sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Dr. Antônio Leite Cruz


Publicado originalmente no Facebook/Antonio Samarone, em 16/08/2018

MESTRES DA MEDICINA SERGIPANA

Por Antonio Samarone

Antônio Leite Cruz – nasceu em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, em 15 de agosto de 1940. Os pais, Teotônio Narciso da Cruz e Lourdes Leite Cruz, são sergipanos de Carmópolis. O avô, Honorino Ferreira Leite, foi Prefeito. Antônio Cruz possui três irmãs: Carmen, Sílvia e Maria Lícia.

O Pai, oficial da aeronáutica, obrigou Antônio Cruz a levar uma juventude nômade, de cidade em cidade, acompanhando as transferências do pai. Somente em 1958, com a passagem do pai para reserva, é que Antônio Cruz se estabeleceu em Sergipe. Concluiu o científico (2º e 3º ano) no Colégio Ateneu. Foi colega de turma de João Alves Filho. Chegou e se adaptou de imediato, as suas raízes estavam aqui.

Com uma boa formação escolar, Antônio Cruz foi um dos noves alunos aprovados no primeiro vestibular de medicina em Sergipe. Isso mesmo, somente nove aprovados. Os examinadores exageram nas exigências. Durante o curso, Antônio Cruz acompanhou o Dr. Fernando Sampaio, um dos pilares da cirurgia em Sergipe. Como possuía talento para cirurgia, começou a operar logo cedo.

Em um estágio em Propriá, ainda no sexto ano, o Dr. Ciro Tavares, percebendo as habilidades de Antônio Cruz, resolveu tirar férias, deixando o plantão com o estagiário. No período, Antônio Cruz realizou 9 cesáreas, fazendo também a anestesia. Todas sem complicações. No período da Faculdade, Antônio Cruz foi professor de química do Colégio Atheneu de Sergipe.

O Dr. Antônio Leite Cruz decidiu especializar-se em cirurgia pediátrica, frequentando uma residência médica de dois anos. Primeiro no Rio, com o professor José Antônio Lopes, e depois no Hospital das Clínicas em São Paulo, no serviço do professor Virgílio Carvalho Pinto. Bem formado, talentoso, retornou à Sergipe já contratado pela Faculdade de Medicina.

Foi como professor de cirurgia que teve o seu maior destaque. Didática refinada (personalizava as coisas), conteúdo atualizado e, sobretudo, uma postura ética impecável. Foi um professor que deixou lembranças. Quando se fala no professor Antonio Cruz, seus ex alunos reagem com carinho e consideração. Suas aulas sobre equilíbrio ácido/básico e reidratação eram memoráveis. Com certeza, um dos melhores professores que passaram pela medicina da UFS.

Entre 1970/711, durante o Governo de João de Andrade Garcez, o Dr. Antônio Cruz ocupou o cargo de Secretário de Estado da Saúde. Em seu primeiro Governo (1982/86), o governador João Alves Filho criou uma Fundação Hospitalar de Sergipe, visando construir um hospital público de qualidade. Para demonstrar a opinião pública ser uma iniciativa republicana, convidou o Dr. Antônio Leite Cruz para presidi-la.

A Fundação presidida pelo Dr. Antônio Cruz realizou, na mais completa lisura, o primeiro concurso público na Saúde do Estado de Sergipe. Os servidores foram contratados dentro de um Plano de Carreira, com isonomia entre médicos e enfermeiros. E um hospital equipado num padrão de excelência foi inaugurado. Nesse período, o Secretário de Estado da Saúde era o Dr. José Alves do Nascimento.

Em 07 de novembro de 1986, foi inaugurado o hospital João Alves Filho (HUSE), com 112 médicos, 30 enfermeiras, 96 auxiliares de enfermagem, e 200 funcionários de apoio. Contudo, o hospital, com 375 leitos, em 13 alas de internamentos, só começou a funcionar em 02 de fevereiro de 1987, já no Governo de Antônio Carlos Valadares.

No início do Governo Valadares o secretário da Saúde foi o Dr. Lauro Maia (o bom Lauro); e o presidente da Fundação Hospitalar Edney Freire Caetano. O primeiro diretor do Hospital João Alves, foi o médico Salvador Antônio de Souza Matos. No segundo Governo, João Alves extinguiu essa primeira Fundação da Saúde.

O Dr. Antônio Cruz, por onde passou no serviço público, deixou o exemplo de abnegação e decência. Na clínica privada, realizou mais de 11.700 cirurgias pediátricas, foi o primeiro cirurgião pediátrico de Sergipe. Só deixou de operar em 2015, sendo a sua última cirurgia em sua cadela de estimação. Black foi atropelada na rua, os veterinários queriam amputar a perna. Antônio Cruz disse não, deixe que eu opero. Durante a entrevista, a cadela saltitava em nosso meio.

Antônio Cruz é pai de 4 filhos, Mário Luiz, André Cruz (médico), Manuela Sobral e Suzana Sobral; e avô de três netos. Aos 78 anos, cabeça boa, domina os computadores, e vive dentro dos princípios com que guiou a sua vida, sem se afastar um milímetro. Antônio Leite Cruz, um dos grandes da medicina em Sergipe.


Post original no Facebook/Antônio Samarone > encurtador.com.br/vwGJY

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone

domingo, 5 de agosto de 2018

Mestres da medicina em Sergipe - Dr. Melício Machado


Publicado originalmente no Facebook/Antonio Samarone, em 03/08/2018

Mestres da medicina em Sergipe. (Dr. Melício Machado)

Por Antônio Samarone

O Dr. Melício Resende Machado é filho de Melício de Souza Machado, o que nomeia a rodovia do Mosqueiro, e de Maria Resende (Dona Resendinha). O seu pai foi um grande empreendedor, chegou a possuir o maior coqueiral do Brasil. Melício Machado, o Pai, foi quem primeiro industrializou o leite de coco, com a marca “MEMACIA”.

Melício Resende Machado, nasceu em Aracaju, pelas mãos da parteira Amarilha, em 25 de novembro de 1939, à Rua Pacatuba. Estudou o primário com a professora Rosilda Rocha. Menino traquino, passou por vários colégios, para concluir o ginásio e o científico: foi interno em São João Del’ Rei, estudou no Atheneu, no Colégio Jackson de Figueiredo (de Benedito e Judite) e no Colégio Tobias Barreto, dirigido pelo professor Alcebíades Melo Vilas-Boas. No último ano do científico, foi estudar no famoso Colégio Paes Lemes, na Rua Augusta, em SP.

Da infância na bucólica Aracaju, Melício Machado relatou com saudade os banhos do Rio Sergipe, ali na Rua da Frente. Tem viva a memória do grande nadador Gildo Aguiar, fundador do serviço de Salva-vidas em Aracaju. Fiquei imaginando, por que ninguém se lembra que a despoluição do Rio Sergipe não é um bicho de sete cabeças?

Desde cedo, Melício Machado tomou a decisão que queria ser médico. Em 1961, entrou na primeira turma da Faculdade de Medicina de Sergipe. Foi muito amigo do Ex Prefeito Heráclito Rollemberg, e estudaram juntos para o vestibular de medicina. Heráclito foi reprovado na prova de física, por décimos. Na época, muitos acharam injusta a reprovação. A vida continuou, e Heráclito seguiu outro caminho.

Talvez por preconceito, a medicina estava começando em Sergipe, após o primeiro ano, Melício Machado consegue transferência para a Faculdade de Ciências Médicas do Rio de Janeiro, no Hospital Pedro Ernesto (atual UERJ). Não se adaptou na cidade maravilhosa, e conseguiu a transferência para a Faculdade Católica de Salvador, onde concluiu o curso de medicina, em 1969. Especializou-se em obstetrícia com o professor Jorge Resende, na enfermaria 33, no Rio de Janeiro. Isso mesmo, Jorge Resende o autor do famoso “Tratado de Obstetrícia” de Resende, que por muitos anos foi uma referência nacional.

Pouco antes da formatura, casou-se com o amor da sua vida, namorada desde os 15 anos, Dona Maria Helena. O seu pai faleceu 11 dias após a sua formatura, obrigando-o a retornar para Aracaju. Aqui ele encontra o centro de sua vida profissional: vai ser obstetra da Maternidade Francino Melo. Ao lado de Carlos Melo, Dalmo Machado, Albino Figueiredo e Aristóteles Augusto, formaram o melhor time da história da obstetrícia sergipana.

O Dr. Melício Machado exerceu com competência a obstetrícia, sempre voltado para o bom atendimento. Um grande humanista. Sempre discreto, viveu no anonimato, voltado para o trabalho. Não amealhou fortunas com a medicina.

O Dr. Melicio Machado é pai de 4 filhos e avô de 4 netos, vive modestamente a sua aposentadoria, com a alegria de quem tem a consciência tranquila. Inteligente, bem-humorado, fino no trato, ao ser perguntado que mensagem daria aos novos médicos, ele foi sucinto: “que ame os seus pacientes”.


Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone

sábado, 28 de julho de 2018

A aviação sergipana e o comandante Walmir Almeida

Foto do arquivo de Eduardo Almeida e postada pelo blog, para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no Blog Luiz Eduardo Costa 

Artigo de Eduardo Almeida,  filho de Walmir Almeida

Dia do Aviador - A aviação sergipana e o comandante Walmir Almeida 

Nas comemorações do Dia do Aviador e da Semana da Asa, um nome não pode ser esquecido em Sergipe, o do Comandante Walmir Lopes de Almeida.

Sergipano de Riachão do Dantas, Walmir migrou para Aracaju ainda criança, aos 5 anos de idade com a família. Despertado pelo desejo de voar, o menino Walmir acordava ainda de madrugada e, sozinho, escondido da mãe, caminhando em completa escuridão, ia da Rua Estância, onde residia, até o Campo de Aviação, o atualmente extinto Aeroclube de Sergipe, vencendo morros, areais, pistas de lama e mato, vestindo apenas um short, devido às suas poucas condições e lá, encostava na cerca e deleitava-se observando os aviões de guerra decolarem e pousarem em seu ballet aéreo que tanto o encantava. Foi caso de amor à primeira vista e de quem nunca mais se separou, fazendo disso uma relação estável e apaixonada que perduraria até seus últimos dias.

“...Ave! Sobe ao ar, grande bólido alado, linda garça voadora...”

O Campo de Aviação, denominado de Campo de Anipum, era o antigo Aeroporto de Sergipe, onde as pessoas embarcavam para suas viagens a outros estados do Brasil, nos tempos áureos do glamour e do romantismo da aviação, a bordo invariavelmente dos Douglas DC-3, um dos ícones da aviação que interligou o país pelo ar. Depois veio a se tornar Aeroclube de Sergipe.

De tanto ficar na cêrca, certa feita alguém chamou aquele menino para empurar o avião para dentro do hangar e aí pronto(!), tocando a máquina, despertou definitivamente no menino o vírus das alturas que, depois de infectado, não há mais cura. Em outra ocasião, um dos pilotos o chamou para dar um vôo e lá se foi o menino Walmir, já com pose de aviador ao encontro do que sua alma clamava, tornando presença constante em seus sonhos, dormindo ou acordado, aquele momento mágico.

Tornou-se arrimo de família aos 13 anos de idade com a perda do Pai e dividia seu tempo entre o trabalho, a família e a aviação. Vindo a trabalhar no Palácio do Governo como fotógrafo oficial, obteve a ajuda do Interventor do estado, General Maynard, para concluir seu curso de piloto.

Desde então fez do campo de aviação a sua segunda morada ou talvez, a primeira. Lutou bastante por aquela instituição, se fez presente, ocupou cargos, entregou-se de corpo e alma, sem que houvesse reconhecimento por isso.

A aviação sergipana muito deve ao Comandante Walmir Almeida, pois, sempre comprometido com a aviação e com o próximo, sustentou durante 8 anos, às suas custas, todas as despesas do Aeroclube de Sergipe, em um período de crise, evitando assim seu fechamento e o encerramento das atividades aéreas no estado, sendo considerado um dos Patronos da Aviação Sergipana.

Foi proprietário da Concorde-Distribuidora de Combustíveis de Aviação, único posto do estado, à época, de revenda de gasolina para aeronaves. Venceu competições aéreas e ostenta até hoje o título de maior proprietário sergipano de aeronaves particulares, tendo possuído 13 aviões próprios, além de dedicar sua vida à aviação. Foi o piloto sergipano com maior número de horas de vôo. Visitou todos os países do mundo e um dos feitos de Walmir foi realizar a rota do Correio Aéreo Nacional pela Cordilheira dos Andes, sozinho, em seu próprio avião, em um vôo solitário e perigoso.

Como fotógrafo e cinegrafista aéreo, foi considerado pelos Governadores Leandro Maciel e Lourival Batista como o “Mestre das Lentes”, tendo este útilmo citado “...foram as imagens aéreas mais lindas do nosso estado que já tive o prazer de contemplar!”. Walmir registrou fatos sociais e políticos da época durante vários governos, também do alto, a bordo do seu Cessna que pilotava com maestria, à exemplo das imagens aéreas da inauguração do Estádio Lourival Batista, o 'Batistão', que foram amplamente veiculadas nos jornais do sul do país, bem como em um documentário cinematográfico, realizado pela sua produtora Cine-Produções Atalaia, que tinha como contratado niguém menos que Cid Moreira, sobre a sêca no nordeste que foi exibido em todo o Brasil pelo Canal 100 e pela Ponte Cinematográfica Nacional, bem como em diversos países da Europa, à exemplo da Suécia, Itália, Alemanha, França, entre outros, com imagens aéreas do Rio São Francisco e de algumas cidades do nosso estado, levando ao conhecimento do Brasil e do mundo os problemas enfrentados e que gerou a sensibilização de governos desses países, conseguindo assim ajuda internacional para o combate ao mal que assolava o nosso sertão, sendo inclusive condecorado pessoalmente em Brasíllia pelo Presidente João Goulart por duas vezes.

Seu maior orgulho era ter ensinado seus filhos e seu neto, o "Cmte. Dudu", a voar, inserindo-os na aviação desde os 2 anos de idade, dando-lhes asas, ao invés de raízes, como ele costumava dizer. Foi revendedor de aviões Cessna em Sergipe. Iniciou o primeiro serviço de táxi-aéreo sergipano, utilizando suas aeronaves para transportar autoridades, enfermos e quem necessitasse, entre eles o Ministro Mário Andreazza, Amyr Klink-o navegador solitário, entre outros,  chegando inclusive a pousar nas areias da Praia 13 de julho e na Colônia 13, em Lagarto, contratado por Dom José Vicente Távora para uma inauguração no povoado. Nessa passagem com D. Távora, Walmir, sempre espirituoso e com um tirocínio que lhe era peculiar, foi questionado pelo Padre se eles conseguiriam pousar lá, visto que naquele tempo as estradas eram intransitáveis e Walmir então respondeu rapidamente:

Padre, não se preoucupe, porque lá em cima a gente não fica não!”.

Walmir era um daqueles românticos da aviação, que tinha o voar no sangue e reconhecia aeronaves pelo cantar dos motores e pelo perfume deixado em sua passagem, inebriando-se com isso. Conversas sobre aviação invariavelmente duravam horas, sem que se percebesse a passagem do tempo, pois os ouvintes deleitavam-se em suas histórias e 'causos' da sua experiência de vida, ávidos por aprender a essência dos 'velhas águias'. Todos os anos participava, por força de uma promessa, da Procissão de Bom Jesus dos Navegantes, efeuando evoluções com suas aeronave, tornando-se uma tradição aquele aviador junto à procissão, e elogiado pelo Governador Leandro Maciel, que disse ser “as acrobacias aéreas mais bonitas que já presenciei. Esse rapaz nasceu pra isso e é um talento legitimamente nosso. Dá-nos orgulho!”

Realizava gratuitamente “vôos de coqueluche”, após o encerramento dessa atividade pela FAB em nosso estado e que era um efetivo remédio para os acometidos dessa enfermidade. Mesmo tendo perdido uma de suas aeronaves em um acidente em Vitória, no Espírito Santo, no qual ele comandou uma aterrissagem forçada em um morro e a aeronave logo após explodiu, Walmir, apesar do susto, não abandonou a aviação, ao contrário, narrava em tom jocoso o fato aos alunos. Devido à sua reconhecida e notória experiência na área, foi o único sergipano autorizado pelo Comando da Força Aérea Brasileira a trasladar um avião doado pelo Governo Federal para o ensino de alunos, à noite e sem que a aeronave possuísse equipamentos para vôo noturno! Foi homenageado pela Força Aérea Brasileira no Aeroporto Santa Maria, na Semana da Asa. Membro da FAA-Federal Aircraft Association, foi homenageado na maior feira de aviação do mundo, a Air Venture, em Oshkosh, nos Estados Unidos, a qual visitou por vários anos. Pioneiro na revenda de aeromodelos em Sergipe, deu inicio à modalidade no estado. Foi também capa da maior e mais respeitada publicação mundial sobre aviação, a revista FLYING.

Quando os aviões do Aeroclube se encontravam parados por manutenção ou falta de recursos, Walmir empregava seus aviões gratuitamente para o ensino dos alunos, sempre evitando que a aviação fosse interrompida em nosso estado. Apesar de ter perdido um de seus filhos, o Cmte. Walmir Jr., em um acidente aéreo, Walmir não abandonou a aviação, realizando um vôo solitário poucos dias após; um vôo em homenagem ao filho morto…

O mesmo conselho que dava aos seus filhos e neto, dava aos alunos. Quando algum deles  tinha medo de entrar em nuvens de chuva, ele dizia: “pois é para lá que nós vamos! Feche os olhos e nivele o avião, inclusive nas curvas, aí eu vou saber que você esta preparado. Limpe sua mente, faça de vocês dois um só. O bom avião é como o bom piloto, ele gosta de voar.”.

Um exemplo de homem, cidadão, trabalhador, vencedor em todas as áreas que atuou, fllho, irmão e Pai, infelizmente o espaço que dispomos é muito curto para falarmos de Walmir Lopes de Almeida e da sua extensa experiência de vida, tanto que seu filho, o Cmte.Eduardo ou "Carlinhos", como seu querido Pai o chamava, seu maior admirador, pré-lançou com o Pai ainda em vida, sua biografia, durante seu aniversário, na Maçonaria, no ano de 2010, intitulado "Meu Pai, o Comandante Walmir / A história que se tornou um livro, um livro que se tornará história" e o primeiro de uma série de volumes em literatura de cordel que fará sobre a vida do seu querido Pai.

Todos os anos, o Alto Comando do Ministério da Aeronáutica envia mensagem oficial ao seu filho, parabenizando o Comandante Walmir pela data, agradecendo pela sua valorosa contribuição à aviação brasileira, eternizando-o.

Walmir é um legítimo exemplo dos abnegados, um palinuro da aviação que escreveu seu nome na história para a eternidade criando uma relação de amor puro entre homem e máquina que jamais se extinguiria, fazendo deles um só.

Walmir nos deixou em 2012 e, na sua última mensagem, disse: “Quando eu partir para meu último vôo, não se preocupem comigo, eu estarei bem, estarei nas nuvens, onde eu sempre quis estar. Lá é o meu lugar.”

Fica então a nossa homenagem a esse nosso orgulho legitimamente sergipano.

Câmbio final...

AVE, Walmir!

Texto reproduzido do blogluizeduardocosta.com.br

terça-feira, 10 de julho de 2018

Luciano José Cabral Duarte (21.01.1925 - 29.05.2018)

 Dom Luciano durante a Tarde de Poesia dedicada à  Graziella Cabral ( in-memoriam) em 17.12.2005. Foto acervo ALV

23.10.1981- X FASC - solenidade de reabertura do Museu de Arte Sacra 
São Cristóvão/Sergipe. Foto acervo ALV.

Publicado originalmente no blog Academia Literária de Vida, em 30/05/2018

Dom Luciano Cabral Duarte 

Luciano José Cabral Duarte (21.01.1025 - 29.05.2018)

     Faleceu dia 29 e foi sepultado hoje (30) na Igreja de São Salvador, centro da cidade, o Arcebispo Emérito de Aracaju, Dom Luciano José Cabral Duarte. A fundadora da Academia Literária de Vida, Maria Lígia Madureira Pina, sua ex-aluna na Faculdade de Filosofia, falecida em 2014, sempre dizia do seu bem querer, sua admiração e a sua gratidão ao professor, ao intelectual, ao sacerdote que abriu novos caminhos para a juventude sergipana. Foi como professor universitário, que ele investiu esforços, tempo, estudo, amigos, relacionamento com políticos para fundar a nossa Universidade Federal em maio de 1968, sendo que antes já tinha sido instalas as faculdades de Química, Filosofia, Serviço Social, Economia e Medicina. Anos depois veio o Colégio de Aplicação, destinado a servir de treinamento para os estagiários da Universidade. Sacerdote da Igreja São Salvador por longos anos, depois Bispo Auxiliar de Aracaju e finalmente Arcebispo, sua carreira sacerdotal, social e intelectual tinha respaldo nos estudos pelo Institut Catholique de Paris e o título de Doutor da Universidade de Paris em Filosofia com a mais alta condecoração concedido pela instituição da Sorbonne - “Très honorable”, com a tese “La Nature de I’Intelligence dans le Thomisme et dans la Philosophie de Hume”, Depois publicada em forma de livro. Foi bolsista da Embaixada Norte-Americana. Foi redator e diretor do jornal A CRUZADA, em Aracaju e jornalista correspondente do Brasil para a revista O CRUZEIRO, no Concílio Vaticano II, quando era o Papa João XXIII. Escreveu por vários anos para o Jornal Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e no Jornal do Brasil. Foi presidente do Conselho Diretor da Fundação Universidade Federal de Sergipe e membro do Conselho Federal de Educação, por vários anos. Foi presidente do Departamento de Ação Social do Conselho Episcopal Latino- Americano, e depois eleito o 1º. vice-presidente deste Conselho.

      Dom Luciano fez parte da minha infância, pois minha mãe o ouvia diariamente, através da Rádio Cultura, (que ele trabalhou junto a Dom José Vicente Távora para instalar) em verdadeiros discursos, mas compreensíveis a qualquer pessoa, discorrendo não só sobre religião, mas dos problemas atuais que afligiam o país. Sua oratória era famosa no mundo inteiro, tinha o dom do improviso, quem o ouvia se encantava, sendo considerado o maior orador sacro do País. Seus livros referendados internacionalmente são prova cabal do seu conhecimento, da vida itinerante pelo mundo, exemplos estão nos livros “Europa e Europeus”, “Europa, Ver e Olhar”. Idealizou e organizou junto com o governo da época, o Museu de Arte Sacra de São Cristóvão, tentou a experiência pioneira de reforma agrária através do órgão PRHOCASE - Promoção do Homem do Campo - as terras doadas pela Cúria ele entregou às famílias por cessão por dez anos com a ajuda de governo do Estado, instituições e amigos. Taxado por uns de comunista, por causa disso, no entanto, era ferrenho defensor da democracia e abominava o comunismo, registrado em seus discursos e escritos, mas foi defendido pela maioria. Provou sua lealdade e princípios ao atender apelos de prisioneiros da ditadura, ao ajudar suas famílias, ao recolher estudantes de dentro dos quarteis e trazê-los para salas de aulas na universidade, graças a sua diplomacia junto aos militares. Membro da Academia Sergipana de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe e tantas outras instituições, no Brasil e além fronteiras, sempre honradas com sua presença excepcional.

     Dono de uma memória extraordinária, ironicamente, a doença da qual foi vítima, Alzheimer, o fez prisioneiro do esquecimento. Viveu assim durante muitos anos amparado no carinho e cuidados da  irmã Carmem Dolores que sempre procura cultivar seu trabalho através do Instituto Dom Luciano, reunindo livros, discursos, revistas com suas publicações, fotos e objetos. São demonstrativos da admirável pessoa que nos deixou ante a saudade e nossa eterna gratidão, por tudo que fez em prol do seu povo. Descanse em Paz Dom Luciano.

Carmem, sua missão foi cumprida com amor e abnegação.
Nosso  abraço fraterno
Shirley Maria Santana Rocha – presidente da ALV e demais membros: Maria da Conceição Ouro Reis, Yvone Mendonça de Sousa, Maria Hermínia Caldas, Cléa Brandão de Santana. Josefina Cardoso Chagas, Adelci Figueiredo  Santos, Marlaine Lopes de Almeida, Raylane Andreza Dias Navarro Barreto, Sandra Maria Natividade, Jane Alves Nascimento Moreira de Oliveira, Maria Inácia Santos Dória, Tânia Cristina Santos de Souza, Izabel Cristina Melo dos Santos Pereira, Maria Eunice Guimarães Santos Garcia, Maria Edneide dos Santos Lemos, Maria Zélia da Silva Rocha.

Texto e imagem reproduzidos do blog: academialiterariadevida.blogspot.com

sábado, 7 de julho de 2018

Artur: Ontem, Hoje e Sempre




Publicado originalmente no Facebook/Carlos Alberto Déda, em 03 de julho de 2018

Artur: Ontem, Hoje e Sempre
Por Carlos Alberto Déda

Essa última semana de junho foi de grande emoção e tristeza para toda minha família. É que na noite de sexta-feira, dia consagrado a São Pedro, meu querido irmão Artur Oscar partiu para o reino dos Céus. Seguiu os ditames da vida e foi ao encontro dos amigos e parentes que também partiram para outra esfera, deixando imensa saudade.

Artur era um irmão e tanto – este “e tanto” tem um significado muito especial em minha terra: indica que é o máximo, que ultrapassa os limites, que é porreta, supimpa. Ele ultrapassava os limites em preocupação e bondade com todos nós. E liderava toda a família; nos transmitia muita força e tranquilidade.

Na minha infância, o meu apoio era o irmão Carlos Eugênio (dois anos mais velho que eu), até o dia em que ele, ainda muito jovem, foi morar no Rio de Janeiro. Então, daí em diante, o meu protetor passou a ser o irmão Artur Oscar que, na intimidade de criança, chamávamos de Tutu.

Ele era nove anos mais velho que eu e cuidou de minha instrução e orientação em conjunto com meus pais. Em todos os momentos importantes de minha vida, o bom irmão esteve presente, apoiando-me, orientando-me, confraternizando as alegrias e amparando-me nos percalços da vida. Um irmão e tanto, que viverá eternamente na minha lembrança e na de todos nossos familiares.

Há poucos dias, conversávamos sobre assuntos de Simão Dias e nos lembramos dos vários artigos que ele escrevera para o jornal "A Semana", sobre cinema, poesia, as diversões da gente de nossa terra e também sobre futebol.

Ele gostava muito de acompanhar os jogos de futebol. E neste ponto havia uma ligeira divergência: ele era um grande torcedor do Vasco da Gama e eu flamenguista. Mas encarávamos isto com muita brincadeira e humor.

Na atual Copa, quando ocorreu uma exaltada discussão sobre o árbitro do jogo entre Brasil e Suíça, lembrei-me dos velhos tempos em nossa cidade, quando a seleção brasileira enfrentou a equipe húngara, na Copa do Mundo de 1954.

Artur acompanhou o jogo pelo rádio na residência do Dr. Aguiar (Médico cirurgião), que era vizinho de tia Nice, na Rua do Coité. Eu e os colegas ouvíamos a narração no rádio da barbearia de Seu Zeca Barbeiro (oficial de justiça da comarca), que ficava perto, quase em frente ao Bar de Valério.

O Brasil perdeu para Hungria pelo placar de 4 x 2. Fiquei triste, quase chorando. Mas fui consolado pelo irmão que - seguindo a exaltação do brasileiro Mário Viana - culpou o árbitro bretão, Mr. Ellis, pela desclassificação do escrete canarinho. Naquela semana, usando o pseudônimo AROSDE, ele publicou no jornal (edição de 03/07/54, página 4) o artigo “Mr. Ellis derrotou o Brasil”.

Era minha intenção no decorrer desta semana escrever aqui sobre detalhes desses momentos vividos com ele. Não o fiz divido a emoção da despedida eterna do bom irmão. Mas como a Copa de Mundo é assunto que está em pauta nos dias atuais, inclusive com abordagens intensas sobre a atuação dos árbitros, repasso para lembrança de amigos e parentes, o que ele – em seus vinte e poucos anos de idade – escreveu sobre a atuação do apitador naquela partida de 1954.

Também repasso tópicos do seu pensamento expresso em discurso no Tribunal de Justiça de Sergipe, em agosto de 2017, quando foi homenageado no dia dos pais.

Nestes dias, relembrei com imensa saudade muitos momentos de alegria vividos como o querido Tutu. Ele sempre foi um irmão e tanto que permanecerá imortal em nossos pensamentos.

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Carlos Alberto Déda

Link do post original no Facebook > https://bit.ly/2lXZi7I

terça-feira, 3 de julho de 2018

Dom José Vicente Távora

Foto  de Dom Távora, reproduzida do blog de Padre Isaías Nascimento
e postada no blog SERGIPE..., para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente do Facebook/Marcos Cardoso, em 03/07/2018

O “comunista” D. José Vicente Távora
Por Marcos Cardoso

Entronizado há cinco anos, o Papa Francisco areja a Igreja Católica com ideias e práticas mais condizentes com o mundo de hoje. É um avanço para uma Igreja que historicamente vive dando demonstrações não só de conservadorismo, mas de descompasso com o tempo.

É da Igreja ser conservadora. É da sua essência e disso depende até a sua sobrevivência. É dogmático. Mas houve tempos em que a Igreja foi, se não ousada, mais avançada. Pelo menos em questões sociais. Pelo menos no Brasil. Pelo menos em Sergipe. Um desses tempos foi o começo dos anos 60.
Uma ala da Igreja Católica estava sintonizada com a efervescência da época. O mundo passava por mudanças e a juventude brasileira dava sinais de querer mais do que mudar comportamentos sociais. Havia grupos jovens ligados à Igreja e havia um arcebispo ávido por transformações.

Era D. José Vicente Távora, criador e principal dirigente do Movimento de Educação de Base (MEB), que inovou alfabetizando através da Rádio Cultura, também criada por ele em 1959. O movimento ensinou muitas pessoas a ler e escrever, através das aulas de português, matemática e legislação que eram transmitidas pelo rádio.

“O MEB incorporou milhares de pessoas em atividades particularmente criativas, inclusive jovens universitários sequiosos de mudanças, contribuindo decisivamente para o processo de mobilização social”, segundo lembra o professor Ibarê Dantas, no livro “Os partidos políticos em Sergipe (1889-1964)”. “Apesar da tolerância com as manifestações de esquerda e com as reações de direita, D. Távora permaneceu como a principal autoridade do movimento até a véspera do golpe de 1964”.

“Atingindo cerca de 12 mil pessoas em perto de 460 localidades e 57 municípios e contando com quase 550 monitores orientados por 19 supervisores, nenhum movimento, em tempo algum em Sergipe, teve tanta influência, no sentido de proporcionar uma nova consciência aos trabalhadores rurais”, prossegue o historiador, acrescentando que D. Távora acabou sendo perseguido pelo regime militar e denunciado como comunista.

Em 1962, quando Jânio Quadros, candidato a presidente da República, esteve em Aracaju, D. José Vicente Távora propôs a ele um projeto de educação pelo rádio, a exemplo da experiência iniciada em Natal (RN) por D. Eugênio Sales. Aceita a proposta, quando Jânio assumiu a presidência o convênio foi firmado com o apoio da CNBB. Assim surgiu o MEB. O governo federal entrava com os recursos e a Igreja com a administração. Os primeiros sindicatos agrários, de inspiração cristã, nasceram em Sergipe sob a inspiração de D. Távora.

Quando aconteceu o golpe de 31 de março de 1964, a Igreja ficou dividida. “Uma ala mais ligada ao bispo auxiliar, D. Luciano Cabral Duarte, zeloso cooperador do Estado Autoritário, revelou-se simpatizante da nova ordem. Dentro dela, incluem-se alguns sacerdotes e até o bispo de Propriá, D. José Brandão de Castro, que posteriormente se manifestaria intrépido defensor das causas dos trabalhadores rurais e dos índios. A outra ala, vinculada ao arcebispo D. José Vicente Távora, recebeu o movimento como um grande retrocesso político. O próprio arcebispo, promotor do MEB, foi ameaçado de prisão. Com o fogo cruzado dos delatores que abominavam sua obra, além de submeter-se a depoimentos irritantes, esteve por vários dias praticamente confinado no Palácio Episcopal, escapando de maiores hostilidades por interferência do general Juarez Távora, seu parente. A campanha de educação popular, vista pelo patronato como a obra mais nociva à boa ordem, seria severamente afetada”, escreve Ibarê Dantas (“A Tutela Militar em Sergipe – 1964/1984”).

Conta o historiador que, hostilizado pelas autoridades militares locais, D. Távora escreveu ao general Juarez Távora e este enviou a carta ao comando do 28º BC, que mandou chamar o arcebispo, passando-lhe forte reprimenda. Mas, a partir daí, as ameaças teriam diminuído. No entanto, o MEB teve vários de seus funcionários detidos e seria reorientado sob a supervisão de D. Luciano Cabral Duarte. Posteriormente, o MEB se transformaria em “mera linha auxiliar do Mobral”.

O pernambucano D. José Vicente Távora já era bispo da capital quando, em abril de 1960, o papa João XXIII criou as Dioceses de Estância e Propriá e a Província Eclesiástica de Aracaju. Foi, portanto, o primeiro arcebispo metropolitano de Aracaju. E o foi até quando morreu, no dia 3 de abril de 1970.

Texto reproduzido do Facebook/Marcos Cardoso.

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sábado, 30 de junho de 2018

Artur Oscar de Oliveira Déda não está mais entre nós. Mas fica

Foto reproduzida do Facebook/Aida Campos e 
postada pelo blog, para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente pelo site JLPolítica, em 30 de junho de 2018.

Artur Oscar de Oliveira Déda não está mais entre nós. Mas fica

Artur Oscar de Oliveira Déda era grande a partir do nome sonoro e da ética que acostou a ele

Por Jozailto Lima

Ele era grande em tudo. Não só no tipão físico, que carregava sem nenhum desengonço. Com muita altivez.

Artur Oscar de Oliveira Déda era grande a partir do nome sonoro e da ética que acostou a ele durante uma longa vida de 86 anos completada em 2 de março deste ano.

Foi essencialnente um homem do direito, esse desembargador. E, perdão pelo trocadilho com cara de conservador, foi sobretudo um homem direito. Intelectualmente íntegro, amigueiro, cordial, mas avesso ao lado danoso e compadrioso da cordialidade.

Um homem grande também na biografia.

Privei da amizade dele, como pode privar um jornalista da de uma autoridade pública, o que quer dizer com discrição - embora entre nós contasse mais um pouco os lados da condição de escritor que compartilhamos.

Dele, guardo e sempre compartilho uma saborosa história que me contava sobre o abjeto bullying a que sempre fora submetido este notável Estado de Sergipe, que tão bem acolhe aos que o procuram como pátria alternar.

Pois bem, para ressaltar seu lado desenvolto, desembaraçado e respeitador da sua sergipanidade, ele me contava que ao chegar adolescente, lá pelos idos de 1950, para estudar no Colégio Dois de Julho, em Salvador, o melhor da Bahia, um professor de Geografia, baixinho, tentou fazer troça com ele, suas origens, seu Estado.

No primeiro dia de aula, durante a apresentação dos novos alunos, a descrição de lugares de onde vinham, ao chegar a sua vez, ele disse que era de Sergipe, de Simão Dias, de Aracaju.

Em tom hilário, o professorzinho baixinho dirigiu-se a um mapa do Brasil distendido na parede, semicerrou os olhos como se buscasse algo inachável e por fim exclamou:

- Está aqui - disse, pondo um dos dedos sobre Sergipe no mapa. E completou:

- Vou segurar, pra ver se não foge, de tão pequeno.

Artur Oscar de Oliveira Déda, ainda imberbe, não se aturdiu e, com toda fleuma, sapecou esta:

- Professor, um grande escritor da minha terra, o Gilberto Amado, já advertiu que Sergipe é pequenino para não ofuscar a grandeza dos seus filhos.

Foi aplaudido pelos demais fedelhos que chegavam para o primeiro dia de aula e o professor engoliu a seco.

O que talvez Artur Oscar de Oliveira Déda não sabia, ali naquele histórico dia de bullyng baiano, era que a frase de Gilberto Amado viria a se encaixar perfeitamente na sua persona.

Vá em paz, amigo grande.

Texto reproduzido do site: jlpolitica.com.br

Procurador Givaldo Rosa Dias, um sergipano com projeção nacional

Foto de Edson Araujo, reproduzida do blog canalr5blog e postada 
pelo blog SERGIPE..., para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no site Zero Hora Sergipe em 07/02/2017

Procurador Givaldo Rosa Dias, um sergipano com projeção nacional.

Por Clarêncio Martins Fontes

Poucas personalidades da área jurídica, do magistério superior, e sem favor, também na área da pesquisa cultural e principalmente genealógica, têm merecido o reconhecimento e destaque em nível nacional. O Dr. Givaldo Rosa Dias que inclusive conseguiu relacionar-se com afeto e bom entendimento dialogal com quase todos os membros dessa família bastante numerosa que é a dos Procuradores Federais do Brasil, recebeu recentemente mais uma distinção honrosa no Estado de Sergipe, dessa feita partiu a iniciativa honorável da Polícia Militar Sergipana através de seu Comando Geral e Oficialidade, além de, ver formada no CEFAP à rua Argentina, Bairro América, toda a Tropa perfilada na solenidade de outorga em que o destacado jurista, professor e vice-presidente da Associação dos Procuradores Federais a nível nacional, atuando nos assuntos governamentais, recebeu Medalha, broche e Diploma da briosa Corporação Militar. Por outro lado, ele é um dos poucos profissionais do Direito que tem relevantes serviços prestados à pessoas carentes das classes menos favorecidas, principalmente de cidades e povoados do interior do Estado, onde se desloca em seu veículo particular para socorrer nas emergências aqueles que bradam pela sua presença apoiadora.

O professor Givaldo Rosa Dias reconhece, como não poderia deixar de ser, a Majestade da Justiça, e diz como Rui Barbosa que: “A pior Ditadura é a Ditadura do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer”. Ele também é convicto, como sentenciou Delavigne e Phillips que “O Direito é a mais bela invenção que os homens puderam encontrar contra a equidade”, e “O Direito é o sol eterno, e o mundo não pode retardar a sua vinda”.

E o autor desse texto apologético, que quase nada entende de Direito, tem ódio votivo contra a injustiça. E cita aqui alguns grandes pensadores da humanidade, de várias épocas para desmascarar a injustiça, revelada ou não. E via-de-regra a grande massa dos injustiçados é das camadas mais pobres. E vamos aos pensamentos: Há apenas uma blasfêmia, que é a injustiça. / O que comete a injustiça sente-se mais desgraçado do que aquele que a sofre. / As vítimas da injustiça devem consolar-se pensando que a verdadeira desgraça consiste em praticá-la. / O homem não é infeliz enquanto não é injusto. / Da força à injustiça não há senão um passo. Acabamos de citar Platão, Pitágoras, Demócrito de Abdera, Confúcio e Ingersoll.

Givaldo Rosa Dias, ainda sente-se sob o peso da angústia, e da tristeza inconsolável, por ter perdido um filho que amava, como ama a todos os outros. É uma personalidade que nele enxergou a Polícia Militar de Sergipe os méritos necessários para uma distinção oportuna, honrosa, e que, a exemplo de outras honrarias o tornaram conhecido além-fronteiras… e para demonstração cabal desses méritos em que falamos acima, publicamos aqui dados valorativos que mostram muito bem quem é o nosso focalizado:

Dentre as inúmeras condecorações recebidas, destacamos as Medalhas e Diplomas no Grau de Comendador: Medalha SAN TIAGO DANTAS, Medalha do Mérito Tobias Barreto, Medalha dos Colonizadores da Província, Medalha do Mérito Cultural da Magistratura, Medalha da Associação dos Procuradores Federais do Rio de Janeiro, Medalha “Monsenhor Fernandes da Silveira”, outorgada pela Associação Sergipana de Imprensa (A.S.I.) maior condecoração da Entidade; Diploma de Honra ao Mérito da Sergipanidade, conferido pelo CIRLAP, Medalha de Grande Benemérito da Maçonaria, e “Medalha da Estrela e Distinção Maçônica do Grande Oriente do Brasil”.

Várias publicações na Revista “IN VERBIS”, da Magistratura Nacional, “Jus Jurídico e Migalhas”, Artigos sobre as raízes da Genealogia brasileira e sergipana, destacadas na Enciclopédia Wikipédia (ver Arquivo Nobiliárquico Brasileiro).

Autor de diversos Artigos publicados nos Jornais da ANPAF Associação Nacional dos Procuradores Federais em Brasília e da Entidade Mater do Rio de Janeiro, (APAFERJ) e no Jornal CINFORM onde foi destacado o Artigo “Interpretação Fidedigna da Sergipanidade” datado de 10/05/2010. Respeitado pesquisador e estudioso da matéria em todo o território brasileiro e além-fronteiras, descendente das doze famílias fidalgas do Brasil, trineto do Senador, Usineiro, Presidente da Província de Sergipe Del-Rey, o Barão de Estância, Antonio Dias Coelho e Mello, do qual descendem até os dias de hoje, os Governadores, Senadores, Deputados, componentes da Magistratura Federal e Estadual, pelos casamentos consanguíneos entre parentes há mais de duzentos anos.

No dia 17 de janeiro de 2017, às 19 horas, o nosso focalizado recebeu das mãos do Governador do Estado de Sergipe, e do Comandante Geral da Polícia Militar do Estado de Sergipe, em solenidade acontecida no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CEFAP) localizado no Bairro América nesta Capital, o Diploma e MEDALHA DO MÉRITO POLICIAL MILITAR, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à Corporação. Naquela oportunidade participaram 237 jovens praças promovidos à carreira superior.

O Procurador Federal GIVALDO ROSA DIAS, engrandece o seu Estado Natal e goza de destaque no cenário nacional, onde no seu campo de trabalho tem exercido cargos de relevância como Vice Presidente Nacional da Associação dos Procuradores Federais com sede em Brasília, reconduzido por duas vezes consecutivas, e é admirado perante os Tribunais Superiores pela sua desenvoltura e respeito aos preceitos democráticos.

Texto reproduzido do site: zerohorasergipe.wordpress.com

Odilon analisa novo livro do Desembargador Artur Déda

 O escritor Artur Oscar de Oliveira Déda autografa livro

Aqui com o saudoso ex-governador Marcelo Déda

Publicado originalmente no site do Jornal do Dia, em 22/07/2012 

Odilon analisa novo livro do Desembargador Artur Déda 

Por Odilon Cabral Machado *

Como não achar delicioso o texto "Sobre milagres"? Como não ficar feliz em sendo um torcedor derrotado do Club Sportivo Sergipe, saindo cabisbaixo e tristonho do estádio, em choro gerundial compulsivo, e ver que um milagre acontecera, e do pranto surgira o riso com o entorno universal alvirrubro, em euforia arrebentando: "... O pendão alvirrubro a vibrar..." , em pleno fervor como nem o poeta Freire Ribeiro o imaginaria em Troféus e archotes, e no próprio hino do "Bravo clube dos filhos do Norte"?

O título vem de José Roberto Torero [premiado autor de O Chalaça (Jabuti e Livro do ano 1995) e Pequenos Amores (Jabuti 2004) e dezenas de outros títulos] em seu texto publicado no Jornal do Dia desta quarta-feira 18 de Julho "O que é mais importante, o criador ou a criatura? Eu prefiro a criatura", responde Torero.

Não lhe interessa que o autor seja vesgo, tenha sido baleado por mira mal assestada, um sobrevivente do tsunami japonês ou um cover de Carmem Miranda. O seu interesse é a criatura, isto é, a produção literária ofertada ao leitor.

O questionamento do título deriva do diferente interesse manifestado pelas resenhas literárias.

No lugar da análise dos escritos, maximizam-se os feitos da pessoa física do autor, sua vida pregressa, posicionamentos políticos e ideológicos, valendo mais ou pior, se lutou pelas liberdades democráticas ou se aplaudiu a tortura, em pouca ou nenhuma vergonha, se foi seviciado na infância, se largou a pederastia por debalde experimentação na busca reversa do ponto G, se é flamenguista ou corintiano, se rebola no Salgueiro, na Vai-Vai ou nas Italianas, se é crente, descrente ou discordante, enfim, tudo o que pode ensejar a rejeição ou a propagação da obra.

Em tais sinopses o mais importante não é o recheio do texto, mas a cartilagem de seu invólucro; a orelha do livro.

Neste particular, Torero relata o feito de Laura Albert, uma ex-punk balzaquiana, se fazendo passar por JT LeRoy, ou Jeremiah "Terminater" LeRoy, "um jovem de quinze anos, ex-viciado em heroína, que teria sofrido abuso sexual na infância e se prostituído para viver".

E JT LeRoy é bom exemplo, porque a partir de seu viés curricular, Laura Albert virou best-seller, num sucesso tamanho que resolveu ir mais além fazendo o próprio LeRoy saltar da ficção para a realidade, por meio de um comparsa nunca acessível ao vivo e em cores, mas que via telefone, municiava entrevistas bombásticas pela imprensa, isso por dez anos, até que a falsificação foi descoberta e ambos, Le Roy e sua criadora, perdessem o estro, a criatividade, e a vendagem de novos títulos.

Algo parecido com David Nasser, o polêmico articulista de "O Cruzeiro" (Semanário de Assis Chateaubriand, e leitura imperdível da minha infância), que criou o folhetim "Giselle - A Espiã Nua Que Abalou Paris", relato da bailarina fictícia, Giselle Montfort, publicado como verídico no jornal Diário do Norte, em 56 capítulos, num tempo em que eu nascia, e que depois, reunidos em quatro livros de bolso pela Editora Monterrey ZZ7, virou leitura obrigatória pelos da minha adolescência, como se fora um relato testemunhal da ocupação nazista na França.

Só que David Nasser cansou de Giselle, matou-a por fuzilamento, vendeu os direitos autorais e a série foi continuada pelo escritor espanhol, Antônio Vera Ramírez, que a assina com o pseudônimo de Lou Carrigan, produzindo vários títulos com a personagem Brigitte (conjuminância de Giselle com o General Erwin Von Rommel, a raposa do deserto?), cuja saga possivelmente continua por sequência familiar, arrastando, certamente, muitos leitores.

Assim, como produto de marketing ou simplesmente má fé, Giselle Montfort e JT LeRoy renderam muitas vendas por biografia tão fantástica quão reais, para engano e deleite do ledor, a morder gato por lebre.

Diferente do escritor, afirma Torero no seu questionamento entre o escritor e o livro, "ninguém quer saber a biografia de um médico que nos opera, do marceneiro que faz nossa mesa, nem do professor que ensina nossos filhos (o que seria bem mais importante)".

E assim aconselha em fecho risível: "De qualquer forma, se você está escrevendo seu primeiro livro, aconselho gastar menos tempo com o texto e mais com sua autobiografia. Invente algo bem criativo. Diga que tem dois sexos, que é especialista em magia negra, que sua mãe assassinou seu pai e que foi amamentado por lobos. E, se der uma entrevista, não se esqueça de uivar no final".
Não é este o caso do livro "História de Vários Tempos", lançado pelo escritor Artur Oscar de Oliveira Deda nesta sexta-feira, 20 de julho, às 19 horas, no Museu da Gente Sergipana, antigo prédio do Atheneuzinho, situado na Avenida Ivo do Prado, nº 398.

Desembargador aposentado de alta e meritória atuação na magistratura sergipana, o autor é um velho formador de jovens, professor de várias gerações de advogados, desde a antiga Faculdade de Direito de Sergipe, a vetusta escola da Rua da Frente.

Poder-se-á dizer ainda que o autor é um simão-diense (ou anapolitano, por longa briga), filho do jornalista, escritor, político eloquente e folclorista luminoso, José de Carvalho Deda, autor de Brefaias e Burundangas (folclore sergipano), Formigas de Asas (romance), Simão Dias, Fragmentos de sua história (onde há três Simão Dias e só um deles verdadeiro), e sua senhora Dona Maria Oliveira Deda.

Ainda se poderá dizer que seu nome, Artur Oscar, e de um seu irmão, Carlos Eugênio, lembram passagem da Guerra de Canudos, de generais que pisaram o solo de Senhora Santana no combate à "Guarda Católica", do hoje santificado Bom Jesus Conselheiro.

Parando com a biografia do autor, antes tenho a declarar, que lhe tenho profunda admiração e ao seu irmão, o advogado Beto Deda, espécie de Cavaleiro Templário, fiel guardião zelador dos arquivos de "A Semana", jornal simão-diense que precisa ser digitalizado para constituir arquivo de nossa história.

Mas, em "História de Vários Tempos", é difícil sublinhar o melhor texto entre os oitenta listados por Artur Deda, Como não achar delicioso o texto "Sobre milagres"? Como não ficar feliz em sendo um torcedor derrotado do Club Sportivo Sergipe, saindo cabisbaixo e tristonho do estádio, em choro gerundial compulsivo, e ver que um milagre acontecera, e do pranto surgira o riso com o entorno universal alvirrubro, em euforia arrebentando: "... O pendão alvirrubro a vibrar..." , em pleno fervor como nem o poeta Freire Ribeiro o imaginaria em Troféus e archotes, e no próprio hino do "Bravo clube dos filhos do Norte"?

Que dizer das visitas à Cruz de Bela, e à santinha do Maruim, e do milagre realizado pelo autor "mordido pelo sentimentalismo pequeno burguês", no dizer de seu mestre Orlando Gomes, e sendo santo, terno e bom, tão milagreiro, quão taumaturgo, igual ao monge menor de Voltaire, exercendo milagraria em terra estranha, em São Paulo, na desvairada Paulicéia, até para confirmar e reafirmar, que é bem mais fácil ser profeta em terra alheia? Como esquecer também da folheira convocação para se comprovar vivo, comezinho e corriqueiro chamamento, de obrigação anual do indivíduo aposentado, peregrinando por repartições, onde não valem o verso e o canto de Roberto Carlos;  "Eu existo!... eu existo!... eu existo!..."?  Mas, que é preciso provar, estar vivo "sob as penas da lei"?  E que dizer da labiríntica procura por salas e corredores, como Teseu sem Ariadne e seu fio, na busca a fio do inexistente Departamento de Recursos Humanos, morto e enterrado sem lápide, só porque nas repartições públicas "existe a prática de abreviar tudo, inclusive os direitos e deveres?" Genial! Não?

E daí o DIDEV, ou o Departamento de Direitos e Deveres, para dar o atestado de vida?

E o que dizer da abalizada fundamentação jurídica, amparando-se no belga Picard, um homem de pensar controverso, refletindo sobre a arte e o direito, e o engajamento da própria arte, em rejeição ao hermetismo, como se fora "algo destinado apenas àquele que se acostumou a respirar o ar rarefeito das abstrações", ou como diria eu, por pior e rele inspiração, daquele que se quis melhor por abstração do mundo, recluso nos gabinetes acarpetados, com o ar tão frio quão vicioso, onde o espirro é filho do ácaro por oxigenação carente, excesso de pura sombra, sombrio no alvedrio, e em desbrio de pouca luz?

Como não exaltar a luminosidade do autor a esclarecer o Direito Autoral, em citando Tobias Barreto, como seu assumido inventor, com palavras que o sergipano de Escada não poderia escutar do italiano Bobbio, nem tão quanto de Clovis Beviláquia, o tobiático cearense, e pior nos nossos CD's e DVD's, inserindo-os remasterizados e compactados nas angústias do camelô, com direito ao cantar de Billy Blanco sem esquecer o "rasgo de gênio ou de meditação diuturna" do cantar dos passarinhos?

Ah! É preciso ler o livro de Artur Oscar, este seguidor de Montaigne, para quem a vida é cavalgar, é seguir, continuar, mesmo que em velhice tantos nos deprimam adotando-nos como tios. Um incômodo tratamento que os sobrinhos hoje elidem, por esquecimento ou desprezo, mas que bem mais perdem do que ganham.

E o que dizer do gerúndio, e da vingança final do Dr. Manjericão, enfrentando tantos "havendo, considerando, declarando e quejandos"? Desforra que prevaleceu solene e terminal, "vivendo e aprendendo", cassando até o Governador Arruda, seu propenso caçador letal?

Realmente, o livro de Artur Oscar é de uma delícia sem igual. Não é uma coletânea memorial de feitos julgados, teses inusitadas, pronúncias e sentenças referidas, algo bem comum ao vício do cachimbo, ou excessiva utilização de bengala.

Como bom discípulo de Montaigne, repetindo-o sem exaustão, o autor é homem de muitas viagens. Um viajor que enriquece, sobremodo, a sua passagem.

Dos feitos de outros, há sorriso e sensibilidade até na descrença do bom senso de muitos julgados, como aquele em que ao fio de uma desvendada Themis, a deusa da justiça e da equidade, intentou-se um labor jurígeno contra a passagem do tempo e a inexorabilidade da expulsória aposentadoria. Algo que bem tentaria desmentir Galileu, o Galilei, que pela boca de Bertolt Brecht gritara qual lei divina, por imutável e irrecorrível aos tolos: "A soma dos ângulos de um triângulo independe da vontade da cúria".  Mas, norteado pela indisfarçada incúria, com Themis mirando todos, requerentes e concedentes, intentava-se a pretensão de um congelamento temporal, um atemporal contratempo, imoral e pouco legal, de um pause nos ponteiros do relógio, fazendo-o estacionar para alguns, com o sol paralisado por Josué, na espera da trombeta que ensurdecendo todos, envelheceria e envileceria a nossa circunstância. E o magistrado escritor, mostrando que ouvira, mas não se encantara, com o desafino da sereia, parece sorrir em desconfio: "Mesmo aceitando,..  ser 'o tempo um canalha',... Fico entusiasmado quando novidades aparecem em favor dos veteranos da travessia terrena. Aliás, depois de aposentado tomei conhecimento de uma tese animadora afirmando que a completude dos setenta anos para o afastamento compulsório do serviço público não se daria automaticamente com a cifra depois do sete. A verificação da idade limite só aconteceria no dia derradeiro dos setenta. E houve quem mais se animasse, ainda: o dia derradeiro seria o último da sétima década. Mas o Tribunal apagou o fogo de palha, jogando água nos velhinhos persistentes".(grifo meu)

Persistências à parte, muita coisa eu teria a falar do livro de Artur Oscar de Oliveira Deda e suas viagens. As peripécias do Pimpinela Escarlate, do Durango Kid brasileiro, do Barão de Candeias, de Zaratrusta parindo Zoroastro sem sizo ou analgesia, de Gilberto Amado e nosso hino conciso, enquanto nó suíno ou górdio; do "áureo jucundo dia", a desfiar estudos de plágio, sem "contradictio in terminis de  julgamentos preconceituosos e judiciosos preconceitos".

E por que não lhe ressoar as histórias de cachorro, de pássaros, de gorjeios de netos, em palavras de esperança e desvelo, de quem faz milagre também, e que enriquece sobremodo a vida e o seu derredor, só com o próprio viver?

E assim volto à pergunta inicial de Torero. O que vale mais, o escritor ou o livro?
Como eu não sou crítico literário, não tenho que a isso responder. Ou ambos, se for instado a concluir.

Direi apenas, por melhor, que o livro-vida lançado por Artur Oscar de Oliveira Deda é uma delícia para os amantes da boa literatura. Recomendação que eu estendo, até para os que não gostam tanto de ler.

* Professor emérito da UFS

Texto e imagens reproduzidos do site: jornaldodiase.com.br

Morre o desembargador Artur Oscar de Oliveira Deda

Foto da Ascom/TER, reproduzida do site do Portal Infonet e postada aqui
pelo blog SERGIPE..., para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no site NE Notícias, em 30/06/2018

Morre o desembargador Artur Oscar de Oliveira Deda

Por NE NOTÍCIAS, da redação

Sergipe perde um de seus mais brilhantes magistrados.

Morreu na noite de ontem, 29, o desembargador Arthur Oscar de Oliveira Deda.

O corpo está sendo velado na Colina da Saudade, onde será sepultado às 16h.

Biografia

Artur Oscar de Oliveira Déda nasceu em Simão Dias (SE), a 2 de março de 1932,  filho de José Carvalho Déda e de D. Maria Acioly de Oliveira  Déda. Fez o curso ginasial no Colégio 2 de julho, até 1950 e o secundário no Colégio Estadual de Sergipe e Colégio Central da Bahia. Graduou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Sergipe, em 1958, da qual foi Professor da disciplina Direito Civil.

Funcionou com 3º Oficial de Secretaria da Assembléia Legislativa de Sergipe, no ano de 1955, assumindo, depois o cargo de Chefe dos Anais da Secretaria, da mesma Assembléia. Promotor Público substituto na comarca de Aquidabã, no ano de 1958 e Juiz de Direito das Comarcas de Riachão do Dantas (1961), Maruim (1964), Estância (1968) e finalmente da 3ª Vara Cível da Comarca de Aracaju.

Em 1974, fez curso de pós-graduação na Faculdade de Direito de Sergipe, com especialização em Direito Público e Direito Privado. Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, cuja posse ocorreu em 11 de junho de 1975, atuando depois como Corregedor Geral da Justiça (1977/79) e Presidente do Tribunal de Justiça (1979-1981).

No período de fevereiro a dezembro de 1981 foi autorizado pelo Tribunal de Justiça de Sergipe a cursar a Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro. Presidiu, também, o Tribunal Regional Eleitoral. Foi o primeiro Diretor da Escola Superior da Magistratura do Estado de Sergipe.

Jurista de alto mérito, com trabalhos publicados nas melhores revistas especializadas em Direito Civil publicou vários verbetes na Enciclopédia Saraiva de Direito. Tomou posse na Cadeira nº 28, da Academia Sergipana de Letras a 11 de agosto de 1982, sendo saudado pelo Acadêmico Luiz Carlos Fontes de Alencar. Integra o Conselho Editorial da Revista de Direito Civil de São Paulo e da Revista Ciência Jurídica.

Em 20 de fevereiro de 2002 aposentou-se do cargo de Desembargador do Tribunal de Justiça de Sergipe, permanecendo, porém, com a sua atividade cultural na produção de livros e poemas.

Texto reproduzido do site: nenoticias.com.br

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Morre o Procurador Federal Givaldo Rosa Dias

 Postagem de 28/06/2018 - reproduzida do Facebook/Aída Campos




Fotos reproduzidas do Facebook/Givaldo Rosa Dias

sábado, 23 de junho de 2018

ALESE homenageia o poeta João Sapateiro

 Foto reproduzida do site: youtube.com

Foto: Jadilson Simões

Texto publicado originalmente no site Expressão Sergipana, em 21 de junho de 2018

ALESE HOMENAGEIA POETA POPULAR JOÃO SAPATEIRO

De Redação

No dia em que João Sapateiro completaria 100 anos se estivesse vivo, a Assembleia Legislativa de Sergipe prestou uma bela homenagem ao poeta popular sergipano. A deputada estadual Ana Lula, autora da propositura que permitiu a outorga, entregou nas mãos do filho do poeta, Joselino Franco, a homenagem da ALESE.

Artesão negro em uma sociedade onde os papéis eram fixos e, normalmente, intransponíveis, João Sapateiro driblou o destino prosaico e a obscuridade com sensibilidade e versos. Conhecido por todos pela poesia, mas também por sua inteligência e ternura, como bom artista proletário, João Sapateiro mirava para além da paisagem, e registrava com sagacidade crítica as desigualdades sociais que marcaram seu tempo e permanecem presentes até hoje.

“Na sua oficina, onde ele tecia o couro e contribuía para o andar de cada um, ele também tecia a escrita, com expressões poéticas. A poesia não só lírica, mas a poesia que expressa a vivência e o sofrimento cotidiano do nosso povo”, destacou Ana Lúcia.

Após agradecer a homenagem, Joselino Franco, filho do homenageado que representava a família durante a solenidade, destacou que seu pai foi homem simples. “Meu pai passou pouco tempo na escola, precisamente seis meses. Como era de costume, os filhos mais velhos precisavam cuidar dos demais. Meu pai teve que deixar de estudar e partiu para as fazendas para trabalhar”, destacou sobre a infância de João Sapateiro.

“Laranjeiras é uma cidade felizarda, pois meu pai deixou um legado gigantesco para aquela cidade. Nós, que fazemos a família João Sapateiro, vamos lutar para que este legado se multiplique”, finalizou Joselino, apelando às autoridades presentes que priorizem a literatura enquanto expressão artística e cultural.

TEATRO E EXPOSIÇÃO

Durante a homenagem, a Companhia de Teatro da ALESE emocionou familiares, amigos admiradores de João Sapateiro presentes, com uma esquete que remontou parte da vida do homenageado, permeado por muita poesia lírica e de crítica social.

A entrega da honraria marcou ainda o lançamento da exposição “João Sapateiro, nosso poeta popular”, que conta um pouco mais da sua história e de sua arte. Realizada pelo mandato democrático e popular da deputada Ana Lúcia, a exposição conta com nove banners, que ficarão disponíveis para serem expostos em escolas e outros espaços públicos.

SOBRE JOÃO SAPATEIRO

Nascido em Riachuelo, foi na cidade de Laranjeiras que o artista ganhou notoriedade, ao expor em sua sapataria aberta ainda na década de 30, versos que retratavam com sensibilidade as belezas da cidade, mas também a profunda divisão social de seu tempo.

Nascido em Riachuelo no ano de 1918, primogênito de muitos irmãos, João Carlos Franco foi mais uma criança trabalhadora de engenho e depois engraxate nas ruas de Aracaju. Iniciou-se na arte da sapataria pelas mãos de seu pai, em uma oficina instalada… na Rua de Laranjeiras. Em 1938, transferiu-se para a cidade onde viveria até o final de seus dias, 50 anos deles morando na Rua da Alegria.

Ali tornou-se João Sapateiro, mas foi em função dos poemas, que escrevia com letras sempre maiúsculas, proporcionais aos seus quase dois metros de altura, que João se fez mais conhecido.  João Carlos Franco usava sua sapataria para mostrar a todos os versos que escrevia, sempre em folhas de cartolina e papel almaço que cobriam as paredes de adobe da oficina. Personagem obrigatório da memória cultural de Laranjeiras, querido e admirado por sua generosidade e por seus versos, ganhou lugar na história de Sergipe.

Texto reproduzido do site: expressaosergipana.com.br