quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Em cordel, Chiquinho do Além-Mar exalta belezas de Sergipe

Chiquinho do Além-Mar lança livro ‘Sergipe e seus encantos’ 
Foto: Portal Infonet

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 28/11/2018  

Em cordel, Chiquinho do Além-Mar exalta belezas de Sergipe
                            
O escritor Chiquinho do Além-Mar fez o lançamento, na noite desta quarta-feira, 28, da sua nova obra, o livro ‘Sergipe e seus encantos’. Nele, são retratados os atrativos turísticos do estado no formato de cordel, destacando as belezas naturais e o patrimônio sergipanos.

O autor traz, em formato literário, características de locais marcantes de Aracaju e cidades do interior, como a Passarela do Caranguejo, Orla da Atalaia, praça Fausto Cardoso, Colina do Santo Antônio, Parque da Cidade e Crôa do Goré, praça São Cristóvão, no município histórico, e a cidade de Laranjeiras.

Para Chiquinho, “Esse trabalho já tem uma boa aceitação, está adotado em 14 escolas para ser material paradidático no ano que vem. Esperamos que a sociedade sergipana e as pessoas do meio do turismo façam essa parceria para divulgar nossos atrativos. Sou nativo da Praia da Atalaia, vendia queijo, então sempre quis contribuir com o turismo. Coloquei toda essa temática na cantiga de cordel. Nossa grande meta é contribuir”, celebrou.

O livro já está disponível nas principais livrarias da capital.

Por Victor Siqueira

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Morre aos 66 anos Jorge Ribeiro (1952 - 2018)

Foto reproduzida do site universopolitico.com.br e postada pelo blog 'SERGIPE...'

Texto publicado originalmente no Facebook/Manú Santiago, em 27/11/2018

NOTA DE FALECIMENTO

Faleceu na tarde de hoje (27/11), por volta das 15h, o empresário e digital influencer Jorge Ribeiro.

Velório: hoje (27/11), a partir das 20h na Osaf na rua Itaporanga em Aracaju.

Sepultamento: amanhã (28/11), às 10h no Cemitério Santa Isabel.

Jorge estava perdendo peso muito rápido. O câncer no pâncreas já estava avançado.

Recentemente ele postou que faria uma cirurgia. Esta cirurgia era para desobstruir o intestino.

Estava em casa, em plena recuperação, consciente e positivo. Mas hoje não acordou bem e veio a falecer.

Texto reproduzido do Facebook/Manú Santiago

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Duas vezes imortal!

Foto: Sergio Silva

Publicado originalmente no Facebook/Lucio Prado Dias, em  20/11/2018 

Duas vezes imortal!
Por Lucio Prado Dias

Já participando da Academia Sergipana de Medicina desde 2005, como membro titular da Cadeira 38, que tem como patrono o Dr. Walter Cardoso, o médico, professor e mais recentemente escritor de literatura não científica Antônio Carlos Sobral Sousa, assume logo mais à noite a Cadeira 28 da Academia Sergipana de Letras, na sucessão do eminente e saudoso Dom Luciano José Cabral Duarte. A solenidade de posse acontecerá às 20 horas, no Iate Clube de Aracaju.

Por coincidência das grandes, a Universidade Federal de Sergipe presta hoje uma singela homenagem ao saudoso arcebispo emérito de Aracaju, colocando o seu nome na Biblioteca Central da instituição, uma homenagem muita justa para uma pessoa que foi fundamental para a criação e instalação da nossa primeira universidade pública.

É lamentável que a infiltração ideológica da esquerda partidária nas universidades públicas brasileiras fizesse de tudo para apagar da memória a lembrança do prelado, em função de suas posições conservadoras, ditas "de direita".

Muito triste que isso tenha acontecido, mas aos poucos Sergipe vai colocando o seu nome em posição de destaque, conferindo-lhe o verdadeiro valor que merece!

Pois bem. O Dr. Sousa vai suceder justamente o arcebispo emérito de saudosa memória, tornando-se agora imortal duas vezes.

Nascido em 5 de junho de1955 em Aracaju, filho de José Carlos de Sousa e Clara Maria Sobral Sousa, o Dr. Sousa foi favorecido na sua formação por contar com um lar amoroso e de educação rígida, baseada nos princípios do estudo, da ética e da meritocracia. Isso propiciou ao jovem uma larga formação moral e intelectual que o acompanha por toda a vida.

Formado em Medicina pela Universidade Federal de Sergipe em 1979, cursou o Internato na Brown University - Rhode Island – EUA, instituto que lhe deu régua e compasso para a brilhante carreira que viria a ter na área da cardiologia clínica e como destacado pesquisador e professor dos cursos de graduação e pós-graduação do Curso de Medicina da Universidade Federal de Sergipe.

Uma vida plena de trabalho e grandes realizações, apesar da pouca idade, entendeu logo cedo que o tempo é um bem insubstituível e irrecuperável, como ressaltou o saudoso e inolvidável mestre José Augusto Barreto, no seu discurso de saudação ao neoacadêmico que tomava posse na Academia Sergipana de Medicina, em 18 de agosto de 2005.

O inesquecível professor, médico e escritor Walter Cardoso, patrono da Cadeira 38 da Academia de Medicina, que que dá assento hoje ao ilustre cardiologista, costumava dizer: “ - O médico é o servidor da vida, o missionário da bondade.(...) tem nas mãos o maior dos privilégios: praticar o humanismo integral pelo saber, compreensão, paciência e humildade”.

Como cultor dos grandes mestres, o confrade Antônio Carlos Sobral Sousa assume a posição de um deles e se enquadra perfeitamente na definição de Theodor Billroth, cirurgião e músico, grande amigo e parceiro do compositor do Johannes Brahms, que dizia: “Jamais conheci um grande nome da pesquisa científica que não seja essencialmente um artista com uma rica fantasia e sensibilidade infantis. Agora percebo...ciência, arte e literatura jorram da mesma fonte.”

O médico Antônio Carlos Sobral Sousa estreou na literatura não científica com o livro Entre linhas de minha vida, recentemente lançado numa prestigiada noite de autógrafos, abrindo de pronto o coração para nos revelar traços marcantes de sua vida.

Já sobejamente consagrado no panteão científico, onde pratica os postulados de Cardoso, um humanismo integral pelo saber, compreensão, paciência e humildade, ganha agora as letras sergipanas um novo e destacado militante, com a sua entrada na Academia de Letras.

Seja bem-vindo à confraria!

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Lucio Prado Dias

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Vamos louvar a quem merece...


Publicado originalmente no Facebook/Antonio Samarone, em 20 de outubro de 2018

Vamos louvar a quem merece...
Por Antônio Samarone

A turma do Arquidiocesano que completou 40 anos da conclusão do segundo grau, fez uma festa. Professores e a direção do Colégio foram convidados. Eu ensinava biologia. A atração foi a presença do diretor, o Cônego Carvalho.

Numa breve retrospectiva, o Cônego José de Carvalho Souza dirigiu o Arquidiocesano por cinquenta anos. Em 2012, foi afastado de forma abrupta pela Diocese. O Colégio nunca mais foi o mesmo.

O conservador Cônego Carvalho dirigia o Colégio democraticamente. Reinava um clima de liberdade, do livre pensar e do respeito as divergências no Colégio.

Durante a revolução de 1964, alguns alunos foram expulsos do Colégio Atheneu, acusados de subversão. O Cônego Carvalho abriu as portas do Arquidiocesano para recebe-los: Wellington Mangueira, Abelardo Souza e o poeta Mario Jorge (irmão da deputada Ana Lúcia). Não foi pouco!

Quando ingressei no Colégio, com professor de Biologia, fiquei preocupado. Como ensinar a Teoria da Evolução, claramente materialista, num colégio de padres? Estávamos na década de 1970, e a biologia moderna, cientifica, ainda era uma novidade nos livros didáticos.

Procurei o Cônego Carvalho, para saber a orientação do Colégio. Eu precisava do emprego. Expus o problema: padre, a biologia tem uma visão sobre a origem da vida e a sobre evolução que contrariam a doutrina cristã, o que fazer? O Cônego Carvalho foi sucinto: o senhor ensine biologia, que eu ensino o catecismo.

O corpo docente era infestado de esquerdistas, líderes estudantis, isso em plena ditadura. O padre sabia, mas o que cobrava é que fossemos bons professores. O Cônego Carvalho valorizava os professores. Era acessível, dialogava com os alunos. E foi um pioneiro no fortalecimento do esporte estudantil.

O Colégio Arquidiocesano foi um grande colégio, em grande parte, devido a dedicação e competência do Cônego José de Carvalho Souza. Foi o eu que ouvi dos ex-alunos, após 40 anos. Eu subscrevo!

blogdesamarone.blogspot.com

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Morre ex-presidente da CDL, Carlos Henrique Nascimento


Publicado originalmente no site F5 News, em 01/11/2018 

Morre ex-presidente da CDL, Carlos Henrique Nascimento

Sepultamento ocorre hoje na Colina da Saudade, às 16h  

Morreu na madrugada desta quinta-feira (01), o ex-presidente, empresário do ramo hoteleiro e livraria, Carlos Henrique Soares Nascimento, que presidiu a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) no período de transição democrática do Brasil, de 1983 a 1985.

A sua administração foi marcada pelo fortalecimento e melhoria do Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) em Sergipe, atuando também como um pregador da gestão mútua e unificada entre os empresários do comércio, quer enfrentavam grandes dificuldades à época.

As diretorias da CDL/Aracaju e da FCDL/Sergipe, por meio dos seus respectivos presidentes, Brenno Barreto e Edivaldo Cunha, expressam suas condolências e sentimentos de pesar à família enlutada, ao tempo que reconhecem os grandes e inestimáveis serviços prestados à classe lojista por Carlos Nascimento, na condição de presidente da entidade, e ou atuando como diretor em algumas gestões da CDL.

A CDL informa que o velório já ocorre a partir deste momento no cemitério Colina da Saudade, conjunto Santa Lúcia, com enterro previsto para 16h de hoje, 01 de novembro, no referido local.

Fonte: Ascom CDL

Texto e imagem reproduzidos do site: f5news.com.br

sábado, 27 de outubro de 2018

"Perfis Acadêmicos" de J. Anderson Nascimento


Publicado originalmente no blog Academia Literária de Vida, em 22/10/2018 

"Perfis Acadêmicos" de J. Anderson Nascimento

O livro manterá para sempre a memória acadêmica sergipana registrada em primeira mão.

Uma das últimas publicações do escritor e presidente da Academia Sergipana de Letras (ASL) – José Anderson Nascimento - com o título “Perfis Acadêmicos”, traz um manancial de dados, fruto de uma grande pesquisa, desde seus fundadores até os atuais ocupantes das quarenta cadeiras que formam o Sodalício. A obra com 757 páginas, impressa pela SEGRASE – Serviços Gráficos de Sergipe, inicia com o Prefácio escrito pelo notável escritor Jackson da Silva Lima. Já temos luzes sobre a criação da Hora Literária, em 17 de julho de 1927, que inicia com 17 membros, e vamos entendendo que todo agrupamento tem seus conflitos, mas há a hora de conciliação ou então, cada um segue seu caminho. A Hora Literária ao passar efetivamente à Academia Sergipana de Letras, engloba o Estatuto, as cadeiras, os patronos e seus respectivos acadêmicos, mesmo registrando algumas mudanças.

Anderson Nascimento, abre a introdução com a frase de Machado de Assis – “Uma Academia tem de ser integrada por três espécies: literatos, personalidades - para conferir visibilidade à instituição - e jovens para trazer alegria”. É isso que temos na ASL: escritores, poetas, historiadores, jornalistas, professores, advogados, políticos e jovens estudantes encantados pela literatura.

O autor produziu, realmente, uma obra didática. Leitura para todos que gostam de ler, base para conhecimento e fonte de pesquisa para qualquer pessoa interessada em literatura, nos escritores sergipanos e suas obras.

É instigante a narrativa do escritor pois ele conduz tudo com descrição de fatos, datas e textos de obras. Vamos conhecendo a história desde aquele 17 de julho, a chegada de cada membro, a lista de patronos, suas cadeiras, seus embates, alguns textos dos escritores, a mudança para Academia Sergipana de Letras, o aumento de cadeiras (agora 40) trazendo biografias dos 171 membros entre patronos, fundadores, sucessores e atuais ocupantes. O livro manterá para sempre a memória acadêmica sergipana registrada em primeira mão. Interessante observar que 5 cadeiras só foram ocupadas por 3 acadêmicos; 23 por 4; 8 por 5 e 4 por 6 acadêmicos.  Assim cada uma das cadeira vai nos trazendo nomes de escritores, poetas ilustres que deixaram obras marcantes no Estado e além fronteiras.  Há uns não tão famosos mas, se reconhece que de alguma forma deram à Academia o apoio em benefícios estruturais e promocionais, por isso o reconhecimento aos mecenas. O livro tem leitura para muitos dias. Outro livro que deve ser bem recebido é das suas pesquisas sobre as ruas e avenidas de Aracaju como existiam no passado. Seguindo listas de endereços antigos, ele descreve os casarões, estabelecimentos comerciais, pontos pitorescos, e seus proprietários, fazendo-nos relembrar ou conhecer personalidades que marcaram a vida aracajuana. Pesquisa abrangente e que lhe custou  anos, à procura de contato com pessoas ainda residindo no local ou vizinhos e parentes dos falecidos, inclusive, a tentativa em recuperar velhas e grossas listas telefônicas...

A professora e escritora Maria Lígia Madureira Pina (que ocupou a cadeira n. 27 por 19 anos -1995/2014) e era vice-presidente quando faleceu) costumava elogiar Anderson pela persistência e dedicação à Academia. Assim, ela procedeu para com a Academia Literária de Vida que fundou. Que ninguém criticasse nada da ASL, pois ela tinha sempre palavras ponderadas e incisivas para defender e principalmente tratando-se de Anderson. E realmente, ele fez muito ao longo de suas gestões, quase a completar uma década. Reativou e fez crescer o número de acadêmicos correspondentes; reformou o prédio (encontrou caidaço!!!); instalou um auditório, sala de reunião, copa e escritório completos; renovou móveis no ambiente de lançamento dos livros; reabilitou a biblioteca e procura informatizar o arquivo. Mantém funcionários nos setores. Vem batalhando já algum tempo para instalar um elevador, o que ajudaria muito nas visitas de pessoas idosas à Biblioteca. Para isso continua buscando apoio, doações e conquistando parcerias. Também firmou vários convênios com faculdades do Estado e de São Paulo, com secretarias de Estado, inclusive é curadora do Espaço Formadores da Nacionalidade e do Espaço de Convivência Cultural, localizado na Orla de Atalaia, visando incentivar a divulgação e o conhecimento das obras artísticas ali existentes. A Academia distingue personalidades de méritos relevantes com a Medalha do Mérito Cultural Silvio Romero - a mais alta condecoração da ASL - e outras placas honoríficas Ofenísia Freire (Cultura); Orlando Dantas (Jornalismo); Horácio Hora (Artes Plásticas); Marcos Ferreira de Jesus (Política). Ao lado de tudo isso, cultiva a herança deixada pelo ex-presidente Antônio Garcia Filho, o Movimento de Apoio Cultural – MAC. O apoio tornou-se escola para futuros acadêmicos. Dali muitos escritores receberam incentivo e forças para pleitear uma cadeira na Academia. Hoje está mantido com o nome de Movimento Cultural Antônio Garcia Filho (uma homenagem ao fundador), reunindo vinte membros. A Academia retomou a publicação da Revista, cujo primeiro número data de 1931 e vem publicando periodicamente, um Boletim Informativo muito bom, cujos coordenadores editorias são os membros do MAC: Lúcio Antônio Prado Dias e Claudefranklin Monteiro, e a acadêmica Luzia Nascimento é a jornalista responsável.

Dizem os fracos de ideias que uma academia literária só serve para bate papos e cafezinhos, outros, mais radicais, que não servem para nada. Já sabemos aonde vai dar quem não gosta de ler, não aprecia o estudo e não zela pela educação. Bendita seja ASL! Bem aventurados sejam seus ocupantes! Por muitos e muitos anos.

Parabéns Anderson Nascimento pelo belo e importante livro “Perfis Acadêmicos”.

Aju, abril/2018
Shirley Maria Santana Rocha
Presidente da Academia Literária de Vida
___________________________
Vejam mais:  https://seer.ufs.br

Texto e imagem reproduzidos do blog: academialiterariadevida.blogspot.com

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Lourival, o primeiro governador do regime militar

Foto reproduzida do portal.unit.br e postada pelo blog 
para ilustrar o presente artigo

Foto reproduzida do site pt.wikipedia.org e postada pelo blog
 para ilustrar o presente artigo

Texto publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 22 de outubro de 2018

Lourival, o primeiro governador do regime militar

Por Marcos Cardoso 

O primeiro governador sergipano indicado pelo regime militar foi Lourival Baptista, cujo aniversário de nascimento aconteceu neste mês. Ele foi um importante político sergipano que poderia ser lembrado pela habilidade e astúcia, pela popularidade e pela capacidade de realização, mas ficou marcado pela associação do seu nome aos militares.

Lourival soube tirar proveito da ditadura para crescer como homem público. Na linguagem popular atual, ele se deu bem. Mas a sua biografia não pode ser resumida a isso.

Baiano do quase vizinho município de Entre Rios, onde nasceu em 3 de outubro de 1915, Lourival chegou a Sergipe em 1943 para trabalhar como médico. Veio exercer sua profissão na Fábrica de Tecidos São Gonçalo, em São Cristóvão, a convite de Augusto do Prado Franco, da família proprietária da indústria, de quem tinha sido colega na Faculdade de Medicina da Bahia. Já chegou casado com dona Hildete Falcão Baptista, com quem teve quatro filhos.

Revelando-se hábil político, com o apoio do colega udenista soube aproveitar os ventos favoráveis do fim da ditadura Vargas para eleger-se deputado estadual em 1946. Em 1950, elegeu-se prefeito de São Cristóvão e, em 1958, conquistou o primeiro de dois mandatos consecutivos de deputado federal.

O golpe de 1964 lhe foi favorável. Já escolado nas artes e nas artimanhas da política, em 1966 deu o seu próprio golpe de mestre. A sucessão estadual daquele ano transcorria da forma como preceituava o Ato Institucional n° 2, ou seja, a Assembleia Legislativa de cada estado escolheria três nomes que seriam submetidos ao voto decisivo do presidente Humberto de Alencar Castello Branco.

Na lista tríplice de Sergipe constavam os nomes do ex-governador Leandro Maynard Maciel, do ex-governador e então deputado federal Arnaldo Garcez e do empresário Augusto Franco, que até então não tinha ocupado cargo público.

A história nunca esclareceu os argumentos apresentados por Lourival Batista, mas ele conseguiu passar a perna nos três fortes candidatos, convencer o marechal presidente e acabar sendo ungido governador de Sergipe, cargo que ocupou a partir de 31 de janeiro de 1967, tendo como vice-governador o advogado e professor da Universidade Federal de Sergipe, Manoel Cabral Machado.

Dizem que o amigo Luiz Viana Filho, ministro de Castelo e que governou a Bahia no mesmo período, foi peça fundamental no convencimento do presidente. Naquele mesmo ano de 1966, Leandro Maciel foi eleito senador e Augusto Franco foi eleito pela primeira vez deputado federal, todos pela Arena, o partido oficial do governo.

Primeiro governador nomeado pelos generais — os outros foram Paulo Barreto de Menezes, José Rollemberg Leite e Augusto Franco —, o que se sabe é que Lourival Baptista manteve uma relação muito próxima, que alguns consideram até de bajulação, com os militares.

Enquanto durou o regime, é de conhecimento público os mimos que ele fazia às autoridades em Brasília, a quem levava com frequência presentes regionais típicos, como os sorvetes de mangaba da Cinelândia, a mais famosa sorveteria de Aracaju na época. Se teve relação direta com as arbitrariedades do regime militar é algo que a Comissão da Verdade pode esclarecer.

Mas graças a essa relação de proximidade e ao bom momento econômico vivido pelo Brasil no período, Lourival conseguiu fazer um governo operoso, realizador de obras importantes, como o Edifício Estado de Sergipe, uma espécie de centro administrativo que ficou conhecido com o nome de Maria Feliciana. Com 28 pavimentos, é até hoje o maior prédio construído no Estado e do alto do qual, diz a lenda, ele gostaria de avistar a sua querida São Cristóvão.

Construiu o estádio de futebol que ainda é a principal praça de esportes local — inaugurado no dia 9 de julho de 1969 com a Seleção Brasileira comandada por Pelé, que venceu a Seleção Sergipana por 8 a 2 —, a rodovia ligando a BR-101 a Lagarto e um teatro no bairro Getulio Vargas, todas as obras batizadas com o seu nome. Também se chama Lourival Baptista um conjunto habitacional no bairro Capucho.

Além de construir casas, estradas e escolas, ele ampliou a presença da Chesf no Estado, criou o Distrito Industrial de Aracaju, trouxe um escritório da Petrobras para Sergipe e implantou o Tribunal de Contas do Estado. Nas palavras do historiador Ibarê Dantas, ele foi um “administrador operoso e conciliador”, tendo atuado em um contexto favorável.

Lourival governou até o dia 14 de maio de 1970, quando se afastou para disputar o Senado. Ocupou a câmara alta por três mandatos, de 1971 a 1994, sendo que o segundo mandato de senador não foi conquistado nas urnas, mas por indicação.

Ele foi um dos senadores biônicos, parlamentares eleitos indiretamente por um Colégio Eleitoral por obra e graça do Pacote de Abril de 1977, que foi uma resposta dos militares ao resultado das eleições anteriores, de 1974, quando a grande maioria das vagas do Senado em disputa foi conquistada por políticos do MDB. Em Sergipe, o jovem médico Gilvan Rocha foi a surpresa que derrotou nas urnas o experiente Leandro Maciel.

Mas na eleição de 1986, Lourival reelegeu-se para o último mandato de senador. No derradeiro pleito eleitoral que disputou, em 1994, perdeu a vaga para o petista José Eduardo Dutra. O velho político morreu em Brasília quase 19 anos depois, no dia 8 de março de 2013, aos 97 anos.

Nas palavras do então governador Marcelo Déda, foi um homem que ao longo de sua trajetória aportou contribuições para o desenvolvimento de Sergipe, “seja como médico de fábrica atendendo aos operários em São Cristóvão, no começo da sua carreira política, seja como senador que se destacou pelo combate ao fumo, chamando a atenção da nação brasileira para as consequências nefastas do tabagismo para a saúde pública, seja no período quando governou o Estado e teve a oportunidade de edificar obras públicas que até hoje são utilizadas pelos sergipanos”.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Cantor sergipano Pedrinho Rodrigues (1934 – 1996)


Publicado originalmente no Facebook/Mario Sergio Felix, em 15/10/2018

"No mês de Outubro, o grande cantor sergipano Pedrinho Rodrigues, estaria comemorando 84 anos. Ele nasceu no dia 13 de outubro de 1934.

 Sem dúvida nenhuma, não é dito por mim, mas, por aqueles que o viram cantar, aliás, o viram Interpretar! Pedrinho figura como um dos maiores intérpretes do samba brasileiro. Pedrinho nasceu em Aracaju, porém, fez a sua carreira toda no Rio de Janeiro.

Ao lado do organista Ed Lincoln, Orlandivo e Silvio César, Pedrinho embalou as noites cariocas. Quando deixou o grupo de Ed Lincoln e seguiu carreira solo, foi um dos mais aplaudidos sambistas brasileiros. Fez parte também, da Boite do Sargentelli,” Oba Oba”.

 Era integrante da Ala decompositores da Portela e participou com muito sucesso da criação da "Turma da Pilantragem"!O intérprete de samba preferido de Baden Powell. Como dizem no Rio de Janeiro, a “Verdadeira Voz do Crooner Brasileiro”.

 Seu disco de samba, lançado em 1962, denominado “Tem Que Balançar”, recebeu os melhores elogios, sendo referenciado como melhor disco de samba lançado naquele ano...

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Mario Sergio Felix

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Um atestado de gratidão a Antônio Carlos Franco

Foto: Arquivo JC

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 03 de outubro de 2018

"Éramos amigos"

Um atestado de gratidão a Antônio Carlos Franco

Por Thaís Bezerra 

"Já são 15 anos de uma gigante saudade! Como é difícil falar sobre o que ACF representou na minha vida profissional. As palavras não expressam a profundidade da minha gratidão. Foram 22 anos trabalhando junto com uma figura tão forte e inesquecível, que escrever sobre ele ainda me emociona... Gostaria de escrever algo marcante como ele o foi na minha vida, mas vou escrever com a gratidão de ter tido o privilégio de tê-lo como meu amigo. E como ele faz falta não só a mim, mas a todos nós do JC.

O coração dispara, os olhos ficam molhados, as lembranças bem vivas, levam-me àquele ano de 1981, quando fui chamada por ele para uma reunião no escritório da Usina Pinheiro. Fiquei ansiosa pelo encontro, pois eu iria conversar com aquele que era exemplo de caráter, de empresário competente, vitorioso e, além de tudo, de um charme irresistível. Sonhei um sonho impossível, e ele se tornou realidade. Fui convidada para trocar de jornal. A Gazetinha era um sucesso, e ele, com sua visão grande angular na comunicação, fez uma proposta irrecusável e eu fiz a minha estreia no Jornal da Cidade em grande estilo: um caderno só meu e com meu nome na capa. Foi a glória!!!

E aí começou uma longa caminhada... Vencemos inimigos invencíveis juntos – o colunismo tem os seus espinhos, os oportunistas, os chatos - e, graças aos seus ensinamentos, venci todos. E continuo vencendo com a leitura fiel dos meus leitores todos os domingos. Ele era exigente, correto, e a cada reunião de trabalho queria sempre mais. Que a cada domingo eu aumentasse o caderno, registrasse mais fatos, escrevesse mais notas, acompanhasse as gerações, criasse polêmica, falasse de tudo e de todos, mas sempre baseada na verdade. Se fosse uma nota picante, colocasse e desse sempre o molho necessário para a discussão. Ele me dava força e fôlego para continuar. Com total liberdade de escrever o que eu quisesse, sem censura. Ele me instigava a crescer e ampliar meu espaço como colunista. Nesse ponto entrava as notas políticas que ele reafirmava: “Thaïsinha, noticie todos os fatos políticos de todos os partidos”. Não media esforços para me ajudar, para galgar novos degraus na profissão com coragem e sem culpas. E nunca passou a mão na minha cabeça.

ACF não tinha idade para ser meu pai, mas agia como tal. Ensinou-me no colunismo a me fazer respeitar, a ganhar dinheiro valorizando o meu espaço fazendo a parte publicitária do Caderno TB. Aprendi a correr atrás, a criar cadernos especiais para faturar além do salário de jornalista e, graças ao seu apoio e incentivo, fui vencendo sempre, crescendo a cada ano com muito suor e dedicação, e bastante consciente do mundo em que vivo. Eu conquistei o meu espaço. Ele dizia que glamour e spothlights fazem apenas parte do cenário em que sou personagem, e queiram ou não fundamentais. Mas que o que é válido mesmo é o nosso conteúdo como pessoa. Ele sabia quem eu sou! A verdadeira “Thaïsinha gente boa”, como costumava falar. O resto é lenda...

A fortuna e o poder de vários amigos com quem eu convivo nunca me intimidaram a ser natural e a não me deslumbrar. Durante todos os anos de convívio fui grata a ACF pelos conselhos e ponderações na hora certa. Dicas preciosas de alguém que me queria bem. Íntegro, super família, que tinha na esposa, Tereza, e nos filhos, Albano, Marcos e Osvaldo, o seu eixo, a sintonia de vida. E que também sempre me deram carinho e atenção como ACF. Vivi e vivo com os pés no chão, com gratidão aos que me deram apoio. ACF sempre me permitiu falhar e renascer mais forte, mais audaciosa e menos agressiva. Afinal, em 22 nos de convivência, a gente abre o coração. Existiu até um pouco de ciúmes nos bastidores do JC, pois alguns baluartes do jornalismo achavam que eu era protegida por ele, que sempre me chamou carinhosamente de “Thaïsinha”. O que ouviam dele como resposta é que eu era profissional, responsável e trabalhadora.

Não foi à toa que, no ano 2000, ao igualar o JC aos grandes jornais do mundo inteiro em modernidade e tecnologia, para valorizar a sua equipe de trabalho, me convidou a fazer parte do Conselho de Redação do jornal e os demais membros à época, Luiz Eduardo Costa, Osmário Santos e Hugo Costa, com a presença de ACF, fui eleita a diretora deste Conselho, ao lado dos grandes. Que honra!

Portanto, quero deixar aqui o meu atestado de gratidão a ACF, pelo que sou hoje como profissional, recheado de carinho e saudade da sua figura ímpar, reconhecimento e admiração pelo chefe que ele foi. E porque não dizer, um prêmio que eu ganhei como jornalista ao ter ido trabalhar com ele no JC.

A ACF devo minha vitória financeira, o lugar ao sol no jornalismo sergipano, pois sem um grande órgão de comunicação para nos ancorar, é bastante difícil chegar onde cheguei, vitoriosa! E foi através de sua maneira dura e firme de valorizar o meu trabalho, que tudo tornou-se possível, porque em nossos sonhos nunca houve nada além de uma grande amizade e muito, muitíssimo respeito e admiração mútuas. Uma amizade tão especial como a nossa é um tesouro que se guarda no coração. E, mais uma vez, Antônio Carlos Franco, obrigada por tudo! Por você ter sido uma luz na minha vida de jornalista. E lá se vão 40 anos... Graças a Deus!"

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net/thais-bezerra

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Um filho da terra que fez nome em Paris

Horácio Hora

Publicado originalmente no blog Academia Literaria de Vida, em 16/09/2018 

Um filho da terra que fez nome em Paris

Por Shirley Rocha

Os grandes artistas quase sempre têm uma vida difícil,  passam por períodos de altos e baixos, fases em que o sucesso é visto a qualquer obra, outras por mais que trabalhem não obtêm o reconhecimento. Geralmente na terra natal não ganham fama, nem prestigio, que talvez só venha após sua morte. Vivem romances e paixões avassaladoras. Por algumas dessas coisas passou também o pintor sergipano, Horácio Hora, nascido em 17 de setembro de 1853, em Laranjeiras, município de Sergipe, falecido em 28 de fevereiro e enterrado no dia 1 de março de 1890, em Paris, ainda muito jovem com 37 anos. A notícia de sua morte foi publicada no jornal Gazeta de Sergipe, do dia 2 de abril de 1890, número 77.

Horácio Hora fez seus estudos primários em escola pública, mas se revelou aluno aplicado, mas sem ter conseguido aprender muita coisa, pois preferia viver esboçando desenhos no papel, nas pedras, nas paredes e nas calçadas de Laranjeiras, conquistando muita antipatia por parte dos moradores que encontravam seus muros com aqueles rabiscos e caricaturas. Era a veia artística predominando, evidenciando a sua natural inclinação para a pintura, mas que por falta de uma escola, de professores aptos, ficaria tolhida e entregue aos seus inúmeros ensaios. Assim, buscou o espirito aventureiro existente em nós todos e partiu para a Europa em junho de 1875, mediante a subvenção concedida pela Assembleia Legislativa, conseguida a muito custo e tempo de espera e pedido de amigos. A subvenção anual era de dois contos de réis, por espaço de três anos ele se via obrigado a “indenizar a Thesouraria Provincial depois que concluir os seus estudos, de toda a quantia que houver recebido” – documento assinado por Antônio dos Passos Miranda, presidente da Província de Sergipe, com data de 6 de maio de 1874.

Chegando a Paris, matriculou-se no mesmo ano na escola de Belas Artes, frequentando uma escola de município, de desenho e escultura dirigida pelo professor Justin Lequien, cujas lições lhe foram de grande utilidade, Já com oito meses de curso, recebeu o título de Aluno Modelo e o Primeiro Prêmio no Concurso Geral de todas as escolas de Paris. Passado mais de seis anos, com vários títulos pela experiência adquirida, “volta em junho de 1881 da culta Europa com o talento fortalecido na escola dos melhores mestres”.

Sergipe acolheu com orgulho o filho da terra, e sua mãe Maria Augusta Hora, que tinha lhe incentivado muito para a viagem, recebeu-o carinhosamente junto aos amigos, felizes com o sucesso alcançado lá fora do famoso amigo. Passados os primeiros dias de alegria já o espirito de Horácio demonstrava certa preocupação. Era a falta de dinheiro, motivo principal porque teria voltado ao Brasil. Julgava ele que aqui conseguiria o necessário para as sus despesas, mas nada, nenhum trabalho de grande vulto lhe fora confiado, nem por pessoas de prestigio e dinheiro. Assim, preparou-se para voltar a Paris, embora tivesse desejoso de ficar, depois de visitar parentes e amigos por municípios como em Estância, onde demorou-se pouco mais de um mês, na contemplação das paisagens que circundavam a cidade. Para não sair sem deixar uma lembrança de sua passagem, alguma coisa que servisse de referência aos amigos, abriu uma exposição dos seus quadros em benefício das irmãs de D. Domingos Quirino de Souza, um sergipano e conhecido bispo de Goiás. Daí segue para Laranjeiras, depois retorna à Estância.

EXPOSIÇÃO

Saindo de Estância ficou em Salvador, na capital baiana, onde foi recebido com manifestações de carinho e reconhecimento por seu talento. Convidado, monta uma exposição na Academia de Belas Artes com 43 quadros, obtendo um completo sucesso, sendo registrada em um só dia a presença de sete mil pessoas. Os professores da Academia, competentíssimos julgadores do seu mérito artístico, conferiram-lhe o diploma de “Membro Correspondente e Acadêmico de Mérito”. Era a prova de que santo só faz milagres fora de casa. A 16 de julho de 1834, parte para Europa e já em paris, conhece a prosperidade, graças ao apoio de amigos dedicados como Mr. Michaud, sempre à procura de uma novo trabalho à altura do grande artista.

Mas logo, Horácio apaixona-se por uma moça, tornando-se escravizado de maneira insensata; era aquela paixão que ataca aos românticos, que deixam a emoção tomar toda a razão. No desatino, prejudica sua carreira, todo seu futuro, porque submetia-se ao domínio tirano da amada, retirando-se do meio em que vivia, fugindo dos amigos e dos apreciadores de sua arte. Diante da miséria a que chegou, quando teve que vender tudo que possuía, até roupas, desesperançado correu à procura do amigo das horas boas e das horas más, Mr. Michaud. Mas pouco tempo lhe restava, e na hora da agonia mortal, voltou o pensamento para o Brasil, demonstrando a saudade pela terra onde nasceu. E “lamentou morrer longe da pátria nestas suas últimas palavras:  loin de mon pays”.

OBRAS

Pery e Cecy : o toque romântico do pintor

Muitos quadros que retratavam personalidades e que foram feitos na passagem de Horácio por Sergipe, já não se encontram neste Estado. Famílias mudaram-se para o Rio de Janeiro como a do aristocrata João José de Oliveira Leite que possuía o título de Barão de Timbó, levaram os quadros que hoje estão expostos no Museu Histórico Nacional.

A Virgem

Contudo registramos três verdadeiras obras de arte, de Horácio Hora: uma é seu símbolo de fé, está exposta na sacristia da Catedral Metropolitana de Aracaju, na Praça Fausto Cardoso – A Virgem, é uma cópia do quadro do pintor espanhol, Murillo, começada em Paris no ano 1877 e oferecida à igreja. Este quadro foi motivo de muitas críticas, por ser uma cópia, mas o pintor ficou emocionado e prestou de certa forma um culto à Santa Virgem e louvor ao Murillo. Outra é o quadro Pery e Cecy, feito em 1882 em Laranjeiras, inspirado pela leitura do romance O Guarany, considerado o melhor de todos os seus trabalhos feitos por aqui. Este quadro foi adquirido pela colônia sergipana, que vivia na Bahia em 1884. Atualmente, o quadro está no Museu de São Cristóvão juntamente com os desenhos, detalhes da telas muitos outros quadros que passaram para a tutela do governo sem mesmo a família saber. Outro quadro muito famoso é Miséria e Caridade, de 1884, que pertencia ao Hospital de Caridade da Sociedade de Amparo de Maria, de Estância e hoje exposto no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe com o título de Caridade, apenas.

Miséria e Caridade -" Quem dá aos pobres empresta a Deus"

RESTOS MORTAIS

Os restos mortais do pintor Horácio Hora voltaram para a sua terra natal após 101 anos de enterrado no Cemitério de Aubervilliera-Paris. A translação foi autorizada pelos descendentes residentes em Aracaju e a partir da determinação expressa do então governador Antônio Carlos Valadares, por ocasião do ano do Quarto Centenário da Conquista de Sergipe. Os restos mortais só chegaram aqui em 29 de julho de 1991 e durante solene reunião no Instituto Histórico de Sergipe, na presença do governador do Estado, João Alves Filho, da professora e diretora do Instituto, Maria Thétis Nunes, autoridades e intelectuais foi feita uma cerimônia de entrega “ que coloca sob a guarda temporária do Instituto até que a Prefeitura Municipal de Laranjeiras providencie uma herma para recebê-los naquela cidade, conforme os entendimentos mantidos com o prefeito Antônio Carlos Leite Franco, e pela então secretária Estadual de Cultura, Aglaé D’Avila Fontes de Alencar”.

No mesmo dia e mês de nascimento de Horácio Hora, no ano de 1992, os restos mortais foram entregues em praça pública de Laranjeiras, pelo secretário de Cultura em exercício, Neemias Araújo de Carvalho, representando o governador João Alves Filho, ao prefeito da cidade, Antônio Carlos Franco, para serem colocados no túmulo construído para aquela finalidade.
Hoje, Laranjeiras aplaude a iniciativa e orgulha-se de possuir um local, referência para homenagem ao grande pintor sergipano, que foi mais reconhecido e deixou maior número de obras em terras distantes, o nosso pintor, Horácio Hora.

Agradecemos ao Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (Atas), a Biblioteca Pública Epifânio Doria (Bio-Bibliográfico Sergipano Dr. Armindo Guaraná (pág. 120) e ao bisneto de Horácio Hora, Marcelo Hora de Araújo, que tornaram possível este breve comentário sobre o imortal pintor sergipano, patrono da cadeira n. 14 da Academia Sergipana de Letras. De Shirley Rocha, jornalista.

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Publicado no Jornal da Cidade de 17 de setembro de 1995, pág. 10.

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Em tempo:



Os quadros do casal Barão (João José de Oliveira Leite) 
e Baronesa do Timbó (Joaquina Ermelina da Costa) 
pintados por Horácio Hora que estão no 
Museu Histórico Nacional, centro do Rio de Janeiro. 


Fotos do álbum editado em 2003
Sesquicentenário de nascimento de Horácio Hora, 
pela Secretária de Estado da Cultura, 
sob comando de José Carlos Teixeira, 
com patrocínio da Petrobras, Banese e Energipe. 


Texto e imagens reproduzidos do blog: 
academialiterariadevida.blogspot.com/

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Homenagem a Orlando Dantas


Postagem de Paulo Roberto Dantas Brandão, na sua Linha do Tempo do Perfil Facebook, em 27/09/2018.

"Antiga Carteira de Identidade do meu avô Orlando Dantas que hoje faria 118 anos" (28/09/2018).

Imagem e legenda reproduzidas do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão.

Postagem original no link > encurtador.com.br/pBD05

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Até breve, Vieira Neto, por Ivan Valença

Alguns livros de autoria de Vieira Neto
Imagem reproduzida do site Infonet/Blog Cláudio Nunes

Texto publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 26 de setembro de 2018

Até breve, Vieira Neto

Por Ivan Valença

Quem nos deixou domingo último foi o jornalista Vieira Neto. Morreu na manhã de domingo, perto aos 72 anos, e sepultou-se à tarde no Cemitério São João Batista. Poucos amigos, a quase totalidade dos seus colegas de trabalho, foram avisados do infausto acontecimento. A coisa de dois anos, ele largou a coluna que escrevia no Jornal do Dia, e foi viver anonimamente no seu canto. Como ele gostava muito de Cinema, por algum tempo ele dedicou parte de sua coluna para biografar atores, atrizes e diretores dos cinemas americano e brasileiro. Era também um excelente diretor de teatro mas dirigiu poucas peças porque o movimento teatral na capital sergipana ainda era, e é, incipiente. Escreveu também vários livros. Um talento que não foi de todo aproveitado. Até mais ver, meu caro Vieira Neto.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs

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Texto e imagem publicados originalmente no site do Portal Infonet, em 27/09/2018

Do blog de Cláudio Nunes/Infonet

O titular deste espaço conheceu Vieira Neto quando trabalhava no então Jornal da Manhã, cujo diretor era Célio Nunes. Vieira um intelectual de poucas palavras, mas de posições firmes, principalmente na área cultural. Deixou 16 livros publicados. Mais um grande nome de Sergipe que não foi valorizado em vida.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/blogs

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Escritor, jornalista, teatrólogo e ator Vieira Neto

José Vieira Neto (1946 -2018)

Vieira Neto - Escritor, jornalista, crítico de arte e principalmente, um homem de teatro. Nascido na cidade de Estancia, em 19 de abril de 1946. Trabalhou na Linha de shows da Globo, morou muito tempo em Salvador, produzindo teatro. Em Aracaju, trabalhou em quase todos os veículos de comunicação e criou junto com a atriz Walmir Sandes, o Grupo Opinião de Espetáculos, responsável por muitos sucessos da história do Teatro Sergipano. Tem quase 20 livros publicados, entre os quais "Alô Aracaju, aquele abraço", "Um garoto Estanciano", "Choque". "Tancredo, espírito e vida" e "Teatro quase Integral. (Jorge Lins de Carvalho).

Texto e imagem reproduzidos do Portal educar-se.

José Vieira Neto (1946 - 2018) ao lado de Rangel Alves da Costa

> "VIEIRA NETO, O ADEUS DO AMIGO - Somente hoje (através de uma postagem de Ledinaldo Almeidha) fiquei sabendo da morte, no último domingo, do grande jornalista, escritor, teatrólogo e ator, o sergipano Vieira Neto. Na foto abaixo, durante a pré-estreia do filme “Aos Ventos que Virão”, de Hermano Penna, no Cine Vitória da Rua 24 Horas, no qual participou como ator. Pessoa doce, agradável, de suma inteligência, com uma espiritualidade que aflorava em cada palavra. Que Deus o tenha, amigo!" (Rangel Alves da Costa).  

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Rangel Alves da Costa.

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Depoimentos (comentários) em postagens no Facebook: Amigos, intelectuais e jornalistas, surpresos com a partida repentina de Vieira Neto.

> "O grande jornalista e escritor Vieira Neto, morreu no último domingo. O corpo dele foi enterrado no mesmo dia no cemitério São João Batista. DEUS receba o colega jornalista e escritor com todo AMOR". (Ledinaldo Almeidha). encurtador.com.br/oRW46

> "Eu moro perto da casa dele. Passou mal na madrugada de domingo. Foi levado ao hospital, mas já chegou morto. Eu falava com Vieira quase todos os dias. A última delas aconteceu na sexta-feira pela manhã. Falou que estava cansado. Sempre ele estava caminhando com o seu inseparável cachorro. Era de pouca conversa, mas muito sincero. Eu soube ontem pela manhã. Fui informado por um vizinho dele. O corpo foi velado no Osaf, e enterrado no domingo às 16h no cemitério São João Batista". (Avelar Mattos)

> "Estou sabendo agora...uma perda inestimável para a Cultura Sergipana. Vieira Neto escreveu vários textos de teatro, foi Diretor de vários espetáculos premiados e manteve durante muitos anos, uma coluna diária nos jornais da cidade, direcionada inteiramente à produção artística..." (Jorge Lins).

> "Não sabia !!! Meu primeiro diretor de teatro. Fiz com ele "Morre um Gato na China" ao lado de Arquimedes e Valéria Toscano. Descanse em paz amigo! Deus o receba no Reino da Glória". (Gladston Santos).

Textos reproduzidos de comentários em post no Facebook/Carlos França https://bit.ly/2DCG4jE

domingo, 23 de setembro de 2018

Tobias Barreto e o exercício da autocrítica


Publicado originalmente no site Observatório da Imprensa, em 14/11/2017 

Memória - Um Intelectual Sergipano 

Tobias Barreto e o exercício da autocrítica

Por Gilfrancisco Santos 

Servindo-se de uma passagem do texto de Tobias Barreto, Política da Escada¹ (1875), Astrojildo Pereira, mesmo sabendo que Tobias não era marxista, percebeu a importância do Partido ao fazer a crítica e autocrítica, com o objetivo de se corrigir, no entanto o Partido Liberal não seguiu os conselhos de Tobias Barreto:

Tobias Barreto de Meneses (1839-1889) foi um filósofo, poeta, crítico e jurista brasileiro.

“Só os partidos realmente progressistas revolucionários, ligados às massas populares possuem essa coragem de reconhecer e analisar publicamente os próprios erros. São partidos que representam o “novo” em ascensão e necessitam obviamente de depurar-se do “velho” que persiste em sua ideologia sua orientação e seu comportamento perante as massas”.²

Em 1877 Tobias Barreto pronunciou na fundação do Club Popular, de Escada, por ele organizado Um Discurso de mangas de Camisa, onde, como bom observador da realidade, ousou uma clara linguagem de luta de classe: “É certo que a nossa população se acha dividida não somente em classes, mas até em castas. E não só em castas sociais, como também em castas políticas, quais são sem dúvida os dois partidos que se disputam no poder, dos quais o domínio de um é equivalente à perseguição do outro, modificada apenas pela infâmia dos renegados e dos trânsfugas”.³

A verdade é que os intelectuais brasileiros da época ignoravam Marx, ou então tinham dele uma visão superficial e preconceituosa. Rui Barbosa (1849-1923) político brasileiro citou-o em 1884 incluindo-o erroneamente ao lado de Proudhon, Saint-Simon e Henry George. Outro intelectual cearense Clóvis Bevilacqua (1859-1944) equipara a posição de Karl Marx à do socialista alemão de Ferdinand Lassalle (1825-1864), que foi profundamente influenciado por Hegel. Em 1894 outro sergipano lagartense Silvio Romero (1851-1914), pensador, crítico, ensaísta e primeiro historiador sistemático da literatura brasileira, notável a sua contribuição no campo da historiografia literária, que, a partir dele, passou a influenciar novos métodos de análise crítica com base, sobretudo no levantamento sociológico, acusava a Internacional de Marx, de hesitar “entre o utopismo e o despotismo”, provavelmente não dominava a matéria, pois Marx morre em 1883, ou seja, onze anos antes.

Vejamos o artigo Lenin e Tobias Barreto de Astrojildo Pereira publicado na Folha Popular, Ano III, nº 109, 1956:

Está evidenciado que o culto à personalidade resulta, teoricamente, de falsas concepções sobre o papel do indivíduo na história. Mas resulta ao mesmo tempo, de concepções igualmente falsas sobre a natureza, a composição e o comportamento dos partidos marxistas. E quando verificamos que semelhantes concepções de todo em todo estranha ao marxismo não só permaneceram como ainda se desenvolveram, durante anos e anos no movimento comunista mundial, é que podemos avaliar em toda sua plenitude como de velhas concepções ideológicas dentro de cada um de nós, mesmos daqueles impregnados de nova ideologia revolucionária.

Compreendendo isto claramente é que chegamos também em profundidade a importância fundamental da crítica da autocrítica. O princípio da crítica e autocrítica, que Lenin, definiu exatidão, impõe-se cada vez mais aguadamente como um princípio vital para o desenvolvimento dos partidos comunistas e operários, como um método permanente de depuração e revitalização ideológica, e por conseguinte como condição elementar para o fortalecimento dos partidos.

Mediante o exercício in dormindo da crítica e autocrítica, partindo sempre de concepções ideológicas e posição de princípio definidas, é que os partidos de vanguarda podem elaborar e aplicar com vantagem uma linha política, devidamente ajustada à variabilidade das condições concretas existentes. E só assim os partidos que reclamam o apoio das massas podem merecer a confiança destas massas, que amam acima de tudo a verdade simples, pura, luminosa.

Ocorre-me, a esta altura, certa passagem de um velho artigo de Tobias Barreto sobre o problema político da crítica e autocrítica. De Tobias Barreto em pessoa, lá pelo ano da graça de 1875. O publicista sergipano não empregava, na passagem a que me refiro as palavras “crítica” e “autocrítica” mas dizia a mesma coisa por outras palavras. Eis aqui:

“As classes, os partidos de qualquer ordem são como os indivíduos: desde que não fazem eles mesmos o seu exame de consciência, não reconhecem se dispõem a mudar de rumo, de norma de conduta, é baldado todo o esforço que por ventura se empregue para dirigi-los pela reta senda. Enquanto pois o liberalismo não confessar-se tocado de inúmeros vícios, e refletindo sobre eles, não tomar de modo emendar-se nada será conseguido” (Política da Escada, artigo de fundo publicado na Comarca da Escada em 1875).

Tobias, pensador arguto, espírito aberto ao novo, já compreendia perfeitamente em seu tempo, que o “exame da consciência” ou seja a crítica e autocrítica, e indispensável a um partido político que pretende trilhar a reta ainda e que, reconhecendo os próprios vícios, examina-os em público com a determinação de emendar-se. O partido liberal, a que se filiava o articulista, não seguiu os seus conselhos, não fez nenhum exame de consciência, e essa, uma das razões porque se degradaria de mais em mais perante a opinião pública, a ponto de pouco se diferenciar do partido conservador rival, ambos mergulhados no mesmo charco, e juntos perecendo sob os escombros da monarquia.

Aliás, só os partidos realmente progressistas revolucionários, ligados as massas populares possuem essa coragem de reconhecer e analisar publicamente os próprios erros. São partidos que representam o “novo” em ascensão e necessitam obviamente de depurar-se do “velho” que persiste em sua ideologia sua orientação e seu comportamento perante só os partidos operários comunistas e socialistas se enquadram nessa categoria.

Quanto à observação de Tobias Barreto, devemos salientar o fato de possuirmos na história política brasileira, um publicista pensador eminente que no passado soube levantar, em termos tão claros e justos, o problema político da crítica e autocrítica. O nosso Partido, que pretende representar, hoje, o que há de mais progressista nas aspirações do povo brasileiro e que assim mesmo não vem fazer em público o seu “exame de consciência”, retoma a palavra de Tobias e resolver na prática, ousadamente, o problema de ética partidária que o famoso polemista colocou no debate da política nacional, há mais de 80 anos, suponho que pela primeira vez em nossa história.

Buscando estabelecer uma possível relação entre a teoria leninista da crítica e autocrítica o pensamento expresso pelo publicista brasileiro sobre o mesmo problema, sou levado a considerar outro aspecto da questão — o de saber se há ou se pode haver alguma forma brasileira de exercício da crítica e autocrítica.

Examinaremos o assunto na próxima vez.

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Gil Francisco é jornalista, pesquisador e professor universitário.

Notas:

1. Crítica Política e Social, Tobias Barreto (Obras completas), org. Luiz Antonio Barreto. Aracaju, Editora Diário Oficial. Rio de Janeiro, Solomon Editores, 2013.

2. Folha Popular. Aracaju, 1º de dezembro, Ano II, n° 109, 1956.

3. Crítica Política e Social, Tobias Barreto (Obras Completas), org. Luiz Antonio Barreto. Aracaju, Editora Diário Oficial. Rio de Janeiro. Solomon Editores, 2013.

Texto e imagem reproduzidos do site: observatoriodaimprensa.com.br

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Almir do Picolé relembra dores e agradece a honraria na Alese

Foto: Jadilson Simões

Publicado originalmente no site da ALESE, em 21 de agosto de 2018

Almir do Picolé relembra dores e agradece a honraria na Alese

Por Aldaci de Souza – Rede Alese

Abandonado pelos pais aos quatro anos de idade, Almir Almeida Paixão, 48, sabe de perto o que é sobreviver da boa vontade e passar por cima dos obstáculos nas ruas de Aracaju. Conhecido como Almir do Picolé (era vendedor), as dores e marcas da infância o fizeram correr atrás de um sonho: construir uma creche para que dezenas de crianças e adolescentes não passem as amarguras que ele sofreu juntamente com sua irmã.

Desejo realizado, Almir não consegue deixar as ruas e é nos semáforos que ele pede ajuda para levar seu projeto adiante. Em meio às dificuldades, uma alegria: no próximo dia 23 de agosto, o presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe, deputado Luciano Bispo (MDB), lhe entregará a Medalha do Mérito Parlamentar, a maior honraria da Alese. “Já escolhi o terno, estou me sentindo importante. Vai ser aqui no mesmo lugar que os deputados ficam?”, indaga com toda a simplicidade que lhe é característica.

Quem contribui para a Creche Almir do Picolé nos semáforos da capital sergipana não sai de mãos limpas. Recebe um texto contando a história da entidade localizada em Nossa Senhora do Socorro e uma canetinha. Quem não doa nada, pode levar os brindes sem problema. Como bem diz Almir do Picolé, o importante é que a população conheça o seu trabalho intenso para que não falte alimentação, saúde e educação aos

“Eu tive uma vida de infância sofrida, fui garoto de rua e dormi muito na rodoviária velha, inclusive na rua de Arauá, tem uma casa recuada, que eu pedia todo dia comida e a finada d. Noêmia Almeida me dava. Ela me ajudou muito. Eu e minha irmã sofremos muito, mas ela também conseguiu superar, casou, tem cinco filhos e todos estão se formando. Eu estudei até a terceira série porque tenho problemas visuais”, conta.

Abandono

Difícil é saber que foi abandonado pelos pais com quatro anos, a irmã com apenas dois e perdoar. Mas para Almir do Picolé difícil mesmo é não ter como proporcionar dias melhores aos seus filhos naturais e adotivos. “A gente foi abandonado muito pequeno e minha irmã não quer perdoar minha mãe, mas eu já perdoei. Minha mãe mora em São Paulo e meu pai já faleceu. Ela pegou um ônibus cinco horas da manhã para ir para São Paulo trabalhar e deixou a gente na rodoviária confiando que os parentes de Lagarto viessem buscar. Ela não fez por maldade. Já fui me encontrar com ela em São Paulo e perdoei. Morei em orfanatos, mas voltava pras ruas pra vender picolé. Tenho uma gratidão grande a d. Ildete Falcão Batista que me tirou das ruas e me colocou no Instituto Lourival Fontes. Mandou o motorista Seu Candinho me pegar na Kombi, nas proximidades da rodoviária velha e dizia que eu era um menino bom; me tratava como filho”, relembra sem conseguir conter as lágrimas.

Trabalho Social

O sonho começou a se transformar em realidade no ano de 2003, com dez crianças de meses até cinco anos de idade.

“Agora eu tenho 93 meninos e meninas que se alimentam e estudam. Além da creche eu dou assistência funeral às pessoas carentes, dou remédios e faço outros trabalhos sociais. Tenho um trabalho fantástico dentro da rodoviária nova com as pessoas desabrigadas; fico nos semáforos e tenho o sistema de telemark, em que as pessoas podem ajudar pelos telefones (79) 3248-1413 e (79) 3254-7644, além de contas bancárias nas agências do Banese, da Caixa Econômica e Banco do Brasil”, diz.

Na Creche Almir do Picolé, as atividades são desenvolvidas por ele, a esposa, a filha de 17 anos e o filho de 14 anos, além 27 funcionários. “São 27 pais de famílias registrados para recolher INSS e FGTS todo mês. Tenho 28 anos de trabalho social e agora está chegando o Dia das Crianças, onde vai ter o palco e o som em frente à creche para a diversão das crianças”, afirma lembrando que na creche, as crianças chegam antes das sete horas da manhã, recebem três refeições e participam de atividades pedagógicas até às 17h quando as mães retornam.

Homenagem

Sobre a homenagem que receberá da Assembleia Legislativa de Sergipe, Almir do Picolé disse ter ficado muito feliz quando foi informado.

“Essa homenagem que o deputado Luciano Bispo junto com os outros deputados vão fazer pra mim é o reconhecimento do meu trabalho. Eu já recebi quase 50 prêmios, já apareci no Fantástico e no programa de Luciano Huck. Isso me dá mais responsabilidade com as minhas responsabilidades no que eu faço para manter os salários dos meus funcionários em dia e ajudar as crianças com as doações que recebo não só nas ruas, mas de vários órgãos públicos e empresas particulares. A gente recebe doação do mais humilde até os empresários, a imprensa, o Poder Judiciário. É uma honra receber essa homenagem dia 23, vou chegar de terno aqui e estou convidando um monte de amigos, estou dando entrevistas nas rádios”, comemora...

Texto e imagem reproduzidos do site: al.se.leg.br