domingo, 27 de setembro de 2020

O Centenário de Gileno Lima, por Lúcio Prado


 Publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 18 de setembro de 2020

O Centenário de Gileno Lima
Por Lúcio Prado (do Blog Infonet)

A Academia Sergipana de Medicina realizou na noite de 16 de setembro de 2020 uma cerimônia gloriosa e que vai ficar marcada indelével nos anais do sodalício. Numa sessão  pela plataforma Zoom, com mais de cinquentas pessoas presentes na sala virtual, a Academia, sob o comando do seu presidente, Acad. Roberto César do Prado, celebrou o Centenário de Nascimento do médico Gileno da Silveira Lima, idealizador, organizador e fundador do sodalício em 1994.

Após a abertura oficial, os votos de boas-vindas (inclusive à família do homenageado, presente em grande número) e a execução do Hino Nacional, o Mestre de Cerimônias, Acad. Lucio Prado Dias, nominou as autoridades presentes, entre elas, o Presidente da Federação Brasileira de Academias de Medicina – FBAM –  Acad. José Roberto de Souza Baratella, da Academia de Medicina de São Paulo, do Decano e Emérito da Academia de Medicina da Bahia Geraldo Leite, que também é o presidente nacional da ABROL – Academia Brasileira Rotária de Letras -, do Presidente da Academia Pernambucana de Medicina, Acad. Hildo Azevedo, dos Presidentes das Academias Sergipanas de Letras e de Educação, José Anderson Nascimento e Jorge Carvalho respectivamente, do ex-senador da República e vice-presidente da ASL Acad. Francisco Guimarães Rollemberg, do Presidente da Sociedade Médica de Sergipe Acad. José Aderval Aragão, do presidente da ABROL-SE Acad. João Macedo Santana, do Acad. Hesmoney Ramos Santa Rosa (presidente eleito da SOMESE) e dos acadêmicos, além do já citados, José Hamilton Maciel Silva, Goedete Batista, Fedro Portugal, Zulmira Freire Rezende, Ildete Caldas, Antonio Carlos Sobral Sousa, Antonio Samarone, Paulo Amado Oliveira, William Soares, José Teles de Mendonça, Sonia de Oliveira Lima, Geraldo Bezerra e Anselmo Mariano.

Em seguida, aconteceu o “Elogio” ao homenageado, feito pelo Acad. Marcelo Ribeiro, lido na sessão pelo Secretário-geral Lúcio Prado Dias, em razão de problemas de conexão do orador oficial, que impediu a sua participação on-line.

Gileno Lima discursa na instalação da Academia em 1994

No seu discurso, Marcelo Ribeiro ressaltou que a ideia era comemorar o centenário de doutor Gileno da Silveira Lima na época adequada, em abril passado. Porém a pandemia obrigou o adiamento da  homenagem e, ainda assim, utilizando este ainda estranho, ao menos para ele, meio de comunicação. “Nós sergipanos somos, em geral, bairristas. Confesso uma sincera satisfação e indisfarçável orgulho com as vitórias e conquistas dos nossos conterrâneos, principalmente quando vencem lá fora. Mas seria injusto não incluir pessoas de grande quilate que, embora advindos de outros estados ou até de outros países, aqui se fizeram sergipanos, aqui contribuíram para sedimentar nossa sergipanidade. O baiano Gileno Lima, Presidente de Honra “AD PERPETUUM” da Academia Sergipana de Medicina é um desses admiráveis personagens. Quando assumi a Cadeira 5 nesta Casa, senti o peso da responsabilidade. O próprio Gileno cuidou de me tranquilizar, ao deixar registrado num dos seus discursos o que recolhera do Livro da Sabedoria: “O Senhor não escolhe os capacitados. Capacita os escolhidos”.

Gileno Lima, com a esposa Mariantônia, recebe a Medalha
 do Mérito Médico Nacional da FBAM

Um pouco mais confiante, mergulhei na pesquisa da longa e proficiente vida do imortal que tive a elevada honra não de substituir, mas de sequenciar na Academia Sergipana de Medicina. Deparei-me com excesso de informações. Como condensar tantas atividades, tantos empreendimentos, tantas lutas de vida tão rica? Prosa agradável (lembra-me o historiador José Calasans, meu tio), ele imortalizou em entrevistas, discursos e anotações muitas das suas ideias e ações”.

Após ressaltar a trajetória de vida de Gileno Lima, ressaltou as suas três principais realizações reconhecidas pelo próprio homenageado: a transformação monumental que fez no Hospital Santa Isabel, no final dos anos cinquenta  e inicio dos sessenta, após assumir o comando da entidade num momento trágico da vida sergipana: a  morte violenta do médico Carlos Firpo, então diretor do centenário hospital, o mesmo em que Augusto Leite, em 1914, realizou a primeira laparotomia de Sergipe (abertura cirúrgica da cavidade abdominal).

Anos depois dessa pioneira cirurgia, Augusto saiu do hospital contrariado com decisões da mesa administrativa do hospital e vaticinou: “Nunca mais porei os pés nessa instituição!” E cumpria a promessa há mais de 30 anos, somente interrompida pela ação  gigantesca e decisiva de Gileno Lima que, ao inaugurar um novo centro cirúrgico, em 1962, moderníssimo, denominou o espaço com o nome do consagrado esculápio e “costurou” uma série de providências para que o Dr. Augusto pudesse voltar à velha Casa. Relembra inclusive as palavras de Gileno naquele momento mágico: “Na data aprazada, lá estava o Dr. Augusto, com seu passo lépido e seguro, percorrendo o chão do Santa Isabel, do qual se afastara há mais de 30 anos! A sua alegria era transparente e contagiante! Parecia uma criança que, após longos anos de ausência, voltava ao palco das peraltices de sua meninice! A cada instante, identificava as mudanças do Hospital e, dedo em riste, lembrava: aqui, era a Sala de Cirurgia; ali, a Sala de Curativos; acolá, a Clausura; mais adiante, as Enfermarias tais e tais, citando, até, os nomes de algumas Irmãs!”.

Sempre uma boa conversa

Marcelo Ribeiro ainda complementou: “Mas Gileno, persistente guerreiro, buscava novas vitórias. Aproximava-se o dia 9 de novembro de 1964, cinquentenário da primeira  laparotomia realizada no Estado – e justamente pelas mãos hábeis do Dr. Augusto Leite.  Mesmo sabendo-o já afastado das lides cirúrgicas, fez-lhe o convite para repetir o ato operatório, em paciente com o mesmo mal. Sem titubear, o velho cirurgião aceitou o desafio. No dia combinado, com as presenças ilustres de representantes da Academia Nacional de Medicina, do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e da Associação  Médica Brasileira, realiza-se o ato cirúrgico. Auxiliado pelo filho, Dr. Osvaldo Leite, e assistido por vários médicos, entre eles, Aristóteles Augusto e  Eduardo Garcia, este ainda estudante,  marcando presença, o velho cirurgião, mostrando firmeza e segurança, faz a incisão abdominal, dissecando os diversos planos até chegar à cavidade uterina, donde retira, com o saca-fibromas, um volumoso tumor! O centro cirúrgico irrompe em aplausos. Num gesto de desprendimento, o Doutor Augusto doaria ao Hospital Santa Isabel o bisturi de ouro que recebera da classe médica ao comemorar os 50 anos de vida profissional.” Atualmente, esse bisturi encontra-se integrado ao acervo da Academia Sergipana de Medicina. Que momento espetacular da Medicina sergipana!

A outra  grande realização do médico Gileno Lima foi exatamente a fundação da Academia Sergipana de Medicina em 1994. Graças a sua determinação, estoicismo, dedicação e esforço pessoal, ajudado por meia dúzia de abnegados e pela Somese, que na época eu presidia, a Academia se tornou uma realidade, hoje consolidada como fiel depositária da memória médica de Sergipe. Não foi sem motivos pois que propus duas ações aprovadas por unanimidade pelos meus pares: denominar informal e carinhosamente o sodalício como “Casa de Gileno” e promovê-lo, após a sua morte, em maio de 2016, à condição de Presidente de Honra da ASM. Duas condições extremamente gratificantes para mim. Gileno Lima foi um grande amigo, confidente, cliente ( sempre estava na Livraria Canal Livro, comprando um livrinho, segundo ele, para me ajudar!), mais acima de tudo, um exemplo para mim, pela elegância, simpatia, generosidade e humildade.

E concluiu Marcelo Ribeiro, na sua saudação: “Ninguém mais venerável do que o médico Augusto César Leite, para sobre ele vaticinar: “Sergipe saberá guardá-lo no seu coração”. Outro fato importante na sessão foi a comunicação da criação da Comenda Gileno Lima, pela ASM, para homenagear personalidades que se destacarem anualmente por ações em prol da Academia e da Sociedade.

No encerramento da sessão, a filha primogênita do Dr. Gileno, a Sra. Lícia Violeta, em nome da família, agradeceu sensibilizada à Academia Sergipana de Medicina  pela homenagem prestada ao seu pai. De fato, foi uma sessão para ficar  na história do sodalício. A Academia Sergipana de Medicina jamais esquecerá o seu fundador! Gileno vive! Viva Gileno!

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br

Morre cerimonialista Almir Garcez

Almir Garcez estava internado há vários dias

Publicado originalmente no site DESTAQUE NOTÍCIAS, em 26 de setembro de 2020

Morre cerimonialista Almir Garcez

O cerimonialista Almir Andrade Garcez morreu, neste sábado (26), num hospital de Aracaju. Ele era chefe do Cerimonial da Secretaria da Educação de Sergipe e responsável pela organização dos desfiles Cívicos. Segundo sua filha Amanda Carolina Garcez, como a causa morte não foi Covid-19, o corpo de Almir está sendo velado no OSAF, rua Itaporanga, 436/444, centro da capital. O sepultamento está marcado para as 17h deste sábado, no Cemitério Colina da Saudade.

O Conselho Estadual de Educação de Sergipe (CEE/SE) expressou o seu pesar pelo falecimento do servidor Almir Andrade Garcez. Ele atuava como chefe do cerimonial da Secretaria Estadual de Educação (Seduc). Era odontólogo, professor e cerimonialista, contribuindo por mais de 40 anos com a Educação em Sergipe. Em nota, a Secretaria Estadual da Educação e Cultura destacou que “ao longo da sua trajetória profissional, Almir contribuiu com maestria, na formação da identidade dos sergipanos através do seu profissionalismo na condução de eventos, em especial, nos inúmeros desfiles cívicos que coordenou”. A presidência do CEE/SE, demais conselheiros e técnicos reconhecem no colega Almir Garcez um exemplo de dedicação e companheirismo.

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

sábado, 5 de setembro de 2020

Fausto Cardoso: um homem e seu ideal

Imagem reproduzida do site: pt.wikipedia.org e postada
 pelo blog, para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no site do JLPOLÍTICA, em 28 de agosto de 2020

Opinião - Fausto Cardoso: um homem e seu ideal

Por Antônio Porfírio de Matos Neto * (Coluna APARTE)

Fausto de Aguiar Cardoso foi múltiplo nos seus ofícios. Das páginas de sua honrada história, constam que foi ilustre advogado, jurista, político, orador, poeta, professor e filósofo sergipano nascido no Engenho São Félix, município de Divina Pastora, em 22 de dezembro de 1864, tendo falecido em Aracaju no dia 28 de agosto de 1906.

Neste dia 28 de agosto completam-se mais de 100 anos da tragédia que pôs fim à sua vida terrena dele. Com efeito, Fausto Cardoso foi morto com um tiro no peito ao não se submeter perante as tropas do Exército que estavam em Aracaju para acabar com o levante que, posteriormente, ficou conhecido como “Revolta de Fausto Cardoso”. Sobre o trágico episódio, afirma Kallinka Ismerim:

Agonizando na praça que depois recebeu o seu nome, cercado de amigos e admiradores, homens, mulheres e crianças que lotavam o centro da cidade, Fausto Cardoso transbordou-se e com ele a alma sergipana. Seu legado está na frase imortalizada com a sua morte: “A liberdade só se prepara na história, com o cimento do tempo e o sangue dos homens.”

Na verdade, a frase é outra, e está contida no discurso que pronunciou em 9 de julho de 1902, e que ficou conhecido como Lei e Arbítrio: “A liberdade só se prepara na história com o sangue dos povos, o esforço dos homens, o cimento dos tempos. E se ela não é o preço de uma vitória, não é liberdade, será tolerância, favor, concessão, que podem ser cassados, sem resistência, que se revista do poder. Não gera caracteres nem cria personalidade. Enerva, dissolve, abate, humilha, corrompe e transforma os povos em míseras sombras”.

A praça Fausto Cardoso era central por aglutinar os órgãos políticos da época, conhecida como a praça dos três poderes, das manifestações políticas, das lutas, e aglutinava também os trabalhadores que sempre iam fazer manifestações, para chamar a atenção do poder público quanto às suas reivindicações. (Ismerim, 2017, p. 1).

Fausto Cardoso era filho do tenente-coronel Félix Zeferino Cardoso e de Maria do Patrocínio de Aguiar Cardoso. Fez os primeiros estudos em sua localidade de origem, nos municípios sergipanos de Maruim, Capela, na capital Aracaju, e concluiu o curso secundário no Colégio Sete de Setembro, em Salvador. Ingressou em 1880 na Faculdade de Direito do Recife e bacharelou-se em 1884.

Fausto teve seu primeiro contato com os estudos ainda em sua terra natal, na escola do Padre Antônio. Destacando-se como irrequieto e inteligente, continuando seus estudos em Maruim, Capela e no Ateneu Sergipense em Aracaju. Termina o curso secundário (Ensino Médio) no respeitado Colégio Sete de Setembro, em Salvador. Saindo da capital baiana, presta exames na Faculdade de Direito do Recife, onde de1880 a 1884 se destaca na vida acadêmica e se torna discípulo de Tobias Barreto. Recebe o apelido de “cidadão irrequieto das repúblicas estudantis”.

Ainda estudante, Fausto Cardoso editou o jornal Saara, bem como frequentou os círculos literários e filosóficos da chamada Escola do Recife, que abrigava as ideias positivistas e evolucionistas do final do século XIX, sendo considerado discípulo de Tobias Barreto. Grande foi sua participação no florescimento de um pensamento genuinamente nacional, porém de cunho monístico haeckeliano.

Logo depois de formado, regressou a Sergipe e foi trabalhar como promotor público na cidade de Capela. Em junho de 1887 foi designado para a promotoria de Laranjeiras, principal fórum sergipano, tendo encontrado a cidade em plena efervescência, envolvida pela propaganda republicana, por isso mesmo sendo destituído por questões políticas. Reconduzido ao cargo de promotor pelo Partido Liberal em 1889, ironicamente foi novamente destituído em 1890, após a proclamação da República (15/11/1889), apesar de ter sido um dos mais destacados defensores da causa.

Com relação ao episódio de destituição, assim escreve Armindo Guaraná (1925, p. 86):

Em junho de 1887 passou para a Promotoria de Laranjeiras, em que serviu até 1889 e após curta interrupção voltou a ocupar o mesmo cargo com a ascensão do Partido Liberal ao poder, vindo encontrá-lo a proclamação da República, nesse posto, do qual foi destituído em fevereiro de 1890

Atingido por um ato hostil do governo, sob o regime político de que foi um dos maiores propugnadores, sentiu a rispidez do golpe, mas não se quebrantou sua fé republicana, nem a altivez do seu caráter independente. Pelo contrário, a sua demissão fez-lhe afagar a ideia de, fitando horizontes mais largos, transferir em Maio a residência para o Rio de Janeiro, onde iria dar o máximo desenvolvimento ás suas energias intelectuais.

Com efeito, foi no Rio de Janeiro que ele revelou toda a pujança do seu talento multiforme, como sociólogo, político, jornalista e poeta. Inicialmente, dedicou-se à advocacia e ao magistério. Nomeado professor de História Universal por Benjamim Constant, delegado auxiliar e secretário geral da Prefeitura no Governo de Marechal Floriano, foi depois lente de História na Escola Normal, onde também foi diretor. Também ensinou História das Belas Artes na Escola das Bellas-Artes e de Filosofia do Direito na Faculdade Livre de Direito.

Como lhe não fartassem as múltiplas responsabilidades das obrigações então contraídas, Fausto Cardoso ainda se predispôs a assumir outros encargos que lhe satisfizessem a ânsia impetuosa da ação. Então logo se entregou à atividade febril das lides da imprensa e da política, amparado na consciência do seu valor mental e no seu senso de combatividade. Assim, o professor instigante e o jornalista vigoroso, o político irredutível e leal, tornou-se orador querido e abraçado pelas multidões, sempre fanatizadas pelo encanto de sua palavra fácil e arrebatadora.

Candidatou-se, mas as portas do Congresso Nacional não lhe foram abertas. Contudo, não desistiu. Então Sergipe ofereceu-lhe a chance de realizar seu sonho político. Foi assim que Sergipe conferiu-lhe o honroso mandato de representá-lo na 4ª legislatura federal 1900 a 1902, reafirmando-o no triênio de 1906 a 1908. Nesse outro teatro das exibições da palavra, o novel deputado Fausto Cardoso ergueu bem alto a tribuna parlamentar, confirmando a fama de orador eloquente, de estilo elegante e enérgico.

Sobre a ascensão política de Fausto Cardoso, assim diz Sérgio Montalvão:

Beneficiado pelo acordo de pacificação entre Martinho Garcez e Olímpio Campos firmado em 1899, garantindo a este último o domínio da política estadual a partir do controle sobre o Partido Republicano Sergipense - PRS -, Fausto Cardoso foi eleito deputado federal por seu Estado em 1900. Assumiu em maio desse ano sua cadeira na Câmara dos Deputados e destacou-se na tribuna parlamentar como principal crítico da política econômica do presidente Campos Sales (1898-1902) e do ministro da Fazenda Joaquim Murtinho. (Montalvão, 2017, p. 1).

Contudo, prossegue Montalvão:

No ano final de seu mandato (1902), após ferrenha campanha movida na imprensa sergipana por Gumercindo Bessa contra o governo do monsenhor Olímpio Campos (1899-1902), Fausto Cardoso rompeu o acordo que lhe havia permitido eleger-se e divulgou na capital federal acusações de truculência praticada pela política olimpista para manter-se no poder.

Em discurso proferido no dia 30 de abril de 1902, afirmou que os desmandos do presidente de Sergipe eram um “desrespeito à terra de Tobias Barreto”. Apesar da divisão na política sergipana, o olimpismo continuou a predominar: assim, o sucessor indicado por Olímpio Campos, Josino de Meneses, foi eleito 1902, da mesma forma como seu irmão Guilherme de Sousa Campos em 1905. (Montalvão, 2017, p. 1).

Surgido em 1906, o Partido Progressista – PP - iria reunir os descontentes com o mando de Olímpio Campos. Reeleito em 1906, Fausto Cardoso assumiu sua cadeira na Câmara dos Deputados em maio, mas ainda no mesmo ano retornou a Sergipe, com o objetivo de coordenar o movimento popular que se projetava contra o olimpismo na política sergipana.

A revolta contra o governo de Guilherme Campos foi articulada em meio ao assédio popular em torno do deputado – daí ter-se tornado conhecida como a “Revolta de Fausto Cardoso” -, mas o levante da polícia de Aracaju, que serviu para desencadeá-la na madrugada do dia 10 de agosto de 1906, aconteceu enquanto ele se encontrava ausente da capital, em viagem ao município de Divina Pastora, em visita aos pais.

Ao retornar à capital, Fausto Cardoso foi recebido como salvador da pátria, pois forçando a renúncia de Guilherme de Souza Campos. A intervenção do presidente Rodrigues Alves (1902-1906) mudou, porém, o curso dos acontecimentos. Tropas federais estacionadas na Bahia partiram para Aracaju e controlaram rapidamente os revoltosos, reempossando Guilherme Campos. Na retomada do palácio do governo em 28 de agosto de 1906, alvejaram Fausto Cardoso, que veio a falecer aos 42 anos de idade.

Sobre sua morte, assim escreveu o referido Armindo Guaraná:

A 28 de agosto de 1906 em Aracaju, em frente ao palácio do governo, verberava as selvagerias da soldadesca desenfreada, quando é alvejado pela carabina de um praça de instintos sanguinários, sob o comando do oficial superior Firmino Lopes Rego, que, sem refletir sobre a gravidade do crime que não soube ou não quis evitar comprometeu os seus créditos militares, deslustrando assim os bordados de general do exército brasileiro. Desaparecidos do cenário da vida, por se terem devotado ao culto dos grandes ideais, seus nomes ficaram gravados no coração do povo e jazem inscritos no extenso martirológio dos defensores da liberdade. (Guaraná, Armindo, 1925, p. 87).

A ideia e o sentido da liberdade marcam a biografia de Fausto de Aguiar Cardoso, poeta, jurista, pensador, revolucionário, sergipano que soube interpretar as mais íntimas aspirações de sergipanos.

Sua morte, em 28 de agosto de 1906 não apenas permitiu o retorno de Guilherme de Campos ao poder do Estado, mas também a vingança dos seus filhos contra Olímpio Campos, em 9 de novembro do mesmo ano, no Rio de Janeiro, bem como a modificação da lei das aposentadorias, a reaglutinação das forças reacionárias e conservadoras para novos embates, servindo ainda para exaltar e fixar posições libertárias, dosadas pelo itinerário que as gerações de intelectuais sergipanos traçaram, em todo o Brasil e que é a maior herança deixada às novas gerações de Sergipe.

Também poeta, Fausto Cardoso nos legou belos versos, como estes onde canta o amor: O Amor

Eu sou o Amor, o Deus que a terra inteira gaba!
Vivo enlaçando os sóis pelo Universo afora,
Dos ódios expurgando a venenosa baba,
Que os mundos desagrega, espalha e desarvora.

O tempo tudo avilta; a morte tudo acaba;
E o louro sol jamais a murcha flor colora;
Novos mundos, porém, do mundo que desaba
Faço surgir e salto em rutilante aurora!

Caso estrelas no céu e corações na terra;
Da treva arranco luz; do nada arranco vida,
E crivo de vulcões o gelo que a alma encerra!

Mudam-te o peito em mar meus lúbricos desejos,
E tua mente ondeia e fulge colorida,
Como raio de luz entre vergéis de beijos!

TAÇAS

Deslumbrado cheguei chorando à terra, um dia;
E, do lauto festim da vida, achei-me à mesa;
Sempre libei cantando a taça da Alegria
Embebedou-me sempre o vinho da Tristeza.

Esplendidas visões trouxeram-me à porfia
As ânforas do Amor; e de volúpia acessa,
Minha boca de boca em boca um mosto hauria,
Que te tedio me encheu por toda a Natureza.

Dá-me a velhice a taça; eu das paixões prescindo;
E, ébrio, ascendo a espiral de um sonho delicioso,
No vinho da Saudade achando um gosto infindo ...
Parece-me o passado um rio luminoso,
Onde vogo a rever, pelas margens florindo,
A dor, que ao longe tem as seduções do Gozo!

Além de artigos na imprensa e discursos parlamentares, Fausto Cardoso publicou Cosmogonia política americana (1892), Concepção Monística do Universo (1894), Taxionomia social (1898), Lei e arbítrio - discurso em defesa de uma ditadura parlamentar, pelo Congresso Nacional (1902).

Em sua obra Concepção monística do universo, com prefácio de Graça Aranha, Fausto Cardoso expõe com brilhantismo sua filosofia. Afirma que os fenômenos da vida humana são como os do resto da natureza, regidos por leis fixas e imutáveis. Há entre elas um laço etiológico que, na sua ação e consequência, transforma o universo em algo acessível a nossos meios de investigação, formando um todo unitário, um monon.

Proclama que esta pretensão não é uma ilusão mental, como a que deu origem aos sistemas filosóficos de todos os tempos, mas desprendeu-se, “gradual e naturalmente, de uma série de achados filosóficos e científicos, graças aos gênios de Copérnico, Kant, Laplace, Lamarck, Darwin e Haeckel”.

Depois de expor as primeiras teses haeckelianas quanto à unidade dos fenômenos do mundo material, de tratar do surgimento do homem e da atividade psíquica, de avançar o seu conceito de consciência e de lei, de apresentar a lei de seleção natural como verdade universal, chega o autor ao ponto de interesse particular.

Afirma Fausto Cardoso que a ciência, lenta, mas progressivamente, expulsou pouco a pouco o sobrenatural da esfera do saber, vendo-se este obrigado a recuar “como um fantasma que fugisse diante de uma luz que avança”. “O sobrenatural desapareceu, mas o dualismo que ele inspirou resistiu e transformou-se. E esta transformação é a teleologia”.

Como observado, tal profundidade filosófica também foi a mesma tenacidade política. Reconhecido em seu pensamento, porém não pelos seus adversários políticos. Por consequência, a morte do pensador aos 42 anos, enquanto ainda frutificava em todas as esferas da vida.

REFERÊNCIAS

Calasans, José. Fausto Cardoso. Salvador, 1970.

Cardoso, Fausto de A. Concepção Monística do Universo - Introdução ao Cosmo do Direito e da Moral. Rio de Janeiro, Lammert & C., Editores proprietários, 1894.

Dantas, José Cupertino. Revolta Fausto Cardoso.      
Revista do Instituto histórico e Geográfico de Sergipe, Aracaju, v. 12, n. 17, p. 11-65, 1941-1942.

Ismerim, Kallinka. A morte de Fausto Cardoso. Disponível na internet em
<https://pt.scribd.com/document/59836116/A-Morte-de-Fausto-Cardoso> Acesso em 26 ago. 2017.
Guaraná, Armindo. Diccionario Bio-Bibliographico Sergipano: Rio de Janeiro, 1925.

Montalvão, Sérgio. Fausto Cardoso. CPDOC Fundação Getúlio Vargas.
Disponível na internet em 
http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira- republica/Cardoso,%20Fausto.pdf> 
Acesso em 26 ago. 2017.

Nascimento, José Anderson. Perfis Acadêmicos.- Aracaju: Editora Diário Oficial do Estado de Sergipe- Edise, 2017.

Francisco, Guimarães Rollemberg. Fausto Cardoso-Perfil Parlamentar - Aracaju: J. Andrade, 2018.

[*] É membro da Academia Sergipana de Letras, ocupando a cadeira 24, membro da Associação Sergipana de Imprensa, da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC -, da Academia de Letras de Aracaju, ocupando a cadeira 16 e é sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.

Texto reproduzido do site: jlpolitica.com.br

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Morre o Corretor de Imóveis José Ezequiel Melo dos Santos

Publicado originalmente na fanpage/Facebook/Creci Sergipe 16ª Região, em 23/08/2020 

Reproduzido da fanpage no Facebook/Creci Sergipe 16ª Região.

Antônio Melo Prudente (1917 - 2020)

Antônio Melo Prudente e sua esposa Maria Gilda Caldas Prudente
Foto: Edson Araújo.
Reproduzida do blog: canalr5blog.blogspot.com.br

Trajetória de vida de Antônio Melo Prudente é reconhecida pela Alese


Fotos: Jadilson Simões-Alese

REGISTRO de publicação de solenidade na Alese, ocorrida em 06/12/2016.

Publicado originalmente no site da ALESE, em 06 de dezembro de 2016

Trajetória de vida de Antônio Melo Prudente é reconhecida pela Alese

Por Agência de Notícias Alese

O legado exercido pelo empresário Antônio Melo Prudente ao longo de seus 99 anos de idade foi reconhecido pela Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese).  Nesta manhã de terça-feira, 6, o Laranjeirense recebeu das mãos do presidente da Casa Legislativa, Luciano Bispo, a Medalha do Mérito Parlamentar.

O Plenário da Alese ficou repleto de amigos, familiares e empresários, o que demonstra que ao longo dos seus 99 anos de existência, empresário soube administrar com maestria o seu meio social e familiar, além mesmo da relação de trabalho. 

Segundo informou Luciano Bispo, a indicação para que o Antônio Melo Prudente estivesse sendo agraciado na data de hoje com o Mérito Parlamentar foi motivada pelo ex-deputado, Arnaldo Bispo, onde, no ato da solenidade, o próprio ex-parlamentar, que é genro do homenageado, fez a entrega da medalha de Mérito Parlamentar.

“Venho agradecer a Alese por ter homenageado ao um homem que tive oportunidade de conhecer. Um homem íntegro, honesto, alegre, e companheiro. Um homem que chegou a trabalhar até os seus 95 anos, e que, segundo ele próprio, pra se chegar até essa idade de sucesso o segredo é não ter pressa”, conta emocionado.

“Estou muito feliz pela homenagem e com os amigos. Foi uma missão cumprida com muito trabalho e dedicação. Me dei muito bem com a família, amigos e com o comércio. Agradeço a Deus a quem sempre me deu sabedoria e condições humanas de vida”, asseverou o ilustre homenageado no auge dos seus 99 anos de vida.

Segundo Luciano Bispo, por onde passa, Antônio Prudente é louvado. “Seu Antônio Prudente é o homem da história de Sergipe no ramo atacadista, cerealista e varejista. Fez a história da família Prudente, e que muito contribuiu para a Economia do nosso Estado, gerando trabalho e emprego”, relata o presidente da Casa Legislativa, afirmando a que homenagem é muito justa.

Emocionante

A trajetória de vida do empresário- filho de Alcino Manuel Prudente e Joaquina Melo Prudente, e casado com Maria Gilda Caldas Prudente, com quem teve cinco filhos- foi exibida em vídeo durante a cerimônia, as narrativas contadas por filhos, esposa, netos, bisnetos, noras e genros, emocionou a todos os presentes.


Presenças

Além da participação de familiares, vastos amigos, empresários, ex-funcionários, e parlamentares da Casa Legislativa, estiveram compuseram à mesa de solenidade ao lado de Antônio Melo Prudente, a deputada Goretti Reis, que na ocasião presidiu momento solene como secretária; o presidente do Legislativo, Luciano Bispo; Luiz Valter Ribeiro, procurador da Procuradoria Geral do Estado; Ancelso Oliveira; o diretor da Fecomércio; Cloves Alcântara, presidente do Sindicato dos Representantes Comerciais de Sergipe; e José Alcides Vasconcelos (empresário).

Texto e imagens reproduzidos do site: al.se.leg.br

Morre Antônio Melo Prudente

Foto de Jadilson Simões/ALESE e postada pelo blog para ilustrar a presente nota.

Texto publicado originalmente no Perfil do Facebook de Laércio Oliveira, em 23/08/2020.

Perdi mais um amigo que deixa muito aprendizado para todos nós.

A Federação do Comércio lamenta o falecimento do empresário Antônio Melo Prudente, aos 103 anos.

Antônio foi um exemplo de honestidade, trabalhador, pai de família e amigo, responsável pela geração de emprego e desenvolvimento econômico no estado. 

O comércio sergipano perde um grande empreendedor, que trabalhou até os seus 95 anos cumprindo sua missão com muito trabalho, dedicação e alegria.

Texto reproduzido do Facebook/Laércio Oliveira.

domingo, 23 de agosto de 2020

Raimundo Juliano: um sergipano com 62 anos de atividade comercial


Publicado originalmente no site LAGARTENSE, em 6 de julho de 2019

Raimundo Juliano: um sergipano com 62 anos de atividade comercial

Filho do empresário Agripino Roque Santos e Mariath Amado Souto Santos, começou a trabalhar ainda criança como engraxate

Por Guilherme Almeida *

Nascido em 8 de julho de 1932 na cidade de Estância, desde cedo Raimundo Santos Souto se destacou entre seus nove irmãos. Filho do empresário Agripino Roque Santos e Mariath Amado Souto Santos, começou a trabalhar como engraxate aos sete anos para juntar dinheiro e assistir, semanalmente, filmes de Cowboy no cinema, já que seu pai não bancava financeiramente seu entretenimento.

Aos dez anos de idade passou a vender jornais e revistas e foi quando começou a fazer suas primeiras economias. Um ano depois, foi convidado para trabalhar como balconista na Loja Esperança que comercializava tecidos no município de Estância. O garoto se destacou na função e se tornou pracista da empresa atacadista “José Pinheiro Avelos”, acumulando, precocemente, dois empregos.

Três anos depois, já aos quinze, foi promovido ao cargo de caixeiro viajante, ainda na mesma empresa, viajando por quilômetros em cima de um burro, visitando cidades do sul sergipano e parte do sertão da Bahia, promovendo vendas, recebendo e transportando dinheiro, já que naquela época, as agências bancárias eram escassas. O adolescente chegava a percorrer 100km em 20 dias consecutivos. Para Raimundo Juliano, a promoção foi motivo de orgulho perante seus colegas e a sociedade, já que representava um sinal de crescimento.

Início da carreira empresarial

Em 1957, aos 25 anos, depois de juntar por tanto tempo suas economias, conseguiu comprar seu primeiro empreendimento, o famoso Bar Central, localizado na Rua Capitão Salomão, local estratégico, já que era um ponto de parada em Estância dos ônibus que iam para Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo, além de linhas para Indiaroba via Santa Luzia, Aracaju via Sapé, Salgado e outras. Uma estratégia da qual o empreendedor se valia era ir até o Rio de Janeiro ainda em março, comprar muitas cervejas e estoca-las até novembro, período em que começava a faltar a bebida na região.

Sete anos mais tarde, em 1964, Souto inaugura a Distribuidora Antártica Zona Sul e se torna atacadista de cervejas e refrigerante, além de idealizador de festivais de cerveja em Estância. E a partir disso, surgiu a Distribuidora de bebidas Disberj, fundada em 1970, em Aracaju. Vale lembrar que quando o empresário começou seu negócio de distribuidora da Antártica, a cerveja tinha apenas 10% do mercado que era dominado pela Brahma. Mas graças ao empenho e dedicação de Souto, passou a rivalizar com sua concorrente, conquistando 50% da fatia do mercado na década de 1980, além de 20% do mercado de refrigerantes.

Sucesso

Aos poucos, foram surgindo outras de suas empresas, como a DISCAR-Distribuidora de Carros, Fasouto-Faria Souto Comercio Ltda, Posto de Gasolina Riomar, Souto Teles Construção, Souto Teles Iluminação, Grande Hotel, aquisição do Dantas Campos & Cia, que mais tarde se chamaria “A Elétrica Souto Teles & Cia”, além de atividades pecuaristas, por meio das fazendas Itaperoá e Castelo, que contribuem para geração de renda e para a preservação e sustentabilidade do meio ambiente de Sergipe.

Atualmente, aos 87 anos, Souto atua aconselhando seus três filhos a como gerir os negócios da família.
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* Guilherme Almeida - Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal de Sergipe (UFS) em 2019. Atuou como bolsista na Assessoria de Comunicação da UFS, entre 2016 e 2017, e atualmente é jornalista do Portal Lagartense. DRT: 2450/SE.

Texto e imagem reproduzidos do site: lagartense.com.br

“Deus abençoe a minha caixa de engraxate” (Raimundo Juliano)


Publicado originalmente no site F5 NEWS, em 21 de agosto de 2020 

“Deus abençoe a minha caixa de engraxate” – Raimundo Juliano
Por Marcio Rocha (do blog/coluna)

Com oito anos de idade, um garoto chamado Raimundo Juliano Santos Souto começou uma trajetória de vida que marcaria a história do comércio sergipano, se misturando com a própria história do estado. Para poder pagar seu divertimento, cinema e parques de diversões, o garoto não imaginava que iria sair dali, de uma caixa de engraxate com uma flanela, escova e um pouco de pasta, um dos maiores legados do comércio do estado, responsável pela geração de milhares de empregos em Sergipe. Raimundo Juliano empreendeu e dali cresceu.

Crescendo em tamanho, idade e responsabilidade, ainda criança aprendeu como trabalhar com o comércio, na cidade de Estância e pensando à frente do seu tempo, mesmo estando atrás do balcão das Lojas Esperança, iniciou a atividade comercial de secos e molhados. Crescendo, subiu no lombo de um burrinho e desbravou terras sergipanas e com muita coragem seguiu também pela Bahia, o jovem Raimundo Juliano era então caixeiro-viajante, levando consigo a atividade de representação comercial, levando produtos para todo o comércio dos dois estados, seguindo por estradas de terra, pavimentou sua vida com muito trabalho.

Enquanto crescia na idade, Raimundo crescia como empreendedor. De um barzinho em Estância, surgiu o estalo para projetar-se de vez no mundo dos negócios, trabalhando com representação e distribuição de bebidas. Conhecedor do comportamento do consumidor, entendendo os períodos de demanda e escassez do produto, surgiu então a DISBERJ – Distribuidora de Bebidas Raimundo Juliano. Foram 45 anos vivendo nessa atividade, o que lhe propeliu a empreender em muitos outros ramos de negócios, levando a uma vida empresarial de 80 anos fazendo amigos, conquistando pessoas, fazendo negócios.

Não há em Sergipe uma pessoa que não tenha tomado uma cerveja, ou um refrigerante, que não tenha passado pelas mãos, de Raimundo. Pois isso levou os negócios mais além, gerando empregos para as famílias de Sergipe, levando um nome, uma história para nosso estado. História essa que ainda brilharia mais, com a sua chegada ao comércio atacadista e distribuidor, com a Fasouto. Primeiramente levando carga para as cidades e depois uma grande diversidade de produtos para o nosso comércio. A caixa de engraxate de um menino sonhador, se tornou a realidade que transformou as vidas de milhares de pessoas que hoje trabalham nas empresas que levam seu nome como fundador. De alguns tostões para um garoto, foram gerados milhões para incontáveis famílias.

Aqui volto no tempo aos idos de 2004, quando fiz minha primeira entrevista com Raimundo Juliano, para o Jornal Povão. A primeira pergunta dele foi “Você é filho de quem?” Lhe respondi dizendo quem era meu pai. “Ah, seu pai era meu amigo! Essas orelhas enormes são iguais as de Cordeiro!” Caímos na risada. Tivemos um ótimo papo lá na Fasouto, conversando bastante sobre a história de sua vida, que realmente se mistura com a história de Sergipe.

Encontramo-nos em várias oportunidades, mas a lembrança mais marcante que tenho é de quando nos encontramos em Terra Caída, no restaurante de Pascásio. Uma garrafa de Antarctica aberta e eu brinquei com ele, dizendo-lhe que naquela idade ele não deveria estar tomando cerveja. “Como não vou beber? Eu tô aqui por causa dela”. Muitas risadas, como de costume... Aí me contou novamente um pouco da história da empresa que transformou sua vida, vendendo cerveja. Falou sobre a felicidade de estar com mais de 80 anos, mesmo com algumas limitações e sobre olhar para trás e ver como tudo começou e como sua vida se transformou. “Deus abençoe a minha caixa de engraxate.

Tudo que tenho e sou devo a Ele e a ela”.

Seu Raimundo, obrigado e até um dia...

Texto e imagem reproduzidos do site: f5news.com.br

sábado, 22 de agosto de 2020

Morre o empresário Raimundo Juliano


Publicado originalmente no site do JORNAL DO DIA, em 22 de Agosto de 2020

Morre o empresário Raimundo Juliano

 Morreu na madrugada desta sexta-feira (21) o empresário Raimundo Juliano Santos Souto, aos 88 anos, na cidade de São Paulo. O Sistema Fecomércio/Sesc/Senac lamenta a morte de um dos maiores empresários da história contemporânea de Sergipe.

Raimundo Juliano atuou na vida empresarial desde os oito anos de idade quando começou a trabalhar como engraxate para custear seu divertimento, que era ir ao cinema e aos parques de diversões. Mal imaginava ele que da pequena caixa com uma escova e um pouco de pasta surgiria um dos maiores nomes da vida empresarial da história do comércio, um dos maiores nomes da história de Sergipe. Com a caixa de engraxate se formou um empresário que atuou nos ramos de comunicação, comércio varejista, atacadista e distribuidor, comércio de veículos, combustíveis, hotelaria, construção civil e agronegócio. Seu trabalho formou um grupo empresarial que é responsável por milhares de empregos em várias cidades de Sergipe.

Sua trajetória empresarial teve em seu bojo características marcantes como a simplicidade, a alegria em fazer negócios e ganhar amigos e pessoas para sua vida. Raimundo Juliano foi caixeiro viajante, representante comercial e sempre atuou com inovação no mundo dos negócios, ainda na cidade de Estância. De um bar, veio o que lhe projetou de vez como um dos maiores empresários da história de Sergipe, a DISBERJ - Distribuidora de Bebidas Raimundo Juliano, atuando por 45 anos na atividade. Em seguida vieram as empresas Fasouto, Discar, Grande Hotel, Souto Teles Iluminação, Souto Teles Construções, Posto Riomar e os empreendimentos no agronegócio. O presidente do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac Sergipe, Laércio Oliveira, lamentou a morte de Raimundo Juliano.

"Raimundo Juliano nos deixa como legado um grande exemplo de vida, trabalho e determinação. Seu trabalho é marcado pelo espírito de coletividade, fazendo outras empresas se desenvolverem por meio da somação de forças. Um homem simples, de atitudes nobres, com vontade de vencer e uma grande sintonia com as pessoas. Isso o fez conquistar o mercado e vencer na vida empresarial, transformando uma caixa de engraxate em um negócio gigante em Sergipe. O exemplo de Raimundo Juliano é uma referência para as novas gerações, um homem de grande valor para nossa sociedade e para a história da economia sergipana. Hoje é um dia triste, pois perdemos um dos maiores homens da história comercial de nosso estado e um amigo querido", disse Laércio.

O presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe, Luciano Bispo, em nome de todos os deputados estaduais, lamenta a morte do empresário Raimundo Juliano, ocorrida na madrugada desta sexta-feira, 21, em um hospital particular em São Paulo.

Por conta da pandemia da covid-19 não houve velório. O corpo foi sepultado na tarde desta sexta-feira no cemitério Santa Isabel, em Aracaju.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldodiase.com.br

"Raymundo Juliano Souto dos Santos, nosso pai, acordou para a outra vida"

Pai e filho: uma imagem de afeto que sempre seguiu estes dois 
nos caminhos da vida e dos negócios

Publicado originalmente no site JLPOLÍTICA, em 21 de agosto de 2020

Opinião - Raymundo Juliano Souto dos Santos, nosso pai, acordou para a outra vida   
 
Por Juliano Cesar Faria Souto * (da coluna APARTE)

Um hábito herdado de minha mãe, que consegui colocar em prática, foi o da leitura noturna. Na insone noite deste 20 para 21 agosto, estava eu lendo o famoso clássico da literatura mundial “Guerra e Paz”, de Liev Tolstoi (1828-1910) - alguns chamam-no de Leon Tolstoi - e, para minha surpresa, dentre as suas mais de 3 mil páginas, deparei-me exatamente às 3 horas da madrugada, na de número 1.173, com uma descrição do que é a morte na visão do personagem do príncipe russo Andrei.

Tomo aqui a liberdade de transcrever trechos do texto do Tolstoi: “Amor? O que é o amor? O amor atrapalha a morte. O amor é a vida. Tudo existe só porque eu amo. O amor é Deus, e morrer significa que eu, uma partícula de amor, vou voltar para a fonte universal e eterna”. 

Em sonho, o príncipe Andrei se vê num quarto rodeado de pessoas com os mais diversos afazeres e discutindo assuntos supérfluos. Aos poucos, as pessoas começam a desaparecer e tudo é substituído por uma só pergunta a respeito do fechamento de uma porta.

Andrei tenta fechá-la e “tudo” certamente depende de ele conseguir deter aquela porta. Ele emprega todas as suas forças físicas e ali está a metáfora do temor, do medo da morte: atrás da porta está “aquilo”. Aquela coisa, empurrando do outro lado, começa a abrir a porta.

Não é algo humano empurrando. Na pena livre de Tolstoi, é a morte que força a porta. Andrei agarra a porta, com suas últimas energias, e ela abre e fecha. Por fim, as duas partes da porta se abrem sem fazer ruído. Finalmente, “aquilo” entrou. E “aquilo” é a morte, essa senhora rigorosamente democrática.

Então, o príncipe Andrei conclui laconicamente: “Sim, era a morte. Eu morri - eu acordei. Sim, a morte é um despertar”. A ideia se acendeu de repente e a cortina, que até então ocultava o desconhecido, foi erguida diante de seu olhar espiritual.

Naquela leveza que não o abandonou mais a partir de então, ele sentiu como que uma libertação de energias antes presas dentro dele.

Esta cena, com a qual Tolstoi ritualiza a passagem desta para uma outra vida em seu “Guerra e Paz”, me acode solenemente nesta hora em que meu pai, Raymundo Juliano Souto dos Santos - 8 de julho de 1932/21 de agosto de 2020 - faz o “despertar” dele.

Nosso pai “acordou”, na figura de imagem do russo da minha leitura noturna herdada da minha mãe. Triste? Se há algo que pode nos confortar em tal momento esse algo é a certeza, clara, como o balançar de uma cortina, da existência da eternidade.

Sim, a certeza de uma eternidade que pode ser sentida nas lembranças, nos atos e nas lições dos grandes homens que nos deixam, como acaba de fazer o nosso pai. No caso dele, como gostava de frisar, foram “88 anos negociando e fazendo amigos”.

Aliás, essa herança de Seu Raymundo Juliano Souto dos Santos me permite até uma correção: gente como nosso pai jamais nos deixará com esse seu “despertar” de hoje. Porque, e de novo recorro ao romance russo, “morrer significa que eu, uma partícula de amor, vou voltar para a fonte universal e eterna”. Seu Raymundo Juliano inicia hoje a sua volta.

* Nesta hora, juntamente com mais Cynthia Faria Souto e Ana Suely Souto Teles, é apenas um filho de Raymundo Juliano Souto dos Santos! Vindo da cidade de São Paulo, o corpo do empresário Raymundo Juliano chegará às 17h no Aeroporto de Aracaju e de lá seguirá diretamente para o Cemitério Santa Isabel. Organizado pela Fecomércio, um cortejo de empresários deve seguir em automóveis o corpo até cemitério.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Homenagem a Raimundo Juliano (1932 - 2020)







Empresário sergipano Raimundo Juliano morre aos 88 anos

Empresário Raimundo Juliano
Foto: Divulgação

Publicado originalmente no site G1 SE, 21 de agosto de 2020

Empresário sergipano Raimundo Juliano morre aos 88 anos

A Federação do comércio emitiu nota lamentando o falecimento e destacou o legado deixado por ele durante sua trajetória empresarial.

Por G1 SE

Morreu, na madrugada desta sexta-feira (21), em São Paulo, aos 88 anos, o empresário sergipano Raimundo Juliano, do Grupo Fasouto.

Natural de Estância, ele começou cedo a vida empresarial no município. Atuou no comércio atacadista, de varejo, de veículos, agronegócio e construção civil. Também participou da fundação da loja Maçônica Piauitinga, do Clube de Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito de Estância. Raimundo Juliano ainda foi presidente do Rotary Clube Aracaju-Norte.

A Federação do comércio emitiu nota lamentando o falecimento do empresário e destacou o legado deixado por ele durante sua trajetória empresarial.

Texto e imagem reproduzidos do site: g1.globo.com/se

terça-feira, 18 de agosto de 2020

AVC mata a artista plástica Cláudia Toscano


Cláudia chegou a ficar 14 dias internada

Texto publicado originalmente no site DESTAQUE NOTÍCIAS, em 17 de agosto de 2020

AVC mata a artista plástica Cláudia Toscano

Vítima de um Acidente Vascular cerebral (AVC), faleceu nesta segunda-feira (17), a artista plástica Cláudia Toscano.

 Aos 70 anos, ela morreu em casa, após ter ficado internada durante 14 dias num hospital de Aracaju. Cláudia foi miss Sergipe, em 1970.

“Minha maior inspiração é a mãe natureza e tudo que nela deslumbra”, dizia a artista.

Os amigos afirmam que ela expressou a sua arte, através de temas e cores fortes, retratando sua inquietude e as dores.

Texto reproduzido do site: destaquenoticias.com.br

domingo, 16 de agosto de 2020

A mulher sergipana na Segunda Guerra Mundial


Imagem Acervo de Família e postada por Aida Campos no Facebook/GrupoMTéSERGIPE e migrada pelo Blog SERGIPE, sua terra e sua gente, para ilustrar o presente artigo.  Na foto FAMÍLIA CAMPOS - Os filhos de Adroaldo Campos - Dudu da Capela -  e Ocirema Alves Campos: Lealdo Lima Campos, Aldo de Jesus, Laurindo Alves Campos, Adroaldo Campos Filho, Lisaldo Alves Campos, LENALDA CAMPOS DUBOC e Lises Alves Campos — em Capela/SE - Anos 70.

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A mulher sergipana na Segunda Guerra Mundial

Texto Acadêmico

Documentos da 4ª Fase

“A mulher brasileira colaborava nos preparativos para a guerra através do Serviço Feminino da Defesa Passiva Civil Antiaérea, das enfermeiras da Cruz Vermelha, das Socorristas, das Samaritanas e das senhoras da Escola Técnica Social.

Quando houve o torpedeamento aos navios brasileiros na costa sergipana, abriu-se aqui o curso de ‘auxiliar de enfermagem’ para a guerra através da Cruz Vermelha, e com isto a possibilidade de participação das mulheres. Cinco sergipanas candidataram-se ao curso, mas no momento da seleção por aptidão física, apenas 03 foram aceitas para incorporação ao corpo feminino do Exército brasileiro. Seguiram para Salvador para um treinamento e a seguir foram convocadas. Já no Exército, fizeram um treinamento específico de enfermagem aérea para transporte de feridos. O treinamento era muito duro, inclusive com aulas de natação em alto mar, o que, segundo as entrevistadas, desafiavam sua coragem. Antes de seguirem para o ‘front’ passaram uma semana em Miami para novo treinamento, retornando para a base de Natal, daí sim diretamente para a Itália.

(…)

Lenalda Lima Campos (Lenalda Campos Duboc) é natural de Capela – SE e, em 1940, aos dezoito anos, foi trabalhar no Palácio Serigy, na época o Departamento de Saúde do Estado, no Serviço de profilaxia da lepra.

Em seguida, por influência de um tio, que residia em São Paulo, foi estudar no Colégio Mackenzie, onde conheceu a conterrânea Joana Simões Araújo, sua futura companheira nos serviços de Enfermagem da Guerra.

Os jornais da época e informações de familiares atribuem que a decisão de prestar serviço na guerra germinou quando ocorreu os torpeamentos dos navios sergipanos na foz do Rio Real, informação mais tarde confirmada pela própria Lenalda em entrevista de viva voz.

Ela cuidou dos náufragos naquela ocasião. Tinha 22 anos. Por ocasião da guerra fez treinamento para ‘Enfermeira do ar’, transportando os feridos da Itália para o Brasil, em viagens que duravam aproximadamente 12 horas, em condições adversas. E ainda, após chegada ao Rio de Janeiro, embarcava novamente para a base de Natal, ou para onde houvesse necessidade de transportar os feridos, para em seguida retornar à Itália.”

(…)

A Guerra acabou. Os pracinhas estavam voltando. Nas ruas do Rio de Janeiro, o desfile da vitória. O Brasil festejava a paz. As mulheres guerreiras, entretanto, recebiam apenas um ‘saudações, muito obrigado e sejam felizes. Vocês foram heroínas’ (DUBOC, 2001). Houve uma rejeição muito grande quando da tentativa que as mesmas fizeram de continuarem ligadas ao Exército. (…) A partir daí se iniciou uma outra luta em defesa dos interesses dos ex-combatentes e seus familiares (…)”

Sobre este documento:
Título: A mulher sergipana na Segunda Guerra Mundial
Tipo de documento: Texto Acadêmico
Palavras-chave: Tocantins Ditadura Guerrilha do Araguaia
Origem: Maria Jésia Vieira, et. al. “A mulher sergipana na Segunda Guerra Mundial”. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. N° 34, 2003-2005, 223-234. http://www.ihgse.org.br/revistas/34.pdf
Créditos: Maria Jésia Vieira

Texto reproduzido do site: olimpiadadehistoria.com.br