quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Morre João Alves, o tocador de obras

 

Texto publicado originalmente no site DESTAQUE NOTÍCIAS, em 25 de novembro de 2020

Morre João Alves, o tocador de obras

O ex-governador João Alves Filho (DEM) morreu, na madrugada desta quarta-feira (25), no Hospital Sírio Libanês, em Brasília, onde estava internado, após ter sofrido uma parada cardíaca em seu apartamento e contraído coronavírus. Desde julho do ano passado, o ex-governador recebia cuidados intensivos em uma unidade Home Care para controlar um estado avançado de Alzheimer. Segundo a família, o corpo de João Alves Filho será cremado em Brasília e as cinzas trazidas para serem sepultadas em Aracaju. O ex-governador tinha 79 anos, era casado com a senadora Maria do Carmo Alves (DEM), com quem teve duas filhas e um filho.

Resumo biográfico de João do Povo

João Alves Filho nasceu em Aracaju no dia 3 de julho de 1941, filho do empresário da construção civil João Alves e de Maria de Lourdes Gomes. Em 1960 assumiu o cargo de diretor técnico da construtora de propriedade de sua família. Um ano depois, ingressou na Escola Politécnica da Universidade da Bahia, pela qual se graduou em engenharia civil em 1965. No mesmo ano fundou e assumiu a presidência da “Habitacional Construções S.A.”, que viria a ser uma das maiores empresas de construção civil do Nordeste. Do seu casamento com Maria do Carmo Alves, teve três filhos.

Iniciou-se na política em 1975, por intermédio do então governador de Sergipe, José Rolemberg Leite, que o nomeou prefeito de Aracaju. Filiado à Arena, tornou-se muito popular durante sua gestão, adquirindo a fama de tocador de obras e administrador competente. Ao longo de sua gestão, encerrada em 1979, não teve nenhum de seus projetos derrubados pela Câmara Municipal, embora a maioria dos vereadores fosse filiada ao MDB, partido de oposição.

Após o fim do bipartidarismo em novembro de 1979, entrou para o PP. Pouco tempo depois, afastou-se da vida partidária e voltou às atividades empresariais, sob o argumento de que o PP se tornara inviável no estado. Em fevereiro de 1982, o partido acabou sendo incorporado ao PMDB, como forma de enfrentar a situação política decorrente da aprovação pelo Congresso, em dezembro de 1981, do pacote de reformas da legislação eleitoral proposto pelo presidente João Figueiredo.

Primeiro governo

A realização de eleições diretas para governador em novembro de 1982, mobilizou os partidos recém-formados na busca de candidatos. Nesse novo contexto, a convite do então governador Augusto Franco, João Alves Filho se filiou ao PDS, partido sucessor da Arena. Em seguida, foi indicado candidato ao governo estadual, tendo seu nome referendado por Albano Franco, e apoiado pelos prefeitos e pelas bases pedessistas.

Detentor de um grande prestígio político em Sergipe, e tendo como companheiro de chapa o candidato a vice Antônio Carlos Valadares, João Alves foi muito bem-sucedido em sua disputa com os candidatos Gilvan Rocha (PMDB), Marcelino Bonfim (PT) e Manuel Ferreira dos Santos (PDT). Eleito com 76% dos votos válidos, uma das mais expressivas votações no estado, João conseguiu, pela primeira vez em 30 anos, que o partido do governo vencesse na capital. Assumiu o cargo no dia 15 de março de 1983.

Coerente com suas principais promessas de campanha, de estímulo à agricultura e combate à seca e à miséria, o governador João Alves Filho buscou implementar projetos que, no seu entender, possibilitassem um desenvolvimento rural integrado das áreas atingidas pela seca. Com o financiamento do Banco Mundial, pôs em andamento o projeto Chapéu de Couro, que procurava beneficiar a região do agreste semiárido com a perfuração de poços artesianos e a construção de cisternas, estradas vicinais, redes de energia elétrica, escolas e postos de saúde.

Rompe com os Franco

Em março de 1985, João Alves rompeu politicamente com a família Franco e ingressou no PFL, partido originado da Frente Liberal, dissidência do PDS que se havia unido ao PMDB para apoiar a eleição presidencial de Tancredo Neves e José Sarney pelo Colégio Eleitoral. Ainda em 1985, envolveu-se na disputa eleitoral pela Prefeitura de Aracaju. Procurando consolidar no nível municipal a Aliança Democrática, aliou-se ao PMDB de Aracaju em apoio a Jackson Barreto, que foi eleito com grande votação.

Em 1986, o PFL sergipano tentou manter a aliança para a sucessão de João Alves no governo estadual, mas suas esperanças foram frustradas pela união entre a ala moderada do PMDB e o PDS dos Franco, que lançou o peemedebista José Carlos Teixeira. Inviabilizada tal articulação, Alves decidiu apoiar seu vice para o governo. Beneficiado pela popularidade de Alves e pela composição de partidos que incluía o PCB, o PCdoB e os “progressistas históricos” do PMDB, Antônio Carlos Valadares venceu a disputa, tornando-se o único governador do PFL eleito naquele pleito.

Ministério do Interior

Após passar o governo de Sergipe a Antônio Carlos Valadares, João Alves voltou às atividades empresariais e ajudou a reorganizar o PFL sergipano. Em agosto, foi empossado no Ministério do Interior. Aceito por grande parte dos governadores peemedebistas do Nordeste, o ex-governador de Sergipe defendeu a permanência do pacto entre o PFL e o PMDB, afinal rompido em fins de setembro.

Criticando tal atitude, o ministro do Interior afirmou que o partido deveria permanecer unido em torno do presidente da República, apoiando, inclusive, o mandato de cinco anos para Sarney, proposta que acabou sendo aprovada na Assembleia Nacional Constituinte (1987-1988). Em 15 de março de 1990, João Alves deixou o ministério.

Na política sergipana

Apesar de ter rechaçado inicialmente qualquer possibilidade de aliança com o PMDB, controlado pela família Franco em Sergipe, a chapa da qual fez parte como candidato a governador acabou sendo composta por Albano Franco, que pleiteava uma vaga no Senado. Por intervenção direta de Collor, o PFL e o PMDB formalizaram uma aliança no estado para impedir uma disputa entre Albano e João Alves. Obtendo 73,7% dos votos válidos, venceu as eleições do dia 3 de outubro. Seus únicos adversários, José Eduardo Dutra (PT), e Gilberto Selles dos Anjos (PRT), obtiveram, respectivamente, 25,1% e 1,2% dos votos válidos.

Em relação ao novo governo, João Alves Filho manteve uma postura de aceitação, buscando a conciliação entre as forças governistas nos momentos mais críticos. Em setembro de 1993, discordou da atitude de Luís Antônio Fleury, governador de São Paulo, que rompeu com o governo federal, e afirmou que os partidos que tinham apoiado a saída de Fernando Collor deveriam dar sustentação política ao presidente Itamar Franco para que fosse garantida a governabilidade do país.

Eleição de Albano

João Alves optou em não deixar o governo visando preparar sua sucessão, que ocorreria no final de 1994. Articuladas as alianças, o candidato apoiado pelo governo do estado seria o senador Albano Franco, do (PSDB. Realizada a eleição, Albano e Jackson Barreto (PDT) alcançaram votações semelhantes, o que levou a disputa para o segundo turno, tendo o candidato pedetista foi derrotado no pleito realizado em 15 de novembro.

Em 1996, João Alves Filho envolveu-se novamente em uma disputa eleitoral na tentativa de garantir a eleição de sua mulher, Maria do Carmo Alves (PFL), para a prefeitura de Aracaju. O pleito, contudo, foi ganho por João Augusto Gama da Silva, do PMDB. Dois anos depois,

Em 3 de outubro de 1998, enquanto sua mulher Maria do Carmo Alves (PFL) era eleita senadora, João Alves foi derrotado na disputa pelo governo de Sergipe pelo antigo aliado, o então governador Albano Franco (PSDB), que se reelegeu. Em 2002, João Alves saiu novamente candidato ao governo do estado com o apoio da coligação “João na cabeça e Sergipe no coração”, liderada por seu partido, o PFL, tendo conquistado seu terceiro mandato.

Derrotado por Déda

Durante sua terceira gestão, iniciada em 2003, criou a Secretaria de Combate à Pobreza, seguindo o programa federal de combate à fome, chamado de Fome Zero, criado pelo recém-empossado presidente da República Luís Inácio Lula da Silva. Sua mulher, Maria do Carmo Alves, licenciou-se do Senado para assumir a nova secretaria, que também procurou desenvolver programas nas áreas de saúde e habitação.

Em 2006, foi candidato pela quarta vez ao governo do estado numa campanha marcada por discussões entre PFL e PSDB em torno das alianças eleitorais. Na convenção, o PSDB rompeu com o PFL, passando a apoiar o candidato do PT, Marcelo Deda. Depois de acirrada disputa, o petista derrotou João Alves, que deixou o governo em 31 de dezembro.

Prefeito 30 anos depois

Em 2012, o ex-governador se candidatou a prefeito de Aracaju. Com uma coligação formada por 13 partidos, disputou com o candidato do PSB, Valadares Filho. Com 52,72% dos votos válidos, João Alves Filho foi eleito e empossado novamente na Prefeitura após mais de 30 anos, em Janeiro de 2013.

Desde 1993, João Alves Filho é membro da Academia Sergipana de Letras e autor de diversos livros, entre os quais “No outro lado do mundo” (1988), “Irmãos de raça” (s/d), “O Caminhoneiro do Brasil” (1994), “Nordeste – estratégias para o sucesso” (1997), “Matriz energética brasileira” (2003) e o mais recente “Toda a verdade sobre a transposição do rio São Francisco” (2008).

Com informações da biografia de João Alves Filho produzida por Márcio Magalhães/ Letícia Nunes de Moraes, da Fundação Getúlio Vargas.

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Morre, aos 91 anos, o cantor Josa, o ‘Vaqueiro do Sertão’

Segundo uma de suas filhas, o artista faleceu dormindo
Foto: arquivo/Portal Infonet

Publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 10 de novembro de 2020

Morre, aos 91 anos, o cantor Josa, o ‘Vaqueiro do Sertão’

Morreu na manhã desta terça-feira, 10, aos 91 anos, o cantor e sanfoneiro José Gregório Ribeiro, conhecido carinhosamente como ‘Josa, o Vaqueiro do Sertão’. Segundo uma de suas filhas, o artista faleceu dormindo. Detalhes sobre o velório e sepultamento ainda serão divulgados.

“Meu pai partiu igual a minha mãe: dormindo como um anjo”, diz emocionada a filha Joseane de Josa. Ela explica que há mais de 10 anos o pai lutava contra o Alzheimer. “Infelizmente além dessa doença o meu pai também enfrentava dificuldades após um AVC que ele teve em 2004. Hoje ele descansou”, lamenta.

Carreira

De origem humilde e do interior de Sergipe, o filho de lavradores do Povoado Jacaré, em Simão Dias, município distante 100 km de Aracaju, se tornaria em pouco tempo, uma das grandes referências da música popular nordestina. Autor de mais de 300 composições no forró, Josa fez questão de retratar toda a realidade vivenciada em suas composições.

O primeiro disco do sergipano foi um compacto simples, “Fazendo Zabumba”, que contou com a participação de Luiz Gonzaga. O forrozeiro gravou ainda um disco duplo; dois LP’s com 12 músicas cada, além de realizar várias participações em coletâneas no Estado de Sergipe.

No auge de sua carreira musical, ele fez várias turnês e chegou a se apresentar no programa de Abelardo Barbosa, o “Chacrinha”, no Rio de Janeiro/RJ. Josa também teve suas composições regravadas por cantores respeitados no forró, a exemplo de Clemilda, Alcimar Monterio, Mestre Zinho do Acordeon, Erivaldo de Carira, Zé Américo, Jailson do Acordeon, dentre outros.

Documentário

Em maio do ano passado, o roteirista Dida Araújo desenvolveu um documentário intitulado ‘O Vaqueiro do Sertão ‘, a fim de contar a trajetória desse grande artista sergipano. À época, Dida explicou ao Portal que a obra foi uma das formas de homenageá-lo pelos 90 anos que estava prestes a completar.

 "É uma forma de agradecê-lo pela contribuição que ele deu para a cultura sergipana. Foi um homem que amou o sertão”, disse o roteirista. “O mais lindo é que grandes nomes da nossa cultura se inspiram nele. Ele demonstrou que o orgulho de ser nordestino, sergipano, tem que está dentro da gente”, acrescentou.

por João Paulo Schneider

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

terça-feira, 27 de outubro de 2020

Pascoal Maynard no MAC “Antônio Garcia”


Publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 26 de outubro de 2020

Pascoal Maynard no MAC “Antônio Garcia”
Por Lúcio Prado (do blog Infonet)

O jornalista Pascoal D’Avila Maynard Júnior está chegando ao Movimento de Apoio Cultural Antônio Garcia Filho – MAC – da Academia Sergipana de Letras, por indicação da acadêmica Marlene Alves Calumby.

Apresenta-se com toda a galhardia e predicados intelectuais que sobejamente o credenciam para atingir esse desiderato. Senão vejamos:  sergipano de Aracaju, é notoriamente conhecido e festejado na cidade e além desta, pelas suas ricas realizações e expressiva contribuição que vem prestando, há muitos anos, para o desenvolvimento da cultura sergipana em todas as suas vertentes, nas artes em geral, na música, popular e erudita,  na dança, no folclore e notadamente, na área jornalística, com a difusão das manifestações artísticas e culturais do Estado, quer seja através do seu notável Programa “Expressão”, levado ao ar semanalmente pela TV Aperipê, ou mesmo pelas iniciativas artísticas e culturais, como curador de notáveis exposições levadas a efeito em Sergipe.

Pascoal Maynard, como é mais conhecido nas rodas intelectuais da terra de Tobias Barreto, faz cultura com garra, determinação e estoicismo. Não é fácil fazer cultura no Brasil, pela falta de compromisso e limitações orçamentárias definidas pelos governantes, mas isso nunca intimidou Pascoal Maynard.

Filho de consagrado jornalista sergipano, Pascoal D’Avila Maynard, que fez escola com maestria na imprensa de Sergipe, Pascoal também é jornalista, graduado em Comunicação Social pela Universidade Tiradentes e exuberante produtor cultural, tendo dirigido com proficiência os Teatros Atheneu e Tobias Barreto, a chefia de Gabinete da Secretaria de Estado da Cultura, coordenando vários projetos culturais da Secretaria de Estado da Cultura e atualmente, com inteira justiça, integra a Academia de Letras de Aracaju – ALA, na Cadeira que tem como Patrono  a escritora Giselda Morais. Importante participação teve também o nosso enfocado, na área de publicidade e propaganda, na agencia LIVE.

Desde 2005 produz e apresenta o programa “Expressão”, veiculado semanalmente, às sextas-feiras a partir das 19:30 horas, na APERIPÊ TV, emissora de televisão aberta, da Rede Pública de Televisão, constituindo-se em um dos mais importantes instrumentos de divulgação da nossa história artístico-cultural, sem nenhuma sombra de dúvida. Em “Expressão”, Pascoalzinho, como também é conhecido o nosso candidato, faz cultura consistente, através de entrevistas e reportagens, abordando as manifestações de forma plural, representadas pelos seus conteúdos e formas, abrangendo todos os segmentos, como a literatura, o teatro, a dança, a música, as artes plásticas, etc, destacando o nosso patrimônio material e imaterial cultural e artístico. Não resta dúvida que o programa “Expressão” é o maior veículo cultural televisivo de Sergipe, mantendo uma regularidade e diversidade excepcionais.

Por outro lado, Pascoal Maynard é ainda responsável pela produção e direção de vários documentários para TV e espetáculos musicais para a televisão e teatro. Não devemos esquecer o seu extraordinário acervo de imagens e vídeos de momentos históricos de Sergipe, obtido com visitas ao Museu Mario de Andrade, em São Paulo, à Cinemateca do Museu de Arte Moderna e a à Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Entre as suas realizações podemos destacar a participação para o resgate da obra do inolvidável fotógrafo sergipano Waldemar Lima, responsável pela fotografia do icônico filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, a recuperação das fotografias alusivas ao Centenário de Aracaju, do grande acervo de Valmir Almeida, a curadoria das obras do notável sergipano Aragonez de Faria, com suas maravilhosas pranchas para o Cine Pathé, que revolucionaram a estética na divulgação dos filmes desse estúdio francês. Ainda na Cinemateca do Museu de Arte Moderna – MAM – Pascoal resgatou várias edições do telejornal Cine Revista da Tela, com narração de Cid Moreira, que era veiculado pelos cinemas de Aracaju final da década de 50, início da década de 60.

Em outubro de 2015, participou como convidado do Brasilianisches Kulturfestival Wien 2015 (Festival do Brasil em Viena 2015) apresentando, na Embaixada do Brasil naquele país, três documentários por ele dirigidos, sobre a Cultura sergipana.

O nosso enfocado vem sendo alvo de diversas distinções no Estado, como aconteceu em 2016, quando foi homenageado com a Medalha do Mérito Monsenhor Silveira, pela Associação Sergipana de Imprensa e recebeu “Moção de Aplauso”, do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão do Estado de Sergipe. Mas não para por aqui. Prêmio Sanfona de Ouro, de Jornalismo Cultural; Prêmio Educar-se, Programa de Televisão Local, em evento promovido pelo intelectual Jorge Lins de Carvalho, Diploma de Honra ao Mérito “Almério Cavalcante”, da Associação dos Artistas Plásticos de Aracaju; Prêmio “Capital” de Produção e Conteúdos Culturais, uma consistente realização da jornalista e poeta Ilma Fontes; Comenda, simbolizada pela “PLACA HONORÍFICA POETA HERMES FONTES”, da nossa Academia Sergipana de Letras e da Universidade Tiradentes.

Sua trajetória na cultura sergipana tem navegado na produção de diversos gêneros: registros históricos, captação de extraordinários eventos teatrais e musicais, entre outras.

Assíduo frequentador de primeira fila (quando não está diretamente no palco ou na  coxia) dos principais movimentos culturais de Sergipe,  Pascoal Maynard, na sua inquietude de poeta e de rara sensibilidade, busca ampliar seu conhecimento cultural e estreitar laços com as diversas manifestações artísticas da cidade. Atinge a maturidade intelectual e pessoal, na celebração dos seus 70 anos de vida intensamente produtiva, ocorrida na semana que passou.

Pascoal Maynard é maior do que tudo que disse. É luminar da cultura de Sergipe e, por tudo isso, entendemos que a sua chegada ao MAC/ASL ilustrará sobremodo a instituição.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Falece PYTHIU, músico e artista plástico

Publicado originalmente no Facebook/Ludwig Oliveira, em 19 de outubro de 2020.

“FALECE O AMIGO PYTHIU.

Músico contrabaixista que atuou em diversos grupos musicais, além de artista plástico.

Nesta foto dos COMANCHES ele é o último agachado.

Mendes, Pedro Marcelo, Jorge e Pythiu”. (L.O.)

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Ludwig Oliveira.

Sergipe e Bahia choram por Thomaz Cruz

Thomaz Cruz discursa nos 10 anos da ASM

Publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 14 de outubro de 2020

Sergipe e Bahia choram por Thomaz Cruz
Por Lúcio Prado (do blog Infonet)

A Medicina brasileira perdeu nesta quarta-feira, 14 de outubro, um dos seus mais emblemáticos vultos: Thomaz Rodrigues Porto da Cruz, ou simplesmente Thomaz Cruz. Descendente de importante família sergipana, uma das mais sobranceiras na história de Sergipe, filho de Carlos Rodrigues da Cruz, industrial progressista que presidiu a Fábrica de Tecidos Sergipe Industrial e de Celuta Porto Cruz, pessoa de primorosa formação cultural. O seu avô paterno, o médico baiano Thomaz Rodrigues da Cruz, formado pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1871 com especialização em Paris e Londres, transferiu-se para Maruim no final do século XIX, onde conheceu Clara de Faro Rollemberg, irmã do senador Gonçalo Rollemberg, também de ilustre família sergipana. Com intensa vida política, empresarial e cultural no estado e ao lado do irmão, João Rodrigues da Cruz, fundaram a Fábrica Sergipe Industrial.

Thomaz Cruz também era neto pelo lado materno de Francisco de Souza Porto, importante político sergipano com atuação destacada nas cinco primeiras décadas do século XX. Candidato de consenso para presidir Sergipe, foi impedido de assumir o cargo em função da Revolução de 30. Chico Porto, como era conhecido, foi pai do médico Lauro Porto, falecido em 2010, aos 99 anos. As relações de Thomaz com o tio Lauro eram de profundo respeito e veneração.

Thomaz Cruz discursando na instalação da ASM em 1994. Eu escutando atentamente.

Falar da rica e profunda árvore genealógica de Thomaz Cruz, no entanto, não é escopo desse trabalho.  No entanto, urge que os historiadores de Sergipe se debrucem mais sobre esse destacado clã. Pois bem. Thomaz seguiu para a Bahia com o objetivo de estudar na vetusta Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, hoje bicentenária, a primaz do Brasil. Formando-se em 1964, fez especialização em endocrinologia nos Estados Unidos. Retornando à “Boa Terra”, destacou-se como referência indiscutível na especialidade que abraçou, com competência e seriedade. Realizando concursos, alcança a docência em trajetória memorável.

Na bicentenária Faculdade de Medicina da Bahia, Thomaz teve um périplo admirável, começando com a aprovação, em primeiro lugar, no vestibular e recebendo, na diplomação, o Prêmio Manoel Victorino.  Ingressou na FAMEB como auxiliar de ensino, depois passou a professor assistente e em seguida a professor adjunto. Chefiou o Departamento de Medicina e coordenou o Colegiado de Residência Médica da Universidade Federal da Bahia. Na sua tese para professor assistente, abordou o tema Acromegalia e defendeu posteriormente teses para o doutorado e a livre docência. Carreira meteórica que o levou a presidir a Faculdade de Medicina da Bahia de 1992 a 1996, sendo o primeiro diretor eleito pela comunidade universitária com resultado respeitado pela Congregação. Um feito extraordinário.  Na história da bicentenária instituição, apenas dois sergipanos chegaram a dirigir a faculdade. O outro foi João Francisco de Almeida, ainda no século XIX, de 1844 a 1855.

Com confrades das diversas academias brasileiras

Thomaz presidiu a Academia de Medicina da Bahia e tornou-se um dos padrinhos na fundação da nossa Academia, chegando a participar inclusive da  sessão solene para a sua instalação em 9 de dezembro de 1994, na Somese, quando profere entusiasmado discurso. A foto retrata o momento citado, ele no púlpito, e eu ao lado, como presidente da SOMESE. Nas comemorações do decenário da nossa Academia, em 2004, Thomaz está de volta com seleta e destacada delegação de acadêmicos da Bahia para prestigiar a festa da co-irmã e novamente se manifesta em exuberante oração, mostrando todo o seu orgulho e contentamento por tão expressiva data. Escritor e pensador, é autro de livros memoráveis, entre eles Perfis do meu apreço e Agudas e Crônicas. “Perfis do meu apreço” é uma consistente coletânea de discursos, conferências, artigos e crônicas que retrata em 730 páginas, toda a sua sensibilidade de cronista e memorialista, uma trajetória marcada pelo sacrossanto respeito à família, aos amigos e aos vultos baianos e sergipanos que permearam sua admirável história.

Thomaz Cruz, pelo legado que nos deixa, terá o seu nome gravado indelével no panteão dos grandes cientistas e médicos brasileiros.

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br/blog

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Manoel Hora: reforma agrária perde um de seus grandes defensores em Sergipe

Foto reproduzida do site 93noticias.com.br e postada pelo blog,
para ilustrar o presente artigo

Texto publicado originalmente no site JLPOLÍTICA, em 04/10/2020 

Manoel Hora: reforma agrária perde um de seus grandes defensores em Sergipe

Manoel Hora: legado inesquecível de um profissional sério, competente, democrata e sensível

Por Eliano Sérgio Azevedo Lopes *

Morreu na sexta-feira passada, dia 2 de outubro, o engenheiro agrônomo e extensionista da Emdagro Manoel Hora. Mas a sua contribuição para o desenvolvimento agrícola de Sergipe e, principalmente, a reforma agrária permanecerá como um legado inesquecível de um profissional sério, competente, democrata e sensível aos problemas do campo e de seus principais protagonistas: os camponeses e trabalhadores sem terra.

Conheci o Manoel quando trabalhamos juntos, no início dos anos 1980, na formulação e posterior implantação do Projeto Nordeste em Sergipe. Ele, ajudando a formatar o componente sobre Comercialização, ao lado de outro grande agrônomo que também já se foi, Clélio.

Eu, juntamente com o Eurico, era responsável pelo segmento de Monitoria e Avaliação do programa, na Assessoria de Planejamento do Pronese, sob a coordenação de um dos mais competentes economistas Sergipe: o meu grande amigo Benjamin Costa Araújo, colega do mestrado em Desenvolvimento Agrícola na FGV do Rio.

Tornamo-nos amigos e, quando a ditadura caiu, Manoel foi convidado a assumir a Superintendência Regional do Incra em Sergipe enquanto eu voltava a Rondônia, para ocupar o cargo de secretário-adjunto de Estado da Agricultura. Voltamos a nos encontrar em 1986, quando recebi o convite dele para vir trabalhar no Incra, primeiro como seu assessor e, depois, como assistente da Superintendência, cargo equivalente a superintendente adjunto.

O movimento pela execução da reforma agrária no Brasil estava a mil, com a criação do Programa Nacional de Reforma Agrária - IPNRA -, ainda no Governo Sarney. Manoel já era um profissional experiente, altamente capacitado e respeitado profissionalmente, além de extremamente generoso com os amigos, sensível aos problemas dos trabalhadores rurais e camponeses de Sergipe.

Tudo isso, resultado de sua longa trajetória como extensionista rural - na época em que mais do que conhecer agricultura, era crucial o extensionista conhecer o agricultor. A difusão da moderna tecnologia não era um fim em si mesma, e sim uma ferramenta para ajudar no desenvolvimento da agricultura e na melhoria das condições de vida e renda dos agricultores, notadamente os pequenos agricultores familiares.

E o Manoel não só sabia bem disso, como fazia com que isso ocorresse na prática, ao prestar os seus conhecimentos como agrônomo aos pequenos agricultores de Sergipe, dos municípios por onde passou, como extensionista da antiga Aster/SE, atualmente Emdagro.

Manoel Hora aliava a expertise técnica a uma visão política-ideológica situada no campo da esquerda, na defesa intransigente da democracia, do combate à extrema desigualdade na posse e uso da terra, que ainda hoje predomina no Brasil e em Sergipe, o que seria demonstrado durante a sua passagem pelo Incra/SE.

Após ter exercido vários cargos de alta importância no aparelho de Estado de Sergipe, chegando inclusive a ser secretário de Estado de Recursos Hídricos de Sergipe e coordenador-geral do Pronese, talvez sua maior realização, e no Governo Federal, como superintendente regional do Incra, Manoel continuou a contribuir para o desenvolvimento do Estado nas diversas funções que exerceu com honestidade, retidão de princípios e um ouvido atento aos reclamos e necessidades dos trabalhadores rurais e camponeses sergipanos.

As conquistas dos sem-terra, hoje assentados nos projetos de reforma agrária existentes em Sergipe, se devem ao esforço e determinação desse engenheiro agrônomo de quem os agraristas de Sergipe e, principalmente, os movimentos sociais no campo – MST e Fetase - jamais haverão de esquecer.

Não somente pelos inúmeros imóveis que conseguiu desapropriar e neles alocar trabalhadores rurais sem terra, historicamente apartados de seu principal meio de produção, mas também pelo comportamento e pelo respeito que Manoel Hora tinha por eles.

Exemplo: várias foram às vezes em que o Incra/SE foi ocupado por sem terra e assentados, jamais o Incra/SE, no período em que o Manuel esteve à frente desse órgão, chamou a Polícia Federal para retirá-los de lá – o que era comum acontecer em outros Estados.

Eu afirmo porque fui testemunha ocular: Manoel não somente coibia qualquer manifestação ou comportamento hostil de seus funcionários contra os acampados na sede do Incra/SE, como permitia total e irrestrita circulação na área interna do órgão e uso de suas instalações de banheiros e sanitários por parte deles.

Por fim, é importante que todos saibam que o Incra/SE, na gestão desse grande sergipano Manoel Hora foi talvez o único órgão que permitiu ao MST decidir, de forma democrática, a seleção dos trabalhadores sem-terra que vieram a ser assentados no Projeto Moacir Wanderley, no povoado Quissamã.

Manoel Hora conduziu uma vida digna de um profissional que tinha empatia, capacidade de fazer amigos e respeitar as diferenças, vendo a todos como iguais e escutando seus lamentos e aspirações com o ouvido atento de quem, de fato, se importa com o outro.

Vai em paz, amigo. Aqui na terra tu cumpriste com galhardia e competência a tua missão. Nós, teus amigos de luta por um país mais justo e igualitário e, principalmente, pela reforma agrária, lembraremos sempre de ti e jamais esqueceremos que lutaste o bom combate e fizeste o estava ao teu alcance para que a terra fosse bem dividida e ficasse em mãos daqueles que verdadeiramente a merecem: os camponeses e trabalhadores rurais de Sergipe.

[*] É doutor em Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade pelo CPDA/UFRRJ, professor aposentado da UFS e avô da Liz e da Bia.

Texto reproduzido do site: jlpolitica.com.br

sábado, 3 de outubro de 2020

Morre o engenheiro agrônomo Manoel Hora Batista

Foto: Seagri/SE.

Publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 3 de outubro de 2020

Morre o engenheiro agrônomo Manoel Hora Batista

O engenheiro agrônomo Manoel Hora Batista, faleceu na noite da sexta-feira, dia 2, vítima de um câncer. O corpo de Manoel Hora está sendo velado no Osaf, na rua Engenheiro Manoel Hora Batista

Itaporanga e o sepultamento ocorre neste sábado em Itaporanga D’Ajuda.

 Por meio das redes sociais, o governador Belivaldo Chagas lamentou a morte do engenheiro. “Foi com um grande pesar e imensa consternação que recebi a notícia da morte de Manoel Hora Batista. Deixo aqui as minhas palavras de conforto para a família, amigos e colegas de Manoel, e que Deus o tenha num bom lugar”.

A Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe [Emdagro] também lamentou profundamente o falecimento de um de seus abnegados servidores, o Engenheiro Agrônomo Manoel Hora Batista. Seu profissionalismo frente aos inúmeros desafios assumidos dignificou em muito as ações da empresa no desenvolvimento da agricultura em Sergipe. Enlutada, a diretoria e os servidores da Emdagro rogam a Deus que o acolha em uma de suas moradas celeste e que traga o consolo a toda a família nesse momento de tamanha tristeza.

A Secretaria de Estado da Agricultura, Do Desenvolvimento Agrário e da Pesca, por meio do seu secretário, externa profundo pesar pelo falecimento de Manoel Hora Batista. Ele era servidor público, engenheiro agrônomo da Emdagro e atuou como gestor em vários órgãos estaduais e federais desempenhando importantes serviços voltados para o desenvolvimento rural do Estado. É, portanto, merecedor de todo o respeito e reconhecimento de todos os que fazem a Seagri e suas empresas vinculadas Emdagro, Pronese e Cohidro. À toda a família, apresentamos nossa solidariedade.

*Com informações da Emdagro e Seagri

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

domingo, 27 de setembro de 2020

O Centenário de Gileno Lima, por Lúcio Prado


 Publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 18 de setembro de 2020

O Centenário de Gileno Lima
Por Lúcio Prado (do Blog Infonet)

A Academia Sergipana de Medicina realizou na noite de 16 de setembro de 2020 uma cerimônia gloriosa e que vai ficar marcada indelével nos anais do sodalício. Numa sessão  pela plataforma Zoom, com mais de cinquentas pessoas presentes na sala virtual, a Academia, sob o comando do seu presidente, Acad. Roberto César do Prado, celebrou o Centenário de Nascimento do médico Gileno da Silveira Lima, idealizador, organizador e fundador do sodalício em 1994.

Após a abertura oficial, os votos de boas-vindas (inclusive à família do homenageado, presente em grande número) e a execução do Hino Nacional, o Mestre de Cerimônias, Acad. Lucio Prado Dias, nominou as autoridades presentes, entre elas, o Presidente da Federação Brasileira de Academias de Medicina – FBAM –  Acad. José Roberto de Souza Baratella, da Academia de Medicina de São Paulo, do Decano e Emérito da Academia de Medicina da Bahia Geraldo Leite, que também é o presidente nacional da ABROL – Academia Brasileira Rotária de Letras -, do Presidente da Academia Pernambucana de Medicina, Acad. Hildo Azevedo, dos Presidentes das Academias Sergipanas de Letras e de Educação, José Anderson Nascimento e Jorge Carvalho respectivamente, do ex-senador da República e vice-presidente da ASL Acad. Francisco Guimarães Rollemberg, do Presidente da Sociedade Médica de Sergipe Acad. José Aderval Aragão, do presidente da ABROL-SE Acad. João Macedo Santana, do Acad. Hesmoney Ramos Santa Rosa (presidente eleito da SOMESE) e dos acadêmicos, além do já citados, José Hamilton Maciel Silva, Goedete Batista, Fedro Portugal, Zulmira Freire Rezende, Ildete Caldas, Antonio Carlos Sobral Sousa, Antonio Samarone, Paulo Amado Oliveira, William Soares, José Teles de Mendonça, Sonia de Oliveira Lima, Geraldo Bezerra e Anselmo Mariano.

Em seguida, aconteceu o “Elogio” ao homenageado, feito pelo Acad. Marcelo Ribeiro, lido na sessão pelo Secretário-geral Lúcio Prado Dias, em razão de problemas de conexão do orador oficial, que impediu a sua participação on-line.

Gileno Lima discursa na instalação da Academia em 1994

No seu discurso, Marcelo Ribeiro ressaltou que a ideia era comemorar o centenário de doutor Gileno da Silveira Lima na época adequada, em abril passado. Porém a pandemia obrigou o adiamento da  homenagem e, ainda assim, utilizando este ainda estranho, ao menos para ele, meio de comunicação. “Nós sergipanos somos, em geral, bairristas. Confesso uma sincera satisfação e indisfarçável orgulho com as vitórias e conquistas dos nossos conterrâneos, principalmente quando vencem lá fora. Mas seria injusto não incluir pessoas de grande quilate que, embora advindos de outros estados ou até de outros países, aqui se fizeram sergipanos, aqui contribuíram para sedimentar nossa sergipanidade. O baiano Gileno Lima, Presidente de Honra “AD PERPETUUM” da Academia Sergipana de Medicina é um desses admiráveis personagens. Quando assumi a Cadeira 5 nesta Casa, senti o peso da responsabilidade. O próprio Gileno cuidou de me tranquilizar, ao deixar registrado num dos seus discursos o que recolhera do Livro da Sabedoria: “O Senhor não escolhe os capacitados. Capacita os escolhidos”.

Gileno Lima, com a esposa Mariantônia, recebe a Medalha
 do Mérito Médico Nacional da FBAM

Um pouco mais confiante, mergulhei na pesquisa da longa e proficiente vida do imortal que tive a elevada honra não de substituir, mas de sequenciar na Academia Sergipana de Medicina. Deparei-me com excesso de informações. Como condensar tantas atividades, tantos empreendimentos, tantas lutas de vida tão rica? Prosa agradável (lembra-me o historiador José Calasans, meu tio), ele imortalizou em entrevistas, discursos e anotações muitas das suas ideias e ações”.

Após ressaltar a trajetória de vida de Gileno Lima, ressaltou as suas três principais realizações reconhecidas pelo próprio homenageado: a transformação monumental que fez no Hospital Santa Isabel, no final dos anos cinquenta  e inicio dos sessenta, após assumir o comando da entidade num momento trágico da vida sergipana: a  morte violenta do médico Carlos Firpo, então diretor do centenário hospital, o mesmo em que Augusto Leite, em 1914, realizou a primeira laparotomia de Sergipe (abertura cirúrgica da cavidade abdominal).

Anos depois dessa pioneira cirurgia, Augusto saiu do hospital contrariado com decisões da mesa administrativa do hospital e vaticinou: “Nunca mais porei os pés nessa instituição!” E cumpria a promessa há mais de 30 anos, somente interrompida pela ação  gigantesca e decisiva de Gileno Lima que, ao inaugurar um novo centro cirúrgico, em 1962, moderníssimo, denominou o espaço com o nome do consagrado esculápio e “costurou” uma série de providências para que o Dr. Augusto pudesse voltar à velha Casa. Relembra inclusive as palavras de Gileno naquele momento mágico: “Na data aprazada, lá estava o Dr. Augusto, com seu passo lépido e seguro, percorrendo o chão do Santa Isabel, do qual se afastara há mais de 30 anos! A sua alegria era transparente e contagiante! Parecia uma criança que, após longos anos de ausência, voltava ao palco das peraltices de sua meninice! A cada instante, identificava as mudanças do Hospital e, dedo em riste, lembrava: aqui, era a Sala de Cirurgia; ali, a Sala de Curativos; acolá, a Clausura; mais adiante, as Enfermarias tais e tais, citando, até, os nomes de algumas Irmãs!”.

Sempre uma boa conversa

Marcelo Ribeiro ainda complementou: “Mas Gileno, persistente guerreiro, buscava novas vitórias. Aproximava-se o dia 9 de novembro de 1964, cinquentenário da primeira  laparotomia realizada no Estado – e justamente pelas mãos hábeis do Dr. Augusto Leite.  Mesmo sabendo-o já afastado das lides cirúrgicas, fez-lhe o convite para repetir o ato operatório, em paciente com o mesmo mal. Sem titubear, o velho cirurgião aceitou o desafio. No dia combinado, com as presenças ilustres de representantes da Academia Nacional de Medicina, do Colégio Brasileiro de Cirurgiões e da Associação  Médica Brasileira, realiza-se o ato cirúrgico. Auxiliado pelo filho, Dr. Osvaldo Leite, e assistido por vários médicos, entre eles, Aristóteles Augusto e  Eduardo Garcia, este ainda estudante,  marcando presença, o velho cirurgião, mostrando firmeza e segurança, faz a incisão abdominal, dissecando os diversos planos até chegar à cavidade uterina, donde retira, com o saca-fibromas, um volumoso tumor! O centro cirúrgico irrompe em aplausos. Num gesto de desprendimento, o Doutor Augusto doaria ao Hospital Santa Isabel o bisturi de ouro que recebera da classe médica ao comemorar os 50 anos de vida profissional.” Atualmente, esse bisturi encontra-se integrado ao acervo da Academia Sergipana de Medicina. Que momento espetacular da Medicina sergipana!

A outra  grande realização do médico Gileno Lima foi exatamente a fundação da Academia Sergipana de Medicina em 1994. Graças a sua determinação, estoicismo, dedicação e esforço pessoal, ajudado por meia dúzia de abnegados e pela Somese, que na época eu presidia, a Academia se tornou uma realidade, hoje consolidada como fiel depositária da memória médica de Sergipe. Não foi sem motivos pois que propus duas ações aprovadas por unanimidade pelos meus pares: denominar informal e carinhosamente o sodalício como “Casa de Gileno” e promovê-lo, após a sua morte, em maio de 2016, à condição de Presidente de Honra da ASM. Duas condições extremamente gratificantes para mim. Gileno Lima foi um grande amigo, confidente, cliente ( sempre estava na Livraria Canal Livro, comprando um livrinho, segundo ele, para me ajudar!), mais acima de tudo, um exemplo para mim, pela elegância, simpatia, generosidade e humildade.

E concluiu Marcelo Ribeiro, na sua saudação: “Ninguém mais venerável do que o médico Augusto César Leite, para sobre ele vaticinar: “Sergipe saberá guardá-lo no seu coração”. Outro fato importante na sessão foi a comunicação da criação da Comenda Gileno Lima, pela ASM, para homenagear personalidades que se destacarem anualmente por ações em prol da Academia e da Sociedade.

No encerramento da sessão, a filha primogênita do Dr. Gileno, a Sra. Lícia Violeta, em nome da família, agradeceu sensibilizada à Academia Sergipana de Medicina  pela homenagem prestada ao seu pai. De fato, foi uma sessão para ficar  na história do sodalício. A Academia Sergipana de Medicina jamais esquecerá o seu fundador! Gileno vive! Viva Gileno!

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br

Morre cerimonialista Almir Garcez

Almir Garcez estava internado há vários dias

Publicado originalmente no site DESTAQUE NOTÍCIAS, em 26 de setembro de 2020

Morre cerimonialista Almir Garcez

O cerimonialista Almir Andrade Garcez morreu, neste sábado (26), num hospital de Aracaju. Ele era chefe do Cerimonial da Secretaria da Educação de Sergipe e responsável pela organização dos desfiles Cívicos. Segundo sua filha Amanda Carolina Garcez, como a causa morte não foi Covid-19, o corpo de Almir está sendo velado no OSAF, rua Itaporanga, 436/444, centro da capital. O sepultamento está marcado para as 17h deste sábado, no Cemitério Colina da Saudade.

O Conselho Estadual de Educação de Sergipe (CEE/SE) expressou o seu pesar pelo falecimento do servidor Almir Andrade Garcez. Ele atuava como chefe do cerimonial da Secretaria Estadual de Educação (Seduc). Era odontólogo, professor e cerimonialista, contribuindo por mais de 40 anos com a Educação em Sergipe. Em nota, a Secretaria Estadual da Educação e Cultura destacou que “ao longo da sua trajetória profissional, Almir contribuiu com maestria, na formação da identidade dos sergipanos através do seu profissionalismo na condução de eventos, em especial, nos inúmeros desfiles cívicos que coordenou”. A presidência do CEE/SE, demais conselheiros e técnicos reconhecem no colega Almir Garcez um exemplo de dedicação e companheirismo.

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br

sábado, 5 de setembro de 2020

Fausto Cardoso: um homem e seu ideal

Imagem reproduzida do site: pt.wikipedia.org e postada
 pelo blog, para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no site do JLPOLÍTICA, em 28 de agosto de 2020

Opinião - Fausto Cardoso: um homem e seu ideal

Por Antônio Porfírio de Matos Neto * (Coluna APARTE)

Fausto de Aguiar Cardoso foi múltiplo nos seus ofícios. Das páginas de sua honrada história, constam que foi ilustre advogado, jurista, político, orador, poeta, professor e filósofo sergipano nascido no Engenho São Félix, município de Divina Pastora, em 22 de dezembro de 1864, tendo falecido em Aracaju no dia 28 de agosto de 1906.

Neste dia 28 de agosto completam-se mais de 100 anos da tragédia que pôs fim à sua vida terrena dele. Com efeito, Fausto Cardoso foi morto com um tiro no peito ao não se submeter perante as tropas do Exército que estavam em Aracaju para acabar com o levante que, posteriormente, ficou conhecido como “Revolta de Fausto Cardoso”. Sobre o trágico episódio, afirma Kallinka Ismerim:

Agonizando na praça que depois recebeu o seu nome, cercado de amigos e admiradores, homens, mulheres e crianças que lotavam o centro da cidade, Fausto Cardoso transbordou-se e com ele a alma sergipana. Seu legado está na frase imortalizada com a sua morte: “A liberdade só se prepara na história, com o cimento do tempo e o sangue dos homens.”

Na verdade, a frase é outra, e está contida no discurso que pronunciou em 9 de julho de 1902, e que ficou conhecido como Lei e Arbítrio: “A liberdade só se prepara na história com o sangue dos povos, o esforço dos homens, o cimento dos tempos. E se ela não é o preço de uma vitória, não é liberdade, será tolerância, favor, concessão, que podem ser cassados, sem resistência, que se revista do poder. Não gera caracteres nem cria personalidade. Enerva, dissolve, abate, humilha, corrompe e transforma os povos em míseras sombras”.

A praça Fausto Cardoso era central por aglutinar os órgãos políticos da época, conhecida como a praça dos três poderes, das manifestações políticas, das lutas, e aglutinava também os trabalhadores que sempre iam fazer manifestações, para chamar a atenção do poder público quanto às suas reivindicações. (Ismerim, 2017, p. 1).

Fausto Cardoso era filho do tenente-coronel Félix Zeferino Cardoso e de Maria do Patrocínio de Aguiar Cardoso. Fez os primeiros estudos em sua localidade de origem, nos municípios sergipanos de Maruim, Capela, na capital Aracaju, e concluiu o curso secundário no Colégio Sete de Setembro, em Salvador. Ingressou em 1880 na Faculdade de Direito do Recife e bacharelou-se em 1884.

Fausto teve seu primeiro contato com os estudos ainda em sua terra natal, na escola do Padre Antônio. Destacando-se como irrequieto e inteligente, continuando seus estudos em Maruim, Capela e no Ateneu Sergipense em Aracaju. Termina o curso secundário (Ensino Médio) no respeitado Colégio Sete de Setembro, em Salvador. Saindo da capital baiana, presta exames na Faculdade de Direito do Recife, onde de1880 a 1884 se destaca na vida acadêmica e se torna discípulo de Tobias Barreto. Recebe o apelido de “cidadão irrequieto das repúblicas estudantis”.

Ainda estudante, Fausto Cardoso editou o jornal Saara, bem como frequentou os círculos literários e filosóficos da chamada Escola do Recife, que abrigava as ideias positivistas e evolucionistas do final do século XIX, sendo considerado discípulo de Tobias Barreto. Grande foi sua participação no florescimento de um pensamento genuinamente nacional, porém de cunho monístico haeckeliano.

Logo depois de formado, regressou a Sergipe e foi trabalhar como promotor público na cidade de Capela. Em junho de 1887 foi designado para a promotoria de Laranjeiras, principal fórum sergipano, tendo encontrado a cidade em plena efervescência, envolvida pela propaganda republicana, por isso mesmo sendo destituído por questões políticas. Reconduzido ao cargo de promotor pelo Partido Liberal em 1889, ironicamente foi novamente destituído em 1890, após a proclamação da República (15/11/1889), apesar de ter sido um dos mais destacados defensores da causa.

Com relação ao episódio de destituição, assim escreve Armindo Guaraná (1925, p. 86):

Em junho de 1887 passou para a Promotoria de Laranjeiras, em que serviu até 1889 e após curta interrupção voltou a ocupar o mesmo cargo com a ascensão do Partido Liberal ao poder, vindo encontrá-lo a proclamação da República, nesse posto, do qual foi destituído em fevereiro de 1890

Atingido por um ato hostil do governo, sob o regime político de que foi um dos maiores propugnadores, sentiu a rispidez do golpe, mas não se quebrantou sua fé republicana, nem a altivez do seu caráter independente. Pelo contrário, a sua demissão fez-lhe afagar a ideia de, fitando horizontes mais largos, transferir em Maio a residência para o Rio de Janeiro, onde iria dar o máximo desenvolvimento ás suas energias intelectuais.

Com efeito, foi no Rio de Janeiro que ele revelou toda a pujança do seu talento multiforme, como sociólogo, político, jornalista e poeta. Inicialmente, dedicou-se à advocacia e ao magistério. Nomeado professor de História Universal por Benjamim Constant, delegado auxiliar e secretário geral da Prefeitura no Governo de Marechal Floriano, foi depois lente de História na Escola Normal, onde também foi diretor. Também ensinou História das Belas Artes na Escola das Bellas-Artes e de Filosofia do Direito na Faculdade Livre de Direito.

Como lhe não fartassem as múltiplas responsabilidades das obrigações então contraídas, Fausto Cardoso ainda se predispôs a assumir outros encargos que lhe satisfizessem a ânsia impetuosa da ação. Então logo se entregou à atividade febril das lides da imprensa e da política, amparado na consciência do seu valor mental e no seu senso de combatividade. Assim, o professor instigante e o jornalista vigoroso, o político irredutível e leal, tornou-se orador querido e abraçado pelas multidões, sempre fanatizadas pelo encanto de sua palavra fácil e arrebatadora.

Candidatou-se, mas as portas do Congresso Nacional não lhe foram abertas. Contudo, não desistiu. Então Sergipe ofereceu-lhe a chance de realizar seu sonho político. Foi assim que Sergipe conferiu-lhe o honroso mandato de representá-lo na 4ª legislatura federal 1900 a 1902, reafirmando-o no triênio de 1906 a 1908. Nesse outro teatro das exibições da palavra, o novel deputado Fausto Cardoso ergueu bem alto a tribuna parlamentar, confirmando a fama de orador eloquente, de estilo elegante e enérgico.

Sobre a ascensão política de Fausto Cardoso, assim diz Sérgio Montalvão:

Beneficiado pelo acordo de pacificação entre Martinho Garcez e Olímpio Campos firmado em 1899, garantindo a este último o domínio da política estadual a partir do controle sobre o Partido Republicano Sergipense - PRS -, Fausto Cardoso foi eleito deputado federal por seu Estado em 1900. Assumiu em maio desse ano sua cadeira na Câmara dos Deputados e destacou-se na tribuna parlamentar como principal crítico da política econômica do presidente Campos Sales (1898-1902) e do ministro da Fazenda Joaquim Murtinho. (Montalvão, 2017, p. 1).

Contudo, prossegue Montalvão:

No ano final de seu mandato (1902), após ferrenha campanha movida na imprensa sergipana por Gumercindo Bessa contra o governo do monsenhor Olímpio Campos (1899-1902), Fausto Cardoso rompeu o acordo que lhe havia permitido eleger-se e divulgou na capital federal acusações de truculência praticada pela política olimpista para manter-se no poder.

Em discurso proferido no dia 30 de abril de 1902, afirmou que os desmandos do presidente de Sergipe eram um “desrespeito à terra de Tobias Barreto”. Apesar da divisão na política sergipana, o olimpismo continuou a predominar: assim, o sucessor indicado por Olímpio Campos, Josino de Meneses, foi eleito 1902, da mesma forma como seu irmão Guilherme de Sousa Campos em 1905. (Montalvão, 2017, p. 1).

Surgido em 1906, o Partido Progressista – PP - iria reunir os descontentes com o mando de Olímpio Campos. Reeleito em 1906, Fausto Cardoso assumiu sua cadeira na Câmara dos Deputados em maio, mas ainda no mesmo ano retornou a Sergipe, com o objetivo de coordenar o movimento popular que se projetava contra o olimpismo na política sergipana.

A revolta contra o governo de Guilherme Campos foi articulada em meio ao assédio popular em torno do deputado – daí ter-se tornado conhecida como a “Revolta de Fausto Cardoso” -, mas o levante da polícia de Aracaju, que serviu para desencadeá-la na madrugada do dia 10 de agosto de 1906, aconteceu enquanto ele se encontrava ausente da capital, em viagem ao município de Divina Pastora, em visita aos pais.

Ao retornar à capital, Fausto Cardoso foi recebido como salvador da pátria, pois forçando a renúncia de Guilherme de Souza Campos. A intervenção do presidente Rodrigues Alves (1902-1906) mudou, porém, o curso dos acontecimentos. Tropas federais estacionadas na Bahia partiram para Aracaju e controlaram rapidamente os revoltosos, reempossando Guilherme Campos. Na retomada do palácio do governo em 28 de agosto de 1906, alvejaram Fausto Cardoso, que veio a falecer aos 42 anos de idade.

Sobre sua morte, assim escreveu o referido Armindo Guaraná:

A 28 de agosto de 1906 em Aracaju, em frente ao palácio do governo, verberava as selvagerias da soldadesca desenfreada, quando é alvejado pela carabina de um praça de instintos sanguinários, sob o comando do oficial superior Firmino Lopes Rego, que, sem refletir sobre a gravidade do crime que não soube ou não quis evitar comprometeu os seus créditos militares, deslustrando assim os bordados de general do exército brasileiro. Desaparecidos do cenário da vida, por se terem devotado ao culto dos grandes ideais, seus nomes ficaram gravados no coração do povo e jazem inscritos no extenso martirológio dos defensores da liberdade. (Guaraná, Armindo, 1925, p. 87).

A ideia e o sentido da liberdade marcam a biografia de Fausto de Aguiar Cardoso, poeta, jurista, pensador, revolucionário, sergipano que soube interpretar as mais íntimas aspirações de sergipanos.

Sua morte, em 28 de agosto de 1906 não apenas permitiu o retorno de Guilherme de Campos ao poder do Estado, mas também a vingança dos seus filhos contra Olímpio Campos, em 9 de novembro do mesmo ano, no Rio de Janeiro, bem como a modificação da lei das aposentadorias, a reaglutinação das forças reacionárias e conservadoras para novos embates, servindo ainda para exaltar e fixar posições libertárias, dosadas pelo itinerário que as gerações de intelectuais sergipanos traçaram, em todo o Brasil e que é a maior herança deixada às novas gerações de Sergipe.

Também poeta, Fausto Cardoso nos legou belos versos, como estes onde canta o amor: O Amor

Eu sou o Amor, o Deus que a terra inteira gaba!
Vivo enlaçando os sóis pelo Universo afora,
Dos ódios expurgando a venenosa baba,
Que os mundos desagrega, espalha e desarvora.

O tempo tudo avilta; a morte tudo acaba;
E o louro sol jamais a murcha flor colora;
Novos mundos, porém, do mundo que desaba
Faço surgir e salto em rutilante aurora!

Caso estrelas no céu e corações na terra;
Da treva arranco luz; do nada arranco vida,
E crivo de vulcões o gelo que a alma encerra!

Mudam-te o peito em mar meus lúbricos desejos,
E tua mente ondeia e fulge colorida,
Como raio de luz entre vergéis de beijos!

TAÇAS

Deslumbrado cheguei chorando à terra, um dia;
E, do lauto festim da vida, achei-me à mesa;
Sempre libei cantando a taça da Alegria
Embebedou-me sempre o vinho da Tristeza.

Esplendidas visões trouxeram-me à porfia
As ânforas do Amor; e de volúpia acessa,
Minha boca de boca em boca um mosto hauria,
Que te tedio me encheu por toda a Natureza.

Dá-me a velhice a taça; eu das paixões prescindo;
E, ébrio, ascendo a espiral de um sonho delicioso,
No vinho da Saudade achando um gosto infindo ...
Parece-me o passado um rio luminoso,
Onde vogo a rever, pelas margens florindo,
A dor, que ao longe tem as seduções do Gozo!

Além de artigos na imprensa e discursos parlamentares, Fausto Cardoso publicou Cosmogonia política americana (1892), Concepção Monística do Universo (1894), Taxionomia social (1898), Lei e arbítrio - discurso em defesa de uma ditadura parlamentar, pelo Congresso Nacional (1902).

Em sua obra Concepção monística do universo, com prefácio de Graça Aranha, Fausto Cardoso expõe com brilhantismo sua filosofia. Afirma que os fenômenos da vida humana são como os do resto da natureza, regidos por leis fixas e imutáveis. Há entre elas um laço etiológico que, na sua ação e consequência, transforma o universo em algo acessível a nossos meios de investigação, formando um todo unitário, um monon.

Proclama que esta pretensão não é uma ilusão mental, como a que deu origem aos sistemas filosóficos de todos os tempos, mas desprendeu-se, “gradual e naturalmente, de uma série de achados filosóficos e científicos, graças aos gênios de Copérnico, Kant, Laplace, Lamarck, Darwin e Haeckel”.

Depois de expor as primeiras teses haeckelianas quanto à unidade dos fenômenos do mundo material, de tratar do surgimento do homem e da atividade psíquica, de avançar o seu conceito de consciência e de lei, de apresentar a lei de seleção natural como verdade universal, chega o autor ao ponto de interesse particular.

Afirma Fausto Cardoso que a ciência, lenta, mas progressivamente, expulsou pouco a pouco o sobrenatural da esfera do saber, vendo-se este obrigado a recuar “como um fantasma que fugisse diante de uma luz que avança”. “O sobrenatural desapareceu, mas o dualismo que ele inspirou resistiu e transformou-se. E esta transformação é a teleologia”.

Como observado, tal profundidade filosófica também foi a mesma tenacidade política. Reconhecido em seu pensamento, porém não pelos seus adversários políticos. Por consequência, a morte do pensador aos 42 anos, enquanto ainda frutificava em todas as esferas da vida.

REFERÊNCIAS

Calasans, José. Fausto Cardoso. Salvador, 1970.

Cardoso, Fausto de A. Concepção Monística do Universo - Introdução ao Cosmo do Direito e da Moral. Rio de Janeiro, Lammert & C., Editores proprietários, 1894.

Dantas, José Cupertino. Revolta Fausto Cardoso.      
Revista do Instituto histórico e Geográfico de Sergipe, Aracaju, v. 12, n. 17, p. 11-65, 1941-1942.

Ismerim, Kallinka. A morte de Fausto Cardoso. Disponível na internet em
<https://pt.scribd.com/document/59836116/A-Morte-de-Fausto-Cardoso> Acesso em 26 ago. 2017.
Guaraná, Armindo. Diccionario Bio-Bibliographico Sergipano: Rio de Janeiro, 1925.

Montalvão, Sérgio. Fausto Cardoso. CPDOC Fundação Getúlio Vargas.
Disponível na internet em 
http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira- republica/Cardoso,%20Fausto.pdf> 
Acesso em 26 ago. 2017.

Nascimento, José Anderson. Perfis Acadêmicos.- Aracaju: Editora Diário Oficial do Estado de Sergipe- Edise, 2017.

Francisco, Guimarães Rollemberg. Fausto Cardoso-Perfil Parlamentar - Aracaju: J. Andrade, 2018.

[*] É membro da Academia Sergipana de Letras, ocupando a cadeira 24, membro da Associação Sergipana de Imprensa, da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC -, da Academia de Letras de Aracaju, ocupando a cadeira 16 e é sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.

Texto reproduzido do site: jlpolitica.com.br

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Morre o Corretor de Imóveis José Ezequiel Melo dos Santos

Publicado originalmente na fanpage/Facebook/Creci Sergipe 16ª Região, em 23/08/2020 

Reproduzido da fanpage no Facebook/Creci Sergipe 16ª Região.

Antônio Melo Prudente (1917 - 2020)

Antônio Melo Prudente e sua esposa Maria Gilda Caldas Prudente
Foto: Edson Araújo.
Reproduzida do blog: canalr5blog.blogspot.com.br

Trajetória de vida de Antônio Melo Prudente é reconhecida pela Alese


Fotos: Jadilson Simões-Alese

REGISTRO de publicação de solenidade na Alese, ocorrida em 06/12/2016.

Publicado originalmente no site da ALESE, em 06 de dezembro de 2016

Trajetória de vida de Antônio Melo Prudente é reconhecida pela Alese

Por Agência de Notícias Alese

O legado exercido pelo empresário Antônio Melo Prudente ao longo de seus 99 anos de idade foi reconhecido pela Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese).  Nesta manhã de terça-feira, 6, o Laranjeirense recebeu das mãos do presidente da Casa Legislativa, Luciano Bispo, a Medalha do Mérito Parlamentar.

O Plenário da Alese ficou repleto de amigos, familiares e empresários, o que demonstra que ao longo dos seus 99 anos de existência, empresário soube administrar com maestria o seu meio social e familiar, além mesmo da relação de trabalho. 

Segundo informou Luciano Bispo, a indicação para que o Antônio Melo Prudente estivesse sendo agraciado na data de hoje com o Mérito Parlamentar foi motivada pelo ex-deputado, Arnaldo Bispo, onde, no ato da solenidade, o próprio ex-parlamentar, que é genro do homenageado, fez a entrega da medalha de Mérito Parlamentar.

“Venho agradecer a Alese por ter homenageado ao um homem que tive oportunidade de conhecer. Um homem íntegro, honesto, alegre, e companheiro. Um homem que chegou a trabalhar até os seus 95 anos, e que, segundo ele próprio, pra se chegar até essa idade de sucesso o segredo é não ter pressa”, conta emocionado.

“Estou muito feliz pela homenagem e com os amigos. Foi uma missão cumprida com muito trabalho e dedicação. Me dei muito bem com a família, amigos e com o comércio. Agradeço a Deus a quem sempre me deu sabedoria e condições humanas de vida”, asseverou o ilustre homenageado no auge dos seus 99 anos de vida.

Segundo Luciano Bispo, por onde passa, Antônio Prudente é louvado. “Seu Antônio Prudente é o homem da história de Sergipe no ramo atacadista, cerealista e varejista. Fez a história da família Prudente, e que muito contribuiu para a Economia do nosso Estado, gerando trabalho e emprego”, relata o presidente da Casa Legislativa, afirmando a que homenagem é muito justa.

Emocionante

A trajetória de vida do empresário- filho de Alcino Manuel Prudente e Joaquina Melo Prudente, e casado com Maria Gilda Caldas Prudente, com quem teve cinco filhos- foi exibida em vídeo durante a cerimônia, as narrativas contadas por filhos, esposa, netos, bisnetos, noras e genros, emocionou a todos os presentes.


Presenças

Além da participação de familiares, vastos amigos, empresários, ex-funcionários, e parlamentares da Casa Legislativa, estiveram compuseram à mesa de solenidade ao lado de Antônio Melo Prudente, a deputada Goretti Reis, que na ocasião presidiu momento solene como secretária; o presidente do Legislativo, Luciano Bispo; Luiz Valter Ribeiro, procurador da Procuradoria Geral do Estado; Ancelso Oliveira; o diretor da Fecomércio; Cloves Alcântara, presidente do Sindicato dos Representantes Comerciais de Sergipe; e José Alcides Vasconcelos (empresário).

Texto e imagens reproduzidos do site: al.se.leg.br