Post compartilhado da fanpage no Facebook/Lilian Rocha, de 8 de fevereiro de 2025
Meu "Padim Ciço"
Por Lilian Rocha
Era assim que eu o chamava, sempre que queria roubar um sorriso dele, ainda que fosse um sorriso tímido, de canto de boca. Pra mim, era uma vitória!
Porque sorrir, para ele, era algo que ele quase nunca se permitia. Ele expressava seu contentamento de outro jeito, "servindo" aos outros.
Servindo sua amizade, sua educação, sua delicadeza, sua presteza, sua disponibilidade.
Como dentista e professor, serviu aos seus alunos, por quase 20 anos, seus conhecimentos, sua habilidade, sua paciência e seu amor pela docência.
Como amigo, foi sincero, leal e disponível. Aprendeu até a cozinhar para servir (de bandeja!) as mais finas e deliciosas iguarias...
Como marido de tia Sylvinha, foi um servo fiel de Deus, que honrou o matrimônio até o fim, emprestando-lhe os olhos, os braços, as pernas e todo o seu tempo para cuidar e zelar por ela.
Era um homem carente de afeto, que nunca soube pedir nem receber. Foi educado à moda antiga, para ser forte e corajoso e nunca chorar, pois "homem que é homem não chora"...
Mas, aos pouquinhos, fui ousando brincar com ele, falar um monte de bobagens, só pra ter o prazer de ver toda aquela carapaça de homem sério cair por terra e se desmanchar num sorriso.
Que sorte a minha tê-lo tido como padrinho! Um exemplo de coragem, honestidade e retidão. Meu "padim ciço" dos belos olhos azuis e que ficava todo vermelho quando eu dizia que o amava...
"A recíproca é verdadeira", respondia ele.
Ainda bem que deu tempo de visitá-lo no hospital. De dar-lhe um beijo, dizer-lhe, mais uma vez, que o amava e levar comigo, para sempre, o
último sorriso que ele me deu...
Sentirei saudades!
Com todo o carinho da sua afilhada,
Lilian Rocha.
Texto e imagem reproduzidos da fanpage no Facebook/Lilian Rocha
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