quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Um atestado de gratidão a Antônio Carlos Franco

Foto: Arquivo JC

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 03 de outubro de 2018

"Éramos amigos"

Um atestado de gratidão a Antônio Carlos Franco

Por Thaís Bezerra 

"Já são 15 anos de uma gigante saudade! Como é difícil falar sobre o que ACF representou na minha vida profissional. As palavras não expressam a profundidade da minha gratidão. Foram 22 anos trabalhando junto com uma figura tão forte e inesquecível, que escrever sobre ele ainda me emociona... Gostaria de escrever algo marcante como ele o foi na minha vida, mas vou escrever com a gratidão de ter tido o privilégio de tê-lo como meu amigo. E como ele faz falta não só a mim, mas a todos nós do JC.

O coração dispara, os olhos ficam molhados, as lembranças bem vivas, levam-me àquele ano de 1981, quando fui chamada por ele para uma reunião no escritório da Usina Pinheiro. Fiquei ansiosa pelo encontro, pois eu iria conversar com aquele que era exemplo de caráter, de empresário competente, vitorioso e, além de tudo, de um charme irresistível. Sonhei um sonho impossível, e ele se tornou realidade. Fui convidada para trocar de jornal. A Gazetinha era um sucesso, e ele, com sua visão grande angular na comunicação, fez uma proposta irrecusável e eu fiz a minha estreia no Jornal da Cidade em grande estilo: um caderno só meu e com meu nome na capa. Foi a glória!!!

E aí começou uma longa caminhada... Vencemos inimigos invencíveis juntos – o colunismo tem os seus espinhos, os oportunistas, os chatos - e, graças aos seus ensinamentos, venci todos. E continuo vencendo com a leitura fiel dos meus leitores todos os domingos. Ele era exigente, correto, e a cada reunião de trabalho queria sempre mais. Que a cada domingo eu aumentasse o caderno, registrasse mais fatos, escrevesse mais notas, acompanhasse as gerações, criasse polêmica, falasse de tudo e de todos, mas sempre baseada na verdade. Se fosse uma nota picante, colocasse e desse sempre o molho necessário para a discussão. Ele me dava força e fôlego para continuar. Com total liberdade de escrever o que eu quisesse, sem censura. Ele me instigava a crescer e ampliar meu espaço como colunista. Nesse ponto entrava as notas políticas que ele reafirmava: “Thaïsinha, noticie todos os fatos políticos de todos os partidos”. Não media esforços para me ajudar, para galgar novos degraus na profissão com coragem e sem culpas. E nunca passou a mão na minha cabeça.

ACF não tinha idade para ser meu pai, mas agia como tal. Ensinou-me no colunismo a me fazer respeitar, a ganhar dinheiro valorizando o meu espaço fazendo a parte publicitária do Caderno TB. Aprendi a correr atrás, a criar cadernos especiais para faturar além do salário de jornalista e, graças ao seu apoio e incentivo, fui vencendo sempre, crescendo a cada ano com muito suor e dedicação, e bastante consciente do mundo em que vivo. Eu conquistei o meu espaço. Ele dizia que glamour e spothlights fazem apenas parte do cenário em que sou personagem, e queiram ou não fundamentais. Mas que o que é válido mesmo é o nosso conteúdo como pessoa. Ele sabia quem eu sou! A verdadeira “Thaïsinha gente boa”, como costumava falar. O resto é lenda...

A fortuna e o poder de vários amigos com quem eu convivo nunca me intimidaram a ser natural e a não me deslumbrar. Durante todos os anos de convívio fui grata a ACF pelos conselhos e ponderações na hora certa. Dicas preciosas de alguém que me queria bem. Íntegro, super família, que tinha na esposa, Tereza, e nos filhos, Albano, Marcos e Osvaldo, o seu eixo, a sintonia de vida. E que também sempre me deram carinho e atenção como ACF. Vivi e vivo com os pés no chão, com gratidão aos que me deram apoio. ACF sempre me permitiu falhar e renascer mais forte, mais audaciosa e menos agressiva. Afinal, em 22 nos de convivência, a gente abre o coração. Existiu até um pouco de ciúmes nos bastidores do JC, pois alguns baluartes do jornalismo achavam que eu era protegida por ele, que sempre me chamou carinhosamente de “Thaïsinha”. O que ouviam dele como resposta é que eu era profissional, responsável e trabalhadora.

Não foi à toa que, no ano 2000, ao igualar o JC aos grandes jornais do mundo inteiro em modernidade e tecnologia, para valorizar a sua equipe de trabalho, me convidou a fazer parte do Conselho de Redação do jornal e os demais membros à época, Luiz Eduardo Costa, Osmário Santos e Hugo Costa, com a presença de ACF, fui eleita a diretora deste Conselho, ao lado dos grandes. Que honra!

Portanto, quero deixar aqui o meu atestado de gratidão a ACF, pelo que sou hoje como profissional, recheado de carinho e saudade da sua figura ímpar, reconhecimento e admiração pelo chefe que ele foi. E porque não dizer, um prêmio que eu ganhei como jornalista ao ter ido trabalhar com ele no JC.

A ACF devo minha vitória financeira, o lugar ao sol no jornalismo sergipano, pois sem um grande órgão de comunicação para nos ancorar, é bastante difícil chegar onde cheguei, vitoriosa! E foi através de sua maneira dura e firme de valorizar o meu trabalho, que tudo tornou-se possível, porque em nossos sonhos nunca houve nada além de uma grande amizade e muito, muitíssimo respeito e admiração mútuas. Uma amizade tão especial como a nossa é um tesouro que se guarda no coração. E, mais uma vez, Antônio Carlos Franco, obrigada por tudo! Por você ter sido uma luz na minha vida de jornalista. E lá se vão 40 anos... Graças a Deus!"

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net/thais-bezerra

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Um filho da terra que fez nome em Paris

Horácio Hora

Publicado originalmente no blog Academia Literaria de Vida, em 16/09/2018 

Um filho da terra que fez nome em Paris

Por Shirley Rocha

Os grandes artistas quase sempre têm uma vida difícil, passam por períodos de altos e baixos, fases

em que o sucesso é visto a qualquer obra, outras por mais que trabalhem não obtêm o reconhecimento. Geralmente na terra natal não ganham fama, nem prestigio, que talvez só venha após sua morte. Vivem romances e paixões avassaladoras. Por algumas dessas coisas passou também o pintor sergipano, Horácio Hora, nascido em 17 de setembro de 1853, em Laranjeiras, município de Sergipe, falecido em 28 de fevereiro e enterrado no dia 1 de março de 1890, em Paris, ainda muito jovem com 37 anos. A notícia de sua morte foi publicada no jornal Gazeta de Sergipe, do dia 2 de abril de 1890, número 77.

Horácio Hora fez seus estudos primários em escola pública, mas se revelou aluno aplicado, mas sem ter conseguido aprender muita coisa, pois preferia viver esboçando desenhos no papel, nas pedras, nas paredes e nas calçadas de Laranjeiras, conquistando muita antipatia por parte dos moradores que encontravam seus muros com aqueles rabiscos e caricaturas. Era a veia artística predominando, evidenciando a sua natural inclinação para a pintura, mas que por falta de uma escola, de professores aptos, ficaria tolhida e entregue aos seus inúmeros ensaios. Assim, buscou o espirito aventureiro existente em nós todos e partiu para a Europa em junho de 1875, mediante a subvenção concedida pela Assembleia Legislativa, conseguida a muito custo e tempo de espera e pedido de amigos. A subvenção anual era de dois contos de réis, por espaço de três anos ele se via obrigado a “indenizar a Thesouraria Provincial depois que concluir os seus estudos, de toda a quantia que houver recebido” – documento assinado por Antônio dos Passos Miranda, presidente da Província de Sergipe, com data de 6 de maio de 1874.

Chegando a Paris, matriculou-se no mesmo ano na escola de Belas Artes, frequentando uma escola de município, de desenho e escultura dirigida pelo professor Justin Lequien, cujas lições lhe foram de grande utilidade, Já com oito meses de curso, recebeu o título de Aluno Modelo e o Primeiro Prêmio no Concurso Geral de todas as escolas de Paris. Passado mais de seis anos, com vários títulos pela experiência adquirida, “volta em junho de 1881 da culta Europa com o talento fortalecido na escola dos melhores mestres”.

Sergipe acolheu com orgulho o filho da terra, e sua mãe Maria Augusta Hora, que tinha lhe incentivado muito para a viagem, recebeu-o carinhosamente junto aos amigos, felizes com o sucesso alcançado lá fora do famoso amigo. Passados os primeiros dias de alegria já o espirito de Horácio demonstrava certa preocupação. Era a falta de dinheiro, motivo principal porque teria voltado ao Brasil. Julgava ele que aqui conseguiria o necessário para as sus despesas, mas nada, nenhum trabalho de grande vulto lhe fora confiado, nem por pessoas de prestigio e dinheiro. Assim, preparou-se para voltar a Paris, embora tivesse desejoso de ficar, depois de visitar parentes e amigos por municípios como em Estância, onde demorou-se pouco mais de um mês, na contemplação das paisagens que circundavam a cidade. Para não sair sem deixar uma lembrança de sua passagem, alguma coisa que servisse de referência aos amigos, abriu uma exposição dos seus quadros em benefício das irmãs de D. Domingos Quirino de Souza, um sergipano e conhecido bispo de Goiás. Daí segue para Laranjeiras, depois retorna à Estância.

EXPOSIÇÃO

Saindo de Estância ficou em Salvador, na capital baiana, onde foi recebido com manifestações de carinho e reconhecimento por seu talento. Convidado, monta uma exposição na Academia de Belas Artes com 43 quadros, obtendo um completo sucesso, sendo registrada em um só dia a presença de sete mil pessoas. Os professores da Academia, competentíssimos julgadores do seu mérito artístico, conferiram-lhe o diploma de “Membro Correspondente e Acadêmico de Mérito”. Era a prova de que santo só faz milagres fora de casa. A 16 de julho de 1834, parte para Europa e já em paris, conhece a prosperidade, graças ao apoio de amigos dedicados como Mr. Michaud, sempre à procura de uma novo trabalho à altura do grande artista.

Mas logo, Horácio apaixona-se por uma moça, tornando-se escravizado de maneira insensata; era aquela paixão que ataca aos românticos, que deixam a emoção tomar toda a razão. No desatino, prejudica sua carreira, todo seu futuro, porque submetia-se ao domínio tirano da amada, retirando-se do meio em que vivia, fugindo dos amigos e dos apreciadores de sua arte. Diante da miséria a que chegou, quando teve que vender tudo que possuía, até roupas, desesperançado correu à procura do amigo das horas boas e das horas más, Mr. Michaud. Mas pouco tempo lhe restava, e na hora da agonia mortal, voltou o pensamento para o Brasil, demonstrando a saudade pela terra onde nasceu. E “lamentou morrer longe da pátria nestas suas últimas palavras:  loin de mon pays”.

OBRAS

Pery e Cecy : o toque romântico do pintor

Muitos quadros que retratavam personalidades e que foram feitos na passagem de Horácio por Sergipe, já não se encontram neste Estado. Famílias mudaram-se para o Rio de Janeiro como a do aristocrata João José de Oliveira Leite que possuía o título de Barão de Timbó, levaram os quadros que hoje estão expostos no Museu Histórico Nacional.

A Virgem

Contudo registramos três verdadeiras obras de arte, de Horácio Hora: uma é seu símbolo de fé, está exposta na sacristia da Catedral Metropolitana de Aracaju, na Praça Fausto Cardoso – A Virgem, é uma cópia do quadro do pintor espanhol, Murillo, começada em Paris no ano 1877 e oferecida à igreja. Este quadro foi motivo de muitas críticas, por ser uma cópia, mas o pintor ficou emocionado e prestou de certa forma um culto à Santa Virgem e louvor ao Murillo. Outra é o quadro Pery e Cecy, feito em 1882 em Laranjeiras, inspirado pela leitura do romance O Guarany, considerado o melhor de todos os seus trabalhos feitos por aqui. Este quadro foi adquirido pela colônia sergipana, que vivia na Bahia em 1884. Atualmente, o quadro está no Museu de São Cristóvão juntamente com os desenhos, detalhes da telas muitos outros quadros que passaram para a tutela do governo sem mesmo a família saber. Outro quadro muito famoso é Miséria e Caridade, de 1884, que pertencia ao Hospital de Caridade da Sociedade de Amparo de Maria, de Estância e hoje exposto no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe com o título de Caridade, apenas.

Miséria e Caridade -" Quem dá aos pobres empresta a Deus"

RESTOS MORTAIS

Os restos mortais do pintor Horácio Hora voltaram para a sua terra natal após 101 anos de enterrado no Cemitério de Aubervilliera-Paris. A translação foi autorizada pelos descendentes residentes em Aracaju e a partir da determinação expressa do então governador Antônio Carlos Valadares, por ocasião do ano do Quarto Centenário da Conquista de Sergipe. Os restos mortais só chegaram aqui em 29 de julho de 1991 e durante solene reunião no Instituto Histórico de Sergipe, na presença do governador do Estado, João Alves Filho, da professora e diretora do Instituto, Maria Thétis Nunes, autoridades e intelectuais foi feita uma cerimônia de entrega “ que coloca sob a guarda temporária do Instituto até que a Prefeitura Municipal de Laranjeiras providencie uma herma para recebê-los naquela cidade, conforme os entendimentos mantidos com o prefeito Antônio Carlos Leite Franco, e pela então secretária Estadual de Cultura, Aglaé D’Avila Fontes de Alencar”.

No mesmo dia e mês de nascimento de Horácio Hora, no ano de 1992, os restos mortais foram entregues em praça pública de Laranjeiras, pelo secretário de Cultura em exercício, Neemias Araújo de Carvalho, representando o governador João Alves Filho, ao prefeito da cidade, Antônio Carlos Franco, para serem colocados no túmulo construído para aquela finalidade.
Hoje, Laranjeiras aplaude a iniciativa e orgulha-se de possuir um local, referência para homenagem ao grande pintor sergipano, que foi mais reconhecido e deixou maior número de obras em terras distantes, o nosso pintor, Horácio Hora.

Agradecemos ao Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (Atas), a Biblioteca Pública Epifânio Doria (Bio-Bibliográfico Sergipano Dr. Armindo Guaraná (pág. 120) e ao bisneto de Horácio Hora, Marcelo Hora de Araújo, que tornaram possível este breve comentário sobre o imortal pintor sergipano, patrono da cadeira n. 14 da Academia Sergipana de Letras. De Shirley Rocha, jornalista.

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Publicado no Jornal da Cidade de 17 de setembro de 1995, pág. 10.

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Em tempo:



Os quadros do casal Barão (João José de Oliveira Leite) 
e Baronesa do Timbó (Joaquina Ermelina da Costa) 
pintados por Horácio Hora que estão no 
Museu Histórico Nacional, centro do Rio de Janeiro. 


Fotos do álbum editado em 2003
Sesquicentenário de nascimento de Horácio Hora, 
pela Secretária de Estado da Cultura, 
sob comando de José Carlos Teixeira, 
com patrocínio da Petrobras, Banese e Energipe. 


Texto e imagens reproduzidos do blog: 
academialiterariadevida.blogspot.com/

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Homenagem a Orlando Dantas


Postagem de Paulo Roberto Dantas Brandão, na sua Linha do Tempo do Perfil Facebook, em 27/09/2018.

"Antiga Carteira de Identidade do meu avô Orlando Dantas que hoje faria 118 anos" (28/09/2018).

Imagem e legenda reproduzidas do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão.

Postagem original no link > encurtador.com.br/pBD05

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Até breve, Vieira Neto, por Ivan Valença

Alguns livros de autoria de Vieira Neto
Imagem reproduzida do site Infonet/Blog Cláudio Nunes

Texto publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 26 de setembro de 2018

Até breve, Vieira Neto

Por Ivan Valença

Quem nos deixou domingo último foi o jornalista Vieira Neto. Morreu na manhã de domingo, perto aos 72 anos, e sepultou-se à tarde no Cemitério São João Batista. Poucos amigos, a quase totalidade dos seus colegas de trabalho, foram avisados do infausto acontecimento. A coisa de dois anos, ele largou a coluna que escrevia no Jornal do Dia, e foi viver anonimamente no seu canto. Como ele gostava muito de Cinema, por algum tempo ele dedicou parte de sua coluna para biografar atores, atrizes e diretores dos cinemas americano e brasileiro. Era também um excelente diretor de teatro mas dirigiu poucas peças porque o movimento teatral na capital sergipana ainda era, e é, incipiente. Escreveu também vários livros. Um talento que não foi de todo aproveitado. Até mais ver, meu caro Vieira Neto.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs

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Texto e imagem publicados originalmente no site do Portal Infonet, em 27/09/2018

Do blog de Cláudio Nunes/Infonet

O titular deste espaço conheceu Vieira Neto quando trabalhava no então Jornal da Manhã, cujo diretor era Célio Nunes. Vieira um intelectual de poucas palavras, mas de posições firmes, principalmente na área cultural. Deixou 16 livros publicados. Mais um grande nome de Sergipe que não foi valorizado em vida.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/blogs

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Escritor, jornalista, teatrólogo e ator Vieira Neto

José Vieira Neto (1946 -2018)

Vieira Neto - Escritor, jornalista, crítico de arte e principalmente, um homem de teatro. Nascido na cidade de Estancia, em 19 de abril de 1946. Trabalhou na Linha de shows da Globo, morou muito tempo em Salvador, produzindo teatro. Em Aracaju, trabalhou em quase todos os veículos de comunicação e criou junto com a atriz Walmir Sandes, o Grupo Opinião de Espetáculos, responsável por muitos sucessos da história do Teatro Sergipano. Tem quase 20 livros publicados, entre os quais "Alô Aracaju, aquele abraço", "Um garoto Estanciano", "Choque". "Tancredo, espírito e vida" e "Teatro quase Integral. (Jorge Lins de Carvalho).

Texto e imagem reproduzidos do Portal educar-se.

José Vieira Neto (1946 - 2018) ao lado de Rangel Alves da Costa

> "VIEIRA NETO, O ADEUS DO AMIGO - Somente hoje (através de uma postagem de Ledinaldo Almeidha) fiquei sabendo da morte, no último domingo, do grande jornalista, escritor, teatrólogo e ator, o sergipano Vieira Neto. Na foto abaixo, durante a pré-estreia do filme “Aos Ventos que Virão”, de Hermano Penna, no Cine Vitória da Rua 24 Horas, no qual participou como ator. Pessoa doce, agradável, de suma inteligência, com uma espiritualidade que aflorava em cada palavra. Que Deus o tenha, amigo!" (Rangel Alves da Costa).  

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Rangel Alves da Costa.

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Depoimentos (comentários) em postagens no Facebook: Amigos, intelectuais e jornalistas, surpresos com a partida repentina de Vieira Neto.

> "O grande jornalista e escritor Vieira Neto, morreu no último domingo. O corpo dele foi enterrado no mesmo dia no cemitério São João Batista. DEUS receba o colega jornalista e escritor com todo AMOR". (Ledinaldo Almeidha). encurtador.com.br/oRW46

> "Eu moro perto da casa dele. Passou mal na madrugada de domingo. Foi levado ao hospital, mas já chegou morto. Eu falava com Vieira quase todos os dias. A última delas aconteceu na sexta-feira pela manhã. Falou que estava cansado. Sempre ele estava caminhando com o seu inseparável cachorro. Era de pouca conversa, mas muito sincero. Eu soube ontem pela manhã. Fui informado por um vizinho dele. O corpo foi velado no Osaf, e enterrado no domingo às 16h no cemitério São João Batista". (Avelar Mattos)

> "Estou sabendo agora...uma perda inestimável para a Cultura Sergipana. Vieira Neto escreveu vários textos de teatro, foi Diretor de vários espetáculos premiados e manteve durante muitos anos, uma coluna diária nos jornais da cidade, direcionada inteiramente à produção artística..." (Jorge Lins).

> "Não sabia !!! Meu primeiro diretor de teatro. Fiz com ele "Morre um Gato na China" ao lado de Arquimedes e Valéria Toscano. Descanse em paz amigo! Deus o receba no Reino da Glória". (Gladston Santos).

Textos reproduzidos de comentários em post no Facebook/Carlos França https://bit.ly/2DCG4jE

domingo, 23 de setembro de 2018

Tobias Barreto e o exercício da autocrítica


Publicado originalmente no site Observatório da Imprensa, em 14/11/2017 

Memória - Um Intelectual Sergipano 

Tobias Barreto e o exercício da autocrítica

Por Gilfrancisco Santos 

Servindo-se de uma passagem do texto de Tobias Barreto, Política da Escada¹ (1875), Astrojildo Pereira, mesmo sabendo que Tobias não era marxista, percebeu a importância do Partido ao fazer a crítica e autocrítica, com o objetivo de se corrigir, no entanto o Partido Liberal não seguiu os conselhos de Tobias Barreto:

Tobias Barreto de Meneses (1839-1889) foi um filósofo, poeta, crítico e jurista brasileiro.

“Só os partidos realmente progressistas revolucionários, ligados às massas populares possuem essa coragem de reconhecer e analisar publicamente os próprios erros. São partidos que representam o “novo” em ascensão e necessitam obviamente de depurar-se do “velho” que persiste em sua ideologia sua orientação e seu comportamento perante as massas”.²

Em 1877 Tobias Barreto pronunciou na fundação do Club Popular, de Escada, por ele organizado Um Discurso de mangas de Camisa, onde, como bom observador da realidade, ousou uma clara linguagem de luta de classe: “É certo que a nossa população se acha dividida não somente em classes, mas até em castas. E não só em castas sociais, como também em castas políticas, quais são sem dúvida os dois partidos que se disputam no poder, dos quais o domínio de um é equivalente à perseguição do outro, modificada apenas pela infâmia dos renegados e dos trânsfugas”.³

A verdade é que os intelectuais brasileiros da época ignoravam Marx, ou então tinham dele uma visão superficial e preconceituosa. Rui Barbosa (1849-1923) político brasileiro citou-o em 1884 incluindo-o erroneamente ao lado de Proudhon, Saint-Simon e Henry George. Outro intelectual cearense Clóvis Bevilacqua (1859-1944) equipara a posição de Karl Marx à do socialista alemão de Ferdinand Lassalle (1825-1864), que foi profundamente influenciado por Hegel. Em 1894 outro sergipano lagartense Silvio Romero (1851-1914), pensador, crítico, ensaísta e primeiro historiador sistemático da literatura brasileira, notável a sua contribuição no campo da historiografia literária, que, a partir dele, passou a influenciar novos métodos de análise crítica com base, sobretudo no levantamento sociológico, acusava a Internacional de Marx, de hesitar “entre o utopismo e o despotismo”, provavelmente não dominava a matéria, pois Marx morre em 1883, ou seja, onze anos antes.

Vejamos o artigo Lenin e Tobias Barreto de Astrojildo Pereira publicado na Folha Popular, Ano III, nº 109, 1956:

Está evidenciado que o culto à personalidade resulta, teoricamente, de falsas concepções sobre o papel do indivíduo na história. Mas resulta ao mesmo tempo, de concepções igualmente falsas sobre a natureza, a composição e o comportamento dos partidos marxistas. E quando verificamos que semelhantes concepções de todo em todo estranha ao marxismo não só permaneceram como ainda se desenvolveram, durante anos e anos no movimento comunista mundial, é que podemos avaliar em toda sua plenitude como de velhas concepções ideológicas dentro de cada um de nós, mesmos daqueles impregnados de nova ideologia revolucionária.

Compreendendo isto claramente é que chegamos também em profundidade a importância fundamental da crítica da autocrítica. O princípio da crítica e autocrítica, que Lenin, definiu exatidão, impõe-se cada vez mais aguadamente como um princípio vital para o desenvolvimento dos partidos comunistas e operários, como um método permanente de depuração e revitalização ideológica, e por conseguinte como condição elementar para o fortalecimento dos partidos.

Mediante o exercício in dormindo da crítica e autocrítica, partindo sempre de concepções ideológicas e posição de princípio definidas, é que os partidos de vanguarda podem elaborar e aplicar com vantagem uma linha política, devidamente ajustada à variabilidade das condições concretas existentes. E só assim os partidos que reclamam o apoio das massas podem merecer a confiança destas massas, que amam acima de tudo a verdade simples, pura, luminosa.

Ocorre-me, a esta altura, certa passagem de um velho artigo de Tobias Barreto sobre o problema político da crítica e autocrítica. De Tobias Barreto em pessoa, lá pelo ano da graça de 1875. O publicista sergipano não empregava, na passagem a que me refiro as palavras “crítica” e “autocrítica” mas dizia a mesma coisa por outras palavras. Eis aqui:

“As classes, os partidos de qualquer ordem são como os indivíduos: desde que não fazem eles mesmos o seu exame de consciência, não reconhecem se dispõem a mudar de rumo, de norma de conduta, é baldado todo o esforço que por ventura se empregue para dirigi-los pela reta senda. Enquanto pois o liberalismo não confessar-se tocado de inúmeros vícios, e refletindo sobre eles, não tomar de modo emendar-se nada será conseguido” (Política da Escada, artigo de fundo publicado na Comarca da Escada em 1875).

Tobias, pensador arguto, espírito aberto ao novo, já compreendia perfeitamente em seu tempo, que o “exame da consciência” ou seja a crítica e autocrítica, e indispensável a um partido político que pretende trilhar a reta ainda e que, reconhecendo os próprios vícios, examina-os em público com a determinação de emendar-se. O partido liberal, a que se filiava o articulista, não seguiu os seus conselhos, não fez nenhum exame de consciência, e essa, uma das razões porque se degradaria de mais em mais perante a opinião pública, a ponto de pouco se diferenciar do partido conservador rival, ambos mergulhados no mesmo charco, e juntos perecendo sob os escombros da monarquia.

Aliás, só os partidos realmente progressistas revolucionários, ligados as massas populares possuem essa coragem de reconhecer e analisar publicamente os próprios erros. São partidos que representam o “novo” em ascensão e necessitam obviamente de depurar-se do “velho” que persiste em sua ideologia sua orientação e seu comportamento perante só os partidos operários comunistas e socialistas se enquadram nessa categoria.

Quanto à observação de Tobias Barreto, devemos salientar o fato de possuirmos na história política brasileira, um publicista pensador eminente que no passado soube levantar, em termos tão claros e justos, o problema político da crítica e autocrítica. O nosso Partido, que pretende representar, hoje, o que há de mais progressista nas aspirações do povo brasileiro e que assim mesmo não vem fazer em público o seu “exame de consciência”, retoma a palavra de Tobias e resolver na prática, ousadamente, o problema de ética partidária que o famoso polemista colocou no debate da política nacional, há mais de 80 anos, suponho que pela primeira vez em nossa história.

Buscando estabelecer uma possível relação entre a teoria leninista da crítica e autocrítica o pensamento expresso pelo publicista brasileiro sobre o mesmo problema, sou levado a considerar outro aspecto da questão — o de saber se há ou se pode haver alguma forma brasileira de exercício da crítica e autocrítica.

Examinaremos o assunto na próxima vez.

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Gil Francisco é jornalista, pesquisador e professor universitário.

Notas:

1. Crítica Política e Social, Tobias Barreto (Obras completas), org. Luiz Antonio Barreto. Aracaju, Editora Diário Oficial. Rio de Janeiro, Solomon Editores, 2013.

2. Folha Popular. Aracaju, 1º de dezembro, Ano II, n° 109, 1956.

3. Crítica Política e Social, Tobias Barreto (Obras Completas), org. Luiz Antonio Barreto. Aracaju, Editora Diário Oficial. Rio de Janeiro. Solomon Editores, 2013.

Texto e imagem reproduzidos do site: observatoriodaimprensa.com.br

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Almir do Picolé relembra dores e agradece a honraria na Alese

Foto: Jadilson Simões

Publicado originalmente no site da ALESE, em 21 de agosto de 2018

Almir do Picolé relembra dores e agradece a honraria na Alese

Por Aldaci de Souza – Rede Alese

Abandonado pelos pais aos quatro anos de idade, Almir Almeida Paixão, 48, sabe de perto o que é sobreviver da boa vontade e passar por cima dos obstáculos nas ruas de Aracaju. Conhecido como Almir do Picolé (era vendedor), as dores e marcas da infância o fizeram correr atrás de um sonho: construir uma creche para que dezenas de crianças e adolescentes não passem as amarguras que ele sofreu juntamente com sua irmã.

Desejo realizado, Almir não consegue deixar as ruas e é nos semáforos que ele pede ajuda para levar seu projeto adiante. Em meio às dificuldades, uma alegria: no próximo dia 23 de agosto, o presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe, deputado Luciano Bispo (MDB), lhe entregará a Medalha do Mérito Parlamentar, a maior honraria da Alese. “Já escolhi o terno, estou me sentindo importante. Vai ser aqui no mesmo lugar que os deputados ficam?”, indaga com toda a simplicidade que lhe é característica.

Quem contribui para a Creche Almir do Picolé nos semáforos da capital sergipana não sai de mãos limpas. Recebe um texto contando a história da entidade localizada em Nossa Senhora do Socorro e uma canetinha. Quem não doa nada, pode levar os brindes sem problema. Como bem diz Almir do Picolé, o importante é que a população conheça o seu trabalho intenso para que não falte alimentação, saúde e educação aos

“Eu tive uma vida de infância sofrida, fui garoto de rua e dormi muito na rodoviária velha, inclusive na rua de Arauá, tem uma casa recuada, que eu pedia todo dia comida e a finada d. Noêmia Almeida me dava. Ela me ajudou muito. Eu e minha irmã sofremos muito, mas ela também conseguiu superar, casou, tem cinco filhos e todos estão se formando. Eu estudei até a terceira série porque tenho problemas visuais”, conta.

Abandono

Difícil é saber que foi abandonado pelos pais com quatro anos, a irmã com apenas dois e perdoar. Mas para Almir do Picolé difícil mesmo é não ter como proporcionar dias melhores aos seus filhos naturais e adotivos. “A gente foi abandonado muito pequeno e minha irmã não quer perdoar minha mãe, mas eu já perdoei. Minha mãe mora em São Paulo e meu pai já faleceu. Ela pegou um ônibus cinco horas da manhã para ir para São Paulo trabalhar e deixou a gente na rodoviária confiando que os parentes de Lagarto viessem buscar. Ela não fez por maldade. Já fui me encontrar com ela em São Paulo e perdoei. Morei em orfanatos, mas voltava pras ruas pra vender picolé. Tenho uma gratidão grande a d. Ildete Falcão Batista que me tirou das ruas e me colocou no Instituto Lourival Fontes. Mandou o motorista Seu Candinho me pegar na Kombi, nas proximidades da rodoviária velha e dizia que eu era um menino bom; me tratava como filho”, relembra sem conseguir conter as lágrimas.

Trabalho Social

O sonho começou a se transformar em realidade no ano de 2003, com dez crianças de meses até cinco anos de idade.

“Agora eu tenho 93 meninos e meninas que se alimentam e estudam. Além da creche eu dou assistência funeral às pessoas carentes, dou remédios e faço outros trabalhos sociais. Tenho um trabalho fantástico dentro da rodoviária nova com as pessoas desabrigadas; fico nos semáforos e tenho o sistema de telemark, em que as pessoas podem ajudar pelos telefones (79) 3248-1413 e (79) 3254-7644, além de contas bancárias nas agências do Banese, da Caixa Econômica e Banco do Brasil”, diz.

Na Creche Almir do Picolé, as atividades são desenvolvidas por ele, a esposa, a filha de 17 anos e o filho de 14 anos, além 27 funcionários. “São 27 pais de famílias registrados para recolher INSS e FGTS todo mês. Tenho 28 anos de trabalho social e agora está chegando o Dia das Crianças, onde vai ter o palco e o som em frente à creche para a diversão das crianças”, afirma lembrando que na creche, as crianças chegam antes das sete horas da manhã, recebem três refeições e participam de atividades pedagógicas até às 17h quando as mães retornam.

Homenagem

Sobre a homenagem que receberá da Assembleia Legislativa de Sergipe, Almir do Picolé disse ter ficado muito feliz quando foi informado.

“Essa homenagem que o deputado Luciano Bispo junto com os outros deputados vão fazer pra mim é o reconhecimento do meu trabalho. Eu já recebi quase 50 prêmios, já apareci no Fantástico e no programa de Luciano Huck. Isso me dá mais responsabilidade com as minhas responsabilidades no que eu faço para manter os salários dos meus funcionários em dia e ajudar as crianças com as doações que recebo não só nas ruas, mas de vários órgãos públicos e empresas particulares. A gente recebe doação do mais humilde até os empresários, a imprensa, o Poder Judiciário. É uma honra receber essa homenagem dia 23, vou chegar de terno aqui e estou convidando um monte de amigos, estou dando entrevistas nas rádios”, comemora...

Texto e imagem reproduzidos do site: al.se.leg.br

Nome de Maria Beatriz será gravado em Comenda Cultural

Foto: Google - Arquivo Nacional

Publicado originalmente no site do Portal da ALESE, em 03 de setembro de 2018

Nome de Maria Beatriz será gravado em Comenda Cultural

Por Stephanie Macêdo – Rede Alese

A sergipana Maria Beatriz Nascimento terá seu nome gravado em Comenda Cultura que foi  aprovada por unanimidade pela Casa Legislativa de Sergipe. A comenda foi proposta pela deputada petista, Ana Lula, por meio de Projeto de Resolução de nº 38/2018, que fora aprovado durante votação de Projetos de Lei no último dia 28 de agosto.

Intelectual, pesquisadora e ativista, Beatriz Nascimento nasceu em Aracaju, em 12 de julho de 1942, filha da dona de casa Rubina Pereira do Nascimento e do pedreiro Francisco Xavier do Nascimento. Ela e seus dez irmãos migraram com a família para o Rio de Janeiro na década de 1950. Com 28 anos iniciou o curso de graduação em História, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), formando-se em 1971. Durante a graduação fez estágio no Arquivo Nacional com o historiador José Honório Rodrigues.

Para a deputada Ana Lula, “Beatriz era uma grande teórica e pesquisadora da histórica do negro no Brasil na ótica da pesquisa dos quilombos. “Comenda terá o nome de Maria Beatriz  para homenagear  e  fazer referência às pessoas que promovem e trabalham para a cultura no Estado. Ela tem cerca de 10 livros publicados,e  em Aracaju,  tem seu nome dado na ocupação do Japãozinho”, explica Ana Lúla.

Além da militância intelectual, Beatriz era poetisa. Sua poesia traz à cena a experiência de ser mulher negra. Essa sensibilidade se traduziu em toda sua escrita. Estava fazendo mestrado em comunicação social, na UFRJ, sob orientação de Muniz Sodré, quando sua trajetória foi interrompida. Beatriz foi assassinada ao defender uma amiga de seu companheiro violento, deixando uma filha.  Faleceu em 28 de janeiro de 1995 no Rio de Janeiro.

História de Vida

Formada, passaria a trabalhar como professora de História da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro, articulando ensino e pesquisa. Nessa mesma época, passaria a exercer sua militância intelectual através de temáticas e objetos ligados à história e à cultura negras. Esteve à frente da criação do Grupo de Trabalho André Rebouças, em 1974, na Universidade Federal Fluminense (UFF), compartilhando com estudantes negros universitários do Rio e de São Paulo a discussão da temática racial na academia e na educação em geral. Exemplo dessa militância intelectual foi a sua participação como conferencista na Quinzena do Negro, realizada na USP, em 1977, evento que se configurou como importante encontro de pesquisadores negros.

Concluiu a Pós-graduação lato sensu em História, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em 1981, com a pesquisa “Sistemas alternativos organizados pelos negros: dos quilombos às favelas”, mas seu trabalho mais conhecido e de maior circulação foi o filme Ori (1989, 131 mim), de sua autoria, dirigido pela socióloga e cineasta Raquel Gerber. O filme, narrado pela própria Beatriz, apresenta sua trajetória pessoal como forma de abordar a comunidade negra em sua relação com o tempo, o espaço e a ancestralidade, emblematicamente representados na ideia de quilombo.

Beatriz Nascimento, ao longo de vinte anos, tornou-se estudiosa das temáticas relacionadas ao racismo e aos quilombos, abordando a correlação entre corporeidade negra e espaço com as experiências diaspórias dos africanos e descendentes em terras brasileiras, por meio das noções de “transmigração” e “transacionalidade”. Seus artigos foram publicados em periódicos como Revista de Cultura Vozes, Estudos Afro-Asiáticos e Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, além de inúmeros artigos e entrevistas a jornais e revistas de grande circulação nacional, a exemplo do suplemento Folhetim da Folha de S. Paulo, Isto é, jornal Maioria Falante, Última Hora e a revista Manchete.

Com informações do site; antigo, acordacultura

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terça-feira, 18 de setembro de 2018

Maria Ruth Wynne Cardoso, conhecida por Tia Ruth (1930 - 2018)


Publicado originalmente pelo blog Contexto Reporter A, em 7 de junho de 2011

Campanha pelo Hospital do Câncer em Sergipe é nova batalha da criadora da Avosos

Por Ilton Bispo

Maria Ruth Wynne Cardoso, hoje mais conhecida por Tia Ruth, nasceu em 1930, em Aracaju. De família simples, aprendeu com seus pais, Eduardo e Débora Wynne Cardoso, o sentido da vida. Dona de um sorriso meigo e de um olhar penetrante que cativa qualquer um, principalmente pela sua humildade, tem a força da mulher brasileira e as mãos sempre prontas para servir.

A luta de Tia Ruth na oncologia teve início com as visitas diárias que realizava aos pacientes internados no Hospital Cirurgia, levada pelo compromisso de servir ao próximo. Nestas visitas ela percebeu a carência tanto de recursos hospitalares, quanto de apoio humano. Doceira de mão cheia foi através de um simples bolo que começou seus primeiros contatos junto aos pacientes. Com o trabalho voluntário de distribuir seus bolos, Tia Ruth foi ganhando a confiança dessas pessoas que já notavam algo diferente naquela senhora, pois quando algum paciente não podia mastigar, ela molhava o bolo em um suco e oferecia, com a mesma calma e sorriso de sempre. Levada pela necessidade, além do bolo, Tia Ruth começou a distribuir lanches, agasalhos e palavras de conforto.

Em um gesto de bondade, abriu as portas da sua própria casa para acolher pacientes que ficavam nas calçadas do hospital, alguns chegavam a pernoitar à espera de um leito, ou até mesmo de uma sessão de quimioterapia: avia ainda os que recebiam alta, mas não tinham para onde ir. Até o transporte chegar; muitas dessas pessoas acabavam se instalando na casa de Tia Ruth. Depois de alguém tempo, sua casa passou a ser frequentada pelos pacientes que vinham do interior de Sergipe e dos estados da Bahia e de Alagoas. Ela repartia seu alimento com seus hóspedes e quando acabava, o que era comum, saia pedindo aos vizinhos. Assim mesmo, sem saber, estava transformando sua casa em casa de apoio, funcionando informalmente, que ela mesma chamava de “A casa do Caminho”.

Essa aracajuana de 81 anos, mãe de três filhos, sensibilizou outras pessoas que se uniram a ela na luta pelos pacientes portadores de câncer. O grupo de voluntários cresceu e passou a ter reconhecimento junto à comunidade, recebendo doações e mantimentos. Houve então a necessidade de maior organização no trabalho e em 24 de julho de 1987, foi fundada legalmente a Associação dos Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe (Avosos), instituição filantrópica e sem fins lucrativos. No ano seguinte, foi instalada a primeira sede oficial da Avosos.

Tia Ruth optou pelos pacientes de câncer pela carência e a descriminação que existia tempos atrás. Na época nem a palavra “câncer” podia ser pronunciada. Alguns enfermos chegavam a ser renegados pela própria família, o que a tocava muito e a motivava cada vez mais. Para diminuir a distância entre os pacientes e seus familiares, ela passava horas escrevendo cartas, pois a maioria deles não sabia ler nem escrever. Eram pequenos gestos que significavam muito para eles.


Ao longo dos anos, Sergipe não desenvolveu uma política de tratamento do câncer e por isso não possui um hospital específico para o tratamento do câncer. O estado tem apenas dois centros de oncologia que funcionam em hospitais da capital, mas os serviços não são ofertados satisfatoriamente. O HUSE - (Hospital de Urgências de Sergipe) possui apenas dois aparelhos de radioterapia, quando na verdade são necessário mais dois. Cada aparelho comporta somente 75 procedimentos por dia, mas atualmente faz mais de 110 e durante todos os dias da semana. A consequência disso é a quebra constante do aparelho prejudicando todo o procedimento terapêutico nos pacientes, piorando uma doença que já é grave.

E em virtude das deficiências do HUSE, a Avosos sofreu a perda de muitas crianças e adolescentes, fato triste que marcou profundamente a vida de Tia Ruth e fez com que a instituição implementasse em suas campanhas a compra de medicamentos oncológicos para suprir a deficiência hospitalar. Em 1992 nasceu a Casa de Apoio à Criança com Câncer Tia Ruth, que faz parte do Avosos e contribui para suprir as limitações do HUSE, realizando o tratamento de câncer em nível ambulatorial através de convênios.

Os números de pacientes com câncer em Sergipe são altos. Segundo o especialista Dr Petrônio Gomes, para 2011 são estimados mais de 4 mil novos casos de câncer dos quais mais de 1.600 em homens e 2.000 em mulheres. O câncer de próstata será o mais devastador, atingindo mais de 520 casos e os de mama e de colo de útero atingirão mais de 600 mulheres. Desses casos, 50% necessitarão de radioterapia, cirurgia oncológica e quimioterapia. Sem falar nas crianças e nos adolescentes, que não estão inclusos nessa estatística. A cada o sofrimento e a mortalidade dos pacientes aumenta no HUSE e fora dele. São crianças, adolescentes e adultos que necessitam não só de meios médicos, mas também de um ombro amigo e de uma palavra de conforto.

É nesse cenário que Tia Ruth surge mais uma vez, realizando suas tradicionais visitas, levando lanches, cuja distribuição se tornou sua marca registrada. Ela não se cansa de ser voluntária e de se doar, pois acredita que o trabalho voluntário é uma das formas mais generosas de contribuir para um mundo melhor, mais justo e sem disparidades. É difícil encontrar alguém, pelos corredores dos hospitais, que não fale da sua luta. Todos a admiram pela coragem, força de vontade e generosidade. Tinha Ruth é o exemplo que todos querem seguir.

Foi em virtude da importância e necessidade de se obter um hospital especializado para tratar pacientes que sofrem com o câncer que o senador Eduardo Amorim (PSC) lançou, neste ano, uma campanha para construção de um hospital do câncer em Sergipe. A sociedade sergipana está se mobilizando para conseguir, através de abaixo-assinado, as assinaturas necessárias para mostrar ao governo federal a necessidade de enviar os recursos para a construção do hospital.
  
Essa construção é esperada com muita expectativa por Tia Ruth, que acredita e torce por essa campanha. Ainda assim ela prefere manter os pés no chão, pois, segundo ela, já houve outras iniciativas semelhantes que, apesar de serem louváveis, não se concretizaram, por algum motivo. Enquanto o sonho de Tia Ruth não se realiza, a Avosos vai realizando sua missão junto aos pacientes. Criando e articulando soluções de forma integral para a melhoria do tratamento e da qualidade de vida de crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas crônicas.

Hoje Tia Ruth é presidente da ONG que se transformou no Complexo Avosos, formado por duas unidades, a Casa de Apoio à Criança com Câncer Tia Ruth e o Centro de Oncologia Dr. José Geraldo Dantas Bezerra. Atualmente mais de 350 crianças e adolescentes com câncer e hemopatias são assistidas pela Avosos. As atividades da instituição são elaboradas visando elevar a qualidade de vida dos assistidos e de seus familiares.
  

Todos dizem que o xodó de Tia Ruth é sua filha biológica e especial, conhecida como “Jéjé,” que se tornou especial devido à demora da realização do parto. Extremamente religiosa, não desanimou e acreditou que tudo poderia ser superado pela força da oração. Cuidar de sua filha, segundo ela, é uma aprendizagem mesmo em meio às limitações. Um dos medos de Tia Ruth é morrer e ter que deixar sua filha, por isso desde já começa a se disciplinar. Como todo brasileiro, gosta de música a predileta de Tia Ruth é o Hino da Avosos, música de melodia doce que toca profundamente o seu coração. Mas o que ela realmente gosta de fazer é ser voluntária. Em 2005 foi condecorada em Brasília, com a medalha do “Mérito Legislativo Câmara dos Deputados”, pelos serviços prestados a sociedade sergipana e ao Brasil através da Avosos, conquistas como esta são atribuídas por ela a Deus.

A campanha para o hospital do câncer em Sergipe tem apoio de Tia Ruth, e está a todo vapor, as assinaturas com abaixo assinado em apoio à construção do Hospital do Câncer de Sergipe será entregue ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ainda este mês em Brasília/DF. As pessoas que se identificam com a causa da Tia Ruth podem procurar a instituição, para realizar um cadastro de voluntário, qualquer pessoa pode ajudar, basta se dirigir a sede da Avosos onde Tia Ruth e o seu grupo lutam, até hoje, para provar que o “amor cura.”

Endereço da Avosos - Rua Leonel Curvelo, 55, bairro Suissa

Créditos fotográficos: atalaiaagora.com. br, portal da saúde, emsergipe.com

Texto e imagens reproduzidos do blog: contextoreportera.blogspot.com

Fernando Lins de Carvalho (1948 - 2018)

Foto reproduzida do Google e postada pelo blog

Intelectuais sergipanos lamentam morte de Fernando Lins de Carvalho.

De post no Facebook/Jorge Nascimento Carvalho, em 15 de setembro de 2018

“Triste com a notícia da morte do amigo professor Fernando Lins de Carvalho. Fernando Lins foi Presidente da Fundesc e Secretário de Educação do Município de Aracaju. Possui especialização em Estudos Brasileiros pela Universidade Presbiteriana Mackenzie(1981) e mestrado em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe(2004). Era professor titular aposentado da Universidade Federal de Sergipe e professor da Faculdade de Administração e Negócios de Sergipe. Duas pesquisas e publicações foram sempre voltadas para a área de Antropologia, com ênfase em Antropologia Cultural” (Jorge Carvalho do Nascimento). 

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De post no Facebook/Amaral Cavalcante, em 15 de setembro de 2018

“Foi-se o professor Fernando Lins de Carvalho, uma Inteligência privilegiada, intelectual operoso e bom amigo. Fui seu assessor especial na Subsecretaria da Cultura do 1º governo João Alves e testemunhei os seus esforços para que fosse criada uma Fundação Cultural e uma Secretaria de Estado da Cultura com status e orçamento próprios. Além dos avanços na área da administração cultural, Fernando deixa os mais importantes estudos sobre a Antropologia Cultural em Sergipe e uma legião de ex-alunos saudosos” (Amaral Cavalcante).

Textos reproduzidos do Facebook

domingo, 16 de setembro de 2018

Tia Ruth e sua obra solidária

Tia Ruth, um exemplo de vida

Publicado originalmente no Blog Luiz Eduardo Costa

Tia Ruth e sua obra solidária 

Por Luiz Eduardo Costa

          Quando no futuro for registrado como se cuidava dos pacientes oncológicos em Sergipe, das crianças com câncer, dos pobres afetados pelo câncer, surgirá o nome da Tia Ruth como a pessoa que foi muito além do que fazem os que simplesmente reclamam e procuram identificar culpados.

          Tia Ruth tinha a consciência límpida de que a responsabilidade diante de fatos que constrangem, que causam dor e sofrimento, deve sempre ser compartilhada com toda a sociedade. Entendia que a falta de ação, a ausência de protagonismo de indivíduos ou grupos sociais, eram omissões intoleráveis, que deveriam ser combatidas através de exemplos, capazes de demonstrar que a solidariedade é possível e é sentimento que existe, precisando ser despertado.

          E o que ela fez durante quase toda a sua vida foi uma cruzada em busca da solidariedade. Sacrificou-se nesse intento que a dominava, às vezes até abatia, mas encontrava uma inspiração para não se deixar dominar pelo desanimo. Tia Ruth conseguiu fazer da sua existência um permanente exemplo de que é possível sentir o sofrimento de cada indivíduo como se fosse uma dor coletiva, que coletivamente teria de ser amenizada e vencida.

          Para fazer o que imaginava, ela criou uma instituição, que cedo se tornou referência: a AVOSOS, que cuida de quem tem câncer, principalmente crianças. Criou um ambiente propício, para se contrapor à desesperança e gerar a resistência psicológica ao mal, e fez uma rede de interação com as clínicas estatais e particulares especializadas.

          Tia Rute morreu de câncer aos 89 anos e deu exemplos de como a ele se pode resistir, ou chegar ao fim com dignidade. A AVOSOS tem mais de 150 voluntários, tornou-se uma iniciativa coletiva, sob o comando, agora, de um devotado ao que faz, Wilson Melo. Nela, Tia Rute permanecerá como inspiração intensa de coragem, denodo e virtudes.

Texto e imagem reproduzidos do blogluizeduardocosta.com.br

sábado, 15 de setembro de 2018

Antropólogo Fernando Lins morreu neste sábado em Aracaju

Foto reproduzida do Facebook/GrupoMTéSERGIPE/Jorge Lins

Texto publicado originalmente no site G1 Globo SE., em 15/09/2018

Antropólogo Fernando Lins morreu neste sábado em Aracaju, em consequência de problemas pulmonares.

Por G1 SE

Morreu neste sábado (15) o antropólogo Fernando Lins Carvalho na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital localizado no Bairro São José, em Aracaju (SE).

De acordo com informações passadas pelos familiares, no meio da semana ele apresentou problemas pulmonares e foi internado na unidade de saúde.

Fernando Lins era professor, antropólogo e ex-secretário da Educação do município de Aracaju.

A família informou que o velório ocorre na tarde deste sábado em um velatório localizado na Rua Itaporanga, Região Central de Aracaju. O sepultamento está marcado para às 16h30 no Cemitério Santa Izabel, também na capital.

Texto reproduzido do site: g1.globo.com/se

Jorge, Lineu e Fernando - Irmanados na Vida, na Arte e na Cultura


Publicado originalmente no Facebook/GrupoMTéSERGIPE/Jorge Lins, em 16/12/2014.

"Três dos Lins...eu, Lineu (o mais velho) e Fernando (o Professor).

 Tenho muito orgulho da história construída pelos meus irmãos para o fortalecimento da Cultura do nosso Estado" (Jorge Lins).

Reprodução: Facebook/Minha Terra é SERGIPE.

Fernando Lins de Carvalho (1948 - 2018)

Professor Fernando Lins de Carvalho e docentes da rede
municipal de Canindé do São Francisco - SE, durante oficina
pedagógica. Revista Canindé, n. 2, p. 324.
Foto e legenda reproduzidas do blog: itamarfo.blogspot.com

Homenagem a Fernando Lins de Carvalho (1948 - 2018)


O Mestre Fernando Lins de Carvalho é uma personalidade sergipana.

Formado em História e Direito, Mestre em Arqueologia e uma sumidade na área cultural. 

Em 2008 recebeu a mais alta condecoração concedida pelo município de Aracaju: a Medalha Cultural Ignácio Barbosa. 

Foi homenageado com a construção do Centro Municipal de Aperfeiçoamento e Recursos Humanos Profº Fernando Lins de Carvalho. 

Em 2003 lançou o livro Pré-História Sergipana pelo Max e pela UFS (ambas instituições comportam projetos do professor) e, no 1º Fórum da Sergipanidade proferiu a Palestra "Religiosidade Sergipana: Análise do sagrado no processo de criação e da organização dos grupos sociais e da sociedade sergipana"...

Fonte: yaonile.blogspot.com

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Morre Tia Ruth, fundadora da Avosos


Fotos: Avosos

Texto publicado originalmente no site Xodó News, em 13 de setembro de 2018

Morre Tia Ruth, fundadora da Avosos

 Velório será a partir de 11h desta quinta, dia 13 de setembro de 2018, na sede da Avosos.

“Ciranda de amor, às vezes de dor”. Assim começa o Hino da Associação dos Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe (Avosos). O momento agora é de dor entre assistidos, acompanhantes, voluntários, funcionários e parceiros da instituição, uma vez que acaba de falecer Maria Ruth Wynne Cardoso, carinhosamente conhecida como Tia Ruth. Na ciranda da vida as palavras de Tia Ruth ao descobrir, em fevereiro deste ano, que estava com câncer no estômago: “Se minhas crianças passaram por isso e suportaram eu também vou aprender a suportar”. O velório será a partir de 11h desta quinta, dia 13 de setembro de 2018, na sede da Avosos (rua Leonel Curvelo, 55, bairro Suíssa).

Inspiração

Impossível descrever em palavras um ser humano como Tia Ruth. Amor, carinho, dedicação ao próximo, bondade, gentileza, inspiração, mensageira da paz… São muitos os adjetivos que pincelam a imagem desta grande mulher. Fortaleza na luta contra o câncer infantojuvenil, Tia Ruth sempre estampou nos corações de quem a segue a frase: “O amor cura”. O lema virou slogan da Avosos e a legião de voluntários, atualmente composta por 140 pessoas, sempre se inspiram em suas orientações morais e hoje estão munidos de uma base forte para que, como Tia Ruth costuma dizer, “a obra Superior seja sempre mantida e que o mestre Jesus continue guiando através das mãos de cada um”.

Linha do tempo

A vida desta grande mulher se cruza, em diversos pontos, com a história da Avosos. Era uma quarta-feira do ano de 1982 e a Fundação Beneficência Hospital de Cirurgia foi o cenário para o início dessa linda história. Tia Ruth, dona de casa, morava perto ao hospital e resolveu dedicar parte de seu tempo na ajuda ao próximo. Tia Ruth passou a realizar constantes visitas aos pacientes internados no hospital e a Ala de Oncologia foi a que mais mexeu com seus sentimentos.

Tia Ruth começou então a atuar neste setor, levando agasalhos, lanches e palavras de conforto e carinho. Desde então, alguns amigos forneceram, e fornecem, ajuda preciosa para que esta missão possa ser levada adiante. E quanto mais se trabalha em prol do próximo, mais necessidades são observadas. Os olhos atentos de Maria Ruth Wynne Cardoso viram mãezinhas, crianças e adolescentes do interior do Estado, e também de Estados vizinhos, dormindo em condições precárias, esperando um leito, passando fome, frio, nas calçadas do hospital esperando um transporte… Tia Ruth abriu as portas de sua casa para estas pessoas, que funcionou informalmente como a primeira casa de apoio do que se chamaria mais tarde de Avosos.

Mais pessoas se juntaram a causa ao longo do tempo e aos poucos um grupo foi se formando e conquistando o reconhecimento da comunidade, que ajudava doando roupas e mantimentos. Eram 17 pessoas trabalhando em prol de um único objetivo: ajudar e acolher pacientes oncológicos carentes.

Com tamanha proporção, o grupo sentiu a necessidade de oficializar esse trabalho. Foi em 24 de julho de 1987, após uma reunião na casa de Tia Ruth, que a Associação de Voluntários a Serviço da Oncologia em Sergipe foi fundada. Neste dia estavam presentes Tia Ruth, Anna Lobão, Jeane Vieira, Wilson Melo, Judite Lobão, Inah Leão, Marlene Andrade, Marcelo Andrade, Silvia Maciel, Dilma de Souza e Nivalina Brás.

A partir de então a Avosos passou a acolher pacientes com câncer e seus acompanhantes na casa de Tia Ruth, que passou a funcionar como sede provisória da Associação. O abrigo que antes era informal passou a ser sede temporária da entidade.

Desafios

Naquela época muitas crianças e adolescentes abandonavam o tratamento devido às dificuldades financeiras e sociais para locomoção, alimentação, hospedagem e até mesmo pela falta de estrutura do hospital. Hoje, com o auxílio da Avosos, a taxa de abandono foi reduzida a zero.

Em 1988, a Avosos conquistou sua primeira sede oficial em virtude da generosidade de uma voluntária. Em 1992 a instituição recebeu a generosa doação de uma casa, feita por um casal amigo por intermédio da voluntária Telma Andrade. Mais amplo e confortável, o local proporcionava mais comodidade aos pacientes e seus acompanhantes. A entidade começava a se desenvolver e oferecer melhores condições aos seus assistidos. A partir daí a Avosos passou a atender apenas crianças e adolescentes com câncer, dando origem à Casa de Apoio à Criança com Câncer Tia Ruth/Avosos.

Uma prova do reconhecimento do trabalho da instituição veio no ano de 1996 com o convite da Secretaria Estadual de Saúde (SES) e da direção do Hospital Governador João Alves Filho (HGJAF), atual Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE), para implantar e administrar um serviço médico ambulatorial na área de oncologia do hospital. Além disso, a entidade assumiu o internamento sem receber nada da SES pelo atendimento hospitalar.

No ano seguinte a Avosos inaugurou a Unidade Dr. Jorge Marsillac, hoje Centro de Oncologia Dr. José Geraldo Dantas Bezerra, que realizava tratamento do câncer em nível ambulatorial por meio de convênios. A renda ajudava a suprir as necessidades do setor oncológico do HGJAF e os trabalhos assistenciais da Casa de Apoio.

A Avosos administrou o setor de oncologia do HGJAF por quatro anos. Durante esse período o Centro de Oncologia da Unidade de Saúde consolidou-se como referência regional no tratamento oncológico. No ano de 2000 a coordenação do HGJAF foi passada para Secretaria Estadual de Saúde. Mesmo não estando mais à frente da administração do hospital, a Avosos continuou presente, levando lanches, palavras amigas aos pacientes oncológicos e dando o suporte necessário na falta de medicamentos e de exames para as crianças e adolescentes tratados no setor.

Mudanças

Com mais de 10 anos de caminhada, bem como novos desafios a superar, a instituição passou por algumas mudanças físicas e estruturais. Uma nova sede surge em 2000, ainda mais ampla e com um número maior de voluntários e profissionais, dando origem assim à equipe multidisciplinar da entidade para melhor atender seus assistidos.

A captação de recursos também foi intensificada com a implantação do serviço de Telemarketing na sua sede para divulgar e arrecadar mais fundos para a Avosos. No ano seguinte os atendimentos foram ampliados, passando a atender pacientes com doenças hematológicas crônicas.

Em 2004, fundadores, voluntários e assistidos puderam presenciar a concretização de um sonho. A associação inaugurava sua sede própria: o Complexo Avosos, composto pela Casa Tia Ruth de Apoio à Criança com Câncer/Avosos e o Centro de Oncologia Dr. José Geraldo Dantas Bezerra, antes denominado Dr. Jorge de Marsillac.

Os recursos para a construção da Casa Tia Ruth de Apoio à Criança e ao Adolescente com Câncer foram doados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com financiamento não reembolsável da área social. Também contribuíram para a construção da sede própria o Instituto Ronald Mcdonald (campanha McDia Feliz). Já o Centro de Oncologia foi construído com recursos próprios. A mobília da Casa de Apoio teve a contribuição da Construtora Celi e do Banco do Estado de Sergipe (Banese).

Em 2010 a Avosos inaugurou o Serviço de Oncologia e Hematologia Pediátrica (Sohep) para somar forças no combate do câncer infantojuvenil. Atualmente, a entidade presta apoio aos casos suspeitos da doença encaminhados pelo Centro de Oncologia do HUSE e as Unidades Básicas de Saúde, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju.

Conquistas, perdas, muitas lutas e, acima de tudo, vitórias. Assim é a história da Avosos e desta grande mulher, eterna presidente de Honra da Avosos: Tia Ruth.

Fonte: Ascom/Avosos

Texto reproduzido do site: xodonews.com.br