sexta-feira, 21 de julho de 2017

Vista aérea da cidade de São Cristóvão

Fonte: SECOM.
Reproduzida do site: infonet.com.br/noticias/cultura

Cidade Histórica de São Cristóvão

Foto: Bruno Silva (@sj_bruno).
Reproduzida da Fan Page/Facebook/Governo de Sergipe.

Lagoa Azul, Praia do Abaís, no município de Estância

Foto: Deverton Santana (@devertonsantana).
Reproduzida da Fan Page/Facebook/Governo de Sergipe.

Cícero Alves dos Santos, mais conhecido como Véio

O consagrado artista sergipano Cícero Alves dos Santos, mais conhecido como Véio,
foi premiado no Prêmio Itaú Cultural na categoria CRIAR.
Foto: Kadydja Albuquerque.
 Reproduzida do Facebook/Governo de Sergipe.

Biografia.

Cicero Alves dos Santos (1948, Nossa Senhora da Glória, Sergipe). Escultor. O apelido vem de sua preferência desde a infância de estar com pessoas mais velhas para ouvir suas histórias. Autodidata, se interessa desde o início de seus trabalhos pelo universo do folclore nordestino e pela vida dos sertanejos.

Após utilizar a cera de abelha e o barro como materiais para as primeiras experiências com a escultura, o artista dedica-se ao uso da madeira como matéria-prima de seus trabalhos, aproveitadas de derrubadas e loteamentos abertos nas matas de Sergipe, que iriam ser descartadas. Além disso, parte da renda obtida com a venda de suas obras são destinadas a preservação da mata local.

Além de ter os costumes e a cultura sertaneja como temas centrais de sua obra, uma característica marcante é o longo comprimento das pernas e dos braços das esculturas.

Ao lado de sua casa, o escultor cria o Sítio Soarte (Museu do Sertão), onde recria o modo de vida sertanejo através de obras como A Casa de Farinha, A Casa de Profissões e Igreja. No Sítio, suas obras ficam expostas ao ar livre, sob os efeitos do sol e da chuva, por escolha do escultor que acredita que as peças não devem ser preservadas para a posteridade - o sítio é um ambiente os as peças nascem e morrem, segundo Veio.

Véio tem obras em diferentes acervos como a Pinacoteca do Estado de São Paulo (Pina), o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) e o Museu de Arte do Rio (MAR). Participa de exposições nacionais e internacionais como a mostra coletiva Teimosia da Imaginação (2012), no Instituto Tomie Ohtake e da 56ª Bienal de Veneza, na Itália (2014).

Segundo o crítico de arte Rodrigo Naves, Véio fez da preservação da memória de seu povo a razão de sua existência, em um ambiente tão dinâmico, proporcionado pelas famosas feiras da região, o artista é criador de uma categoria diferente de arte, que mistura a “arte popular” com cores fortes e industriais, distantes da natureza.

Em 2016, realiza a exposição Cícero Alves dos Santos: Véio, organizada pelo Instituto do Imaginário do Povo Brasileiro, na Galeria Estação, em São Paulo.

Texto reproduzido do site: enciclopedia.itaucultural.org.br

As cores do período junino pelo olhar da Laila Gardênia

Foto: Laila Gardênia (@lailagardenia).
Reproduzida da Fan Page/Facebook/Governo de Sergipe.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Antiga foto da Praia de Atalaia, em Aracaju

Imagem de arquivo: Jornal de Sergipe/Prefeitura Municipal de Aracaju/Revista Aracaju.
Reproduzida do blog: aracajusaudade.blogspot.com.br
Do Professor Eudo Robson.

Antiga foto aérea da Avenida Beira Mar, em Aracaju

Vista aérea de trecho da antiga Rodovia Governador Paulo Barreto de Menezes, 
hoje Avenida Beira Mar, ladeada pelo Rio Poxim e  Parque 
  Augusto Franco, mais conhecido como Parque da Sementeira.
Imagem de arquivo: Jornal de Sergipe/Prefeitura Municipal de Aracaju/Revista Aracaju.
Reproduzida do blog: aracajusaudade.blogspot.com.br
Do Professor Eudo Robson.

Antigas fotos do Calçadão da Rua Laranjeiras, em Aracaju


Imagens de arquivo: Jornal de Sergipe/Prefeitura Municipal de Aracaju/Revista Aracaju.
Reproduzidas do blog: aracajusaudade.blogspot.com.br
Do Professor Eudo Robson.

Praça no município de Boquim

Foto reproduzida do site: nenoticias.com.br

Academia de Cordel pretende fortalecer literatura de SE

Cordelistas Izabel Nascimento e Maria Salete Nascimento.
Foto: Divulgação.

Academia Sergipana de Cordel será composta por 37 cadeiras.
Foto: Divulgação.

Almir Ribeiro, um dos cordeslitas que serão empossados. 
Foto: Portal Infonet.

Solenidade ocorreu no Museu da Gente Sergipana.
Foto: divulgação.

Publicado originalmente no Portal Infonet, em 19/07/2017.

Academia de Cordel pretende fortalecer literatura de SE.

Academia Sergipana de Cordel será composta por 37 cadeiras.

Cordelistas, escritores, poetas e amantes da literatura se reuniram na noite desta quarta-feira, 19, para a cerimônia de instalação da Academia Sergipana de Cordel (ASC).

A Academia Sergipana de Cordel já chega com uma importante missão: valorizar a literatura cordelista e consagrá-la como marco na história de Sergipe.  “Hoje é um dia de marco na história do cordel em Sergipe, pois 19 de julho é o Dia do Cordelista. Faremos uma homenagem à José Firmino Cabral, referência do cordel no Brasil e no mundo, que será nosso patrono. Todos que serão empossados beberam da fonte cultural que ele deixou e um dos nossos compromissos é eternizar a memória de José Firmino, assim como o trabalho de todos os cordelistas de Sergipe”, comenta a pedagoga e cordelista Izabel Nascimento, que é presidente da ASC.

A Academia de Cordel terá 37 cadeiras. Uma delas é a do cordelista Almir Ribeiro. “O Cordel sempre esteve no seio povo, mas ficou um pouco apagado. Com a presença da academia, acredito que o cordel vai ganhar força e ser doutor”, opina.

A solenidade de instalação da Academia Sergipana de Cordel ocorreu no Museu da Gente Sergipana. O evento contou com a declamação de cordelistas e apresentação do grupo Vocal Vivace.

Por Verlane Estácio.

Texto reproduzidos do site: infonet.com.br

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Tradição e modernidade: Dois lados da moeda...

 Tradição e modernidade são tema de debate sobre festas juninas (Foto: Pritty Reis).

 Amorosa defende os interesses dos artistas nordestinos.

Paulo Corrêa responsabiliza o empresariado por induzir gostos à audiência.

Publicado originalmente no site do jornal Cinform, em 14 de julho de 2017. 

Tradição e modernidade: Dois lados da moeda, numa das festas mais populares do nordeste.

Por Nayara Arêdes
    
Classe artística discute a possibilidade de equilíbrio entre elementos típicos e incorporação de novas influências no São João

O mês de junho já está indo embora, e, com ele, os festejos de São João. Ainda assim, as discussões sobre a configuração da festa permanecem. A cada ano, as atrações típicas nordestinas vêm perdendo espaço para artistas de outros estados. Assim, o forró vai sendo jogado para escanteio, enquanto ritmos como o sertanejo e o arrocha vão ganhando os palcos, praças e multidões.

A mudança das festas juninas não acontece apenas em relação às atrações musicais. As próprias quadrilhas vêm alterando sua forma de se apresentar, movimentando-se em direção às disputas cada vez mais acirradas em concursos e competições. Mas nem todos os públicos estão satisfeitos com essa modernização dos festejos. Há quem veja a chegada e o fortalecimento de novas influências como um passo em direção ao apagamento das tradições.

Ao mesmo tempo, muita gente acredita que os artistas e elementos que vem ganhando terreno nas festas de alguns anos para cá são responsáveis por atrair novos públicos, sobretudo os mais jovens. Para discutir essas questões e indagar até que ponto vão a tradição e a modernidade, o Olho Vivo traz a opinião de quem acompanha os festejos de perto, pelo lado de dentro.

Polêmica. 

O debate sobre o tradicional e o novo nas festas juninas estampou manchetes nas últimas semanas, após uma contenda envolvendo as cantoras Elba Ramalho e Marília Mendonça. Enquanto Elba reivindicou espaço para os artistas nordestinos e suas músicas típicas, Marília argumentou que o festejo deve estar aberto a todos os tipos de música.

Defendendo a opinião de Elba Ramalho, dezenas de artistas e ativistas se uniram nas campanhas “Elba, estamos com você” e “Devolva meu São João”, com o intuito de resguardar a programação das festas promovidas pelo poder público. Em Sergipe, a cantora Amorosa é uma das maiores representantes das campanhas.

“Não sou contra o Sertanejo, até por que gosto de algumas canções. Sou contra o nítido desequilíbiro entre esse tipo de atração e aquelas que representam legitimamente a cultura nordestina. E isso passa pelo empresariado em concordância com alguns gestores. Existem atrações que só aceitam fazer parte da grade se puder inserir outras do grupo das suas empresas”, pontua Amorosa.

Rompimento. 

O pesquisador Paulo Corrêa, que estuda a música e a cultura nordestina, concorda com Amorosa. Ele afirma que o fato de as programações das festas juninas estarem preenchidas de atrações do Sertanejo e do chamado “forró elétrico” não representam uma de manda legítima do público. “Durante todo o ano, os empresários dos artistas sertanejos pagam as rádios e veículos de comunicação para executar suas músicas. Isso faz com que o autêntico forró perca audiência, pois induz gostos”, diz.

Para Amorosa, os representantes de outros estilos musicais devem ter espaço no São João, mas os artistas do forró devem ser priorizados. “Que se insiram elementos atrativos, mas dando às tradições seu destaque merecido. Não se dá a coroa ao visitante. Foram os forrozeiros que fizeram as festas juninas do Nordeste serem o que são. Agora, querem colocar no lugar deles quem nunca fez nada para que a cultura nordestina chegasse a um ponto de destaque”, diz.

Paulo Corrêa recorda o caso de Campina Grande – PB, uma das maiores festas de São João do Brasil. “Na programação oficial, 90% das atrações é de ritmos estranhos à cultura nordestina. Até mesmo alguns artistas que se intitulam forrozeiros, na verdade fazem uma mistura de lambada, arrocha e músicas românticas. Isso é um desserviço, por que as novas gerações acabam tomando esse estilo por referência ao falar de forró”, ilustra.

Novas influências.

O cantor Edu Guerra, representante do Sertanejo em Sergipe, contrapõe a visão de Amorosa e de Paulo. Para ele, independentemente do estilo, a festa junina é local de celebração da música. “Acredito que a influência sertaneja e de outros ritmos no São João não tira a essência da festa. Só quem tem a ganhar é o público e a música popular

Para o cantor, a presença do Sertanejo nas festas juninas é um ponto positivo pelo fato de atrair o público mais novo. “O estilo que a gente faz é para jovens e é bem aceito tanto em nosso Estado quanto no Brasil, já que a gente se espelha nos artistas nacionais”, diz. Nesse ponto, Amorosa contrapõe: “não existe festa velha, o que existe é u ma geração totalmente desconectada da cultura da qual faz parte”.

A conexão das novas gerações com a essência cultural de sua terra é um ponto de discussão também em se tratando das quadrilhas juninas. Para o bailarino Ewertton Nunes, que já atuou como juiz em alguns concursos de quadrilhas, a incorporação de novos elementos deve ser vista com bons olhos. “A cultura é dinâmica. Uma cultura que não se adapta, morre”, resume.

Herança. 

O bailarino pontua que as quadrilhas sergipanas reproduzem as características das danças em pares da corte francesa, onde a prática foi originada. Os elementos típicos da versão nordestina, como os vestidos de chita, o chapéu de palha, as camisas quadriculadas com remendos e a figura do matuto já não são mais presentes nas apresentações.

Joel Reis, presidente e marcador da quadrilha Século XX, considera que a inovação e a originalidade devem existir sempre. Ainda assim, discorda da grande influência que os artistas e elementos de outras regiões vem assumindo no São João nordestino. “Não concordo com misturas. Cada um deve ficar no seu espaço. Mês de junho é tempo de forró pé de serra, o resto fica para outros meses”, opina.

Ainda na visão de Ewertton, o mais importante no debate entre tradição e modernidade é a responsabilidade em relação às novas gerações. “Temo que nossas quadrilhas comecem a se apropriar de elementos que não são do nosso povo. As quadrilhas precisam ter consciência de que é por meio de suas práticas que as tradições vão ou não chegar às gerações mais recentes”, diz.

A indústria junina.

Há tempos que os pequenos arraiás no interior, com comidas típicas e fogueira na porta de casa, deixaram de ser referência no assunto São João. A festa transformou-se em um período de movimentação de grandes investimentos, configurando uma verdadeira indústria. Somente em Campina Grande, o investimento total para a realização do festejo de 2017 foi de R$ 13 milhões.

Em Caruaru – PE, a prefeitura prometeu reduzir o investimento de recursos próprios neste ano. Ainda assim, a quantia empregada pela gestão foi de ao menos R$ 3 milhões. Em Sergipe, mesmo reclamando da crise, várias prefeituras desembolsaram altos valores para bancar cachês de atrações nacionais. Enquanto isso, as atrações regionais amargam em posição secundária, mesmo sendo economicamente muito mais viáveis.

Texto e imagens reproduzidos do site: cinform.com.br

domingo, 16 de julho de 2017

sábado, 15 de julho de 2017

Carlos Gomes de Carvalho Leite morre aos 94 anos, em Aracaju

Carlos Gomes de Carvalho Leite (Foto: Arquivo familiar).

Publicado originalmente no site G1 SE., em 15/07/2017.

Carlos Gomes de Carvalho Leite morre aos 94 anos, em Aracaju

Ele ocupou o cargo de procurador geral da Justiça.

O procurador da Justiça aposentado, Carlos Gomes de Carvalho Leite, morreu na madrugada deste sábado (15), aos 94 anos, em um hospital particular da capital. Ele teve um agravamento de uma pneumonia com insuficiência respiratória.

O corpo é velado na OSAF, Rua Itaporanga, 436. O sepultamento será no cemitério Santa Izabel, entretanto, os familiares ainda não definiram horário.

Carlos Carvalho Leite ocupou o cargo de procurador geral da Justiça, no Governo de João Alves e secretário de segurança pública, no Governo de Paulo Barreto de Menezes. Em vida, foi reconhecido pelos valiosos serviços prestados à justiça sergipana.

Texto e imagem reproduzidos do sie: g1.globo.com

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Bairro 13 de Julho: uma História

Foto: Curva do Iate Clube, av. Beira Mar/Década de 50
Arquivo: Murilo Mellins.

Amâncio Cardoso, historiador e professor.

Publicado originalmente no site da PMA, em 08/03/2010 

Bairro 13 de Julho: uma História.
Por Amâncio Cardoso.

O território do bairro 13 de Julho passou por profundas transformações urbanísticas após 155 anos de fundação de Aracaju. Nesse sentido, vejamos algumas notícias, desde o século XIX até hoje, deste que ainda é um dos mais valorizados bairros de nossa capital.

Antigo arrabalde denominado de Ilha dos Bois, a área foi vendida ao Governo Imperial pelo sitiante José Honório dos Santos, em 1872. Até onde se sabe, este é o registro mais recuado que se tem do local. O governo pretendia construir ali um lazareto - abrigo para controle sanitário, onde são mantidas pessoas supostas ou portadoras de moléstias epidêmicas, como cólera e varíola que grassaram no século XIX.

No entanto, o estabelecimento não foi construído. Porém, o nome do lugar ficou também conhecido por Sítio da Nação, devido à aquisição do Poder Central. No final do século XIX, por ser região ribeirinha, o subúrbio começou a ser povoado por marujos e pescadores que, habitando em casas de palha, tiravam o sustento da família explorando a perigosa barra do Cotinguiba (antigo nome do rio Sergipe).

No início do século XX, os banhos de praia com águas salgadas começaram a se popularizar como lazer. Dessa maneira, o lugar recebe um novo topônimo: Praia Formosa. A beleza talvez se devesse ao encontro da barra do Sergipe com a foz do riacho Tramandaí, conhecida como Quatro Bocas; além de ser um local ermo, de areias alvas e águas limpas à época.

Tramandaí é topônimo de origem indígena com três possíveis significados: para alguns estudiosos, rio sinuoso; para outros, rio de peixes; ou ainda, rio que se pesca com rede. Esta última acepção é compatível com a cultura piscosa que até hoje resiste no lugar. Numa pracinha da curva do Iate, ainda se observa a arte de confeccionar redes por pacientes pescadores.

Em 13 de julho de 1924, na paradisíaca Praia Formosa, tropas rebeladas do Exército se entrincheiraram e minaram a barra à espera de possíveis forças legais que ameaçariam os rebeldes tenentes. Este episódio está ligado ao movimento tenentista estudado nos livros de História do Brasil, durante a Republica Velha (1889-1930). Desde 1922, eclodiram no país diversas revoltas dos quartéis em oposição ao regime oligárquico dos fazendeiros do Sul e Sudeste, e dos coronéis no Nordeste.

Uma destas insurreições militares ocorreu em Sergipe no dia 13 de julho de 1924, quando a cidade foi tomada pelos tenentes e alguns civis, sob a liderança, entre outros, de Augusto Maynard Gomes (1886-1957). Eles formaram uma Junta Governativa militar e prenderam o então presidente do Estado (equivalente a governador) Graccho Cardoso (1874-1950).

Aracaju ficou em clima de guerra durante 21 dias. Logo depois, os jovens militares e demais participantes, que representavam os anseios dos estratos médios da população urbana, foram presos e punidos. As revoltas tenentistas marcaram sobremaneira a História política nacional e local entre 1922 e 1930; simbolizadas no atual nome do nosso bairro.

Em outubro de 1930, numa reviravolta política, os antigos tenentes ascenderam ao poder em nível nacional, após a denominada Revolução sob liderança de Getúlio Vargas (1883-1954). Então, em 27 de novembro daquele ano, instituiu-se através do ato municipal nº 11 a mudança, mais uma vez, de topônimo do nosso memorável bairro: de Praia Formosa para 13 de Julho. Homenagem dos representantes do governo revolucionário ao levante dos tenentes naquele local, dia e mês de 1924.

Um dia antes da assinatura do ato municipal para a mudança de topônimo, o antigo tenente rebelado e depois general Maynard, havia tomado posse como Interventor (governador nomeado pelo presidente) de Vargas no Estado até 1935, num primeiro mandato. Donde se explica a imediata instituição para marcar o 13 de Julho na memória sergipana.

Em 1931, o incipiente bairro 13 de Julho já possuía quase 80 casas de palha e poucas de telhas. Eram os primeiros veranistas juntando-se aos nativos pescadores. Neste mesmo ano, ruas foram abertas, tais como a Raimundo Fonseca e Júlio de Santana, ainda existentes. A primeira, pelo fato de possuir um solo lamacento, por conta da formação de manguezais, era chamada pelo povo através do pitoresco nome de rua do "Caga em Pé", tornando-se impossível a postura de cócoras para uma eventual necessidade fisiológica.

Uma outra rua que marcou o imaginário coletivo foi a que levava o não menos expressivo nome de "Cu Tapado" - atual José Sotero, assim chamada por não ter saída à época. Outra via de antanho no bairro 13 de Julho é a curva do Carvão, depois chamada do Inflamável; pois ali funcionava um depósito de venda de querosene e outros combustíveis. Hoje, é a famosa curva do Iate Clube.

Para iluminar estas e outras ruas que surgiram ao longo do século XX, a luz elétrica chegou também em 1931. Nesse período, o acesso ao tradicional bairro foi facilitado com aterramentos e linhas de bondes elétricos. Assim, iniciava-se a moderna urbanização da área.

No ano de 1937, o bairro 13 de Julho perdeu seu prestígio de lazer praiano, certamente, após a construção da ponte do rio Poxim, a qual facilitou o acesso à praia de Atalaia. Desde então, paulatinamente, os aracajuanos substituíram o banho ribeirinho pelo oceânico. Além disso, nas últimas décadas, com a intensa ocupação imobiliária, rios e riachos que banham a área vêm servindo de esgotos sanitários, prejudicando a pesca e extinguindo o lazer balneário.

No dia 15 para 16 de agosto de 1942, ocorreu outro fato marcante também presenciado pelos moradores do bairro 13 de Julho. Foi a chegada a Aracaju dos sobreviventes dos três navios torpedeados pelos alemães em costas sergipanas durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945). Este episódio foi um dos estopins para a entrada do Brasil no conflito. Conforme um testemunho, os feridos iam chegando "macilentos, esfarrapados com a bestial tragédia refletida nos olhos cheios de espanto e angústia". Cerca de 500 (quinhentas) pessoas faleceram e os corpos começaram, então, a aparecerem em nossas praias.

Passados mais de sessenta anos, o bairro 13 de Julho é lembrado por se destacar como um dos cartões postais de Aracaju. Não obstante tenha sido cenário de revoltas e tragédias, e possua canais poluídos, seu calçadão, onde citadinos tomam água de coco, fazem caminhadas e brincam o Pré-Caju (festa carnavalesca); seus tradicionais bares e requintados restaurantes; seus prédios e equipamentos urbanos e culturais - como a Biblioteca Pública Epifânio Dória e o Iate Clube, entre outros - fazem do 13 de Julho um dos mais aprazíveis e funcionais bairros de nossa capital.

Para saber mais:

- BARRETO, Luiz Antonio. Pequeno dicionário prático de nomes e denominações de Aracaju. Aracaju: Itebec/Banese, 2002.
- CABRAL, Mário. Roteiro de Aracaju. 3 ed. Aracaju: Banese, 2001.
- DANTAS, José Ibarê Costa. O Tenentismo em Sergipe - da Revolta de 1924 à Revolução de 1930. 2 ed. Aracaju: J. Andrade, 1999.
- PORTO, Fernando de Figueiredo. Alguns nomes antigos do Aracaju. Aracaju: J. Andrade, 2003.

- MELINS, Murilo. Aracaju que vi e vivi. 2 ed. Aracaju: J. Andrade, 2004.

Texto e imagens reproduzidos do site: aracaju.se.gov.br

terça-feira, 11 de julho de 2017

No caminho das estrelas


Publicado originalmente no Facebook/Marcos Cardoso, em 7 de julho de 2017.

No caminho das estrelas.
Por Marcos Cardoso.

Dizem que os pioneiros do turismo como o conhecemos hoje eram beatos que no século IX organizaram as primeiras excursões pagas para visitar a tumba de Santiago de Compostela, no que depois se tornaram os venerados e frequentados Caminhos de Santiago, rumo à capital da Galícia espanhola.

Canindé de São Francisco foi a Compostela de Silvinha de Oliveira. Ali ela percebeu que as belezas naturais, a intervenção humana e a história impregnada do sangue sertanejo são atrativos tão interessantes para os viajantes quanto os supostos restos mortais de São Tiago, apóstolo de Cristo, o são para os visitantes do mundo inteiro que acorrem àquele canto atlântico da Espanha.

Silvinha desbravou os caminhos para a Canindé banhada pelo abençoado Velho Chico, com seu cânion tão plástico, seus sítios arqueológicos, suas rotas cangaceiras, caatinga, hidrelétrica, águas e céu. E ser humano! Porque ela enxergava que o turismo deve interferir o mínimo possível no meio ambiente e não se faz atropelando histórias de vidas.

Competente profissional como jornalista e como guia de turismo, Silvinha mantinha uma visão holística do objeto do seu trabalho. Uma das suas melhores qualidades era a generosidade que a fazia enxergar que sem o homem e a mulher não haveria o todo integrado. Sem as mãos que tecem não há o artesanato, sem o suor no campo não há os frutos e os quitutes tão apreciados pelos eternamente embasbacados turistas.

Aonde ia, Silvinha transportava mais do que paisagens. Levava o seu povo atrás. Inventou a noite sergipana na europeia Gramado, onde não dispensava as rendas, as comidas típicas e o forró, sempre acompanhados das rendeiras, das cozinheiras, do trio nordestino. O nosso povo. E emplacou esse conjunto natural e humano na novela global “Cordel Encantado”, sucesso de público e crítica além-região.

Com sua generosidade, estava sempre “inventando” um restaurante novo, uma goiabada e um queijo com sabor da terra, um passeio diferente, uma nova história para contar. Ela adorava contar histórias simples das pessoas comuns.

E esse contato com as pessoas e os lugares era a força motriz do seu trabalho, energia vital que a mantinha sempre sorrindo, apesar das adversidades. Com o apoio incondicional e sincero do amado Silva Júnior, companheiro na profissão e na vida, Silvinha lutou contra a doença terrível como aquele viajante experimentado e confiante que sempre pegava a estrada crente de que o destino o traria de volta, como sempre acontecia, mas que num dia fatídico foi traído por um acidente no caminho.

Ela saía da sua Compostela e pegava a Rota do Sertão certa de que logo trilharia o caminho de volta. Numa sexta-feira, 8 de junho de 2012, não voltou. Todos aqueles que foram ajudados por ela, que a conheceram ou apenas sabiam da sua existência lamentaram a morte prematura de uma mulher que ainda tinha tantos lugares e sonhos a percorrer. Mas consolam-se na esperança de que Silvinha, cidadã do mundo, inventou um novo caminho, dessa vez rumo às estrelas.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Marcos Cardoso.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Erosão e Sedimentação na Foz do Rio São Francisco

Foto: Márcio Fernandes - Estadão.

Publicado originalmente pelo blog Ferdinando de Sousa, em 2 de junho de 2017.
         
Erosão e Sedimentação na Foz do Rio São Francisco.
Por Ferdinando de Sousa.

Tecnicamente falando, a foz do Rio São Francisco é considerada um delta – um conjunto de sedimentos formado pelos materiais trazidos pelas correntes do Rio ao longo do tempo. Os sedimentos carregados e acumulados constantemente pelas águas fluviais são erodidos pelas correntes marinhas, mantendo o ambiente em equilíbrio. Ambientes deltáticos são complexos e multifacetados, apresentando ambientes característicos: águas fluviais e marinhas; lagoas, pântanos e planícies inundáveis; praias, mangues e matas, entre outros. O equilíbrio entre as forças do mar e do rio está no centro da vida de um delta.

Na foz do São Francisco, com a redução dos caudais do Rio, esse equilíbrio foi comprometido e a erosão do delta tem crescido em ritmo acelerado, com as águas salinas avançando ferozmente terra adentro. A redução da vazão do Rio São Francisco, que estamos comentando há algumas postagens, tem ocasionado uma redução da força das águas do rio contra o mar, o que tem impedido o transporte e acúmulo de sedimentos na região do delta; sem a reposição dos sedimentos perdidos para a erosão marinha, a linha de costa é cada vez mais afetada pelas correntes marinhas, com as ondas impactando a costa com cada vez mais energia. Uma outra fonte de perda de sedimentos nos depósitos do delta se dá pela força dos ventos, que carrega fragmentos de areia, silte e argila, e os espalha continente a dentro – o avanço das dunas na região de Piaçabuçu é o resultado deste processo. As areias já encobrem uma área total de 50 km², com dunas com mais de 30 metros de altura, que continuam avançando cada vez mais, para deleite dos turistas e preocupação para os moradores locais.

Um exemplo didático do avanço do mar contra a linha da costa na região da foz do Rio São Francisco pode ser verificado in situ, no local onde já existiu um antigo povoado de nome Cabeço, que pertencia ao município de Brejo Grande no lado sergipano da foz. Até 1997, Cabeço tinha aproximadamente 200 moradores, a maioria pescadores, contando com perto de 50 casas, uma igreja e uma escola. Nesta época, havia um farol marítimo nas proximidades do povoado, instalado num ponto distante 2 km do oceano. Com as alterações nos sistemas de correntes marítimas, as ondas passaram a avançar contra a linha da costa onde ficava o povoado, destruindo sistematicamente todas as construções. Só restou o antigo farol (vide foto) que mesmo inclinado continua a resistir bravamente ante o avanço do mar. Este farol está agora 300 metros mar adentro.

Esse notável avanço do mar coincide com a redução sistemática dos volumes de água do Rio São Francisco após a construção das barragens de Sobradinho, Paulo Afonso IV e Moxotó. Aqui é importante deixar um registro de cautela porque, apesar de todas as evidências, não é possível afirmar cientificamente que a construção dessas barragens seja a única causa dos processos de erosão na região do delta do Rio São Francisco – existem outros pontos do litoral brasileiro que sofrem processos erosivos semelhantes sem que haja interferência de barragens. Mas, como diz um antigo ditado, onde há fumaça há fogo.

Com o represamento das águas do São Francisco, uma parte importante dos sedimentos, que antes eram carregados pelas águas do Rio na direção da foz, passou a ficar retida nas barragens. Isso somado à redução dos caudais, muito provavelmente, desencadeou a desestabilização e a erosão dos bancos de sedimentos na região do delta, tendo como consequência uma alteração na dinâmica das correntes e marés, facilitando o avanço das ondas contra a linha de costa e a erosão das praias, a intrusão da água marinha no canal do Rio, a redução dos recursos pesqueiros, entre outros problemas já comentados.

As populações tradicionais que habitam a região e que historicamente sempre dependeram das águas do Rio são as que mais sentem os problemas no seu dia a dia. Estudos indicam que a atual produção de pescados (peixes nobres e camarões) é de apenas 1/10 do que era antes da construção das grandes barragens. Pescadores mais antigos falam da antiga fartura da pesca, quando grandes dourados, surubins e piaus sobrecarregavam as redes de pesca, garantindo uma ótima renda para as comunidades ribeirinhas.

Enquanto as autoridades e os cientistas debatem os problemas ambientais que assolam a foz do São Francisco, mais de 25 mil ribeirinhos e moradores da região sofrem diariamente e diretamente com a redução do volume dos pescados, com o abastecimento de água com níveis de sal até dez vezes acima do máximo tolerável em água potável, com problemas de navegação e com o uso das águas para a agricultura, com o avanço do mar contra a costa, entre outros problemas.

A vida na foz ou, se preferirem, no delta do Rio São Francisco está cada vez mais inviável para muita gente. Uma vida, cada vez mais, sem perspectivas.

Texto e imagem reproduzidos do blog: ferdinandodesousa.wordpress.com