domingo, 3 de dezembro de 2017

O livro Álvaro Santos – Memórias

 Ponte de Atalaia - 1950

Nu feminino - 1946

“A pintura tem sua origem na própria alma do artista” – Álvaro Santos.

Por Sandra Natividade.

O livro Álvaro Santos – Memórias, escrito por Ilma Fontes traz para quem gosta de arte e artistas, informações preciosas a respeito do pintor, nascido na cidade de Propriá, município de Sergipe, em 1920.  Escrito em português, traduzido para o inglês e francês, com certeza chegará às livrarias além fronteiras. Tem 131 páginas, tamanho 27cmx 20cm, papel couchê fosco (o que permite um manusear delicado), as telas reproduzidas são coloridas, conforme os originais, e as fotos de Álvaro vão permitir a quem não o conheceu ver como ele era bonito.  Traços da sua personalidade serão detectados nos relatos de vários parentes, amigos e no texto escrito por ele (para a revista Alvorada) na página 56, comentando sobre A pintura e as exposições. Lutou e sofreu como todo artista pobre à procura de estudo e apoio para exposições. Morreu precocemente, muito jovem (1963). A orelha é escrita pelo presidente da Academia Sergipana de Letras, José Anderson Nascimento que contribuiu na recuperação das fotos. A apresentação é de Cleiber Vieira, jornalista, escritor, presidente da Associação Sergipana de Imprensa-ASI, que na introdução, Ilma o coloca como o padrinho que através da ASI, acolheu o afilhado (que ele não conhecia), após vinte anos. Sim, vinte anos se passou para Ilma publicar o livro, trabalhado desde 1977. Tudo a autora expõe de forma concisa na introdução.

E o livro passou por várias mãos que poderiam favorecer a arte, a literatura, mas não quiseram. Mas tudo tem seu dia. Assim, ele recebeu o patrocínio da TV Sergipe, Secretaria de Estado da Cultura, Fundo Estadual de Cultura, Conselho Estadual de Cultura, e o apoio da Gráfica Editora J. Andrade, Academia Sergipana de Letras, Faculdade Pio Décimo, Funcaju - Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Esportes, Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, e do ex-senador e imortal da Academia Sergipana de Letras, Francisco Guimarães Rollemberg. E toda renda gerada pela venda unitária pertence a ASI, conforme estabeleceu a autora.

Ilma afirma que não deu para colher registro da maioria das telas pintadas por Álvaro Santos. Mas assinala que deverá haver alguém que completará o trabalho.  Que seja ela própria, para enriquecer ainda mais seu currículo e reforçar o título de agente cultural. Se você conhece alguém que tem algo a acrescentar ou uma tela, ou uma xilogravura pintadas por Álvaro Santos ou do seu irmão Florival Santos (outro grande pintor e seu professor), e que não se importa de compartilhar essa informação e a foto da tela, passe para Ilma Fontes. Terá todos créditos. Na Assembleia Legislativa ou na residência, ela estará de braços abertos para receber os “felizardos” pela posse das obras de arte e – com certeza surgirá um novo livro. Os livros estão à venda na ASI e nas boas livrarias da cidade.

Texto e imagens reproduzidos do blog: academialiterariadevida.blogspot.com.br

A Cerca do Insuperável Joel Silveira

Joel Silveira (23.09.1918 - 15.08.2007). Foto de Bel Pedrosa/Folha Imagem, 
postada pelo  blog "SERGIPE...", para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no blog Academia Literaria de Vida, em 06/11/2017.

A Cerca do Insuperável Joel Silveira. 
Por Sandra Natividade.

    Joel Silveira traz à memória terna inspiração único como cada um de nós. Viveu em plenitude, intensamente e às vezes perigosamente; nos últimos anos de existência como bem dizia, solitário, creio por opção. Assim não morreu e suas obras estão aí a falar dele e sobre ele, da maneira que gostava de construir lépido e faqueiro, brincalhão por excelência, às vezes quando zangado um tanto ácido nas palavras, coisas intrínsecas ao temperamento humano. Trabalhar com ele era interessante e gratificante, parece que ouço sua voz falando ao telefone com alguém influente da República, incisivo “... manda livro para Sergipe homem, manda livro para Sergipe...”, Joel titular da Secretaria de Estado Especial da Cultura dos sergipanos tinha uma perspectiva hercúlea, talvez um sonho: equipar as sofridas bibliotecas dos 75 municípios sergipanos com novos volumes - ao assumir a pasta sua meta era conseguir 20 mil livros para prover essas - e construir um grande centro cultural. Ideias arrojadas - os livros ele no pouco tempo que passou por estas plagas conseguiu, sonho realizado - quantas entregas fez!  No rosto do já idoso escritor sergipano o belo sorriso que nunca lhe faltou, acompanhado por assessores diretos da pasta, convidava cheio de contentamento prefeito, secretário de educação e cultura do município contemplado e oficialmente fazia a entrega dos livros.

    A postura do ilustre sergipano de Lagarto, além de jornalista, escritor renomado, contista, poeta e prosador cheio de graça fez diferença, influenciando a organização do XIV Fórum Nacional de Secretários de Cultura realizado em Goiânia a trazer para Sergipe a XV edição do Fórum Nacional, uma tacada de mestre do novel secretário de cultura dos sergipanos. A XV reunião tinha como foco entre outros pontos, debater a política de aprimoramento e consolidação das estruturas da Administração Cultural. Sob a coordenação nacional de José Carlos Capinam, Secretário de Estado da Cultura da Bahia e de Beth Mendes, Secretária de Cultura do Estado de São Paulo assumindo na época a função de secretária geral, o evento foi realizado com significativas representações das regiões Nordeste, Sudoeste, Centro-Oeste, Sul e Norte no Salão de Convenções do imponente Hotel Parque dos Coqueiros, no período de 3 a 5 de dezembro de 1987. Foram os palestrantes na pauta: Ministro da Cultura, Celso Furtado, o Embaixador Wladimir Murtinho do INL representantes dos órgãos Regionais de Desenvolvimento, Fundação Nacional de Artes Cênicas, Fundação Nacional de Cinema, entre outros que já não lembro. A realização se constituiu uma conquista de peso para o pequenino Estado de Sergipe.

    Joel Silveira deixou grande legado, mais de trinta obras publicadas e perfil cidadão que influenciava, casado com Dona Iracema, o casal se completava com a pequena prole que constituiu composta pelos filhos Elizabeth e Ismael - falava pouco da família e muito do neto Rodrigo - entendo a atitude como preservação da privacidade. Enquanto o inesquecível intelectual escrevia na inseparável Olivetti e fazia seu merchandising, a esposa cuidava de tudo, nos mínimos detalhes. O apartamento onde residia em Copacabana era impecável - a pinacoteca com 80 quadros e a biblioteca com 22 mil livros - cobria as paredes da aconchegante morada. Quanto trabalho de Dona Iracema na manutenção daquele patrimônio, ela nada reclamava, vivia a alegria do marido.  Joel e Iracema foram tão unidos que após três anos da partida dele para a eternidade, parece que a vida da eficiente e dedicada esposa perdeu o sentido, indo ao encontro do seu eterno amor.

    As pessoas passam e deixam marcas indeléveis. Joel Silveira colaborador de jornais em Sergipe, mudou-se em 1937 para o Rio de Janeiro e construiu sem pretensão uma biografia profissional fascinante. Iniciando ali a carreira como repórter, aos 26 anos foi enviado à Itália pelos Diários Associados comandado pelo desbravador Assis Chateaubriand como correspondente de guerra, fato que lhe rendeu novas experiências tornando-se destacado colunista e editor. Colecionou prêmios extraordinários: Esso, Jabuti, Golfinho de Ouro, Machado de Assis e Líbero Badaró. Partiu passou a povoar uma nova morada, certamente por lá encontrou vários intelectuais participes da boa prosa, a exemplo de Silvio Romero, Tobias Barreto, dos irmãos Gilberto e Genolino Amado e tantos outros notáveis da constelação literária que dignifica o Estado de Sergipe, o Brasil e o mundo.

Aracaju, 15/08/2017.

Texto reproduzido do blog: academialiterariadevida.blogspot.com.br

46 anos sem o visionário Josias Vieira Dantas

Josias Vieira Dantas

Publicado originalmente no site Jornal de Maruim, em março/2017.

46 anos sem o visionário Josias Vieira Dantas
Por Keizer Santos*

Há exatos 46 anos, o município sergipano de Maruim perdia o seu ilustre filho, Josias Vieira Dantas. Em 26 de março de 1971, Josias Dantas faleceu em Aracaju e foi sepultado no Cemitério Cruzeiro do Novo Século, situado em sua cidade natal.

Nascido na Rua Barão do Rio Branco, nº 15, no centro do município de Maruim, em 20 de janeiro de 1890, o filho do coronel Francisco Correia Dantas Filho, o Dantinhas, e da sra. Antônia Rosa Vieira de Mello, foi um grande progressista e esteve associado a diversos empreendimentos no pequeno município sergipano. Dantas, segundo filho mais velho do casal, tinha como irmãos: Alcebíades Vieira Dantas (ex-prefeito de Maruim), Agenor Vieira Dantas, Adalberto Vieira Dantas, Celso Vieira Dantas e Cacilda Vieira Dantas.

Em 5 de fevereiro de 1914, Josias Vieira Dantas casou-se com com Dorvalina de Mello Dantas, filha do desembargador Dr. José Sotero Vieira de Mello e de Arminda Barreto de Menezes Mello. A cerimônia aconteceu no Engenho Catete Novo, no município de Rosário do Catete, com direito a registro nos principais jornais da região, apresentação da cavalaria e da banda Lyra Paladina.
Da união entre Josias e Dorvalina, nasceram 14 filhos, sendo que destes, seis morreram precocemente: Lidorval, Euler, Jaime, Renato, Luiz e Valdice. Outros filhos morreram anos depois: Padre Lidorval de Mello Dantas, cujo nome era uma homenagem ao primeiro filho do casal (faleceu em 1974); Professora Antônia Vieira Dantas (faleceu em 1998); Professora Josilda de Mello Dantas, fundadora da Escola São José, em Maruim (faleceu em 1998); Ex-vereador de Maruim, Otávio de Mello Dantas (faleceu em 1990); Coronel do Exército Sylvio de Mello Dantas (faleceu em 2016) e professora Yvonne de Mello Dantas (faleceu em 1999).

Apenas dois filhos do casal, Josias e Dorvalina, permanecem vivos: o engenheiro civil Nélson de Mello Dantas, 94 anos, que vive em Sete Lagoas/MG; e o ex-vereador e ex-prefeito de Maruim, Pedro de Mello Dantas, 89 anos, que reside em Aracaju/SE.

Dorvalina de Mello Dantas, sua esposa, faleceu no dia 12 de agosto de 1971.

Josias Vieira Dantas e família

O visionário

Josias Vieira Dantas era um visionário, gostava de atrair diversos profissionais e empresas para o município de Maruim. O próprio Josias era um exemplo ao apontar seus investimentos para o município como a criação do Banco de Crédito Popular de Maroim [antiga grafia do município]; a Sergipe Fabril (antiga Fábrica Maísa); Casa comercial de ferragens Alcebíades Dantas & Irmão; Curtume São José; Sapataria; Farmácia Globo; Cine-teatro Tobias Barreto; Trapiche Novo; diversos sítios; uma olaria, na Fazenda Nova; um moinho; criou um viveiro, além da criação de gado e plantações de árvores frutíferas. Por seu desempenho, Josias Dantas representou a Federação das Indústrias de Sergipe (Fies) em diversos eventos pelo Brasil.

Sergipe Fabril

A atuação de Josias Vieira Dantas não se resumia ao comércio e a indústria, por ser um grande estudioso, ocupou diversos cargos no majestoso Gabinete de Leitura de Maruim. Foi Bibliotecário em 1917-1918, na gestão do Presidente do Gabinete, o Sr. Deocleciano Rocha e 1921-1922, na gestão de Durval Maynart; Em 1918-1919, na gestão de Olívio Barretto; 1920-1921, na gestão de José Quintiliano da Fonseca e 1921-1923, na gestão de Manoel M. Polito, exerceu o cargo de Vogal. Ocupou a Presidência do Gabinete de Leitura em 1923-1924, 1924-1925, 1925-1926, 1926-1927 e 1927-1928, contando com apoio de diversos intelectuais, entre eles o Dr. Joel Macieira Aguiar.

Quando ocupou a presidência do “majestoso”, em 1926, Josias Vieira Dantas adquiriu o prédio que hoje funciona o Gabinete de Leitura.

Dantas recebeu o título de “Zelador da Obra das Vocações Sacerdotais”, por Dom Fernando Gomes, pelo apoio dedicado à Diocese e pela tentativa, sem êxito, de criar em 1951, o Seminário Menor em Maruim. Durante sua vida, preocupou-se em auxiliar à igreja, por exemplo, quando providenciou o reparo de um dos sinos da igreja matriz. O sino rachado foi transportado para ser consertado na oficina de manutenção da Viação Férrea Federal do Leste Brasileiro, situada em Aramari, no Estado da Bahia.

Josias Vieira Dantas ainda instituiu, na década de 20, o Colégio Diocesano; a Irmandade Carmelita, em 1942, e a Congregação Religiosa Feminina das Irmãs de Santa Terezinha, em 1958.

Em 05 de maio de 1954, apoiado por seu primo Clodoaldo Passos e pelo fundador da Campanha Nacional de Educandários Gratuitos (CNEG), em Sergipe, o Dr. Felipe Tiago Gomes, continuou a valorização da educação ao inaugurar o Ginásio Maruinense no Instituto Cruz, prédio que hoje funciona a Secretaria Municipal de Maruim, na Praça João Rodrigues.

Com a segunda grande guerra mundial, os preços dos produtos importados utilizados na indústria têxtil como derivados do petróleo e material químico para tinturaria começaram a subir por conta das importações, como consequência, o produto final passou por uma elevação de preço. Com a dificuldade em manter a empresa, a Sergipe Fabril foi concedida, em 1969, ao Grupo Constâncio Vieira. 

Em fevereiro de 1969, transferiu-se para Aracaju para realizar tratamento de saúde, pois seu estado era debilitado.

Homenagens

Em 1958, Josias Vieira Dantas recebeu a medalha comemorativa da Conferência Internacional de Investimentos em Belo Horizonte e Araxá, em Minas Gerais e Brasília, no Distrito Federal, pelo Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Em 1968, a Associação Comercial de Sergipe, através do então Presidente Ayrton Valença de Vasconcelos, concedeu a Josias Dantas, o título de sócio remido da instituição por sua honradez, exemplo de homem de bem, trabalhador honesto e que muito fez pela nossa terra, sendo exemplo para as novas gerações. Na ocasião, sr. Josias havia solicitado a sua exclusão do quadro social da entidade, tendo em vista que não conseguiria quitar as obrigações financeiras.

Josias Vieira Dantas recebeu diversas homenagens, entre elas estão à denominação do Gabinete de Leitura para Biblioteca Municipal Josias Vieira Dantas, que a partir de 1992, passou a ser administrado pela Prefeitura Municipal de Maruim; a Escola Municipal de Ensino Fundamental Josias Vieira Dantas, na Rua Pedro Freire, bairro Lachez, em Maruim; Em Aracaju, a Rua RT-5, na Coroa do Meio, que passou a denominar-se Rua Josias Vieira Dantas pela Lei Municipal Nº 1.524 e sancionada pelo então prefeito da capital sergipana, Wellington da Mota Paixão.

*Jornalista e especialista em Marketing, Comunicação integrada e Assessoria

Imagens: Reprodução do livro Josias Vieira Dantas, meu pai (ver referência)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGUIAR, Joel. Traços da História de Maroim. 2. ed. Edição comemorativa dos 150 anos de Maruim. Aracaju: Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe, 2004.

CRUZ E SILVA, Maria Lúcia Marques. Inventário Cultural de Maruim. Edição comemorativa aos 140 anos de Emancipação Política da cidade. Aracaju: Secretaria Especial de Cultura, 1994.

ROSA, Gilvan dos Santos. Maruim, coisas que ouvi dizer... 2. ed. rev. Aracaju: Secretaria de Estado da Educação e do Desporto e Lazer, Sercore, 1999.

DANTAS, Sylvio de Mello. Josias Vieira Dantas, meu pai: In memorian. Salvador: SMD, 2002.

Texto e imagens reproduzidos do site: jornaldemaruim.com

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Alese homenageia Ilma Fontes pelos 50 anos de jornalismo


Publicado originalmente no site F5 News, em 28/11/2017

Alese homenageia Ilma Fontes pelos 50 anos de jornalismo

A escritora, roteirista, cineasta, jornalista, médica psiquiatra, curadora e editora do jornal “O Capital”, Ilma Fontes, recebeu das mãos da deputada estadual Ana Lúcia a homenagem da Assembleia Legislativa de Sergipe pelos 50 anos de dedicação ao jornalismo. Realizada na tarde desta segunda-feira (27), a solenidade reuniu autoridades dos três poderes, jornalistas, literatas, artistas e militantes culturais que prestigiaram a justa homenagem.

Ana Lúcia emocionou a todos com seu discurso cheio de poesia e despido de formalidade, tal qual a homenageada da tarde. “Um enredo de vida marcado pela coerência e pelo compromisso com a ‘resistência ao ordinário’. Egrégia é a resistência. Eminente é a renitência. Ilma é ilustríssima. Dos dias de Mário Jorge, Joubert Moraes e Cacique Chá à garupa da motocicleta do jovem pintor Tintiliano. Da Praça Tobias Barreto, da casa de seu Aderbal e dona Jenny ao Rio de Janeiro e ao firmamento”, apontou.

“Ainda que a tempestade desabasse, pesadíssima, sobre o país e os sobre cajueiros da província del Rey, uns e outros muito poucos seguraram a barra enquanto perdurou a longa e vexaminosa borrasca da ignorância dos coturnos do 28 BC”, declarou Ana Lúcia em referência à resistência de Ilma durante o período da ditadura militar.

“Deputada Ana Lúcia, a senhora me faz muito feliz nesta tarde, mas ao mesmo tempo dispara uma adrenalina, que há muito tempo não vivenciava”, agradeceu a homenagem e o discurso da deputada. “O ato de escrever é um ato solitário. Falar é outra praia. E falar para um público tão excelso, é me considerar uma felizarda. Eis aqui uma pessoa vitoriosa, porque nunca nada foi fácil para mim, mas tudo valeu a pena”, destacou emocionada a homenageada.

Ícone da cultura sergipana, Ilma Fontes marcou e permanece marcando a história de Sergipe. “Nunca saí do jornalismo”, contou, ao falar sobre sua saída de Aracaju para estudar medicina no Rio de Janeiro, onde trabalhou como psiquiatra na Clínica Visconti Silva. Largou a psiquiatria para dissecar a cultura e retornou a Aracaju, onde trabalhou com cinema, literatura, artes e, claro, jornalismo. “Sair da fôrma da conformidade é desconfortável”, disparou a ilustríssima Ilma, referindo-se à coragem de deixar a medicina para dedicar-se à cena cultural.

“Médica, Ilma é poeta. Doutora como Guevara, como Guimarães Rosa, como Tchekhov. Legista, não se limitou a dissecar carcaças inertes. Deitou olhos sobre a anatomia distrófica do conservadorismo de nossa terra para alcançar o mundo todo. Dissecou o cacique Serigy, mas também Jean Genet e Rimbaud. Psiquiatra, negou-se à lobotomização e a reforçar o superego chatíssimo que interditou a emancipação e condenou à indigência cultural tantas mulheres de seu tempo”, completou Ana Lúcia.

Em seu discurso, Ilma rememorou histórias suas e do jornalismo sergipano. Histórias de repressão e de libertação, da ditadura militar e do rock’n’roll. Em uma dessas histórias, nossa homenageada contou que seu modo de desafiar a sociedade e de subverter o conservadorismo dominante, lhe rendeu a demissão do jornal Gazeta de Sergipe. Em plena ditadura militar, Ilma entrevistou seu amigo, o poeta Mário Jorge, para o periódico. Com o título “Poesia no paredão”, a entrevista foi considerada “inadequada” para a edição e a jornalista, “inadequada” para o jornal.

“O ativismo politico e cultural é uma coisa que entranhou-se e não poderia deixar de entranhar-se na minha geração, que é a geração do rock’n’roll”, resumiu Fontes.

E definiu-se no poema “Cogito”, de Torquato Neto: “eu sou como eu sou / pronome pessoal intransferível / do homem que iniciei  / na medida do impossível / eu sou como eu sou  / agora  / sem grandes segredos dantes  / sem novos secretos dentes  / nesta hora  /  eu sou como eu sou  / presente / desferrolhado indecente /feito um pedaço de mim”.“Aos 50 anos de jornalismo, Ilma Fontes ainda tem tudo a dizer e a mostrar”, finalizou Ana Lúcia.

Texto e imagem reproduzido do site: f5news.com.br

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Assembleia Legislativa Homenageia a jornalista Ilma Fontes.

Foto reproduzida do site: antoniomiranda.com.br e postada pelo blog
‘SERGIPE, sua terra e sua gente’, para ilustrar o presente artigo.

Texto compartilhado de publicação originária do Portal Infonet, de 24/11/2017

AL Homenageia a jornalista Ilma Fontes.
Por Ivan Valença.

Sessão especial de homenagem à Jornalista Ilma Fontes está programada para 2a feira, a partir das 17h, pela Assembleia Legislativa do Estado. A homenagem é pela passagem dos 50 anos de atividade jornalística daquela que, se fosse seguir a carreira pela qual se formou, seria médica.

 Mas, um belo dia, 50 anos atrás ela se encontrou com o jornalismo e foi mordida pela mosca azul, transformando-se, no jornal “Gazeta de Sergipe”, numa das melhores e mais lidas cronistas sociais da época. Depois é que se dedicou ao mundo das Artes, organizando exposições e mostras fotográficas. 

Por muitos anos foi a curadora das mostras de arte organizadas pelo Legislativo Estadual e mantém um jornalzinho alternativo de boa circulação no Estado, também dedicado ao mundo das artes. Se há uma homenagem merecida certamente é esta dedicada a Ilma Fontes.

O peso da idade não diminui o entusiasmo pela Arte feita por sergipanos para sergipanos.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Biografia de Leandro Maynard Maciel

Foto reproduzida do site: harpyaleiloes.com.br e postada pelo blog
"SERGIPE, sua terra e sua gente", para ilustrar o presente artigo.

Nome: MACIEL, Leandro

Nome Completo: LEANDRO MAYNARD MACIEL

Tipo: BIOGRAFICO

*const. 1934; sen. SE 1935-1937; const. 1946; dep. fed. SE 1946-1955; gov. SE 1955-1959; sen. SE 1967-1975.

Leandro Maynard Maciel nasceu em Rosário do Catete (SE) em 8 de dezembro de 1897, filho de Leandro Ribeiro de Siqueira Maciel e de Ana Maynard Maciel. O pai, abastado senhor de engenho em Sergipe, foi político militante desde 1871, tendo sido, durante o Império, diversas vezes deputado provincial e deputado-geral; após a proclamação da República (15/11/1889), foi deputado por Alagoas à Constituinte de 1891 e à primeira legislatura do Congresso Nacional (1891-1893), além de senador por Sergipe (1894-1902).

Fez os estudos primários e secundários no Colégio Salesiano de Aracaju e nos colégios Spencer e dos Irmãos Maristas, em Salvador. Ainda estudante, influenciado pela figura de Rui Barbosa, tomou parte, na capital baiana, da Campanha Civilista, movimento que promoveu, entre agosto de 1909 e março de 1910, a candidatura de Rui Barbosa à presidência da República em oposição à do marechal Hermes da Fonseca, afinal eleito no pleito de março de 1910.

Aluno do curso de engenharia da Escola Politécnica da Bahia, representou sua faculdade no Congresso dos Estudantes de Engenharia, realizado no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Ao terminar o curso, em março de 1922, apresentou uma tese que foi depois incorporada ao levantamento de um dos grandes problemas nacionais: O aproveitamento do potencial hidráulico do rio São Francisco na garganta de Paulo Afonso.

Recém-formado, ingressou nos quadros do Ministério de Viação e Obras Públicas, sendo designado para exercer suas funções na Paraíba. Ali trabalhou nas obras do porto da cidade da Paraíba, atual João Pessoa, capital do estado. Transferido para o Rio de Janeiro, trabalhou no Departamento de Portos, Rios e Canais.

Ingressou na política em 1926, com a chegada de Ciro Franklin de Azevedo à presidência de Sergipe. Com a morte deste, em 1927, assumiu o governo o coronel Manuel Correia Dantas, presidente da Assembleia Legislativa, a quem se ligou politicamente, ocupando em seu governo o cargo de diretor do Departamento de Obras Públicas do estado. Em 1929 filiou-se ao Partido Republicano (PR) de Sergipe e candidatou-se a deputado federal nas eleições de maio de 1930, sendo eleito com o apoio da Coligação Democrática Sergipana.

Em 3 de outubro de 1930 estalou a revolução. No dia 14, o capitão Juarez Távora, à frente dos revolucionários vindos da Paraíba, ocupou o estado de Sergipe e depôs o presidente Correia Dantas. Assumiu o governo o primeiro-tenente Eronides Ferreira de Carvalho, que ainda antes do final do ano foi substituído pelo capitão Augusto Maynard Gomes, nomeado interventor federal pelos chefes revolucionários. Leandro Maciel manteve o cargo de diretor de Obras Públicas do novo governo.

Em maio de 1933, elegeu-se deputado por Sergipe à Assembleia Nacional Constituinte na legenda do Partido Social Democrático (PSD) de seu estado, tomando posse em novembro do mesmo ano. Promulgada a nova Constituição em 16 de julho de 1934 e eleito, no dia seguinte, o presidente constitucional da República, Getúlio Vargas, até então chefe do Governo Provisório, os deputados constituintes tiveram os mandatos prorrogados até maio de 1935. Nas eleições de outubro de 1934, Leandro Maciel elegeu-se deputado federal na mesma legenda para a primeira legislatura ordinária após a Constituinte. Entretanto, com a instalação da Assembleia sergipana no início de 1935, foi eleito indiretamente senador por seu estado. Preferindo exercer o mandato no Senado, abriu mão de sua cadeira na Câmara dos Deputados. Com o golpe do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937, que fechou todos os órgãos legislativos vigentes no país, teve porém o mandato de senador interrompido.

Na UDN

Em abril de 1945, foi criada a União Democrática Nacional (UDN), partido que nasceu da campanha pela redemocratização do país e que reuniu as forças políticas contrárias ao presidente Getúlio Vargas. Filiando-se à UDN, Leandro Maciel participou da primeira reunião de seu diretório nacional, realizada no dia 21, quando foram nomeadas as comissões para a elaboração do primeiro projeto de estatuto do novo partido. Coube-lhe participar da comissão incumbida do estudo dos problemas estaduais e municipais.

Em 29 de outubro desse ano, Getúlio Vargas foi deposto pelos chefes militares. No pleito de dezembro, Leandro Maciel elegeu-se deputado por Sergipe à Assembleia Nacional Constituinte, na legenda da UDN. Empossado em 19 de fevereiro de 1946, participou dos trabalhos constituintes e, após a promulgação da nova Carta (18/9/1946), passou a exercer mandato legislativo ordinário. Em 1948, foi eleito membro da Comissão de Obras Públicas e membro da Comissão Especial da Bacia do Rio São Francisco, na Câmara dos Deputados.

Em outubro de 1950, reelegeu-se deputado federal, sempre na legenda da UDN, para o período legislativo de 1951-1955. Nesse mesmo ano, concorreu pela UDN ao governo de seu estado, sendo derrotado por Arnaldo Rollemberg Garcez, lançado pelo PSD e pelo Partido Republicano (PR). Como deputado federal por Sergipe, canalizou verbas para seu estado, destinadas a obras de construção de açudes, estradas de rodagens, hospitais e escolas, e à aquisição de máquinas e geradores elétricos para diversos municípios.

Em outubro de 1954, venceu as eleições para governador de seu estado, na legenda da UDN e com o apoio do Partido Social Progressista (PSP), do Partido Social Trabalhista (PST) e do Partido Trabalhista Nacional (PTN), vencendo Edélzio Vieira de Melo, candidato do PSD. Deixando a Câmara em janeiro de 1955, assumiu o governo em fevereiro, tendo como vice-governador o médico José Machado de Sousa, que o substituiu de março a junho desse ano. Nesse período viajou ao Rio de Janeiro a fim de tratar de interesses do estado, ligados à usina hidrelétrica de Paulo Afonso, cuja expansão até Sergipe pleiteava.

Durante sua administração, realizou a dragagem e desobstrução do porto de Aracaju e a construção de mais de trezentos quilômetros de estradas de rodagem. Reconstruiu a rede de distribuição de energia elétrica e reformou o sistema de abastecimento de água do estado. Restaurou o palácio Olímpio de Campos ou das Secretarias, destinado ao funcionamento dos vários órgãos do governo, e vários edifícios e escolas públicas, inaugurando em fevereiro de 1958 o Instituto de Educação Rui Barbosa, em Aracaju. Concluiu e inaugurou igualmente o aeroporto de Santa Maria, também na capital estadual. Instituiu, finalmente, o sistema de mesas-redondas para debater assuntos de interesse público e obter maiores esclarecimentos sobre os vários problemas do estado. Findo o seu governo, passou o cargo, em 31 de janeiro de 1959, a Luís Garcia.

Em novembro de 1959, seu nome foi apresentado à convenção nacional da UDN como candidato à vice-presidência da República na chapa de Jânio Quadros. Nessa ocasião, derrotou o deputado Fernando Ferrari. Todavia, em abril de 1960, renunciou à candidatura, sendo substituído, em julho, por Mílton Campos.

Em fevereiro de 1961, foi nomeado presidente do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), por Jânio Quadros, que então iniciava seu governo. À frente dessa autarquia federal, modificou o Plano do Álcool, fixando preços para o produto adquirido pelo instituto, modificando a sistemática de entrega do álcool às companhias de gasolina e estabelecendo a obrigatoriedade de as usinas receberem, para a produção de álcool direto, a mesma percentagem fixada para a produção do açúcar. Regulamentou ainda o pagamento de canas fornecidas às usinas associadas a cooperativas centralizadoras de vendas e alterou as datas de início e fim de safra de alguns estados do Nordeste. Extinguiu o Serviço Especial de Requisição e Destilação de Aguardente e criou a Divisão de Exportação do IAA, por decreto de 22 de junho de 1961. Em setembro de 1961, após a posse do vice-presidente João-Goulart na presidência da República em virtude da renúncia de Jânio Quadros (25/8/1961), deixou a presidência do IAA, sendo substituído, em caráter interino, pelo vice-presidente do instituto, Eduardo Rios Filho.

Em outubro de 1962, lançado pela UDN e pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), voltou a concorrer ao governo de Sergipe, sendo, contudo, derrotado por João Seixas Dória, candidato do PSD e do Partido Republicano Trabalhista (PRT).

Na Arena

Com a dissolução dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965, e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), agremiação criada em abril de 1966, formada pelas forças políticas ligadas ao movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart.

Em novembro de 1966, elegeu-se senador por Sergipe, na legenda da Arena. Nesse pleito derrotou o industrial Oviedo Teixeira, candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar, e pai do deputado José Carlos Teixeira, presidente do diretório regional daquele partido em Sergipe. Durante seu mandato, iniciado em fevereiro de 1967, foi presidente da Comissão de Transportes, Comunicações e Obras Públicas, vice-presidente da Comissão de Redação, membro da Comissão de Finanças e Economia, e da Comissão de Minas e Energia, além de suplente das comissões de Indústria e Comércio, do Polígono das Secas, de Agricultura, de Justiça de Ajustes Internacionais, de Legislação sobre Energia Atômica e de Serviço Público Civil.

Concorrendo novamente às eleições de novembro de 1974 para o Senado na legenda arenista, não conseguiu reeleger-se, sendo derrotado por João Gilvan Rocha, do MDB. Ao terminar seu mandato de senador em fevereiro de 1975, retirou-se da vida política.

No exercício da vida pública, foi ainda fiscal do Serviço de Águas e Esgotos de Aracaju, diretor da Companhia de Serviços de Luz e Força de Sergipe (Energipe) e presidente das Usinas Nacionais.
Faleceu em Aracaju no dia 14 de julho de 1984.

Era casado com Marina de Albuquerque Maciel, filha de Otacílio de Albuquerque, médico, jornalista e político paraibano, que foi deputado estadual e federal e senador pela Paraíba (1923), e um dos articuladores no Nordeste do movimento revolucionário de 1930.


FONTES: ARQ. PÚBL. EST. SE; ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais; BANDEIRA, L. 24; Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CISNEIROS, A. Parlamentares; COSTA, M. Cronologia; Diário do Congresso Nacional; Encic. Mirador; FRANCO, A. Escalada; FUND. GETULIO VARGAS. Cronologia da Assembléia; GODINHO, V. Constituintes; Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (9/3/60, 27/7 e 16/10/66); LACERDA, C. Depoimento; NABUCO, C. Vida; NÉRI, S. 16; OLIVEIRA, H. Presidentes; Perfil (1972); PINTO, L. Pequenos; SENADO. Anais (1935); SENADO. Dados; SENADO. Dados biográficos (1974); SENADO. Endereços; SENADO. Relação; SILVA, G. Constituinte; WYNNE, J. História.

Texto reproduzido do site: fgv.br/cpdoc/acervo

domingo, 19 de novembro de 2017

Dona Dulce e Sr. Orlando Dantas


“Meus avós Dulce e Orlando Dantas. No final dos anos 40 ou início dos anos 50, acredito que na Fazenda Coqueiro, em Socorro, que era propriedade de meu avô”. (Paulo Roberto Dantas Brandão).

Foto e Legenda reproduzidos do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Imbuaça, O nome do artista e o artista do nome


De publicação do Facebook/Luiz Eduardo Oliva, em 15/11/2017.

Imbuaça, O nome do artista e o artista do nome. (*)
Por Luiz Eduardo Oliva (**)

Aracaju era apenas uma cidade com pouco mais de cem anos, ruas ainda enlameadas e o prefeito Godofredo Diniz aqui ou acolá inaugurando calçamentos de paralelepípedos. A população não passava dos 170 mil habitantes onde quase todo mundo se conhecia. Tudo era perto, mas tudo parecia longe. Nas cidades pequenas as maiores distâncias parecem ser maiores que nas cidades grandes. Ir até o bairro Santo Antônio, nem pensar. Os moradores das cercanias da Rua de Riachuelo, Santa Luzia, Lagarto, Arauá e Itabaiana tinham seus limites estabelecidos ao leste pelo banho do Rio Sergipe ali na “Rollemberg” acompanhados de Zé Peixe e de Dona Filomena; ao sul pelas cercanias da Igreja São José, arrodeada de mangues com o “Bariri” como anexo, pegando caranguejo em armadilha improvisada de lata de óleo de soja marca “salada”; ao oeste esbarrava-se nas areias brancas do Oratório de Bebé e ao norte, depois da Catedral já era longe.

A cidade, naturalmente era dividida em zonas. Mas zona era a denominação que a turma do futebol de pelada dava para digladiarem-se os mais ou menos “índios” como eram chamados os mais arruaceiros onde nas pelejas o pau comia. Quem nasceu no bairro Santo Antônio, parecia lá se estabelecer para sempre. Os colégios eram poucos. “Tobias Barreto” rivalizava com o “Atheneu Sergipense” e tinham como contra ponto a “Escola Normal” só de mulheres, as normalistas. O “Jackson de Figueiredo” com sua farda cor de cáqui tinha abrigado entre seus alunos o consagrado Joao Gilberto, o papa da Bossa Nova e também tinha o “Dom José Tomaz” pelas cercanias. O “Salesiano” e o “Arquidiocesano” eram os colégios religiosos assim como o “Nossa Senhora de Lourdes” e o “Patrocínio São José” sexistas, uns só para homens e outros para mulheres. Freiras e Padres monopolizavam parte do ensino. O “Tiradentes” surgiu depois assim como o G.A. (Ginásio de Aplicação) onde as meninas da nossa vã sociedade eram cognominadas de uma expressão escatológica para designar que eram “metidas”. Tudo isso fazia de Aracaju uma cidade bucólica, praiana, interiorana, embora fosse capital.

Mas se diz disso tudo nessa introdução para falar de um personagem: Manuel Imbuaça. Quem sabe de quem se trata? Certamente, se a pergunta fosse em torno do grupo de teatro Imbuaça, que fez esse mês quarenta anos de atuação, praticamente todo aracajuano sabe do quem se está falando. Mas poucos conhecem a figura do artista que deu ao “Imbuaça” o nome. Era morador da Rua Santa Luzia, numa extensão que ia da Rua Riachuelo à Praça Tobias Barreto. Ali se constituiu em um dos mais interessantes “guetos” daquela Aracaju com pouco mais de cem anos. Naquele trecho e nas suas cercanias, residiam ou viviam esse escrevinhador, Guda, Bolívar, Chumbinho, Zé Aélio, Geraldão, Vaca Braba, Seu Pedrinho, Hunaldinho, Bebeta, Bosco Scafts, Zé de Filomena, Jeze, Dona Lucinda, Robertão, Carlinhos, Sêo Vavá da Safira, Alcides Melo, Mário Jorge, Agamenon, Pipiri, e, naturalmente, Mane Imbuaça.

O nome verdadeiro era Manoel Silva Alagoano, um tipo que vivia com uma tropa de jegues, fazendo “carrego” em areia lavada para fazer celão, uma espécie de barro que era utilizado em construções. Mané Imbuaça, como era conhecido, fazia biscates. Durante o dia saia logo cedo com a sua troupe de burricos. No final da tarde, todos os dias a cena se repetia: voltava bêbado, conduzindo trôpegamente seus fiéis jericos. O entardecer naquele pedaço de rua era sempre uma festa. Alcides Mello esse belíssimo compositor da música sergipana que hoje vive em Uberlândia, Minas Gerais é ainda quem traz na memória a mais completa tradução daquela (sua) gente. E daqueles momentos. Pipiri, um artista popular era a mais significativa expressão do “marginal” quase Madame Satã. Artista popular, ganhava trocados nas escolas imitando personagens da política, trens, animais. Conta-se que certa vez, ao final de uma apresentação no Colégio Patrocínio São José, como uma das Irmãs ao pagar o cachê dissera que parte do arrecadado iria para as obras de caridade, Pipiri sentiu-se lesado. Não perdeu tempo. Virou-se para o auditório e disse que ia imitar uma freira...bufando. Se bem que usou a outra palavra mesmo.

Mas o personagem é Mane Imbuaça. Nos finais de semana pegava um pandeiro e saia para cantar emboladas e acrescentar parcos vinténs ao pouco que lhe rendia a sua tropa de jegues. Era, no dizer de Alcides, improvisador dos melhores. Cantava e alegrava. Tinha um humor permanente, espirituoso, para tudo uma saída divertida. Certa ocasião Alcides levou Mane Imbuaça a um bar que era ao ar livre, o Mine Golfe, onde hoje está situada a sede da OAB. Era o ponit da época. Os jovens, nas mesas, aos sôfregos beijos, chamaram a sua atenção. Bêbado, Mané Imbuaça virou-se para Alcides e perguntou: “Ô Alcide, isso aqui é um cabaré destampado?”

Cabaré, na verdade, era a principal opção para a Aracaju boêmia entre os anos 50 e 70. Chante Clair, Beco dos Cocos, Mira Mar, Bambu... a maioria num lugar denominado Vaticano. Mas isto já é outra história. Um dia mataram Mane Imbuaça a pauladas. Lá se foi o artista, ficou só o nome, perpetuado no grupo que se iniciou como teatro de rua, num Festival de Arte de São Cristóvão, festival que em boa iniciativa do atual prefeito da velha Capital, Marcos Santana, será retomado neste mês de dezembro.

Hoje o nome Mané Imbuaça não diz mais nada do artista popular, miserável, bêbado, que morreu de forma trágica. Foi o seu nome que o hoje famoso grupo de teatro tomou emprestado quando se iniciou pela arte de rua (inicialmente o Imbuaça fazia o chamado “teatro de rua”). Nome de um artista do meio do povo, cuja história caberia muito bem como tema de uma das peças que fazem do Grupo Imbuaça, ao lado do teatro de Jorge Lins a melhor tradição da arte cênica sergipana. Mas o Mané Imbuaça sumiu como fumaça. Entrou por uma perna de pinto, saiu por uma perna de pato... Senhor Rei mandou dizer que agora, conte mais quatro. Histórias que a historiografia não conta. De uma Aracaju que o tempo deixou para trás.

(**) Luiz Eduardo Oliva, advogado, poeta e professor. Ex-secretário de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania.

(**) Artigo publicado no Jornal da Cidade edição de fim de semana (11 a 13 de novembro de 2017).

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Luiz Eduardo Oliva.

domingo, 12 de novembro de 2017

sábado, 11 de novembro de 2017

'O Grande Reizinho', por Petrônio Gomes

Foto reproduzida do site: acese.org.br e postada pelo
 blog SERGIPE..., para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no Facebook/Petrônio Gomes, em 10/11/2017.

O Grande Reizinho.
Por Petrônio Gomes.

Quando o Dr. Paulo Barreto governou nosso Estado, as estradas de Sergipe eram um modelo para o país. Gente simples mas conhecida de todos, estiveram compondo o seu governo, como Joaquim Barreto, João Andrade Garcez e outros. Houve também um comerciante que todos chamavam reizinho! por ser de pequena estatura, mas um modelo de simplicidade.

Eu trabalhava no Café Aragipe, que ficava próximo ao estabelecimentos de Alcides Vasconcelos. Só sei que um dia reizinho foi trazido de automóvel oficial para o seu estabelecimento, na certa por se encontrar substituindo alguém muito importante. O mais gostoso foi o fato de reizinho sair porta dos fundos do carro enquanto o chofer continuava perfilado, segurando a porta de onde ninguém saía. Sãos meus amigos de longa data, os Vasconcelos, que me perdoarão pelas palavras de simples carinho.

Texto reproduzido do Facebook/Petrônio Gomes/http://bit.ly/2AvpFaH

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Perdemos Robson Porto



Publicado originalmente no Facebook/Antonio Samarone.

Perdemos Robson Porto.
Por Antônio Samarone.

Acabo de receber a notícia do falecimento de Robson Porto, filho de seu Portinho. Robson era sobrinho de dona Josefa Porto, esposa de Othoniel Dórea, chefe político durante a República Velha em Itabaiana, e primo de Passos Porto.

Robson era um bom papo, referência de educação e urbanidade, memória privilegiada da vida Itabaianense. Robson era o goleiro das nossas peladas e torcedor do Confiança. 

Robson era casado com Jeane, filha de Seu João Carteiro. O sepultamento será hoje à tarde, em Itabaiana.

Requiescant in pace, meu amigo.

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Texto reproduzido do Facebook/Antonio Samarone.
Fotos Facebook/Ludwig Oliveira/Antonio Samarone.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

No Jardim de Raymundo


Publicado originalmente no Facebook/Amaral Cavalcante, em 20 de outubro de 2017

No Jardim de Raymundo.
Por Amaral Cavalcante.

Na sexta-feira passada, dei-me um presente digno de real embaixador, ao visitar o reino principesco de Raymundo Luiz da Silva, na Avenida Barão de Maruim.

O gentil’homem, guardião das mais profundas memórias desse Sergipe de elegantes políticos e fortunas históricas que se esvaem ao sabor da nossa indiferença, recebeu-me na porta da sua cidadela de cajado em punho e sorriso grato. Que entrasse!

Com a mão no meu ombro, ele me lavaria pelos corredores da casa aos seus domínios: uma aprazível construção no amplo quintal, iluminada pela luz inconfundível de tantos Aracajus gloriosos que ele guarda sob a sombra de um pé de manjelão, cioso da sua majestosa função de guardião de memórias.

Raymundo é a lembrança fiel de conquistas políticas e progressos no jornalismo, na literatura escorreita cultivada em crônicas certeiras, na implantação de benéficas ações na área da comunicação, do esporte, na vida social e no assessoramento intelectual a destacados agentes do poder político, em Sergipe.

Ao som do estridente trilili de dezenas de pássaros cantores que ele reconhece, a todos, por inusitada convivência e amorosos tratos, Raymundo me conduziu ao seu reino de amabilidades, ao seu papo gostoso de quem envelhece de bem com a vida e faz da sua memória um legado precioso demais para todos nós.

Conversamos com a sofreguidão de quem aguarda um naufrágio: eu, às pressas porque tinha compromissos bestas que nem valiam à pena; ele, senhor do tempo como se a eternidade já o liberasse de qualquer pressa.

O tempo foi pouco, mas juro que farei outras visitas como essa, para o bem da minha sanidade intelectual e refrigério de alma.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Amaral Cavalcante.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Você sabe quem foi Orlando Dantas?


Publicado originalmente no site Expressão Sergipana, em 27 de setembro de 2017

Você sabe quem foi Orlando Dantas?

De Redação

Orlando Vieira Dantas nasceu em Capela (SE) no dia 28 de setembro de 1900, filho de Manuel Correia Dantas, governador de Sergipe entre 1926 e 1930, e de Adelina Vieira Dantas.

Proprietário rural e empresário da agroindústria açucareira, formou-se em engenharia civil, no Rio de Janeiro (então Distrito Federal), em meados da década de 1920. De volta a Sergipe, em 1934 militou no Partido Social De­mocrático de Sergipe.  Em 1945, ingressou na União Democrática Nacional (UDN) e mais tarde na Esquerda Democrática, em cuja legenda ele­geu-se para a Assembleia Constituinte estadual em 1947. Mais tarde, filiou-se ao Partido So­cialista Brasileiro (PSB), fusão da Esquerda Democrática com outras correntes políticas, do qual foi um dos fundadores em Sergipe.

Deputado Federal (1951 - 1953).

Em outubro de 1950, elegeu-se deputado federal por Sergipe na legenda da Aliança Popular, coligação do PSB com o Par­tido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Social Progressista (PSP). Nesse mesma pleito, Getúlio Vargas foi eleito presidente da República. Deixando a Assembleia sergipana em janeiro de 1951, Orlando Dantas assumiu o mandato de deputado fede­ral no mês seguinte.

Em dezembro de 1951, Getúlio enviou ao Congresso um projeto propondo a criação de uma sociedade de economia mista, a Petrobrás, para a exploração do petróleo no país. Dantas participou do debate em torno do projeto como congressista e como homem de imprensa. Em maio de 1952, antes que o projeto começasse a ser discutido em plená­rio, o governo apresentou um requerimento de emergência aprovado posteriormente, ape­sar das manifestações contrárias da minoria, para o encaminhamento dos debates, de modo a evitar que o controle da matéria lhe escapas­se. Orlando Dantas declarou ser o requerimen­to suspeito, por estar em consonância com a campanha feita pela imprensa, financiada pela Standard Oil, visando a defesa de um projeto prejudicial à economia do país.

Na sessão da Câmara de 6 de junho, a UDN encaminhou um substitutivo assinado por representantes dos principais partidos po­líticos. Orlando Dantas o assinou pelo PSB de Sergipe. Este substitutivo apresentava como proposta a criação de uma empresa estatal (Empresa Nacional de Petróleo – Enape) e incorporava diversas sugestões feitas no me­morando enviado à Câmara, em maio de 1952, pelo Centro de Estudos e Defesa do Pe­tróleo e da Economia Nacional (CEDPEN), um dos principais promotores da campanha pelo monopólio estatal do petróleo.

Depois de muita discussão, o projeto original saiu da Câmara com alterações significati­vas.  Foram aprovadas emendas que tornaram mais nítido o controle do Estado na nova em­presa. Modificaram-se os dispositivos referen­tes à participação dos estados da Federação na distribuição da receita do Imposto Único sobre Combustíveis Líquidos e Lubrificantes.  Por outro lado, foram incluídos dispositivos relativos à participação dos estados produto­res nos resultados da atividade da empresa. A Petrobrás só viria a ser criada em 3 de outu­bro de 1953, através da Lei nº. 2.004, sancio­nada por Getúlio Vargas.

Líder do PSB na Câmara a partir de março de 1952, tentou a reeleição em outubro de 1954, dessa vez na legenda da Aliança Social Democrática – coligação do PSB com o Parti­do Social Democrático (PSD) e o Partido Re­publicano (PR).  Obteve apenas a segunda suplência e, deixando a Câmara em janeiro de 1955, a ela não retornou na legislatura seguin­te.

No pleito de outubro de 1962, elegeu-se quarto suplente de deputado à Assembleia Le­gislativa de Sergipe, na legenda do Partido Ru­ral Trabalhista (PRT), não chegando a exercer o mandato.  Com a extinção dos partidos polí­ticos pelo Ato Institucional n.º 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, tentou candidatar-se a senador em 1966 por Sergipe na legenda do Movimento Democráti­co Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instalado no país em abril de 1964, mas a agremiação não acolheu sua candidatura. Em 1968 ingressou na Aliança Re­novadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar.

Além de suas atividades no ramo açucareiro e na política, foi diretor-presidente da Gazeta de Sergipe, jornal de sua propriedade.

Faleceu em Aracaju no dia 9 de abril de 1982.

Era casado com Dulce Meneses Dantas, com quem teve quatro filhos. Um deles, Hélio Dantas, também seguiu a carreira política

Publicou O problema açucareiro em Sergi­pe (1944), Aspectos da política sergipana (1953), Análises da inflação no Brasil (2ª. ed., 1957), Movimento cultural de Sergipe, Pla­nificação econômica de Sergipe e A vida patriarcal em Sergipe (1981).

FONTES: CÂM.  DEP.  Deputados; CÂM.  DEP. Relação nominal dos senhores; CISNEIROS, A. Parlamentares, Grande encic.  Delta; NÉRI, S. 16; TRIB.  SUP.  ELEIT.  Dados (1, 2, 3 e 6).

Texto e imagem reproduzidos do site: expressaosergipana.com.br

domingo, 15 de outubro de 2017

Ilma Fontes e o Jornal "O Capital"


A fotografia de Ilma Fontes, no alto da página, é de autoria de Janaina Santos.
O escritor Jorge Domingos, residente em Petrópolis (RJ), tem em mãos o jornal O Capital.


Publicado originalmente no site Jornal o Boemio, em 14 de julho de 2017.

Ilma Fontes e o Jornal "O Capital"

Por Eduardo Waack

Ilma Fontes é figura legendária da literatura nacional, da nordestinidade e do jornalismo alternativo. Mulher tão forte quanto bela, partiu corações e fez muitos intelectuais reverem opiniões, embalados pela clareza de sua presença iluminada e rara. Não é figura fácil, defende suas posturas com a mesma firmeza com que acolhe amigos oriundos dos quatro cantos do planeta. Tenho o enorme prazer de conhecê-la há quase 27 anos, quando um dia recebi em minha casa, no final de 1991, um exemplar de O Capital. Meses antes, amigos comuns residentes em Pernambuco lhe entregaram a edição nº 09 de O Boêmio, jornal por mim editado.

Era um tempo em que as pessoas se escreviam longas cartas, que o correio postal entregava e eram aguardadas com verdadeira ansiedade. Não havia internet e nem telefones celulares, que diluem os afetos e afastam os seres, dando a falsa impressão que nos une a todos numa aldeia global. O mundo digitalizado sufocou os afetos e esfriou os carinhos. Com o mesmo carinho recebi cada uma das 276 edições de O Capital que Ilma gentilmente me enviou mensalmente. A alegria contagia toda a família, pois este valente jornal tem lugar cativo em minha residência, em cima do balcão que une a cozinha à sala. Sempre existe um exemplar de O Capital à disposição de quem chega em casa, e tê-lo à mostra me faz tanto bem quanto a felicidade de respirar sem precisar pagar. Ler Ilma é saber e sentir que estamos vivos e atuantes.

Por suas páginas passaram aplaudidos nomes da cena cultural brasileira, e pequenos grandes segredos tornaram-se públicos. Ilma vai até as últimas consequências para honrar seus compromissos e sua posição. Exemplar cronista, ela deixa o nome de Sergipe, e em especial sua querida Aracaju, em evidência no atlas nacional. Lembro-me das colunas de Newman Sucupira e Mano Melo, dos poemas de Ane Walsh, Maria Cristina Gama e Djanira Pio, da fresca elegância de Araripe Coutinho, suave como o perfume de flores silvestres. Lembro-me de Rosemberg Filho e Lapi, viajo com Henry Jaepelt e Márcia Guimarães. E sou leitor assíduo dos 24 Comentários de Jorge Domingos. Ilma é a nossa grande mãe, nossa mestra, irmã e musa inspiradora. Aonde ela vai, vamos todos nós. Seus editoriais reunidos são literatura da melhor qualidade.

E assim seguimos esta batalha num intenso intercâmbio. Somos resistentes ao ordinário, o que fazemos é cultura popular independente e evolucionária. O destino nos uniu. Como me disse certa vez na Universidade de São Paulo o poeta concretista Augusto de Campos, referindo-se a Haroldo, somos irmãos siamesmos. A primeira edição de nossos jornais foi publicada em 26 de junho de 1991, no mesmo dia, mês e ano. O Capital para mim é referência obrigatória, é tendência, vanguarda e história. Ele me guia como um pastor conduz suas ovelhas. Procuro dialogar com O Capital e resolver os enigmas por Ilma propostos. E tenho em mente uma certeza. Enquanto existir O Capital e Ilma Fontes, eu sigo editando O Boêmio. Um dia sei que não estaremos mais aqui. Porém fizemos a nossa parte, estamos fazendo, acertando e errando, da melhor maneira possível. Ilma é a serena lua cheia que cruza os céus da poesia, e ilumina os apaixonados na longa noite latino-americana. Ilma Fontes sou eu, eu sou Ilma Fontes.

Texto e imagens reproduzidos do site: jornaloboemio.wordpress.com

A voz sergipana no The Voice Brasil 2017


A voz sergipana no The Voice Brasil 2017

"Se o canto fizer bem pra minha alma, vai fazer também na de quem me ouve"

Só bastou a aparição dele soltando os trinados com propriedade musical, segurança, descontração e muita ginga, para todas as atenções se voltarem pra ele, sem falar da cobiça dos quatro técnicos experts em música: 'Ivete Sangalo', 'Lulu Santos', 'Carlinhos Brown' e 'Michel Teló', todos lutando entre si querendo atraí-lo para o time deles.

Lógico que estou falando de 'George Sants', a nova revelação da música em nosso Estado, e primeiro artista sergipano a furar o cerco e conquistar uma classificação na batalha musical do pra lá de concorrido programa "The Voice Brasil", da Rede Globo.

'George' tem 29 anos de idade e é natural da cidade de Boquim, onde desde a infância, ouvindo sua mãe cantar enquanto lavava as roupas dos outros quatro filhos, demonstrou especial afinidade com a música e se encantou totalmente por ela.

Ele começou a cantar na igreja ainda criança. Aos 16 anos ingressou no 'Grupo Vocal Sírius', conjunto de expressão no cenário da música gospel sergipana. Participou de alguns trabalhos como backing vocal em grandes eventos, teve aparição em programas de TV e Rádio, e também gravou CDs com músicos do seguimento gospel, o que gerou certa visibilidade e introduziu a participação dele em festas de casamentos, aniversários, entre outros eventos sociais.

Para ampliar o seu trabalho, formou a parceria "Sina Casamenteira", com foco na união de vários cantores e instrumentistas para apresentações diversas. Iniciou os curso de Administração, Letras Vernáculas e Ciências Atuariais, mas ainda não concluiu nenhum deles, pois, segundo ele: "A arte fala com mais força!".

Agora, neste ano de 2017, foi selecionado para participar do programa "The Voice Brasil", sendo o primeiro e único sergipano a representar o Estado na edição do programa veiculado pela 'vênus platinada'. Cantou, encantou, emocionou e seduziu os jurados, a ponto de todas as cadeiras se virarem para ele, quando escolheu 'Ivete Sangalo' como sua técnica.

O BACANUDO.COM, primeiro espaço que divulgou a apresentação de 'George Sants' no televisivo, atraindo assim toda a atenção dos sergipanos para frente da telinha, todos emanando boas energias ao candidato, sai mais uma vez na frente e bate um papo descontraído com o promissor artista, que sem dúvida alguma dará muito o que falar e se projetará nacionalmente, pois talento e determinação é o que não lhes falta. Acompanhe e permaneça na torcida!

BACANUDO - Quando percebeu o dom para a música?
GEORGE SANTS - Todas as manhãs, muito pequeno, quando eu acordava, gostava de ficar encostado na porta do quintal ouvindo minha mãe lavando roupa e cantando. Eu achava lindo! Ela me despertou pra esse lado da música. Quando comecei a frequentar os cultos da igreja foi que comecei a cantar de verdade.

BACANUDO - Quais foram os primeiros passos que você deu na carreira?
GS - Eu participei de gravações de alguns CDs de amigos fazendo backing vocal, depois ingressei no 'Grupo Vocal Sírius', gravei um CD com eles e me apresentava nas igrejas.

BACANUDO - Quem são os artistas que lhe influenciaram e servem de inspiração até hoje?
GS - Eu costumo dizer que eu gosto de música boa, não importa o seguimento ou o artista. Se a música me fala algo positivo, se a melodia mexe comigo, escuto. 'Leonardo Gonçalves', 'Tracy Chapman', 'Celine' sempre me inspiraram!

BACANUDO - Quais as dificuldades para se viver exclusivamente de música em Sergipe?
GS  - Eu sempre tive empregos fixos e levava a música em segundo plano no quesito cantar como profissão. Então, eu não posso falar que experimentei grandes dificuldades. Só que a gente conhece algumas realidades. Quem se conforma não sai do lugar.

BACANUDO -  O que você acha ser preciso para se tornar em um cantor de sucesso nacional?
GS - O segredo do sucesso universal, quando a gente quer ser real, é ter gente boa por perto, experimentar parcerias, firmar os pés no chão, não se deslumbrar, ser pro mundo o que a gente é na intimidade.

BACANUDO - Como é feita a escolha do seu repertório e o que gosta de interpretar?
GS - Gosto muito de fazer releituras de músicas de outras épocas e de cantar sobre temas positivos! A música, pra mim, tem função terapêutica! Na montagem do repertório eu tento mesclar o que as pessoas estão ouvindo com esses princípios aí. Se o canto fizer bem pra minha alma, vai fazer também na de quem me ouve.

BACANUDO - É mais difícil cantar em português ou em língua estrangeira?
GS - No programa, participante e produção escolhem as músicas que melhor se encaixam com o nosso jeito de cantar. Cantar em língua estrangeira é mais complicado por causa da falta, talvez, de convivência com determinada língua, mas não deixa de ser um ótimo exercício de memória musical.

BACANUDO - Como surgiu a ideia de participar do "The Voice Brasil"?
GS - Surgiu em casa, de pijama, sentado no sofá! Fui ver o que aconteceria se eu mandasse um vídeo e deu no que deu!

BACANUDO - Você se deparou com algum obstáculo? Se aconteceu, qual foi?
GS - A gente sempre tem pedras no caminho, mas eu não posso reclamar. Obstáculos tornam a gente mais forte!

BACANUDO - O que muda daqui pra frente para 'George Sants' a partir dessa classificação no icônico programa?

GS - Na minha essência, nada. Na minha mente,  ganha proporção a vontade de estudar e me dedicar cada vez mais à música.

Foto de Jandson Vieira

Texto e imagem reproduzidos do site: bacanudo.com