sexta-feira, 5 de junho de 2020

Homenagem a Neusa D'Ávila Maynard (1928 - 2020)


Publicado originalmente na Linha do Tempo do Perfil no Facebook de Armando Maynard, em 4 de junho de 2020.

Homenagem a Neusa D'Ávila Maynard (1928 - 2020)

A querida Tia Neusa, irmã de minha mãe.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Armando Maynard


Link post original, destacando reações e comentários:   [https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3231378970214528&set=a.105076429511480&type=3&theater]

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Bispo emérito de Propriá, Dom Mário morre aos 78 anos em Aracaju

Dom Mário estava internado há oito dias 
Foto: Arquidiocese de Aracaju

Publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 3 de junho de 2020

Bispo emérito de Propriá, Dom Mário morre aos 78 anos em Aracaju

O bispo emérito de Propriá, Dom Mário Rino Sivieri, morreu no final da tarde desta quarta-feira, 3, aos 78 anos, em um hospital particular de Aracaju.

Dom Mário estava internado há oito dias por causa de uma erisipela, tipo de infecção na pele. Ele teve uma complicação pulmonar, foi levado para Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), mas não resistiu.

Nascido na Itália, Dom Mário vivia há pelo menos 50 anos no Brasil. Atuou durante 30 anos em Lagarto e 20 anos em Propriá.  Dom Mário também é responsável pela fundação de três fazendas em Sergipe destinadas a recuperação de dependentes químicos.

Por Verlane Estácio

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

Professor Almiro Oliva morre com suspeita de coronavírus

 Foto reproduzida da SEED

Professor Almiro Oliva numa celebração em família

Texto publicado originalmente no site DESTAQUE NOTÍCIAS, em 3 de junho de 2020

Professor Almiro Oliva morre com suspeita de coronavírus

Com suspeita de Covid-19, morreu, nesta quarta-feira (3), professor Almiro Oliva Alves. Ele tinha 94 anos e estava internado num hospital de Aracaju. Irmão do saudoso jornalista João Oliva Alves, Almiro era natural de Riachão do Dantas, tendo sido padre no município sergipano de Carira, na década de 70.

Após deixar a batina, Almiro Oliva Alves ingressou na rede estadual de ensino como professor de Filosofia. Ele também era poliglota e poeta. Casado com Celma Oliva, o educador deixa as filhas Celmira e Mariana, além de uma netinha. A família não informou o horário e local do sepultamento.

Carira decreta luto

Tão logo tomou conhecimento da morte do professor Almiro Oliva, o prefeito de Carira, Arodoaldo Chagas, decretou luto oficial no município por três dias. A Câmara de Vereadores também fez uma homenagem pelos relevantes serviços prestados à cidade pelo ex-padre. “Estamos muito sentidos. Professor Almiro foi um divisor de águas para a educação de Carira, tendo implantado o Educandário Paroquial e ajudado a construir o Ginásio João Ribeiro”, afirmou o prefeito, que na juventude foi aluno do professor Almiro.

Texto e imagem 2, reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br


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Publicado originalmente na Linha do Tempo do Perfil do Facebook de Luiz Eduardo Oliva, em 3 de junho de 2020

Amigos e amigas

Faleceu essa madrugada na UTI do Hospital São Lucas com suspeita de Covid o meu Tio Almiro Oliva Alves. Tinha 94 anos, casado com Selma. Tinha duas filhas: Mariana e Selmira e uma netinha.

Tio Almiro era ex-padre, considerado um divisor de águas no desenvolvimento do município de Carira quando foi o primeiro pároco lá nos longínquos anos 60. Nasceu no Riachão do Dantas, logo adolescente foi estudar no seminário em São Leopoldo, Rio Grande do Sul onde pretendia ser frade tendo recebido o nome de Frei Justo, mas depois mudou de seminário é ordenou-se padre na Catedral de Aracaju. Foi reitor do Seminário Diocesano.

Era poliglota (francês, latim, grego, hebraico, alemão, inglês) foi também pároco da Igreja São José. Durante anos foi professor da Faculdade Pio X lecionando dentre outras matérias filosofia. Foi membro do Conselho Estadual de Educação e ocupou diversos cargos públicos. Mesmo tendo deixado o sacerdócio continuava um homem de fé. Era poeta, fazia músicas, era um entusiasta da vida. Um grande homem cheio de sabedoria, carregava a pureza dos homens bons. Fica a tristeza e a certeza que Sergipe perdeu um de seus grandes educadores. 

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Luiz Eduardo Oliva

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Homenagem a Dona Dezinha (1923 - 2020)


João Garcez, visitando a professora Dona Dezinha, da antiga Escola Santa Joana D'Arc, que funcionava na Avenida Augusto Maynard, em Aracaju.

Foto reproduzida da Linha do Tempo do Perfil no Facebook de João Garcez, em post de abril de 2014.

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Texto reproduzido de post na Linha do Tempo do Perfil no Facebook de Aida Brandão, em 01 de junho de 2020

Família Luduvice Enlutada

Amigos é, com muito Pesar que informo á Passagem da Professora Dezinha para Eternidade. Ela é a minha Sogra mãe de Marcos Luduvice e @ritacassialuduvice .

A Professora Dezinha há 18 dias atrás foi vítima da Covid19, foi internada, mas recebeu alta médica,sem nenhum sintoma do vírus.

Estava Bem, parecia que veio se despedir de todos nós.

Dona Dezinha deixa filhos netos e bisnetos.

Ela morava há três anos e meio com seu filho Marcos Luduvice.

Dona Dezinha, saiba que tive a maior Honra de tê-la conosco durante todos esses anos.

Nosso Coração está Partido, mas sei que você terá o Descanso Eterno junto ao Pai, com sua mãe e seu Grande Amor Hamilton Luduvice.

Você durante esses dias tinha chamado muito por ele. E Jesus o enviou! Você fez a Partida Dormindo como um Passarinho.

Obrigado por ter Existido em nossas Vidas.

E nos Deixando um Grande Legado.

Te Amamos Eternamente !!! Vá Com Deus e Descanse Paz !!!

Texto reproduzido de post na Linha do Tempo do Perfil no Facebook de Aida Brandão.

domingo, 17 de maio de 2020

"Dr. João Gomes Barreto - O João do Bem", por Jorge Bomfim

Foto arquivo família: Dr. João e sua esposa, a professora Olga,
com arte e postada pelo blog

Texto publicado originalmente no Facebook/Jorge Bomfim Menezes, em 16 de maio de 2020

Dr. João Gomes Barreto - O João do Bem 

João do Pulo

João Presidente

João Chapéu de Couro

Quantos “João” nós conhecemos por este Brasil afora. Mas eu ainda não vi nenhum que se iguale ao João Gomes Barreto – o João de Sergipe, o João Exemplo de Ser Humano e Homem Público, o João um Homem de Bem e do Bem.

Uns dias atrás recebi uma mensagem pelo whatsapp: “Luto – João Gomes Barreto”. Achei que era Fake News. Li novamente e liguei imediatamente para um amigo para verificar se tinha fundamento esta notícia.

Tinha falado com Dr. João duas semanas antes e ele parecia bastante disposto.

É difícil de acreditar, mas era verdade está triste notícia.

Dr. João Gomes Barreto, ou simplesmente Dr. João Barreto, nasceu em Maruim, em 8 de abril de 1930. Filho de Bráulio Menezes Barretto e D. Cecília Cardoso Barretto. Casado com a professora Olga Andrade Barreto. Em sua trajetória na vida pública ocupou altos cargos tanto no governo municipal, estadual e federal.

Foi Secretário Municipal da Administração, Chefe de Gabinete do vice-governador, Secretário Particular do governador, Secretário da Casa Civil, Secretário de Governo e Secretário da Educação. Em Brasília, foi secretário particular do ministro do Interior, João Alves Filho.

Quantos de nós não sentimos uma verdadeira amargura por não podermos, neste tempo de pandemia, dar um último adeus ao “Bom e Velho Amigo Dr. João”.

Porque era assim que o considerávamos. Dr. João, ela aquela pessoa atenciosa (não esquecia o aniversário de ninguém, não faltava a nenhum casamento, solenidade, missa de 7º dia, lançamento de livro, etc.), humilde (sabia tratar bem a todos independente da sua condição social), alegre (parecia que nunca tinha tido um problema na vida), e sempre tinha uma palavra de incentivo para qualquer um que dele se aproximava.

O lema da sua vida era “Quem não vive para servir, não serve para viver”. A sensação que tínhamos dele era que sempre transmitia a seguinte mensagem: “Precisando de alguma coisa, pode contar comigo. Eu estou aqui para resolver o seu problema”. Uma pessoa que tinha prazer em servir. Fazia com tanta alegria que não deixava transparecer que estava fazendo um favor a ninguém, por maior que fosse.

Dr. João era possuidor de inúmeras qualidades que ficarão sempre na memória e no coração de todos os seus inúmeros e incontáveis amigos.

Um sacerdote do bem, um gigante ético, moralmente inatacável, um homem bom, fino, elegante na essência dos atos e na forma de praticá-los, de excelente trato social, muito qualificado pessoalmente, raro exemplar humano, do tipo que tratava os demais humanos com uma humanidade que parece que estamos progressivamente perdendo, um professor de todos nós.

Ele partiu, cumpriu sua missão, e este legado por certo tornará João Barreto sempre presente entre nós.

À veneranda professora D. Olga Barreto, sua eterna companheira, nosso mais profundo sentimento de solidariedade e que Deus lhe dê muitas forças para seguir sem seu companheiro querido. Um par que se fazia uno, um casal cuja liga do infatigável amor sempre os manteve felizes.

Concluo afirmando que Sergipe está mais pobre com a sua partida e como disse acima:

“Quantos “João” nós conhecemos por este Brasil afora. Mas eu ainda não vi nenhum que se iguala ao João Gomes Barreto – o João de Sergipe, o João Exemplo de Ser Humano e Homem Público, o João um Homem de Bem e do Bem”.

Descanse em paz!

Seu amigo,

Jorge Bomfim 16/05/2020

Texto reproduzido do Facebook/Jorge Bomfim Menezes

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Morre João Gomes Cardoso Barreto


Texto publicado originalmente no Facebook/César Cabral, em 9 de maio de 2020

Com tristeza, recebi na manhã deste sábado, 9 de maio de 2020, a notícia do falecimento do Dr. João Barreto, homem público de conduta irretocável, prestativo e que dedicou parte da sua vida servindo a Sergipe e aos sergipanos. No dia 20 de junho de 2019 eu o entrevistei, em sua residência, para a seção "Por Onde Anda Você", do RADAR SERGIPE, cuja reportagem conta um pouco da sua história e que republico, neste espaço, em sua póstuma homenagem. O sepultamento será realizado no decorrer do dia de hoje (9/05/2020), no cemitério Santa Izabel, sem a devida e merecida homenagem dos seus inúmeros amigos, face a essa pandemia que estamos atravessando. Se alguém perguntar "por onde anda você, Dr. João Barreto?", pode ter certeza que ele está na Casa do Senhor, pois ele foi um homem de bem, uma reserva moral, literalmente! Vá em paz, Dr. João Gomes Cardoso Barreto!

Texto reproduzido do Facebook/César Cabral

domingo, 10 de maio de 2020

João Gomes Cardoso Barreto


Publicado originalmente no Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão, em 9 de maio de 2020

Há alguns anos uma greve interrompeu a circulação do tradicional jornal The Times, de Londres. Dizem que durante a paralisação do jornal a preocupação dos lordes britânicos era que se morressem no período seus obituários não seriam publicados no jornal da elite britânica.

Nesses tempos de pandemia e quarentena tenho outras preocupações. Não com meu obituário, que se saísse em algum jornal seria bem resumidozinho, mas com meus amigos que estão morrendo, e não os posso velar. Uma crueldade não poder consolar a família, para poder nos consolarmos a nós mesmos.

Dentre esses meus amigos o último foi João Gomes Barreto. Uma figura ímpar que aprendi muito a admirar. Sempre em companhia de D. Olga estava presente em todos os acontecimentos culturais de Aracaju. Sempre me abraçava com afeto, e dizia que gostava de ler meus artigos, desde os velhos tempos da Gazeta. Muitas vezes traçava ligações com os antigos escritos do meu avô Orlando, que para mim era uma honra.

Há um velho clichê do qual não posso fugir: Sergipe ficou mais pobre.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão

Professor João Gomes Cardoso Barreto não morreu. Encantou-se!

João Gomes Cardoso Barreto: uma alma diferente!

Publicado originalmente no site JLPOLÍTICA, em 9 de maio de 2020

Professor João Gomes Cardoso Barreto não morreu. Encantou-se!
Por Jozailto Lima (Coluna APARTE)

Dou-me por muito triste com a morte do amigo professor João Gomes Cardoso Barreto, ocorrida neste sábado, 9, quando ele completava 90 anos, um mês e um dia.

Ex-secretário de Estado da Educação, o professor João Gomes Cardoso Barreto, de família tradicional da histórica Maruim, era um raro exemplar humano, do tipo que tratava os demais humanos com uma humanidade que parece que estamos progressivamente perdendo.

Sempre coladinho em sua Olga tão afável quanto ele, João era uma presença viva em Aracaju. Praticava uma cordialidade presencial e porosa. Presencial que digo é a do tipo de ligar telefonicamente para saber como a pessoa amiga estava - o que resulta numa clara manifestação, uma declaração por certo, de afeto nestes tempos de mensagens eletrônicas.

João me ligava constantemente. E sempre chegava leve, com sua voz forte, segura, macia. Nunca impositiva. Queria sempre saber de mim. Da minha família, de notícias da política. De livro e de poesia. O agradabilíssimo sem enjoo e sem afetação morava neste João.

A última vez que me ligou foi no dia 21 de abril, uma terça-feira feriado nacional em memória de Tiradentes. Eu estava no banzo dessa quarentena. Quisemos saber um do outro, como estavam se cuidando.  Na última sexta, dia 8, foi a vez de eu fazer isso.

Às 11h09 da manhã a vozona firme dele me atende ao celular. Diz-me de tom bem sustentado que estavam ele e Olga trancadinhos em casa, sentindo-se muito bem, revelou-me que fizera 90 anos no dia 8 de abril, me reforçou que não tinham filhos, perguntou pelos meus e eu lhe informei.

Na conversa sobre filhos, em tom de brincadeira eu disse-lhe que ele poderia me adotar, do que ele riu alto e zombou de mim, afirmando que “seria ótimo ser o pai ainda que adotivo de um intelectual”.

João era este. João era assim. A conversa durou 2m33s. Tão boa. Tão humana. Ao desligar, jurei a mim mesmo: quando esta pandemia passar, vou fazer uma visita a Olga e a João. Mas ele não me esperou. Hoje, eu e o meu projeto de visitação nos sentimos órfãos - daí o dar-me por triste.

No dia 16 de novembro de 1967, ao tomar posse numa vaga na Academia Brasileira de Letras, João Guimarães Rosa, o João de Cordisburgo, e de “Grande Sertão: Veredas”, disse em eu discursos que “a gente morre é para provar que viveu”.

Sim, o nosso João daqui viveu. E viveu bem. Mas esse seu xará mineiro, que faleceu três dias depois da posse, ainda inscreveu na literatura nacional, como a negar a outra frase, a afirmação de que “as pessoas não morrem, ficam encantadas”.

Vou então pedir licença a esse nobre João mineiro para patentear que o nosso João Barreto não morreu. Encantou-se. E, encantado, paira sobre todos nós. Estou lhe vendo flanar, amigo. E nem dou-lhe adeus, para que fique sempre em forma do que sempre fora: a cordialidade encarnada.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Um olhar Sobre Bispo do Rosário, por Walter Firmo


Publicado originalmente na Linha do Tempo do Perfil de Walter Firmo no Facebook, em 15 de abril de 2020

Um olhar Sobre Bispo do Rosário
Por Walter Firmo

Convivendo com Bispo do Rosário, pude bem sentir a loucura de perto, um estado, um manisfesto, tão absolutamente interior, que cheguei a pensar pedir carona, naquela esteira interna, cuja classificação formatava um homem monossilábico, ensimesmado em caverna aderente ao próprio ar que respirava. Um ser cuja anatomia humana, mais lembrava um primata, de baixa estatura, meio desengonçado, cujos pés, mantinham vagos sonhos dentro de uma Ursa Maior. Camufladamente, na cabeça, um voador, mártir cuja vocação, era poder voar, exilar-se daquela pequena caverna, dissimulada num apartamento quitinete; acredito numa área pequena de trinta a quarenta metros quadrados, que para ele, transfigurava-se em um apropriado cosmo particular, porto de infinitas viagens siderais.

Foi assim que conheci um viajante tribal, transformado em artesão, juntando vírgulas da sua solidão, dissolvidas nos sapatos, cordas, fitas, miçangas; copos, pratos, pentes, garrafas, bugigangas estelares que, ---num passe de mágica---o transladasse, incógnito aos espaços públicos , ruas, jardins e avenidas, e com um alfabeto próprio escrevendo sua própria história; nos degraus da sala, talvez quem sabe, derramadas sobre o vaso do banheiro, ao defecando seus medos e angústias.

E, ao transpor, na minha consentida liberdade, a porta de entrada que me separava dele, diante de mim, estático, como fosse um monumento simbólico no delírio, crispado, caminhei a passos contidos a seu encontro, eu e o repórter que me acompanhava atônito e amedrontado, José Castello, hoje, porém, um feliz e consagrado escritor. O senhor de toda razão naquele pequeno espaço, logo se arvorou, afinando sua voz pouca e trêmula, afirmando que todos nós temos uma aura sobre as cabeças e, que, a de José era azul e a minha marrom.

Nossa acompanhante nos deixou sozinhos, com aquela pessoa tão indefesa quanto ao seu tamanho físico, mas postulado na grandeza do seu trabalho, exposto de forma desorganizada, que pensamos estar em meio a uma feira de retalhos sem ordem ou intensidade. Mas não, tudo estava para si, como em seu aeroporto particular, inacessível, lacrado numa cápsula existencial, totalmente exilado de tudo; porém, no aguardo de um além, que o introduzisse vestido em seus mantos, voar nos painéis de madeira ou latão, com seus coadores de cozinha, ---uma arca de Noé voadora---alguém que tinha de carregar neste "barco", representação de todos entulhos do mundo, salvando a terra no dia do se Juízo Final.

Eu, enquanto o repórter se equilibrava, no abismo do medo, em conhecer nas minúcias quem "era aquele insano ou maluco", rodava minha cabeça, tentando desvendar visualmente aquele grande recheio, de uma laranja quadrada, portanto fotograficamente instigante, por seu mundo encantado e todo um paraíso ali a ser codificado. O Castelo, se construía nas indagações de" quando, aonde, como e porque", enquanto eu brotava na minha cabeça, tratamentos que um coração sentido, amainava em imagens questões aflitivas de estarmos pousados em cima de um lixo atômico, que explodia considerações simbólicas, da arte que transforma o artista, por forças que ele não controla. Minha argúcia, espiritualmente viva, se articulava como as braçadas de um nadador prestes a se afogar, debatendo-se na pálpebra de olhares, pousando nos objetos e no próprio indutor da questão: Arthur Bispo do Rosário.

Uma frase escrita na compostura física em nanquim, preto sobre um bordado branco, alinhavava frases soltas que me chamaram atenção, seguindo sua lógica e grafia, por exemplo: "22 de dezembro de 1938 acompanhado por sete anjos em nuvens especiais forma esteira mim deixaram na casa do fundos murrado rua São Clemente 301 Botafogo"; tudo assim mesmo literalmente sem pontuação sem nada.

A luz no recinto era a de um "charuto aceso", mal dava querer compor prosopopeias, ouvindo vozes ausentes, a querer iluminar aquele arquétipo de ilusão, porque meus vélvias de asa 50, ---meus sais...meus filmes---eram facilmente fulminados, no breu da cavernosa ambientação a que estávamos sujeitos. Estava mesmo, isto sim, no mato e sem cachorro. Mas, ao ouvir os "latidos" de um flash, que levara como sustentação, sem nenhuma magia e legítima defesa ---"não me maltrates, Robson"---, foi o que tivemos naquele espacial e consentidamente criativo ---, quando não se tem cão caça-se com gato. Errei sim, manchei o meu nome, mas o que fazer naquela situação precária, cuja total claridade era um elemento invasor na tradução precária em que vivia nosso personagem; que envolvimento psicológico, poderia untar sem desprezo, aquele personagem tão só, tão isoladamente perdido no seu vão estelar, quando a submersão cósmica se aprazia em escuridões à meia luz.

E, assim, dessa maneira, tive que expor ao flash e iluminar a pessoa física do maestro ensandecido, deitado em seu "leito fúnebre, travesseiro que o levaria aos céus"; e outras intimidades guardadas, sob a poeira resignada, na sua interioridade dos objetos, flagrados agora na potência de uma luminosidade emitida por um disco voador. Fiz mais algumas poucas fotos naquele interior, mas a minha grande arma estava sob a luz solar, a residir lá fora e, fomos nós acompanhados pela segurança carcerária daquela casa de detenção, desenhar melhor postura de construção afetiva à causa.

O artista finalmente liberto, no seu aparato carnal, visto pelas lentes do ávido fotógrafo, em traduzir em imagens, a aparição de um artista composto na natureza, livre à luz do sol, num contra-luz transfigurado, em que se traduzia corpo, alma e engenho. Sombras, espaços, silhuetas, que acentuavam um espaço de liberdade, sob um carinhoso beijo de um brilho vesperal.

Depois de três dias ensaiando a passagem na terra de Bispo do Rosário, a pedido do então diretor de redação da sucursal no Rio da revista Isto É, Aluizio Maranhão, a minha vida não foi mais mesma. Mas aprendi uma lição.A loucura é uma fantasia. É sim. Existem, em nossa sociedade "tribos" que se engravatam, roubam, matam, desonram, falseiam e, mesmo assim, vivem soltos em total liberdade por aí.E outros, menos loucos e, certamente mais simpáticos, os "malucos beleza" que estão internados e em observação, numa eterna quarentena. Aprendi a saber honrar esses homens, tidos como destituídos, "mentes insanas", respeitando os seus signos e os rituais de suas transições, para sempre ocultas.

PS - A constelação luminosa deste fenomenal artista, homem do povo, ex-marinheiro, Arthur Bispo do Rosário, fotografado nos jardins da Colônia Juliano Moreira, em 1985, no bairro de Jacarepaguá. Ele vestido no seu manto sagrado.

Gostaria também neste ensejo final desta crônica, render minhas homenagens póstumas a Hugo Denizart, psiquiatra e fotógrafo, que já nos deixou a alguns pares de anos, mas que foi o primeiro a fotografar e filmar o passageiro cósmico e seu entulhos, Bispo do Rosário. Saudades de você Hugo, gente fina.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Walter Firmo

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Morre frei Dário Romitti


Publicado originalmente no site DESTAQUE NOTÍCIAS, em 13 de abril de 2020

Morre frei Dário Romitti

Frei Dário nasceu na Itália em novembro de 1920

Morreu, nesta segunda-feira (13), frei Dário Romitti, aos 99 anos. De acordo com a Paróquia São Judas Tadeu, o religioso vinha sofrendo complicações na saúde desde o ano passado, em função da idade.

Frei Dário era uma dos moradores mais antigos do convento dos Capuchinhos, anexo a Paróquia São Judas Tadeu, no bairro América, em Aracaju.

Ele enfrentava problemas respiratórios e no ano passado chegou a ficar vários meses internado, recebeu alta em novembro e desde então vivia em um “home care” (quarto hospitalar) montado no convento.

Trajetória

O frei nasceu em 9 de novembro de 1920, na Itália. Dedicou 69 dos 76 anos de sua vida religiosa a missões no Brasil, onde passou pela Bahia e, há cerca de 40 anos, chegou a Sergipe.

Texto e imagem reproduzidos do site: destaquenoticias.com.br
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O frei nasceu em 9 de novembro de 1920, na Itália. Dedicou 69 dos 76 anos 
de sua vida religiosa a missões no Brasil, onde passou pela Bahia e, 
há cerca de 40 anos, chegou a Sergipe.
Sua entrada no Brasil
Imagem e legenda reproduzidas de comentário de Paulo Valadares no Facebook

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Lembranças Noturnas da Aracaju de Outrora

 Obra de arte de Ana Denise Souza

Publicado originalmente na Linha do Tempo do Perfil no Facebook de Luduvice José, em 9 de abril de 2020

Lembranças Noturnas da Aracaju de Outrora
Por Luduvice José *

A artista ANA DENISE SOUZA, dona de um naif muito pessoal e plenificado de uma criatividade extraordinária, valoriza sempre, cada pincelada e, oportuniza ao expectador diante de suas telas, incursões valiosas, prenhes de estórias e histórias, o que configura uma visão diferenciada do trivial comum na iconografia artística, potencializando fortemente as suas composições por esta gama de elementares reforços que tornam suas telas fontes, não apenas de admiração, mas de estudo sobre tempo, espaço, ligação com a configuração local e seus costumes.

Esta recém criada tela de Ana Denise Souza é uma apoteose de festas inebriantes que marcaram fortemente a vida de Aracaju e, tornava o mercado local que começava na Avenida Otoniel Dória, um centro de atração, com habitués batendo ponto, num negócio de vender prazer, numa cidade de poucas atrações, que se transformava numa passarela sem ribalta, onde mulheres faziam a vida com valetes de vidas paralelas, em noitadas que aconteciam em pleno Vaticano, denominação dúbia de casas de tolerância que marcaram época na vida noturna de Aracaju, tornando o local abrangente, um comércio variado, salpicado de armazéns que ganharam status e notoriedade, mesclando-se com o mercado do sexo; uma verdadeira zona comercial na proximidade do que se chamou muito de cais. Ana Denise Souza, captadora de surpresas, diferenciais, etnias, costumes, , reavivou com sua arte, escaninhos de ninhos que senhores conhecidos, muitos notáveis, se regalavam em priscas eras de escondidas aventuras que eram contadas e recontadas em círculos fechados como troféus auferidos, que empalavam a licenciosidade que pululava ante uma cultura que rendeu, inclusive frutos humanos que, posteriormente ficaram difíceis esconder, pois ganharam domínio público, com a alcunha de filhas e filhos bastardos. Agora a artista sergipana, futucando o tempo e a memória, ressuscita em tela para testemunho e conhecimento das gerações que chegaram pós e continuam chegando neste hiato entre o ontem e o hoje, contando num belo e arrojado naif e policrômicas imagens, enredos que darão muito o que conversar, além de desvendar mistérios que ainda se escondem sem sobrenomes reais.

Uma revista no local e uma olhada no que restou, invoca-se a imaginação e as conversas que revolvem realidades esquecidas e, todas estórias ganham sentido. E a genialidade da pintora dá vida ao local festivo, remontado-se em cada imaginário, imagens que ganham vida na vida de alguns remanescentes senhores que, ainda devem, num revival imagético, situarem-se em alcovas acetinadas, iluminação num palco cativo, entre imagens de rodopios revividos, entre a realidade curtida e a efetiva paragem recreativa, que resguardam em miragens que ainda mostram réstias de prazeres, rostos e corpos esquecidos.

* Jornalista e crítico.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Luduvice José

Orlando Dantas


Publicado originalmente na Linha do Tempo, do Perfil no Facebook de Paulo Roberto Dantas Brandão, em 9 de abril de 2020

Hoje, 38 anos da morte do meu avô Orlando Dantas. 9 de abril de 1982, uma Sexta-feira da Paixão. 

Até hoje Sergipe sente sua falta.

Em tempo. Adoro essa foto, bem espontânea, na varanda de sua casa na Rua Senador Rolemberg, fazendo o que mais gostava, ler.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão

quarta-feira, 18 de março de 2020

Homenagem ao professor Juan Rivas Páscua





Publicado originalmente por meio de postagem de Rísia Rodrigues, no Grupo do Facebook/GEPHED: GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, em 17 de março de 2020.

Nossa homenagem ao professor Juan Rivas Páscua, que nos deixou hoje (17.03) pela manhã. Natural de Salamanca, província da Espanha, ele foi o terceiro diretor do Colégio de Aplicação da UFS.

Nas fotos, o prof. Juan José Rivas durante entrevista para o Projeto Composição do Banco de Histórias do Centro de Pesquisa, Documentação e Memória do Colégio de Aplicação (Cemdap). Acompanhado da esposa Sissi, o professor compartilhou suas memórias sobre a instituição.

Texto e fotos reproduzidos de post feito por Rísia Rodrigues no Grupo do Facebook/GEPHED

Faleceu o professor Juan José Rivas Páscua

Em razão do seu trabalho pioneiro, o professor Rivas (ao centro) 
havia sido homenageado nos 50 anos da UFS 
Foto: Adilson Andrade/AscomUFS

Publicado originalmente no site da UFS, em 18 de março de 2020

Faleceu o professor Juan José Rivas Páscua

Ele foi o primeiro diretor do Colégio de Aplicação

Informamos, com pesar, que faleceu na data de ontem, 17, o professor Juan José Rivas Páscua, aos 86 anos. O professor Rivas nasceu em Salamanca, Espanha, e morava em Sergipe desde 1960. Ele foi o primeiro diretor do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Sergipe.

Professor de filosofia, história e geo-história, foi chefe de gabinete da reitoria na gestão de Eduardo Garcia Filho.

Por medida de saúde pública, em recomendação de contingenciamento contra a pandemia do novo coronavírus, o velório será restrito a familiares e o corpo será cremado nesta quarta-feira, 18.

Em razão do seu trabalho pioneiro, o professor Rivas havia sido homenageado nos 50 anos da instituição, em cerimônia ocorrida no Teatro Tobias Barreto, em maio de 2018.

Ascom

comunica@ufs.br

Texto e imagem reproduzidos do site: ufs.br

Morre em Aracaju o professor Juan Rivas Páscua

 

Texto publicado originalmente no Facebook/Lucio Prado Dias, em 17/03/2020

Um fato para a História. O professor Juan Rivas Páscua, falecido nesta terça-feira, 17 de março de 2020, deixa legado importante para a Educação em Sergipe. Entre outras realizações, ele foi o articulador e facilitador para a vinda a Sergipe do professor Silvano Isqierdo Laguna da Espanha para Sergipe, para o ensino de Anatomia da nossa recém fundada Faculdade de Medicina, em 1961. Ficou hospedado às expensas do Governo Luiz Garcia no Edifício Atalaia e recebia alimentação por um tempo do Iate Clube.

 Famoso professor e pneumologista espanhol, Silvano chefiou o Serviço de Tuberculose naquele país, até se indispor com a ditadura de Franco e cair no ostracismo. Em Sergipe, além de ensinar anatomia par alunos e outros professores, tentou ainda a construção de um hospital sanatório na Serra de Itabaiana, que não se concretizou.

Anos atrás eu e Samarone estivemos em sua residência para uma entrevista e fomos recebidos com um saboroso café ao melhor estilo da terra de Castela e Leão. Uma parte importante de nossa História se vai, com a morte de Rivas, inclusive estudos sobre os Jesuítas no Brasil.

Por Lucio Prado Dias

Texto reproduzido do Facebook/Lucio Prado Dias

Morre o professor Juan Rivas Páscua, aos 86 anos

Foto Arquivo Pessoal

Publicado originalmente no site FAXAJU, em 18 de março de 2020 

Morre o professor Juan Rivas Páscua, aos 86 anos e corpo será cremado

Por Tíffany Tavares

Faleceu na manhã desta terça-feira, 17, o professor Juan José Rivas Páscua, aos 86 anos, em Aracaju (SE), onde residia.

Professor Rivas nasceu em 1933, na cidade de Salamanca, Espanha. Desde 1960 morava em Sergipe e deixa um rico legado na vida acadêmica, sendo o primeiro diretor do Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Foi professor de filosofia, história e geo-história da rede estadual e federal, professor catedrático da UFS e também chefe de gabinete da reitoria da UFS, na gestão de Eduardo Garcia Filho. Atuou também como diretor do Instituto de Cultura Hispânica da Bahia. Rivas deixa esposa, quatro filhos e seis netos.

Por medida de saúde pública, em recomendação de contingenciamento contra a pandemia do novo coronavírus (COVID-19), o velório – restrito a esposa, filhos, netos e familiares – aconteceu nesta terça-feira, 17.

O corpo de Juan José Rivas Páscua será cremado, nesta quarta-feira, 18, no município de Itaporanga D’ajuda, estado de Sergipe. As cinzas serão enviadas à sua terra natal.

Manifestamos votos de pesar e solidariedade aos familiares e amigos, neste difícil momento e agradecemos a compreensão de todos.

Texto e imagem reproduzidos do site: faxaju.com.br

quarta-feira, 11 de março de 2020

Heróis pela Liberdade

 Busto Aurélio Vieira Sampaio 

Lucio abrindo a solenidade (Fotos: Lúcio Prado)

Publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 6 de março de 2020

Heróis pela Liberdade

Por Lúcio Prado (Blog Infonet)

 A vida de nossos heróis do passado constitui um sacrário que devemos manter com reverência

A Academia Sergipana de Medicina abriu oficialmente, com grande brilhantismo, o seu Ano Acadêmico em 2020, com uma sessão solene especial que aconteceu em 4 de março último, no auditório da Clinradi. O evento ficará marcado na história da entidade, pelo propósito nele contido: a homenagem ao Tenente Aviador Aurélio Vieira Sampaio, morto em combate na Itália, na campanha da FAB na Segunda Guerra Mundial, trazida a lume pela belíssima e consistente conferência do acadêmico William Soares.

Tive o privilégio de abrir e conduzir o evento na condição de Secretário-Geral do sodalício. Na sua conferência, o Acad. William Soares traçou um paralelo de coincidências das ações do Brasil a partir da Primeira Guerra Mundial e principalmente da ação da FEB na Itália, na Segunda Guerra, onde dois sergipanos participaram de importantes missões aéreas, os pilotos Paulo Costa e Aurélio Vieira Sampaio, este morto na sua 16ª missão. Destacamento da FAB em Aracaju se fez presente à sessão, sob o comando do Capitão André Marcelo da Silva, chefe do Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Aracaju (DTCEA-AR), que também se pronunciou no final da sessão.

Mas não foi somente o agrupamento aéreo que se destacou nos céus da Itália. Os pracinhas brasileiros deram também sangue, suor e lágrima pela causa da liberdade, com feitos notáveis, apesar de toda a inexperiência em conflitos e a precária logística tática e de deficiência de equipamentos bélicos. A eles deveremos sempre, mesmo passados quase 80 anos do conflito. Mas voltemos à solenidade. Além da presença de familiares do Tenente Aurélio, entre eles a irmã dele – a Sra. Consuelo Vasconcelos, acompanhada do esposo o Sr. Alcides Prado Vasconcelos e filhos – foram apresentados aos presentes os componentes do Grupo Sergipano de Estudos da FAB – GRUSEFE, recentemente instalado em nossa cidade e já responsável por várias ações que resgatam a história dos nossos heróis da FAB. Eis aí uma nobilitante causa!

O Tenente-aviador Aurélio – nascido em 31 de maio de 1923, em Aracaju, ele foi piloto do 1º Grupo de Aviação de Caça, e terminou sendo abatido aos 21 anos, na sua 16ª missão de combate sobre a Itália, compondo o 350th Fighter Group. Entre outras condecorações recebidas após sua morte, o militar foi agraciado com as medalhas da Campanha de Itália e a Cruz de Bravura. Seus restos mortais estão sepultados no mausoléu do Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Sergipe ainda deve uma grande homenagem a este vate.

Gostaria de ressaltar a iniciativa da Academia Sergipana de Medicina, em iniciar o seu Ano Acadêmico de 2020 com essa incrível homenagem. Como disse na abertura do evento,  “a vida de nossos heróis do passado constitui um sacrário que devemos manter com reverência, e o culto dos valores maiores e dos heróis da Pátria constituem os verdadeiros alicerces da nacionalidade. Aqueles que se sacrificaram pela Pátria merecem a gratidão das gerações presentes, e nós, ao relembramos as suas vidas, prestamos-lhe com justiça singela a sincera homenagem.”  O texto em epígrafe não é o nosso, está contido no documento “Esboço Biográfico e Cronológico do Major José Sabino de Britto (Campanha do Prata e do Paraguai)”, de autoria do Cel. EB José Britto da Silveira (neto do biografado) e filho do Major Neto – Francisco Silveira Neto – que foi Comandante geral da Policia Militar de Sergipe e amigo fraterno da nossa família, particularmente do meu pai – o jornalista Antonio Conde Dias – do qual, além de amigo, tornou-se compadre.

Um antigo projeto da Associação Médica Brasileira, de autoria do Dr. Júlio Sanderson, já falecido, mas que nunca evoluiu, chamava-se “Heróis de Curar”, com o objetivo de perpetuar em monumentos, os médicos que construíram a história universal, alguns deles brasileiros. Pretendemos um dia, resgatar essa iniciativa. Enquanto isso não vem, brasileiros e sergipanos que lutaram pela liberdade no norte da Itália, não podem ser deixados no esquecimento. Como bem disse o eminente jurista e político sergipano Fausto Cardoso, na obra “Concepção Monística do Universo”, publicada em 1892, a liberdade só se prepara na história com o cimento do tempo e o sangue dos homens.

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br

domingo, 8 de março de 2020

85 anos de Chico Rollemberg: a arte da medicina servindo ao próximo



Publicado originalmente no site do Portal INFONET, em 5 de maço de 2020

85 anos de Chico Rollemberg: a arte da medicina servindo ao próximo

Por Cláudio Nunes (Blog Infonet)

Em abril deste ano, o laranjeirense Francisco Guimarães Rollemberg completará 85 anos. Os mais novos não devem ter conhecimento do trabalho desenvolvido por Chico Rollemberg como deputado federal, senador e, sobretudo, médico para os sergipanos. Como cirurgião, formado na Faculdade de Medicina da Bahia, Chico Rollemberg ficou conhecido nas décadas de 60, 70, 80 até a de 90, como o médico do povo. Gratuitamente, Chico Rollemberg fez milhares de cirurgias (isso mesmo!) em todo o Estado. Cirurgias simples e de médio porte que ajudaram muita gente carente num período que as dificuldades eram bem maiores que as atuais.

Como político, Chico Rollemberg foi deputado federal e senador de 1987 a 1995. Foi candidato a governador em 2002. Foi neste ano que conheci Chico Rollemberg. Uma figura humana, ímpar, com uma memória espetacular. Foi assim que descobri que ele conheceu meu José Nunes, presidente do Centro Operário Sergipano, Hélio Nunes, tio, e Célio Nunes, pai, todos já falecidos. Tido como conservador na política, Chico Rollemberg, quando jovem, teve uma grande aproximação com as causas da esquerda e, inclusive, como cirurgião foi médico de vários comunistas sergipanos.

Como senador da República, Chico Rollemberg teve uma atuação destacada. Foi ele que, em 1993, apresentou a proposta de criação de garantias para os idosos que se tornou, mais tarde, o Estatuto do Idoso. Outro luta vitoriosa foi a exploração do potássio em Sergipe iniciada em 1970, o fortalecimento da UFS, a defesa da micro e pequena empresa, a necessidade de ações para combater a seca no Nordeste, limites da fronteira Sul da Bahia com Sergipe e diversas proposituras na área de saúde que hoje são realidades. Uma propositura dele, apresentada em 1989, foi a base da política de gerenciamento e tratamento dos resíduos sólidos (lixo) em 2010 para todo o país. Ou seja, mesmo fora do Senado, muitas das proposituras apresentadas por ele até 1995 foram discutidas e aprovadas anos depois.

Chico exerceu a profissão não só atuando como técnico cirurgião, mas, sobretudo, como um médico humanista. Aquele que conversava e se preocupava com a pessoa como um todo. De alma para alma.

Chico, hoje, vive rodeado de familiares e amigos. Com a mesma simplicidade de sempre pode ser encontrado no shopping ou tomando o café semanal na feira com amigos contando histórias que guarda numa memória invejável.

A ambição de Chico não foi ficar rico e possuir muitos bens, mas servir ao próximo.

Ao homenagear Chico Rollemberg, que completará 85 anos, a Somese está homenageando também todos os profissionais médicos que fizeram e fazem da profissão não apenas um instrumento de trabalho, mas aqueles que são humanistas e não tratam os pacientes como apenas “mais um.”

A vida profissional de Chico Rollemberg mostrou que é possível exercer a arte da medicina se dando completamente ao próximo e ao mesmo tempo ser referência técnica e política para sempre na história de Sergipe.

*Este artigo foi escrito para a edição especial da revista da Somese em homenagem a Francisco Rollemberg que já está em circulação.

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Por Onde Anda Você: Artêmio Barreto, por Radar Sergipe

Foto: César Cabral

Publicado originalmente no site RADAR SERGIPE, em 21 de fevereiro de 2020

Por Onde Anda Você: Artêmio Barreto

O desembargador José Artêmio Barreto, nasceu em Boquim, no dia 15 de julho de 1938. Seus pais, João Muniz Barreto (exator) e D. Josefa Alves Barreto. Teve apenas dois irmãos: Luiz Augusto e o professor e historiador Luiz Antônio Barreto.

Estudou o curso primário na sua terra natal, aprendendo as primeiras lições com a saudosa professora Antônia. Como o seu pai fora transferido para a cidade de Tobias Barreto, concluiu essa primeira etapa estudantil no Grupo Escolar Tobias Barreto, daquela cidade. Contra a sua vontade e por desejo do seu pai, veio para Aracaju estudar o curso ginasial no Colégio Estadual Atheneu Sergipense, onde prestou exame de admissão.

Com o presidente Fernando Henrique Cardoso

Estudou contabilidade (segundo grau) na antiga Escola Técnica de Comércio de Sergipe, sendo aluno da última turma de Técnicos em Contabilidade, no ano de 1965. Fez vestibular para Direito, em 1966, e ingressou na tradicional Faculdade de Direito que funcionava na avenida Ivo do Prado, cuja formatura ocorreu no dia 8 de dezembro de 1970.

A sua turma teve apenas 20 formandos, dentre os quais os conhecidos advogados sergipanos Benedito Figueiredo, Suzana Carvalho, Moacir Mota, João Augusto Gama, Wellington Paixão, Wellington Mangueira, Célia Barreto e Abelardo Souza. O patrono fio o professor Olavo Ferreira Leite e o paraninfo o Dr. José Bonifácio Fortes Neto.

O Dr. Artêmio Barreto começou a trabalhar, ainda jovem, no Tesouro do Estado, no cargo de escriturário. Foi Chefe da Exatoria de Riachuelo (1061/62), Fiscal de Tributos da Secretaria da Fazenda (1062/65) e no IBGE foi agente de estatística e técnico em documentação e divulgação (1966/79). Atuou no magistério como professor de Direito Usual e Legislação Aplicada na Escola Técnica de Comércio.


No jornalismo, foi colunista do jornal Tribuna de Aracaju, onde escreveu diversos artigos sobre os mais variados temas e assuntos.

Após concluir o curso de direito, também dividiu o seu tempo atuando como advogado, cujo escritório funcionava na rua João Pessoa, em Aracaju. Fez concurso para Juiz de Direito e, aprovado, assumiu a Comarca de Boquim, no dia 22 de fevereiro de 1979, tendo sido titular por 2 anos e 4 meses. Em seguida, foi promovido para a Comarca de Estância, onde ficou por quatro anos. Também atuou como Juiz substituto nas Comarcas de Tobias Barreto e Itabaianinha.

No ano de 1985 foi removido para Aracaju, onde instalou a 1ª Vara Privativa de Assistência Judiciária, a primeira do país, cuja função era atender a população carente. O convite para executar essa missão foi formulado pelo desembargador Luiz Carlos Fontes de Alencar e a Vara Privativa, responsável pelo registro civil (casamento, nascimento e óbito), foi instalada pelo então presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe, desembargador Luiz Rabelo Leite. Dr. Artêmio recorda que, durante o período em que esteve à frente da mesma, pode realizar muito pela população de baixa renda. Dotada de uma estrutura adequada, contando com dez defensores públicos e uma assistente social, a 1ª Vara Privativa realizou ao longo dos 15 anos sob o seu comando, cerca de 35 mil casamentos.

O Dr. Artêmio Barreto teve uma trajetória marcante na Justiça Eleitoral de Sergipe. Foi Juiz Eleitoral em Boquim (4ª zona), Estância 6ª zona) e Aracaju (27ª). Juiz suplente do Tribunal Regional Eleitoral. Foi presidente da Turma Julgadora dos Juizados Especiais (1993/95).

No ano de 2.000 foi promovido a desembargador, tendo sido vice-presidente de 2001/03. Foi presidente da Escola Superior da Magistratura de Sergipe, no mesmo período. Presidente do Tribunal Regional Eleitoral (2003/05) e Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe ((2007/08), quando se aposentou, ao fim do mandato. Ao longo da sua vida recebeu diversas honrarias e condecorações.

Assumiu o Governo de Sergipe, por uma semana, em janeiro de 2008, num gesto do então governador Marcelo Déda (PT), que lhe disse, naquele momento, que o ato nada mais era do que um reconhecimento do povo sergipano pelo muito que ele fez pelo Estado. Reconhece, também, a importância do então deputado estadual Ulices Andrade, presidente à época da Assembleia Legislativa, que viabilizou essa vontade de Déda.

Foi casado com D. Maria de Jesus Santos Barreto, que conheceu ainda adolescente, cujo casamento durou 40 anos. Com ela teve os filhos João Muniz Barreto Neto, Maria da Conceição Barreto Amaral, Maria Artêmia Barreto Calazans e Pedro Muniz Barreto.

O dia 12 de setembro de 2.000 marcou, para sempre, a vida deste magistrado. Momentos antes da sua posse como desembargador, a sua esposa, Maria de Jesus, sentiu-se mal, e, prontamente, foi levada para um hospital em Aracaju. Terminada a solenidade, ele foi até a Casa de Saúde e recebeu a notícia de que ela acabara de falecer. Uma situação bastante difícil e quase indescritível. Não foi fácil superar tamanha dor num momento tão importante da sua vida profissional.

A vida seguiu e o Dr. José Artêmio Barreto superou tamanha adversidade, com a sua fé em Deus e o apoio da sua família. E assim, por mais oito anos, continuou prestando serviços ao Estado de Sergipe, na condição de desembargador, até aposentar-se no final de 2008.

Viúvo, após três anos, casou-se com a senhora Maria Gidinelde Barreto e residem em Aracaju, no edifício Di Cavalcanti, no bairro 13 de julho.

Texto e imagens reproduzidos do site: radarsergipe.com.br

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

O Meu Amigo Intelectual, por Jorge Carvalho do Nascimento


Publicado originalmente no Perfil/Facebook/JorgeNascimento Carvalho, em 10/02/2020

O Meu Amigo Intelectual
Por Jorge Carvalho do Nascimento*

A segunda metade do século XX no Brasil conviveu predominantemente com dois tipos de intelectual: o herdeiro das tradições da cultura literária e o especialista profissional que verticalizou o conhecimento sobre determinado tema nas academias universitárias. Todavia, alguns intelectuais incorporaram a herança da cultura literária, mas foram bem diferentes da geração com a qual aprenderam, mantendo pari-passu uma relação de parceria em eventuais trabalhos e permanente desconfiança em face da produção acadêmica universitária. Há no Brasil nomes muito importantes situados nessa interseção, não obstantes as distintas escolhas teóricas e ideológicas que fizeram: Antônio Paim, Paulo Mercadante, Jacob Gorender, Leôncio Basbaum, Paulo Cavalcante, Bráulio do Nascimento, Jackson da Silva Lima, Paulo de Carvalho Neto, Paschoal Lemme e Umberto Peregrino, dentre outros.

Com um deles tive o privilégio de conviver e ser parceiro em muitos trabalhos, além de desenvolver uma relação fraternal que ajudou a moldar as minhas formas de ver e estar no mundo: Luiz Antônio Barreto. Certamente foram poucas as áreas do conhecimento das humanidades que não receberam a sua contribuição. Uma nossa amiga comum, costumava afirmar: a curiosidade de Luiz não tem limites. Ele estudou “de formiga a elefante”. Quando morreu aos 68 anos de idade, em 2012, LAB, como gostávamos de chama-lo era fonte importante de referência e análise aos que desejavam compreender a cultura brasileira. A obra deixada por ele, continua a cumprir tal papel, não obstante a dificuldade da dispersão própria do trabalho desse tipo de intelectual, pois a maior parte dos seus textos continua dispersa em artigos de jornais e revistas e em blogs e sites da rede web com os quais contribuiu durante os 53 anos nos quais se dedicou ao ofício de pesquisar e escrever.

Em 1994, fiz uma tentativa de construir um roteiro intelectual da vida de Luiz Antônio Barreto. Ele estava completando 50 anos de idade. Sentei com ele em diferentes sessões e gravamos cerca de seis horas de entrevistas. Com a colaboração dele reuni textos tendo o seu depoimento como roteiro. Organizei e entreguei a ele um presente de aniversário que ele publicou sob o título de CULTURA: UM ROTEIRO DE ALUSÕES, com apresentação de Bráulio do Nascimento e prefácio de Jackson da Silva Lima. Eu me responsabilizei pela organização, introdução, comentários e notas.

Foi a melhor oportunidade que tive de aprofundar o meu conhecimento intelectual sobre aquele amigo conterrâneo de Sílvio Romero, como ele nascido em Lagarto, no Estado de Sergipe. Luiz, em 1944. Um intelectual que estudou as primeiras letras em escolas públicas e particulares da Bahia e Sergipe, concluindo o curso primário na Escola Rural do município de Pedrinhas, onde o seu pai, José Barreto, era o chefe da Exatoria. Os cursos ginasial e científico ele fez em Aracaju, nos colégios Pio Décimo e Tobias Barreto. Depois disto estudou Direito na Faculdade de Direito de Sergipe e na Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, onde também estudou música e literatura.

O jornalismo foi a carreira abraçada por LAB, a partir de 1959, no jornal Correio de Aracaju, onde foi repórter e colunista. Depois, trabalhou no Sergipe Jornal e na Folha Popular. No difícil ano de 1964, Luiz Antônio Barreto foi amparado pelo jornalista Orlando Dantas e ingressou nos quadros do jornal Gazeta de Sergipe, onde chegou a editorialista, editor e diretor. Integrou as redações de outros veículos e fundou a revista Perspectiva.

Foi também em 1964 que LAB fez sua estreita na Literatura, com Monólogo, mais tarde adaptado para o teatro pelo Grupo Arena da Ilha, do Rio de Janeiro. Depois disto, publicou poemas, artigos de crítica literária, ensaios, crítica de arte e história, destacando-se A Arte Sergipana; Tobias Barreto; A Abolição da Escravatura e a Organização da Sociedade; Um Novo Entendimento do Folclore; A Organização do Poder Legislativo em Sergipe; O Poder Judiciário de Sergipe: 100 Anos de História. Dirigiu a edição em 10 volumes das Obras Completas de Tobias Barreto.

Foi ainda um importante executivo do serviço público nas áreas de Cultura e Educação. Dirigiu a Galeria de Arte Álvaro Santos; chefiou a Assessoria Cultural do Governo do Estado; foi Secretário Municipal de Educação e Cultura de Aracaju; foi Subsecretário de Comunicação Social do Governo do Estado de Sergipe; Assessor Cultural do Instituto Nacional do Livro; Superintendente do Instituto de Documentação da Fundação Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais; Secretário de Estado da Cultura de Sergipe; e, Secretário de Estado da Educação de Sergipe.

Como Secretário de Estado da Educação desenvolveu alguns programas que revolucionaram o ensino público estadual. Quando assumiu o comando da pasta, o Estado de Sergipe somente oferecia ensino médio em 17 municípios. Quando deixou o cargo, os 75 municípios sergipanos tinham escolas estaduais de ensino médio em funcionamento. Dentre as suas iniciativas de maior ousadia, vale o registro do Programa de Qualificação Docente – o PQD. Enfrentando todo tipo de incompreensão e resistências, Luiz ousou, implantou cinco polos regionais de ensino no interior do Estado de Sergipe e, em quatro anos, levou às salas de aula 2600 professores de escolas públicas estaduais e municipais que possuíam formação apenas em nível médio e ofereceu ensino de graduação, conferindo-lhes diplomas de licenciados em áreas como História, Língua Portuguesa, Matemática, Geografia, Química e Física.

Ao ousar e enfrentar resistências, Luiz Antônio pagou um preço político muito caro. Todavia, o tempo se encarregou de mostrar que ele estava correto. Sua ação mudou Sergipe, principalmente os municípios do interior, onde boa parte da população passou a viver melhor, graças ao seu trabalho.

Se vivo estivesse, LAB completaria hoje 76 anos de idade. Suas ideias e o resultado do seu trabalho ficaram entre nós. As boas lembranças, permanecem vivas no afeto dos verdadeiros amigos. A sua grandeza o fez eterno.

Saudades.

*Doutor em Educação, Membro da Academia Sergipana de Letras e Presidente da Academia Sergipana de Educação.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/JorgeNascimento Carvalho