quarta-feira, 6 de junho de 2018

Personalidades falam sobre trajetória de José Carlos Teixeira

Foto reproduzida do Google e postada pelo blog

Texto publicado no Jornal da Cidade, em 30 de maio de 2018

Personalidades falam sobre trajetória de José Carlos Teixeira

Ex-prefeito e ex-secretário de Cultura, ele marcou época como fundador do MDB

Faleceu na tarde de ontem (29/05/2018) o ex-vice-governador de Sergipe, José Carlos Mesquita Teixeira, aos 82 anos. Ele exerceu os cargos de deputado federal, prefeito de Aracaju e secretário de Estado da Cultura, tendo sido um dos fundadores e o primeiro presidente do MDB em Sergipe. Ele lutava contra um câncer e faleceu em sua residência, onde era acompanhado por médicos.

Zé Carlos Teixeira, como era chamado, deixa esposa, cinco filhas e netos. O velório está sendo realizado desde ontem no Palácio Olímpio Campos (Praça Fausto Cardoso). O cortejo para o sepultamento sairá às 10 horas desta quarta-feira, 30, para o Cemitério Colina da Saudade, onde o corpo será sepultado às 11h.

Filho do empresário Oviêdo Teixeira e de Alda Mesquita Teixeira, Zé Carlos Teixeira, como era conhecido, foi militante da União Sergipana dos Estudantes Secundaristas (Uses), ao lado de Jaime Araújo e Tertuliano Azevedo, em 1950, quando estudava no Colégio Estadual Atheneu Sergipense. Também estudou na Bahia, onde vivera outra experiência no movimento estudantil secundarista, participando ativamente da campanha “O petróleo é nosso”.

Formou-se em Contabilidade pela Escola Técnica de Comércio Tobias Barreto, em Aracaju (1957). Em outubro de 1962 elegeu-se deputado federal na legenda da Aliança Social Democrática – coligação formada pelo Partido Social Democrático (PSD) e o Partido Republicano (PR).

Vice-líder do PSD na Câmara dos Deputados (1965), com a extinção dos partidos políticos por força do Ato Institucional nº 2 (27/10/65), e a implantação do bipartidarismo, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), sigla que fazia oposição ao regime militar instalado no país em abril de 1964.

Presidente do diretório regional e integrante do diretório nacional da agremiação (1966), vice-líder da bancada (1966-1967), vice-presidente das comissões da Bacia do São Francisco, de Segurança Nacional e de Fiscalização Financeira e Tomada de Contas, além de titular Comissão de Orçamento, em novembro de 1966 foi o único candidato do MDB de Sergipe a reconquistar o mandato federal. Com o retorno do pluripartidarismo foi um dos fundadores e primeiro presidente do PMDB em Sergipe.

Foi nomeado prefeito de Aracaju pelo governador João Alves Filho exercendo o mandato entre 30 de maio de 1985 e 1º de janeiro de 1986, quando transmitiu o cargo ao seu correligionário Jackson Barreto, o primeiro prefeito da cidade eleito pelo voto popular após 20 anos. Em 1990 foi eleito vice-governador de Sergipe na chapa que reconduziu João Alves Filho ao Governo do Estado. “Ele representa a história do MDB. O que Ulysses Guimarães foi para o Brasil ele é para Sergipe. Meu pai, Antônio Carlos Franco, era muito amigo, muito próximo. Ele foi um dos motivos da minha filiação ao MDB. Uma pessoa de palavra, de credibilidade e posicionamentos firmes. Com isso ele nos conquistou. Fui o deputado estadual mais novo e também o mais votado do então PMDB, e sempre tive uma boa relação. Sempre fui tratado com atenção e carinho. Recebi muitas orientações dele, o que me ajudou muito, já que fui deputado muito jovem. A contribuição dele ficou na história do MDB e de Sergipe. É uma referência de pessoa e de político, ele nunca será apagado da história de Sergipe”.

Marcos Franco,
Empresário, ex-deputado estadual.

“José Carlos Teixeira nos deixa num momento de grande turbulência política. É significativa sua perda neste momento. Mais um democrata nos deixa. Temos que exaltar o legado de José Carlos, um amante da nossa cultura, que sempre carregou a bandeira de nosso Estado, de nossa arte e da liberdade”.

Belivaldo Chagas,
Governador de Sergipe.
                  
“O falecimento de José Carlos Teixeira representa uma enorme perda para Sergipe. Sobretudo nos tempos atuais, quando o pensamento conservador de direita avança no país, a lembrança da luta de Zé Carlos, no combate ao regime militar e pela redemocratização do país é emblemática. Sergipe perde um homem que se agigantou na luta pela liberdade, militando pela organização do principal partido de oposição à ditadura, o MDB de Ulisses Guimarães. Foi sob seu comando que este partido mostrou ao Brasil a face de inúmeros combates sergipanos. Descanse em paz, Zé Carlos. Minhas mais sinceras homenagens. Seu legado de luta nunca será esquecido”.

Jackson Barreto,
Ex-governador

“Um grande itabaianense e um dos maiores políticos que Sergipe já teve. Foi deputado federal por quatro mandatos, vice-governador do Estado e prefeito de Aracaju, sempre demonstrando grande inteligência e boa vontade. Um ilustre sergipano do qual tive a honra de ser amigo e de quem sempre me lembrarei. Fica aqui a minha pequena homenagem e meus sinceros sentimentos à família!”

José Carlos Machado,
Ex-deputado federal

“O Diretório Estadual do MDB/Sergipe vem a público lamentar profundamente o falecimento do ex-prefeito de Aracaju, José Carlos Teixeira. Um dos fundadores do antigo MDB em nosso Estado, ele foi o primeiro presidente da sigla em Sergipe. Foi também um bravo soldado nas trincheiras da luta pela democracia. Empresário de família tradicional, ele emprestou seu nome a esta causa, assumindo os mesmos riscos que todos os outros que abraçaram este nobre objetivo”.

João Augusto Gama,
Secretário de Estado da Cultura e presidente estadual do MDB

Texto reproduzido do site: jornaldacidade.net

Dom Luciano José Cabral Duarte (1925 - 2018)


Publicado originalmente no site infonet/blogs/ivanvalenca, em 06/06/2018

Albano despede-se de d. Luciano Duarte

Por Ivan Valença

Em artigo publicado neste final de semana, na Imprensa de Aracaju, o dr. Albano Franco despediu-se de Dom Luciano José Cabral Duarte, Arcebispo Emérito de Aracaju, de quem era grande amigo. Destaca o ex-governador Albano Franco: “Intelectual brilhante, servo de Deus, irretocável e missionário incansável a serviço da Igreja Católica, D. Luciano Duarte na sua brilhante trajetória eclesiástica, conseguiu realizar com brilhantismo, tudo aquilo a que se propôs em benefício do catolicismo e do ser humano, especialmente da gente sergipana”. Escreveu mais adiante: Orador sacro de renome internacional, encantou plateias por esse mundo afora, convertendo incréus ao levar a Palavra de Deus por onde andou. Educador renomado criou faculdades e foi um batalhador incansável pela fundação da Universidade Federal de Sergipe, quer como membro respeitado do Conselho Federal de Educação utilizando de seus enorme prestígio no âmbito dos poderes de Brasília. Está aí a UFS, há exatamente 50 anos, cumprindo seu importante papel na formação de profissionais indispensáveis ao desenvolvimento de Sergipe!  E finaliza: “Amigo da minha família, em algumas oportunidades tive a fortuna de assistir conversações de elevado nível sobre ciência, política e religião entre Dom Luciano e Dr. Augusto Leite, meu avô. Eram amigos! Ele – Prelado Emérito da Igreja Católica – e Dr. Augusto Leite – Pai da Medicina Sergipana! Que Deus os tenha em sua glória”

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D. Luciano já era Cardeal

Ainda sobre D. Luciano Duarte, falecido aos 93 anos a semana passada, o Padre Walterwan, que é Secretário do Rotary Clube de Aracaju Norte, fez uma revelação: D. Luciano morreu com o título que sonhava. Ele era Cardeal já há algum tempo, embora “in pectore”. Isto é, o Papa o homenageou cardeal mas manteve em segredo esta nomeação, daí porque in pectore. Quando foi nomeado, D. Luciano deveria se mudar para Brasília, já que o cardinalato teria que ser executado na Capital Federal. Ocorre que naquele momento d. Luciano já começava a desenvolver o mal de Alzheimer. Tal fato foi comunicado ao Papa de então, mas o Papa não anulou a nomeação apenas não o tornou público.  

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca

Thetis e a História da Educação em Sergipe


Publicado originalmente no Facebook/Jorge Carvalho do Nascimento, em 02/06/2018.

Thétis e a História da Educação em Sergipe.

Texto do Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento.

Até o início da década de 90 do século XX, os estudos sobre História da Educação em Sergipe foram feitos como iniciativa individual dos pesquisadores, com especial destaque à contribuição da historiadora Maria Thétis Nunes. Sozinha, a partir da sua posição no Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe, ela publicou entre os anos de 1962 e 1998, vinte e dois trabalhos importantes sobre o tema. Vale registrar os trabalhos freqüentemente publicados pela autora no jornal Gazeta de Sergipe. O seu livro História da Educação em Sergipe, apresenta a única síntese produzida até hoje sobre o assunto, tornando-se referência obrigatória dentre os estudos sergipanos da área. Assumindo interpretações de caráter marxista em seus textos, a partir de 1962, com a publicação do livro Ensino Secundário e Sociedade Brasileira, Maria Thétis Nunes foi uma aplicada estagiária do Instituto Superior de Estudos Brasileiros – ISEB, no qual se ligou a intelectuais como Nelson Werneck Sodré e Álvaro Vieira Pinto. Apesar desse seu primeiro livro encontrar dificuldades para continuar circulando no Brasil sob a ditadura militar da década de 60, a autora continuou pesquisando com base na teoria marxista tal como concebida pela esquerda isebiana. Em 1984, Thétis Nunes publicou a História da Educação em Sergipe, mantendo a mesma perspectiva teórica e o mesmo rigor metodológico que assumira já no estudo de 1962. Historiadora de profissão, ao tratar da educação sob a perspectiva isebiana, Thétis adotou o viés interpretativo que diz ser a história fundamentalmente a história das lutas de classes, licenciando-se para, a partir daí, fazer uma série de operações analíticas, nas quais as evidências que extrai das fontes se prestam a localizar as relações entre burguesia e proletariado. E também para identificar os interesses que as classes dominantes defendem. Na sua interpretação assumiu os pressupostos da história monumento que Fernando de Azevedo estabeleceu, sob os quais somente se viabiliza uma política educacional consistente no Brasil depois que o campo foi dominado pela ação dos chamados “Pioneiros da Educação Nova”.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Jorge Carvalho do Nascimento.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Homenagem a professora Ada Augusta Celestino Bezerra (1949 - 2018)

 Foto reproduzida do Facebook/Ada Augusta

 Foto reproduzida do Facebook/Eliseu Silva

Foto reproduzida do Facebook/Ada Augusta 

Familiares e amigos se despedem de Ada Augusta

Foto: Eugênio Barreto.

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 05/06/2018

Familiares e amigos se despedem de Ada Augusta

Professora possuía Mestrado e Doutorado em Educação e faleceu na noite da última segunda.

A professora Ada Augusta Celestino, de 69 anos, faleceu na noite de segunda-feira, 4, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Lucas, situado no Bairro São José, na Zona Sul da capital Aracaju. A professora estava internada na unidade há cerca de 15 dias. O falecimento foi comunidade com pesar pelos familiares.

Desde as primeiras horas desta terça-feira, 5, o corpo está sendo velado no Cemitério da Colina da Saudade, onde familiares e amigos prestam suas últimas homenagens. O sepultamento ocorre às 16h de hoje. De acordo com a família, a professora teve morte cerebral e na segunda, após exames, houve a confirmação da suspeita.

“Ela era como se fosse uma mãe para nós e era muito querida no meio educacional do Estado. Nos últimos dias, na UTI, a todo instante ela recebia visitas dos alunos de mestrado. É um momento muito difícil para nossa família”, declarou o irmão e deputado estadual, Augusto Bezerra.

A professora Ada Augusto Celestino possuía Mestrado e Doutorado em Educação e estava aposentada pela Universidade Federal de Sergipe. Mas, sempre ativa, antes da sua internação, estava trabalhando na Universidade Tiradentes (Unit), na zona sul da capital.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net

Encontros e desencontros com a professora Ada Augusta


Publicado originalmente no Facebook/JorgeNascimento Carvalho, em 04/06/2018

Encontros e desencontros com a professora Ada Augusta

Texto do Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento

Acabei de receber a notícia da morte da professora Ada Augusta Celestino Bezerra. Viuva de Elizeu Silva, deixou dois netos (Pedro e Dimitri), dois filhos (Elizeu e Elisângela) e três irmãos (Augusto Bezerra, Augusto Junior e Fabiano). A sua irmã mais velha, Heloísa, assistente social, morreu alguns anos antes. Nascida no dia 25 de abril de 1949, com brilho intelectual invulgar, Ada marcou o cenário do debate educacional em Sergipe durante 47 anos consecutivos como professora, gestora educacional e pesquisadora.

Ada Augusta ingressou no ensino superior em 1968, na primeira turma do curso de Pedagogia da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe. Colou grau em 1971. No seu primeiro ano como estudante do ensino superior testemunhou a incorporação da Faculdade de Filosofia pela Universidade Federal, implantada no mesmo ano do seu ingresso. Na sua turma, conviveu com nomes que marcariam o cenário intelectual da vida sergipana. Jovens que, como ela, estavam matriculados naquela primeira turma: Angélica Vieira Donald, Ana Maria Soares, Clara Angélica Porto, Evanda Maria dos Santos, Ester Alves de Oliveira, Ione Pais, Gerson Vilas-Bôas, Janice de Oliveira Sales, Judite Oliveira Aragão, Lílian Leal do Lago, Luci Ferreira de Andrade, Luíza Nascimento Costa, Manoel Messias Porto, Maria José de Almeida Soares, Maria das Graças Tavares, Maria Ivanda Bezerra de Sant’anna, Maria Lúcia Souza Ramos, Nádia Fraga Vilas-Bôas, Vera Lúcia Sobral e Vera Lúcia Fontes. Essa turma teve como professores nomes igualmente importantes: Juan José Rivas Pascua, João Costa, Cacilda de Oliveira Barros, Maria Thétis Nunes, Dom Luciano José Cabral Duarte e Maria Olga de Andrade.

Depois de colar grau, Ada trabalhou como Professora da Faculdade Tiradentes, ministrando a disciplina Metodologia da Ciência. A partir de 1974, tomou posse como Técnica em Assuntos Educacionais na Universidade Federal de Sergipe, ingressando no quadro docente da mesma instituição na condição de professora de Administração Escolar, no curso de Pedagogia. Depois de aposentada trabalhou como professora visitante da Universidade Estadual de Feira de Santana e por último como professora e pesquisadora dos cursos de Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Tiradentes.

Colou grau, mas nunca parou de estudar, fazendo uma rica trajetória de formação. Concluiu o curso de Especialização em Metodologia do Ensino Superior na própria UFS, em 1973; Especialização em Planejamento e Administração de Sistemas Educacionais, pelo Instituto de Estudos Avançados em Educação da Fundação Getúlio Vargas, em 1974; Mestre em Educação pelo mesmo IESAE/FGV, em 1986; Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo, em 1998; Pós-Doutorado pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, em 2012.

Conheci Ada quando inciei minhas atividades como profissional de Educação, no final dos anos 70 do século XX. Eu, um jovem professor aspirando a carreira de docente e pesquisador da Universidade Federal de Sergipe, e Ada já profissional consolidada com larga credibilidade e reconhecida competência. Com ela aprendi, dela divergi em diferentes situações. Estivemos de mãos dadas na campanha eleitoral de 1985, após a queda da ditadura militar, quando das primeiras eleições para prefeito das capitais. Fizemos a campanha de Jackson Barreto de Lima. Após as eleições, fui designado Secretário Municipal de Educação, aos 29 anos de idade. Ada fez dura oposição ao meu período como gestor, nos anos de 1986 e 1987.

Em 1989, a situação se inverteu. Wellington Paixão se elegeu prefeito de Aracaju e nomeou a professora Ada Augusta para o mesmo cargo que eu havia exercido: Secretário Municipal de Educação. Ela se investiu no posto com brilho e competência durante quatro anos. Eu era, em 1989, fundador e primeiro presidente do Sindicato dos Profissionais de Ensino do Município de Aracaju – Sindipema. Tinha como companheiros de diretoria importantes nomes como Diomedes Silva, Tereza Cristina Cerqueira da Graça, Rosângela Santana Santos, Betisabel Vilar, José Ítalo Augusto Sobreira Correia e Adelmo Menezes, dentre outros. Fizemos oposição dura e rigorosa a gestão da professora Ada. Lideramos, em 1989, uma greve longa e muito difícil contra a então titular da Secretaria da Educação. Naquele processo Ada deu a todos nós, grevistas, fundamentalmente uma lição de equilíbrio, ponderação e temperança. Aprendi muito.

Em 1995, regressei do meu período de Doutorado Sanduiche, como bolsista na Johan Wolfgang Göethe Universität, em Frankfurt, na Alemanha, onde permaneci por quase dois anos. Fui trabalhar como consultor da Secretaria de Estado da Educação. À época, Luiz Antônio Barreto, o Secretário, montou um grupo especial para desenhar e implementar dois programas importantes: o Programa de Qualificação Docente – PQD e o projeto de criação da Universidade Estadual, com o qual ele sonhava. Do grupo, coordenado pelo professor Luiz Alberto dos Santos, participavam Ada, Consuelo Maia e Eduardo Ubirajara. Eu discutia permanentemente as ideias centrais da gestão com Luiz Antônio e fazia muita interlocução com Luiz Alberto e Ada Augusta. O PQD foi um sucesso e em quatro anos formou em nível superior quase três mil professores leigos da Educação Básica sergipana que atuavam em escolas estaduais e municipais. A Universidade Estadual nunca foi implantada e virou um desses projetos concebidos que nunca se transformam em realidade. Mas, as ideias de muitas pessoas estavam ali presentes. Em tudo era muito visível o gênio de Ada ao lado de outros tantos que nem sempre concordavam com ela, como eu e Luiz Alberto.

Concordando ou divergindo, o fato é que foram muitas as lições do ofício de professor e pesquisador deixadas por Ada Augusta. Ela se impôs diante de todos nós pela competência, pela capacidade de trabalho, pelo modo como sabia formar equipes e liderar. O fato é que, todos os profissionais da Educação que vivemos e trabalhamos em Sergipe temos consciência que ficamos hoje muito mais pobres.

Siga em paz, cara amiga Ada Augusta. Siga em paz, querida mestra. Dos encontros e desencontros, ficam as suas lições, o seu ensinamento.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/JorgeNascimento Carvalho

sábado, 2 de junho de 2018

Homenagem a Dom Luciano José Cabral Duarte (1925 - 2018)










Fotos de arquivo Universidade Federal de Sergipe.

Dom Luciano José Cabral Duarte (1925 - 2018)

Foto: arquivo UFS
Reproduzida do site: ufs.br

Texto publicado originalmente no site da UFS, em 30 de maio de 2018
  
UFS determina luto oficial pelo falecimento de dom Luciano José Cabral Duarte

Ele foi professor aposentado e emérito e um dos fundadores da UFS

O reitor Angelo Antoniolli assinou portaria determinando luto oficial de três dias por conta do falecimento de dom Luciano José Cabral Duarte (veja a portaria aqui). Professor aposentado e emérito e um dos fundadores da UFS, o arcebispo emérito de Aracaju faleceu na tarde de ontem, 29, aos 93 anos.

Natural de Aracaju, Dom Luciano nasceu em 1925 e foi ordenado sacerdote em 1948. Foi professor e primeiro diretor da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe. Com honras, obteve doutorado em Filosofia pela Sorbonne e foi o primeiro presidente do Conselho Diretor da UFS.

Homenagem

Dom Luciano foi um dos homenageados na cerimônia dos 50 anos da instituição, que ocorreu no último dia 15 de maio. Leia aqui o texto produzido por Ednalva Freire Caetano, pró-reitora de Gestão de Pessoas, que refez a trajetória de dom Luciano.

Ascom

comunica@ufs.br

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Morre Dom Luciano Cabral Duarte aos 93 anos


Um dos fundadores da UFS, foi primeiro presidente do Conselho Diretor e arcebispo emérito de Aracaju


Faleceu na tarde desta terça-feira, 29, aos 93 anos, o arcebispo emérito de Aracaju e um dos fundadores da Universidade Federal de Sergipe, Dom Luciano Cabral Duarte.

Natural de Aracaju, Dom Luciano nasceu em 1925 e foi ordenado sacerdote em 1948. Foi professor e primeiro diretor da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe. Com honras, obteve doutorado em Filosofia pela Sorbonne e foi o primeiro presidente do Conselho Diretor da UFS.

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Homenagem

Dom Luciano foi um dos homenageados na cerimônia dos 50 anos da instituição, que ocorreu no último dia 15 de maio. Abaixo, leia o texto produzido por Ednalva Freire Caetano, pró-reitora de Gestão de Pessoas, que refez a trajetória de Dom Luciano:

“O movimento em prol da criação da universidade envolveu muitos atores sociais como o Estado, a Igreja, os intelectuais os estudantes e a sociedade em geral. Vários nomes se destacaram nessa criação, porém, na impossibilidade de retratarmos todos eles, a nossa homenagem é dirigida a uma figura que, pelo grau de envolvimento, se destacou nesse processo.

No dia 12 de março de 1951 foi instalada a Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, funcionando provisoriamente no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em reunião da congregação na qual foi eleito o Padre Luciano Cabral Duarte como primeiro diretor. Como professor, lecionou Filosofia, Latim e Psicologia. Para abrir novos caminhos e preocupado com a excelência do seu trabalho, foi doutorar-se em Filosofia pela Sorbonne, na França, cuja tese foi defendida em 1957 obtendo a menção ‘trés honorable’.

Em 1963, D. Luciano José Cabral Duarte é nomeado para o Conselho Estadual de Educação, assumindo, em seguida a presidência da Câmara de Ensino Superior. É, então, designado pelo Secretário de Educação, Luiz Rabelo Leite, para coordenar um grupo de trabalho, visando à criação de uma universidade federal em Sergipe.

Logo após o ato de criação da Fundação Universidade Federal de Sergipe foi nomeado o Conselho Diretor que ficou encarregado de elaborar os estatutos da nova fundação. No dia 30 de setembro de 1967 D. Luciano foi eleito Presidente da Fundação Universidade Federal de Sergipe função que exerceu durante três mandatos consecutivos de dois anos.

Em 07 de março de 1968 D. Luciano foi nomeado membro do Conselho Federal de Educação, onde permaneceu por mais de quinze anos.

A contribuição de D. Luciano Cabral Duarte para a criação, instalação e manutenção da Universidade Federal de Sergipe nesses 50 anos é atestada por todos aqueles que tiveram o privilégio de participar da sua convivência.”

Ascom

comunica@ufs.br

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30 de maio de 2018

Dom Luciano Duarte: um dos esteios da criação da UFS

Por Angelo Roberto Antoniolli *

A UFS perdeu não apenas um professor aposentado e emérito, mas, especialmente, perdeu um dos esteios da sua criação

Não foi somente a Igreja Católica que perdeu o seu Arcebispo Emérito, Dom Luciano José Cabral Duarte. Sergipe inteiro perdeu. Perdeu um dos seus filhos mais ilustres. Em particular, a Universidade Federal de Sergipe também perdeu. E perdeu não apenas um professor aposentado e emérito, mas, especialmente, perdeu um dos esteios da sua criação.

A criação da Universidade Federal de Sergipe foi precedida de muitos embates, nos anos 1960. Calorosos. Desafiadores. Pensamentos opostos. Aspirações diferentes. No fundo, destacaram-se duas correntes, amiudadas, ambas, por algumas conotações periféricas. Uma corrente tinha sua liderança maior na pessoa do então Bispo Auxiliar de Aracaju, Dom Luciano Duarte, diretor da Faculdade Católica, e que viria a ser, depois, Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Aracaju (1971-1998). Costuma-se dizer que Dom Luciano Duarte representava as forças conservadoras. Ele tinha, todavia, um norte traçado, que atendia ao que preconizavam as diretrizes do governo federal para o ensino superior e, em particular, para a criação de Universidades, tanto na era do governo de João Goulart, quanto nos anos seguintes em que os militares governavam o Brasil. Do lado oposto ao prelado, despontavam estudantes, professores e outros segmentos sociais, que se posicionavam contra o anteprojeto elaborado pelo Bispo Duarte, ou por ele coordenado. Uma das vozes contrárias ao referido anteprojeto era a do professor e diretor da Faculdade de Medicina, Antônio Garcia Filho, católico, mas, nem por isso, adepto do pensamento do Bispo Auxiliar no que dizia respeito à criação da Universidade. A Faculdade de Direito, de natureza autárquica, também resistia à criação nos moldes preconizados pelo Bispo. Deu-se um embate entre os dois líderes através da imprensa, cada um defendendo as posições que abraçavam.

Uma das divergências da época dizia respeito à natureza jurídica que deveria ter a Universidade. Uns argumentavam que o ideal seria dar à Universidade a natureza fundacional, como era o caso de Dom Luciano. Outros alegavam que o certo seria dar-lhe a natureza autárquica, como entendia Antônio Garcia. Nessa questão, pairavam, naquele tempo, entendimentos jurídicos diferentes. As autarquias deveriam gozar de autonomia administrativa, a partir da própria nomenclatura. Já a fundação não gozaria da autonomia que tinha a autarquia. Temia-se, então, que as fundações ficassem a reboque do Ministério da Educação. Ora, tanto as autarquias quanto as fundações eram, como ainda o são, vinculadas a um órgão público (Ministério, no caso federal, ou Secretaria, no caso estadual, distrital ou municipal). Em suma, salvo algumas particularidades, autarquias e fundações equivalem-se. Ao menos, para fins de suporte orçamentário-financeiro que advém da administração direta, como é o caso específico das Universidades federais.

Ao que tudo indicava as duas Faculdades mais expressivas em termos de visibilidade social, Medicina e Direito, sem desmerecer as demais, pois cada uma tinha a sua importância no seio da sociedade sergipana, juntavam-se contra o anteprojeto conduzido por Dom Luciano Duarte. Sem dúvida, eram duas forças consideráveis. Professores e alunos formavam fileiras contra a forma como era conduzida a situação. Todavia, o Bispo tinha muita força social e também nos meios políticos. Dom Luciano era uma voz ouvida e respeitada, apesar de ainda muito novo. Como membro do Conselho Federal de Educação, conhecia o que se passava nas raias do poder.

As aspirações dos sergipanos por uma Universidade vinham da década de 1950 e aumentariam na década seguinte, especialmente após a criação da Faculdade de Medicina, no mandato do governador Luiz Garcia (1959-1962). Atravessou os governos de Juscelino Kubitscheck, Jânio Quadros e João Goulart. Em 1963, através da Lei nº 1.194, de 11 de junho, o governador do Estado de Sergipe, João de Seixas Dória, autorizou a transferência dos estabelecimentos de ensino superior existentes no Estado para a futura Universidade Federal de Sergipe. A UFS começava, assim, a ser gestada.

É inegável que o Estado e a Igreja, esta representada, sobretudo, por Dom Luciano Duarte, uniram-se para a criação da Universidade Federal de Sergipe. As Faculdades então existentes e que se congregaram eram: Faculdade de Ciências Econômicas, Faculdade de Química, Faculdade de Direito (federalizada), Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe (que ofertava os cursos de Filosofia, Letras Anglo-Germânicas, Matemática, Geografia, História e Pedagogia), Escola de Serviço Social e Faculdade de Medicina.

Pela letra do Decreto-Lei nº 269, de 28 de fevereiro de 1967, da lavra do presidente Castelo Branco, a Universidade Federal de Sergipe foi criada. Enfim, a 15 de maio de 1968, no governo do presidente Costa e Silva, depois de muitas marchas e contramarchas, a UFS foi solenemente instalada com natureza fundacional, como defendeu Dom Luciano, e cujo primeiro reitor foi o professor de Medicina, João Cardoso Nascimento Júnior.

Nunca se deverá negar a contribuição decisiva de Dom Luciano para a criação da Universidade Federal de Sergipe. Embora por muito tempo o patrulhamento ideológico esquerdista posicionou-se radicalmente contra Dom Luciano, cometendo injustiça contra ele, não haverá como apagar da UFS o nome deste homem da Igreja que nos deixou na última terça-feira, dia 29.

Há tempos, o CONSU aprovou o nome de Dom Luciano Duarte para a Biblioteca Central – BICEN. Tal aprovação não pôde ser efetivada por força de lei federal que impede nominar bens públicos imóveis com o nome de pessoas vivas. Agora, nada mais impede que a UFS efetive a homenagem a quem tanto lutou pela sua criação.
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* Reitor da Universidade Federal de Sergipe.

Texto e imagem reproduzidos do site: ufs.br

A memória de Dom Luciano Duarte

Foto extraída do Google e postada pelo blog, para ilustrar o presente artigo

Texto publicado originalmente no site da UFS, em 30 de maio de 2018

A memória de Dom Luciano Duarte

Por Jorge Carvalho do Nascimento *

Dom Luciano foi uma das figuras de que maior contribuiu com a vida de Sergipe, sob todos os aspectos

A memória está depositada nas lembranças dos velhos, em registros escritos nas bibliotecas, em computadores, em residências de particulares, em empresas, no espaço urbano, no campo.
Sergipe perdeu nesta terça-feira, 29 de maio de 2018, um dos seus filhos de maior importância, que nos legou importantes registros de memória que dão sentido a História da vida deste Estado durante a segunda metade do século XX. O Arcebispo Emérito de Aracaju, Dom Luciano José Cabral Duarte, que morreu aos 93 anos de idade, foi uma das figuras de que maior contribuiu com a vida de Sergipe, sob todos os aspectos e, como todos os homens de brilho e com capacidade de liderar despertou também muitas polêmicas em torno do seu nome.

Ao longo de toda a sua vida sacerdotal e docente, Dom Luciano Duarte teve ao seu lado, como guardiã do seu trabalho e também da sua memória, a expressiva figura da sua irmã, Carmen Dolores Duarte, irmã de Dom Luciano, uma espécie de secretária particular do prelado. Se já o era antes, agora é fundamental que os intelectuais brasileiros aprofundem a reflexão sobre as formas de ação de Dom Luciano José Cabral Duarte.

Ele foi um pastor obstinado com a sua missão, homem de personalidade igualmente forte, alta sensibilidade social, extraordinária capacidade de realização e um refinado intelectual no trato das idéias. Doutor em Filosofia, professor, fundador da Faculdade Católica de Filosofia, do Ginásio de Aplicação e da Universidade Federal de Sergipe. Jornalista, radialista, dinamizador de um importante projeto de assentamento agrário, escritor, uma das principais lideranças da Igreja Católica no Brasil e Vice-Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano – CELAM.

Agora, é tarefa de todos analisar a sua trajetória de vida, passando pelas suas atividades em família, pelo período durante o qual foi estudante, pela sua vida de sacerdote católico, de intelectual e profissional da educação, da cultura e da assistência social. É notável a contribuição dada por ele. É importante salvaguardar a sua memória, envidar esforços para compreender este passado recente da vida brasileira. É este o melhor caminho para aprofundar a narrativa histórica.

Foi pelo esforço de Carmen Duarte que se organizou o acervo documental que pertenceu a Dom Luciano Duarte e que atualmente se encontra depositado no Museu de Arte Sacra, em São Cristóvão, institutição fundada pelo próprio Arcebis durante o período no qual governou a Arquidiocese de Aracaju e liderou a Igreja Católica em Sergipe. O material inclui documentação impressa, manuscrita, áudio-visual e magnética, com significativo valor para a sua memória. Também foram incorporados documentos por familiares e amigos de Dom Luciano. Do mesmo modo que o acervo musical com gravações em Long Plays que o prelado acumulou ao longo da sua vida. E a sua biblioteca. São aproximadamente 8.600 documentos escritos e cerca de 5 mil fotos. E mil LPs digitalizados e transformados em CDs.

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* Professor do Departamento de História.

Texto reproduzido do site: ufs.br

José Carlos Teixeira e a resistência ao golpe militar de 1964

Foto: César de Oliveira

Publicado originalmente no site Espaço Livre Noticias, em 30 de maio de 2018

José Carlos Teixeira e a resistência ao golpe militar de 1964

Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento

José Carlos Teixeira morreu ontem, 29 de maio de 2018, em sua residência, aos 82 anos de idade. Está sendo lembrado pelos cargos de vice-governador, prefeito de Aracaju, secretário de Estado da Cultura, fundador da Sociedade de Cultura Artística de Sergipe – SCAS, empresário e tantas outras iniciativas que tomou ao longo da sua produtiva vida. Talvez, neste momento, seja necessário lembrar uma outra iniciativa desta notável figura que marcou a vida política brasileira, principalmente a dos sergipanos, durante a segunda metade do século XX.

O golpe militar de 31 de março de 1964 depôs o presidente do Brasil, João Goulart, e, em Sergipe, o governador João de Seixas Dória. O Congresso Nacional sob pressão militar elegeu o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco para a Presidência da República. Castelo Branco governou editando atos institucionais e banindo da vida pública os principais adversários do novo regime. O governador de Sergipe, João de Seixas Dória, foi preso na ilha de Fernando de Noronha, ao lado do governador de Pernambuco, Miguel Arraes.

A partir do estabelecimento do bipartidarismo, com a edição do ato institucional número dois, em 1965, as principais lideranças políticas do Estado de Sergipe chamaram de conciliação as discussões que levaram a fundar, em 1966, a Aliança Renovadora Nacional – Arena, reunindo tradicionais adversários políticos em torno do partido que buscava sustentar a ditadura. Antagonistas extremados concordaram em buscar fórmulas para a divisão do poder estadual. Chefes políticos como Arnaldo Garcez, Dionísio Machado e Leandro Maciel, ex-governadores do Estado, e outras lideranças como Augusto Franco, Lourival Baptista e Manoel Cabral Machado, sentaram lado a lado para fundar a Aliança Renovadora Nacional. Todos os deputados que tinham assento à Assembléia Legislativa do Estado de Sergipe aderiram ao governo. A maior parte dos líderes do antigo Partido Social Democrático – o PSD não teve dificuldade de se juntar aos inimigos de ontem da antiga União Democrática Nacional – a UDN.

Foram poucas as lideranças políticas que resistiram ao ambiente de pressão criado em Sergipe. Um dos mais importantes empresários de Sergipe, Oviedo Teixeira concordou com a posição do seu filho, o jovem deputado federal José Carlos Teixeira, de fundar o Movimento Democrático Brasileiro – MDB em Sergipe. Era um gesto ousado para um deputado que ainda não havia chegado aos 30 anos de idade e que se encontrava no exercício do seu primeiro mandato parlamentar. Fora eleito a primeira vez pela legenda do extinto Partido Social Democrático – o PSD e agora aceitava a tarefa de organizar em Sergipe o partido que faria oposição à ditadura militar. Era o único parlamentar sergipano a assumir tal posição, posto que toda a bancada federal e estadual havia assumido a filiação ao partido governista, a Arena.

Não foi pequeno o de José Carlos Teixeira e dos demais dirigentes do MDB, a fim de manter o partido organizado em Sergipe. O deputado federal José Carlos Teixeira denunciou a pressão exercida pelo governo contra o MDB e o uso da máquina pública para beneficiar a Arena no processo de filiações.

O partido enfrentou percalços, resistiu e cresceu. Para fortalecer o MDB, José Carlos Teixeira criou, em 1978, o Jornal de Sergipe, buscando abrir espaços na mídia impressa uma vez que a maior parte dos veículos tinha compromissos políticos e econômicos com os grupos de poder que ocupavam espaços no Governo de Sergipe. O jornal teve suas instalações inauguradas no dia 18 de fevereiro de 1978 e começou a circular no dia seguinte, o domingo, 19 de fevereiro. José Carlos Teixeira já tinha experiência como empresário do setor e fora, em 1963, um dos proprietários do Sergipe Jornal, adquirido posteriormente pela empresa Diários Associados, de Assis Chateubriand, e transformado, em 1965, no jornal Diário de Aracaju.

A partir do golpe militar de 1964, instituiu-se eleição indireta para presidente e vice-presidente da República. Com a edição do ato institucional número três, em 1966, foram estabelecidas eleições indiretas para os cargos de governador e vice-governador de Estado, prefeitos das capitais, dos municípios considerados áreas de segurança nacional e das estâncias hidrominerais. Em Sergipe, o único dos 74 municípios com tais características foi Aracaju, capital do Estado.

O MDB teve dificuldades em Sergipe para compor a sua primeira chapa e registrar os nomes dos candidatos. A adesão ao governo militar era tamanha que naquelas eleições o maior problema da Arena para compor a chapa era o excesso de candidatos. No Movimento Democrático Brasileiro, o problema era inverso. O próprio Oviêdo Teixeira aceitou o lançamento do seu nome como candidato ao Senado, tendo como suplente o médico Lucilo da Costa Pinto. A lista de candidatos a deputado federal era encabeçada por José Carlos Teixeira, Valter Batista e Ariosto Amado, que buscavam a reeleição. José Carlos Teixeira depositava suas esperanças no eleitorado urbano, mais sensível a influência da organização dos trabalhadores e das camadas médias, principalmente nas cidades de Aracaju, Propriá, São Cristóvão, Estância e Neópolis nas quais o partido acreditava obter êxito. Os arenistas, principalmente os ex-udenistas, estavam preocupados com a movimentação de Oviedo Teixeira. Detentor de muito prestígio ele era visto como um líder capaz de incorporar as insatisfações existentes em face da animosidade, ainda não sepultada, de lideranças do antigo PSD que resistiam ao nome do ex-governador Leandro Maciel, tradicional chefe da antiga UDN e candidato ao senado pela Arena, apesar de conviverem agora, ex-pessedistas e ex-udenistas, todos no mesmo partido – a Aliança Renovadora Nacional.

O empresário Oviedo Teixeira foi derrotado pelo engenheiro Leandro Maciel que conquistou a cadeira de Senador da República. Contudo, como previam as lideranças da oposição, Oviedo foi o vencedor do pleito em Aracaju. José Carlos Teixeira renovou o seu mandato de Deputado Federal. O partido conquistou seis vagas de deputado estadual.

A história da resistência a ditadura é longa. José Carlos Teixeira e outros democratas que se reuniram em torno da sua liderança, como Jackson Barreto de Lima, dedicaram 20 anos de suas vidas (1964-1984) à luta em defesa da democracia no Brasil. Este é o maior legado da memória de José Carlos Teixeira, principalmente em dias tão sombrios quanto os que vivemos atualmente.

Texto e imagem reproduzidos do site: espacolivrenoticias.com.br

José Carlos Teixeira, O Homem e a Música

Foto reproduzida do site da PMA e postado no blog 
para ilustrar o presente artigo

Texto publicado originalmente no blog Luiz Eduardo Costa

José Carlos Teixeira, O Homem e a Música

Por Luiz Eduardo Costa

                    Era mês de junho, já próximo do São João. Nas noites quase bucólicas de Aracaju, naquela década dos cinquenta, espoucavam vez por outra foguetes, e o som era ouvido por toda a cidade.

                  No Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, a Sociedade de Cultura Artística, SCAS, promovia um concerto realizado por um pianista polonês. Era um extraordinário intérprete de Chopin, seu conterrâneo, tocava uma Polonaise, quando se ouviu um foguete. O pianista tremeu as mãos, embaralhou-se, depois outro foguete e ele agitou-se como se estivesse em transe. O professor Felte Bezerra foi socorrê-lo, o auditório estava lotado e as pessoas ansiosas se perguntavam o que teria ocorrido.

                 Um jovem levanta-se da primeira fila onde estava, pede silêncio e começa a explicar o que sucedera. As pessoas ficam sabendo, então, que o pianista era um traumatizado pela guerra e poderia ter tido aquele acesso em consequência dos estouros. Pediu muitas desculpas e anunciou que o espetáculo estava suspenso e as pessoas receberiam de volta o que pagaram. O jovem era José Carlos Teixeira, que já se dedicava ao prazer de toda sua vida: a música clássica. Talvez, sendo um melomano que não tocava nenhum instrumento, resolveu então manejar o grande instrumento da política, para realizar um outro sonho: ser protagonista de transformações.

                   José Carlos foi um referencial na política em dois tempos: na democracia e no autoritarismo. Na democracia, empenhado em promover o avanço social, em contribuir para retirar da letargia a morosa economia sergipana. No autoritarismo, se colocando corajosamente a combatê-lo, a denunciar os abusos, as violências, as perseguições. Um exemplo: deputado federal e até ameaçado de cassação, José Carlos denunciou, em Brasília, as violências cometidas em Sergipe, contra adversários do regime. Isso em 1976, quando havia censura e as torturas que eram aqui praticadas não chegavam a ser notícia nos jornais. A ação de Teixeira evitou que as barbaridades continuassem, ao que se afirmava na época, praticadas por setores extremados militares, que queriam exagerar a influência da esquerda, para dar pretextos ao maior endurecimento do regime e prolongar a ditadura, quando já se anunciava a distensão.

                A melhor definição sobre José Carlos foi dada, ao pé do túmulo, pelo advogado, ex-deputado federal e ex-vice-governador, Benedito Figueiredo, um dos fundadores do MDB sergipano: “José Carlos Teixeira foi o pai de todos nós, de toda uma geração de jovens que ele acolheu no partido e neles despertou o entusiasmo pela vida pública e a intransigente defesa da democracia”.

                  Como deputado federal, Prefeito de Aracaju, Secretário de Estado, Vice- Governador, José Carlos foi sempre, em todas as etapas da sua vida, um devotado à cultura, com ênfase sempre na música e, assim, ele construiu uma vida de protagonismo marcante em diversos setores e, na política, deixou o melhor dos exemplos: a honradez pessoal.

                  José Carlos fez da vida uma ópera que ele compôs em diversos atos, sempre majestosos.

Texto reproduzido do blogluizeduardocosta.com.br

O Arcebispo Luciano, o Homem, a Biblioteca

Foto extraída do Google e postada no blog, para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no blog Luiz Eduardo Costa

O Arcebispo Luciano, o Homem, a Biblioteca 

Por Luiz Eduardo Costa

                  Meados dos anos cinquenta, a Atalaia Nova, um povoado de casas de palha de pescadores e de algumas de taipa e telha dos veranistas. Por lá, começou a ir nos verões um jovem padre. Na casa do seu irmão Carlos Duarte, havia na frente um areal branquinho. Ali ele armou uma rede e costumava jogar voleibol com jovens veranistas.

                  Havia uma praça e, no centro, uma deteriorada capelinha. O jovem padre tomou a iniciativa de ampliá-la. Conseguiu recursos e as obras andaram rápidas, com ele sempre fiscalizando. No fim do verão, em fevereiro, houve a missa inaugural. Um menino veranista andava apegado a um grosso livro de álgebra, escrito pelo coronel professor Sinésio de Farias. Era preciso aproveitar a luz do dia, não havia luz elétrica, mas a Petromax a querosene alumiava a sala, onde o pai ficava a matraquear à noite toda uma Remington, e isso o desconcentrava.

                No fim da tarde foi a igreja. Havia muita gente, e ele ficou sobre a calçada em frente à porta principal, aliás, única. Nunca assistira aquele padre celebrar, mas a homilia o encantou, ou melhor, o fez extasiar-se. O padre discorria, em tom quase coloquial, sobre o que move uma coletividade e a semelhança desse movimento com a fé. A união de todos resultara na construção daquela igreja, fruto da solidariedade e da fé. Lembrava que das suas casas de palha e chão batido de areia, as pessoas saíram para colocar a pedra, pavimentando o chão da “casa de Deus” e pedia que esse ato de desprendimento se transformasse, também, numa força coletiva para mudar a vida de todos, para que também pudessem um dia pavimentar um chão e fazer paredes. Uma réstia clara de um sol encaminhando-se ao poente, penetrou por uma das frestas do telhado e esbateu-se na testa larga do padrezinho, esfogueado pela fé. E ele parecia envolvido de luz. Uma senhorinha ao lado murmurou baixinho: “Tá vendo? É o Espírito Santo! Esse padre vai ser um Papa”.

             A velhinha errou a profecia, mas acertou ao avaliar a grandeza, a força transformadora, daquele padre, que não sentaria no Trono de São Pedro, mas percorreu todos os caminhos possíveis do seu tempo, sendo um peregrino de ideias, de ações, de mudanças, de evolução cultural, de aperfeiçoamento da sociedade, que desejava justa, entendendo que a isso se chegaria pela fé, pela razão, pelo conhecimento, jamais por revoluções.

                 O padre, o bispo, o arcebispo, o intelecto mais potente e mais operoso do seu tempo, não atravessaria uma época de conflitos e dissensos, sem deixar, bem nítidas, as suas convicções. Isso o fez vítima de alguns equívocos, desses inevitáveis, quando se esfarelam os laços que harmonizam a convivência. Mas, em 64, o então Bispo Auxiliar de Aracaju foi ao quartel do 28º BC, onde estavam, infelizmente, e para nunca mais, encarceradas pessoas, estudantes na maioria, pelo crime de pensar. Celebrou uma missa, onde falou sobre ideias e o trânsito delas através da história, e sobre a solidariedade que deriva do sentimento cristão. O implícito significado daquela missa não chegou a ser devidamente avaliado.

              O conservador corria na frente do seu tempo. Fez isso, quando criou a PROCHASE, início da reforma agrária em Sergipe. Fez isso, quando na JUC, Juventude Universitária Católica, evangelizava e formava pessoas dignas para exercerem seu papel na sociedade. Em duas pessoas, a professora Carmelita Pinto Fontes e no conselheiro Juarez Alves Costa, caracterizamos a dimensão humana de todos os que passaram pela JUC.

                Fez isso, também, quando, numa atitude invulgar, rompeu a barreira de preconceitos e desinformação que separava a Igreja Católica da Maçonaria, visitando a Loja Simbólica Cotinguiba e fazendo um histórico discurso. Era venerável da Cotinguiba Carlos Teles Sattler. Ali, nasceu uma parceria e um convênio entre a Arquidiocese e a Loja Cotinguiba, para a implantação do primeiro projeto de reforma agrária em Sergipe. O advogado e líder maçônico José Francisco da Rocha deu forma jurídica ao acordo e à PROCHASE e lembra sempre, com muita emoção, da presença e da força de Dom Luciano.

                   Muitos anos depois, o menino que assistiu a missa na igrejinha da Atalaia, estava no Instituto Luciano Duarte, para, de Carminha Duarte, guardiã do acervo cultural do irmão Arcebispo, a quem sempre carinhosamente chamava de padre, receber a tarefa que consistia na seleção de livros da imensa biblioteca, para doá-los à diferentes instituições.

              Na biblioteca, na coleção de músicas, nos objetos e fotografias recordações de tantas viagens, havia a síntese do homem, do religioso, do intelectual sobretudo. Da Suma Teológica ao O Capital, de Lutero a Trotski, de Sartre a Bernanos, de Teillhard de Chardin ao Aiatolá Khomeini, lá, em diversas línguas, estava, na sua variedade e na sua abrangência, a parte do conhecimento, do existir humano, pelos quais transitara o privilegiado cérebro do padre, que, na igrejinha da Atalaia Nova, estava envolvido em luz. E ele foi uma luz da razão, que agora perdemos.

Texto reproduzido do blogluizeduardocosta.com.br

Wellington Paixão sobre o legado de José Carlos Teixeira

Foto extraída do Google

Texto publicado originalmente no site Infonet/Blogs/Claudio Nunes, em 02/06/2018

Um texto do advogado Wellington Paixão sobre o legado de José Carlos Teixeira:

A morte de José Carlos Teixeira é emblemática. Poderia ser um desaparecimento a que todos nós mortais estamos determinados. A morte é o destino em estado definitivo. O falecimento de Zé Carlos transcende essa observação. Sua morte é acompanhada de uma representatividade que escapa ao fato corriqueiro da morte.

Se vai com Zé Carlos, uma parte importante de uma época que só quem vivenciou pode fielmente interpretar. Parte com ele uma fatia da história de nosso Estado.

Vivia-se nos anos de 1964 e seguintes, um ambiente de terror. A democracia foi golpeada. Seguiu-se um longo instante de trevas que transformou os dias de todos nós que amávamos a liberdade, a aceitação das diferenças, o sentimento da ideia transformadora, dos que eram parceiros da utopia a imaginarem que era possível construir uma sociedade fraterna, igualitária e solidária. Essas foram as vítimas preferencias da truculência e do ódio instalados no Brasil.

Um ato de força do Governo Militar extinguiu os partidos políticos tradicionais, cerca de vinte mais ou menos, os quais abrigavam as mais diferentes tendências de interesses, e num mesmo ato, criou dois:  ARENA, partido de sustentação a Ditadura e o MDB que abrigaria os que combateram o Golpe Militar.

Na Arena, se filiaram quase todos os políticos sergipanos, de senadores a vereadores, bem como a maioria das lideranças políticas do interior. JOSÉ CARLOS TEIXEIRA já era deputado federal e pela sua origem (nascido em berço confortável e criado em meio a figuras tradicionais e conservadoras) rompe surpreendentemente com tudo e cria o MDB.

Buscou o caminho mais árduo: Fazer oposição à Ditadura, se opor ao universo político dominante. Para tanto, teve ajuda de alguns poucos que tinham mandato. Não era o bastante. Convocou, num gesto de desafio e coragem, a esquerda sergipana de todos as correntes ideológicas para ao seu lado, notadamente os operários e estudantes, para que com ele travassem a luta no duro combate aos que cassavam, torturavam e matavam. Uma luta em defesa da Democracia.

Transformou o seu MDB na única trincheira democrática a combater um governo ilegítimo instalados no Brasil e em Sergipe. Criou em Sergipe a ideia de oposição aos que, filiados ou não ao partido do governo, colaboravam com o regime de exceção, com um governo ilegítimo e violento.

Não se pode falar na história política de Sergipe nos últimos 50 anos, sem que Zé Carlos seja o protagonista principal. É isso que fenece agora... Morre uma atitude! Um exemplo de dignidade, de coragem. A leva de políticos que militaram no campo da esquerda em Sergipe nos últimos tempos, exceto o petismo, surgiram da luta liderada por JOSÉ CARLOS TEIXEIRA - 1986 está explicado corretamente por Marcilio Bomfim -.

O que Sergipe perde esta semana é a personificação dos que não se abatem, dos que não fazem da prática política, um instrumento individualista de carreirismo politiqueiro. Morre a DIFERENÇA! 

Faleceu agora a Diferença, para amargura do Estado de Sergipe.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/claudionunes

sexta-feira, 1 de junho de 2018

O Agrônomo e o Professor


Publicado originalmente no Facebook/JorgeNascimento Carvalho, em 31/05/2018

O Agrônomo e o Professor

Por Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento

Durante dezesseis anos o professor Laonte Gama da Silva dirigiu a Escola Agrotécnica Federal de São Cristóvão, no Estado de Sergipe. Neste ano de 2018 ele completa 80 anos anos de idade. Sou autor de alguns trabalhos que objetivam analisar a trajetória de vida deste engenheiro agrônomo, nascido em Aracaju no dia 16 de dezembro de 1938, a partir das suas memórias e também dos depoimentos de estudantes, professores, agrônomos e outros profissionais que com ele conviveram. Nesses trabalhos, serviram como fontes as entrevistas obtidas pelo autor deste estudo e os documentos existentes nos arquivos da Escola Agrotécnica, nos quais é possível captar a atmosfera dos debates e embates do ensino agrícola no Brasil, durante as décadas de 1960 a 1990. Os registros documentais e o discurso dos entrevistados permitem a verificação das práticas educativas, do cotidiano escolar e das representações que estudantes e professores faziam acerca do ensino técnico agrícola e a responsabilidade da qual se achavam imbuídos como artífices da difusão dos padrões modernizadores da produção agrícola brasileira. As análises que realizei apanham fundamentalmente as contribuições de Norbert Elias, Roger Chartier, Denice Catani e Viñao Frago. Filho do cearense João Gama da Silva, Laonte Gama da Silva nasceu 27 anos após a chegada da sua família a Sergipe, que veio acompanhando o seu tio avô, D. José Tomaz Gomes da Silva, primeiro bispo de Aracaju. A sua mãe, Zalda Barreto Gama da Silva, era uma sergipana nascida no município de Estância, filha de um pastor protestante, o tenente Aquino. A partir dos nove anos de idade, após a morte da sua mãe, foi aluno interno do Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora, em Aracaju, cursou o ensino médio no Atheneu Sergipense e ingressou na Escola Federal de Agronomia do Nordeste, em João Pessoa, na Paraíba, onde fez o curso de engenheiro agrônomo. Laonte Gama da Silva ingressou na Escola Agrotécnica Benjamin Constant em 1961, como engenheiro agrônomo e professor, tendo assistido a sua transformação em Colégio Agrícola Benjamin Constant, no ano de 1964. Quando, em 1979, a instituição foi transformada em Escola Agrotécnica Federal de São Cristóvão, ele era o seu diretor, função que ocupava desde o ano de 1966. As entrevistas realizadas com Laonte Gama e os demais depoentes foram semi-estruturadas e obedeceram a um roteiro previamente elaborado, que serviu como guia com o objetivo de direcionar a conversa. Porém, algumas vezes, a entrevista não seguiu rigidamente o roteiro estabelecido e a conversa transcorreu com mais liberdade. Considerando os estudos de Norbert Elias, essa incursão à memória dos entrevistados considera que conceitos como indivíduo e sociedade não dizem respeito a dois objetos que existiram separadamente, mas a aspectos diferentes, embora inseparáveis, dos mesmos seres humanos. Daí a fertilidade da trajetória de vida de Laonte Gama da Silva para o estudo de alguns aspectos da história do ensino agrícola no Brasil. Indivíduo e sociedade se revestem do caráter de processos e não há a menor necessidade, na elaboração de teorias sobre seres humanos, de abstrair-se este processo-caráter. Na verdade, é indispensável que o conceito de processo seja incluído em teorias que tratem de seres humanos.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/JorgeNascimento Carvalho