, e seu acervo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A mostra na Americas Society, primeira exposição solo nos Estados Unidos e realizada em colaboração com o Museu Bispo do Rosario, reúne suas obras mais icônicas, com destaque para o "Manto da Apresentação", considerado sua obra-prima, que ele planejava vestir no Dia do Juízo Final.

"A parte externa (do manto) traz uma seleção de palavras, formas e objetos pertencentes ao seu universo visual. Na parte interna, bordou nomes de mulheres que conheceu e escolheu para acompanhá-lo no Dia do Juízo Final", diz Jojima.

Muitos dos trabalhos em exposição são reconstrução de objetos do cotidiano, com materiais simples que ele conseguia obter na Colônia. Os bordados têm destaque, assim como os temas que remetem à sua biografia, como os navios.

Jojima cita, entre os outros pontos altos da mostra, os Estandartes, feitos de lençóis que Bispo costurava, com nomes de pessoas que conheceu, eventos mundiais, embaixadas de diferentes países, navios de guerra e suas experiências de vida no Rio de Janeiro, entre outros temas. "Funcionam como uma enciclopédia visual e incluem referências autobiográficas", diz a co-curadora.

A vida e a obra de Bispo geram debates sobre os limites entre loucura e genialidade e sobre questões de categorização. "Desde a década de 1980, quando se tornou conhecido no Brasil e depois internacionalmente, curadores e historiadores debatem se sua obra pode ser considerada 'arte'", dizem os responsáveis pela exposição.

"Quando chamou a atenção de instituições de arte e curadores, muitos acharam que não condizia com nada do que já havia sido visto na história da arte, embora ressoasse com estratégias e experimentos de artistas do pós-guerra e contemporâneos, que desafiaram fronteiras disciplinares e abraçaram objetos do cotidiano com o objetivo de fundir arte e vida", diz o catálogo da mostra em Nova York.

Javier Téllez ressalta que, apesar das semelhanças com outros artistas modernos e contemporâneos pelo uso de objetos, há "diferenças radicais em termos de intencionalidade" entre a obra de Bispo e práticas artísticas de vanguarda e neovanguarda.

"A obsessão de Bispo do Rosario por colecionar e classificar as coisas é uma necessidade interna que corresponde a uma visão mística, e não a uma estratégia estética conceitual", salienta o co-curador.

Texto e imagens reproduzidos do site: bbc com/portuguese

sábado, 29 de abril de 2023

Zé Peixe: 11 anos que o homem se tornou um mito

Foto: Divulgação

Publicação compartilhada do site RADAR SERGIPE, de 29 de abril de 2023 

Zé Peixe: 11 anos que o homem se tornou um mito

O professor e historiador da UNIT, Rony Silva, relembra a história do exímio nadador sergipano.

José Martins Ribeiro Nunes, conhecido como Zé Peixe, nasceu no dia 5 de janeiro de 1927, em Aracaju. Ele cresceu em uma casa em frente ao rio Sergipe, aprendeu a nadar com seus pais, seu Nicanor Ribeiro Nunes e dona Vetúria Martins Ribeiro Nunes. O rio tornou-se parte significativa de sua vida, nele encontravam os encantos das brincadeiras juvenis e o desafio de atravessá-lo para buscar cajus maduros na outra margem. O professor e historiador da Universidade Tiradentes (Unit), Rony Silva, relembra a história do homem que se tornou figura folclórica sergipana.

Aos 20 anos, após concurso, iniciou o serviço de prático da Capitania dos Portos de Sergipe, exercendo seu ofício por quase meio século. Sua peculiaridade era a de ser um “homem-peixe”, ou seja, não se utilizava de barcos de apoio, mas nadar até os navios, subindo a bordo, guiando as embarcações para mar aberto. 

“Depois de conduzir o navio, Zé Peixe amarrava suas roupas e documentos na bermuda e saltava do parapeito da embarcação em queda livre de 17 metros até a água, nadava até 10 km para chegar à praia, e percorria a pé mais 10 km até chegar à sede da Capitania dos Portos. O único equipamento que às vezes utilizava era uma prancha, que o ajudava a deslizar nas ondas até as embarcações situadas à distância maior, muitas vezes passava dia e noite aguardando os navios apoiado na boia (12 km da praia) até que a maré favorecesse o desembarque”, conta.

“Foi nessa simbiose entre homem e rio, pele morena do sol e ondas esverdeadas, que Zé Peixe tornou-se uma figura lendária em Sergipe. O ‘homem-peixe’, mesmo já na terceira idade, continuava seu trabalho como prático, surpreendendo tripulações e comandantes que por vezes achavam-no louco. Somente aos 82 anos, enfermo sob os efeitos do alzheimer, Zé Peixe solicitou seu afastamento das atividades junto à Marinha”, explica.

A ilustre figura folclórica recebeu os devidos reconhecimentos de seus feitos que foram diversos. “Destacaria aqui a medalha do Mérito Serigy, e destaque nas mídias, tendo em vista que tantas vezes já salvara vidas ao mar. Sua estátua ocupa o lugar de destaque tanto no Memorial de Sergipe, quanto na entrada do Museu da Gente Sergipana. A obra no Museu da Gente Sergipana, retratando o momento de preparação para um mergulho, batizada de “O Prático” e feita de concreto armado modelado pelo artista visual Elias Santos, foi inaugurada em 25 de setembro de 2013”, ressalta. 

Entre as homenagens está o Espaço Zé Peixe localizado no centro da capital. “O espaço está abrigado no prédio do antigo Terminal Hidroviário Jackson de Figueiredo, que foi construído na década de 1980,e foi desativado com a inauguração da ponte Construtor João Alves. Também encontramos a estátua de Zé Peixe na Capitania dos Portos. Ele também recebeu a medalha Almirante Tamandaré por seus serviços na divulgação e fortalecimento das tradições da Marinha”, completa.

Zé Peixe faleceu em 2012, vítima de insuficiência respiratória. Ele viveu e morreu na simplicidade, e hoje está presente no folclore sergipano como um herói. Sendo uma figura conhecida, seu velório lotou a Igreja de São José com mais de 400 pessoas entre amigos, fãs, colegas e autoridades locais.

Seu jeito vigoroso, corajoso, independente e trabalhador sempre foram vistos como exemplos de caráter e de envelhecimento digno. Ao longo de décadas, foi tema de vários jornais, revistas, livros, entrevistas e reportagens televisivas, tanto nacionais quanto internacionais. Nas diversas homenagens que recebeu, o Instituto Banese fez uma biografia, intitulada ‘Amigo das Águas’.

Em seu último aniversário, Zé Peixe teve a oportunidade de estar presente na inauguração de seu busto na Praça dos Heróis, na Capitania dos Portos. 

Por Ascom/UNIT

Texto e imagem rproduzidos do site: radarsergipe com br

quarta-feira, 26 de abril de 2023

'Gente Sergipana – Antonio Ribeiro', por Antonio Samarone

Post compartilhado do Perfil do Facebook/Antonio Samarone, de 26 de abril de 2023

Gente Sergipana – Antonio Ribeiro. 
Por Antonio Samarone

Recebi a notícia da morte de Ribeiro, vitimado por um infarto fulminante. Tentei confirmar, mas não existe uma vírgula na imprensa. Morreu um anônimo. 

Ribeiro era um amigo de Rua, daqueles que a gente pouco conhece. Sei apenas que ele era de Laranjeiras e irmão de Mirian Ribeiro, secretária do doutor Albano.

Você não foi famoso, não foi rico e nem poderoso, contudo, meu amigo Ribeiro, a sua alma não era pequena. Isso, eu atesto. 

Quando Vereador, tive a iniciativa de lhe conceder o título de cidadão aracajuano. Um dos poucos de minha lavra. 

Encontrei-o pela última vez na última quarta-feira, você sozinho, cabisbaixo, sentado num tamborete, na esquina do Mercado, em Itabaiana. Não tive um bom pressentimento. Ribeiro estava com um olhar distante, talvez preparando a sua partida. 

A nossa alma percebe quando a morte se aproxima.

Trocamos algumas palavras, senti o seu contentamento quando lhe disse que tinha voltado as raízes, que estava trabalhando em Itabaiana.

Ribeiro era um Itabaianense por adoção, ela amava a cidade bem mais que muitos nativos. Só andava com a camisa tricolor. Era um dos poucos estrangeiros que frequentava o Consulado de Itabaiana, nas reuniões das quintas-feiras. Inclusive, marcou presença na última.

Eu gostava dele. Gosto de gente assim, meio doida, alvoroçada. 

Quando soube da sua morte, senti muito, com sinceridade.

Não sei se no céu tem alcoólicos anônimos, não sei se os vinhos celestiais causam dependência, de todo jeito, meu amigo Ribeiro, espero que você encontre a sua turma. 

Soube que a torcida do Itabaiana já é grande no céu, deve estar comemorando o último título. Junte-se a eles. Procure Tonho de Doci, diga que me conhece, que ele saberá ser generoso com você.

Na próxima reunião do Consulado, vou pedir um minuto de silencio, em sua lembrança.

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* Médico sanitarista

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone

sábado, 15 de abril de 2023

Ponte do Imperador: destaque na arquitetura e história de Sergipe

Foto acervo Rosa Faria com reprodução do Google

Texto publicado originalmente no site ILOVE SERGIPE, em 25 de março de 2021 

Ponte do Imperador: História e Arquitetura

Por Redação

História

Ponte do Imperador: destaque na arquitetura e história de Sergipe

Um dos mais importantes símbolos da cidade de Aracaju, a Ponte do Imperador foi construída em 1859, como ancoradouro para receber o imperador Dom Pedro II e sua comitiva, em visita a Sergipe. Nessa época, Dom Pedro tinha como objetivo final viajar pelo Rio São Francisco e conhecer as cachoeiras da localidade onde hoje está o município de Paulo Afonso, na Bahia. Aracaju tinha apenas quatro anos como Capital da Província de Sergipe e não possuía um ancoradouro condizente com tão importante visitante.

Ponte do Imperador

A inauguração se deu em 11 de março de 1860, com a segunda visita do Imperador às terras sergipanas. Estudioso e bastante culto, Dom Pedro II aproveitava a viagem, a bordo do vapor Apa, para registrar as potencialidades e as belezas das cidades ribeirinhas de Sergipe e Alagoas. Entre os dias 11 e 19 de janeiro de 1860, o monarca passou novamente por Sergipe, em sua viagem de volta para o Rio de Janeiro – Capital do Brasil.

Alvo de pilhérias de mau gosto, como “a ponte que liga nada a lugar nenhum”, por ser chamada de “ponte”, ela não se parece nada com a sua construção original e já passou por diversas reformas e revitalizações. Originalmente, como ancoradouro destinado ao desembarque da família imperial, sua construção era feita totalmente em madeira. Com o passar dos anos sofreu algumas alterações e serviu também para receber hidroaviões de passageiros, a partir de 1923, que utilizaram a Ponte como desembarcadouro e inauguraram os voos para Sergipe.

Área de lazer para muita gente, principalmente pela brisa soprada do mar, nos finais de tarde, a Ponte do Imperador era um convite para as pessoas tomarem um sorvete de frutas naturais da Sorveteria Yara, ler um periódico adquirido na Charutaria e Bomboniere Chic, pescar peixes de diversos tipos e tamanhos ou apenas contemplarem os coqueirais verdejantes da Barra dos Coqueiros. Embora não exista mais a tranquilidade de outrora, a Ponte do Imperador continua majestosa e bela, apontada para outro grande monumentos de Aracaju: o antigo Palácio do Governo, hoje Palácio Museu Olímpio Campos.

Considerada um dos pontos turísticos de Sergipe, pela sua história e arquitetura, a Ponte do Imperador foi tombada pelo Governo do Estado, em 2013. No entanto, antes disso acabou passando por diversas modificações e denominações. Haja vista ter sido conhecida como Ponte do Governador, Ponte Metálica, Ponte do Presidente e Ponte do Desembarque, até chegar à definitiva denominação.

Texto reproduzido do site: ilovesergipe.com.br

'E a Cultura?', por Antônio Samarone

Post compartilhado do Perfil do Facebook/Antonio Samarone, de 14 de abril de 2023

E a Cultura?
Por Antonio Samarone*

Estou embarcando para uma nova missão! 

O Prefeito de Itabaiana me convocou para ser o Secretário da Cultura. Não posso rejeitar. Itabaiana vive uma nova Era, uma nova transição econômica e política. Um grupo político resolveu apostar na gestão pública de qualidade. Esta experiência já dura dez anos. 

Mudou Itabaiana!

Até a segunda metade do século XX, Itabaiana era uma província agrícola. Um celeiro. Com a construção da BR – 235 e a chegada de um ginásio público, viramos uma economia mercantil. Itabaiana se transformou num centro distribuidor de mercadorias. Cresceram o comércio e os transportes. 

A realidade mercantil encontrou atores vocacionados para o comércio. O Itabaianense sabe comprar e vender com maestria.

O caminhão criou um polo de riquezas, gerando renda e trabalho para muita gente. A Cidade tornou-se a capital nacional do caminhão.

A economia cresceu e a Cidade ganhou novos ares. Grandes empreendimentos imobiliários brotaram e a realidade se transformou. O dinheiro corre para Itabaiana. Este capital precisa dar novos saltos. 

Emerge uma nova Era!

O capital acumulado procura investimentos viáveis e seguros. Precisa expandir-se e alargar as fronteiras. Foi assim na primeira fase, na década de 1950. Muitos comerciantes Itabaianense ganharam o Nordeste. (Bom Preço, Paes Mendonça).

Os novos desafios, conquistas e avanços, necessitam de lideranças políticas arejadas. Gente com outra cabeça. E estas lideranças já surgiram e mudaram a forma de fazer política em Itabaiana. 

A boa gestão da coisa pública é indispensável!

Essa nova Era precisa do dedo da Cultura. A autoestima precisa de fundamentos, narrativas e significados. Isto quem dá, é a Cultura. 

E o que é a Cultura? 

O senso comum associa a cultura com o conhecimento escolar. Existem as pessoas cultas e as incultas. Não é nada disso!

A palavra Cultura vem do verbo latino “colere”, que significa cuidar. A agricultura cuida da terra, a puericultura, das crianças e o culto, cuida das divindades. 

A Cultura cuida dos ausentes, dos significados, do tempo, dos símbolos e valores de uma sociedade. 

É a Cultura que elabora os significados, qualifica o real, dá sentido às coisas, constrói e destrói narrativas. Uma sociedade só chega à civilização pela Cultura. 

A Cultura usa a linguagem e o trabalho, para criar o que não existe. Existe uma cultura popular e uma erudita. Nas duas, as manifestações podem ser profundas e superficiais. A ideologia deturpa, qualificando uma e desqualificando a outra, previamente.

Tanto a Cultura popular como a erudita podem ser de resistência ou de conformismo, criativa ou superficial, propositora ou passiva.

Existe uma confusão entre a Cultura popular e a Cultura de massas. O mercado criou uma Cultura de massas. Tornou a Cultura apenas um entretenimento, diversão, mercadoria posta ao consumo imediato. A Cultura de massas é uma mistura diluída, sem raízes e efêmera. 

Não podemos ignorar a Cultura de massas, pois ela existe e é dominante. Atende a valores e anseios manipulados de consumo. É um Ki-suco adocicado, sem nutrientes.

O papel do poder público é elaborar políticas que fomentem as manifestações culturais, eruditas e populares. Quem cuida da Cultura de massas é o mercado. Ela tem viabilidade econômica, se mantém com as próprias pernas. 

A Cultura explode em Itabaiana por conta própria, de forma autônoma. A música, com duas filarmônicas, sendo uma a mais antiga do Brasil. Uma tradição na fotografia. Uma academia de letras, uma bienal de livros (sexta edição), o teatro amador, as manifestações tradicionais, a Chegança, o Reisado, a Quadrilha Junina (a única no Nordeste marcada por uma mulher).

A Cultura mantém a memória do passado (museus, memoriais), dá significado ao presente e pavimenta o futuro. A Cultura cria raízes, aproxima as pessoas, reforça as identidades e une os divergentes. Cria valores e símbolos. 

Aceitei a missão por acreditar que o atual grupo político que comanda Itabaiana, tem os mesmos propósitos e as mesmas ambições: fortalecer uma civilização no agreste, que possa servir de inspiração para Sergipe.

“Alea Jacta Est”.  

* Antonio Samarone é médico sanitarista

Texto e imagem  reproduzidos do Perfil do Facebook/Antonio Samarone

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Carlos Pinna de Assis Júnior (1949 - 2023)

Publicação compartilhada do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 6 de abril de 2023

Corpo de Carlos Pinna será sepultado às 11 horas de hoje

Carlos Pinna estava internado há 10 dias, tratando de um enfisema pulmonar

O corpo de Carlos Pinna, conselheiro do Tribunal de Contas de Sergipe, será sepultado às 11 horas desta quinta-feira (6), no Cemitério Colinada Saudade, em Aracaju. Com 74 anos, ele estava internado há cerca de 10 dias e morreu nessa qurta-feira (5), vítima de câncer no pulmão. O velório está acontecendo no auditório do TCE e logo mais às 9 horas, será celebrada uma missa de corpo presente.

Carlos Pinna se internou no Hospital Primavera após complicações decorrentes de um enfisema pulmonar provocado pelo câncer. A última aparição pública do conselheiro foi no dia 16 passado, durante a posse o filho Carlos Pinna de Assis Júnior como procurador-geral do Estado.

Sergipano de Aracaju, Pinna formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1972. Exerceu a advocacia até o ano de 1986. Foi Conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil entre 1978 e 1984; Procurador-Geral do Estado de Sergipe de 1983 a 1986; e Secretário de Estado da Habitação e Previdência Social de Sergipe (1985/1986).

Ainda em 1986 ingressou como conselheiro no colegiado do TCE/SE, vindo a ser presidente em quatro oportunidades. Presidiu também por dois mandatos a Associação dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon); e a Associação de Controle Público do Mercosul (Asul).​

Autoridades lamentam

Autoridades e dirigentes de órgãos públicos se somaram às manifestações de pesar pelo falecimento do decano do Tribunal de Contas do Estado (TCE/SE), conselheiro Carlos Pinna, nesta quarta-feira, 5, aos 74 anos. Por meio de notas oficiais e postagens em redes sociais, foi destacada a atuação do conselheiro nas funções que exerceu, sobretudo sua trajetória de 36 anos na Corte sergipana.

Logo ao saber da notícia, o governador do Estado, Fábio Mitidieri, estabeleceu luto oficial de três dias. Em nota publicada, o gestor afirma que Pinna fez parte da defesa dos direitos dos sergipanos, colecionando importantes cargos durante toda a sua carreira: “trilhou uma história excepcional e o fim da sua presença física é uma grande perda para Sergipe”.

A Assembleia Legislativa de Sergipe também decretou luto oficial e, por meio do seu presidente, deputado Jeferson Andrade, disse que o falecimento de Carlos Pinna entristece Sergipe. “Ele deixa um legado de honradez, ética e profundo conhecimento de administração pública. Na presidência do TCE, fez um trabalho marcado pela eficiência e produtividade processual. Além de tudo, era um intelectual respeitado, autor de artigos, pesquisas e livros. Vai fazer muita falta”, destacou Jeferson Andrade.

TJ: Uma grande perda

O Poder Judiciário do Estado de Sergipe, através do desembargador-presidente, Ricardo Múcio Santana de Abreu Lima, registrou e manifestou, “com profundo pesar, o falecimento do conselheiro”, assim como o procurador-geral de Justiça, Manoel Cabral Machado Neto.

“O Tribunal de Contas do Estado de Sergipe perdeu hoje um conselheiro que sempre destacou aquela Corte na busca do controle das contas públicas de forma transparente e técnica. Além disso, o seu legado na defesa dos Tribunais de Contas do Brasil à frente da Atricon é sempre referenciado por todos que atuam na área. Uma grande perda, mas a presença de um inestimável legado que as gerações atuais e futuras têm a responsabilidade de manter. Que Deus o tenha e que a família seja confortada nesse momento tão difícil”, disse o PGJ.

O prefeito da capital sergipana, Edvaldo Nogueira, registrou em suas redes sociais ter recebido com grande tristeza a notícia do falecimento do conselheiro, “um ser humano culto, incrível, que sabia cultivar amizades e construir consensos”. Segundo Edvaldo, em todos os cargos que ocupou, Pinna “atuou com brilhantismo, conhecimento jurídico e tendo como característica fundamental a humanidade”.

Brilhante trajetória

Ainda nas redes sociais, o Ministério Público de Contas de Sergipe externou profundo pesar e tristeza com o falecimento do decano do colegiado do TCE. “Carlos Pinna sempre foi um líder do controle externo brasileiro e sua brilhante trajetória, seja como conselheiro, seja como membro e Presidente da Atricon, sempre trouxe orgulho e admiração a todos que tiveram o privilégio de acompanhar seu trabalho em prol do TCE/SE e de todo o Sistema dos Tribunais de Contas brasileiros”.

O defensor público-geral, Vinícius Menezes Barreto e demais membros da Defensoria Pública do Estado de Sergipe, acrescentaram que o conselheiro “era um amigo e entusiasta da Defensoria Pública. Admirava a instituição, destacando sempre o papel aguerrido dos defensores públicos em prol da população sergipana. Ele deixa um grande legado a ser seguido por muitas gerações. Lamentamos profundamente essa grande perda”.

Já a Associação dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), em nota de pesar assinada pelo seu presidente, conselheiro Cezar Miola (TCE/RS), lembrou que Pinna presidiu a entidade entre 2001 e 2005. “À família, aos colegas e aos amigos de Carlos Pinna, a Atricon transmite seu apoio e sentimento de profunda consternação neste momento de dor”.​

Com informações do TCE-SE (Foto: TV Atalaia)

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

terça-feira, 4 de abril de 2023

Procissão de Nossa Senhora de Guadalupe, em Estância

Post compartilhado do Facebook/Memórias de Estância, de 12 de dezembro de 2022.

Registro raro da procissão de Nossa Senhora de Guadalupe, na década de 80.

Nela estão presentes, de trás para frente:

Sr. Antônio carreteiro , Loro da roleta, Hélio Mascarenhas (Jarrão), Pedro Marcelo (vice-prefeito de Estância), Wilton Barros, Pedro Barreto Siqueira, Sr. Nabuco (Pai de Dr. Pascoal Nabuco), João Pitangueira(vereador), Dr. Pascoal, Dr. João Alves Filho (governador de Sergipe),

Padre Nivaldo, Dom Hildebrando (bispo de Estância entre 1986 e 2003) e Padre Barbosa.

Acervo: Família Siqueira.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Memórias de Estância.

sábado, 25 de março de 2023

ARACAJU ERA ASSIM... 'The Top's', por Lilian Rocha

Crédito da foto: Arquivo pessoal de Pascoal Maynard

Post compartilhado do Facebook/Lilian Rocha, de 13 de novembro de 2022

ARACAJU ERA ASSIM... 

The Top's

Por Lilian Rocha

No tempo em que as bandas musicais se chamavam “Conjuntos”, havia dois bem famosos em Aracaju: “The Tops” e “Os Águias”.

Ora, festinha de 15 anos “com conjunto” tocando ao vivo, era coisa de rico mesmo. O normal era festinha na garagem de casa e a música ficava por conta dos discos de vinil, tocados numa radiola portátil, que quase toda garota daquele tempo tinha. 

Mas havia um dia na semana que a gente tinha o privilégio de ouvir “um conjunto” tocando ao vivo. Eram os domingos no Iate Clube, popularmente conhecidos como “Jantar Dançante”. 

O “Jantar Dançante” acontecia no salão principal do Iate, pois o outro salão maior ainda não havia sido construído. E como esse evento era destinado ao público adolescente, começava cedo e terminava cedo. Não tinha essa história de voltar pra casa de madrugada não. Aracaju era assim... 

O salão era enorme para os meus olhos de 13 anos. Muitas mesas espalhadas e um espaço destinado para a dança, em frente ao palco. Nas mesas, só ficavam as meninas. Os meninos ficavam em pé, em volta das mesas, talvez pra escolherem melhor a menina que eles iam “tirar para dançar”. Se por acaso uma menina recusasse a dança, 

isso se chamava “dar taboca”. Isso era quase uma ofensa para eles!

De repente, as luzes se apagavam e o salão todo era invadido pelos primeiros acordes de “Travessia”, de Milton Nascimento... 

 “Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver...” 

Era assim, invariavelmente, que o Conjunto The Top´s começava a noite... Era mágico!

 “...Solto a voz nas estradas, já não quero parar...” 

E enquanto eles soltavam a voz lá no palco, meu coração dava um pulo, quando a pessoa que eu mais queria chegava de mansinho e me tirava pra dançar...

Foi assim que “fui apresentada” a Milton Nascimento. Em 1972, num Jantar Dançante do Iate, por meio do meu Conjunto preferido, The Top´s. 

Hoje, 50 anos depois, resolvi ‘soltar minha voz’ para agradecer a eles, por terem me oferecido música da melhor qualidade e por continuarem despertando em mim tantas lembranças doces... 

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Lilian Rocha

sexta-feira, 24 de março de 2023

Os conjuntos musicais da década de 60/70...

Legenda da foto: Dia de baile em Estância pelo Miss Sergipe com os Unidos em Ritmo: Rogério (de gravatinha) e Brasinha (curvado sobre o microfone), ao lado de Barrinhos, Neu Fontes e Gladston e outros

Publicação copartilhada do site JLPOLÍTICA, de 23 de março de 2023

Os conjuntos musicais da década de 60/70 e a importância para a cultura sergipana

Por Mário Sérgio Félix*

Dia de baile em Estância pelo Miss Sergipe com os Unidos em Ritmo: Rogério (de gravatinha) e Brasinha (curvado sobre o microfone), ao lado de Barrinhos, Neu Fontes e Gladston e outros

Estância tornou-se berço da cultura sergipana não por acaso. Pioneira na imprensa sergipana, na primeira rádio do interior sergipano, o Complexo Cultural do Bairro Santa Cruz, onde abrigava um clube de futebol pentacampeão do Estado, um cine teatro que apresentou grandes nomes da música brasileira, a exemplo de Orlando Silva e um salão de festas para comemorar eventos do bairro e da cidade.

Corria ali a década de 1950. Os eventos festivos da cidade sempre se sobressaíam como movimento cultural. As bandinhas formadas para tocar nas festas, nos bailes, embelezavam o município de forma tal que Estância crescia e crescia, e se fez a cidade berço da cultura sergipana.

A década de 1960 surgia como um grande marco para a realização  de eventos maiores. Aparecia a Jovem Guarda. Roberto Carlos fazia enorme sucesso com o filme Roberto Carlos em Ritmo de Aventuras. O ano era 1967. O ano em que Estância ganha sua primeira rádio. A Rádio Esperança de Estância.

Os conjuntos musicais do munícipio tomam forma para dar mais brilhos aos eventos da cidade. Os anos 1960/1970 serão de grande importância para esse segmento, uma vez que dois conjuntos musicais são formados com bastante sucesso na cidade e em todo o Estado de Sergipe: Os Cometas e Orquestra Unidos em Ritmos.

Antes, também com bastante sucesso, porém de vida breve, aparece o conjunto Os Anjos, absorvido por aqueles dois conjuntos. Estância vive a partir dos anos 1970 um marco muito importante na cultura: além dos conjuntos musicais, a rádio e os cinemas da cidade intensificam apresentações de grupos musicais, tanto da cidade quanto os conjuntos de fora.

A Rádio Esperança tem papel preponderante nesse segmento, tendo em vista os discos de sucesso nacional e internacional que começam a tocar e fazer sucesso também na cidade. O que toca no Sul e Sudeste do Brasil, e na capital sergipana, também se torna sucesso na cidade.

A rádio se tornaria uma das principais vias de abastecimento dos conjuntos. Se era sucesso nacional, a rádio tocava. Se tocava, era porque tinha nela os LPs. Se tinha na rádio, o gravador portátil era o melhor instrumento de gravação da música que iria abastecer os conjuntos musicais.

Vale ressaltar e agradecer aos apresentadores dos programas musicais e a direção da rádio a gentileza de sempre em proporcionar esses sucessos aos conjuntos. De um lado, Os cometas tinha um repertório mais popular. E fazia um sucesso tremendo. E não se apresentava somente na cidade de Estância. O sucesso se daria também na capital Aracaju, em todo o interior do Estado, além de cidades dos Estados vizinhos Bahia e Alagoas.

Nomes como Pedro Antônio, in memorian, Jorge Boca de Cantor, Roque, Tibúrcio, Edgar, Roberto Carioca, além do seu grande mentor e saxofonista da banda Gumercindo também já falecido. Eles fizeram enorme sucesso com o grupo e contribuíram e muito para o engrandecimento da cultura estanciana.

Nesse momento, desponta para Sergipe os músicos Oswaldo Gomes - atual Cataluzes -, Rogério - aquele do País do Forró - e Antônio Ritto.

Do outro lado, Pimentel, in memorian, também comandava com bastante sucesso a Orquestra Unidos em Ritmos, que tinha uma espécie de maestro que dava o toque musical da banda, que aliava o popular ao mais requintado gosto musical: Oswaldo Gomes.

O conjunto de sopros da Orquestra era um diferencial a mais. Assim como Os Cometas, a Orquestra também tinha um roteiro de apresentações que ultrapassava os limites do Estado sergipano.

Nomes como Oswaldo Gomes, João José - in memorian - Pinguim, Batera, Luiz Carlos e outros fizeram parte e foram importantes para a história cultural da cidade e do Estado. Aqui despontaram João José e Edmundo Moraes, carinhosamente chamado de Brasinha. Hoje mora em São Paulo.

Assim como destaquei no artigo anterior, Rogério merece um capítulo especial, tanto na música brasileira quanto no forró. Até porque nessa época, tivemos um convívio muito próximo.

As apresentações dos conjuntos se dava na maioria das vezes em clubes existentes na cidade: Associação Atlética Banco do Brasil, associações atléticas, grupos escolares e escolas que pudessem comportar os bailes em questão.

Estância tinha AABB, Cruzeiro Esporte Clube e a Escola Técnica de Comércio. Esses três locais abrigaram por muito tempo as apresentações desses conjuntos. E sempre lotados!

Como registro, as cidades de menores portes que não tinham clubes recreativos, muitos deles eram abrigados em grupos escolares e também nos mercados municipais. E eram também lotados.

E quando os conjuntos eram contratados para tocar fora do município? Nem assim cidade parava. Nesse momento, os conjuntos musicais sergipanos de fora da cidade nos davam o prazer de prover música para que dançássemos ao som deles.

A Orquestra Los Guaranis sempre se destacou no Estado. Estância também sempre foi roteiro de suas apresentações. Outra orquestra que fazia Estância como roteiro era o conjunto Orquestra Cassino Royale, de Tobias Barreto, também de grande sucesso no Estado e além fronteiras.

Como não bater palmas para o “Conjunto R-Som 7”, do querido amigo Roberto Alves? Aliás, a primeira vez que ouvi a música “Artigo 26”, do cantor e compositor Ednardo, foi com o Conjunto R-Som 7. Para mim, nascia ali o colecionador de LP, o vinil, vício que cultivo até os dias de hoje. O disco desta canção do Ednardo? Berro. O ano? 1976. Maravilhoso!

O interior sergipano sempre se destacou nas festas populares. Japaratuba e a Festa das Cabacinhas, e uma que acontecia em quase todas as cidades - “Festival do Chopp”. Outra em especial era a Festa da Laranja, em Boquim.

A Festa da Laranja tinha um toque especial. O conjunto da cidade reinava. De muito sucesso, dançávamos ao som de Os Nômades, de Boquim.

Os Nômades começou na cidade de Itabaiana se movendo para Boquim, depois que o seu baterista assumiu emprego no Banco do Nordeste.

Lá, Oswaldo Gomes tocou contra baixo, tendo formado com o americano John Manoush e o cantor Diógenes, em uma de suas formações.

Em Nossa Senhora das Dores, o Festival do Chopp tinha uma identidade muito especial com o conjunto da cidade: Embalo D de Dores, que comandava a festa. Saía gente de todo o interior para participar dessa grande festa na cidade.

Voltando para os festejos e bailes da Estância, a cidade mergulhava num total frenesi quando se comemorava o aniversário do conjunto musical.

O clube era prontamente arrumado para o festejo e um outro conjunto musical era convidado para tocar ao lado do dono da festa. Grupos como Los Tropicanos, Los Guaranis, Os Vickings, Cassino Royale, Brasa 10.

O Brasa 10 vale um registro especial. Seus cronners eram diferenciados. Não que os outros também não o fossem. Porém, Edidelson Andrade e Lisboa eram um show à parte nas apresentações.

Não à toa, Edidelson alçou vôos mais altos. Tornou-se o principal nome do Trio Irakitan. Hoje, Edidelson canta para os anjos. Já Lisboa, sempre cantou para os Anjos e de quebra para os Arcanjos. Voz de rara beleza. Afinação ímpar. Quem viu, viu. No atual momento da música brasileira, e na atual conjuntura, Edidelson e Lisboa fazem uma falta enorme.

Com relação a Roberto Alves, este ainda nos encanta com a sua voz suave e afinada. Nesse espaço ainda vamos contar o que realmente aconteceu naquele fatídico dia 20 de setembro de 1976. Em detalhes. Antes e depois do acidente.

E olhe que nem falei dos casais que nesses bailes começaram uma relação de amor e que perdura até hoje. Se você é um deles, vai lá nos comentários e deixe seu ok e espera por mais na semana que vem. Ok?

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Articulista Mário Sérgio Félix - É radialista, jornalista e pesquisador da MPB. 

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br

quarta-feira, 22 de março de 2023

'Saudades de um tempo que não volta mais', por Déborah Pimentel

Legenda da foto: Antigo cartão postal de Aracaju - (Crédito da foto: Reprodução - Brasil de Fato).

Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 20 de março de 2023

Saudades de um tempo que não volta mais

Por Déborah Pimentel *

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Céu todo azul

Chegar no Brasil por um atalho

Aracaju,

Terra cajueiro papagaio

Araçazu,

Moqueca de cação no João do Alho

Aracaju,

voltar ao Brasil por um atalho

Ser feliz

O melhor lugar é ser feliz

O melhor é ser feliz

Mas, onde estou

Não importa tanto aonde vou

O melhor é ter amor

Aracaju,

Cajueiro arara cor de sangue

Caetano Veloso

Quando cheguei em Aracaju eu tinha 12 anos incompletos. Aracaju, cujo significado é cajueiro dos papagaios, sempre foi uma linda cidade litorânea, desde sempre tinha o seu charme e era um sonho sedutor.

Eu vinha do alto da Serra da Borborema, na Paraíba, e de repente dei de cara com o mar. “Aracaju, o melhor é ser feliz”, já dizia a canção de Caetano Veloso. Que felicidade!

Cresci aqui e é aqui que pretendo envelhecer. No meu imaginário, ainda tenho muito tempo. O sentimento é de que continuo uma menina.

Desde sempre afirmo que esta cidade é absolutamente encantadora, tem um cheirinho provinciano, com um povo hospitaleiro e alegre, e esbanja todo o charme de uma capital, inclusive pela sua ousadia urbanística, pois fundada em 1855, foi a segunda capital totalmente planejada e suas ruas centrais e primeiras possuem a forma de um grande tabuleiro de xadrez.

Quando lá atrás, crianças e adolescentes no final da tarde ainda brincavam nas ruas, jogando bola, brincando de pega, de queimado ou de roda. Ainda brincava de bonecas e conhecia todas as cantigas infantis: “Escravos de Jó, jogavam caxangá, tira, bota, deixa o Zambelê ficar. Guerreiros com guerreiros fazem zigue-zigue zá”.

Os jovens namoravam na porta, mas só quando o rapaz tinha sido ousado o suficiente para pedir autorização aos pais da mocinha. Os vizinhos ainda se sentavam nas calçadas todas as noites para trocar uma prosa, controlar as crianças para que não se afastassem de uma linha imaginária de segurança e punham o rabo de olho nos namorados que, vigiados, não podiam se exceder em afagos.

Tudo sem neuras. Sem medos. Todos se sentiam seguros em uma cidade abençoada e protegida pelo divino. Não havia nenhum sentimento de ameaça e não se falava em violência.

Eu estudava no Colégio Estadual Atheneu Sergipense, que tinha as suas vagas muito disputadas através do exame de admissão. Naquela época, as escolas públicas tinham credibilidade. Tínhamos orgulho de dizer do nosso vínculo escolar. A escola gozava de prestígio.

Aos sábados, no início da tarde, o programa era encontrar os amigos na Praça do Mine Golf. Naquela esquina havia o casarão dos Rollemberg, um antigo palacete do início do século XX de família tradicional sergipana.

Era uma imponente construção que eu tanto admirava e que hoje, tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico, é a sede da OAB de Sergipe. O seu ar aristocrata era simbólico e uma mensagem cifrada de que apesar de progressista, a cidade tinha histórias e muita tradição familiar.

E mais: que era imperioso reconhecer a lei do pai da qual não podíamos nos furtar. Os pais estavam ausentes daquele programa na Praça do Mine Golf, porém o casarão nos vigiava. Nada de badernas. Tínhamos que saber nos portar publicamente.

Outras tardes nossos pais permitiam que fôssemos ao Cine Palace, no centro da cidade. Lembro da era das pornochanchadas, cujo humor, para os padrões atuais, era absolutamente inocente.

Não lembro de na minha adolescência ter visto um fiscal ou ter sido sequer barrada na porta do cinema, cuja censura destas películas era para menores de 18 anos, porém com cenas mais inocentes do que as da novela Malhação, que hoje é exibida na telinha às 18h.

Claro que nos deslocávamos pela cidade caminhando, inclusive em direção ao cinema. As distâncias permanecem as mesmas, mas hoje só saímos para percorrermos estes mesmos trajetos se estivermos motorizados.

Aliás, não lembro de ônibus. Lembro das kombis como transporte público, e elas paravam em qualquer parte do trajeto padrão, desde que acenássemos. Os adultos acenavam. Nós, os jovens, caminhávamos.

Saindo do cinema, ficávamos na Praça Fausto Cardoso. Atrás de nós, um encantador coreto e mais atrás ainda, a linda Ponte do Imperador. Uma ponte esquisita, que liga nada ao nada, mas que pelo seu valor histórico, aquela espécie de atracadouro, construída para receber Dom Pedro II e a Família Real, sempre foi ponto obrigatório para os que visitam a cidade.

Os boys, filhinhos de papai, estacionavam os seus carros em frente ao Palácio do Governo, de fachada neoclássica e com suas belíssimas sacadas. Como não admirar aquele prédio, hoje Palácio Museu Olímpio Campos, restaurado e bem conservado e que era a residência dos governadores até o final da década de 80?

Aqueles jovens que se postavam diante da sede do governo estadual não faziam manifestações sociopolíticas, mas tratava-se de um movimento curioso, senão “revolucionário”, intitulado “quem me quer”’.

Era um verdadeiro desfile. Todos os rapazes com “calças boca de sino” encostavam-se aos carros e ficavam acompanhando, com o olhar, as meninas que saíam do cinema. As meninas fingiam não perceber os olhares, assovios e gracejos.

Nos dias politicamente corretos e chatos em que vivemos hoje, os meninos temeriam fazer qualquer manifestação, receosos que estariam de ser acusados de assédio. Já nós, na nossa maravilhosa e santa ingenuidade, adorávamos ser cortejadas daquele modo. E ficávamos encantadas. Sonhávamos com aqueles cabeludos, sofríamos com amores platônicos e rolavam as paqueras.

Acho que o verbo paquerar sequer existe atualmente e foi substituído pelo verbo ficar. Naquela época “ficar” já era namorar sério. Para acontecer o primeiro beijo, o clima era de muito romantismo e cheio de emoções elevadas ao limite máximo no corpo, que era bombardeado por pura adrenalina: o coração disparava, as mãos geladas e as pernas ficavam bambas.

Hoje o beijo se banalizou. Beijam-se muitas bocas numa mesma noite, abraçam-se, relacionam-se sexualmente e depois de muito ficar pode-se namorar, “ou não”, como diria Caetano Veloso. Aliás, o não, é muito mais frequente.

As relações atualmente são fluidas e fugazes. Os jovens são volúveis e raramente apaixonam-se. E quando acreditam estar amando, na menor e primeira frustração, pedem “um tempo”. Outra expressão que acho estranha, pois sempre quero crer que “um tempo” implica em um prazo definido, mas a expressão significa uma despedida e um adeus. Na grande maioria das vezes, sem volta. Acho que éramos adolescentes mais felizes do que os jovens da atualidade. Bons tempos!

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* É médica, pesquisadora da saúde mental e psicanalista. 

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br

quarta-feira, 15 de março de 2023

Sobre: Histórias do meu Pai & Estórias por meu Pai

 Família Barreto - noite de lançamento do livro 


Legenda da foto: Dona Joselita Barreto comemorando seus 102 anos

Texto publicado originalmente no blog da ACADEMIA LITERÁRIA DE VIDA, em 25 de julho de 2022 

Sobre: HISTÓRIAS DO MEU PAI & ESTÓRIAS POR MEU PAI

Por Shirley Rocha

Li de um lance as cento e vinte e três páginas do livro de Lena Barreto, HISTÓRIAS DO MEU PAI & ESTÓRIAS POR MEU PAI, uma coletânea organizada de escritos do seu pai, o senhor Paulo Barreto Mesquita, irmão e um dos herdeiros do senhor Juca Barreto, o fundador do Cine Teatro Rio Branco.

O Cine Rio Branco foi uma casa de espetáculos que funcionou desde a década de 1920, no segundo trecho da Rua João Pessoa 182 (hoje José do Prado Franco), centro da cidade de Aracaju. Gerações assistiram inúmeros espetáculos ali. O palco era ornado por uma cortina de veludo vermelho escuro e após outra de tecido voal sedoso e branco, ao fundo a tela apropriada para o cinemaScope (técnica que aumentava consideravelmente a projeção na tela) e com uma acústica primorosa; serviu para apresentações de grandes estrelas do teatro, música, nacional e internacional. Findo a era do cinema, o prédio foi se desfigurando e hoje, no local, funcionam várias lojas de roupa.

Paulo Barreto Mesquita era um senhor admirador das artes e da literatura. Lena Barreto (Maria Magdalena Barreto) número sete na prole é conhecida por seu talento ao contar estórias. Com aquela curiosidade de criança, observando o dia a dia da família, a atitude do pai, foi com uma lupa escolhendo, buscando na memória, palavras e fatos, desde o chefe de família ao literato, com dons para escrever peças de teatro, crônicas e mensagens aos parentes e amigos nas ocasiões festivas.

O estilo de Lena é simples, direto, claro. Captou das gavetas do seu pai alguns escritos, alinhavou depoimentos dos outros irmãos e contou uma estória cativante talvez pelo temperamento do senhor Paulo e a forma como ele encarava a vida. A esposa do senhor Paulo, senhora Joselita (Josefa Batista Barreto) e as estórias da vida do casal, refletem a verdadeira riqueza de uma família unida pela educação e amor comprovados pelos mais de 50 anos de vida conjugal.

Seu Paulo Barreto faleceu aos 79 anos, em 1990. Mas Lena Barreto após uma força tarefa deixou para o mundo, principalmente aos sergipanos, um pouco do que foi aquele homem sempre bem arrumado, cabelo impecavelmente penteado e atencioso com todos que chegassem perto. Não conhecia sobre o lado intelectual dele, a delicadeza nos versos, o sentimento terno em suas crônicas, e que escreveu peças de teatro... Não sabia da irreverência dele! Ele e dona Joselita formavam um par espetacular. Valeu Lena, dei boas risadas!

Os guardados de Lena, Cândida, Cleandro, Cássio, Carlinhos, Cleia, Ricardo, Roberto e Maria Viana trouxeram à luz um sergipano que promoveu as artes do teatro, música e do cinema na sua terra. As crônicas e poesias estão no livro que também registram fotos. Vale à pena ler.

Como é tempo de São João vou transcrever uma poesia, que entre outras, consta do livro:

TIÃO

Por Paulo Barreto Mesquita

Quando ela disse a Tião

Qui entre os dois nada inxistia

Naquela noite tão fria

Da vespa de São João

Tião ficou diferente,

Num quis mais falá cum a gente

8

Não pulou mais na fugueira,

Pru mode se batisá,

Cumo tinha prometido

À muié de Zé Cumprido

 8

Não insperou pelo mio

Qui já cheirava nas brasa.

Tião só quis ir pra casa.

8

Pra que sambá

Pra que nada

Pra que fazer mais besteira

Se seu coração ferido

Tava pio qui a fugueira

Qui estalava na madeira

Cumo instalo de pipoca

Que se torra in caco novo

Pra mode vendê na fera

8

Mais qui bicho sem vergonha

É o coração de muié

Pega um home de arrespeito

Que veve do seu trabaio

Pra fazer dele o que quer

8

E adispois qui a gente pensa

Qui a peste gosta da gente

Ela na cara desmente.

Home, só mesmo sendo muié

Pruque se ela fosse home

Eu juro pru S. João,

Não cumia mais feijão.

8

Já vinha raiando o dia

Mas ao longe ainda se ouvia

O samba de Zé Cumprido

Onde a mardita sambava

Sem se alembrá que distante

Um coração de caboclo

De sodade se acabava.

Gostaria de concluir com algumas palavras escritas pelo filho Cleandro Barreto na contra capa do livro, referindo-se ao seu pai:

“Fim do 3º Ato

Fecham-se as cortinas e apagam-se as luzes da ribalta, no palco da vida, no teatro do tempo, que teve sua última função no principal papel, um Amigo das Estrelas. Poeta talentoso, escritor, jornalista, membro da ASI, teatrólogo amante e incentivador da cultura, pai bondoso, extremoso marido, atuante defensor dos menos favorecidos. Sua passagem pela vida foi de amor, sonho e bondade...”

Este ano a senhora Joselita completou 102 anos (....). Ganhou uma festa dos filhos e parentes. Seu Paulo deve estar dizendo aos anjos: Ela me passou a perna...

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Shirley Rocha

Aju/06/22

Jornalista e Presidente da Academia Literária de Vida.

Texto e imagens reproduzidos do blog: academialiterariadevida.blogspot.com

sábado, 4 de março de 2023

Sergipe perde dois grandes mestres: CHICO ANDRADE e MARIETA OLIVEIRA


Publicação compartilhada do Perfil do Facebook/César Cabral, de 4 de março de 2023

Sergipe perde em um só dia (04/02) dois grandes mestres. Os professores CHICO ANDRADE e a professora MARIETA OLIVEIRA partiram para a eternidade. Conheci Chico no início dos anos 70, nos corredores do Instituto de Tecnologia, onde ele trabalhava como Químico e eu como técnico agrícola da SUDAP, que tinha uma Divisão funcionando no mesmo prédio. Um cara simples, educado e sempre solícito. Construimos uma boa amizade. Por sua vez, a professora Marieta teve uma vida marcante na educação em Sergipe. A sua contribuição ficará eternizada por onde vc atuou, seja como professora ou gestora. Que Deus acolha as suas almas e conforte familiares, amigos e ex-alunos.

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/César Cabral