sábado, 25 de maio de 2024

Sergipana, escritora, comunista e silenciada

Publicação compartilhada do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 25 de maio de 2024

Sergipana, escritora, comunista e silenciada

Por Adiberto de Souza *

Nascida em 1919 na cidade de Estância, no sul de Sergipe, Alina Leite Paim era professora por formação e romancista de mão cheia, prefaciada e elogiada por ninguém menos do que Graciliano Ramos e Jorge Amado. Embora tenha escrito 10 livros, alguns dos quais publicados fora do Brasil, esta comunista, feminista e atuante socialmente ainda é desconhecida do meio acadêmico e do público em geral. Alina faleceu no dia primeiro de março de 2011.

A professora Ana Leal Cardoso, da Universidade Federal de Sergipe, destaca o fato de as obras de Alina Paim estarem “repletas de personagens femininas e feministas que lutam por um mundo mais justo. De ‘Estrada da Liberdade’ (1944) a ‘A Correnteza’ (1979), a luta da mulher por um espaço mais democrático e inclusivo está presente. Sua narrativa é construída por uma sensibilidade artística bem trabalhada, capaz de traçar caminhos que levam o (a) leitor (a) a diferentes ‘mundos’: do Nordeste rural à vida de mulheres trabalhadoras”, explica.

Em um bem redigido artigo, o pesquisador e professor Gilfrancisco dos Santos relata que com três meses de idade, Alina Paim mudou-se com os pais para Salvador. Ao perder a mãe, foi para Simão Dias (SE), morar na casa dos avós paternos, “onde sofreu muito com a rigorosa educação dos parentes, principalmente pelas constantes e severas repreensões das três tias solteironas. A severa educação que recebera nesses primeiros anos, de certa forma contribuiria para sua aprovação em 1932, no primeiro ano do curso fundamental com distinção nos exames de suficiência do Colégio Nossa Senhora da Soledade, em Salvador”.

De acordo com a professora Ana Leal Cardoso, “considerando-se a abrangência temática da obra da escritora em tela, que aborda desde as questões políticas no Brasil (A Hora Próxima), a educação (Estrada da liberdade e Simão Dias), à situação do idoso na atualidade (A sétima vez), dentre outras, a luta das mulheres por melhores condições de vida parece ser o foco principal. Assim, entendemos que a obra e a vida desta escritora, incansável lutadora pelos direitos não só das mulheres, mas do ser humano na sua completude, está a exigir uma pesquisa que lhe dê visibilidade, colocando-a no patamar de algumas escritoras brasileiras já conhecidas no meio acadêmico, tais como Clarice Lispector, Lygia Fagundes Teles, Raquel de Queiroz, entre outras”.

Primeiro romance

A romancista sergipana casou-se em 1943, com o médico baiano Isaías Paim. Por influência do amigo e escritor Jorge Amado, o casal mudou-se para o Rio de Janeiro. Como na época não conseguisse trabalho, Alina foi ensinar na escola para filhos de pescadores, na Ilha de Marambaia. “Aí escreveu seu primeiro romance, ‘Estrada da Liberdade’, publicado em fins de 1944, com enorme repercussão nos meios literários e de público, esgotando-se em quatro meses a primeira edição”, conta Gilfrancisco.

E o pesquisador prossegue: “Publicado pela Editora Leitura, do Rio em 1944, o romance Estrada da Liberdade retrata a vida de uma professora cheia de idéias, em contato com a amarga realidade de sua comunidade de bairro proletário, onde tenta aplicar métodos modernos de aprendizagem. Alina baseou-se em sua infeliz experiência para escrever. Conheceu a fome e a miséria da infância baiana abandonada, de quem ela se apaixonou e que muito contribuiu para levá-la a colocar a sua arte a serviço do povo”.

A professora Ana Leal Cardoso escreve que “em ‘A sombra do Patriarca’ delineia-se também o perfil da escritora comprometida com a história, a partir do ponto de vista feminino, dando voz às personagens que são capazes de subverter os padrões sociais e estruturais e instalar o caos na ordem patriarcal do mundo rural nordestino. Trata-se de um romance muito bem escrito, que apresenta um elenco de personagens diversificado, vivendo em um mundo que parece pertencer tão somente ao patriarca do engenho Fortaleza, o Sr. Ramiro”.

E a professora da UFS continua a narrativa: “O núcleo dramático está centrado na visita que Raquel, sua sobrinha e a protagonista central, faz à fazenda. Chegando lá, a moça se depara com um mundo obscuro e opressor, bastante diferente daquele que conhece na cidade grande, em que a família urbana já se ajustou aos novos papeis que as transformações sócio-econômicas impuseram às mulheres. Dentre essas transformações destaca-se a extensão da instrução a crescentes contingentes femininos, alargando, assim, os horizontes culturais da mulher”.

Comunista e perseguida

Gilfrancisco relata, ainda, em seu artigo que, “como integrante do Partido Comunista, Alina Paim exerceu atividades políticas diversas, tendo convivido durante meses com mulheres dos trabalhadores ferroviários que participaram ativamente da grave da Rede Mineira, de grande repercussão nacional. Por isso sofrendo perseguições e pressões de toda ordem inclusive processo judicial”.

De acordo com a professora Ana Leal Cardoso, a sergipana Alina Paim “é mais um desses casos de escritoras esquecidas pela crítica literária e pelo público em geral. Só recentemente, essa romancista tem sido objeto de estudos no espaço acadêmico da Universidade Federal de Sergipe, graças ao pioneirismo das nossas pesquisas sobre as escritoras sergipanas do século XX, iniciadas no primeiro semestre de 2007”.

Autora da dissertação “O Imaginário da Educação no Romance Estrada da Liberdade, de Alina Paim”, a então mestranda da Universidade Federal de Sergipe, Fabiana dos Santos, conta que a romancista “permaneceu ao lado do psiquiatra Isaías Paim, companheiro e grande incentivador de sua obra literária, por cerca de quase 50 anos, vindo a divorciar-se no final da década de 80. Naquela ocasião, foi morar com Maria Luíza, filha adotiva. Por questões pessoais, transferiu-se para a cidade de Campo Grande (MS), passando a residir com Maria Tereza, filha legítima, até o dia do seu falecimento, em primeiro de março de 2011”.

Os romances de Alina

– A Estrada da Liberdade (1944)

– A sombra do patriarca (1950)

– A hora próxima (1955)

– Sol do meio-dia (1961)

– O círculo (1965)

– O sino e a rosa (1965)

– A chave do mundo (1965)

– Simão Dias (1979)

– A correnteza (1979)

– A sétima vez (1994)

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* É editor do site Destaquenotícias

Texto e imagem reproduzidos do site destaquenoticia com br

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Artur Oscar de Oliveira Déda, pensamento e ação


Legenda da foto: Artur Oscar de Oliveira Déda (1932 -2018)

Publicação compartilhada do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 19 de maio de 2024

Artur Oscar de Oliveira Déda, pensamento e ação
 Por Gilfrancisco Santos*

O novo código não é uma obra perfeita. E como toda construção legislativa importante, tem recebido muitas críticas. Não poderia ser diferente. Assim também aconteceu com o velho estatuto, ainda em vigor. Quando ele surgiu, em 1916 alguns diziam que era obra muito avançada para o seu tempo. Outros, ao contrário que ele já nascia velho, em descompasso com a realidade. O certo é que em vista da amplitude da matéria e sua relevância o novo código não poderia colher o aplauso da unanimidade. As críticas mais severas dirigem-se principalmente à construção do Direito de Família.

Filho de José de Carvalho Déda e Maria Acioli Déda, nasceu em Simão Dias (SE) a 2 de março de 1932. Cursou o ginásio no Colégio 2 de Julho (BA) até 1950 e o colegial no Colégio Estadual de Sergipe e no Colégio Central da Bahia. Graduado em Ciências Jurídicas pela Faculdade de Direito de Sergipe, entre (1954-1958), em 1974 fez curso de pós-graduação na mesma instituição de ensino, com especialização em Direito Público e Direito Privado, da qual foi professor da disciplina Direito Civil.

Artur Oscar de Oliveira Déda trabalhou como 3º Oficial de Secretaria da Assembleia Legislativa de Sergipe no ano de 1955, assumindo depois o cargo de chefe dos Anais da Secretaria da mesma Assembleia. Foi Promotor Público substituto na Comarca de Aquidabã, no anos de 1958, e Juiz de Direito das Comarcas de Riachão do Dantas em 1961, Maruim, 1964, Estância, 1968 e, finalmente, da 3ª Vara Cível da Comarca de Aracaju. Em maio de 1975 foi promovido para o Tribunal de Justiça, onde exerceu os cargos de Corregedor Geral (1977-1979), Presidente (1979-1981) e Vice-Presidente. Foi também Presidente do TRE-SE.

Artur Oscar iniciou-se no magistério jurídico em 1969, aposentando-se voluntariamente em 1992, ano em que recebe o título de Professor Emérito pela UFS. Em 11 de agosto de 1982 tomou posse na Cadeira nº 28 da Academia Sergipana de Letras, tendo como fundador o Desembargador Gervásio de Carvalho Prata (1886-1968), sendo saudado pelo acadêmico Luiz Carlos Fontes de Alencar (1933-2016). Em 20 de fevereiro de 2002 aposentou-se do cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça de Sergipe, permanecendo, porém, com a sua atividade cultural na produção de textos, artigos e ensaios em revistas jurídicas e especializadas. Dentre os livros jurídicos publicados figuram: “Questões de Direito Público e Privado” (1992); “A Reparação dos Danos Morais” (2000); “Alienação Fiduciária em Garantia” (2000); “A Prova no Processo Civil” (2006).

Discurso de Recepção na ASL

Recebido na Academia Sergipana de Letras pelo acadêmico Luiz Carlos Fontes de Alencar, em sessão solene realizada no dia 11 de agosto de 1982, no Auditório Governador José Rollemberg Leite, do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe. Artur escreveu outros livros de ficção e crônicas: “História de vários tempos” (2014); “Aconteceu em Santanápolis” (2015) e o romance “Intramuros do Poder” (2017).

Sobre Histórias de Vários Tempos

Desembargador aposentado de alta e meritória atuação na magistratura sergipana, o autor é um velho formador de jovens, professor de várias gerações de advogados, desde a antiga Faculdade de Direito de Sergipe, a vetusta escola da Rua da Frente.

Poder-se-á dizer ainda que o autor é um simão-diense (ou anapolitano, por longa briga), filho do jornalista, escritor, político eloquente e folclorista luminoso, José de Carvalho Deda, autor de Brefaias e Burundangas (folclore sergipano), Formigas de Asas (romance), Simão Dias, Fragmentos de sua história (onde há três Simão Dias e só um deles verdadeiro), e sua senhora Dona Maria Oliveira Deda.

Ainda se poderá dizer que seu nome, Artur Oscar, e de um seu irmão, Carlos Eugênio, lembram passagem da Guerra de Canudos, de generais que pisaram o solo de Senhora Santana no combate à “Guarda Católica”, do hoje santificado Bom Jesus Conselheiro.

Parando com a biografia do autor, antes tenho a declarar, que lhe tenho profunda admiração e ao seu irmão, o advogado Beto Deda, espécie de Cavaleiro Templário, fiel guardião zelador dos arquivos de “A Semana”, jornal simão-diense que precisa ser digitalizado para constituir arquivo de nossa história.

Mas, em “História de Vários Tempos”, é difícil sublinhar o melhor texto entre os oitenta listados por Artur Deda, Como não achar delicioso o texto “Sobre milagres”? Como não ficar feliz em sendo um torcedor derrotado do Club Sportivo Sergipe, saindo cabisbaixo e tristonho do estádio, em choro gerundial compulsivo, e ver que um milagre acontecera, e do pranto surgira o riso com o entorno universal alvirrubro, em euforia arrebentando: “… O pendão alvirrubro a vibrar…”, em pleno fervor como nem o poeta Freire Ribeiro o imaginaria em Troféus e archotes, e no próprio hino do “Bravo clube dos filhos do Norte”?

Que dizer das visitas à Cruz de Bela, e à santinha do Maruim, e do milagre realizado pelo autor “mordido pelo sentimentalismo pequeno burguês”, no dizer de seu mestre Orlando Gomes, e sendo santo, terno e bom, tão milagreiro, quão taumaturgo, igual ao monge menor de Voltaire, exercendo milagraria em terra estranha, em São Paulo, na desvairada Paulicéia, até para confirmar e reafirmar, que é bem mais fácil ser profeta em terra alheia? Como esquecer também da folheira convocação para se comprovar vivo, comezinho e corriqueiro chamamento, de obrigação anual do indivíduo aposentado, peregrinando por repartições, onde não valem o verso e o canto de Roberto Carlos; “Eu existo!… eu existo!… eu existo!…”?  Mas, que é preciso provar, estar vivo “sob as penas da lei”?  E que dizer da labiríntica procura por salas e corredores, como Teseu sem Ariadne e seu fio, na busca a fio do inexistente Departamento de Recursos Humanos, morto e enterrado sem lápide, só porque nas repartições públicas “existe a prática de abreviar tudo, inclusive os direitos e deveres?” Genial! Não?

Odilon Cabral Machado – Jornal do Dia

Eu sou suspeito para falar de um tio, de um irmão de minha mãe. Mas acredito que o estado de Sergipe conhece o talento, o valor intelectual, a trajetória profissional do cidadão Artur Oscar de Oliveira Déda. Para nossa família ele sempre foi uma referência; de cultura, estudo, seriedade, ética, respeito à sociedade, amor pelo estado e dedicação do Brasil. Durante sua vida, como juiz, construiu uma referência, que até hoje é lembrada em toda comunidade jurídica. Agora, na sua aposentadoria, deixou fluir, ainda mais o seu lado intelectual, produzindo crônicas que relatam, não apenas a sua memória, mais também, as suas observações sobre a atualidade.

Marcelo Déda – Governador, IMD, 2012

Homenagem Póstuma

O Desembargado Artur Oscar de Oliveira Déda faleceu na noite de 29 de junho de 2018, aos 86 anos. Estava internado por insuficiência hepática e não resistiu, deixando esposa, Maria Estrela de Aguiar Déda, quatro filhos, sete netos, um bisneto. O sepultamento foi realizado no cemitério Colina da Saudade, em Aracaju.

Com o artigo “Artur Déda, um mestre honrado e de alma generosa na magistratura”, a Revista Judiciarium, TJSE, julho de 2018, presta uma significativa homenagem ao Desembargador Artur Osório de Oliveira Déda:

Eu estava em viagem a São Paulo quando fui informado do falecimento do Desembargador Artur Oscar de Oliveira Déda. Realmente, foi uma notícia que me abalou, mesmo sabendo que a saúde do velho mestre já vinha bastante deteriorada nos últimos tempos.

Muito tem se falado sobre o Desembargador Artur Déda nesses últimos dias e decerto se fala ainda mais. Porém, vieram à tona lembranças do professor, como eu gostava de chama-lo, que para mim são marcantes. Todo profissional sofre a influência de noutros tantos com quem conviveu, e comigo não foi diferente.

Tenho em mim um pouco de vários magistrados com os quais convivi ao longo desses anos de profissão e posso dizer que o professor Déda, dentre os que me influenciaram, foi o meu modelo de magistrado. Seu porte, do aspecto intelectual, à forma de se conduzir no exercício das diversas facetas profissionais, sempre me encantaram.

Tive oportunidade de ser examinado pelo professor Artur Déda durante o meu concurso para ingresso na magistratura e lembro como ele nos fazia sentir à vontade durante a prova oral. Paciente, acolhedor, justo na atribuição das notas.

No exercício da magistratura na segunda instância, era magistral em seus votos ne, como decano, impunha um respeito natural aos seus pares, que se podia sentir no ar quando ele usava da palavra.

Nós, que atuamos em órgão Colegiado, sabemos o quão difícil é se fazer ouvir e levar à reflexão os colegas durante uma discussão jurídica. Ele o fazia com uma naturalidade ímpar. Generoso com os colegas menos experientes, essa era uma das suas marcas.

Eu, particularmente, lembro de que certa feita substitui ao Desembargador Aloisio Abreu (outra grande figura) no ano de 1998 e me vi em apuros, quando em uma sessão da Câmara Civil dois membros me questionavam sobre aspectos do meu voto.

O Desembargador Artur Déda saiu em meu socorro e, com aquele ar tranquilo e professoral, fez uma intervenção dizendo que eu, em verdade, estava discorrendo sobre pontos que ele, sim, expôs brilhantemente, tirando-me daquele sufoco em que um substituto às vezes fica – Só almas generosas são capazes de gestos como aquele.

Elegante no trajar, no porte digno de um ministro de Corte Superior, o professor Artur Déda era dono de um senso de humor britânico, para não falar do seu dom peculiar de bom contador de histórias que acumulou ao longo de uma vida rica de episódios profissionais e pessoais enriquecedores para os seus interlocutores.

Aliás, isso se pode constatar em suas obras ne artigos semanais no Jornal da Cidade, onde discorria com uma leveza e elegância de fazerem igualar aos melhores cronistas do Brasil.

Poderia aqui falar muito mais sobre o meu eterno professor Artur Oscar de Oliveira Déda, mas não seria justo para com outros que poderão melhor descrevê-lo do que este pobre discípulo. Despeço-me, assim, do velho mestre, agradecendo o exemplo de exercício de magistratura e de honradez que trago comigo no mister desta profissão tão bela e tão difícil.

Cezário Siqueira Neto, Presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe (2017-2019)

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*Gilfrancisco é jornalista, escritor, Doutor Honoris Causa concedido pela UFS. Membro do Grupo Plena/CNPq/UFS e do GPCIR/CNPq/UFS gilfrancisco.santos@gmail.com

Texto e imagens reproduzidos do site: www destaquenoticias com br

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Jornalista Osmário Santos morre aos 72 anos. Ele não resistiu ao Parkinson

Publicação compartilhada do site JLPOLÍTICA, de 16 de maio de 2024

Jornalista Osmário Santos morre aos 72 anos. Ele não resistiu ao Parkinson

Por Jozailto Lima (da coluna Aparte) *

"Meu irmão, o jornalista Antonio Osmário Santos,  faleceu hoje as  06h30. O sepultamento dele será às 16 horas na Colina da Saudade, Capela  D".

Este anúncio foi feito logo cedo nesta quinta-feira, 16, pelo professor de Oclusão do curso de Odontologia da UFS - Universidade Federal de Sergipe - e irmão dele, Carlos Neanes, e traz o triste fim de um grande jornalista sergipano.

Até a década de 1990, começo dos anos 2000, Osmário Santos marcou o jornalismo sergipano com um modelo noticioso memorialístico de contar história de grandes figuras da vida do Estado.

O trabalho de pesquisa dele era publicado aos domingos no Jornal da Cidade, quando o JC tinha peso e vida. Ele criou o famoso bordão Eapois!

Tomado pelo Mal de Parkison, Osmário Santos foi aos poucos saindo de cena e conviveu com a doença por mais de 20 anos, até não resistir a ela na manhã desta quinta.

Osmário Santos tinha 72 anos - nasceu em seis de janeiro de 1952 - e deixa dois filhos - Lina e Paulo. A família informa que o velório dele se iniciará logo mais ao meio dia no Colina da Saudade.

Osmário Santos: se encerra aqui uma luta contra o Parkison

* É jornalista há 40 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração/Tatianne Melo.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica com br/colunas

Morre o jornalista Osmário Santos

Foto: Alese

Publicação compartilhada do jornal CORREIO DE SERGIPE, de 16 de maio de 2024 

Corpo do jornalista Osmário Santos será velado no cemitério Colina da Saudade

Da redação, AJN1

O jornalista Osmário Santos, de 72 anos, morreu na manhã desta quinta-feira (16), em sua residência em Aracaju, em decorrência de complicações do Alzheimer. O velório está previsto para acontecer a partir das 11h no Colina da Saudade, onde vai acontecer o sepultamento às 16h. Osmário deixa dois filhos.

Osmário fez história no jornalismo sergipano, se destacando como um dos colunista sociais mais influentes. Por muitos anos, assinou uma coluna Jornal da Cidade e do Portal Infonet. Ele também foi um dos primeiros jornalista de Sergipe s ter um site próprio.

Como escritor, publicou os livros “Oxente! essa é a nova gente” e “Memórias de políticos de Sergipe no século XX”.

Osmário foi um idealizadores do projeto “Aracaju de Tototó, evento ambientalista que tinha como foco chamar a atenção para a necessidade de se preservar o Rio Sergipe, um dos mais importantes do estado. Pequenas embarcações saíam do bairro Inácio Barbosa, das imediações do Bar do Cajueiro, e passeavam pelas águas dos Rios Poxim e Sergipe sempre no aniversário da capital.

Por questões de saúde, Osmário estava afastado do jornalismo há vários anos. Além do Alzheimer, em 2021, ele foi hospitalizado após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC), seguido de um derrame pleural.

Repercussão

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, usou as redes sociais para lamentar a morte do jornalista. “Com tristeza, recebi a notícia sobre o falecimento do jornalista e escritor Osmário Santos, aos 72 anos. Um dos mais influentes nomes do colunismo social sergipano, Osmário assinou, por muitos anos, colunas no Jornal da Cidade e no Portal Infonet. Ao longo da sua trajetória de sucesso, também foi um dos comunicadores pioneiros em Sergipe a ter o seu próprio site de notícias. Como escritor, publicou os livros “Oxente! essa é a nova gente” e “Memórias de políticos de Sergipe no século XX”. Ele também foi o idealizador do famoso passeio de tototó que, por muitos anos, marcou o aniversário da nossa capital e que contou com o nosso apoio em várias edições. Aos familiares e amigos, desejo os meus sinceros sentimentos e peço que Deus conforte os seus corações.”

“Foi com pesar que recebi a notícia do falecimento de Osmário Santos. O jornalista sergipano escreveu e fez história, sendo um dos colunistas mais influentes desde os anos 70. Que a passagem terrena de Osmário seja inesquecível nos corações de todos e que Deus o receba”, postou o governador Fábio Mitidieri em sua conta no X, antigo Twitter.

O senador Rogério Carvalho também usou as redes sociais para lamentar o ocorrido. “A notícia do falecimento do jornalista Osmário Santos deixa um vazio na imprensa e cultura de Sergipe. Sua trajetória será sempre lembrada com carinho e respeito por todos nós. Nossos sentimentos à família e amigos neste momento difícil.”

“Recebi, com muita tristeza, a notícia do falecimento de Osmario Santos, aos 72 anos. Jornalista e escritor, deixa um legado na comunicação sergipana. Aos familiares, amigos e colegas, minhas sinceras condolências e solidariedade nesse momento de dor.”, disse a vereadora Emilia Correa.

“Lamento profundamente o falecimento de Osmário Santos, ícone do jornalismo sergipano. Pioneiro e autor de obras marcantes, Osmário contribuiu imensamente para o jornalismo local. Sua ausência será sentida por todos nós. Meus sentimentos à família e amigos”, disse o ex-deputado André Moura.

A deputada federal Katarina Feitosa se solidarizou com a família e lembrou da importância do jornalista. “Amanhecemos com a triste notícia do falecimento do jornalista Osmário Santos, um dos pioneiros como colunista em nosso estado, além de escritor e idealizador do “Passeio de Tototó”. Meus sinceros sentimentos à família e aos amigos.”

Texto reproduzido do site: ajn1 com br/urbano

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Morre o músico Valtinho do Acordeon

Foto: Arthuro Paganini

Publicação compartilhada do sete DESTAQUE NOTÍCIAS, de 8 de maio de 2024

Morre o músico Valtinho do Acordeon

 A música sergipana está de luto: vítima de um Acidente Vascular Cerebral, morreu o músico Valtinho do Acordeon. Com 70 anos de idade, o respeitado sanfoneiro sofreu o AVC no final de abril, melhorou e recebeu alta médica. Nesta terça-feira (7), ele passou mal, foi levado a um hospital de Aracaju, mas não resistiu. Valtinho era viúvo e deixa cinco filhos. O corpo está sendo velado no Velatório Piaf, à rua Laranjeiras, em Aracaju. A família ainda não definiu os horário e local do sepultamento.

Nascido em Penedo, mas criado no município sergipano de Ilha das Flores, Valter mudou-se para Aracaju em 1970. Iniciou a carreira musical aos 10 anos tocando acordeon no bar do pai, em Penedo. Por vergonha, como ele mesmo declarava, abandonou a sanfona e passou a tocar guitarra durante o período da Jovem Guarda, quando se apresentava no Penedo Tênis Clube. Depois investiu no teclado e com este instrumento participou de grupos como Apaches, Medeiros, Psicassete, Trio Atalaia e da banda Los Guaranis, onde também foi diretor musical.

Somente em 1987, quando passou a se apresentar no bar Recanto do Chorinho, no Parque da Cidade, em Aracaju, foi que Valtinho perdeu a vergonha da sua origem musical e fez as pazes com o acordeon, instrumento que nunca mais se separou. “Ainda toco teclado em algumas festas de casamento, mas não deixo mais o acordeon, que é como se fosse minha mãe”, declarou Valtinho numa recente entrevista.

Texto reproduzido do site: destaquenoticias com br 

terça-feira, 30 de abril de 2024

Maria Feliciana: uma história de vida comovente



Créditos das fotos: 1 e 2 de César Cabral e 3 de Leonardo Barreto.

Publicação compartilhada do site RADAR SERGIPE, de 29 de abril de 2024

Maria Feliciana: uma história de vida comovente.

Faleceu no último sábado (27) e foi sepultada ontem, domingo (28), a sergipana Maria Feliciana, considerada como uma das das mulheres mais altas do mundo.

Do alto dos seus 2,25 metros de altura, Maria Feliciana ficou conhecida nacionalmente e até fora do país pela curiosidade das pessoas que queriam vê-la de perto e comprovar o seu singular tamanho. Por isso, durante muitos anos, nas décadas de 60/70/80, ela passou a integrar as caravanas de vários artistas sergipanos que percorriam o nordeste para apresentações em circos e espaços públicos, pois a sua fama de mulher mais alta do Brasil despertava a curiosidade do público. Josa, o Vaqueiro do Sertão, e as duplas Ozano e Ozanito e Adalto e Adailton tiveram, durante muito tempo, a companhia de Maria Feliciana como uma atração a mais nos seus shows.

No final da década de 60, a popularidade de Maria Feliciana era tanta que terminou por, popularmente, dar o seu nome ao Edifício Estado de Sergipe, construído pelo então governador Lourival Baptista, no centro comercial de Aracaju. Dotado de 29 andares, na época foi considerado o maior prédio do nordeste brasileiro, daí o "apelido" de Maria Feliciana, como é até hoje chamado pelos sergipanos.

Nos últimos anos, Maria Feliciana vinha enfrentando problemas de saúde e, com poucos recursos financeiros, tinha dificuldades para adquirir medicamenos e até mesmo gêneros alimentícios. Por esse motivo, alguns amigos, a exemplo do professor Lula, constantemente organizavam bingos filantrópicos para suprir tais necessidades.

Ela estava internada em um hospital particular da capital sergipana, onde foi diagnosticada com pneumonia, e faleceu em decorrência de complicações cardíacas. O seu sepultamento ocorreu ontem, domingo (28), no Cemitério da Cruz Vermelha, em Aracaju.

No dia 25 de maio de 2019, o jornalista César Cabral entrevistou Maria Feliciana e contou um pouco da sua história na secção "Por Onde Anda Você", do RADAR SERGIPE. 

Em homenagem póstuma, a matéria está aqui reproduzida. Vá em paz, Maria Feliciana, pessoa simples que elevou o nome de Sergipe e orgulhou os sergipanos.

* 27/05/1946   + 27/04/2024

Onde Anda Você, Maria Feliciana

Maria Feliciana dos Santos, nasceu no dia 27 de maio de 1946, em Amparo do São Francisco (SE). Filha única de Antônio Quintino dos Santos e Maria Rodrigues dos Santos teve uma infância igual a tantas outras crianças carentes nascidas às margens do Velho Chico.

Maria Feliciana

Entretanto, ao atingir a adolescência, começou a chamar a atenção dos moradores do lugar pela avantajada altura que lhe diferenciava de todas as mocinhas da sua idade. Foi por esse motivo que, aos 16 anos, foi levada para Aracaju por um amigo da família que lhe apresentou a “Josa, O Vaqueiro do Sertão”, cantor e apresentador do programa Festa Na Casa Grande, pela Rádio Difusora de Sergipe, atual Rádio Aperipê. Josa fazia muitos shows em cinemas e circos pelas cidades do interior de Sergipe, Bahia e Alagoas e Maria Feliciana, com uma altura incomum (2,25m) certamente seria uma atração a mais, nos shows do sanfoneiro.

Dito e feito. Maria Feliciana passou a residir em Aracaju, sob os cuidados de Josa e da esposa D. Valdice, que a tratavam como uma pessoa da família. Durante 10 anos, a partir de 1962, Maria Feliciana passou a ser uma das atrações dos shows de Josa, o Vaqueiro do Sertão. Juntos, viajaram pelo sertão nordestino e a sua fama de mulher mais alta do mundo chegou ao sul do país.

Levados por Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, Josa e Maria Feliciana foram para o Rio de Janeiro onde ficaram por dois meses e participaram de vários programas de rádio e televisão. No Programa do Chacrinha recebeu o título de Mulher Mais Alta do Mundo e ganhou a faixa de “Rainha das Alturas”. Isso fez com que Luiz Gonzaga lhe desse uma coroa para fazer jus à faixa recebida.

No Rio de Janeiro, Maria Feliciana foi recebida pelo governador Negrão de Lima, no Palácio das Laranjeiras, que lhe presenteou com o pagamento de hospedagem, por um mês, em um hotel da cidade maravilhosa.

De volta a Aracaju, continuou a morar na residência de Josa e com ele voltou a fazer apresentações pelos estados de Sergipe, Bahia, Alagoas, Piauí, Goiás e Minas Gerais. A sua presença nos shows do sanfoneiro era um atrativo a mais, pois, a curiosidade do povo em conhece-la, aumentava a arrecadação da bilheteria.

Casou-se em 1973, então com 27 aos, com Assuíres José dos Santos com quem teve três filhos: Charles, Shirley e Cleverton além dos cinco netos e um bisneto. Ao casar, deixou de viajar com Josa, O Vaqueiro do Sertão, pois como teria que ir acompanhada do marido e Josa levava zabumbeiro e triangueiro, não havia espaço para todos, num só veículo.

Passou, então, a viajar com a dupla Ozano e Ozanito. Novamente 10 anos de convivência profissional. A dupla, afinadíssima, tinha programa na Rádio Atalaia AM e era sucesso de público por onde passava. Maria Feliciana ajudou, ainda mais, no sucesso dos violeiros. Ozanito lembra que todos viajavam num fusca e, mesmo assim, Maria Feliciana conseguia acomodar as suas longas pernas dentro do acanhado veículo.

Por fim, Maria Feliciana passou a viajar com a dupla Adalto e Adailton e o sanfoneiro Lourinho do Acordeão. Novamente 10 anos de estrada até quando decidiu não mais viajar, após completar 47 anos.

Maria Feliciana, recebeu do povo a melhor das homenagens, pois, espontaneamente, a população passou a denominar com o seu nome, o Edifício Estado de Sergipe, o maior até agora construído em Aracaju.

Pobre e com dificuldades financeiras, Maria Feliciana está há 15 anos numa cadeira de rodas e quase não sai de casa devido à dificuldade de locomoção. Recebe uma pensão de R$ 1.200,00 dada pelo então governador Albano Franco, cujo recurso serve para comprar medicamentos e pagar pequenas despesas da residência.

Maria Feliciana mora na casa número 282, da rua São Jorge, no Bairro Santos Dumont, em Aracaju. O imóvel é próprio e foi adquirido e doado pelo BANESE.

Texto e imagens reproduzidos do site: radarse com br 

quarta-feira, 17 de abril de 2024

Pedro Raimundo Dos Santos (1947 - 2024)

Post compartilhado do perfil do Facebook/Yara Belchior, de 16 de abril de 2024

"COLUNA YARA BELCHIOR - SAÚDE E PAZ!!! // PASSOU PARA O PLANO ESPIRITUAL O GRANDE PROFISSIONAL DA COMUNICAÇÃO, EMPRESÁRIO, RADIALISTA E RÁDIO AMADOR DAS ANTIGAS, Pedro Raimundo Dos Santos, QUE DURANTE MUITOS ANOS TRABALHOU NO PALÁCIO OLÍMPIO CAMPOS, FORNECENDO MUITA COMPETÊNCIA NA ÁREA TECNOLÓGICA, QUE ENVOLVIA, INCLUSIVE, A MELHOR SONORIZAÇÃO E ESTRUTURA TÉCNICA PARA OS GRANDES EVENTOS, SOLENIDADES E INAUGURAÇÕES PARA MUITOS E INESQUECÍVEIS GOVERNOS, GOVERNADORES, PREFEITOS, EMPRESAS, EMPRESÁRIOS E PRESIDENTES DOS TRÊS PODERES EM ARACAJU-SERGIPE-BRASIL E ALÉM FRONTEIRAS. // FOI RECEBIDO NO PLANO ESPIRITUAL EM 14.04.2024, DOMINGO, COM AS MELHORES MÚSICAS CLÁSSICAS, COM CERTEZA!!! // VOCÊ Ê NOTA 10, HISTÓRICO E INESQUECÍVEL, MESMO, CARÍSSIMO PEDRO RAIMUNDO!!! // SAÚDE E PAZ, ORAÇÃO E FÉ: - A VIDA NÃO ACABA NUNCA!!! // E SALVE, JORGE, SALVE!!! www salvejorge com"  (Y.B.)

Texto e imagem reproduzidos do perfil do Facebook/Yara Belchior

Link do post original e comentáros, no Facebook/Yara Belchior

https://www.facebook.com/COLUNAYARABELCHIOR/posts/pfbid0ZA6zAP98VtLU9y993rp4mfYk1mjhftB6MDCaE7SjiPskQg5NGGB5MhMT3hr6WDhNl

domingo, 7 de abril de 2024

Festa literária em Riachuelo e Muribenca

Créditos das fotos: Cris Souza

Publicação compartilhada do site RADAR SERGIPE, de 5 de abril de 2024 

Festa literária em Riachuelo e Muribenca

No dia 23 de março de 2024, à tarde, uma comitiva acadêmica formada pelo Dr. José Anderson Nascimento, presidente da Academia Sergipana de Letras, e pelos acadêmicos e acadêmicas: Domingos Pascoal de Melo, Maria das Graças Monteiro Melo, Educadora Cris Souza, Salete Nascimento, Hélio Oliveira, Arquimedes Marques e Elaine Marques, foi à cidade de Riachuelo para uma sessão da academia de letras daquele município, oportunidade em que foram empossados como membros titulares, efetivos e vitalícios: a professora Enedina Dantas do Vale, a professora Cenira da Silva e o cantor Manoel Ferreira de Santana, também conhecido como JILÓ; foram outorgados dois títulos honoríficos: o Dr. José Anderson Nascimento recebeu o diploma de presidente honorário da ARLA e o acadêmico Domingos Pascoal de Melo foi diplomado como acadêmico honorário da ARLA – Academia Riachuelense de Letras e Artes.

Houve ainda o lançamento do livro “Foi Assim”, de autoria do presidente daquela arcádia literária, professor Jodoval Luiz dos Santos.

Uma parte da comitiva, que se encontrava em Riachuelo, composta pelos acadêmicos Domingos Pascoal, Maria das Graças Monteiro Melo, Educadora Cris Souza, Salete Nascimento e Hélio Oliveira, após a solenidade em Riachuelo, dirigiu-se à vizinha cidade de Muribeca para instalar a Academia Muribequense de Letras.


A comitiva acadêmica foi recebida pelo idealizador e presidente do grupo gestor da organização e criação da AML – Academia Muribequense de Letras, professor Jorge Douglas Cabral, que apresentou a todos as instalações do Salão Paroquial e também ao Senhor Prefeito Municipal, Mário Cesar Conserva, e às senhoras: Secretária de Educação, Cultura, Turismo e Esporte, professora Jussiara Maria Santos Lima; Vereadoras: Gracinha Figueiredo e Ariane Cabral; ao Maestro Rogério dos Anjos Andrade e à sua Banda de Música JOSÉ CARLOS GOMES, formada por jovens Estudantes Muribequenses e, ao fotografo, Pedro Robson dos Santos, encarregado pelos registros instantâneos da festa.

O mestre de cerimônias, João Rocha, vindo da vizinha cidade de Japaratuba, já se encontrava, juntamente com a secretária eleita da AML, Gísela, Maria, o fotógrafo Pedro Robson dos Santos, e o maestro Rogério dos Anjos Andrade, ultimando os detalhes finais para que tivéssemos, como de fato tivemos, uma festa digna de uma instalação de uma academia de letras.

O dispositivo foi formado pelas autoridades do executivo, legislativo, judiciário, acadêmico e maçônico. Na foto que faz parte deste vídeo, podemos ver, olhando-se da esquerda para a direita: Dr. Roberto Guimarães, representando a Maçonaria; Educadora Cris Souza, presidente da Academia Literocultural de Sergipe e coordenadora do MAC - Movimento de Apoio Cultural Antônio Garcia Filho da Academia Sergipana de Letras; João Francisco (Chico Buchinho), presidente da

Academia Aquidabãense de Letras; Confreira Salete Nascimento, representando a Academia Cristinapolitana de Letras e Humanidades; Professora Jussiara Maria Santos Lima, Secretária de Educação, Cultura, Turismo e Esportes; Prefeito Municipal de Muribeca, Dr. Mário Cesar Conserva; Acadêmico Jorge Douglas Vieira Cabral Souza, idealizador, fundador e presidente da Academia Muribequense de Letras, ora instalada; Acadêmico Domingos Pascoal de Melo, responsável pela Instalação da AML- Academia Muribequense de Letras; desembargadora Maria das Graças Monteiro Melo; acadêmica Elenice Reis, presidente da Academia Literária de Vida de Propriá; acadêmica professora Maria Valdete Santos, presidente da Academia Japoatãnense de Letras e Artes; Vereadora Gracinha Figueredo e Vereadora Ariane Cabral.

 Tomaram posse em suas Cátedras dezenove acadêmicos e acadêmicas, cada um com seus patronos e patronas:

1- Jorge Douglas Vieira Cabral Souza - patrono Luiz Vieira Cabral; 2- José Deiwid Andrade Gonçalves - Patrono: Maria Jacira Andrade;

3- Marcos Antônio Menezes Bezerra - Patrono: Maria Irlan Menezes Bezerra (Lia de Badessa);

5- Iderlânia Costa Souza - Patrono: Francisco Adriano da Costa (Chico Bananinha);

6- Gisela Maria Carvalho Souza - Patrono: Maria da Mota Souza (Dona Santaninha);

7- Regina Tavares Santos - Patrono: Maria Izabel Tavares dos Santos;

8- Bruna Morrana dos Santos Cavalcante - Patrono: Adélia Pureza Rezende;

9- José Edmario dos Santos - Patrono: Maria Valdenice da Conceição;

10- Jeiza de Souza Ferraz - Patrono: Manoel Rozendo de Souza (Pai Velho);

11- Salmo Santos Siqueira - Patrono: Cícera Feitosa dos Santos Siqueira;

12- Igor dos Santos Santana - Patrono: Vera Lúcia dos Santos Santana;

13- Lyana Angélica Santos Cunha - Patrono: José Ariovaldo Cunha;

14- Neurimar Conserva Souza - Patrono: Mário Alves Conserva;

16- Maria Jucineide do Nascimento Lopes - Patrono: José Hugo do Nascimento;

18- Mariana Pereira Moura - Patrono: João Matos Moura;

19- Matheus Emannuel Oliveira Vieira - Patrono: Antônio Gomes Vieira.

O dia 23 de março de 2024 é uma data para ficar registrada na memória e na história do povo de Muribeca, como o dia em que nasceu a Academia Muribequense de Letras, formada por dezenove jovens intelectuais, ávidos em aprender mais e, também, transmitir o que sabem. Façam isso! A instituição que vocês tiveram a felicidade de criar será do tamanho e importância que vocês emprestarem a ela, façam-na grande, comecem pequenos, naturalmente. Porém, nunca parem de crescer. A AML já nasceu vocacionada para fazer a diferença como indutora do pensamento literário e cultural, mediadora dos saberes e do conhecimentos junto à sociedade em geral de Muribeca, mas, sobretudo, perante as escolas da cidade, estimulando a leitura, o estudo e, também, a produção da ideia escrita e a publicação de livros. “Somente o livro, sabemos nós, é o único veículo capaz de acumular e transmitir, no presente, o registro de um passado etéreo e jungi-lo à eternidade do futuro, pois somente ele detém a primazia de fazer o elo dos tempos, mantendo seguro o registro eterno da história, da memória e da vida”. Domingos Pascoal de Melo, no prefácio que fez para o livro: 50 anos da Aug.’. e Resp.’. Loja Maçônica 7 de setembro nº 01 do Oriente de Aracaju -Sergipe.

Texto e imagens rproduzidos do site radarse com br/Cultura

sábado, 6 de abril de 2024

'Considerações sobre (meu) admirável mundo novo', por Luciano Correia

Legenda da foto: Luciano e Jão, uma dupla inseparável 

Artigo compartilhado do site SÓ SERGIPE, de 4 de abril de 2024 

Considerações sobre (meu) admirável mundo novo
Por Luciano Correia (*)

Quando contei para um amigo que minha mulher estava grávida, ele vaticinou: “Você vai rejuvenescer”. Não duvidei, apesar de que me assaltavam as inseguranças e incertezas decorrentes de ser pai depois dos 60, num mundo tão intoxicado, de retrocessos nas condições de vida, de guerras com risco de levar ao Armagedon e com a natureza pegando fogo, devolvendo toda sorte de violências cometidas desde que o homem foi avançando em cada conquista, do domínio do fogo à descoberta da roda, num crescendo até chegar nos perigosos dias atuais.

Ouvia de gente mais velha uma queixa constante pelas perdas sucessivas de parentes e amigos, restando um vazio melancólico, a perda das ilusões e das utopias. Não sei se eles pensavam assim, mas comigo essa impressão chegou cedo. Aos 28 perdi um precioso amigo, Fernando Sávio, referência pessoal e literária que se considerava, como dizia ele, “um pai profissional”, parceiro de farras e infinitas e maravilhosas histórias. Depois veio Chico Mocó, um amigo irmão, genial, uma espécie de Nelson Rodrigues da crônica oral, que deixou este mundo antes dos 50. A partir daí, foi uma enfieira de grandes amigos, um atrás do outro. Alguns que imaginei insubstituíveis. E, de fato, são.

Para escurecer ainda mais o cenário já desalentador, há a deterioração das amizades que ficam, pelos motivos mais diferentes, mas sempre embalada nessa aura de refregas, agressões, ironias e toda sorte de estranhamentos que a gente jamais esperaria vindos de pessoas queridas. Dos demais, dessa juventude cuja bandeira de vida é o “tudo já”, de todos os direitos e quase nenhum dever, a gente não esperava nada mesmo. É assustador ver que essa onda belicosa que rege as relações atuais, sobretudo no pantanoso terreno virtual, também contaminou nossos velhos e sábios amigos.

Há que descontar, nesse inventário de perdas, aquelas que não resistiram à fadiga, conceito vindo da engenharia que denota envelhecimento, obsolescência e morte. De fato, algumas dessas amizades construídas com muita lógica e esmero em épocas remotas, relações que nos pareciam duradouras, foram perdendo o sentido, o interesse de uma pela outra. Como num casamento: basta que um não queira, morreu Maria Preá. Mas esse não é um processo indolor, que se dê com naturalidade e não deixe de acionar um certo saudosismo das coisas incríveis que vivemos com essas pessoas: conversas, viagens, bebedeiras e – claro – as incontáveis refregas.

Desde que meu amigo falou do rejuvenescimento que o pequeno João traria para a minha vida, fiquei pensando em como isso deveria se materializar. Finalmente eu ficaria mais magro, pra calçar os sapatos com alguma dignidade, sem a obstrução de um infame calombo? Encerraria minha longuíssima carreira de bebedor, de tão nefasta que tem se manifestado nas décadas mais recentes? Tomaria vergonha e finalmente entraria numa dessas academias de ginástica para repor músculos perdidos em anos de inércia? As perguntas fundamentais nunca têm resposta, sejam elas trivialidades como essas ou inquietações existenciais mais profundas. Afinal, qual a chave do que é certo ou errado? Onde está o roteiro das coisas certas? É como imaginar que haveria um hipotético manual de instruções para a vida. Tudo é acaso e circunstância, já disseram.

Talvez eu comece a tomar algumas providências, para meu bem e para que meu bebê tenha um pai por alguns anos, mas é fato que o simples compromisso de ajudar a criá-lo, de ter que estar próximo o máximo possível, já configura o cenário de um mundo novo para mim. Com as perdas que tive que aceitar, mais os distanciamentos impostos por amigos ainda vivos e, pasmem, de parentes, a chegada do João me flagra numa situação de disponibilidade, tempo e coração dispostos a construir com essa nova pessoa em meu mundo uma relação, talvez, menos propícia aos defeitos das outras, ou, pelo menos, livre das intoxicações que regem as sociabilidades na quadra atual. Na realidade, vejo que meu velho mundo, por tudo o que apresentei como causas e sintomas, foi ficando pra trás, sendo ocupado cada vez mais pelo mundo mágico de Jão Cabeça Quente, o Quebra-Tudo, o Berro Grosso que diariamente liga no automático às 5 da manhã e só desliga sabe-se lá que hora da noite..

O primeiro e maravilhoso ganho desse novo universo que se descortina é a minimização do mundo velho, suas certezas, verdades e mazelas. E, junto com a perda de importância das coisas, a das pessoas também, ou melhor, daquelas que as dobras do tempo tornaram irrelevantes ou as que fizeram questão de nos fustigar com algum ataque ou desprezo. No nosso filme do passado, essas imagens já não invocam boas experiências, despachando personagens dessas vivências para o limbo e esquecimento. Paralelamente, a chegada de uma pessoa por quem tenho total responsabilidade, e que terei de cuidar até quando for possível na extensão dos meus dias, traz de forma natural uma abertura de novos mundos, uma fantástica luminosidade sobre o banal cotidiano, minutos mágicos que valem, justamente, pela beleza da simplicidade.

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Luciano Correia - Jornalista e presidente da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju).

Texto e imagem reproduzidos do site sosergipe com br

'Neu Fontes - um mestre da cultura!', por Mário Sérgio Félix

Legenda da foto: Irineu Silva Fontes Junior: destino é o de trabalhar pela cultura de seu Estado

Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 05 de Abr de 2024

Neu Fontes - um mestre da cultura!
Por Mário Sérgio Félix*

Paschoal Maynard tem um “bordão” que usa em seu programa na Tv Aperipê, muito apropriado: “Cultura, é o que a gente faz!” Diga-se de passagem, Paschoal o faz muito bem. Aliás, Paschoal respira cultura, além de ser um exímio baterista.

Do outro lado, temos também um personagem que está ligado à cultura, mais precisamente à cultura sergipana, à cultura nordestina, enfim, à cultura.

Também pudera, bebe da fonte da cultura, do berço da cultura, de sua mãe e sua avó, estancianas “da gema”. Aliás, não há uma só vez que ao falar de cultura não cite suas fontes da Estância. Está no sangue. Em suas veias, corre o líquido precioso da água do Rio Piauitinga.

Desde cedo - e bote cedo, nisso -, Irineu Silva Fontes Junior, mais conhecido como Neu Fontes, já sabia que o seu destino seria o de trabalhar pela cultura de seu Estado. Árdua, difícil, porém de grande valor para o seu reconhecimento.

A sua trajetória mostra esse reconhecimento, essa luta naquilo que ele sempre acreditou. Naqueles que no passado sempre lutaram pelo engrandecimento dessa cultura que Neu fez da sua vida o seu norte de trabalho.

Nesse norte, a música sergipana sempre esteve presente, essa batalha diária de aconchegos, desafios, intrigas, das mais variadas, porém, sempre na defesa da música sergipana.

Como aconteceu no Canta Nordeste, quando chegou a desafiar os diretores do Festival para defender a música de seu Estado, os cantores de seu Estado, a ponto de dar murros na mesa para que o regulamento aprovado fosse colocado em prática.

Não fosse a luta incessante de Neu Fontes naquele festival, talvez não tivéssemos trazidos de lá o primeiro lugar com o “Coco da Capsulana”, de Ismar Barreto e João Alberto, defendido brilhantemente pela nossa Amorosa, que de quebra, venceu como melhor intérprete.

Neu também é um excelente produtor musical. É dele o último CD lançado pelo nosso mestre João Melo, que a pedido da gravadora Som Livre, incumbiu Neu de produzir o lindo disco “Coração Só Faz Bater”, que teve a distribuição do sistema Globo.

Pioneiro naquilo que faz, Neu foi um dos primeiros cantores e compositores a defender a música sergipana com um programa totalmente voltado para a nossa música. O Programa Seleção Brasileira, até hoje tem um quadro criado por Neu, quando apresentava na rádio Aperipê FM “A Música da Semana”, que traz o artista sergipano em evidência.

São dele vários sucessos da “playlist” da rádio, como o grande sucesso do nosso saudoso Rogério, “Pecado de Pássaro”, parceria com Jorge Lins, outro ícone da cultura sergipana.

Neu também aparece no disco “Cajueiro dos Papagaios”, obra de grande importância para a música sergipana, juntamente com Lula Ribeiro e Paulo Lobo. Se elencarmos os grandes sucessos de Neu, um artigo seria pequeno para eles.

Sem ser político, porém ajudando a política, Neu tornou-se secretário de Cultura da cidade de Laranjeiras, onde exerceu um enorme trabalho de divulgação, reconhecimento e valorização desses importantes brincantes da nossa cultura. É visível essa valorização desses artistas junto à sua comunidade e principalmente no apoio logístico e financeiro.

Foi através de Neu que os principais grupos folclóricos tiveram reconhecimento nos últimos anos, claro, sem deixar de citar seus mestres que o ensinaram a trabalhar com esses grupos, a exemplo do professor Luiz Alberto, da professora Aglaé Fontes e do seu mestre Professor Luiz Antônio Barreto.

No próximo dia 23 de abril Neu estará lançando seu primeiro livro, “Som da História”, reunindo seus artigos escritos nos últimos anos através do Jornal Cinform Online. Já adianto que será um excelente livro sobre a cultura sergipana, aliás, escritos que fazem parte das pesquisas do Programa Seleção Brasileiro, do qual me utilizo para aumentar o leque de conhecimentos dos nossos artistas, da nossa música.

O evento acontecerá no Museu da Gente Sergipana, às 16:30 e se você quer conhecer essa obra desse grande agitador cultural sergipano, aparece lá. De quebra, ganha um abraço meu. Mas a festa é do amigo Neu Fontes.

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* O Articulista Mário Sérgio: É radialista, jornalista e pesquisador da MPB. 

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica com br

quarta-feira, 3 de abril de 2024

'Lembranças de 1964', por Paulo Roberto Dantas Brandão

Post compartilhado do Perfil do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão, de 30 de março de 2024

Lembranças de 1964
Por Paulo Roberto Dantas Brandão

O dia 31 de março de 1964, ao que me lembro, foi um dia normal.  Lá em casa só foi alterado porque era aniversário de meu pai.  No dia 1º de abril (o dia da mentira), fui para a escola, o Educandário Brasília (então eu cursava o 2º ano primário).  Íamos a pé, eu e a meninada da rua Senador Rolemberg.  Quando lá chegamos, recebemos o aviso que não tinha aula.  Alegria geral.  Voltamos para casa, tiramos a farda, e fomos jogar bola no meio da rua.

Lembro que já estávamos na pelada, quando uma colega passou de carro, com o pai, e estranhando a turma jogando bola, perguntou se não havia aula.  Respondi que não:  Fizeram uma tal de revolução, expliquei, sem ter ideia do que viria a ser isso.

À tarde, ou no dia seguinte, aí as lembranças se embaralham, fui com minha mãe ao comércio, numa loja chamada Dernier Cri, que existia na rua João pessoa.  Minha mãe comprava algumas coisas, e havia um rádio ligado. Daí a pouco entrou uma edição extraordinária do Informativo Cinzano, de maior audiência na época, apresentado por um escroque chamado Silva Lima.  Pronunciando em destaque todos os erres e esses, ele bradou:  “acaba de ser fechado pelas gloriosas forças do exército brasileiro o jornal vermelho da cidade, a comunista Gazeta de Sergipe. Depois passamos pela porta do jornal, na Av. Rio Branco.  Havia um soldado de fuzil guarnecendo a porta. 

Outra lembrança que me vem, é que nesse dia, ou no seguinte, meu pai chegou com um caixote cheio de compras.  Preocupado com um possível desabastecimento, ele comprou logo um monte de coisas que ficaram estocadas na garagem lá de casa.

Uma outra lembrança de alguns dias posteriores foi interessante.  O governador Seixas Dórea havia sido preso, em Fernando de Noronha, junto com o governador de Pernambuco, Miguel Arraes.  Alguns dias depois, não sei a razão, autorizaram que Seixas viesse a Aracaju visitar sua mãe, que morava na rua de Itabaiana, perto de nossa casa. Com forte escolta de soldados do exército, o governador chegou de carro. Por coincidência, vinha passado por lá com minha mãe bem na hora.  Minha mãe, D. Yêda, empurrou alguns soldados, superou alguns populares da vizinhança, e apertou a mão de Seixas Dórea.  Dadas as circunstâncias, era um ato de coragem.

Todos se mostravam preocupados com o meu avô Orlando, uma possível vítima do golpe.  Mas além de uma visita de um oficial ao seu apartamento para avisar que o jornal foi fechado, nada aconteceu de mais grave.  Nos meu oito para nove anos, não tinha ideia do que acontecia.  Não imaginava que viveríamos 21 anos na escuridão.  

As tropas do General Olimpio Mourão podem ter saído de Juiz de Fora na noite do 31 de março, mas o golpe mesmo, foi no dia 1º de abril.

Texto e imagem reproduzidos do Perfil/Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão.

sábado, 30 de março de 2024

'O menino que viu o golpe', por Jorge Carvalho do Nascimento

Artigo compartilhado do site DESTAQUE NOTÍCIAS, de 30 de março de 2024

O menino que viu o golpe
Por Jorge Carvalho do Nascimento*

Alguma coisa fora do comum estava acontecendo naquela noite do 31 de março e naquela madrugada do primeiro de abril de 1964. Lá se vão 60 anos e o ambiente na casa da minha Vovó Petrina e da Tia Teresinha, onde eu morava, nunca me saiu da cabeça. A tensão estava no ar e permitia ao menino Jorge a percepção de alguma coisa fora do comum naqueles acontecimentos. Passamos a madrugada acordados.

Todas as luzes da casa foram apagadas, mas protegidas pelos dois postigos frontais da platibanda da nossa casa, entreabertos, ajoelhadas sobre duas cadeiras estavam a Tia Terezinha e a Vovó Petrina trocando entre si comentários incognoscíveis ao menino de sete anos de idade que somente no dia 28 de agosto daquele ano chegaria ao seu oitavo ano de vida.

O mesmo nível de incompreensão que se me impunha o som do pequeno rádio de pilhas japonês da marca Spica, modelo ST 600, um dos rádios transistorizados mais vendidos à época no Brasil. O radinho, com sua capa de couro marrom, era motivo de orgulho da minha modernosa Tia Teresinha, “alta funcionária” (como costumava jactar-se Vovó Petrina) do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários – IAPI.

Com o aparelho ligado na Rádio Liberdade de Sergipe, elas ouviam a transmissão das notícias que chegavam do Rio de Janeiro e aqui eram comentadas por Silva Lima e Santos Mendonça, titulares de dois programas imperdíveis naquela casa: Informativo Cinzano e Calendário. Silva Lima também mantinha semanalmente o programa Cada Crime Tem Sua História. Eles vararam a madrugada comentando as notícias do golpe militar e do que chamaram fuga do presidente João Goulart para o Rio Grande do Sul e posteriormente para o Uruguai.

O frenesi dos motores e dos freios dos jeeps do Exército cruzando a rua para cima e para baixo era intenso. Bem assim o barulho das botinas dos militares que batiam às portas de casas próximas da nossa. A rua do Bonfim ainda não era chamada de avenida Sete de Setembro. Menos ainda pela sua atual designação – avenida Mamede Paes Mendonça.

Todavia, aquela artéria cumpria uma importante ligação na vida da cidade de Aracaju: era o principal acesso à Estação Ferroviária, de onde partiam os comboios para Salvador, cruzando parte do Estado da Bahia, e, também para Propriá, onde após a travessia do rio São Francisco, feita em balsa, era possível continuar a viagem em outra composição até a cidade de Maceió.

Morávamos entre o morro de areia que é agora a avenida Pedro Calazans e a Estação Ferroviária. Nossa vizinhança era predominantemente composta por líderes da antiga Sociedade União dos Operários Ferroviários – SUOF, sindicato ativo e de intensa combatividade, no qual as principais lideranças militavam também no Partido Comunista Brasileiro – PCB.

Católica e muito conservadora, a Vovó Petrina ia diariamente à missa das sete da manhã na Igreja do Espírito Santo (avenida Simeão Sobral, no bairro Santo Antônio) ostentando a sua fita vermelha no pescoço, privilégio dos membros do Apostolado da Oração. Era anticomunista até a medula, e portava a certeza de que os membros do PCB pretendiam destruir as famílias e a fé católica.

Por isto, de olho grudado através do postigo, comunicava entusiasmadamente à Tia Teresinha o nome de cada um que era visitado pelos jeeps militares. “Graças a Deus levaram o bicho” – assim ela tratava os militantes do Partido Comunista que moravam em nossa rua, e, zelosa, quando andava comigo, não permitia que nossos pés pisassem as calçadas dos líderes ferroviários, ao seu olhar maculadas pela doutrina do marxismo.

A Tia Teresinha, com a cabeça mais aberta, mais ilustrada, ouvia o noticiário da rádio Globo do Rio de Janeiro, pelas ondas curtas do seu rádio transistorizado. Assinava a Gazeta de Sergipe e costumava receber jornais cariocas, como Última Hora, além de ser leitora habitual dos comentários e análises de jornalistas como Hélio Fernandes e Carlos Heitor Cony. Agora, olhando para trás, eu a classifico ideologicamente como uma discreta social-democrata.

Foi necessário que o menino Jorge crescesse, ingressasse na Universidade Federal de Sergipe e na Faculdade Pio Décimo, trabalhasse como repórter nos jornais Diário de Aracaju e Gazeta de Sergipe e redator da rádio e TV Atalaia, bem como da TV Sergipe para compreender claramente o que acontecera naquela noite que durou 21 anos.

O golpe militar de 31 de março de 1964 que agora completa 60 anos, depôs o presidente do Brasil, João Goulart, e alguns governadores estaduais, dentre os quais o de Sergipe, João de Seixas Dórea. Ranieri Mazzili substituiu o chefe do Poder Executivo, mas logo depois o Congresso Nacional referendou a escolha do marechal Humberto de Alencar Castelo Branco para a Presidência da República.

Castelo Branco governou editando atos institucionais e banindo da vida pública três ex-presidentes (Jânio Quadros, Juscelino Kubitscheck e João Goulart). O governador de Sergipe, João de Seixas Dórea, foi preso, além de governadores de outros Estados, igualmente banidos da vida pública e levados à cadeia, bem como milhares de cidadãos, políticos, intelectuais, sindicalistas e estudantes recolhidos ao xadrez de diferentes unidades das forças armadas que foram cassados ou tiveram os direitos políticos suspensos, boa parte deles submetida a maus tratos.

Somente no ano de 1964 foram computadas 203 denúncias de tratamento inadequado aos presos políticos. Os militares e os líderes civis responsáveis pelo golpe militar de 1964, principalmente aqueles ligados à União Democrática Nacional, a UDN, afirmavam que pretendiam restaurar a ordem no país, citando como exemplos mais graves da desestabilização nacional, o comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, que aconteceu no dia 13 de março, 18 dias antes do golpe.

Naquele ato, o presidente João Goulart assinou um decreto de reforma agrária diante de uma multidão estimada em 350 mil pessoas. Os golpistas relacionavam também a proposta apresentada pelo chefe do Poder Executivo ao Congresso Nacional, ainda no mesmo mês de março, com o objetivo de permitir a reeleição do presidente e a candidatura de parentes seus, produzindo a impressão de que ele próprio tentaria novo mandato ou, em outra hipótese, apoiaria a candidatura do seu cunhado, Leonel Brizola, o que era intolerável para os que divergiam do seu projeto.

Além disto, no dia 26 de março se iniciou uma rebelião dos marinheiros contra a prisão do cabo José Anselmo, detido quando tentava organizar uma associação de classe. Os marinheiros protestaram na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, mesmo com a manifestação proibida pelo comando da Marinha.

Os oficiais militares não esconderam a insatisfação com o fato de o Governo deixar de punir os rebelados por insubordinação, o que na prática representava uma quebra da hierarquia militar. O sentimento de revolta da oficialidade se agravou mais ainda no dia 30 de março, quando o presidente João Goulart e sete ministros de Estado compareceram a uma reunião promovida por suboficiais e sargentos na sede do Automóvel Clube do Rio de Janeiro em solidariedade àqueles que organizaram a rebelião dos marinheiros.

O menino daquela noite de 1964 tem agora 67 anos de idade e no dia oito de janeiro de 2023 estava “batendo papo” com amigos em uma área de lazer do condomínio onde mora. Poucos eram os meus vizinhos que, como eu, desconfiavam que Jair Bolsonaro vinha articulando a quebra da ordem institucional desde que perdera a eleição para Lula. Como parte do plano, fugiu para os Estados Unidos da América dois dias antes da conclusão do mandato.

Naquela tarde do oito de janeiro, quando começou a invasão da Praça dos Três Poderes, o clima entre os apoiadores de Bolsonaro era quase de orgasmo quando falavam uns aos outros – “começou a festa da Selma”. Felizmente, a festa foi abortada antes que as fanfarras da ditadura começassem a soar.

Que 1964 fique em 1964. Com todos os percalços, o Brasil continua a ser uma democracia.

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* É jornalista, doutor em Educação, professor aposentado do Departamento de História e do Mestrado e Doutorado em Educação da Universidade Federal de Sergipe, membro da Academia Sergipana de Letras e presidente da Academia Sergipana de Educação.

Texto e imagem reproduzidos do site: www destaquenoticias com br

segunda-feira, 25 de março de 2024

'Vamos conhecer Aracaju através da música?', por Mário Sérgio Félix

Legenda da foto: Ismar Bareto tem lugar cativo na evocação a Aracaju

Artigo compartilhado do site JLPOLÍTICA, de 21 de março de 2024

Vamos conhecer Aracaju através da música?
Por Mário Sérgio Félix *

A nossa capital completou no último dia 17 de março 169 anos. Essa nossa menina cresceu, se tornou uma linda mulher cantada em versos e prosas por nossos poetas, cantores e compositores, poetisas, cantoras e compositoras.

Muitos declararam o seu amor, a sua poesia à nossa capital, e que se fôssemos fazer um programa musical sobre Aracaju acredito que teríamos músicas para promover esse programa em mais de três horas. E com certeza sobrariam músicas para outros programas.

Mas o intuito aqui não é de trazer músicas que enaltecem a nossa capital. Pretendemos mostrar uma forma de passeio, de forma a levar você aos quatro cantos da Aracaju de todos os sergipanos. Garanto: o nosso passeio será maravilhoso.

O professor, cantor e compositor Kleber Melo nos apresenta uma Aracaju de forma diferente, já nos remetendo à periferia. Nos versos de “Circular Cidade”, Kleber passeia e nos indica o quanto cresce essa cidade.

“Entro pela Soledade, saio pelo Lamarão,/ Camarão de água doce,/ ou quem sabe no Mosqueiro,/ que me entreguei por inteiro,/ e onde me fiz, Porto Dantas/ tantas desventuras, Alto do Jaqueira/ escura, ou nas trocas do Siqueira,/ acordei no Sol Nascente,/ peguei onda na Aruanda,/ Rua da Frente, como cresce/ essa cidade em grande velocidade, Matapuã e Getimana”. Sim, eis aí uma boa síntese-retrato!

Legal também é pegar carona com Paulo Lobo e descobrir que Aracaju tem é gente, viu? E gente que anda, passeia nas “Ruas de Ará”. E não pense que todos eles se escondem. Afinal, Paulinho dá o tom e nos diz quem são essas pessoas.

Segundo Paulinho, “tem gente que é terra,/ tem gente do mangue,/ tem velho safado, deputado marajá,/ preto que é nobre,/ tem até aquela senhora/ que vem lá da Soledade,/ um moço que vai trabalhar,/ e espia, dondoca doideca,/ doutor de traveca, tudo isso nas ruas de Ará!”.

E passeando pelas ruas de Ará, Paulinho descobre que “tem gente bacana,/ olha só, falsa baiana,/ boçal, tem vagal, tem paxá”,/ e arremata quando diz que na nossa cidade “tem mentira e verdade,/ todo dia nas ruas de Ará”.

Não sei se você sabe, mas Caetano já escreveu sobre a “Moqueca de Cação” do João do Alho – nosso histórico restaurante que não sobreviveu à pandemia de Covid.

Quem provou, provou e lambeu os “beiço”. Quem não provou, vai ficar com água na boca. Ah, e quer saber onde encontrar “Aracaju” por Caetano Veloso? Vai lá no disco “Cinema Transcendental, de 1979. Aliás, a música é uma parceria com Tomás Improta e Vinícius Cantuária. É muito legal Caetano mostrar o seu carinho por nossa capital.

Antônio Rogério e Chiko Queiroga também trazem o seu local predileto por nossa capital, quando te convidam para visitar as nossas “praças e avenidas tão belas,/ da Colina, vejo a cidade jovem,/ divina, meu coração se apaixona por essa menina”.

Não sei você, mas quando olho Aracaju da Colina, parece que estou abraçando uma “coisa” que muito amo, porque, claro, da colina, você abraça toda a cidade, do Santo Antônio, ao bairro mais longínquo que os nossos olhos podem alcançar.

Ainda em Aracaju, o poeta-cantor e jurista Sérgio Lucas nos convida a passear no Siqueira Campos, nos remetendo ao seu nome de origem, “De Lá do Aribé”.

Lucas invoca o grande agitador cultural Hilton Lopes para nos apresentar o que tem no Aribé. Alegria e muita festa não pode faltar, afinal de contas, “De Lá do Aribé”, tem quermesse, tem fogueira, tem carnaval, cada Igreja tem sua fé, cavalgada, tudo isso sendo trazido pelo alegre Hilton Lopes, com sua dança de pajé. Tudo isso de lá do Aribé.

Nas andanças por nossa capital, a nossa praia maior não pode faltar. Cantada em verso e prosa, uma se destaca pela sua poesia, os seus encantos. Afinal de contas, é lá que o poeta vai se inspirar, sob um céu azul, beijadas pelo mar, e o poeta arremata, chamando-a de “Praia do amor” - Atalaia, composição de Vilela.

Mas, se estamos falando de Aracaju, nada melhor do que sentir saudade e imaginar-se em nossa capital mesmo morando em outro lugar. Assim, se sentiu Ismar Barreto, ao compor “Viver Aracaju”. Realmente, Ismar tinha razão, porque “Tão longe de você,/ dá vontade de morrer,/ um poço de sofrer,/ rezando pra te ver”. Impossível não sentir saudade.

Ismar nos remete a uma saudade incomparável, como aquela que quando chegamos do interior, “descer a Laranjeiras, entrar no Calçadão”. Você já teve essa sensação? Hoje está mudado, mas a sensação antigamente era que realmente você estava chegando em Aracaju.

A cada audição dessa música, vivamos intensamente mais Aracaju. Quem não lembra, nos finais de tarde, de tomar uma lá no FAN’s e se Paschoal estivesse lá, o papo estava garantido.

E pra fechar o passeio, vamos pegar carona na companhia ainda de Ismar e percorrer um pouco as madrugadas de Aracaju. “Madrugada” talvez seja a letra mais fidedigna de um momento vivido em nossa capital. Segundo o próprio Ismar, “é o que se passa na madrugada!”

“A ronda da madrugada,/ é feita por putas, soldados,/ maridos, por gigolôs e garçons,/ por dedos e línguas ferinas,/ por pais infelizes e mãe cafetã,/ boêmios e analistas, loucos e bichas,/ palhaços e compositores,/ banheiros com fedentina e cocaína,/ amendoim, Brahma e cantores,/ madrugada, fauna e flora,/ melancolia foi embora./ Petistas e otimistas, ricos e artistas,/ urologistas e sapatões, atores,/ cheques sem fundos mil,/ mil vagabundos, contrabandeando corações,/ madrugada, inda é hora,/ a tristeza foi e chora (embora)”.

* É radialista, jornalista e pesquisador da MPB. 

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias com br