domingo, 25 de junho de 2023

Josa, O Vaqueiro do Sertão e a poesia lírica de uma vaquejador genuíno

 Josa, O Vaqueiro do Sertão: sem ceder aos sucessos fáceis e aos duplos sentidos

Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 22 de Junho de 2023

Josa, O Vaqueiro do Sertão e a poesia lírica de uma vaquejador genuíno
Por Mário Sérgio Félix*

O lirismo na poesia tem início na Grécia antiga. Na época, a manifestação poética era feita no gogó, acompanhada apenas por uma Lira. Em Simão Dias, surge um poeta que manifesta o seu canto através do aboio. A lira dela era a sanfona.

Josa, O Vaqueiro do Sertão nasce José Gregório Ribeiro em 12 de março de 1929, na cidade de Simão Dias. No Rio de Janeiro, como militar, chegou à patente de sargento.

Sua admiração pela música, o fez ingressar na Banda da Polícia Militar. Num acidente, ao andar de cavalo, foi obrigado a encerrar a carreira militar. Porém, a música já estava em seu sangue.

Naquela época, Josa já era fã incondicional de Luiz Gonzaga e com o fim da carreira militar teve seu regresso a Sergipe antecipado. Com a sua música, começa a despertar o sentimento de cantar e apresentar a sua sanfona aos quatro cantos de Sergipe. Suas composições começam a fazer sucesso.

A poesia na música de Josa ultrapassa a subjetividade e vira uma manifestação interior. Interior não somente da alma. Se materializa na condição de cumplicidade. Chega a ser juvenil.

No seu grande sucesso “Na Sombra da Jaqueira” se observa uma poesia singular, porém, de grande sentimento. Estamos falando de um homem “rude” do interior do Brasil que canta o amor com a singeleza da poesia vinda da alma, a ponto de dividir com uma árvore, seu grande sentimento:

“Adeus querida jaqueira

Não sei quando voltarei

Sempre me guarde segredo

De ti não esquecerei...”

Lembremos que a poesia acima descrita na letra de seu grande sucesso nos fala de um amor que tem na árvore jaqueira a cumplicidade desse amor:

“No outro dia cedinho

Fui correndo na jaqueira

Encontrei um bilhetinho

Dizendo assim

Nada mais existe

Meu amor é triste

Sem o seu carinho”

Josa compôs mais de 300 músicas, sendo uma marca da cultura sergipana. Suas apresentações se deram por todo o Brasil, entre elas no famoso programa do Chacrinha.

Assim como Dominguinhos e Gerson Filho, Josa também gravou pelo selo “Cantagalo”, do nordestino Pedro Sertanejo, que abrigava em sua gravadora grandes talentos do Nordeste.

Sempre que Luiz Gonzaga visitava Sergipe, um papo com Josa era garantido. O Rei do Baião nutria um carinho muito especial pelo Vaqueiro do Sertão, assim como também Dominguinhos.

Josa tinha uma marca muito definida com a sua música, bem como as músicas gravadas que escolhia de outros compositores. A poesia nas letras dele era um tema sempre recorrente.

Outro grande sucesso gravado por Josa, de uma bela poesia, foi escrita por Osvaldo Eurico e Vadeca Lima. Seu nome: “Valente é o bem-te-vi”.

“Que digo com certeza

Eu amo a natureza

Ai quem me dera poder voltar

Pra ter a sensação de ver em pleno ar

Um bem-te-vi desafiando um carcará”

Josa era tão agarrado e ético às letras das músicas que compunha e gravava, que quando surgiram os grandes sucessos de letras com duplo sentido, ele preferiu se afastar desse modo musical.

Decidido, esse nosso compositor não gravaria esse tipo de música, ficando fiel à sua convicção de que a poesia deveria prevalecer sobre as músicas de duplo sentido. Mas aí já é assunto para um outro artigo.

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* Articulista Mário Sérgio Félix - É radialista, jornalista e pesquisador da MPB. 

Texto reproduzido do site: jlpolitica com br

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Monsenhor José de Souza, morre aos 93 anos

Crédito da foto: reprodução/divulgação ascom Arquidiocese Aracaju

Publicação compartilhada do site A8 SE., de 16 de junho de 2023 

Monsenhor José de Souza, morre aos 93 anos

Ele foi o primeiro presbítero ordenado por dom José Vicente Távora

Por redação Portal A8SE

Faleceu na manhã desta sexta-feira (16), o monsenhor José de Souza Santos, presbítero da diocese de Estância, aos 93 anos. Ele estava internado há cerca de 30 dias em um hospital de Aracaju para tratamento de problemas respiratórios.

O religioso foi o primeiro presbítero ordenado por dom José Vicente Távora, primeiro arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Aracaju, em 8 de dezembro de 1958.

Ao todo, foram 64 anos de ministério sacerdotal. O velório acontece na matriz da paróquia Nossa Senhora Imperatriz dos Campos, em Tobias Barreto, cidade natal do monsenhor. O sepultamento está previsto para este sábado, às 11h, no cemitério local, logo após a missa de corpo presente, que será presidida por dom José Genivaldo Garcia, bispo de Estância.

“Suplicando que o Senhor, em sua infinita bondade e misericórdia, por intercessão de Nossa Senhora de Nossa Senhora Imperatriz dos Campos, conceda ao monsenhor José de Souza Santos o descanso eterno e a recompensa pelo seu fecundo ministério sacerdotal exercido com muito amor e dedicação”, disse o arcebispo dom João José Costa.

Texto e imagem reproduzidos do site: a8se com

sábado, 17 de junho de 2023

LIVRO > Memórias do Jornalismo e da Coluna Social

Post compartilhado do Facebook/Jorge Carvalho do Nascimento, de 13 de junho de 2023

Memórias do Jornalismo e da Coluna Social 
Por José Anderson Nascimento *

Memórias do jornalismo e da coluna social é o mais novo livro do professor, escritor e acadêmico Jorge Carvalho do Nascimento, ocupante da Cadeira n. 34 da Acadêmica Sergipana de Letras e presidente da Academia Sergipana de Educação. Composto com 286 páginas e editado com o selo da Criação Editora, recebe o prefácio do jornalista Ancelmo Gois, que destaca a pesquisa do autor sobre o colunismo social. A obra em comento está sumariada com uma Introdução e seis capítulos, entrevistas e referências bibliográficas.

Na Introdução, o seu autor apresenta os objetivos da obra e as suas leituras acerca do colunismo social, bem assim, discorre sobre a sua iniciação no jornalismo, destacando a sua amizade e companheirismo com o jornalista Luiz Antônio Barreto, principal mentor da sua trajetória na imprensa, em Sergipe.

No seu trabalho, Carvalho avalia a contribuição de vários colunistas e de destacados jornalistas que atuaram na imprensa em Aracaju, demonstrando a importância deles no desenvolvimento cultural do nosso estado. Mostra contribuições relevantes dos participantes desse processo a começar por Carlos Henrique de Carvalho, mais conhecido nos meios jornalísticos e sociais como Bonequinha, considerado o pioneiro da coluna social em Sergipe, seguido Amaral Cavalcante, Ancelmo Gois, Araripe Coutinho, Arlene Chagas, Christina Souza, Clara Angélica Porto, Deisy Monte, Fátima Botto, Gracinha Barreto, Ilma Fontes, João Barreto Neto, João de Barros, Karmen Mesquita, Kerginaldo Reis, Lânia Duarte, Laurindo Campos, Ledinaldo Almeidha, Luís Mendonça, Luiz Adelmo, Luiz Daniel Baronto, Luiz Eduardo Costa, Lurdinha Gusmão, Madalena Sá, Marcio Lyncoln, Maria Franco , Maria Luiza Cruz, Olímpio Seixas, Osmário Santos, Paulo Nou, Pedrito Barreto, Sacuntala Guimarães, Sônia Mara, Tanit Bezerra, Thaís Bezerra, Wellington Elias e Zelita Rodrigues Correia, que se mantiveram por mais tempo nas páginas dos jornais Gazeta de Sergipe, Diário de Aracaju, Jornal Sergipe, Tribuna de Aracaju, Jornal da Cidade e de outros noticiosos.

O autor, ouvindo os seus entrevistados e pesquisando de forma empírica os jornais e revistas publicados nos anos de  1960, 1970 e 1980, apresenta uma série de  notícias, onde relata acontecimentos locais e  nacionais que evidenciaram matérias jornalísticas e notabilizadas no segmento da “Coluna Social”, época em que o jornalista Ibrahim Suede lhe deu uma nova roupagem, não se descuidando das abordagens chistosas, em que focalizava pessoas do High Society carioca e das suas influências exercidas no campo político, empresarial e social. Nas suas notas não faltavam as fofocas envolvendo empresários, políticos, banqueiros e renomados artistas da imprensa radiofônica e televisiva, esta em ascensão a partir da década de 1960. A escrita do colunista Ibrahim Suede, com mensagens curtas e picantes, serviu de modelo para inúmeros seguidores espalhados pelo Brasil. Desde aquele tempo, as pessoas adoravam e até pediam para aparecer na coluna social e, algumas delas, alimentavam os colunistas com informações sobre os acontecimentos da sua vida, da sua família, de parentes e das vidas dos outros. Sempre havia uma notinha de fofoca, principalmente envolvendo lances amorosos, que causavam o maior frisson entre os personagens que estavam no palco da boataria.

Carvalho analisa ainda a função da coluna social e os seus reflexos e impactos na sociedade; refere-se, também, à isenção e ao interesse econômico dos colunistas na divulgação dos fatos. Por outro lado, mostra a função dos informantes e consequente troca de favores na divulgação das notícias. Na sua abordagem, descreve com muita precisão a ansiedade dos colunáveis ao verem as suas intimidades expostas em veículos de comunicação, principalmente agora com a velocidade da notícia na Internet.

Além dos colunistas sociais, está a função dos fotógrafos que os acompanhavam nas festas de formatura, de casamentos, de debutantes, e nas solenidades políticas e empresariais, valendo lembrar o nome de Zé (fotógrafo) da Gazeta, que, nos idos de 1962, acompanhava este escriba quando assinava a coluna Background, na Gazeta de Sergipe, pioneira em incluir fotografias dos seus entrevistados e das debutantes que embelezavam as páginas das suas colunas. O fotógrafo passou a ser peça importante no colunismo social, e Zé da Gazeta merece uma menção especial pois ele se empenhava em revelar as fotos e a produzir o clichê, num processo bem artesanal para a gravação da foto numa placa de metal, a fim de ser levada à prensa, pelo tipógrafo José Eugênio de Jesus, com a finalidade de compor a matéria jornalística, para a circulação da edição do jornal, já que ainda não havia os processos modernos de composição de textos como a máquina linotipo, composer ou offset printing.

O ensaio de Carvalho é um documento representativo, não só para a memória do jornalismo sergipano, mas para o contexto geral da literatura, uma vez que ele expõe o relacionamento do High Society com as diversas camadas sociais aracajuanas da época.

Assim, com essas breves considerações, recomendamos a leitura de Memórias do jornalismo e da coluna social.

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* Jornalista, advogado, escritor e professor universitário. Presidente da Academia Sergipana de Letras.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Jorge Carvalho do Nascimento

'Eu me recordo... de Aracaju...', por Nestor Amazonas

Post compartilhado do Facebook/Nestor Amazonas, de 17 de junho de 2023

Eu me recordo... de Aracaju...
Por Nestor Amazonas

Eu me recordo de uma tarde eu me sentar na varanda da CRASE e perder a noção do tempo vendo botos perseguirem tainhas num balé hipnótico, fantástico.

Eu me lembro de um tempo em que pegar carona ao lado do Cotinguiba para a Atalaia era mais divertido que a própria praia...

Eu me lembro que ficar horas no Mini-Golfe, sem fazer nada a não ser jogar conversa fora - era uma atração inquestionável para a galera da época.

Eu me lembro de que se sentar no muro da Catedral era o melhor posto de observação para olhar as moças que passavam...

O desfile entre a Catedral e a Sorveteria Yara era obrigatório para quem queria namorar com as moças da fina sociedade da época.

Eu me lembro de tempo em que fincamos bandeira e tomamos posse do Parque Teófilo Dantas como sede da nossa turma, a Turma do Parque...

Eu me lembro que ir ao Bar do Pinto era a nossa única salvação para a matar a larica da alta madrugada...

Nossa maior diversão na noite era fazer o circuito do Beco dos Côcos, Miramar e Xanghai e terminar tomando vitamina de banana sentado no meio-fio do Bar do Meio.

Eu me lembro que o Bar do China era nosso ponto de encontro, nosso “esquenta” para a noite de festas e farras.

Eu me lembro do sagrado ritual de na volta das festas ir comer o Passaport – o sanduba podrão da madrugada, numa Kombi velha e suja.

Eu me lembro de obter cultura “por osmose” na Galeria Álvaro Santos, filando ideias, opiniões, drinks e salgadinhos dos coquetéis das vernissagens.

Eu me lembro da luz difusa do 315 iluminando nossas almas famintas de tudo, a macarronada trôpega e barata dava para dividir por três...

Eu me recordo...de Aracaju, a minha Aracaju de então...Aracaju de meus amigos e dos meus afetos.

A vida não é aquela que a gente viveu e sim o que dela a gente recorda. E estar vivo para contar. (by Gabo).

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PS - a foto desfocada e muito antiga (1972) registra minha passagem pelo Costão e o cabeludo com camiseta apertada e recortada acima da cintura é Wandinho (Wanderley Santana de Jesus) um irmão que a vida me deu e que me acompanha até hoje.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Nestor Amazonas

terça-feira, 13 de junho de 2023

Ex-vice-prefeito de Aracaju, Evandro de Sena, morre aos 75 anos


Texto publicado originalmente no site A8SE., em 12 de junho de 2023 

Ex-vice-prefeito de Aracaju, Evandro de Sena, morre aos 75 anos

O sepultamento do corpo vai ocorrer às 17h

Por Redação do Portal A8SE

Na noite do último domingo (11), o Médico e ex-vice-prefeito de Aracaju, Evandro de Sena e Silva, faleceu aos 75 anos.

Segundo informações da família, ele morreu no hospital após um ataque cardíaco. O velório está acontecendo no cemitério Colina da Saudade, localizado no bairro Jabotiana. Já o sepultamento vai ocorrer às 17h.

Evandro nasceu em 15 de junho de 1948 e, além de ser atuante na política, ele contribuiu para a formação acadêmica de muitos jovens, já que era professor aposentado do Departamento de Educação Física na Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Texto reproduzido do site: a8se com

quinta-feira, 8 de junho de 2023

Uma justa homenagem póstuma a Alfredo Freire do Sacramento

Alfredo Freire do Sacramento: eis aqui um que
soube passar bem pela vida e vai deixar saudade

Alfredo Freire do Sacramento: teve família e soube dar a atenção que cada um mereceu

Legenda da foto: Alfredo e sua Maria Augusta Almeida do Sacramento: uma união de 51 anos feitos agora em maio

Publicação compartilhada do site JLPOLÍTICA, de 30 de maio de 2023

Uma justa homenagem póstuma a Alfredo Freire do Sacramento

Por Aurélio Belém do Espírito Santo *

Peço licença aos leitores desta coluna para desviar da programação dos artigos e fazer uma justa homenagem a um grande homem a quem tive a honra de conhecer e conviver: Alfredo Freire do Sacramento, que nos deixou no último domingo, dia 28, aos 79 anos de idade.

Nascido em Aracaju, em 30 de dezembro de 1943, Alfredo foi o sétimo de dez filhos do casal Eliezer do Sacramento e Idalina Freire do Sacramento, a dona Marocas. São eles: Maria José Sacramento Santos, a Zezé, Anna Freire do Sacramento, Anita, a queridíssima Azulina Sacramento Leal, Maria Augusta Sacramento Ferreira, Carlos Freire do Sacramento, o Carlito, Maria Emília Freire do Sacramento, Alfredo Freire do Sacramento, Maria Amélia Freire do Sacramento, Antônio Freire do Sacramento, o tio Tonho, e a animada Eliana Sacramento Oliveira.

Desde 20 de maio de 1972, Alfredo foi muito bem casado com a então jovem laranjeirense Maria Augusta Almeida do Sacramento, filha de Dona Eunice e Edvaldo Xavier, que foi prefeito de Laranjeiras. Com sua fiel companheira de vida, Alfredo teve cinco filhas: Alessandra, dentista; Amanda, analista do TRE/BA; Adriane, superintendente do IBGE/SE; Ana Carolina, fisioterapeuta, e Augusta Renata, psicóloga.

Hoje todas elas são casadas, respectivamente, com o dentista brasiliense Alexandre Tenório; com o médico soteropolitano Cláudio Sobral; com o analista do MPT Rafael Bittencourt, com este advogado Aurélio Belém e, por fim, com o paraibano analista do MPE, Luiz Neto.  

As cinco filhas de Alfredo Freire do Sacramento lhe presentearam com oito netos ao todo: sendo a primogênita Gabriela, já acadêmica de Medicina, seguida então pela bela baianinha Júlia; o primeiro descendente masculino Lucas; o Guilherme, o “Guiga”; o curioso Leonardo, o “Leozão”; Marina, a “Nina”, e os gêmeos pontas de rama, bons de bola, Marcelo e Matheus. Lucas e Leo são filhos meus com a quarta filha do Sr. Alfredo, Carol Sacramento.

Deu para perceber que a vida desce grande homem foi sempre de “casa cheia”. Afinal, só a família de casa, quando se reunia completa, contava com exatamente 20 pessoas. Mas sempre cabia mais uns. Dá para imaginar o barulho e a alegria dessas reuniões?

Então, era assim que o estimado Alfredo Freire do Sacramento gostava de ver a sua casa, sempre cheia e animada. Apreciava disputar boas partidas de buraco, dando sermões homéricos aos parceiros vacilantes, dentre eles este que vos escreve, e gozando alegremente dos adversários frequentemente derrotados, quase sempre Claudinho e Rafael.

As longas partidas eram sempre acompanhadas por uma boa mesa em família, servida, dentre tantas outras coisas, com as suas comidas favoritas: rabada, ensopado de robalo, galinha de capoeira, carneiro guisado, cozido de carnes com pirão, que eram, preferencialmente, preparados pela icônica Maria, antiga funcionária de confiança da família. A mesa farta também era sempre regada com um bom vinho tinto.

Alfredo começou a trabalhar ainda menor num bar e restaurante do cunhado Amintas, depois passou a vender frutas do sítio do seu pai no mercado e ajudava seu velho numa mercearia que ele tinha na Rua de Santa Rosa.

Estudou e completou o segundo grau no Colégio Atheneu. Alistou-se e serviu ao Exército. Quando atingiu a maioridade, foi trabalhar como office boy no escritório da Usina Pinheiro, pertencente à família Franco. De lá, em 1962, foi transferido para a fábrica de tecidos Sergipe Industrial, onde trabalhou como escriturário e logo foi promovido a gerente.

Prestou vestibular para o curso superior de Economia, foi aprovado, mas resolveu não cursar e seguir a carreira na empresa, escalando, por méritos, até chegar a diretor-geral, que ocupou por muitos anos, tornando-se homem de confiança do médico e industrial Augusto Franco. 

Com o falecimento do patriarca dos Franco, Alfredo continuou ainda por muito tempo na direção da empresa têxtil, junto com três filhos herdeiros: Marcos, Ricardo e Maria Clara Franco, representada pelo esposo Tácito Faro.

Alfredo sempre foi arrimo de família. Organizado, leal, grato, de personalidade decidida e de caráter reto, era dedicado ao trabalho e à família, que carinhosamente sempre o prestigiou com carinho. Era também um cara agregador. Soube viver como poucos, dosando momentos de seriedade com os de entretenimento.

Adorava gaitar e celebrar a vida ao lado dos seus. Embora “viajado” e bem-sucedido nos negócios, sempre foi um homem de costumes e hábitos simples. Estou certo de que foi muito bem sucedido também em sua missão familiar.

Criou as cinco filhas, educou, formou e casou todas. Foi amigo dos genros, conheceu e curtiu seus oito netos, sendo um avô presente e amoroso e ainda teve a oportunidade de celebrar a aprovação no vestibular da primeira neta, a Gabriela. Portanto, salvo a saudade, não deve haver espaço para tristeza!

Como quarto genro desse “cabra bom”, sinto-me feliz pela oportunidade de com ele ter convivido. No futebol, torcemos para o mesmo clube: o Vasco da Gama. Às vezes, discordávamos de assuntos, principalmente políticos, mas sempre gostei de com ele conversar, absorver a sua experiência e captar seus bons exemplos.

Alfredo sempre se mostrou disponível e confesso minha satisfação em ouvir seus conselhos e perceber o interesse em ajudar, algo pelo que ele fazia questão. Mesmo quando distribuía suas broncas, por trás estava latente a sua zelosa preocupação em colocar as coisas nos trilhos.

Contudo, por justiça, preciso registrar que tudo isso também só foi possível porque ao lado dele sempre esteve uma mulher forte, perseverante, dedicada, religiosa e cuidadosa, a senhora Augusta, minha querida sogra, e amada companheira de vida deste grande cara.

Em minhas reflexões, aprendi a encarar a morte como passagem e manifestação da única certeza da própria vida. Não que ela não traga tristeza, afinal esta é parte da vida. A felicidade é meta, busca constante nesse longo caminho, onde experimentamos momentos de alegria e de tristeza, como sensações do viver que nos impulsionam adiante ou para trás. A escolha é cada um que faz!

Certamente a saudade de Alfredo Freire do Sacramento ficará como lembrança latente e presente de tantas boas memórias e passagens que ele nos deixou. Afinal, recordar é viver. E está aí uma coisa que meu sogro sabia fazer: viver!

Vai-se o homem e ficam vivas as boas memórias daquele cumpriu bem a sua missão na terra, deixando as suas marcas por onde passou. Tenho plena certeza de que Seu Alfredo não queria ver ninguém triste com sua partida e deseja ser lembrado com alegria e a união dos que aqui ficam, sempre celebrando a vida e brindando os momentos com sorrisos e abraços!

Espero que possamos honrar a sua trajetória de vida com a alegria que ele sempre esbanjou! Descanse em paz, meu sogro!

* Aurélio Belém do Espírito Santo - É advogado e ex-diretor da OAB-SE. 

Texto e imagens reproduzidos do site: jlpolitica com br/articulista

quarta-feira, 7 de junho de 2023

'Divina Festança', por Lygia Prudente

Publicado originalmente no FACEBOOK/LYGIA PRUDENTE, em 7 de junho de 2023

Divina Festança 
Por Lygia Prudente

Finalmente, chegou o mês mais animado, mais festivo, mais bonito para qualquer nordestino que se preze. A chuvinha que cai molhando os milharais dá indícios de uma boa colheita e assim teremos muita canjica, pamonha, manauê, delícias da nossa terra, da nossa mesa caipira. Que riqueza tem as nossas lembranças e o esmero na decoração regadas à licores, à arrumação do Arraiá em família, com a fogueira, o mastro e os fogos encomendados bem antes de junho e as vestimentas fartas e coloridas. Os preparativos nos empolgava e garantia o sucesso da festança junto com os xotes, o forró pé de serra, os sanfoneiros compenetrados, dedilhando as sanfonas, num ritmo certeiro da animação. Fatos como este, carinhosa e minuciosamente relatados, não são achados em enciclopédias, nem no sábio e frio Google. Lembranças partem do coração e, por isso mesmo, precisam continuar sendo passadas de pais para filhos, de geração em geração, para alimentarmos e preservarmos os deliciosos e alegres festejos da nossa terra, esse nordeste tão rico em tradições. Se dermos o devido respeito a tudo isso, não permitiremos que um brasileiro qualquer desmoralize este povo forte, humano, festeiro, que é o nordestino! Sob o colorido das  bandeirolas balançadas pelo vento, saudemos e propalemos Vivas a  Santo Antônio, São João e São Pedro, a tríade junina!

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Lygia Prudente.

terça-feira, 16 de maio de 2023

O artista brasileiro... é tema de exposição nos EUA

Legenda da foto: Arthur Bispo do Rosario acreditava ter recebido de vozes celestiais a missão de 'representar todas as coisas existentes na Terra'. Na foto, de 1943, ele veste uma de suas obras (Crédito da foto: Jean Manzon, cortesia da AS/COA).


Legenda da foto: O 'Manto da Apresentação', destaque da mostra em Nova York, é considerado a obra-prima de Bispo e foi produzido para ser vestido pelo artista no Dia do Juízo Final (Crédito da foto: Ragael Adorjan, cortesia da AS/COA).

Legenda da foto: Bispo deixou um acervo de mais de mil objetos, entre indumentárias, estandartes, bordados, vitrines, fichários, móveis, esculturas, miniaturas e outras peças. (Crédito da foto: Arturo Sánchez, cortesia da AS/COA).

Legenda da foto: Os Estandartes, feitos de lençóis, trazem nomes de pessoas que conheceu, eventos mundiais, embaixadas de diferentes países e navios de guerra entre outros temas. (Crédito da foto: Arturo Sánchez, cortesia da AS/COA).

Legenda da foto: Na década de 1980, no fim da vida, Bispo e suas obras começaram a chamar a atenção da mídia e dos críticos de arte. A foto mostra o artista em 1982 (Crédito da foto: Hugo Denizart, cortesia da AS/COA).

Publicação compartilhada do site BBC NEWS BRASIL, de 15 de maio de 2023

O artista brasileiro que viveu 50 anos em instituições psiquiátricas e é tema de exposição nos EUA

Por Alessandra Corrêa (De Washington para a BBC News Brasil)

Era quase véspera de Natal quando o sergipano Arthur Bispo do Rosario, então com 29 anos de idade, recebeu a revelação que iria definir sua vida e obra.

Na noite de 22 de dezembro de 1938, guiado pelo que descreveu como a aparição de sete anjos e vozes celestiais, ele peregrinou durante dois dias pelas ruas do Rio de Janeiro, onde morava, até chegar ao Mosteiro de São Bento, no centro da cidade.

Após anunciar aos monges que era um enviado de Deus para "julgar os vivos e os mortos", Bispo foi encaminhado ao Hospital Nacional de Alienados, antigo manicômio localizado na Praia Vermelha. Diagnosticado com esquizofrenia paranoide, foi transferido dias depois para a Colônia Juliano Moreira, instituição psiquiátrica em Jacarepaguá onde passaria a maior parte das cinco décadas seguintes.

Segundo Bispo, as vozes que o acompanhavam diziam que ele deveria se "trancar em um quarto e começar a reconstruir o mundo" e "representar todas as coisas existentes na Terra". Durante o resto da vida, ele se dedicou incansavelmente a cumprir a missão divina que acreditava ter recebido, de catalogar e organizar "o caos do mundo" em preparo para o Dia do Juízo Final.

Ele transformou as celas em que estava confinado em oficina de trabalho e começou a recriar cenas do cotidiano e a contar a sua versão da história do universo. Utilizava qualquer material que encontrasse, como lençóis, uniformes, pedaços de madeira de caixas de feira, cabos de vassouras, chinelos, tênis Conga, talheres, canecas e todo o tipo de sucata e objetos que ganhava e trocava com outros pacientes.

Quando morreu, em 1989, aos 80 anos, havia deixado um acervo de mais de mil objetos, entre estandartes, indumentárias, bordados, vitrines, fichários, móveis, esculturas, miniaturas e outras peças diversas sem categorização. Nenhuma tinha data ou a assinatura do autor.

Pobre, negro e considerado "louco", Bispo passou a vida inteira à margem da sociedade, e não se considerava um artista e nem via seu trabalho como arte. "Essa é minha missão, representar a existência na Terra. É o sentido da minha vida", dizia.

Mas, a partir da década de 1980, nos anos finais de sua vida, o mundo artístico começou a descobrir suas obras. Após a morte, ele continuou a ganhar reconhecimento da mídia e da crítica especializada, com exposições no Brasil e no exterior e uma apresentação na Bienal de Veneza, em 1995, onde sua arte foi aclamada como vanguardista.

"Bispo do Rosario é um dos maiores artistas brasileiros", diz à BBC News Brasil o curador do Museu Bispo do Rosario Arte Contemporânea, Ricardo Resende. O museu funciona nas instalações da Colônia Juliano Moreira.

"Quando sua obra emergiu, não se encaixava em nada do que havia registrado na história da arte, mas parecia se inserir em tudo o que a modernidade e a contemporaneidade haviam criado. Na verdade, pode-se dizer, precede tudo", diz Resende.

"O que poderíamos chamar de ‘estética da precariedade’, ou ‘estética da pobreza’, tão comum na arte contemporânea, expressando a simplicidade da vida na instituição, nas cidades e campos, e da criança que nunca foi esquecida. É isso que Bispo involuntariamente nos apresenta como sua estética."

Agora, sua vida e obra são tema de uma exposição na galeria da Americas Society, em Nova York, no que é a primeira retrospectiva dedicada a ele nos Estados Unidos. O título da mostra, que vai até 20 de maio, é Bispo do Rosario: All Existing Materials on Earth (Todos os Materiais existentes na Terra), uma referência à missão que marcou a trajetória do artista.

Do caos à ordem

Bispo do Rosario nasceu em 1909 na cidade de Japaratuba, em Sergipe. Teve passagem pela Marinha, de onde foi desligado em 1933 por indisciplina, e uma breve carreira como pugilista profissional, encerrada após um acidente em que teve o pé esmagado. Também trabalhou como lavador de bondes na companhia Light e empregado doméstico, até ser internado.

"Todas essas experiências de vida, marcadas por diferentes graus de marginalização por conta de raça, classe e doença mental, se refletem em sua obra", diz à BBC News Brasil uma das curadoras da mostra, Tie Jojima, responsável pela exposição ao lado de Ricardo Resende, Aimé Iglesias Lukin e Javier Téllez.

Após a internação inicial, Bispo chegou a passar alguns períodos fora de instituições psiquiátricas, por ter fugido ou recebido alta. Em 1954, fugiu da Colônia Juliano Moreira, e nos anos seguintes exerceu diversas atividades, como segurança, porteiro e funcionário em uma clínica pediátrica, onde continuou a se dedicar a sua obra, trabalhando no porão do prédio.

Em 1964, voltou definitivamente à Colônia e foi instalado no Núcleo Ulisses Vianna, que era composto por 11 pavilhões cercados por um muro alto, nos quais eram alojados pacientes considerados violentos ou agitados. Os pavilhões eram divididos em enfermarias, cada uma com cerca de 40 camas, onde não havia privacidade, e também tinham uma ala sem camas, chamada de "bolo".

Segundo o Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, "nessas alas, os pacientes ficavam amontoados no chão e, ao seu redor, 10 celas-fortes – pequenos cubículos com portas de ferro – mantinham os mais agitados contidos ou isolados por punição". Eles "recebiam alimentação pela fresta da porta e utilizavam um buraco no chão como sanitário".

Bispo acabou transformando um conjunto de celas no Pavilhão 10 em ateliê. "Forte e sisudo, o ex-boxeador tornou-se um 'xerife', posição que lhe assegurou privilégios e permitiu a recusa de eletrochoques e medicações", descreve o museu. "Nunca se interessou em participar dos ateliês de arteterapia, mas estava sempre produzindo objetos num processo criativo incessante e solitário."

Tie Jojima ressalta a capacidade de Bispo de "resistir e sobreviver às forças que o reprimiam" e de encontrar formas de "subverter o sistema hospitalar que deveria controlá-lo". "Ele transformou o espaço em que vivia em um lugar onde criava seu trabalho e, eventualmente, tinha as chaves e controlava quem entrava e saía. Também trocava favores com funcionários para conseguir materiais", destaca.

Bispo trabalhava dia e noite, e só concedia acesso ao local a quem respondesse qual era a cor de sua aura. "A criação obsessiva de trabalhos têxteis e o acúmulo de objetos o levaram do caos à ordem e o ajudaram a sobreviver às duras condições de sua vida", diz à BBC News Brasil o co-curador Javier Téllez.

Há traços da Colônia por toda a sua obra, como nas linhas azuis extraídas dos uniformes e utilizadas nos bordados, nas representações de prédios e nas listas de nomes de pacientes, psiquiatras e funcionários.

"Era um lugar extremamente difícil para os pacientes, mas forneceu a Bispo tempo e materiais para desenvolver sua obra, o que ele não teria conseguido em outro lugar, considerando sua condição social", observa Téllez.

Descoberta e reconhecimento

Em 1980, Bispo e seus trabalhos apareceram em uma reportagem de TV que mostrava a Colônia Juliano Moreira e denunciava a precariedade em que viviam pacientes psiquiátricos no Brasil. Dois anos depois, ele foi tema do curta-metragem "Prisioneiro da Passagem", do fotógrafo e psicanalista Hugo Denizart.

Também em 1982, estandartes produzidos por Bispo foram incluídos na mostra coletiva "À margem da vida", no Museu de Arte Moderna do Rio, na primeira vez que sua obra foi exibida fora da Colônia. Nos anos seguintes, Bispo foi tema de outras reportagens, mas somente após a sua morte, em 1989, ele ganhou a primeira exposição individual, intitulada "Registros de minha passagem pela Terra".

Suas obras continuaram a chamar a atenção dos críticos e do público e circularam em mostras em diversas capitais brasileiras. Em 1991, foi realizada sua primeira exposição internacional, em Estocolmo, na Suécia, com curadoria de Frederico Morais, que organizou várias das mostras dedicadas ao artista.

A arte de Bispo continuou ganhando notoriedade, representando o Brasil na Bienal de Veneza em 1995, e sendo exposta em diversas cidades e países nos anos seguintes. Sua vida e obra inspiraram filmes, livros, teses, peças de teatro, espetáculos de dança e até enredo de escolas de samba, e seu acervo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

A mostra na Americas Society, primeira exposição solo nos Estados Unidos e realizada em colaboração com o Museu Bispo do Rosario, reúne suas obras mais icônicas, com destaque para o "Manto da Apresentação", considerado sua obra-prima, que ele planejava vestir no Dia do Juízo Final.

"A parte externa (do manto) traz uma seleção de palavras, formas e objetos pertencentes ao seu universo visual. Na parte interna, bordou nomes de mulheres que conheceu e escolheu para acompanhá-lo no Dia do Juízo Final", diz Jojima.

Muitos dos trabalhos em exposição são reconstrução de objetos do cotidiano, com materiais simples que ele conseguia obter na Colônia. Os bordados têm destaque, assim como os temas que remetem à sua biografia, como os navios.

Jojima cita, entre os outros pontos altos da mostra, os Estandartes, feitos de lençóis que Bispo costurava, com nomes de pessoas que conheceu, eventos mundiais, embaixadas de diferentes países, navios de guerra e suas experiências de vida no Rio de Janeiro, entre outros temas. "Funcionam como uma enciclopédia visual e incluem referências autobiográficas", diz a co-curadora.

A vida e a obra de Bispo geram debates sobre os limites entre loucura e genialidade e sobre questões de categorização. "Desde a década de 1980, quando se tornou conhecido no Brasil e depois internacionalmente, curadores e historiadores debatem se sua obra pode ser considerada 'arte'", dizem os responsáveis pela exposição.

"Quando chamou a atenção de instituições de arte e curadores, muitos acharam que não condizia com nada do que já havia sido visto na história da arte, embora ressoasse com estratégias e experimentos de artistas do pós-guerra e contemporâneos, que desafiaram fronteiras disciplinares e abraçaram objetos do cotidiano com o objetivo de fundir arte e vida", diz o catálogo da mostra em Nova York.

Javier Téllez ressalta que, apesar das semelhanças com outros artistas modernos e contemporâneos pelo uso de objetos, há "diferenças radicais em termos de intencionalidade" entre a obra de Bispo e práticas artísticas de vanguarda e neovanguarda.

"A obsessão de Bispo do Rosario por colecionar e classificar as coisas é uma necessidade interna que corresponde a uma visão mística, e não a uma estratégia estética conceitual", salienta o co-curador.

Texto e imagens reproduzidos do site: bbc com/portuguese

sábado, 29 de abril de 2023

Zé Peixe: 11 anos que o homem se tornou um mito

Foto: Divulgação

Publicação compartilhada do site RADAR SERGIPE, de 29 de abril de 2023 

Zé Peixe: 11 anos que o homem se tornou um mito

O professor e historiador da UNIT, Rony Silva, relembra a história do exímio nadador sergipano.

José Martins Ribeiro Nunes, conhecido como Zé Peixe, nasceu no dia 5 de janeiro de 1927, em Aracaju. Ele cresceu em uma casa em frente ao rio Sergipe, aprendeu a nadar com seus pais, seu Nicanor Ribeiro Nunes e dona Vetúria Martins Ribeiro Nunes. O rio tornou-se parte significativa de sua vida, nele encontravam os encantos das brincadeiras juvenis e o desafio de atravessá-lo para buscar cajus maduros na outra margem. O professor e historiador da Universidade Tiradentes (Unit), Rony Silva, relembra a história do homem que se tornou figura folclórica sergipana.

Aos 20 anos, após concurso, iniciou o serviço de prático da Capitania dos Portos de Sergipe, exercendo seu ofício por quase meio século. Sua peculiaridade era a de ser um “homem-peixe”, ou seja, não se utilizava de barcos de apoio, mas nadar até os navios, subindo a bordo, guiando as embarcações para mar aberto. 

“Depois de conduzir o navio, Zé Peixe amarrava suas roupas e documentos na bermuda e saltava do parapeito da embarcação em queda livre de 17 metros até a água, nadava até 10 km para chegar à praia, e percorria a pé mais 10 km até chegar à sede da Capitania dos Portos. O único equipamento que às vezes utilizava era uma prancha, que o ajudava a deslizar nas ondas até as embarcações situadas à distância maior, muitas vezes passava dia e noite aguardando os navios apoiado na boia (12 km da praia) até que a maré favorecesse o desembarque”, conta.

“Foi nessa simbiose entre homem e rio, pele morena do sol e ondas esverdeadas, que Zé Peixe tornou-se uma figura lendária em Sergipe. O ‘homem-peixe’, mesmo já na terceira idade, continuava seu trabalho como prático, surpreendendo tripulações e comandantes que por vezes achavam-no louco. Somente aos 82 anos, enfermo sob os efeitos do alzheimer, Zé Peixe solicitou seu afastamento das atividades junto à Marinha”, explica.

A ilustre figura folclórica recebeu os devidos reconhecimentos de seus feitos que foram diversos. “Destacaria aqui a medalha do Mérito Serigy, e destaque nas mídias, tendo em vista que tantas vezes já salvara vidas ao mar. Sua estátua ocupa o lugar de destaque tanto no Memorial de Sergipe, quanto na entrada do Museu da Gente Sergipana. A obra no Museu da Gente Sergipana, retratando o momento de preparação para um mergulho, batizada de “O Prático” e feita de concreto armado modelado pelo artista visual Elias Santos, foi inaugurada em 25 de setembro de 2013”, ressalta. 

Entre as homenagens está o Espaço Zé Peixe localizado no centro da capital. “O espaço está abrigado no prédio do antigo Terminal Hidroviário Jackson de Figueiredo, que foi construído na década de 1980,e foi desativado com a inauguração da ponte Construtor João Alves. Também encontramos a estátua de Zé Peixe na Capitania dos Portos. Ele também recebeu a medalha Almirante Tamandaré por seus serviços na divulgação e fortalecimento das tradições da Marinha”, completa.

Zé Peixe faleceu em 2012, vítima de insuficiência respiratória. Ele viveu e morreu na simplicidade, e hoje está presente no folclore sergipano como um herói. Sendo uma figura conhecida, seu velório lotou a Igreja de São José com mais de 400 pessoas entre amigos, fãs, colegas e autoridades locais.

Seu jeito vigoroso, corajoso, independente e trabalhador sempre foram vistos como exemplos de caráter e de envelhecimento digno. Ao longo de décadas, foi tema de vários jornais, revistas, livros, entrevistas e reportagens televisivas, tanto nacionais quanto internacionais. Nas diversas homenagens que recebeu, o Instituto Banese fez uma biografia, intitulada ‘Amigo das Águas’.

Em seu último aniversário, Zé Peixe teve a oportunidade de estar presente na inauguração de seu busto na Praça dos Heróis, na Capitania dos Portos. 

Por Ascom/UNIT

Texto e imagem rproduzidos do site: radarsergipe com br

quarta-feira, 26 de abril de 2023

'Gente Sergipana – Antonio Ribeiro', por Antonio Samarone

Post compartilhado do Perfil do Facebook/Antonio Samarone, de 26 de abril de 2023

Gente Sergipana – Antonio Ribeiro. 
Por Antonio Samarone

Recebi a notícia da morte de Ribeiro, vitimado por um infarto fulminante. Tentei confirmar, mas não existe uma vírgula na imprensa. Morreu um anônimo. 

Ribeiro era um amigo de Rua, daqueles que a gente pouco conhece. Sei apenas que ele era de Laranjeiras e irmão de Mirian Ribeiro, secretária do doutor Albano.

Você não foi famoso, não foi rico e nem poderoso, contudo, meu amigo Ribeiro, a sua alma não era pequena. Isso, eu atesto. 

Quando Vereador, tive a iniciativa de lhe conceder o título de cidadão aracajuano. Um dos poucos de minha lavra. 

Encontrei-o pela última vez na última quarta-feira, você sozinho, cabisbaixo, sentado num tamborete, na esquina do Mercado, em Itabaiana. Não tive um bom pressentimento. Ribeiro estava com um olhar distante, talvez preparando a sua partida. 

A nossa alma percebe quando a morte se aproxima.

Trocamos algumas palavras, senti o seu contentamento quando lhe disse que tinha voltado as raízes, que estava trabalhando em Itabaiana.

Ribeiro era um Itabaianense por adoção, ela amava a cidade bem mais que muitos nativos. Só andava com a camisa tricolor. Era um dos poucos estrangeiros que frequentava o Consulado de Itabaiana, nas reuniões das quintas-feiras. Inclusive, marcou presença na última.

Eu gostava dele. Gosto de gente assim, meio doida, alvoroçada. 

Quando soube da sua morte, senti muito, com sinceridade.

Não sei se no céu tem alcoólicos anônimos, não sei se os vinhos celestiais causam dependência, de todo jeito, meu amigo Ribeiro, espero que você encontre a sua turma. 

Soube que a torcida do Itabaiana já é grande no céu, deve estar comemorando o último título. Junte-se a eles. Procure Tonho de Doci, diga que me conhece, que ele saberá ser generoso com você.

Na próxima reunião do Consulado, vou pedir um minuto de silencio, em sua lembrança.

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* Médico sanitarista

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone

sábado, 15 de abril de 2023

Ponte do Imperador: destaque na arquitetura e história de Sergipe

Foto acervo Rosa Faria com reprodução do Google

Texto publicado originalmente no site ILOVE SERGIPE, em 25 de março de 2021 

Ponte do Imperador: História e Arquitetura

Por Redação

História

Ponte do Imperador: destaque na arquitetura e história de Sergipe

Um dos mais importantes símbolos da cidade de Aracaju, a Ponte do Imperador foi construída em 1859, como ancoradouro para receber o imperador Dom Pedro II e sua comitiva, em visita a Sergipe. Nessa época, Dom Pedro tinha como objetivo final viajar pelo Rio São Francisco e conhecer as cachoeiras da localidade onde hoje está o município de Paulo Afonso, na Bahia. Aracaju tinha apenas quatro anos como Capital da Província de Sergipe e não possuía um ancoradouro condizente com tão importante visitante.

Ponte do Imperador

A inauguração se deu em 11 de março de 1860, com a segunda visita do Imperador às terras sergipanas. Estudioso e bastante culto, Dom Pedro II aproveitava a viagem, a bordo do vapor Apa, para registrar as potencialidades e as belezas das cidades ribeirinhas de Sergipe e Alagoas. Entre os dias 11 e 19 de janeiro de 1860, o monarca passou novamente por Sergipe, em sua viagem de volta para o Rio de Janeiro – Capital do Brasil.

Alvo de pilhérias de mau gosto, como “a ponte que liga nada a lugar nenhum”, por ser chamada de “ponte”, ela não se parece nada com a sua construção original e já passou por diversas reformas e revitalizações. Originalmente, como ancoradouro destinado ao desembarque da família imperial, sua construção era feita totalmente em madeira. Com o passar dos anos sofreu algumas alterações e serviu também para receber hidroaviões de passageiros, a partir de 1923, que utilizaram a Ponte como desembarcadouro e inauguraram os voos para Sergipe.

Área de lazer para muita gente, principalmente pela brisa soprada do mar, nos finais de tarde, a Ponte do Imperador era um convite para as pessoas tomarem um sorvete de frutas naturais da Sorveteria Yara, ler um periódico adquirido na Charutaria e Bomboniere Chic, pescar peixes de diversos tipos e tamanhos ou apenas contemplarem os coqueirais verdejantes da Barra dos Coqueiros. Embora não exista mais a tranquilidade de outrora, a Ponte do Imperador continua majestosa e bela, apontada para outro grande monumentos de Aracaju: o antigo Palácio do Governo, hoje Palácio Museu Olímpio Campos.

Considerada um dos pontos turísticos de Sergipe, pela sua história e arquitetura, a Ponte do Imperador foi tombada pelo Governo do Estado, em 2013. No entanto, antes disso acabou passando por diversas modificações e denominações. Haja vista ter sido conhecida como Ponte do Governador, Ponte Metálica, Ponte do Presidente e Ponte do Desembarque, até chegar à definitiva denominação.

Texto reproduzido do site: ilovesergipe.com.br

'E a Cultura?', por Antônio Samarone

Post compartilhado do Perfil do Facebook/Antonio Samarone, de 14 de abril de 2023

E a Cultura?
Por Antonio Samarone*

Estou embarcando para uma nova missão! 

O Prefeito de Itabaiana me convocou para ser o Secretário da Cultura. Não posso rejeitar. Itabaiana vive uma nova Era, uma nova transição econômica e política. Um grupo político resolveu apostar na gestão pública de qualidade. Esta experiência já dura dez anos. 

Mudou Itabaiana!

Até a segunda metade do século XX, Itabaiana era uma província agrícola. Um celeiro. Com a construção da BR – 235 e a chegada de um ginásio público, viramos uma economia mercantil. Itabaiana se transformou num centro distribuidor de mercadorias. Cresceram o comércio e os transportes. 

A realidade mercantil encontrou atores vocacionados para o comércio. O Itabaianense sabe comprar e vender com maestria.

O caminhão criou um polo de riquezas, gerando renda e trabalho para muita gente. A Cidade tornou-se a capital nacional do caminhão.

A economia cresceu e a Cidade ganhou novos ares. Grandes empreendimentos imobiliários brotaram e a realidade se transformou. O dinheiro corre para Itabaiana. Este capital precisa dar novos saltos. 

Emerge uma nova Era!

O capital acumulado procura investimentos viáveis e seguros. Precisa expandir-se e alargar as fronteiras. Foi assim na primeira fase, na década de 1950. Muitos comerciantes Itabaianense ganharam o Nordeste. (Bom Preço, Paes Mendonça).

Os novos desafios, conquistas e avanços, necessitam de lideranças políticas arejadas. Gente com outra cabeça. E estas lideranças já surgiram e mudaram a forma de fazer política em Itabaiana. 

A boa gestão da coisa pública é indispensável!

Essa nova Era precisa do dedo da Cultura. A autoestima precisa de fundamentos, narrativas e significados. Isto quem dá, é a Cultura. 

E o que é a Cultura? 

O senso comum associa a cultura com o conhecimento escolar. Existem as pessoas cultas e as incultas. Não é nada disso!

A palavra Cultura vem do verbo latino “colere”, que significa cuidar. A agricultura cuida da terra, a puericultura, das crianças e o culto, cuida das divindades. 

A Cultura cuida dos ausentes, dos significados, do tempo, dos símbolos e valores de uma sociedade. 

É a Cultura que elabora os significados, qualifica o real, dá sentido às coisas, constrói e destrói narrativas. Uma sociedade só chega à civilização pela Cultura. 

A Cultura usa a linguagem e o trabalho, para criar o que não existe. Existe uma cultura popular e uma erudita. Nas duas, as manifestações podem ser profundas e superficiais. A ideologia deturpa, qualificando uma e desqualificando a outra, previamente.

Tanto a Cultura popular como a erudita podem ser de resistência ou de conformismo, criativa ou superficial, propositora ou passiva.

Existe uma confusão entre a Cultura popular e a Cultura de massas. O mercado criou uma Cultura de massas. Tornou a Cultura apenas um entretenimento, diversão, mercadoria posta ao consumo imediato. A Cultura de massas é uma mistura diluída, sem raízes e efêmera. 

Não podemos ignorar a Cultura de massas, pois ela existe e é dominante. Atende a valores e anseios manipulados de consumo. É um Ki-suco adocicado, sem nutrientes.

O papel do poder público é elaborar políticas que fomentem as manifestações culturais, eruditas e populares. Quem cuida da Cultura de massas é o mercado. Ela tem viabilidade econômica, se mantém com as próprias pernas. 

A Cultura explode em Itabaiana por conta própria, de forma autônoma. A música, com duas filarmônicas, sendo uma a mais antiga do Brasil. Uma tradição na fotografia. Uma academia de letras, uma bienal de livros (sexta edição), o teatro amador, as manifestações tradicionais, a Chegança, o Reisado, a Quadrilha Junina (a única no Nordeste marcada por uma mulher).

A Cultura mantém a memória do passado (museus, memoriais), dá significado ao presente e pavimenta o futuro. A Cultura cria raízes, aproxima as pessoas, reforça as identidades e une os divergentes. Cria valores e símbolos. 

Aceitei a missão por acreditar que o atual grupo político que comanda Itabaiana, tem os mesmos propósitos e as mesmas ambições: fortalecer uma civilização no agreste, que possa servir de inspiração para Sergipe.

“Alea Jacta Est”.  

* Antonio Samarone é médico sanitarista

Texto e imagem  reproduzidos do Perfil do Facebook/Antonio Samarone

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Carlos Pinna de Assis Júnior (1949 - 2023)

Publicação compartilhada do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 6 de abril de 2023

Corpo de Carlos Pinna será sepultado às 11 horas de hoje

Carlos Pinna estava internado há 10 dias, tratando de um enfisema pulmonar

O corpo de Carlos Pinna, conselheiro do Tribunal de Contas de Sergipe, será sepultado às 11 horas desta quinta-feira (6), no Cemitério Colinada Saudade, em Aracaju. Com 74 anos, ele estava internado há cerca de 10 dias e morreu nessa qurta-feira (5), vítima de câncer no pulmão. O velório está acontecendo no auditório do TCE e logo mais às 9 horas, será celebrada uma missa de corpo presente.

Carlos Pinna se internou no Hospital Primavera após complicações decorrentes de um enfisema pulmonar provocado pelo câncer. A última aparição pública do conselheiro foi no dia 16 passado, durante a posse o filho Carlos Pinna de Assis Júnior como procurador-geral do Estado.

Sergipano de Aracaju, Pinna formou-se em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), em 1972. Exerceu a advocacia até o ano de 1986. Foi Conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil entre 1978 e 1984; Procurador-Geral do Estado de Sergipe de 1983 a 1986; e Secretário de Estado da Habitação e Previdência Social de Sergipe (1985/1986).

Ainda em 1986 ingressou como conselheiro no colegiado do TCE/SE, vindo a ser presidente em quatro oportunidades. Presidiu também por dois mandatos a Associação dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon); e a Associação de Controle Público do Mercosul (Asul).​

Autoridades lamentam

Autoridades e dirigentes de órgãos públicos se somaram às manifestações de pesar pelo falecimento do decano do Tribunal de Contas do Estado (TCE/SE), conselheiro Carlos Pinna, nesta quarta-feira, 5, aos 74 anos. Por meio de notas oficiais e postagens em redes sociais, foi destacada a atuação do conselheiro nas funções que exerceu, sobretudo sua trajetória de 36 anos na Corte sergipana.

Logo ao saber da notícia, o governador do Estado, Fábio Mitidieri, estabeleceu luto oficial de três dias. Em nota publicada, o gestor afirma que Pinna fez parte da defesa dos direitos dos sergipanos, colecionando importantes cargos durante toda a sua carreira: “trilhou uma história excepcional e o fim da sua presença física é uma grande perda para Sergipe”.

A Assembleia Legislativa de Sergipe também decretou luto oficial e, por meio do seu presidente, deputado Jeferson Andrade, disse que o falecimento de Carlos Pinna entristece Sergipe. “Ele deixa um legado de honradez, ética e profundo conhecimento de administração pública. Na presidência do TCE, fez um trabalho marcado pela eficiência e produtividade processual. Além de tudo, era um intelectual respeitado, autor de artigos, pesquisas e livros. Vai fazer muita falta”, destacou Jeferson Andrade.

TJ: Uma grande perda

O Poder Judiciário do Estado de Sergipe, através do desembargador-presidente, Ricardo Múcio Santana de Abreu Lima, registrou e manifestou, “com profundo pesar, o falecimento do conselheiro”, assim como o procurador-geral de Justiça, Manoel Cabral Machado Neto.

“O Tribunal de Contas do Estado de Sergipe perdeu hoje um conselheiro que sempre destacou aquela Corte na busca do controle das contas públicas de forma transparente e técnica. Além disso, o seu legado na defesa dos Tribunais de Contas do Brasil à frente da Atricon é sempre referenciado por todos que atuam na área. Uma grande perda, mas a presença de um inestimável legado que as gerações atuais e futuras têm a responsabilidade de manter. Que Deus o tenha e que a família seja confortada nesse momento tão difícil”, disse o PGJ.

O prefeito da capital sergipana, Edvaldo Nogueira, registrou em suas redes sociais ter recebido com grande tristeza a notícia do falecimento do conselheiro, “um ser humano culto, incrível, que sabia cultivar amizades e construir consensos”. Segundo Edvaldo, em todos os cargos que ocupou, Pinna “atuou com brilhantismo, conhecimento jurídico e tendo como característica fundamental a humanidade”.

Brilhante trajetória

Ainda nas redes sociais, o Ministério Público de Contas de Sergipe externou profundo pesar e tristeza com o falecimento do decano do colegiado do TCE. “Carlos Pinna sempre foi um líder do controle externo brasileiro e sua brilhante trajetória, seja como conselheiro, seja como membro e Presidente da Atricon, sempre trouxe orgulho e admiração a todos que tiveram o privilégio de acompanhar seu trabalho em prol do TCE/SE e de todo o Sistema dos Tribunais de Contas brasileiros”.

O defensor público-geral, Vinícius Menezes Barreto e demais membros da Defensoria Pública do Estado de Sergipe, acrescentaram que o conselheiro “era um amigo e entusiasta da Defensoria Pública. Admirava a instituição, destacando sempre o papel aguerrido dos defensores públicos em prol da população sergipana. Ele deixa um grande legado a ser seguido por muitas gerações. Lamentamos profundamente essa grande perda”.

Já a Associação dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), em nota de pesar assinada pelo seu presidente, conselheiro Cezar Miola (TCE/RS), lembrou que Pinna presidiu a entidade entre 2001 e 2005. “À família, aos colegas e aos amigos de Carlos Pinna, a Atricon transmite seu apoio e sentimento de profunda consternação neste momento de dor”.​

Com informações do TCE-SE (Foto: TV Atalaia)

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

terça-feira, 4 de abril de 2023

Procissão de Nossa Senhora de Guadalupe, em Estância

Post compartilhado do Facebook/Memórias de Estância, de 12 de dezembro de 2022.

Registro raro da procissão de Nossa Senhora de Guadalupe, na década de 80.

Nela estão presentes, de trás para frente:

Sr. Antônio carreteiro , Loro da roleta, Hélio Mascarenhas (Jarrão), Pedro Marcelo (vice-prefeito de Estância), Wilton Barros, Pedro Barreto Siqueira, Sr. Nabuco (Pai de Dr. Pascoal Nabuco), João Pitangueira(vereador), Dr. Pascoal, Dr. João Alves Filho (governador de Sergipe),

Padre Nivaldo, Dom Hildebrando (bispo de Estância entre 1986 e 2003) e Padre Barbosa.

Acervo: Família Siqueira.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Memórias de Estância.

sábado, 25 de março de 2023

ARACAJU ERA ASSIM... 'The Top's', por Lilian Rocha

Crédito da foto: Arquivo pessoal de Pascoal Maynard

Post compartilhado do Facebook/Lilian Rocha, de 13 de novembro de 2022

ARACAJU ERA ASSIM... 

The Top's

Por Lilian Rocha

No tempo em que as bandas musicais se chamavam “Conjuntos”, havia dois bem famosos em Aracaju: “The Tops” e “Os Águias”.

Ora, festinha de 15 anos “com conjunto” tocando ao vivo, era coisa de rico mesmo. O normal era festinha na garagem de casa e a música ficava por conta dos discos de vinil, tocados numa radiola portátil, que quase toda garota daquele tempo tinha. 

Mas havia um dia na semana que a gente tinha o privilégio de ouvir “um conjunto” tocando ao vivo. Eram os domingos no Iate Clube, popularmente conhecidos como “Jantar Dançante”. 

O “Jantar Dançante” acontecia no salão principal do Iate, pois o outro salão maior ainda não havia sido construído. E como esse evento era destinado ao público adolescente, começava cedo e terminava cedo. Não tinha essa história de voltar pra casa de madrugada não. Aracaju era assim... 

O salão era enorme para os meus olhos de 13 anos. Muitas mesas espalhadas e um espaço destinado para a dança, em frente ao palco. Nas mesas, só ficavam as meninas. Os meninos ficavam em pé, em volta das mesas, talvez pra escolherem melhor a menina que eles iam “tirar para dançar”. Se por acaso uma menina recusasse a dança, 

isso se chamava “dar taboca”. Isso era quase uma ofensa para eles!

De repente, as luzes se apagavam e o salão todo era invadido pelos primeiros acordes de “Travessia”, de Milton Nascimento... 

 “Quando você foi embora, fez-se noite em meu viver...” 

Era assim, invariavelmente, que o Conjunto The Top´s começava a noite... Era mágico!

 “...Solto a voz nas estradas, já não quero parar...” 

E enquanto eles soltavam a voz lá no palco, meu coração dava um pulo, quando a pessoa que eu mais queria chegava de mansinho e me tirava pra dançar...

Foi assim que “fui apresentada” a Milton Nascimento. Em 1972, num Jantar Dançante do Iate, por meio do meu Conjunto preferido, The Top´s. 

Hoje, 50 anos depois, resolvi ‘soltar minha voz’ para agradecer a eles, por terem me oferecido música da melhor qualidade e por continuarem despertando em mim tantas lembranças doces... 

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Lilian Rocha