quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Ator sergipano morre em Salvador

Publicações compartilhadas do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 19 de setembro de 2023

Ator sergipano morre em Salvador

Harildo Déda apresentava saúde debilitada

Morreu em Salvador, nesta terça-feira (19), o ator e diretor teatral Harildo Déda, um dos nomes de maior destaque do teatro baiano. Nascido no município sergipano de Simão Dia, Déda tinha 83 anos e foi para a capital baiana ainda na adolescência para estudar e iniciou seu caminho nas artes cênicas. Harildo era professor aposentado da Escola de Teatro da Univesidade Federal da Bahia (Ufba), instituto que ajudou a consolidar. Ao longo da carreira, o artista sergipano atuou em mais de 70 peças e dirigiu cerca de 30.

“Mestre Harildo agora é memória viva, presente, preservada em cada aluno, em cada aluna, que levarão para sempre a sua sublime generosidade e entrega ao trabalho de esculpir vidas. Viva Harildo Deda”, escreveu o presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro. O ator também teve atuações na TV, em séries como O Pagador de Promessas e Dona Flor e Seus Dois Maridos.

Harildo Déda estava internado no Hospital Português e apresentava saúde debilitada. A causa da morte, contudo, não foi revelada. O corpo será enterrado em Simão Dias, mas haverá uma homenagem às 11h desta terça-feira, no Teatro Martim Gonçalves, no Canela, que deve reunir alunos da Escola de Teatro, a comunidade acadêmica e os colegas de palco.

Fonte e foto: Jornal Correio da Bahia

----------------------------------------------------------------------

Destaque Notícias, 20 de setembro de 2023

Corpo de ator será sepultado em Riachão do Dantas

Harildo Déda era professor aposentado da Escola de Teatro da Univesidade Federal da Bahia

O corpo do ator e diretor sergipano Harildo Déda, 83 anos, será sepultado, nesta quarta-feira (20), no cemitério de Riachão do Dantas, município localizado na região Centro-Oeste de Sergipe. Nascido em Simão Dias, o artista morreu, nessa terça-feira (19), em Salvador, onde residia desde a adolescência. O velório começa às 7 horas de hoje, no Velatório Osaf, localizado à rua Itaporanga, em Aracaju, devendo o féretro seguir para Riachão às 14 horas.

Aplausos calorosos e um coral das músicas ‘A cigarra’ e ‘O bêbado e a equilibrista’ guiaram a saída, às 17h30 de ontem, do corpo do ator e diretor Harildo Déda do Teatro Martim Gonçalves, no bairro Canela, em Salvador. As canções foram escolhidas pelos amigos, admiradores e alunos de Déda pensando no que ele gostaria de ouvir em um momento de alegria. Harildo era professor aposentado da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (Ufba), instituto que ajudou a consolidar. Ao longo da carreira, o artista sergipano atuou em mais de 70 peças e dirigiu cerca de 30 outras.

Salve mestre

Após o caixão ser posto no carro funerário que leva o corpo de Harildo para ser sepultado em Riachão do Dantas, houve mais palavras de despedida gritadas em coro: ‘salve mestre’, ‘xau mestre’. Para a professora Carla Sampaio, prima de Déda que mora em Salvador, ver a demonstração de carinho da família que ele formou no teatro é o que conforta os corações dos familiares sanguíneos.

“Por mais difícil que este momento esteja sendo, ver a família que ele construiu no teatro me conforta. Para nós, ele era o nosso Didinho, aqui, ele era Dadinho. É outro tipo de relação, mas hoje, também como professora, escutar os amigos dele falando me fez pensar: ‘eu quero ser um milionésimo desse professor que ele foi’, porque isso aqui é lindo de ver”, disse Carla.

Foto: Facebook

Textos e imagens reproduzidos do site destaquenoticias com br

sábado, 16 de setembro de 2023

Academia Riachuelense outorga Comendas e Medalhas

Crédito da foto: Divulgação

Publicação compartilhada do site RADAR SERGIPE, de 24 de agosto de 2023 

Academia Riachuelense outorga Comendas e Medalhas
Por Domingos Pascoal

Dia 08 de julho de 2023, no Centro de Artesanatos de Riachuelo, na praça Dr. Silvio Cesar Leite, s/n os Membros da Academia Riachuelense de Letras Ciências e Artes, reuniram-se em Assembleia Geral Extraordinária – Plenária Publica para a outorga da Comenda de Mérito Acadêmico Governador José Rollemberg Leite.

Presidiu a Assembleia o acadêmico, professor Jodoval Luiz dos Santos, presidente da Academia Riachuelense de Letras Ciências e Artes. Foram agraciadas as seguintes ilustres personalidades:

No Grau de Cavaleiro:

Vereador Rosemberg Santos Hipólito;

Senhor Ednilson Bezerra Andrade; Senhor Daniel Menezese,

Dr. Arquimedes José Melo Marques.

No Grau de Oficial:

Senhor João Rodrigues dos Anjos;

Professor Romualdo Batista de Melo;

Senhor Manoel Prado Vasconcelos Filho;

Capitão Samuel Alves Barreto, e

Sr. João Teles de Menezes.

No Grau Comendador

Dr. José Anderson Nascimento;

Dr. Osvaldo Leite Franco, e

Drª Rosa Geane Nascimento Santos

No pronunciamento oficial o presidente, Prof. Jodoval Luiz dos Santos, fez um panegirico sobre a ARLA, desde a sua idealização até sua fundação, instalação e ações proativas nestes quase oito anos de existência e de sucesso.

"Sem mim nada podeis fazer"

Evangelho de São João,

capítulo 15, v. 5, 2ª parte.

Minhas Senhoras, Meus Senhores,

Corria o ano da graça de nosso Senhor Jesus Cristo de 2014, no dia 15 de novembro, feriado nacional, um grupo de amigos se reuniu aqui em Riachuelo, na casa da saudosa D. Dida, para falar sobre a ideia de aqui fundar uma Academia de Letras: “Com a palavra o Contador Jodoval Luiz dos Santos, que discorreu sobre o projeto, que havia sido concebido por ele em conjunto com outro riachuelense, a saber o Pastor Antônio Martins Bezerra”.

Na oportunidade estavam presentes, além de Jodoval e o Pastor Martins, Katia Marinho, Enéas Gabriel, Conceição Marinho, D. Dida além de outras pessoas que, após ouvirem, aprovaram a proposta.

Naquele dia já ficou acordada a primeira reunião, contando com um grupo bem maior, a ser realizada em Aracaju, na tenda de trabalho do Contador Jodoval.

Depois de algumas marchas e contramarcha, ficou marcado o dia da Assembleia Geral de fundação, para o dia 11 de junho de 2015, o que aconteceu no auditório do Fórum da Comarca de Riachuelo, Senador Francisco Leite Neto e foi acordado que o dia da instalação da Academia seria no dia 31 de outubro de 2015, aqui neste mesmo local, uma memorável solenidade que fora magistralmente conduzida pelo ilustre Acadêmico Dr. José Anderson Nascimento, Presidente da Academia Sergipana de Letras.

Mas a luta apenas estava iniciando, necessitávamos de uma voz confiável, experiente para nos conduzir nesta jornada, então, tivemos desde a primeira hora, o fidalgo auxílio do Membro Acadêmico Benfeitor da ARLA, que é o grande "Bandeirante" incentivador das Academias de Letras no interior sergipano, o amigo irmão Dr. Domingos Pascoal de Melo, titular da Cadeira 17 da Academia Sergipana de Letras, a quem rendemos nossas homenagens neste momento. Quero registrar também o nosso eterno agradecimento, a D. Dida, que não está mais entre nós, ela que nos incentivou, colocava sua casa à disposição dos que vinham de Aracaju, servia-nos refeições e não faltava a nenhuma reunião, apesar de não ocupar Cadeira na ARLA.  O patrono da ARLA é o imortal Riachuelense Poeta Santo Sousa. Nestes oito anos de caminhada, a ARLA já prestou homenagem a várias personalidades como políticos, empresários, funcionários públicos, professores e profissionais liberais com a entrega da Medalha de Honra ao Mérito Poeta Santo Sousa e também com a Comenda da Ordem do Mérito Acadêmico Governador José Rollemberg Leite, nos graus de CAVALEIRO, OFICIAL e COMENDADOR em solenidades como esta Em 2021, foi lançada a I Antologia Estudantil da ARLA, com o apoio do Poder Executivo Municipal, na Pessoa do seu líder o Prefeito Peterson Dantas de Araújo.

A ARLA está sediada na Rua Padre Padilha S/N, Riachuelo/Sergipe, ocupa três salas alugadas com preço favorecido, de propriedade do Hospital de Riachuelo, no local existem a sala de reunião, a Biblioteca Dr. Paulo Barreto de Meneses e o Museu da Contabilidade, que tem como Patrono o Ilustre Professor Dr. Antônio Fernando Campos, tudo em condições de receber ajuda e a visita de todos.

Nesse percurso, sofremos algumas baixas, alguns dos fundadores desistiram da caminhada.

Mas, a grande perda nas fileiras da ARLA, aconteceu com a ida para a Glória, do Acadêmico Dr.  Cleovansóstenes Pereira de Aguiar, da Cadeira 17 e da Acadêmica Conceição Marinho da Cadeira 23, além da grande incentivadora da ARLA, D. Dida. A eles o nosso mais profundo respeito e agradecimento.

A ARLA já foi reconhecida de Utilidade pública pela Lei Municipal n° 625 de 26 de dezembro de 2017 e declarada "Patrimônio Cultural, Científico, Artístico e Imaterial do Município de Riachuelo pela Lei Municipal n° 626 de 12 de março de 2018, ambas sancionadas pela então Prefeita do município, Dra. Cândida Leite.

A instituição está juridicamente organizada com registro no Cartório de Riachuelo e tem contabilidade de conformidade com as normas vigentes.

Agradeço a todos os presentes pela oportunidade de poder apresentar uma resumida prestação de contas, do que fiz como Presidente da ARLA, até agora. Muito obrigado.

Houve a palestra proferida pelo professor e historiador Adailton dos Santos Andrade, presidente da Confraria Sancristovense de História e Memória, com o tema: Riachuelo no século XIX; sua importância açucareira na província sergipana.

Em nome dos contemplados falou a Acadêmica Dra. Heloísa Maria Alves Aquino, membro da Academia Riachuelense de Letras:

Primeiramente, saudemos à mesa, através do DD. Presidente da Academia Riachuelense de Letras, Ciências e Artes, Dr. Jodoval Luiz dos Santos, ao Ilustre Presidente da Academia Sergipana de Letras, Dr. José Anderson do Nascimento ao escritor, advogado e acadêmico, Dr. Domingos Pascoal de Melo, a Sra. Vice-Prefeita do Município de Riachuelo, Helena Maria dos Santos, historiador e, ao Professor Adailton Andrade, presidente da Confraria Sancritovense de História e Memória e demais componentes que são igualmente saudados. Um dos cientistas mais contemplados e festejados no mundo contemporâneo, astrofísico, astrônomo, CARL SAGAN afirmou que nós somos poeiras estelares. Mas tenho a ousadia de contestá-lo ao afirmar que me vejo, neste momento, diante de uma verdadeira constelação, onde estrelas cintilam no firmamento das letras, artes e ciências. Com certeza, tal analogia procede. É preciso espalhar que provém da sabedoria e não deve se restringira ao espaço de um lugar e tempo e por esta razão foram criadas as ACADEMIAS que remontam da Grécia antiga e os seus membros passaram a ser imortais. Imortalidade esta que advém de suas perenes obras. E neste raciocínio trago o poema do grande poeta parnasiano, OLAVO Brás Martins dos Guimarães Bilac, cujo nome é um perfeito verso alexandrino: VIA Láctea Ora direis ouvir estrelas, certo perdeste o senso, E eu vos direi, no entanto que para ouvi‐las muitas vezes desperto e abro as janelas pálido de espanto, e conversamos toda a noite, enquanto. A VIA LÁCTEA como um pálio aberto Cintila e ao vir do sol saudoso e em pranto Inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora tresloucado amigo, que conversas com elas, que sentido tem o que dizem quando estão contigo? E, eu vos direi: Amai para entende-las, No ritmo deste poema e das estrelas, podemos elencar os homenageados.

Ser Acadêmico ou acadêmica e, também ser destacado pelas comendas, implica em múltiplas responsabilidades, como produzir, difundir, divulgar obras e toda a manifestação literária e artística que tenham o condão de transformar a sociedade, tornando-a igualitária no saber, transformando a nós mesmos. O que é o saber? Intrínseco ao ser humano, é o saber. Distinguir o bem do mal, aplicando o bem em prol dos outros.

É acumular conhecimentos? Não, isto é cultura. É resolver cálculos, também não, isso é Matemática. Desvendar a alma? É Psicologia.  Quanto saber tem o pescador sobre a lua, as marés.  O agricultor que sabe a hora de plantar e de colher e obtém uma excelente safra. E acima de tudo está o saber instintivo da maqe, que acalenta o seu filho em qualquer idade. E a sabedoria está principalmente, em nos dar as mãos, sendo mais fortes e numa ciranda entoar o amor ao próximo, alcançando a tão desejada PAZ UNIVERSAL.

-----------------------------

Coluna Domingos Pascoal - Acadêmico, Professor, Escritor e jornalista. Estudou filosofia e ciências Jurídicas, pós-graduado em gestão estratégica de pessoas. Membro efetivo e vitalício da Academia Sergipana de Letras e outras academias, colaborador e organizador de movimentos literários: academias, encontros, antologias, concursos, feiras, bienais.

Texto e imagem reproduzidos do site: radarsergipe com br/colunista/domingos-pascoal

'O Bruxo da Agitação Cultural', por Jorge Carvalho do Nascimento

Publicação compartilhada do blog EDUCAÇÃO, HISTÓRIA E POLÍTICA, de 19 de dezembro de 2021

O Bruxo da Agitação Cultural 
Por Jorge Carvalho do Nascimento*  

O arquiteto Ézio Déda é um bruxo da agitação cultural. Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Tiradentes, é especialista em Desenho, Registro e Memória Visual pela Universidade Estadual de Feira de Santana. Coordenou os Cursos de Arquitetura e Urbanismo e de Design de Interiores da UNIT e é professor da cátedra de Projeto de Arquitetura da mesma instituição. Sua primeira grande bruxaria que chamou a atenção de todos foi conceber o Projeto Arquitetônico e de Restauro do prédio do Antigo Atheneuzinho em Aracaju, no Estado de Sergipe, para sediar o Museu da Gente Sergipana em Aracaju, que dirige, do qual também participou ativamente da montagem e foi um dos líderes da concepção. Foi o coordenador geral das ações para construção do Museu. É escritor e autor do livro Árvore de Folhas Caducas. Foi Conselheiro do CREA-SE, fundou o Ágora Arquitetos Associados e em 2010 lançou pela Editora 7 Letras o projeto artístico “A Casa das Ausências” obra em multimídia que mescla literatura, desenho, dramaturgia e música, com participações de importantes artistas e personalidades brasileiras. Foi Diretor de Programas e Projetos do Instituto Banese de outubro de 2009 a maio de 2012. É membro do Conselho Editorial da Editora do Diário Oficial do Estado de Sergipe. Em junho de 2012 assumiu a superintendência do Instituto Banese. É curador de diversas exposições e desenvolve projetos museais mesclando linguagens artísticas multidisciplinares e tecnologia. Acostumado a defender com ardor as suas ideias, enfrentou a pequenez de algumas cabeças e implantou às margens do Rio Sergipe o único monumento sergipano dedicado a homenagear a cultura popular, hoje o ponto turístico de maior visitação e mais fotografado da cidade de Aracaju. Agora, Ézio liderou um grupo do qual participam também Sayonara Viana, Dudu Prudente, Márcio Dantas, Adriana Hagenbeck, Tayara Celestino, Verônica Nunes e João Lover, instalando na área do Museu da Gente Sergipana a exposição multimídia de artes plásticas CORES DA GENTE: IMERSÃO & EMOÇÃO. Vale a apena visitar a estrutura geodésica que fica aberta ao público até o próximo dia 22 de dezembro e nos oferece um passeio interativo, lúdico e educativo sobre a História das Artes Plásticas em Sergipe. Vale a pena. Saravá, Ézio Déda.

-------------------------

* Jorge Carvalho do Nascimento - Professor, Doutor em História da Educação, Membro da Academia Sergipana de Letras, presidente da Academia Sergipana de Educação e membro da ABROL Sergipe.

Texto e imagem reproduzidos do blog: educacaohistoriaepolitica blogspot com

Livro “Jackson Barreto: Tempo e Contratempo” de Jorge Carvalho


 Livro “Jackson Barreto: Tempo e Contratempo” captura JB como a maior liderança popular de Sergipe

Publicação compartilhada do Portal JLPOLÍTICA, de 15 de setembro de 2023 

Livro “Jackson Barreto: Tempo e Contratempo” segura tese de que JB foi “maior liderança popular de SE dos séculos XX e XXI”

Por Jozailto Lima * (Coluna Aparte)

O livro “Jackson Barreto: Tempo e Contratempo”, do historiador Jorge Carvalho do Nascimento, está pronto, é grande - 480 páginas -, proporcionalmente ao tamanho do biografado e vai enfeixar e defender a tese de que durante 51 anos de vida política e disputas eleitorais Jackson Barreto de Lima amealhou para si o título de “a mais importante liderança popular do Estado de Sergipe nos séculos XX e XXI”.

Na análise de Jorge Carvalho do Nascimento, isso foi construído tendo por epicentro 14 eleições com as quais e Jackson Barreto se envolveu diretamente na disputa, indo de vereador e prefeito de Aracaju a governador do Estado, passado por outras esferas dos Legislativo estadual e federal e elegendo outras pessoas a postos altos, como a Prefeitura da Capital.

O livro “Jackson Barreto: Tempo e Contratempo” vem à lume pela Criação Editora, estará em mãos do autor ainda antes do final deste mês, chega com apenas mil exemplares da primeira edição, mas já com promessa de uma reimpressão para breve. Ele tem design e capa de Adilma Menezes e revisão de Ronaldson Sousa. 

“Com “Jackson Barreto: Tempo e Contratempo” podemos afirmar com muita clareza que no cenário local hoje JB é a mais importante liderança popular do Estado de Sergipe dos séculos XX e XXI. Não estou dizendo que é a única liderança popular. Estou a dizer que ele é a mais importante. Se for considerado que JB obteve o seu primeiro mandato, que foi o de vereador, no ano de 1972, teremos aqui 51 anos de lutas políticas e de conquistas de mandatos, com 11 vitórias e apenas três derrotas”, diz Carvalho.

Legenda da foto: Jorge Carvalho e Jackson Barreto: os dois atuaram ao mesmo como secretário de Educação e governador do Estado, respectivamente.

“O livro “Jackson Barreto: Tempo e Contratempo” cobre a vida de Jackson desde o 6 de maio de 1944, que é o dia em que ele nasce, até a última eleição da qual ele tomou parte diretamente em disputa, que foi a de 2018, quando não se elegeu senador de Sergipe. Mas acompanhe comigo o roteiro de vitórias dele: foi vereador de Aracaju em 1972, deputado estadual em 1974, deputado federal em 1978, foi reeleito federal em 1982, foi eleito prefeito de Aracaju em 1985, voltou a ser vereador em 1988 e retornou à Prefeitura da Capital em 1992. Em 2002 acessou um novo mandato de deputado federal, em 2006 se reelegeu federal, em 2010 conquistou o mandato de vice-governador, vira governador em dezembro de 2013 com o falecimento de Marcelo Déda e se reelegeu governador em 2014. Ele perdeu eleição de governador 1994 e de senador em 1998 e em 2018”, relembra Jorge Carvalho.

“E é exatamente por isso que eu afirmo que ele é a maior liderança popular da história de Sergipe, porque durante 51 anos se manteve na liderança e mesmo quando perdeu as três eleições, continuou sendo um líder”, afirma Jorge Carvalho.

Segundo Jorge Carvalho do Nascimento, não há ainda a data de lançamento definida porque estão sendo ajustadas duas situações: o local e a agenda do próprio Jackson Barreto. “Por ser um livro que escrevi sobre ele, fiz questão de convidá-lo para estar presente no lançamento. Mais do que isso: se depender de mim, ele vai tomar assento na bancada do autógrafo. Eu sentarei numa mesa e colocarei uma outra vizinha e ao lado para ele. Mas esta é uma decisão que caberá ao próprio Jackson, e eu espero que ele concorde com esta minha proposta”, diz.

Legenda da foto: Figuras iniciantes - Jonas Amaral, JB, Bosco Moraes e José Carlos de Oliveira Filho em 1971 em ato de colação grau em Direito pela UFS

“Este livro é um estudo biográfico que fiz com ele vivo, presente e colaborativo. Pedi a colaboração dele, se predispôs e durante a pesquisa realizei cinco longas entrevistas com ele para que me esclarecesse uma série de pontos que me pareciam nebulosos. Depois pedi-lhe uma série de documentos sobre temas que encontrei registrados na imprensa e em entrevistas que outras pessoas me concederam, ele me permitiu acesso a esses documentos do arquivo pessoal, assim como pedi fotos também do arquivo pessoal, de onde obtive registros significativos”, revela Jorge.  

Pela significação histórica e pelo interesse geral e difuso sobre a figura de Jackson Barreto, Jorge Carvalho do Nascimento aposta numa perspectiva de êxito desta biografia. “Inicialmente, nós teremos uma edição de mil exemplares, mas pelo interesse geral que algumas pessoas físicas, grupos sociais e livreiros já manifestaram ao tomar conhecimento desse trabalho, acredito que a gente vai ter de fazer uma reimpressão já em curto espaço de tempo”, diz.

Apesar de Jorge contabilizar 51 anos de vida pública de JB - de 1971 até hoje -, a narrativa de “Jackson Barreto: Tempo e Contratempo” cessa em 2018, ano da última eleição disputada por JB. Ou seja, 46 anos ininterruptos de vivências políticas e eleitorais. No ano passado, Jackson Barreto ensaiou mais uma candidatura ao Senado, mas não conseguiu levá-la adiante. “O livro discute e debate a história de JB e não o futuro dele”, diz o autor. 

-------------------------

* Jozailto Lima - É jornalista há 40 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração/ Tatianne Melo.

Texto e imagens reproduzidos do site: jlpolitica com br/colunas/aparte

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

'O Parque dos Lobos', por Antonio Samarone

Artigo compartilhado do Facebook/Antonio Samarone, de 6 de setembro de 2023

O Parque dos Lobos
Por Antonio Samarone*

Algumas entidades médicas carregam a bandeira de uma medicina humanizada, de boca para fora, sem ações efetivas nessa direção. De positivo, assumem que a medicina está desumanizada, caso contrário, a medicina não precisaria dessa humanização.

Sou do tempo que existia um movimento sanitário ativo, lutando por essa humanização. São águas passadas...

A Reforma sanitária brasileira construiu o SUS, é verdade, um fruto primoroso. Entretanto, o resultado da Reforma foi a implantação da medicina de mercado. Uma medicina voltada para o lucro. 

Concordo com o Frei Hans Stapel Ofm, “uma medicina que explora os pacientes mesmo em condição de vulnerabilidade, sem qualquer sensibilidade para a dor e o sofrimento do próximo.”

Acabo de ler “O Parque dos Lobos”, de Henrique Prata. Isso mesmo, um “Prata” neto de Ranulfo Prata, médico e escritor lagartense, que migrou para São Paulo, no início do século XX. Henrique é um fazendeiro rico de São Paulo, muito rico, movido pela fé cristã. 

Se eu acredito? Acredito! Estou vendo...

O livro coloca o dedo na ferida. Aponta, sem arrodeio, o porquê da medicina está desumanizada. Vai mais longe, esclarece como o mundo político tira proveito. 

A medicina de mercado é uma terra de lobos. Muitos não precisam das peles de cordeiros. São lobos com a pele de lobos.

Deus nos proteja!

O livro de Henrique também fala das mazelas da política sergipana. Entendi o porquê o ex-governador ficou tão aborrecido, quando eu falei que ele, mesmo sendo de Simão Dias, não dava a menor importância ao Hospital de Amor, em Lagarto. Ele me chamou de mentiroso num palanque. Uma palavra pesada. Prezo pela verdade.

O capítulo 10, do livro de Henrique, abre o jogo, sem meias palavras, como funciona o atendimento ao câncer em Sergipe. Como sergipano, terminei a leitura envergonhado, com a falta de vergonha alheia. Agora entendi a raiva de sua excelência. 

Como se sabe, o governo estadual está construído outro Hospital do Câncer, em Aracaju. Isso se arrasta a décadas. Sergipe pode ter a maior oferta de leitos oncológicos per capita do mundo. Isso é bom? 

Perguntei a um colega oncologista, como ele via o Hospital de Amor. Sem ir ao fundo, ele fez aquele ar de desconfiança com a filantropia: “Acho o Henrique um sabidão, que deve tirar proveito disso.” Perguntei o que ele sabia, se tinha evidências. Nada! Só suspeitava. Ainda deu aquele risinho inteligente.

Eu não suspeito! Viva o Hospital de Amor.

Os Hospitais de Amor são espaços onde se pratica a medicina humanizada. Os médicos trabalham em regime de dedicação exclusiva, não precisam ficar no corre-corre, de um emprego para outro. Soube que os primeiros médicos estão chegando. Soube também, que a maioria vai morar em Itabaiana. Rsrsrsrs Fazer o quê?

Vivemos sob a tutela da malandragem. Qualquer ato de grandeza é logo posto sob desconfiança. Se acredita em qualquer suspeita, mesmo as maldosas e as interessadas. 

Henrique Prata encontrou o caminho dos serviços públicos, não estatais. O colega oncologista ainda questionou: “mas os hospitais dele recebem financiamento público, emendas parlamentares.” Claro, são públicos. O acesso é universal e gratuito.

Quem quiser entender as razões da desumanização da medicina, compre e leia o livro de Henrique Prata. Aos amigos, eu empresto, desde que me devolvam. Emprestar livro é um perigo, nunca voltam. 

Comprei o “Parque dos Lobos” na livraria Sebo Xique, de Clóvis Barbosa. Enfim, Aracaju voltou a ter uma livraria cuidada por um homem de letras. Bosco Rollemberg teve uma livraria, que deixou saudades. Viva os “Boscos” da cultura. Procurei livros de João Ribeiro. Não tinha. Comprei um de Genolino, “Um Menino Sergipano”.

Voltando ao Parque dos Lobos.

Henrique Prata é o Presidente da Rede Hospitais de Amor, onde se presta assistência oncológica de primeira qualidade, gratuita e equânime. Tudo o que eu desejo para o SUS. Estamos longe.

Estamos às vésperas da inauguração de mais uma unidade de amor, em Lagarto. Junto com os cursos da Saúde da Universidade Federal de Sergipe e do Hospital Universitário, Lagarto se constituirá num polo avançado de Saúde.

Eu tenho enfrentado com bom humor, a provocação: E aí, Lagarto agora tem aeroporto. Tenham calma, o aeroporto de Itabaiana já está no forno. Aos desavisados: o aeroporto em Lagarto, é parte do Hospital de Amor.

Brincadeira à parte, parabéns a Henrique Prata pelo livro: bem-feito, verdadeiro e corajoso.

“Muitos se ufanam: não devo nada a ninguém! Engano, devemos muito a todos.” Cora Coralina.

* Antonio Samarone é médico sanitarista.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

'O Primo Heraldo Déda nos Deixou...' (Carlos Alberto Déda)

Legenda da foto: Heraldo Déda - (Crédito da foto: Perfil do Facebook)

Post compartilhado do Facebook/Carlos Alberto Déda, de 17 de agosto de 2023

O Primo Heraldo Déda nos Deixou...

Por Carlos Alberto Déda

No dia 14 deste mês, nossa família sentiu novamente a dor da saudade: o querido primo Heraldo Déda passou para o outro plano da vida. Deixou para os que conviveram com ele um montão de boas recordações.

Na sexta-feira, dia 11, ele sofreu um AVC, foi hospitalizado, mas não resistiu. Sua despedida ocorreu na segunda-feira, um dia após a data dedicada aos pais.

Heraldo tinha 81 anos, era mais novo do que eu, diferença pouca: apenas um ano. Nossa amizade era grande, desde o tempo de criança.

Quando éramos garotos, em Simão Dias, estudamos no Grupo Escolar Fausto Cardoso, brincamos de bola de gude, peteca, jogamos castanhas nos buracos de bica das casa de platibandas; e, no Aloque – onde funcionava o curtume Sidon de tio Paulo - saboreávamos caldo de cana produzido ali mesmo, em um pequeno engenho movido por um jegue. O melhor mesmo era pescar lambaris e aratanhas no riacho Caiçá, que passava por trás da casa sede do Aloque.

Ainda muito novo, em companhia de seus pais, Heraldo veio morar em Aracaju. Nos encontramos aqui, no Ginásio Jackson de Figueredo, em 1957, ele cursando um ano letivo na minha frente. Concluiu o Ginásio em 1959. Naquela época, passávamos as férias em Simão Dias, e participávamos dos eventos da cidade.

Todos os anos, na festa de Santana, padroeira de nossa terra, era costume o encontro familiar. Sempre os primos se reuniam no bar do Abrigo, na Praça Matriz, e alegria era estampada no rosto de cada um. Com seu passamento, Heraldo será recebido pelos queridos parentes que já partiram para outro plano, especialmente pelos sempre lembrados primos que se reuniam nas datas festivas da terra berço: Zé Carlos de tio Sininho, Marcelo de Zilda e Washington de Lindonor.

Heraldo trabalhou como executivo em várias empresas e, com sua formatura em Direito, dirigiu também com sucesso seu escritório de advocacia. Certa vez, fazendo uma visita ao seu escritório, informei-lhe que pretendia fazer um curso de licenciatura para ser professor. Ao me ouvir,  dissuadiu-me daquela ideia e despertou-me o estímulo para o estudo de Direito, fazendo-me lembrar do que me orientava meu pai nos velhos tempos. Não desperdicei aqueles conselhos.

O querido primo e amigo Heraldo nos deixou, mas tornou-se imortal em nossas lembranças.

Que o bom Deus o receba no reino celestial e que conforte seus queridos filhos e netos.

Aracaju, 17/08/2023 (BETO DÉDA)

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Carlos Alberto Déda

domingo, 6 de agosto de 2023

Cantor Roberto Alves será homenageado em sua cidade




Fotos: Divulgação

Publicação compartilhada do site RADAR SERGIPE, de 6 de agosto de 2023 

Cantor Roberto Alves será homenageado em sua cidade

Por iniciativa da prefeita Silvany Mamlak, o músico capelense Roberto Alves, vai receber a Ordem do Mérito Cultural Jornalista Zózimo Lima, pelos relevantes serviços prestados à cultura do município de Capela e do Estado de Sergipe. 

Roberto Alves nasceu em Capela no ano 1948. Em sua cidade natal, ainda menino, fez suas primeiras cantorias. Milton Melo, amigo e também capelense, foi quem lhe ensinou a tocar violão. Futuramente, os dois seriam parceiros na Banda Los Guaranis.

Nos finais de semana do ano de 1966, já rapaz, Roberto Alves seguia para a capital. Seu objetivo era assistir e, principalmente, tentar participar dos programas de auditório, a exemplo do "Roteiro das Onze", apresentado pelo radialista Reinaldo Moura (e depois por Gilvan Fontes), no auditório da Rádio Cultura. Neste período, outra voz do rádio sergipano – Luís Trindade – o convidou para participar do seu programa. Roberto tornou-se a atração das tardes de domingo e chegou a acompanhar o radialista, numa excursão até Recife (PE).

A entrada na Orquestra Los Guaranis se deu após algumas situações. Durante uma festa no Hotel Palace, em Aracaju, onde a banda se apresentaria, Roberto foi como "penetra" e ainda pediu uma "canja". Pedido aceito! Roberto interpretou Coração de Papel, de Sérgio Reis. Em seguida, com a ida dos programas de auditório pelo interior do Estado, a voz do artista foi chamando atenção de empresários. Numa dessas apresentações, ocorrida em Lagarto, o dono da Los Guaranis, Rivaldo Fonseca, o convidou para ser o vocalista da banda (1967-1974).

 Com a saída da Los Guaranis, Roberto Alves criou sua própria banda, a R SOM 7 (R SOM SETE). A banda teve a duração de dois anos. Em 22 de setembro de 1976, na rodovia que liga Capela a Nossa Senhora das Dores, o artista sofreu um acidente e fraturou a 3ª vértebra cervical, ficando paraplégico.

Em 1979, em São Paulo, Roberto Alves gravou seu primeiro compacto, intitulado: "Meus Traumas, Meus Sonhos". Em 1982, fez um show em Carmópolis, durante a festa da padroeira. Naquela ocasião, pediu a Nossa Senhora do Carmo que intercedesse, por ele, junto a Jesus Cristo. Roberto queria  levantar da cadeira de rodas e ficar de pé. Ele tentou, porém, pouco conseguiu!

O desejo de Roberto de deixar a cadeira de rodas e voltar a andar (mesmo de muletas) aconteceu em 1983, após cirurgia realizada em Belo Horizonte. Ao retornar para Sergipe, o jornalista e compositor, Teotônio Neto, então prefeito de Carmópolis, chamou Roberto e disse que ele tinha uma dívida para com Nossa Senhora do Carmo. Teotônio tinha composto a música Monte Carmelo. Roberto gravou e foi um sucesso. 

“Roberto Alves construiu uma carreira de sucesso e de exemplos profissionais. Nunca desistiu! O amor à música fez dele um vencedor! Um guerreiro de alma, com uma voz de anjo e um ser humano iluminado. O nosso Rei!”, afirmou, certa vez, Theotonio Neto.

 A homenagem a Roberto Alves acontece no dia 26 de agosto, a partir das 20 horas, no Largo da Rodoviária, na cidade de Capela, onde fará um show em homenagem aos 190 anos de Emancipação Política de Capela. 

Fonte: Elo Comunicação.

Texto e imagens reproduzidos do site: radarsergipe com br

sábado, 22 de julho de 2023

Morre proprietário de panificação que deu nome ao 'pão jacó' em Sergipe

Legenda da foto: Antônio Alves Santos — (Crédito da foto: TV Sergipe/reprodução)



Publicação compartilhada do site G1 GLOBO SE, de 21 de julho de 2023 

Proprietário de panificação que deu nome ao 'pão jacó' em Sergipe morre aos 90 anos

De acordo com a família, o idoso faleceu em casa, vítima de insuficiência respiratória.

Por g1 SE

Morreu na madrugada desta sexta-feira (21), aos 90 anos, Antônio Alves Santos, em Aracaju, o proprietário de uma das panificações mais antigas do estado e que deu origem ao "jacó", forma como é chamado o tradicional pão de sal em Sergipe.

De acordo com a família, o idoso faleceu em casa, vítima de insuficiência respiratória. O corpo foi velado e sepultado no Cemitério Colina da Saudade. Ele deixa esposa, quatro filhos e seis netos.

Fundada em 1927, pelo pai de Antônio, José Alves, a Panificação Garça fica situada no Centro da capital. Segundo os atuais proprietários, "Jacó" era o nome de um padeiro que trabalhava no local e fazia pães muito procurados pelos clientes, o que acabou fazendo com que o pão de sal fosse chamado pelo nome dele.

Texto e imagens reproduzidos do site: g1 globo com/se

terça-feira, 18 de julho de 2023

Nota de Falecimento de Joventina Aragão Almeida


Foto reproduzida do Faceook/Dalva Aragão Almeida e postada pelo blog.

Nota compartilhada do Facebook/Waguinho Aragão, de 17 de julho de 2023

ATHENEU - NOTA DE FALECIMENTO 

"Com imensa tristeza comunico o falecimento da ex-aluna e prima Joventina Aragão Almeida (Jo Almeida) ocorrido na manhã de hoje.

O seu velório acontece no Cemitério Colina da Saudade, e o seu sepultamento acontecerá amanhã (18/07/23) às 10:00 horas.

A família Atheneu se solidariza enviando sentimentos aos familiares, parentes e amigos da querida Jó.

Que ela descanse em paz na companhia dos seus entes queridos, de Deus e dos anjos". (W. A.)

Texto reproduzido do Facebook/Waguinho Aragão.

segunda-feira, 17 de julho de 2023

Leônia Gama de Oliveira - (Dona Leônia do Cartório)

Imagem postada pelo blog 'SERGIPE...' de foto com arte reproduzida do Facebook/Sacuntala Guimarães.

Texto compartilhado de postagem do Facebook/Hugo Sídney Brandão, de 15 de julho de 2023

Reminiscências, lembranças e histórias de vida. Na manhã deste sábado, 15, ao receber a lamentável notícia do falecimento de Leônia Gama de Oliveira, titular do Cartório do 6º Ofício da Comarca de Aracaju, lembranças marcantes me vieram à mente. O antigo cartório, situado no trecho posterior ao atual, na mesma rua Itabaiana, era lugar marcante na minha infância. Ao menos uma vez por mês, eu estava por lá com meu pai ou minha mãe. Os imóveis administrados por eles eram geridos por contratos devidamente registrados no cartório "de Dona Leônia", onde também eu e meus irmãos fomos registrados. 

Eu admirava aquela senhora elegante, cheirosa, impecavelmente maquiada, delicada nos gestos e uma fera na arte da datilografia! Aquilo me fascinava! Eu, aos seis anos de idade, ficava paralisado vendo ela conversar, interagir com as pessoas e datilografar numa velocidade e precisão absurdas! Certo dia ela detectou isso: "Você gosta, né? Venha, meu filho, sente aqui". E me pôs diante daquele engenho que iria transformar minha vida! E ela só saberia disso décadas depois, quando revelei que ela fora minha fonte inspiradora! Aos 12 anos, eu já era "datilógrafo formado", com diploma e tudo! E isso foi determinante na minha jornada profissional. Foi o diferencial para minha contratação no extinto Banco de Crédito Nacional (BCN), aos 13 anos. Foi um diferencial na atividade policial, em delegacia, quando cheguei atuar como escrivão "ad hoc" e, mais ainda, na atividade da Comunicação! Devo isso a Leônia!  A Certidão de Nascimento do meu filho foi assinada pessoalmente por ela. Ela fez questão em tempos de "certificação digital". Era uma grande amiga da minha mãe e sentiu muito a "partida" dela! Certamente, minha Querida Leônia, ela estará a ser mais uma dos milhares de "irmãos de luz" a te acolher! Sua jornada foi honrosamente cumprida, distribuindo compreensão, acolhimento e a doçura do seu sorriso marcante! Que o Criador a conduza no Caminho da Luz e Evolução! Minha Gratidão é ETERNA!

Texto reproduzido do Perfil do Facebook/Hugo Sídney Brandão

domingo, 16 de julho de 2023

Morre José Francisco Ribeiro (Facebook/Ribeiro Rvd)


Morre D. Leônia do Cartório, ícone sergipano de simpatia, competência...

Imagem postada pelo blog SERGIPE, resultado de reprodução do Facebook/Cartório do Sexto Oficio

Texto publicado originalmente no site FAN F1, em 15 de julho de 2023

Morre Dona Leônia do Cartório, ícone sergipano de simpatia, competência e elegância

Da redação

Faleceu nesta sexta-feira (14 de julho de 2023), em Aracaju, a empreendedora Leônia Gama de Oliveira, proprietária do Cartório Leônia Gama, do 6º Ofício, situado na Rua Itabaiana, no Centro de Aracaju.

Através do Instagram de familiares foi possível confirmar a informação. Uma neta da empresária postou um texto em homenagem, em um story do Instagram. Em um perfil de notícias da rede social, uma sobrinha de “Dona Leo”, como muitos amigos e clientes a chamavam, também comentou e lamentou o falecimento.

O portal Fan F1 tentou fazer contato com alguns familiares, para saber as circunstâncias do falecimento, mas sem sucesso.

O Cartório Leônia Gama foi fundado em 1976, mas ela só ingressou nele no ano de 1984. Personalidade notória da sociedade sergipana, Leônia sempre se destacou por ser uma pessoa de sorriso gentil e acolhedor, sempre atenciosa e extremamente competente em seu ofício. A todos cativava com sua simpatia e, apesar de ser uma mulher extremamente educada e elegante, era uma pessoa dotada de profunda simplicidade e humildade.

Sua morte provocou grande comoção nas redes sociais e levou muitas pessoas a prestarem suas últimas homenagens através de comentários, a exaltando e confortando a família. Na página oficial da Associação dos Notários e Registradores do Brasil em Sergipe, (Anoreg-SE), foi publicada uma homenagem, ressaltando os relevantes serviços prestados na área Notarial e Registral.

O velório foi realizado no Cemitério Colina da Saudade, onde o corpo foi sepultado hoje, às 10h.

Texto reproduzido do site: fanf1 com br

domingo, 9 de julho de 2023

Três anos sem Amaral Cavalcante: a vida lhe quis bem. E nós também!

Legenda da foto: Amaral Cavalcante: poeta, jornalista e cronista de um tempo

Publicação compartilhada do site JLPOLÍTICA, de 6 de Julho de 2023

Três anos sem Amaral Cavalcante: a vida lhe quis bem. E nós também!
Por Roseneide Santana*

Nesta sexta, 7 de julho, serão três anos sem o poeta, jornalista e cronista Amaral Cavalcante. No próximo dia 11 de julho, ele faria 77 anos. Foram apenas 8 meses entre a publicação do primeiro livro A Vida me Quer Bem e a sua partida.

Numa entrevista concedida à Segrase, ele comentou: “Estou feliz porque as pessoas da minha geração estão com meus escritos em casa para lembrar de mim e do nosso tempo”.

Recuperando aqui o delicioso texto desta semana do jornalista Antonio Passos, colega articulista também aqui do Portal JLPolítica & Negócio, eu pergunto: como esquecer um Titã?

Ainda mais um que compôs o quarteto fantástico da agitação cultural e do mundo das artes neste Estado, junto com a Ilma Fontes, Lu Spinelli e Joubert Moraes.

A única queixa que fiz em relação ao precioso livro do Amaral foi o fato de as orelhas terem saído com as letras muito miúdas e brancas, o que poderia dificultar o interesse pela leitura. Ei-las, então.

“Há pelo menos 30 anos que acompanho a produção escrita deste Estado e, obviamente, os textos de Amaral Cavalcante estiveram presentes nessa minha jornada de leitora: jornais, revistas, coquetéis literários, antologias e, mais recentemente, as postagens. Recebi dele um pen drive com quase 400 textos salvos de muitos emails, que trocou com leitores amigos, ou da rede social em que costumou postar nos últimos anos.

- Selecione aí umas 80 crônicas pro meu livro, ele disse. Olhei para o senhor de cabeça branca, mas vi o garoto da Folha da Praia, de rabo de cavalo, espírito realizador e inquieto, tentando me mostrar que sabia exatamente o que queria, mas duvidava de que alguém pudesse dar conta do seu intento. Muitas crônicas reescritas e ele não tinha vontade nem paciência de reler tudo. Quando tentou, gostou de algumas versões e não sabia qual escolher. Eu me lembrei do Gabriel García Márquez contando sua experiência de escrever um livro de contos, que durou 18 anos. Começou com 64 temas e, cada vez que lia, jogava fora alguns, até restarem 18, dos quais ele publicou 12: Doze contos peregrinos. Saber qual a melhor versão? diz Gabo: É um segredo do ofício que não obedece às leis da inteligência, mas à magia dos instintos, como a cozinheira que sabe quando a sopa está no ponto.

Entendi que precisava dar uma resposta rápida de sistematização e de compreensão do trabalho especial que me fora encomendado. Comecei, então, minha intromissão. A crônica “A Cascatinha”, por exemplo, tinha três versões. Em uma havia um episódio com o saudoso colunista Barrinhos; em outra, uma peripécia do Joubert Moraes. Já em “A morte da agenda velha”, reescrita quatro vezes, havia belas metáforas, detalhes que estavam em versões diferentes, mas não modificariam a essência da crônica se fossem reunidos em um só lugar. Primeira solução para o livro: fusão das versões.

Depois, a leitura foi apontando quatro partes mais ou menos definidas: memórias do menino, homenagens a figuras do seu convívio, causos e bares da cidade. Extraí das próprias crônicas títulos ou expressões para nomear essas partes: 1. No mundo doce de açúcares imemoriais; 2. A vida me quer bem; 3. Guardiã de inúteis segredos; e 4. De bar em bar.

À medida que  lia, avisei ao escritor: impossível somente 80 ou 100. Ele liberou até 150. Foi uma experiência sem igual. Parafraseando o Jorge Luis Borges, sinto orgulho do que li. Ao mesmo tempo sei, como leitora contumaz e ávida interessada na vida de escritores, que estive diante de um escritor. Amaral Cavalcante escolheu a crônica e escreveu sobre suas próprias experiências. Pode parecer arrogante se dizer um escritor por contar histórias da própria vida: o dilema para qualquer cronista.

Foi salpicando suas histórias aqui e acolá, mas relutou em ter sua capa/contracapa/orelha/prefácio. Graças ao bom Deus, mudou de ideia. Volto ao Gabo, após os 18 anos de labuta até publicar seus contos: “Aqui estão, prontos para ser levados à mesa depois de tanto andar de déu em déu lutando para sobreviver às perversidades da incerteza”.

De modo que, quando o Pirão de capão deixar de ser comida para ser poesia; quando “restar no quebra-queixo [de Joana Doceira] o gosto primordial da maravilha: o sabor das goiabas amassadas, um gosto de chão arrematado das frutas do quintal, maduras de preguiça e alumbramento”; quando o “herói da tarde” com sua “espada de pau” for acionado para destruir uma perigosa casa de marimbondos... sorria: você está sendo dominado pelas deliciosas crônicas de Amaral Cavalcante”.

P.S. No dia de hoje, em que uma tragédia tirou a vida do grandioso Zé Celso, trarei também o fragmento da crônica Augusto Franco, que infelizmente não entrou no livro, na qual Amaral deixou registrada a passagem estrondosa do renomado dramaturgo por Sergipe, em 1979.

“Ocorreu que o amaldiçoado Zé Celso Martinez, ícone da resistência cultural naqueles anos de chumbo, criador do Teatro Opinião e abertamente defensor da liberdade plena às expressões artísticas, estava excursionando pelo Brasil com um recital dito “orgástico e antropofágico”, bem ao seu estilo. Luiz Eduardo Costa, atento aos benefícios que essa pregação libertária traria aos artistas locais, consentiu em patrocinar, pela Subsecretaria, duas apresentações no Teatro Atheneu. O teatro encheu. No palco, tudo o que feria os brios dos milicos de plantão e que a censura vigente proibia, sob pena de cadeia, foi apresentado. Achincalharam os símbolos nacionais, jogaram uma melancia espatifada na cara dos expectadores provocando a imediata indignação da tradicional família sergipana, sem contar com os nus artísticos, tão surpreendentes quanto escandalosos. No outro dia, a caretice da cidade acordou em polvorosa! Fora! Fomos ultrajados! Não os queremos mais! Como é que uma repartição do governo patrocina este tipo de coisa? Nós, os funcionários da SUCA, começamos a arrumar as gavetas, aguardando a iminente demissão. Foi então que o governador Augusto Franco, convocando Luiz Eduardo Costa ao seu gabinete, deu-lhe as ordens: − Os meninos do teatro ficam e o Atheneu é deles, até quando eles quiserem. Sergipe é governado pela democracia. Vocês avaliem a grandiosidade do gesto!”.

Antônio Amaral Cavalcante - 11.07.1946 - 07.07.2020 - José Celso Martinez Corrêa - 30.03.1937 – 06.07.2023.

* É mestra em Letras e técnica em Educação da UFS. 

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica com br/articulista

sexta-feira, 7 de julho de 2023

'Presença judaica em Sergipe', por Marcos Cardoso

Legenda da foto: Na foto, no Cine Guarani, esquina da Rua Estância e Avenida Pedro Calazans, Paulo e Joanita Milstein Silva (com Olga nos braços), ela considerada judia autêntica.

 Artigo compartilhado do Facebook/Marcos Cardoso, de 22 de junho de 2022

Presença judaica em Sergipe
Por Marcos Cardoso

Sergipe é um dos poucos Estados brasileiros onde não há uma sinagoga. Este é o sinal mais evidente de como é diminuta a colônia judaica no Estado. O templo israelita é um sinal definitivo da presença dos filhos de Israel. Embora muitos judeus estrangeiros tenham imigrado para cá no Século 20, poucos ficaram. Três, pelo menos, fincaram raízes, constituíram família e tornaram perenes seus sobrenomes: Chapermann, Schuster e Milstein. Foram homens que chegaram pobres, trabalharam de sol a sol e conseguiram erguer patrimônios respeitados, principalmente no ramo do comércio. Se não chegaram a ter influência direta na formação política do Estado, conseguiram contribuir substancialmente na sua constituição econômica.

Povo nômade, pois não tinham pátria, os judeus intensificaram o êxodo após a 1ª Guerra Mundial (1914-1918) e a Revolução Russa (1917). Sofrido o holocausto nazista durante a 2ª Guerra, tiveram onde se fixar depois da fundação do Estado de Israel, em 1948, quando passaram a emigrar para lá. Em 1914, chegaram os primeiros judeus contemporâneos a Sergipe: José Chapermann Natal e Salomão Kipermann (conhecido entre seus pares como “Zé Olhinho”). José veio e, em 1918, mandou buscar a mulher, Clara, e os dois filhos, Abrahão e Isaac Chapermann. Abrahão viria a ser o dono da Mobiliária Chic, que marcou época em Aracaju. Eles enfrentaram dificuldades na saída da Ucrânia, então anexada à União Soviética. Na década de 20, fugiram muitos judeus para o continente americano, destacando-se como países receptores na América do Sul o Brasil e, principalmente, a Argentina. A maioria era asquenaze, judeus da região compreendida entre a Alemanha e a Rússia, que falavam a língua iídiche.

No dia 26 de novembro de 1926, chegaram ao Brasil Isaac Schuster e mais 11 colegas. Ele chegou com 16 anos, oriundo da Romênia, no período de efervescência em que vivia a Europa entre as duas guerras. O pai de Isaac Schuster havia sido fuzilado pelos alemães na 1ª Guerra. A maioria dos 11 companheiros ficou no Rio de Janeiro, onde desembarcaram. Eles vieram dentro de sacos de carvão, no porão de um navio. “O dinheiro que meu pai possuía quando desembarcou no Brasil dava apenas para comprar um ovo cozido e uma xícara de café. Além disso, ele não falava nada em português”, recorda o empresário Lion Schuster, filho de Isaac, o sergipano mais preocupado em resgatar a memória do povo judeu no Estado. Ele planejava escrever um livro a respeito da saga dessas famílias.

Isaac Gringo

Pouco depois, Isaac Schuster também veio para Sergipe, junto com José Zuckmann, Brabeck, Elias Reutman e Isaac Schinitmann. Começou vendendo confecções em Lagarto para Zé Olhinho, que já estava instalado por aqui. Depois, por conta própria, passou a vender santos, sombrinhas e tecidos. Ele saía pela rua com os produtos dentro de um baú. Logo passou a ser conhecido como Isaac “Gringo”. Vendia os produtos a prestação, recebendo por semana.

Em Lagarto, conheceu a futura esposa, Maria Rodrigues do Nascimento, que depois incorporou o sobrenome Schuster. Casaram-se em 1929. Os filhos mais velhos dos 11 que tiveram, Abraão e Elza, são lagartenses. Naquela cidade do interior, Isaac teria vivenciado um episódio inusitado, lembrado por Lion: “Foi o único judeu russo que se escondeu de Lampião”. Um dos muitos filhos foi a desembargadora Geni Silveira Schuster. Na 2ª Guerra, durante o governo de Getúlio Vargas, Isaac dava discursos políticos no Ponto Chic, na esquina das ruas João Pessoa e Laranjeiras, contra os integralistas. Foi preso junto com Brabeck. Saíram da penitenciária após exigirem tratamento de presos políticos, mas tinham medo de que Getúlio Vargas os mandassem de volta, entregando-os aos alemães, como havia feito com Olga Benário, mulher do comunista Luiz Carlos Prestes. O regime usava seus livros russos como prova. Dos 11 que vieram, um retornou com saudade e acabou sendo fuzilado.

Ele finalmente pôde comprar a primeira loja em 1953, na rua Laranjeiras. Era uma das filiais das Casas Isaac Schuster. No início, vendia apenas móveis de vime. No outro lado da rua, em frente à sua loja, havia a fábrica de colchões de capim de um outro judeu, Manoel Milstein, pai de Joanita Milstein Silva, mulher de Paulo Silva, os fundadores do Café Sul-Americano. Lion começou a trabalhar com o pai ainda criança, quando saíam pelas ruas vendendo e recebendo pagamentos. “O dia certo do pagamento das prestações era o domingo. Por isso eu raramente podia ir à praia, que era a coisa que eu mais gostava”, recorda, com uma ponta de frustração, mas orgulhoso em demonstrar o quanto o pai era trabalhador. Ele recebia de comerciantes do Mercado Municipal e dos bairros Industrial, Santo Antônio, 18 do Forte e Siqueira Campos. “Na época que eu saía junto com meu pai, nós improvisávamos o almoço na rua São João, onde comíamos pão acompanhado de sardinha com tomate e cebola, além de jenipapada”.

Isaac Schuster morreu sem realizar o sonho de rever os familiares que havia deixado na Romênia. “Muita gente humilde chorou com a morte de Isaac Gringo”, recorda Lion, o quarto dos irmãos, que assumiu os negócios quando o pai morreu. “Meu pai nos ensinou a viver dignamente e a ganhar dinheiro”. Ele estava se preparando para viajar até a Romênia, para ver a mãe que estava doente. Mas só viajaria se conseguisse a cidadania brasileira, para garantir que poderia voltar ao país onde havia constituído a sua família. Antes que a burocracia o liberasse, contudo, recebeu uma carta, com quatro meses de atraso comunicando-o que a mãe havia morrido. Isaac Schuster faleceu poucos anos depois, em 1964, aos 57 anos, vítima de trombose cerebral.

Perseguidos pelos cristãos

Após a destruição de Jerusalém, no ano 70 da era cristã, a história dos judeus é a de um povo disperso, que conservou sua religião. Instalados a princípio em Jabreh, depois na Babilônia, ali fizeram florescer grandes escolas, a Torá foi atentamente estudada e deu-se prosseguimento à elaboração do Talmude (doutrina e jurisprudência da lei mosaica). Por outro lado, no Império Romano, e mais tarde no Império Bizantino, onde predominava o cristianismo, a sorte não lhes foi tão propícia. Na Espanha muçulmana, do século VII ao século XIII, o gênio judaico pôde florescer nas artes, na literatura e na filosofia. Foi por esta época que se desenvolveu a Cabala (tratado filosófico-religioso hebraico, que pretende resumir uma religião secreta que se supõe haver coexistido com religião popular dos hebreus).

Após a Reconquista cristã da península Ibérica, verificou-se terrível perseguição aos judeus, cujo instrumento maior foi a Inquisição. Esta obrigou os judeus a se converterem, ao menos na aparência (os “marranos”), ou a fugir da península: estes “espanhóis”, ou sefarditas, se instalaram nos países da bacia do Mediterrâneo, nos Países Baixos ou na Inglaterra. No restante do Ocidente cristão, a perseguição aos judeus foi sistemática, gerando o que mais tarde se chamaria de antissemitismo. Periodicamente, os judeus sofreram expulsões, discriminações e massacres: a caricatura preconceituosa do judeu deicida e usurário fixou-se por muitos séculos. Somente na Itália, havia certa tolerância.

Nos países não-cristãos, especialmente o Império Otomano, nos Países Baixos protestantes, sobretudo nos séculos XVI e XVII, e posteriormente na França, graças à proteção real, as comunidades judaicas foram toleradas. Na Polônia, a população judaica a princípio cresceu com a chegada de perseguidos da Alemanha e, a partir do século XVIII, com os judeus que fugiam dos “pogroms” russos. Mas no Século das Luzes, enraizou-se a ideia de uma emancipação dos judeus, cujos partidários triunfaram na Revolução Francesa. Napoleão I estabeleceu na França uma legislação consistorial, que ainda está em vigor. Por toda a Europa ocidental e nos Estados Unidos – onde, em 1914, já existiam 3,5 milhões de judeus vindos da Europa Central e Oriental – os judeus emancipados se europeizaram, integrando-se ao desenvolvimento intelectual, econômico e social de suas nações.

Na Europa oriental, os judeus permaneciam como suspeitos. Essa emancipação rápida provocou, após 1880, a ressurreição do antissemitismo, que intelectuais reacionários erigiram como doutrina. O caso Dreyfus, na França, atiçou um desprezo e até um ódio racial que se encontravam por toda parte, mas sobretudo na Alemanha, entre as duas guerras. O sionismo, originado com Theodor Herzl (“O Estado Judeu”, 1896), alimentou as esperanças dos judeus europeus perseguidos, mas foi também um elemento que fomentou o antissemitismo. Misturado com teorias racistas falsamente científicas, o preconceito atingiu seu paroxismo com o nazismo, que levou Adolf Hitler e seus correligionários a preconizarem a “solução final”, ou seja, o massacre do povo judeu: ao fim do conflito, 6 milhões de judeus haviam sido assassinados nos campos de extermínio nazistas. Depois da guerra, as comunidades israelitas se reconstituíram. Enquanto a ideia sionista se concretizava com a criação do Estado de Israel, o antissemitismo, às vezes sob a forma de antissionismo, reapareceria em vários países.

Três sobrenomes mestiçados

Das três principais famílias que se fixaram em Sergipe (Schuster, Chapermann e Milstein), Schuster é a mais numerosa, hoje com cerca de 80 remanescentes. Mas os seis filhos de Joanita Milstein são os únicos legítimos judeus vivos. Além de ser filha de Manoel Milstein e Sônia Koifman, Joanita era considerada de “raça pura” porque a mãe era judia. O mesmo acontece com seus filhos. “O valor da raça judaica está em ser filho de mulher judia”, explica Luciano Milstein Silva, quarto filho de Joanita, e um apaixonado por Israel, onde morou. “Considero tanto minha pátria quanto o Brasil”, diz, orgulhoso.

Manoel e Sônia Koifman Milstein, ucranianos de Kamnipadovskaia (antiga Bessarábia) que coincidentemente encontraram-se no Brasil, após passarem pela Argentina, casaram-se em Natal (RN) e depois se mudaram para Aracaju. Tiveram três filhos, sendo que Anita e Samuel mudaram-se, junto com a mãe, para Israel logo após a fundação do Estado judeu, onde constituíram família. Anita casou-se com Fritz Guggenheinn, judeu de uma abastada família alemã que fugiu do holocausto nazista com 10 anos, deixando para trás os pais, que acabaram sendo assassinados. Fritz viveu na Argentina e em Goiás, no Brasil, mas conheceu Anita em Israel. Sônia Koifman morreu em 1984.

Joanita e Paulo Silva casaram-se, na década de 50, contra a vontade dos pais dela, que rejeitavam a união com um não-judeu. Eles foram os pais de Olga, Paulo Filho, Manoel, Luciano, Marcos e Ana Paula. “Meu pai foi um lutador, que construiu um grande patrimônio. Mas sem minha mãe, ele não chegaria aonde chegou. Dona Joanita era uma leoa para trabalhar”, reconhece Luciano. Ele próprio viveu na pele a pressão da importância que o povo judeu dá à questão da perpetuação da raça: “Algumas vezes, prepararam mulheres judias com quem eu deveria me casar”, admite Luciano, que acabou se casando com uma sergipana. “É a maior miscigenação de raças do mundo e isso aumenta a preocupação com a perpetuação”, observa, lembrando que o êxodo espalhou judeus pelos quatro cantos do planeta. Há judeus orientais e ocidentais, assim como há judeus árabes, argentinos, russos e americanos. “Há judeus oriundos da Somália, negros, que foram aceitos em Israel”, observa.

Primeiros judeus chegaram no século XVII

A história registra a presença de judeus em Sergipe desde o século XVII, quando aqui desembarcavam como cristãos-novos. Segundo conta a historiadora Maria Thétis Nunes, no livro “Sergipe Colonial I”, a recém-criada “Capitania de Sergipe Del Rei, em pleno desenvolvimento, atraía, na dispersão da população rarefeita que ocupava seu território, a entrada de cristãos-novos, que aí poderiam passar despercebidos”. Mas, “mesmo rarefeita, a sociedade sergipana da segunda década do século XVII seria atingida pelo olho da Inquisição, alcançando, em primeiro plano, os cristãos-novos nela estabelecidos”. A perseguição aos judeus, representantes da burguesia comercial em ascensão e que aqui chegaram até ser fidalgos e senhores de engenho, prosseguiu por cerca de dois séculos.

Os cristãos-novos, judeus que se converteram à fé cristã, ou que descendiam de pais ou avós convertidos, quase sempre foram forçados à conversão, por fanatismo religioso e oportunismo cristão: ao mesmo tempo em que, na península ibérica, notadamente em Portugal, se lhes impunha a conversão, impedia-se ou dificultava-se sua saída do país e criavam-se pretextos para espoliações. No Brasil, muitos cristãos-novos foram perseguidos pela Inquisição sob a acusação de praticar sua fé às escondidas. Não raramente tinham seus bens confiscados e, muitas vezes, eram enviados a Portugal para serem julgados pelo Tribunal do Santo Ofício.

(Texto publicado originalmente no Jornal da Cidade e na Infonet em 11 de setembro de 2011)

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Marcos Cardoso.

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Marlene Alves Calumby, uma intelectual de peso em Sergipe

Artigo compartilhado do site RADAR SERGIPE, de 4 de julho de 2023 

Marlene Alves Calumby, uma intelectual de peso em Sergipe
Por Igor Salmeron*

Para quem acompanha os meus trabalhos de pesquisa notam que focalizo bastante em mulheres que fizeram e fazem história em Sergipe. Uma dessas notáveis reside na pessoa de Marlene Alves Calumby. Nascida em Aracaju num dia 21 de outubro do ano 1950, é a filha do saudoso construtor João Alves e de Dona Maria de Lourdes Gomes. Pais que instilaram nela o espírito solidário, de tenacidade e apreço ao trabalho.

Dotada por inteligência singular, Marlene sempre foi determinada e tinha foco nos estudos. Realizou os cursos Primário e Ginasial no Colégio Jackson de Figueiredo, completando com o Curso Pedagógico que arrematou junto ao Colégio Patrocínio do São José. Se formou em Pedagogia com habilidade em Orientação Educacional pela Faculdade de Educação, da Universidade Federal de Sergipe.

Graduou-se depois em Direito pelas Faculdades Integradas Tiradentes. Prestou curso de Radialista com registro verificado no Ministério do Trabalho. Sua sede de saber é imperecível, e como observamos, realizou também Pós-Graduação em Metodologia da Informação Ocupacional pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) bem como em Educação-Concentração: Planejamento Educacional pela Faculdade São Judas Tadeu, de São Paulo.

Na parte de Gestão de Recursos Humanos também é aplicada quando foi Mestranda na Universidade de Extremadura da Espanha. Sua vastíssima cultura é algo a se ressaltar, pois são poucas em Sergipe que possuem tão destacada erudição. Fez estágio no curso de Análise e Avaliação de Testes, da Escola Técnica Federal de Sergipe e no Centro de Estudos Supletivos, em Natal, no Rio Grande do Norte.

De forma sucedânea, foi aprovada com brilhantismo no concurso público para Monitor da disciplina Didática Geral, realizado pelo Departamento de Didática da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Sergipe, logrando a 2ª colocação. Exerceu ao longo de toda sua vida inúmeros cargos públicos seja no Estado, seja na Prefeitura de Aracaju, com participação em diversos seminários, encontros, congressos, projetos e cursos de especialização em Aracaju, Brasília e outras unidades da federação, ora como coordenadora, ora na promoção de fecundos debates, tanto na seara do Direito quanto na da educação e comunicação social.

Atuou como Membro do Conselho Estadual de Educação, no qual exerceu a Presidência, a Vice-Presidência das Câmaras de Ensino Supletivo da Secretaria de Estado da Educação. Foi Orientadora Educacional da Escola Técnica Federal de Sergipe, Superintendente Geral da Fundação Aperipê de Sergipe.

No magistério sergipano Marlene se tornou referencial. Lecionou no Colégio Patrocínio do São José, no Instituto de Educação Rui Barbosa, tendo sido reconhecida como uma das melhores professoras que passaram pelo Colégio Estadual Atheneu Sergipense, donde também foi diretora proficiente.

No campo do Direito, exerceu a docência como Professora Substituta junto ao Departamento de Direito do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFS, e também no Departamento de Direito do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UNIT. Mestra da Faculdade PIO X, além de ter ensinado na Rede Municipal de Educação, onde exerceu cornucópia de cargos na parte de assessoria, coordenação e direção.

Recebeu diversos prêmios dos quais: distinções, diplomas, medalhas e reconhecimento de “honra ao mérito” pelas suas ígneas contribuições, não apenas na seara educacional, como no rádio e televisão. Destaca-se a Medalha da Ordem do Mérito Parlamentar, maior honraria concedida pelo Poder Legislativo em Sergipe. Benemérita e Benfeitora de várias instituições culturais e sociais, foi do Movimento Cultural Antônio Garcia Filho da Academia Sergipana de Letras.

Em 2004 se tornou Imortal da ASL ocupando a Cadeira de nº 30 que era pertencente ao Dr. João Gilvan Rocha. Ressalte-se que Marlene foi a sexta mulher a ocupar uma cadeira no vetusto sodalício dentre às quais: Maria Thétis Nunes, Ofenísia Freire, Carmelita Pinto Fontes, Gizelda Morais e Maria Ligia M. Pina.

Em 1999 foi Presidente da Comissão Especial de Estudos Jurídicos da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Sergipe. Escritora prolífica, escreveu inúmeras crônicas para imprensa e rádio sergipanos, além de ser abrilhantada poetisa com sensibilidade lancinante. Destaco entre seus escritos: “A importância dos Conselhos Municipais de Educação”, “Direito Educacional” e memórias biográficas sob título “Tudo valeu a pena”.

Na afável esfera doméstica foi casada com o conceituado médico José Calumby Filho cuja amorável união matrimonial resultou em duas filhas. Em seu âmbito profissional aposentou-se dos cargos públicos que exercera com a maestria que lhe é intrínseca.

Conclui-se que a sua labuta incessante na cátedra, seu amor incondicional ao magistério e inspirador trajeto de vida são exemplares merecendo reconhecimento contínuo. Sua luzidia simplicidade, jeito sem soberba e acolhida humana fazem de Marlene Alves Calumby uma das maiores intelectuais vivas no que se refere à moderna cultura sergipana.

---------------------------------

* Igor Salmeron - Sociólogo, doutor em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFS, servidor do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, faz parte do Laboratório de Estudos do Poder e da Política (LEPP-UFS). Membro vinculado Academia Literocultural de Sergipe (ALCS) e ao Movimento Cultural Antônio Garcia Filho da Academia Sergipana de Letras (MAC/ASL). E-mail para contato: igorsalmeron_1993@hotmail.com

Texto eimagem reproduzidos do site: radarsergipe com br/cultura