sábado, 28 de setembro de 2019

Evento com Orlando Dantas, do acervo fotográfico de Paulo Brandão






Publicado originalmente no Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão, em 28 de setembro de 2019

Hoje (28/09/2019), meu avô Orlando Dantas completaria 119 anos

Estas fotos têm exatamente 50 anos.

Em 1969 foi homenageado com a colocação de seu retrato, pintado por Welllington, na redação da Gazeta de Sergipe

Diversas personalidades presentes. 

Depois houve um almoço no restaurante da Iara

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Nomes iguais e ideais semelhantes > Almir Santana e Almir do Picolé


Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 17 de setembro de 2019

Nomes iguais e ideais semelhantes

Almir do Picolé e Almir Santana carregam em suas histórias de vida a marca da solidariedade

Na manhã desta sexta-feira, 13, não levando em conta a simbologia de uma sexta-feira 13, a equipe de Reportagem do JC teve a grata satisfação de entrevistar dois homens que carregam em suas histórias a marca da solidariedade. Dois “Almirs porretas”, como diria na linguagem popular.

A missão teve início no prédio do INSS, na Avenida Ivo do Prado, onde a equipe encontrou com Almir do Picolé. Com vestimentas simples e um sorriso largo no rosto, o homem que teve uma trajetória de sofrimento, marcada pelo abandono e percalços da vida, tendo inclusive que morar em um orfanato, deu a volta por cima e hoje estende a mão para 85 crianças em uma creche na Piabeta, em Nossa Senhora do Socorro.

“Minha irmã com três anos e eu com cinco e minha mãe deixou a gente na Rodoviária Velha. Deixou sem maldade. Ela ia embora para São Paulo e pensou que a madrasta dela ia buscar a gente. Mas isso não aconteceu. Ficamos jogados de orfanato em orfanato até sermos separados”, relembra Almir Almeida Paixão, o popular Almir do Picolé.

Uma história triste e que tinha tudo para ter um final ainda mais melancólico. Mas o pequeno Almir cresceu e se tornou um homem íntegro e, acima de tudo, humano. Trabalhando como vendedor de picolé para sobreviver, ele não media esforços quando o assunto era ajudar as pessoas.

Morando em um quarto de vila e dividindo o espaço com mais 32 famílias, muitas vezes o jovem Almir comprava dúzias de ovos para aqueles que, de um jeito ou de outro, tornaram-se os laços afetivos que ele nunca pôde construir.

Em paralelo à venda de picolés, Almir, que está às vésperas de completar 50 anos de idade, começou a catar latinha para comprar brinquedos para as crianças carentes da Piabeta. Foi aí que um advogado conheceu o trabalho dele e o indicou para uma reportagem em nível nacional, que abriu as portas para a construção da Creche Almir do Picolé.

“Foi assim que eu ganhei o terreno para fazer a minha casa para morar. Mas a minha consciência acusava que eu só tinha ganho por causa das crianças. Então decidi fazer a creche. Eu poderia estar com a minha casa e sem preocupação com salário de funcionário e encargos trabalhistas, mas eu fiz uma opção de vida”, conta o ex-vendedor de picolé.

Mas nem tudo são flores por lá. Atualmente com 14 funcionários registrados e 85 crianças para manter, Almir passa dias em semáforos da capital no intuito de completar o salário dos colaboradores. “Esse mês faltou R$ 1,4 para pagar aos funcionários. Eu vendi um carrinho velho vermelho que eu tinha. Mas dias melhores virão”, diz sem perder a esperança.

Chegando na Secretaria de Estado da Saúde, com Almir do Picolé à tira-colo, a equipe de Reportagem do JC encontra o outro Almir, na verdade o médico sanitarista José Almir Santana.

Também de sorriso largo e com olhos afetuosos pelo xará, Almir Santana nem bem começou a falar e já foi surpreendido pelo Almir do Picolé: “Almir levou uns peixes lá na creche. Ele reduziu os pecados. Olha que reportagem boa com um Almir feio, que é ele, e um Almir bonito, que sou eu”, brincou o do picolé.

Brincadeiras à parte, Almir Santana é o exemplo de pessoa que nasceu para servir. Médico desde 1981, aos 28 anos, Almir já tinha ciência que utilizaria a sua profissão para ajudar as pessoas. “Quando eu me formei em Medicina, a minha proposta não era ficar no consultório apenas. Eu achava que no consultório eu ajudaria bem menos do que envolvido com saúde pública”, conta o médico.

Seis anos depois, o jovem médico abraçaria a causa que marcou de vez a sua vida e a sua carreira profissional: a luta contra a Aids.

“Na época, quando teve o primeiro caso de Aids aqui, nenhum médico queria atender. Era muito preconceito, além de ser uma doença nova. Aí eu trabalhava num posto de saúde na periferia e aceitei atender. Dessa época para cá eu assumi isso para a minha vida”, narra emocionado. E com a tarefa veio também um fardo para carregar: o preconceito.

“Perdi meu consultório. Na verdade, as pessoas não queriam ir preocupadas com as outras que iriam achar que elas tinham Aids ou achavam que iam pegar Aids no meu consultório. Deixei o consultório e abracei a causa definitivamente. Lembro de toda a história. Uma pessoa que veio de São Paulo para o interior de Sergipe e ninguém queria atender. Onde ele sentou, tocaram fogo na cadeira do posto. A Aids era tida como uma doença cruel e assustadora”, lamenta Almir Santana.

E com o fardo, como todo ser humano, o médico também pensou em abandonar o barco. “Pensei em desistir, como se diz na gíria, jogar a toalha, mas às vezes eu olho para trás e penso que se eu desistir tem pouca gente ainda querendo assumir essa luta. Não é por questão de competência, mas o lado de associar a Medicina com a solidariedade. Em Aids, a medicação, apenas, não resolve”, explica.

Após mais de uma hora de papo descontraído e emocionante, os “super Almirs” se despedem à base de elogios e brincadeiras. Cada um segue para uma rotina que, apenas eles, sabem a dor e a delícia de ser o que são.

Contribuições

Para quem quiser contribuir com a Creche Ação Solidária Almir do Picolé, basta entrar em contato através do telefone: 3254-7644, ou realizar qualquer depósito na conta corrente do Banco do Brasil, na agência: 2346-9; conta: 20074-3. Para quem quer ajudar as pessoas com HIV em Sergipe, basta entrar em contato com a Casa de Apoio Bom Samaritano, que fica localizada na Avenida Maranhão, através do telefone 3236-2139.

Reportagem: Redação do Portal JC.
Foto: André Moreira

Texto, imagem e vídeo reproduzidos dos site: jornaldacidade.net e youtube.com

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Fernando Soutelo e a memória cultural de Sergipe

Foto reproduzida do blog: conselhodeculturase.blogspot.com 
e postada pelo blog SERGIPE..., para ilustrar o presente artigo

Texto publicado originalmente no site do JORNAL DO DIA,  em 21/03/2018

Fernando Soutelo e a memória cultural de Sergipe

Por Claudefranklin Monteiro Santos* e Raianne Pereira de Oliveira**

Enquanto as pessoas se debatem e debatem sobre o Largo da Gente Sergipana, a  meu nosso ver uma iniciativa bastante legítima, um personagem se destaca e merece a nossa atenção, sobretudo quando o assunto é memória cultural.

Prestes a completar 70 anos de idade, em plena forma intelectual, Luís Fernando Ribeiro Soutelo, filho de pais sergipanos, Antônio Ribeiro Soutello (Santa Luzia do Itanhy) e Maria Luíza Ribeiro Soutello (Estância), nasceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 15 de junho de 1949.

Sua avó paterna, Arabela Ribeiro Soutelo, ficou viúva com pouco mais de dois anos de casada. Depois de doze anos resolveu se casar novamente, com outro português, e foi morar no Rio de Janeiro, em 1935, juntamente com o pai de Soutelo. Lá, fez o resto do ginásio, fez o curso que naquela época era o atual segundo grau, e fez o vestibular para Engenharia no Rio de Janeiro. Fez, também, em Juiz de Fora, e começou o primeiro período, se transferindo para a Capital Federal. Desde os quinze anos namorava com a sua mãe, casaram e foram morar por lá até 1952, quando resolveram mudar-se para Sergipe, na Fazenda Castelo, em Santa Luzia Itanhy. Soutelo tinha três anos incompletos. Ali viveu boa parte de sua infância, numa prole de seis irmãos, entre eles: Luís, Paulo César, Arabela.

A família vivia na usina. Começou a estudar com a avó materna, que o ensinou o ABC e depois passou a estudar na Escola Antônio Vieira, que era uma instituição mantida pela usina para os filhos dos funcionários. Depois foi morar em Estância, e estudou no Instituto Dom Quirino, quando foi colega do médico Paulo Amado, recém-eleito imortal da Academia Sergipana de Letras.

Eles foram colegas de turma e dividiram o mesmo banco. De lá, foi pra Aracaju, fazer exame de qualificação, permanecendo até então. Estudou no Ginásio de Aplicação, na Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, atual prédio do IPES, na Rua de Campos. Sua aptidão inicial era o Direito, depois decidiu fazer economia.

Sua significativa trajetória cultural deu início no jornalzinho do mural do Aplicação. Em 1964, a Professora Lindalva Cardoso Dantas criou uma coisa que chamava "Clube de Ciências", onde também desenvolvida atividades de redator.

 No ano seguinte, foi para o Atheneu, fazer o "Curso Clássico", num prédio da Praça Graccho Cardoso. Ali, foi membro da Arcádia Estudantil do Colégio Estadual de Sergipe, ocupando uma cadeira que tinha como patrono Joaquim Nabuco.

Ainda nos anos 60, antes da arcádia, em 13 de março de 1966, esteve no grupo (João de Barros - "barrinhos", José Roriz Silva, José Lacerda de Oliveira, Djaldino Mota Moreno, João Ferreira Lima, Garibaldi Nascimento e Carlos Alberto Porto) que criou a Associação Sergipana de Cultura - ASC. Era uma entidade que promovia atividades culturais, como, por exemplo, a primeira exposição de Adalto Machado

Foi aluno da primeira turma de economia que entrou na UFS, em 1968. O curso funcionava no prédio da Justiça Federal, na Praça Camerino. Na ocasião, foi estagiário da "CONDESE" - uma divisão de estudos e pesquisas. No ano seguinte, foi trabalhar na Prefeitura de Aracaju, como oficial de gabinete do prefeito Aloísio Campos. Isso até 1970, quando foi para o Palácio do Governo, na Casa Civil.

Em 1971, na posse do Governador Paulo Barreto de Menezes, recebeu um desafio, que foi o de ser Secretário de Imprensa do Gabinete do Governador, adentrando numa área que irá marcou sua carreira por longos anos: o cerimonial

Por ocasião do Sesquicentenário da Independência, acompanhou a chegada dos restos mortais de Dom. Pedro I e participou ativamente daquela efeméride. Era a porta de entrada para o ambiente cultural da Sergipanidade. Em 1972 e 1973, foi economista da "Telergipe", depois Energipe.

Em 1974, esteve também envolvido em outra importante efeméride da memória cultural de Sergipe: os 400 anos da presença jesuítica. Naquela ocasião, Urbano de Oliveira Lima Neto lhe comunicou que ele o havia indicado para o Conselho de Cultura, quando ficou até 1980. Em outras ocasiões, retornou à instituição, ocupando diversas funções, entre elas a de Presidente (1979-1986). Em 2015, encerrou sua longa trajetória por lá, para se dedicar à última administração municipal de João Alves, em Aracaju.

No Governo de Djenal Queiroz em 1982, retomou a atividade de cerimonial como chefe do gabinete do Secretário de Indústria e Comércio. Daí em diante, esteve nos governos de João Alves, saindo com Valadares, quando foi trabalhar com Luís Antônio Barreto, na Fundação Joaquim Nabuco, retornando a Sergipe em 1988, para a Energipe.

Em 1991, voltou para o cerimonial com João Alves, ficando ainda no período de Albano.

Atualmente, tem atuado mais de perto na Academia Sergipana de Letras. Frequenta o Sodalício desde os anos 70, mas só se tornou seu membro em 1985. Sua posse se deu no dia 05 de novembro daquele ano e foi recebido por seu amigo, o saudoso Luiz Antônio Barreto. À época, era Presidente Luiz Antônio Garcia.

Também é sócio do Instituto Histórico desde os anos 70. Chegou à Casa de Sergipe, onde hoje faz parte da atual Diretoria, por intermédio da Professora Maria Thétis Nunes, que havia sido sua professora de Geografia Econômica no primeiro ano de Faculdade e por quem passou a nutrir uma grande estima, logo uma amizade de longa data.

Em todos os lugares por onde passou, Fernando Soutelo adquiriu o hábito de ler, anotar e consultar as principais fontes da História de Sergipe, produzindo inúmeros textos, capítulos de livro e pareceres do Conselho Estadual de Cultura, estes últimos, primorosas peças da mais alta qualidade, um verdadeiro banquete para pesquisadores.

Frente ao exposto, qualquer investida no campo da memória cultural sergipana terá que ter como mote um mergulho na lavra literária e intelectual de Luiz Fernando Ribeiro Soutelo. Talvez assim, discussões em torno do Largo da Gente Sergipana possam se tornar mais lúcidas e menos barulhentas, movidas unicamente pela marca identitária que enverga e representa.

* Claudefranklin Monteiro Santos é professor doutor da UFS;

** Raianne Pereira de Oliveira é mestranda em História da UFS.

Texto reproduzido do site: jornaldodiase.com.br

domingo, 8 de setembro de 2019

Por Onde Anda Você: Canabrava Mendonça

Foto: César Cabral

Publicado originalmente no site RADAR SERGIPE, em 10 de agosto de 2019

POR ONDE ANDA VOCÊ: Canabrava Mendonça

José Canabrava de Mendonça, desportista, atleta, radialista e funcionário aposentado do Banco do Brasil, é filho de Rufino Sampaio de Mendonça e D. Auta Canabrava e nasceu na rua Capela, em Aracaju-Sergipe, no dia 21 de novembro de 1933.

Com a esposa Ione

Foi aluno dos Colégios Jackson de Figueiredo, Atheneu e Tobias Barreto. Casou-se com D. Ione Pinho de Mendonça, no dia 25 de junho de 1959 e dessa união nasceram os filhos Roberto, Carlos Alberto, Sueli, Silvia Cristina e Paulo César que lhes deram 14 netos e 4 bisnetos, sendo dois brasileiros e dois norte-americanos.

Dotado de corpo atlético, ainda adolescente começou a praticar esportes no Cotinguiba Esporte Clube e assegura que atuou em quase todas as modalidades, exceção apenas ao boxe.

No ano de 1956 foi aprovado no concurso do Banco do Brasil e, no ano seguinte (57), assumiu o emprego na agência da cidade de Propriá-Se, onde fixou residência durante sete anos até ser transferido para Aracaju, em 1964.

Vocacionado para o esporte, incentivou a prática do voleibol a ajudou a divulgar o futebol de salão na cidade ribeirinha. Foi sócio e presidente do 12 Tênis Club, tendo como companheiros de diretoria personalidades marcantes de Propriá, a exemplo de Raul Lobo, Araby Cabral, Wolney Melo, Geraldo Melo e tantos outros. Como dirigente do Tênis, abriu as portas do clube para a realização de campeonatos de Vôlei e Futsal

O futebol de salão (como assim era chamado) rapidamente caiu no gosto dos amantes do esporte. Várias equipes foram formadas, algumas até com jogadores profissionais do América e do Propriá. A quadra de esportes ficou pequena para o elevado número de torcedores que compareciam nos dias de jogos.

Na agência do Banco do Brasil, de Propriá, foi colega de dois amigos e também atletas: Lises Alves Campos e Washington. O primeiro, filho do memorável Dudu da Capela, jogou no América, como ponta-esquerda. O segundo, foi goleiro do tricolor da ribeirinha e titular em alguns jogos, após o lendário Pedro Babu pendurar as chuteiras.

Em 1964, Canabrava foi transferido para Aracaju e trabalhou na antiga agência da Avenida Rio Branco, única existente naquela época. Sempre vinculado ao Cotinguiba Esporte Clube, seu clube do coração, voltou a praticar esportes pelo “Clube da Fundição”, sendo sócio, atleta, diretor e “primeiro-ministro” na gestão do colega e compadre Raymundo Luiz da Silva.

No início dos anos 70, em Penedo-Al

Pelo Cotinguiba jogou futebol (lateral-esquerdo e zagueiro - 1952/56), Volei, Futsal, Basquete e praticou remo nas águas do rio Sergipe. Foi vice-campeão Brasileiro de Arremesso Livre de Basquete, competição promovida pela Confederação Brasileira de Basquetebol, ficando atrás apenas do mineiro Marinelson.

Foi fundador do CPAM – Clube de Pescadores Amadores de Molinete de Sergipe- ao lado de amigos amantes da pesca, a exemplo de Dr. Nestor Piva, Alfredo Gentil, José Carlos Souza, Pedro Leite Neto e etc. Durante vários anos, o CPAM promoveu inúmeras Gincanas de Pesca em praias de Sergipe e participou de competições na Bahia, Alagoas e Pernambuco. Marcos Prado Dias, Aerton Silva, Emanuel Dantas, Ricardo Hagenbeck também se notabilizaram pela formação de excelentes equipes de pesca.

Canabrava de Mendonça trabalhou no rádio sergipano, como comentarista esportivo, na Rádio Difusora (atual Aperipê), na década de 70, levado por Carlos Magalhães. Depois, a convite do amigo Raymundo Luiz, foi para a Rádio Jornal. Apesar de ser considerado um analista técnico de futebol e de fácil comunicação, reconhece que o rádio nunca foi sua paixão. Nunca se empolgou com a atividade de radialista. Por essa razão, abandonou, prematuramente, o microfone no início da década de 80.

Certa vez, o folclórico radialista Silva Lima, dono da maior audiência do rádio sergipano, disse que gostava de ouvir os seus comentários porque ele entendia de ênclise, próclise e mesóclise.

Aposentado do Banco do Brasil desde 1984, Canabrava de Mendonça reside na Avenida Jorge Amado, Bairro Garcia, em Aracaju.

Texto e imagens reproduzidos do site: radarsergipe.com.br

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Imagens do acervo da família de Paulo Roberto Dantas Brandão








Publicado originalmente no Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão, em 31 de agosto de 2016

Da série do acervo da família que estou a digitalizar

Um jantar político em Aracaju na década de 50. Orlando Dantas discursa. Numa das fotos vê-se Dr. Antônio Garcia também falando. Identifico Viana de Assis entre os presentes. Acho que é o lançamento da Gazeta Socialista, pelos jornais que estão sobre a mesa. Se for, foi no dia 13 de janeiro de 1956. Não sei que local é esse, mas o bar é sortido. Não identifico quem são os outros que estão a discursar, principalmente o mais gordo que fuma charuto. Peço ajuda aos universitários. Estejam à vontade.

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão

Filhos do General Augusto Maynard Gomes


Foto publicada originalmente no Facebook/Moema Sobral Maynard, em 02/09/2019

Filhos do general Augusto Maynard e Anita Vieira Maynard, da esquerda para direita: 

Wellington Maynard, Lygia Maynard Garcez, Jeferson Maynard, Lucia Maynard Franco.

Foto e informação de legenda reproduzidas do Facebook/Moema Sobral Maynard

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Francisco Pimentel Franco, Chico da P. Franco

Foto: César Cabral

Publicado originalmente no site RADAR SERGIPE, em 17 de agosto de 2019 

Por Onde Anda Você, Chico da P. Franco

Francisco Pimentel Franco, Chico da P. Franco, nasceu em Aracaju, no dia 14 de dezembro de 1931. Filho de Derbeval do Prado Franco e Dona Rosa Amélia Sobral, é casado com D. Maria Helena Melo Franco. Tem cinco filhos (Rosa Amélia, Denise Maria, Ana Suely, Ana Paula e Ricardo), nove netos e três bisnetos.

Foi aluno dos Colégios Jackson de Figueiredo e do Salvador, nos quais estudou o curso Primário. O seu pai, Derbeval Franco, era sócio da empresa P. Franco & Cia. Ltda. untamente com os empresários Dantas e José Arnoivo Campos, cuja sociedade possuía duas lojas de eletrodomésticos: P. Franco, em Aracaju, e Bahia Elétrica, em Salvador.

A loja de Salvador era administrada pelo seu Derbeval que, residindo na capital baiana, ficava dividido entre Salvador e Aracaju, onde os filhos passavam a maior parte sob os cuidados da esposa, Rosa Amélia.

Depois de concluir o Curso Primário, seu Chico decide se mudar para Salvador, a fim de cursar o Ginásio. Concluída essa etapa, no Colégio Marista, passou a estudar Contabilidade, no Campo Grande, à noite. A partir de então, começou a trabalhar na Loja Bahia Elétrica, do seu pai, que funcionava na Cidade Baixa. Assim, uniu o útil ao agradável, pois a teoria contábil que aprendia à noite, exercitava, na prática, durante o dia, ao lado do seu pai.

Ao lado da equipe Music Som

Os anos se passaram e ele foi adquirindo experiência e gosto pelo comércio. Concluídos os estudos contábeis, seu pai o manda de volta para Aracaju, a fim de assumir o comando da Loja P. Franco, uma vez que a sociedade existente acabara de ser desfeita.

Cheio de fôlego e disposto a mostrar tudo o que aprendeu na Bahia, seu Chico tratou de modificar o lay-out da loja, tornando-a bastante atraente aos olhos dos transeuntes que, com frequência, andavam pela rua João Pessoa, centro comercial de Aracaju.

Em pouco tempo, a Loja P. Franco se transformou na mais bonita, mais charmosa e mais reluzente de todo o comércio de Aracaju. Na época do Natal, por exemplo, ninguém hesitava em visitar as luxuosas e atrativas vitrines da loja. Luzes incandescentes, modernos eletrodomésticos, produtos com tecnologia de ponta deixavam a clientela com água na boca.

Fachada da loja P. Franco

Durante os anos 60, todos os domingos à noite, aconteciam memoráveis retretas ao longo da rua João Pessoa, e as lojas caprichavam para atrair os olhares e a atenção dos consumidores. Tanto era assim, que até contratavam decoradores para organizar as suas vitrines numa salutar competição que muito agradava aos que por lá passeavam. Magazine dos Móveis, A Elétrica, Larbelo, A Moda, Lojas Satélite, Livraria Regina, A Diamante, A Sugestiva e tantas outras se espelhavam no jeito renovado de expor, caracterizado pela P. Franco.

Seu Chico, com aquele seu “jeitão”, cativava cada vez mais a sua clientela que tinha no gerente Araken a referência do bom atendimento e reponsabilidade comercial. P. Franco se tornou sinônimo de qualidade em eletrodomésticos, material elétrico, lustres, radiolas, discos e bicicletas.

Seu Chico da P. Franco foi responsável pela implantação da primeira repetidora de TV (Canal 2 do Recife), no Morro do Urubu. Juntamente com Irineu Fontes, montou uma torre (cedida pela prefeitura de Riachuelo) e o sinal passou a ser captado pelos aracajuanos. Participou, ao lado de outros empresários locais, da criação e instalação da TV Sergipe, a primeira TV sergipana.

Sempre inovador, passou a oferecer o serviço do BIP, aparelho que ajudava a localizar pessoas e transmitir recados através do telefone. A Central emitia um “bip” para o usuário (que usava um aparelho tipo celular) e este telefonava para a atendente a fim de receber alguma informação.

Outro empreendimento idealizado por ele foi o Music Som, serviço que fornecia música ambiente e outros gêneros, 24 horas por dia, através as linhas telefônicas da Telergipe.

Bem antes de tudo isso, Seu Chico da P. Franco e o pai, senhor Derbeval, foram distribuidores da cerveja Antarctica para todo o Estado de Sergipe. O produto chegava de navio e era estocado num armazém na Av, Ceolho e Campos, de onde seria distribuído para os comerciantes.

Membro da Associação Comercial, CDL, Lions Club e sócio do Iate Clube e Associação Atlética de Sergipe, Francisco Pimentel Franco, Seu Chico da P. Franco, mora na Praça Camerindo, em Aracaju. Diariamente vai ao seu escritório e é frequentador assíduo dos bancos do Calçadão da rua João Pessoa, onde encontra velhos amigos, para colocar os assuntos em dia.

Texto e imagens reproduzidos do site: radarse com br

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Morre o fundador do Grupo Educacional Pio Décimo professor Sebastião

Foto: Arquivo Pessoal

Publicado originalmente no site A8 SE, em 19 de agosto de 2019

Morre o fundador do Grupo Educacional Pio Décimo professor Sebastião

Redação Portal A8

As atividades administrativas e pedagógicas de todo o grupo educacional Pio Décimo foram suspensas nesta segunda-feira (19). O motivo de força maior, foi a morte do professor Sebastião, ele tinha 87 anos e já vinha com a saúde debilitada. O quadro se agravou em dezembro do ano passado, ele morreu no final da tarde do sábado (17) em casa vítima de insuficiência respiratória.

Muitas pessoas acompanharam o velório no cemitério Colina da Saudade, em Aracaju (SE). Entre elas autoridades, como o prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira e o governador Belivaldo chagas além de familiares, amigos, professores e ex-alunos. Em cada um sentimento de tristeza e saudade. Diante do caixão, estava a bandeira da faculdade Pio Décimo fundada pelo professor Sebastião na década de 70.

José Sebastião dos Santos nasceu em 29 de setembro de 1931, na cidade de Ribeirópolis. Marcou história na educação de Sergipe desde 1954 com um grupo formado pelo colégio e faculdade Pio Décimo e um centro educacional que leva seu nome. O professor Sebastião era formado em direito e também lecionou história e língua portuguesa em vários colégios particulares da capital.

O corpo do professor Sebastião foi sepultado por volta das 15h horas deste domingo (18). 

Texto e imagem reproduzidos do site: a8se.com

domingo, 18 de agosto de 2019

Professor José Sebastião dos Santos (1931 - 2019)

Foto (reproduzida com arte) do blog
 aconteceemsergipe.blogspot





 Fotos reproduzidas do site: piodecimo.com.br

Foto reproduzida do site: seed.se.gov.br

Aracaju(SE), 17/08/2019

Morre em Aracaju o professor Sebastião, fundador do Grupo Pio X

Faleceu aos 87 anos neste sábado (17), em Aracaju, o professor José Sebastião dos Santos, fundador do Colégio e Faculdade Pio X desde 1954.

Professor Sebastião, como era carinhosamente conhecido, completaria 88 anos no dia 29 de setembro. Segundo informações de pessoas próximas, o educador enfrentava problemas de saúde.

Nascido em 1931, em Ribeirópolis, professor Sebastião trabalhou em várias áreas, mas foi a educação que o conquistou, iniciando uma carreira extensa com o Grupo Pio X, marcando sua história no Colégio Cepjss, como diretor-presidente do Colégio Pio Décimo e Faculdade Pio Décimo e lecionando em várias escolas privadas na capital sergipana...

Fonte: f5news.com.br

Morre Professor Sebastião Diretor Da Faculdade Pio X

Foto reproduzida do site: piodecimo.com.br e postada pelo blog

Texto publicado originalmente no site FAXAJU, em 18 de agosto de 2019 

Morre Professor Sebastião Diretor Da Faculdade Pio X

O professor José Sebastião dos Santos, fundador do Colégio e Faculdade Pio X desde 1954, morreu neste sábado (17) à noite aos 87 anos em Aracaju. Professor Sebastião completaria 88 anos no dia 29 de setembro. Não foi divulgada a causa que o levou à morte, mas há informações de que ele vinha enfrentando problemas de saúde.

Professor Sebastião trabalhou em várias áreas, mas foi a educação que o conquistou, iniciando uma carreira extensa com o Grupo Pio X, marcando sua história no Colégio Cepjss, como diretor-presidente do Colégio Pio Décimo e Faculdade Pio Décimo e lecionando em várias escolas privadas na capital sergipana. Ele era de Ribeirópolis.

O velório acontece no cemitério Colina da Saudade. O sepultamento será neste domingo às 15h, no mesmo cemitério. Professor Sebastião faleceu na casa dele, em Aracaju.

Também na noite deste sábado, o governador Belivaldo Chagas emitiu nota de pesar pelo falecimento do professor José Sebastião dos Santos, fundador e diretor do Grupo Pio Décimo. Ele tinha 87 anos e faleceu em decorrência do agravamento do seu estado de saúde.

“Quero manifestar o meu mais profundo pesar pelo falecimento do professor Sebastião. Sergipe perde um de seus importantes pensadores e colaboradores. Sebastião foi um sergipano que abraçou a educação como grande instrumento de transformação da sociedade. Que Deus, em sua infinita misericórdia, conforte a família em momento tão doloroso”, lamentou Belivaldo.

Alessandro lamenta – O senador Alessandro Vieira (Cidadania) manifestou “profundo pesar pelo falecimento do professor José Sebastião dos Santos, fundador do Grupo Pio Décimo, ocorrido este sábado (17). Sua trajetória de trabalho e dedicação à educação é motivo de orgulho para todos os sergipanos”.

– Ele certamente contribuiu com a transformação da nossa sociedade e deixa um legado importante, que continuará através do Colégio Cepjss, Colégio Pio Décimo e Faculdade Pio Décimo. Minhas sinceras condolências aos familiares, amigos e à comunidade acadêmica do Grupo Pio Décimo, disse Alessandro.

Texto reproduzido do site: faxaju.com.br

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Posse da Dra. Celi Marques na Academia Sergipana de Medicina








Fotos: Ana Lícia Menezes/PMA

Publicado originalmente no site da Agência Aracaju de Notícias, em 16 de agosto de 2019

Edvaldo participa da posse de Celi Marques na Academia Sergipana de Medicina

O prefeito Edvaldo Nogueira acompanhou, na noite desta quinta-feira, 15, a posse da médica cardiologista e professora Celi Marques Santos na Academia Sergipana de Medicina. A nova imortal sucede Dalmo Machado de Melo na cadeira de número 13, cujo patrono é Fernando Sampaio. Para o prefeito, o ingresso de Celi Marques na ASM é o “reconhecimento justo de uma trajetória excepcional”

“Celi é uma pessoa de grande capacidade, talento e inteligência. Tem uma trajetória excepcional: é filha de empregada doméstica, negra e venceu todas dificuldades da vida, superou os preconceitos e conseguiu entrar na faculdade de Medicina quando era muito difícil. Se formou, fez uma carreira extremamente brilhante. É uma grande cardiologista, das melhores de Sergipe. Celi pratica a medicina do exemplo. Ela não cuida do paciente apenas pelo olhar da doença e do medicamento. Ela enxerga o ser humano como um todo. E isto faz muita diferença”, destacou Edvaldo.

O prefeito ressaltou ainda que é “motivo de orgulho” ver Celi Marques se tornar acadêmica da ASM. “Celi é minha médica. Foi quem cuidou da minha por quase 15 anos e é também a médica do meu pai. Celi é uma figura incrível. Este é um momento muito feliz, por isso compareci à posse desta amiga, médica, cientista e ser humano incrível que hoje se eleva”, disse.

O acadêmico Marcos Antonio Almeida Santos, que fez o discurso de saudação, destacou a trajetória da nova imortal, pontuando aspectos de sua vida pessoal e da sua formação profissional. “Celi soube com tenacidade, resiliência, perspicácia, competência, modéstia, vigor e inteligência traçar a sua própria história e colher da vida os seus melhores frutos”, declarou.

Celi se disse muito emocionada e feliz em passar a integrar a ASM. Segundo ela, “adentrar a este respeitável sodalício é motivo de júbilo, razão extrema de reflexão por tanto mérito recebido”. “Integrarei uma plêiade de médicos comprometidos em promover, incentivar, contribuir e participar das ações que visam o desenvolvimento da Medicina nos seus múltiplos aspectos”, afirmou.

Para ela, “mais importante que se imortalizar, é trabalhar em prol da imortalidade do juramento de Hipócrates, dos valores éticos e humanísticos da Medicina, é fazer história, dar exemplo e vencer os desafios em prol do bem comum”.

Celi Marques Santos é  aracajuana. Cursou Medicina na Universidade Federal de Sergipe. Possui o título de especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e em medicina intensiva pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira. É também especialista em Medicina de Tráfego pela Associação Médica Brasileira. Desde estudante já atuava no Hospital São Lucas, onde permanece até a presente data, tendo ocupado vários cargos dentro da Cardiologia e da Unidade de Terapia Intensiva. Exerce a docência na Universidade Tiradentes.

Texto e imagens reproduzidos do site: aracaju.se.gov.br

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Thaïs Bezerra ENTREVISTA Celi Marques


Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 13 de agosto de 2019

Thaïs Bezerra ENTREVISTA Celi Marques

A nossa entrevistada de hoje é a conceituada doutora Celi Marques, médica cardiologista, que construiu a sua brilhante trajetória na medicina sergipana, com competência, dedicação e honradez. Reconhecida pelos colegas, foi eleita por unanimidade para assumir a cadeira de número 13, da Academia Sergipana de Medicina, que teve o dr. Dalmo Machado de Melo, como primeiro ocupante. A solenidade de posse será realizada na próxima quinta-feira, dia 15 de agosto, às ... Horas, no auditório da Sociedade Médica de Sergipe. Dra. Celi integra o grupo de cardiologistas mais valorosos de nosso estado, é atualizada, estudiosa, apaixonada pelo ofício e compromissada com a saúde e os cuidados para com o próximo. O patrono é o Dr. Fernando Sampaio. Uma mulher guerreira, que merece todas as honrarias e reverências, pela sua postura ética e contribuição efetiva na história da medicina em Sergipe. Honraria mais que merecida. E TB terá a alegria de ser a Mestre de Cerimônia da solenidade. Vamos ao bate papo.

Thaïs Bezerra - A senhora considera que a indicação de seu nome para fazer parte da Academia Sergipana de Medicina seja um reconhecimento por sua dedicação às causas da saúde de Sergipe?

Celi Marques - Citando Professor Zerbini “O reconhecimento do trabalho médico começa com os pacientes que, bem atendidos, divulgam o seu trabalho fazendo aumentar sua clientela. Passa pelos colegas, quando o referenciam para si próprio ou os familiares mais queridos - assim atestam sua qualidade. Mas a consagração mesmo vem com a manifestação espontânea da sociedade”.

TB - Quais serão suas prioridades como membro da ASM?

CM - Além de solidarizar-me com meus confrades, trabalhar em prol do juramento de Hipócrates, resgatar a relação médico- paciente e o sentimento humanitário da arte médica.

TB - Por sua experiência na área de saúde, como a senhora avalia o papel desta respeitada instituição, que desde 1994, é representada pelos mais notáveis nomes da medicina sergipana?

CM - Avalio o papel da Academia de relevância cabal em promover, contribuir e participar das ações que visam o desenvolvimento da Medicina principalmente a de resgatar a história da Medicina sergipana e homenagear os seus vultos.

TB - O que significa assumir a cadeira de número 13, que foi ocupada pelo ilustre dr. Dalmo Machado de Melo, obstetra e ginecologia humanitário que costumava dizer “Se nascesse dez vezes, dez vezes seria médico".

CM - Uma responsabilidade inefável perante este médico devotado, que não fazia diferença ao tratar suas pacientes e fazia da medicina um sacerdócio. Para aumentar minha responsabilidade, o patrono da cadeira, doutor Fernando Sampaio, um artista de alma nobre, ambos, guardiões da ética e da responsabilidade do cuidar.

TB - A partir do dia 15 próximo, a senhora fará parte de um seleto grupo de honrados e abnegados médicos sergipanos. Aumenta sua responsabilidade com a profissão que escolheu?

CM - Evidentemente a honra é maior que a responsabilidade em ser uma adida à seleta “Casa de Gileno Lima”.

TB - A senhora é a décima médica a ocupar uma cadeira na Associação Sergipana de Medicina. Como a senhora vê a participação da mulher sergipana nesta honrada Academia?

CM - São mulheres que fazem história, dão exemplo de tenacidade e vencem os inúmeros obstáculos de ser mulher. Participação reconhecida pelos nossos pares e pela sociedade. Uma grande responsabilidade acompanhar o ritmo e a sabedoria destas mulheres eloquentes e de conduta irrepreensível que me antecederam.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

'O Cirineu da televisão Sergipana – Som da História', por Irineu Fontes



Publicado originalmente no site do INSTITUTO HELVIO

Viva os pais! O Cirineu da televisão Sergipana – Som da História

Por Irineu Fontes *

Em correria, ele entra na sala do piano da mansão da rua de Itabaiana com Senador Rollemberg, gritando pela mãe, Dona América Fontes, esposa do conceituado comerciante da cidade de Aracaju, José Domingues Fontes, o Zé Domingues, proprietário da Ferragem J. Domingues Fontes. Dona América ou Mequinha como era conhecida, estava sentada ao piano tocando uma valsa e, assustada, foi ao encontro do menino Irineuzinho, filho mais velho da família de 8 irmãos. Ela levantou do piano com toda a sua elegância e foi logo pedindo para se acalmar e contar o que estava acontecendo. O menino tinha 12 anos de idade e estudava como todos os irmãos no Colégio Salvador, colégio já famoso e importante nos idos de 1947.

Dona América acalmou o guri e disse com sua voz calma.

– Diga, meu filho!

Ele, com determinação de um adulto disse para ela.
– Mãe, não quero mais estudar, quero trabalhar na loja do meu pai.
Para ela, que era uma pessoa ligada à intelectualidade, tocava divinamente piano, falava inglês fluentemente, irmã do José Calazans Brandão da Silva, sabia e queria que seus filhos tivessem a melhor formação possível e que ela poderia dar.

Mas, a determinação do menino era contundente e inegociável. E foi com grande supresa que o pai, o senhor Zé Domingues, recebeu a notícia da Dona América, que o Irineuzinho iria, a partir daquele dia, trabalhar na ferragem.
O José Domingues argumentou:

– Mequinha, esse moleque é muito novo para trabalhar comigo na loja. Mas não teve jeito, ela conseguiu colocar o Irineuzinho, com 12 anos de idade, sendo o mais novo funcionário da J. Domingues Fontes, loja situada na esquina da Rua Laranjeiras com Travessa Deusdedith Fontes.

Em pouco tempo o garoto aprendeu o serviço e, curioso, foi observando todos os que trabalhavam ali, e descobriu que o gerente de mais de 10 anos da loja tinha um comportamento estranho com as finanças do negócio.

Em casa, comentou com a mãe, Dona América, a descoberta que, imediatamente, passou a informação ao José. O chefe da família reagiu indignado e disse:

– Tá vendo Mequinha que eu te falei que o menino só ia atrapalhar.
Afastou o menino da loja, para tristeza da mãe e do garoto. Mas, como um grande comerciante que era, o Zé Domingues ficou esperto e logo depois, pegou o seu gerente com a mão na massa. Afastou o gerente e colocou o garoto de 12 anos na gerência do seu estabelecimento comercial.

Foram anos de trabalho, sempre com grandes resultadas, dedicado a ferragem, e quase não teve juventude como seus irmãos mais novos, que estudavam. Vivia para o trabalho e sua diversão era jogar bola no Atlético Futebol Clube o Atlético de Cobrinha e vez ou outra gostava de cantar nos programas de rádio e dançar nos clubes da cidade.

No final dos anos 50, conhece sua esposa, Maria Susete, em uma festa em Aracaju e começaram a namorar. Ela estanciana, filha de José Alves, o Dede Sobrinha, barbeiro importante da cidade de Estância, e da Dona Marocas, excelente cozinheira, muito conhecida pela Maniçoba que ela fazia.

O Irineuzinho já com seus 20 anos, tinha virado o Irineu Fontes, reconhecido como grande vendedor e lojista da cidade, amigo dos mais importantes comerciantes e políticos da capital. E toda semana ia à cidade de Estância para noivar, tendo como companheiro de viagem, José Carlos Teixeira, que também noivava uma estanciana, Maria Eugênia Fontes Souza, filha do importante político e prefeito da época, Raimundo Silveira Sousa, Seu Raimundinho.

Casou no final de 1958, e em abril de 1960, nasce seu primeiro filho, no total de quatro filhos com Dona Susete, Irineu, Ana Susete, Sandra América e Simone Angélica e mais dois com a sua segunda mulher, André e Sheila.

Logo, o comerciante Irineu, viu que tinha que dar um passo maior na sua vida profissional, pois o que ganhava como gerente não estava dando para sustentar a sua nova forma de viver, com família e filhos.

Decidiu trabalhar por conta própria e viaja para São Paulo em busca de representadas de tinta, pois a empresa da família tinha a representação das tintas Ypiranga, ou ferragens, não conseguiu nada nessa área, Lembrou que tinha um grande amigo de infância morando em São Paulo e o procurou para que ele desse uma luz. Esse amigo trabalhava na Philips do Brasil e, de pronto, apresentou a alguns amigos. Irineu sai de São Paulo representante de Rádio e Radiola da Empire (uma empresa multinacional que atua em diversos setores também fabricou televisores no Brasil nas décadas de 60 e 70. Os modelos coloridos no início dos anos 70 eram considerados os mais avançados do mercado).

 Em pouco tempo, o representante comercial se destaca na nova empresa e ganha o prêmio de melhor representante do ano. Ele volta a São Paulo para receber o prêmio e a responsabilidade de vender os aparelhos de televisão. Mas, como fazer isso se em Sergipe não chegava nenhum sinal de TV? A empresa mostrou que com uma repetidora, a cidade podia captar o sinal de um canal mais próximo, e esse sinal era da TV Jornal do Comércio de Recife.

O empreendedor Irineu viu a possibilidade de aumentar suas vendas e de trazer para sua cidade a informação da modernidade. A Televisão. Com sua amizade com o prefeito da época, Godofredo Diniz, convence através de telegrama a importância do investimento na compra de uma repetidora para a cidade, Recebe a autorização, e compra a moderna repetidora. Ele mesmo traz de caminhão para Aracaju, vindo com ele os técnicos da Empire para montar fazer funcionar a nova fase da comunicação do nosso estado. Nascer o embrião da televisão em Sergipe.

Escolheu o Morro do Urubu na zona norte da cidade e lá instalou a Torre da TV como todos chamavam. O poder irradiante é pequeno e o sinal que chega, da TV Jornal do Comércio, de Recife, em Pernambuco, não era dos melhores. Mas foi o suficiente para encantar os poucos privilegiados que tinham um aparelho de TV comprado nas lojas da cidade. Foi um estrondo de venda da TV Empire, lançamentos e promoções que davam ao comprador do aparelho de TV da Empire, de viagens a um Fusca oferecido pelo maior comprador dos aparelhos da Empire, a loja “A Curvelho”, sendo seu proprietário Geonizio Curvelo e ficava situada na esquina da rua Itabaianinha com São Cristovão.

Irineu se destaca dentro da empresa multinacional e se coloca como um dos maiores representantes comercias do Brasil. Aqui, ele começa a ser conhecido como o “Cirineu da Televisão” (Cirineu, aquele que auxilia, que serve de exemplo em um serviço árduo).

Em 1966, ele quer melhorar suas vendas e pensa que já é tempo de Sergipe ter seu primeiro canal de Televisão, e ajudado pelo seu contador criou uma empresa, a TV Sergipe S/A e sai vendendo ações aos amigos comerciantes. Nasce o sonho da primeira emissora de TV do estado. Ele conta com o apoio de um amigo, que tinha voltado para Sergipe vindo de São Paulo, o Nailson Menezes, que se transformaria no maior e primeiro publicitário do estado, e juntos, eles conseguem vender todas as ações e transformar o sonho em realidade, a junção do conhecimento técnico do Nailson que trabalhava como vendedor de reclame (Diz respeito à veiculação de um produto, propaganda, anúncio comercial), da TV Excelcio em São Paulo, com a visão de empreendedor do Irineu Fontes.

Com o acreditar de vários comerciantes e empresários do nosso estado, como Francisco Pimentel Franco, Josias Passos, Getúlio Passos, José Alves, Hélio Leão, Augusto Santana, Paulo Vasconcelos, Geonizio Curvelo, Carlos Menezes, Lauro Menezes e Luciano Nascimento entre outros, além de uma parte da sociedade sergipana, o sonho se realiza em 1967 com a primeira transmissão da TV Sergipe que entra em fase experimental e é inaugurada em 1971, tendo como primeiro presidente o Josias Passos, o maior acionista.

Um homem com o olhar no futuro, com a força de trabalho inesgotável, e com um amor a sua terra vibrante é assim Irineu Silva Fontes o Cirineu da Televisão em Sergipe.

E assim, nesse dia dos pais, eu faço essa homenagem ao meu pai Irineu Silva Fontes, e reconheço o homem trabalhador, incansável, empreendedor e honesto que deu uma grande e imensurável contribuição a esse estado tão pobre de memória.

Hoje com 84 anos, te desejo muita saúde e paz.

E Viva os Pais!
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* Irineu Fontes - Gestor Público, Cantor, Compositor e Produtor
Presidente do Instituto Hélvio Dória Maciel Silva

Texto e imagens reproduzidos do site: institutohelvio.com