terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Hildegards Azevêdo Santos (1936 – 2019)

Foto extraída de vídeo da TV Sergipe e postada pelo o blog para ilustrar o presente artigo

Texto publicado originalmente no site Alô News, em 14/01/2019

Adeus a Hildegards

Por Ivan Valença
Da Coluna Ponto de Vista/Alô News

A cidade sepultou, a semana que passou, um dos seus entes mais queridos. Lá se foi para a eternidade o Sr. Hildegards Azevedo dos Santos.

Sobre ele, muito já se escreveu, mas não se disse tudo. De Hildegards Azevedo que foi um exemplar funcionário público, ocupando cargos de relevância nas administrações municipal e estadual, geralmente tendo como peça chave o Sr. João Alves Filho. Era craque em pegar uma Secretaria de Estado em situação difícil e devolvê-la, depois, em ótimo Estado ao seu verdadeiro dono, o povo. Talvez por causa deste seu talento com os números foi nomeado Conselheiro do Tribunal de Contas, cuja corte chegou a ser Presidente.

Natural de Maruim - município onde também nasceu minha mãe - conheci Hildegards lá pelos idos de 1957 ou 1958 quando ele exercia um dos cargos mais importantes que teve na sua brilhante carreira administrativa. Quando comecei a trabalhar na “Gazeta de Sergipe”, por volta desta época, Hildegards – que por muitos era conhecido por Degas – era o gerente do veículo que funcionava na Avenida Rio Branco, a conhecida Rua da Frente. Era um prédio antigo, com vários quartos (ou salas) O lado direito era ocupado, na sala principal, pelo Jornalista Orlando Dantas, diretor-proprietário do jornal, àquela época encerrando um mandato de deputado federal. No lado esquerdo, com janelas que se abriam para a Avenida Rio Branco, com uma vista privilegiada para o Rio Sergipe, era sala onde ficava a gerência ocupada por Hildegards. Ali ele reinava absoluto, mas ninguém passava pela “Gazeta” sem deixar de cumprimentar o querido Degas, sempre as voltas com dezenas de papéis. Geralmente notas fiscais do que era comprado pelos seus subordinados. Hildegards não guardava aquelas notas sem antes conferí-las, uma a uma, até os recibos assinados por autônomos. Ele dirigia a “Gazeta de Sergipe” com mão de ferro. As determinações vindas da gerencia eram obedecidas ipsis-literis por todos nós da Redação (que ficava na sala ao lado, mas um pouco distante das oficinas, que ficava no fundo do corredor), inclusive pelos mais rebeldes como Nino Porto. Depois, um belo dia, logo depois do movimento armado de 1964, Hildegards partiu para outras responsabilidades. Deixou-nos mas o seu espírito “gazeteano” nunca foi abandonado por ele.

Que o amigo descanse em paz.

Texto reproduzido do site: alonews.com.br

domingo, 13 de janeiro de 2019

Otorrinolaringologia de luto: morre George Amado


Publicado originalmente no site SERGIPE NOTÍCIAS, em 13/01/2019

Otorrinolaringologia de luto: morre George Amado

O velório acontece no Osaf e o sepultamento será nesta segunda-feira, às 08h00, no Cemitério Santa Izabel.

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ASORL – Associação Sergipana de Otorrinolaringologia prestou grande e merecida homenagem ao Dr. George Amado, um dos maiores otorrinolaringologistas de Sergipe de todos os tempos. Confira discurso proferido pelo Prof. Dr. Jeferson d’Avila.

Ilmos Colegas, senhor professor, amigos, familiares, senhoras e senhores, Gostaria de inicialmente felicitar a nova diretoria da ASORL, na pessoa do Dr Lauro Abud, a quem faço representar neste momento os demais otorrinolaringologistas. Desejo muito sucesso na gestão. Contem conosco. Sinto-me bastante honrado por ter sido escolhido entre tantos, competentes e merecedores de prestar esta mais do que justa homenagem a George Alberto Santos Silva Amado. Falar sobre Meu amigo irmão George nos obriga a retornar ao passado. George em um breve histórico da sua vida de médico teve sua formação acadêmica de graduação na Bahia, depois realizou residência no Rio de Janeiro e tornou-se o primeiro Fellow de Sergipe no exterior. Tendo realizado este aprimoramento no Hospital de Lima em Madrid. Foi o introdutor e revolucionário da nova audiologia clínica em Sergipe, tendo sido fundador e chefe do Serviço de Audiologia do IPES. Sempre muito respeitado no meio científico nacional, soube bem representar o nosso estado em diversas oportunidades. Como ex presidente da SSORL trouxe em 2001, o Congresso Norte Nordeste de ORL. Tivemos a honra, de ter sido companheiro do mesmo como presidente, neste marcante evento. Como ser humano, não se fala. Homem de puro amor, consideração e respeito a todos os princípios éticos e morais. Exemplo de ser. Tivemos todos nós, muitas passagens especiais e inesquecíveis com DODA, como assim é conhecido socialmente com muito carinho. Gostaria de possuir mais tempo para comentar sobre sua bela, impoluta e maravilhosa história de vida. Graças a Deus, muito tranquilo, de discurso fluente e sem nenhum pingo de aceleração na emissão das palavras, sem nenhum tipo de pressa para resolução de qualquer assunto, consegue resolver tudo, muito mais precoce que a tempo e a hora, de qualquer ser vivo. Para mim representa um verdadeiro amigo irmão, no mais puro sentido da palavra. Fui seu estagiário no IPES. Aprendi muito com o Professor George, é sim. Principalmente sobre otorrino e sobre a vida. Acompanhei George na Rua Dom José Tomaz, no IPES, como estudante. Quando cheguei da residência, sem eira nem beira, foi George quem me amparou com todo seu enorme coração. Trabalhei em seu consultório das 11 às 13 horas, horário de seu intervalo de almoço, durante muito tempo. Sustentei minha família por sua causa e seguindo seus passos e orientações. Foi muito bom e inesquecível. Reconhecimento profundo. A família: Eri, Lorena e Melina; sou testemunha viva de seus amores, suas posturas e suas entregas a este ser humano distinto e especial. Vocês três são grandes exemplos para todos nós. Gratidão é a palavra mais nobre para apresentar reconhecimento de ações e de posturas. É esta que escolho para representar este momento. São Tomaz de Aquino em seu Tratado de Gratidão explica muito bem. Muito obrigado, Dr George Amado, por tudo que fez e sempre fará com seus eternos exemplos a todos nós sergipanos que sempre soube lhe amar, lhe respeitar e lhe admirar. Muito obrigado pela oportunidade, Lauro e equipe, assim como toda ASORL. Grande e inesquecível honra.

Dr. Jeferson Sampaio D’Avila
Diretor Presidente da Otocenter

Texto e imagem reproduzidos do site: sergipenoticias.com

sábado, 12 de janeiro de 2019

Maruinense Hildegards Azevedo faleceu aos 82 anos


Publicado originalmente no site do Jornal de Maruim, em 11/01/2019

História de Maruim

Maruinense Hildegards Azevedo faleceu aos 82 anos

Faleceu na manhã desta sexta-feira (11), aos 82 anos, o conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE), Hildegards Azevedo, devido a complicações decorrentes de uma neoplasia pulmonar. O velório ocorrerá no Cemitério Colina da Saudade, em Aracaju, no turno da tarde, com sepultamento previsto para às 17h, no mesmo local.

Filho de Raul José dos Santos e Lindaura Azevedo Santos, Hildegards Azevedo nasceu em Maruim/SE no dia 22 de outubro de 1936.

Formado em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Universidade Federal de Sergipe, Hildegards Azevedo foi funcionário público como fiscal de renda de 1965 a 1986. Também atuou como secretário de finanças do município de Aracaju, na administração do prefeito João Alves Filho (1975-1979), presidente da Companhia de Processamento de Dados de Sergipe (1979-1980), presidente da Empresa Gráfica Universitária (Unigráfica) (1980-1982), secretário de Estado de Governo (1983-1984), secretário-chefe do gabinete civil (1984-1985) e secretário de Estado da Fazenda (1985-1986). Em 21 de novembro de 1986, Hildegards foi nomeado conselheiro do TCE, ocupando vaga deixada pelo conselheiro Carlos Alberto Barros Sampaio, um dos membros fundadores do órgão. Na Corte, antes de aposentar-se, em 12 de dezembro de 2006, ocupou as funções de corregedor-geral, vice-presidente e presidente.

Na área do magistério, Hildegards Azevedo foi professor da disciplina Administração Brasileira, na Faculdade Tiradentes no período de 1976 a 1982. Aprovado em concurso público, lecionou na Universidade Federal de Sergipe no período de 1983 a 1985, one lecionou a disciplina Direito Administrativo.

No município de Maruim existe um conjunto que recebe o nome do ilustre filho. Hildegards era tio do ex-vereador Jodil (Joca) e do atual vereador por Maruim, Moisés Azevedo (PT do B).

O conselheiro-presidente do TCE/SE, Ulices Andrade, manifestou condolências aos familiares e destacou a atuação do conselheiro Hildegards como "um profissional competente e dedicado que muito contribuiu para o controle externo brasileiro".

O prefeito de Maruim, Jeferson Santana, decretou luto oficial de três dias em respeito ao grande trabalho do ilustre maruinense.

Fonte: Prefeitura de Maruim

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldemaruim.com

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Morre Adílson Roberto Franco Barreto


Publicado originalmente pelo site da ACESE, em 09/01/2019

ACESE lamenta falecimento de Adilson Barreto Franco

Em nome da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe (ACESE), o presidente Marco Aurélio Pinheiro lamenta a morte de Adilson Roberto Barreto Franco, irmão do empresário Luciano Barreto da Construtora Celi, ocorrida nesta terça-feira (8).

Adilson Barreto Franco faleceu na Hospital São Lucas, onde estava internado. O sepultamento acontecerá nesta quarta-feira (09), às 15 horas, no Cemitério Colina da Saudade.

A ACESE presta condolências em solidariedade à família e aos amigos enlutados.

Texto e imagem reproduzidos do site: acese.org.br

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Foto: CDL

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 9 de janeiro de 2019

Adilson Barreto, ex-diretor da CDL, morre aos 80 anos

Sócio-proprietário das lojas “Irmãos Figueiredo”, no ramo de roupas, o também ex-diretor e ex-vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Aracaju (CDL), Adilson Roberto Franco Barreto, morreu na madrugada desta quarta, 09, aos 80 anos de idade.

Seu corpo está sendo velado na Colina da Saudade, no bairro Santa Lúcia, Aracaju, local onde também será sepultado. Adilson Barreto, como era conhecido pelos colegas e empresários do comércio, foi um destacado líder do movimento lojista, tendo ocupado cargos em diversas diretorias da CDL, desde 1977 até 2011. Ele assumiu vários postos até se tornar vice-presidente da entidade.

Brenno Barreto, atual presidente da CDL, em nome de sua diretoria, externa à família enlutada as condolências e pesar, ao tempo em que reconhece toda luta do empresário enquanto ser atuante e destacado no comércio sergipano, bem como na sua participação em favor da organização dos lojistas de Aracaju.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

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Imagem reproduzida do Facebook

Foto reproduzida do site: fies.org.br

Rosa Sampaio


Publicado originalmente no Facebook/Antonio Samarone, em 4 de janeiro de 2019

Gente Sergipana - Rosa Sampaio
Por Antônio Samarone *

Rosa Sampaio nasceu em Aracaju, na maternidade Francino Mello, em 30 de setembro de 1950. Filha do Cirurgião Fernando Sampaio e de Dona Maria Carmelita. Rosa cresceu numa Aracaju bucólica, tomando banho na Praia Formosa, onde hoje é um emissário de esgoto da DESO. Fernando Sampaio foi um dos primeiros moradores das imediações das Quatro Bocas.

Aracaju era a sultona das águas. Aquele canal fétido do fundo do Batistão, já foi um Riacho de águas límpidas que corria até a igreja São José. A ocupação de Aracaju, comandada pela especulação imobiliária, transformou um paraíso ecológico, num aterro insalubre.

Rosa Sampaio cresceu numa cidade sem a violência urbana. Fez o primário e o ginásio no Colégio do Salvador, sob a disciplina de Dona Mariá. Entre as rebeldias da adolescência, frequentou a boate Saveiros, do Iate; e a vida noturna da Atalaia, inventada por Luiz Adelmo.

Em 1965, Rosa Sampaio tomou uma importante decisão: foi estudar o científico no famoso Colégio Atheneu, escola pública de excelência, para onde a sociedade sergipana mandava os seus filhos. Rosa Sampaio deu um salto em experiência de vida, amadureceu, o Atheneu era uma grande escola. Aqui uma curiosidade: no Atheneu, Rosa Sampaio foi aluna de física do Senador Valadares, e segundo ela, ainda lembra da segunda lei de Newton. Pensei, com uma certa maldade, resta saber se o Senador ainda lembra.

Em 1968, quando o mundo fervilhava em novidades, Rosa entrou na Faculdade de Medicina. Como toda jovem esclarecida daqueles tempos, amava os Beatles e os Rolling Stones, mas não descuidava dos estudos. Foi uma boa aluna. Antigamente, quando os alunos saiam das antigas faculdades estavam prontos para o exercício da medicina.

Rosa Sampaio frequentou a faculdade no difícil período do AI-5, tendo sido aluna de EPB do doutor Eduardo Vital Santos Melo, famoso intelectual católico da província sergipana. Durante o curso, se aproximou de vários professores, facilitado pelo pai professor e médico importante na cidade.

Ainda estudante, Rosa Sampaio frequentou um estágio no Hospital das Clínicas da USP. Numa aula prática, com um paciente suspeito de calazar, o professor pediu para que os alunos palpassem o fígado do paciente, foi um Deus nos acuda, ninguém sabia. Rosa, valendo-se das manobras de palpação, apreendidas com o professor Aloísio Andrade, em Aracaju, fez tudo corretamente. O professor, um argentino famoso, ficou encantado com o curso de medicina de Sergipe. Ainda era tempo da medicina artesanal.

Rosa Sampaio formou-se em medicina em 1974. No ano seguinte, foi aprovada no concurso de professora para a disciplina “fisiologia do esforço”, ofertada no curso de Educação Física. Com a criação da disciplina de pneumologia na faculdade de medicina, ofertada pelo professor Dietrich Todt, Rosa foi convidada para ser auxiliar, e posteriormente assumiu o comando da disciplina.

Rosa Sampaio, eterna presidente do Colegiado de Medicina, envolveu-se com as mudanças do currículo do curso, afim de integrá-lo às exigências da reforma sanitária. Rosa virou o nome da UFS, que se envolveu nas mudanças. Era o contato dos estudantes, dos militantes da reforma e dos movimentos populares com a Universidade. Cumpriu um papel decisivo em levar os alunos de medicina para a comunidade, tirá-los dos corredores hospitalares. Inicialmente os alunos foram para o Centro de Saúde Francisco Fonseca, ao lado da Igreja, no bairro 18 do Forte.

Rosa Sampaio tomou gosto pela Saúde Pública, vestiu a camisa da Reforma Sanitária. Em 1997, assumiu a Secretaria Municipal de Saúde de Aracaju, num período de municipalização. Rosa implantou o Programa de Saúde da Família em Aracaju. São inicialmente doze equipes, todas funcionando bem. O SUS vivia uma fase de esperança. Rosa teve autonomia e não misturou a politicagem. Organizou duas conferências municipais, reforçou o Conselho Municipal de Saúde, incorporou o dentista e a assistente social nas equipes do PSF, e recrutou os agentes comunitários por critérios técnicos. Infelizmente, o trabalho de municipalização da Saúde em Aracaju, depois desandou. Parece que até hoje!

A Saúde viveu um período de comando técnico, de boa gestão. Na semana de vacinação dos animais domésticos, vários pontos foram instalados em Aracaju. Um famoso professor de medicina que morava numa chácara, no caminho da Atalaia, ligou para a secretária solicitando uma equipe para vacinar os seus gatos, em sua chácara. Rosa Sampaio não se intimidou: professor, gosto muito do senhor, mas não posso mandar a equipe. O senhor traga os seus gatos, para vacinar nos locais públicos. O professor ponderou, Rosa, é quase impossível, não existe saco que caibam os meus gatos. Rosa, indagou: e quantos gatos o senhor tem? O velho mestre foi sucinto: 48 gatos. De fato, nesse caso, a secretaria mandou não só a equipe de vacinação; como levou o Prefeito e uma equipe de televisão.

Rosa Sampaio foi a última secretária de saúde de Aracaju que obedeceu rigorosamente a todos os princípios do SUS. Depois a politicagem contaminou o sistema, desarrumou, desviou dos princípios, que até hoje a saúde do município patina.

Por conta do trabalho no SUS de Aracaju, Rosa Sampaio foi convidada a ocupar um cargo importante no Ministério da Saúde, durante a gestão de José Serra, e por lá ficou até a aposentadoria. Hoje, Rosa é residente em Brasília, mas não perde oportunidade de frequentar Aracaju.

Rosa Sampaio foi casada com o famoso jurista Gilberto Villa Nova de Carvalho, com quem teve três filhos: Gilberto, Graziela e Raquel; e por enquanto, sete netos. Rosa é uma remanescente da medicina humanista. Aos 68 anos, cabeça boa, missão cumprida na terra, culta, Rosa Sampaio é uma cidadã do mundo.

* Postagem também no blogdesamarone.blogspot.com

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Ano Novo, Vida Nova, por Ivan Valença


Publicado originalmente no site Alô News, em 7 de janeiro de 2019

Ano Novo, Vida Nova 

Por Ivan Valença 
Coluna Ponto de Vista/Alô News

Esta é a primeira coluna deste ano novo de 2019. Eu mesmo me dei férias nos últimos oito dias e só agora estou me voltando para o teclado do computador com vistas a preparar novas colunas para este site.  Em verdade, é uma obrigação que muito me satisfaz. Obrigação ou tarefa? As duas coisas.

Neste primeiro trabalho de 2019, deixe-me relembrar de alguns “anos novos” do passado. De alguns me recorde particularmente bem pelo que ele representou para todos nós, brasileiros e sergipanos. Foi o caso de 1955 quando completei onze anos de idade. Morava então na rua de Laranjeiras, 487, trecho entre as ruas Capela e Santo Amaro. Nos últimos dias do ano anterior, chegou-nos a notícia de que o casarão em frente a nossa casa tinha sido vendida a uma empresa de cinema de Salvador que pretendia construir ali um Cinema. Poucas vezes na vida fiquei tão contente. É que, já àquela época, nutria uma formidável admiração pela arte inventada pelos irmãos Lumiere e transformada em Arte pelo gênio inimitável de Charles Chaplin.

Então eu iria morar em frente a um cinema? Seria verdade. E foi. No final do ano de 1955, o ano do centenário da cidade, aquele trecho da rua de Laranjeiras foi interditado aos carros porque o Governador Leandro Maciel viria para a primeira exibição oficial do Cinema Aracaju.  No dia seguinte, a cidade ganhava um outro cinema, o Palace, este muito mais moderno e elegante – tinha até ar condicionado. O Cinema Aracaju tinha um ar retrô: o salão de projeção tinha quatro portas laterais e dois janelões que precisavam ser fechado se as projeções fossem vespertinas. Também tinham que ser fechadas rapidamente se o tempo mudasse e passasse s chover.

A cabina de projeção tinha janelões que abriam para a rua de Laranjeiras, mas mesmo assim era muito quente. Ela ficava no “poleiro” como os guris da época chamavam primeiro andar do cinema. Abaixo da sala de projeção ficava a direção e administração do Cinema Aracaju. A geral era pequena, mesmo para os padrões locais mas era o local preferido pelos namorados. Ali, a gurizada também gostava de frequentar só para flagrar casais de namorados se abraçando e se beijando.

Pois é, ano novo me lembra muito essas coisas, assim como a Procissão de Bom Jesus dos Navegantes pelo estuário do Rio Sergipe. Em algum outro dia, voltarei a esse ponto de vista.

Texto e imagem reproduzidos do site: alonews.com.br

domingo, 6 de janeiro de 2019

Livro "POEMAS", de Ismael Pereira


Ismael, Izabel Cristina, Eunice Guimarães (ambas da Academia Literária de Vida) e Israel

Texto publicado no blog 'Academia Literária de Vida', em 26/11/2018

"POEMAS" de Ismael Pereira
  
Quem é o autor

Ismael Pereira Azevedo, sergipano, artista plástico, empresário, nascido em 1º de outubro de 1940, filho de Joana Pereira Azevedo (in memoriam), casado com Cecy Roque Pereira com quem teve dois filhos: Ted France e Telma Roque. Divorciado, casou-se com Isabel Cristina Melo dos Santos Pereira, tiveram 3 filhos: Ismael, Israel e Antônio.

Ismael radicou-se em Arapiraca-Alagoas, no ano de 1965. Empresário do ramo de publicidade e artista plástico, fundador da Câmara Júnior em Arapiraca, integrante da Maçonaria, participante de diversas entidades e eventos nos campos artístico e cultural, foi convidado a ingressar na atividade pública, sendo eleito Vereador, para o 1º mandato de 1973 à 1976 quando também foi eleito presidente da Câmara no biênio 1973/1974. Participou em comissões legislativas e liderança de partido. Exerceu os mandatos de Deputado Estadual de 1983 a 1986, de 1987 a 1990, sendo várias vezes considerado um dos mais atuantes da Assembleia Legislativa. Reconhecido um dos mais eloquentes oradores de Alagoas, bateu vários recordes de apresentação de indicações, requerimentos e de ocupação da tribuna da Casa Legislativa de Tavares Bastos. Foi Deputado constituinte, exercendo destacado papel na elaboração de vários capítulos da Constituição Estadual. Serviu de elo de ligação entre a sociedade civil organizada e o Poder Legislativo. Na eleição de 1990, ficou como suplente, tendo assumido durante praticamente a metade do mandato. Voltou a concorrer em 1994, ficando na 3ª suplência da sua coligação. Nesse período, exerceu o cargo de Subsecretário da Secretaria para Assuntos do Gabinete Civil do Governo de Alagoas, no ano de 1996, voltando a assumir a vaga na Assembleia Legislativa pelo afastamento de Deputados titulares.

EM SERGIPE

Na sua volta para Aracaju, Ismael dedicou-se ao trabalho de publicidade, pintura em telas e peças de cerâmicas. Já realizou inúmeras exposições, sempre elogiadas pela crítica especializada. Atualmente comanda juntamente com seu filho, o Atelier de Artes Ismael Pereira & Israel Melo, na Rua Campo do Brito, N. 314, bairro 13 de julho. Ali expõe suas mandalas, esculturas diversas e quadros. Não bastasse tudo isso ele ainda, tem o dom da eloquência e escreve poesias. É membro da Associação Alagoana de Imprensa e da Academia Alagoana de Cultura. Tomou posse na Academia de Letras de Aracaju, em setembro de 2016, cujo patrono é Epifânio Dória. Foi eleito para a Academia de Letras do Amplo Sertão Sergipano, ocupando a cadeira cuja patrona é a escritora sergipana Rosa Faria. Sua posse ocorreu no dia 11 de novembro de 2017, às 20:00 horas, no auditório da AABB, na cidade de Nossa Senhora da Glória...

Fontes: Site Ricardo Nezinho e familiares.

Texto e imagens reproduzidos do blog: academialiterariadevida.blogspot.com

sábado, 5 de janeiro de 2019

Lara Aguiar ENTREVISTA Amaral Cavalcante

Ilustração: Gabi Etinger

Publicado originalmente no Facebook/Amaral Cavalcante, em 29 de dezembro de 2014 ·

Entrevista ao Caderno 'Revista da Cidade', no Jornal da Cidade de 28/12/2014.

Editado por Lara Aguiar

Lara Aguiar - Como começou a sua trajetória no jornalismo alternativo em Sergipe? Em que época surgiu o jornal Folha da Praia e com qual intuito foi criado?

Amaral Cavalcante – Comecei publicando “O Margilino” em mimeógrafo, jornal de humor e algumas literatices, produzido pela “Turma do Parque” liderada pelo saudoso Cabo Tripa. No jornalismo tradicional trabalhei no “Sergipe Jornal” onde convivi com os mestre Luiz Eduardo Costa e Hugo Costa. Servi também ao Diário de Aracaju, editado por Raymundo Luiz da Silva e publiquei a coluna “Pique Geral” no Jornal de Sergipe, editado por Leó Filho e na Gazeta de Seu Orlando Dantas, onde estavam Ivan Valença, Nino Porto e José Rosa de Oliveira Neto. Como se vê eu sempre estive em boas companhias.

Já o Folha da Praia surgiu em 1981, para dar voz a novos talentos na escrita e no jornalismo que surgiam naquela época, uma juventude dourada que instigava a cena cultural sergipana, mas não tinha audiência, não conseguia veicular suas ideias, cerceados pelo conservadorismo careta nos veículos tradicionais de imprensa. O nosso nanico, feito ao modo de outros alternativos de expressão nacional como O Pasquim, O Movimento, o Ex, acabou se transformando numa peça de resistência política, divulgando artistas e escritores emergentes e patrocinando uma certa revolução de costumes em Sergipe. Durante10 anos o Folha da Praia teve periodicidade semanal, circulando principalmente na praia de Atalaia e nos mais badalados points da cidade. Ele resiste circulando até hoje, aos 33 anos, com periodicidade mensal ainda revelando novos talentos e tentado acompanhar a vertigem desses novos tempos.

O folha é uma grife e, como tal, tem leitores cativos, aqueles que conquistamos nas areias da Atalaia e que hoje são cidadãos que se tornaram leitores assíduos. Ainda é um "jornal feito nas coxas” nosso debochado slogam.

Lara - A partir de que época acontece o seu despertar literário? E como se dá esse impulso de escrever?

Amaral - Sou de uma geração que leu muito, que viu bons filmes e grandes espetáculos e, principalmente, que se comunicava e trocava ideias frequentando os mesmos espaços de lazer e cultura. Comecei a escrever poesia logo cedo, ainda em minha cidade natal, Simão Dias, incentivado pela leitura de mestres da literatura nacional e estrangeira. Ao me mudar para Aracaju recebi o precioso incentivo da Academia Sergipana dos Jovens Escritores liderada pela poeta Carmelita Fontes; depois, convivendo com os escritores marginais da Contracultura, fui ampliando os meus horizontes.

Lara - Quais livros já têm publicados e como se deu essa produção literária?

Amaral - Tenho um único livro de poesias publicado, O Instante Amarelo, um livro bastante convencional, mas a minha produção em mimeografo - naqueles tempos a forma usual de publicação para poetas desabonados - foi bastante profícua. Hoje, escrevo quase diariamente nas redes sociais e mantenho uma intensa troca de emails com amigos e escritores espalhados pelo mundo. Ainda considero a publicação de livros convencionais importante para a fixação da produção literária, mas duvido que o livro tenha a mesma capacidade de difusão e interatividade que a Web proporciona. Estou empenhado em parar um pouco a minha produção para organizar um livro de crônicas, bonitinho e agradável aos olhos, que me permita reunir os amigos numa badalada noite de autógrafos com um bom vinho e salvas de canapés, embora tema que a maioria desses livros acabe virgem de leitura, esquecidos entre as heráldicas pucumãns de uma estante qualquer.

Lara - Como foi sua participação no movimento contracultura em Sergipe, juntamente com Ilma Fontes e Mário Jorge?

Amaral - Não sou daqueles que lamentam os “velhos tempos”, muito pelo contrário, considero os tempos atuais mais inclusivos e muito mais profícuos, mas não posso negar que em nosso tempo o enfrentamento às condições políticas que cerceavam a nossa liberdade, o desejo de expressar o “novo” nas artes e nos costumes, enchia-nos de uma tesão criativa e do prazer da contravenção que nos forçava ao compadrio com as mais legitimas aspirações do cidadão comum, coisa que se tornou raras nos dias de hoje. Figuras como Ilma (Yumah Ilma Fontes), Mário Jorge, Joubert Moraes, Lu Spinelli, Barrinhos, Fernando Sávio, Luciano e tantos outros que empreenderam por aqui um certo movimento contracultural, foram decisivas para que a província sergipana pudesse encarar os horizontes da modernidade. Principalmente Ilma fontes e Mario Jorge, que estabeleceram uma conexão entre nós e os movimentos artísticos e literários em processo nos grandes centros culturais de então, Rio de Janeiro e São Paulo.

Lara - Você já assumiu cargos de gerência pública na área de cultura. Em quais pontos da cultura atuou?

Amaral - É, eu sempre tive que trabalhar para me manter e o serviço público foi quem me absorveu. Comecei como secretário executivo da Galeria “Álvaro Santos”, levado pelo seu primeiro presidente, Florival Santos. Iniciamos ali o acolhimento do poder público a toda uma geração de artistas plásticos. Alem da difusão de novos pintores, colocando-os em interação com a sociedade e fortalecendo um processo de mercado de arte- inclusive instituindo o financiamento para aquisição de obras pelo Benese - a Álvaro Santos consolidou-se como espaço referencial de encontro entre intelectuais e ativistas políticos, um lugar onde a cidade se encontrava com os seus artistas e pensadores. Servi, por algum tempo, como secretário executivo da Sociedade de Cultura Artística, SCAS, sob a presidência de Joao Augusto Gama da Silva, quando reerguemos a importância daquela instituição para a formação cultural em Sergipe, colocando-nos como destino acreditado para importantes companhias nacionais e internacionais. Quando não havia nenhuma repartição públicaem Sergipe cuidando da Cultura, era a SCAS que fazia este trabalho; Fui diretor técnico da Subsecretaria de Cultura estadual nas inesquecíveis gestões de Luiz Eduardo Costa e Fernando Lins de Carvalho e assumi a presidência da Fundação Estadual de Cultura, no governo Antonio Carlos Valadares. Durante os dois governos de Marcelo Déda atuei como assessor especial para a Cultura. 

Atualmente, aposentado do serviço público e sem grandes compromissos funcionais, exerço a prazerosa editoria da Revista Cumbuca, na Segrase, cujo aparecimento é considerado por muitos como um divisor de águas no campo do designer e da editoração de revistas culturais em Sergipe, até agora. Se me permite, cara Lara Aguiar, este é o auto elogio em que me seguro, desesperadamente, para continuar renovando o meu já combalido tesão pelo trabalho.

Lara - Como é envelhecer?

Amaral – É encontrar novos caminhos, continuar caminhando. È sentar-se num banco de praça e ver que o desconhecido ainda passa por ali em busca de veredas que você já percorreu. É a pinima do corpo desobedecendo, a porra do coração ameaçando se entregar ao cansaço, é a ameaça da obsolescência, esta sim, a mais cruel matadora.

É também um pacífico amor pelo futuro.

Finalmente, o sentimento que nos imortaliza.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Amaral Cavalcante

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Despedida do parlamento sergipano da deputada Ana Lúcia

Foto reproduzida do site al.se.leg.br e postada pelo blog, 
para ilustrar o presente artigo

Texto publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 14/12/2018

Uma despedida apoteótica

Por Ivan Valença (Blog Infonet)

Diante de um plenário tomado por admiradores e eleitores, a deputada Ana Lúcia fez um emotivo discurso de despedida do parlamento sergipano. “Isso não quer dizer que estou abandonando a política. Volto a minha sala de aula e continuarei a ocupar os espaços que me permitam trabalhar pelo povo sergipano”. Em sua fala, Ana Lúcia traçou “reminiscências importantes que gostaria de dividir com as senhoras e senhores”. Relembrou então fatos que marcaram os dezesseis anos de atividades parlamentares, encerrados agora por questões alheias a sua vontade, “como a saúde precária”. Citou então o ambiente familiar favorável a uma formação de princípios; as características, singulares a seu tempo, de dona Ivone, sr. Claudomir (seus pais) e dr. Osman Hora, a quem ela considerava como pai; a paixão familiar pelos livros e pela cultura e a imensa biblioteca da família; a ligação com o irmão Mário Jorge (um dos grandes poetas que Sergipe teve); e a importância das irmãs franciscanas no despertar precoce para as questões sociais e políticas”. “O amor pelas letras conduziu-me a uma convicção muito firme no momento de escolher meus caminhos, a formação universitária e a profissão que abraçaria por toda a vida: a educação, o magistério, a sala de aula?”. E segue: “Na década de 70, tive a felicidade de conhecer jovens educadores da Universidade Federal em Seminário de Bárbara Freitagli, da UNB. Um grupo ao qual me somei, inspirada pelas ideias revolucionarias da geração de 68 e pelas leituras freireanas”. Ana falou também sobre seu namoro com os partidos de linha comunista mas decidiu abraçar o Partido dos Trabalhadores, já a partir de 1980. “Assim se estruturou o sindicalismo independente que deu origem à Central Única dos Trabalhadores. Uma experiência política que configurou as bases do processo de reconstrução democrática e revelou os quadros que seriam os protagonistas da reestruturação democrática que, como hoje podemos observar, ainda não se concretizou plenamente”. E finalizou: “Devo a renovação de meu compromisso com a construção de um futuro livre da desigualdade, avesso à exclusão, à intolerância e ao preconceito. Um futuro que as próximas gerações saberão fazer mais fraterno, mais justo e pleno de felicidade”.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

35 Anos Depois


Facebook/JorgeNascimento Carvalho 9 de dezembro de 2018

35 Anos Depois

Por Prof. Dr. Jorge Carvalho do Nascimento

O livro História da Educação em Sergipe, de Maria Thétis Nunes, foi publicado em 1984, pela Editora Paz e Terra. Em 2019 ele completará 35 anos em circulação. O livro apresenta a única síntese produzida até hoje sobre o assunto, tornando-se referência obrigatória dentre os estudos sergipanos da área. Maria Thétis Nunes, a sua autora, foi uma aplicada estagiária do Instituto Superior de Estudos Brasileiros – ISEB, na década de 1950, quando se ligou a intelectuais como Nelson Werneck Sodré e Álvaro Vieira Pinto. Na História da Educação em Sergipe, Thetis Nunes manteve a mesma perspectiva teórica e o mesmo rigor metodológico que assumira desde o estudo que publicara em 1962, ainda no ISEB, sob o título de Ensino Secundário e Sociedade Brasileira. Historiadora de profissão, ao tratar da educação sob a perspectiva isebiana, Thétis assumiu o viés interpretativo que dizia ser a história das lutas de classes o modelo interpretativo fundamental do fenômeno educativo, licenciando-se para, a partir daí, fazer uma série de operações analíticas, nas quais as evidências que extraía das fontes se prestavam a localizar as relações entre burguesia e proletariado. Também para identificar os interesses defendidos pelas classes dominantes. Na sua interpretação, ela assumiu os pressupostos da história monumento que Fernando de Azevedo estabeleceu, sob os quais somente se viabilizara uma política educacional consistente no Brasil depois que o campo foi dominado pela ação dos chamados “Pioneiros da Educação Nova”.

Maria Thetis Nunes não apenas produziu uma narrativa histórica, mas elaborou um modelo teórico. Ela buscou apreender na estrutura os modos através dos quais a sociedade atuava no indivíduo, uma vez que, como entendia, mesmo sendo autônomos, os indivíduos estavam subordinados a tal estrutura. Apoiada nos marcos cronológicos estabelecidos por Fernando de Azevedo, Thetis Nunes lançou seu olhar sobre a legislação referente à educação. Para contextualizar o seu objeto se valeu de fontes secundárias (bibliográficas e manuscritas) a fim de apreender o panorama econômico, base do seu estudo. Entendeu que a educação no Brasil, desde as suas origens, se constituiu num transplante de ideias importadas de outras realidades e que, por isso, não se ajustavam ao panorama nacional.

Dessa forma, afirmou que o Estado sempre abdicou da responsabilidade sobre o sistema educacional.

Thétis Nunes interrogou suas fontes de modo a manter a escrita da história dentro do viés econômico determinista. A História da Educação em Sergipe, de Maria Thetis, valorizou a importância do sujeito/indivíduo que ocupava posição destacada na gerência dos negócios educacionais da Província e do Estado de Sergipe. Ao estudar os processos educativos, ela buscou compreender o modo como tais homens atuaram. Este foi um esforço presente nos seus estudos. Das discussões emergiram problemas que concerniam à historiografia educacional e à teoria da história que orientava a sua produção. A autora buscou os sentidos da experiência histórica e das vivências que analisou. O pioneirismo dos seus estudos e o esmero com o rigor metodológico das perspectivas teóricas que assumiu transformaram a autora, juntamente com José Calasans e José Antônio Nunes Mendonça, numa espécie de “santíssima trindade” da historiografia educacional sergipana, inspirando teórica e metodologicamente as gerações de pesquisadores que trabalharam tomando os seus estudos como fonte. Do legado da História da Educação em Sergipe, a herança mais forte foi a marca de uma peculiar teoria marxista e a referência obrigatória aos estudos do campo neste Estado. As discussões a respeito da obra de Maria Thetis revelam que, em 2019, ao completar 35 anos de publicada, a sua História da Educação continua importante para recompor trajetórias e lugares de intervenção no campo educacional, ensejando uma compreensão mais acurada dos processos mediante os quais foram cotejados e postos em disputa os padrões de formação da vida educacional sergipana.

O livro de Maria Thetis Nunes, nos últimos 34 anos, cumpriu diversos papéis. Dentre eles, o da celebração de uma memória que criou vínculos de identidade entre os profissionais da educação e os pesquisadores da História da Educação em Sergipe do tempo presente e aqueles que atuaram sob o período da Província e da Primeira República. Ao verificar essa experiência, ela trabalhou o sentido da construção de um passado de lutas gloriosas para os intelectuais da educação em Sergipe, tentando demonstrar os momentos no quais intelectuais sergipanos do campo se puseram à frente dos seus pares de outras regiões do Brasil. Sempre foi explícita em relação a esse tipo de problema ao falar do trabalho do historiador e político Felisbelo Freire, afirmando que o regimento da instrução pública aprovado por aquele governante do Estado de Sergipe, no período republicano, antecipou a reforma Benjamin Constant, implementada posteriormente a partir do Rio de Janeiro, a capital da nascente República.

Esta sempre foi uma discussão ao gosto da historiadora Maria Thetis Nunes. A polêmica a respeito do pertencimento das ideias e a busca incansável das novidades que nasceram na periferia. A História da Educação em Sergipe, de Maria Thetis Nunes, trouxe a marca forte de uma vigorosa, original e criativa historiadora que, acima de tudo, celebrou a memória da educação. Na memória que produziu, a educação atuou invariavelmente como instrumento fundamental para a modernização da vida de Sergipe e do Brasil, viabilizando o progresso.

Maria Thetis Nunes era membro da Academia Sergipana de Letras e morreu em 2009. Sua História da Educação em Sergipe completará 35 anos de publicada em 2019. Suas ideias são imortais.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/JorgeNascimento Carvalho

domingo, 9 de dezembro de 2018

Festas Natalinas em Aracaju


Publicado originalmente no blog Lygia Prudente, 09/12/2012

Festas Natalinas

Por Lygia Prudente

O dia 8 de dezembro era o início do período natalino envolvendo a todos no clima festivo de final de ano. Minha mãe costumava enfatizar que não era feriado, e sim um dia santo, dia dedicado à Nossa Senhora da Conceição, padroeira da nossa cidade – Aracaju. Existia todo um ritual de tradições que seguíamos à risca. O clima de excitação e euforia para as crianças e jovens começava nos preparativos para o mês de dezembro. A compra do que vestiríamos nas três datas mais importantes, Dia de Nossa Senhora da Conceição, Natal e Ano Novo. Obrigatoriamente, vestíamos roupas novas. Como o comércio oferecia poucas opções, duas lojas destacavam-se com produtos de qualidade: Drenier Cri Magazin e A Moda. Lembro-me bem, do dia das compras com minha mãe. O meu pai lá estava na hora do pagamento. O cheirinho da roupa nova vem à tona e me traz agora recordações que jamais se apagarão, como a alegria e riqueza de viver em família e a condição de poder usufruir e alimentar esses costumes. Crescemos e as lembranças nos possibilitam disseminar dentre os jovens integrantes o valor das tradições e da continuidade dos ensinamentos.

Texto e imagem reproduzidos do blog: lygiaprudente.blogspot.com

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Wellington Mangueira: um humanista na alma e na raça


Publicado originalmente no site JL Política, em 06 de dezembro de 2018

OPINIÃO - Wellington Mangueira: um humanista na alma e na raça

Por Milton Junior *

“Continência a um comunista”. Impiedosamente contestado aos olhos dos radicais de direita, ao mesmo tempo intrigante aos camaradas com idealismo marxista, o título desta obra literária desperta o interesse coletivo para o consumo histórico protagonizado em torno da história de vida traçada por um líder esquerdista envolvido até o topo com o Partido Comunista Brasileiro - PCB -, justamente durante os 21 anos de governo militar, entre 1964 e 1985.

A ser lançada no próximo dia 12 de dezembro, no salão nobre do Cotinguiba Esporte Clube, em Aracaju, a biografia de Wellington Dantas Mangueira Marques desmistifica a “fórmula progressista” que transformou o cidadão antes torturado em um nobre gestor público no início dos anos 1990.

Menos de 10 anos após o fim do golpe militar, o aracajuano nascido em 21 de agosto de 1945 deixou de ocupar os porões das cadeias insalubres, de sofrer os mais variados tipos de tortura, para, diante de multidões, receber continência ofertadas por oficiais das mais variadas patentes, guarnições e instituições de segurança pública.

A publicação deste livro se faz possível devido a uma forte ação de insistência junto ao biografado. Apesar de pronto - modéstia à parte, com capa muito bem elaborada pelo camarada Marcélio Couto e um texto que interliga o passado e o futuro em uma suave leitura repleta de imagens inéditas e ilustrações criadas pela mente brilhante do nobre comunicador Edidelson Silva -, é preciso destacar que foram, ao menos, um ano e meio insistindo para Wellington Mangueira conceder a liberação para a produção do livro.

Sempre defendendo a tese de que “apenas pessoas falecidas, ou prestes a morrer possuem biografia”, o advogado, professor de história, comunicador e defensor dos direitos humanos, lutou, resistiu, mas foi vencido pela insistência deste jornalista, que, assim como centenas de sergipanos, é apaixonado pela história de vida do ilustre torcedor do Cotinguiba Esporte Clube.

Conquistada a permissão, antes mesmo que Wellington por ventura pensasse em desfazer a liberação, foi necessário agilizar a criação de roteiro, iniciar o processo de entrevistas, decupar por longas madrugadas estes áudios e começar a escrever.

Sempre à base de boas doses de café expresso, puro e com pouco açúcar, a produção textual prevalecia ao ponto de os bons e tradicionais churrascos semanais com os amigos paralelamente terem sido transformados em atividade secundária, ou, em alguns sucessivos casos, sempre fomos - eu e minha esposa -, os últimos a bater o ponto.

Falar de Wellington é prazeroso. Mas requer explorar a respectiva mente para não deixar de elencá-lo às correntes familiares e sociais que o cercam desde o momento em que seus primeiros choros ecoaram pela tradicional Avenida Augusto Maynard. A história do biografado se confunde nos mínimos detalhes com os de sua namorada e esposa desde o tempo do Atheneu Sergipense, Laura Marques.

Assim como Laurinha, é impossível citar o nome de Wellington e não envolver o Cotinguiba, o Partido Comunista Brasileiro, o Atheneu, o regime militar, o carnaval, a antiga União Soviética, os órgãos públicos em que administrou e a consciência humanista dele. Com um quociente de inteligência elevado, o homenageado passa a aparência de possuir um amplo HD interno que o faz recordar com detalhes inúmeras passagens da vida dividida com a esposa, e/ou com os nobres companheiros do velho PCB.

Justamente em virtude desse representativo conteúdo histórico, no decorrer da produção textual percebi a necessidade de esquecer um pouco os depoimentos dos companheiros, e focar apenas nas histórias narradas por ele. Ao consumir o livro, o leitor se deparará apenas com citações de Helena Marques (sogra de Wellington) e do camarada João Augusto Gama. Incluir o depoimento dos camaradas quebraria o fluxo da leitura. Essa não era, e nunca foi a intenção desde o primeiro dia de escrita.

Os depoimentos dos amigos e admiradores ficou reservado em um capítulo à parte. O desafio sempre foi buscar a melhor forma de deixar o livro atraente aos olhos de leitores com idades acima de 14 anos. Isso sempre me martelou a consciência, em virtude de atualmente o público mais jovem, por exemplo, ser considerado pelo Ministério da Educação como o grupo de brasileiros que menos se interessa por história e literatura. Segundo o próprio MEC, uma pesquisa nacional mostra que os jovens não percebem utilidade no conteúdo das aulas. As disciplinas de língua portuguesa e matemática são consideradas as mais úteis por, respectivamente, 78,8% e 77,6% dos alunos.

Lamentavelmente, o Brasil já percebe o reflexo do problema estrutural sobre conhecimento histórico da população. Pensando justamente na perspectiva de seguir na contramão desses dados nacionais, a inclusão de charge e depoimentos que estão direta ou indiretamente presentes no dia-a-dia das pessoas permite que os leitores se vejam ao menos em algum momento vivenciado por Wellington.

Entre esses casos, a biografia apresenta desde o consumo de bebidas alcoólicas durante a infância, como passeios de barco no Rio Sergipe, bastidores da família, futebol, cultura, jogos de cartas, café, história das ruas de Aracaju, e defesa da comunidade LGBT. Este não é um livro para ser depositado em prateleiras de biblioteca. Por possuir um perfil minuciosamente democrática, ele é, e recomendo que seja, utilizado dentro das salas de aula como forma de multiplicação de um conteúdo educacional.

Escrever sobre o legado de Wellington Mangueira foi uma honra, e mais feliz ficarei ao perceber que esse conteúdo será consumido por pessoas residentes nos quatro cantos da nossa nação. As 315 páginas foram desenvolvidas com o máximo de afeto por cada conteúdo que me foi compartilhado. Deguste esta obra literária sem moderação.

* É jornalista e escritor.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

“O tempo ameniza a saudade, mas a sensação de falta não passa nunca”...

A viúva de Marcelo Déda, Eliane Aquino, ao lado dos filhos do casal. 
Foto: Leo Barreto/Fan F1

Texto publicado originalmente no site FAN F1, em 02/12/2018 

“O tempo ameniza a saudade, mas a sensação de falta não passa nunca”, diz Aquino, na missa em homenagem a Déda

Por Célia Silva

Uma missa campal no Memorial Marcelo Déda, no Parque Augusto Franco (Parque da Sementeira), zona sul de Aracaju (SE), marcou neste domingo, 2, os cinco anos da morte do ex-governador Marcelo Déda.

Familiares, amigos, militantes do Partido dos Trabalhadores, sigla que Déda ajudou a construir junto com o amigo e compadre Lula, estiveram presentes na homenagem que foi marcada pela emoção.

 Uma missa campal no Memorial Marcelo Déda, no Parque Augusto Franco 
(Parque da Sementeira) -- Foto: Léo Barreto/Fan F1

“Por onde ando, escuto muito as pessoas dizerem a falta que Déda faz. O tempo ameniza a saudade, mas a sensação de falta, de vazio, não passa nunca. Hoje, estar aqui com os amigos, com a história dele, a Orquestra jovem, que começou pela mente dele, ele deixou muitos frutos, muitas sementes que estão germinando e dando bons frutos”, disse a viúva Eliane Aquino à Magna Santana, da Fan FM.

Eliane Aquino falou ainda sobre a presença viva de Déda ao lado dela e da fé e compromisso que tem com a vice-governadoria que assumirá no dia 1º de janeiro: “É pedir para ele que, de onde estiver, nos ilumine para que a gente cuide com a sabedoria que o povo merece, estou ali com uma responsabilidade muito grande, sabendo que estarei representando a mim e a Marcelo Déda”, falou.

A celebração foi organizada pela família e pelo Instituto Marcelo Déda e teve início às 16h, no monumento erguido em sua homenagem e inaugurado este ano pelo Instituto que leva o seu nome.

Orquestra Jovem, idealizada por Marcelo Déda, tocou na missa.
Foto: Léo Barreto/Fan F1

Após a missa, celebrada pelo padre Marcelo, houve apresentação do Grupo de Câmara da Orquestra Jovem de Sergipe, formada por crianças e adolescentes do bairro Santa Maria. Déda foi um dos grandes incentivadores da Orquestra Jovem, cujo projeto foi aceito pelo Ministério da Cultura no ano após sua morte.

Câncer – Marcelo Déda foi reeleito governador de Sergipe em 2010, cargo que ocupou até a sua morte, aos 53 anos, em 2 de dezembro de 2013, vítima de câncer no sistema gastrointestinal.

Texto e imagens reproduzidos do site: fanf1.com.br

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Em cordel, Chiquinho do Além-Mar exalta belezas de Sergipe

Chiquinho do Além-Mar lança livro ‘Sergipe e seus encantos’ 
Foto: Portal Infonet

Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 28/11/2018  

Em cordel, Chiquinho do Além-Mar exalta belezas de Sergipe
                            
O escritor Chiquinho do Além-Mar fez o lançamento, na noite desta quarta-feira, 28, da sua nova obra, o livro ‘Sergipe e seus encantos’. Nele, são retratados os atrativos turísticos do estado no formato de cordel, destacando as belezas naturais e o patrimônio sergipanos.

O autor traz, em formato literário, características de locais marcantes de Aracaju e cidades do interior, como a Passarela do Caranguejo, Orla da Atalaia, praça Fausto Cardoso, Colina do Santo Antônio, Parque da Cidade e Crôa do Goré, praça São Cristóvão, no município histórico, e a cidade de Laranjeiras.

Para Chiquinho, “Esse trabalho já tem uma boa aceitação, está adotado em 14 escolas para ser material paradidático no ano que vem. Esperamos que a sociedade sergipana e as pessoas do meio do turismo façam essa parceria para divulgar nossos atrativos. Sou nativo da Praia da Atalaia, vendia queijo, então sempre quis contribuir com o turismo. Coloquei toda essa temática na cantiga de cordel. Nossa grande meta é contribuir”, celebrou.

O livro já está disponível nas principais livrarias da capital.

Por Victor Siqueira

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Morre aos 66 anos Jorge Ribeiro (1952 - 2018)

Foto reproduzida do site universopolitico.com.br e postada pelo blog 'SERGIPE...'

Texto publicado originalmente no Facebook/Manú Santiago, em 27/11/2018

NOTA DE FALECIMENTO

Faleceu na tarde de hoje (27/11), por volta das 15h, o empresário e digital influencer Jorge Ribeiro.

Velório: hoje (27/11), a partir das 20h na Osaf na rua Itaporanga em Aracaju.

Sepultamento: amanhã (28/11), às 10h no Cemitério Santa Isabel.

Jorge estava perdendo peso muito rápido. O câncer no pâncreas já estava avançado.

Recentemente ele postou que faria uma cirurgia. Esta cirurgia era para desobstruir o intestino.

Estava em casa, em plena recuperação, consciente e positivo. Mas hoje não acordou bem e veio a falecer.

Texto reproduzido do Facebook/Manú Santiago

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Duas vezes imortal!

Foto: Sergio Silva

Publicado originalmente no Facebook/Lucio Prado Dias, em  20/11/2018 

Duas vezes imortal!
Por Lucio Prado Dias

Já participando da Academia Sergipana de Medicina desde 2005, como membro titular da Cadeira 38, que tem como patrono o Dr. Walter Cardoso, o médico, professor e mais recentemente escritor de literatura não científica Antônio Carlos Sobral Sousa, assume logo mais à noite a Cadeira 28 da Academia Sergipana de Letras, na sucessão do eminente e saudoso Dom Luciano José Cabral Duarte. A solenidade de posse acontecerá às 20 horas, no Iate Clube de Aracaju.

Por coincidência das grandes, a Universidade Federal de Sergipe presta hoje uma singela homenagem ao saudoso arcebispo emérito de Aracaju, colocando o seu nome na Biblioteca Central da instituição, uma homenagem muita justa para uma pessoa que foi fundamental para a criação e instalação da nossa primeira universidade pública.

É lamentável que a infiltração ideológica da esquerda partidária nas universidades públicas brasileiras fizesse de tudo para apagar da memória a lembrança do prelado, em função de suas posições conservadoras, ditas "de direita".

Muito triste que isso tenha acontecido, mas aos poucos Sergipe vai colocando o seu nome em posição de destaque, conferindo-lhe o verdadeiro valor que merece!

Pois bem. O Dr. Sousa vai suceder justamente o arcebispo emérito de saudosa memória, tornando-se agora imortal duas vezes.

Nascido em 5 de junho de1955 em Aracaju, filho de José Carlos de Sousa e Clara Maria Sobral Sousa, o Dr. Sousa foi favorecido na sua formação por contar com um lar amoroso e de educação rígida, baseada nos princípios do estudo, da ética e da meritocracia. Isso propiciou ao jovem uma larga formação moral e intelectual que o acompanha por toda a vida.

Formado em Medicina pela Universidade Federal de Sergipe em 1979, cursou o Internato na Brown University - Rhode Island – EUA, instituto que lhe deu régua e compasso para a brilhante carreira que viria a ter na área da cardiologia clínica e como destacado pesquisador e professor dos cursos de graduação e pós-graduação do Curso de Medicina da Universidade Federal de Sergipe.

Uma vida plena de trabalho e grandes realizações, apesar da pouca idade, entendeu logo cedo que o tempo é um bem insubstituível e irrecuperável, como ressaltou o saudoso e inolvidável mestre José Augusto Barreto, no seu discurso de saudação ao neoacadêmico que tomava posse na Academia Sergipana de Medicina, em 18 de agosto de 2005.

O inesquecível professor, médico e escritor Walter Cardoso, patrono da Cadeira 38 da Academia de Medicina, que que dá assento hoje ao ilustre cardiologista, costumava dizer: “ - O médico é o servidor da vida, o missionário da bondade.(...) tem nas mãos o maior dos privilégios: praticar o humanismo integral pelo saber, compreensão, paciência e humildade”.

Como cultor dos grandes mestres, o confrade Antônio Carlos Sobral Sousa assume a posição de um deles e se enquadra perfeitamente na definição de Theodor Billroth, cirurgião e músico, grande amigo e parceiro do compositor do Johannes Brahms, que dizia: “Jamais conheci um grande nome da pesquisa científica que não seja essencialmente um artista com uma rica fantasia e sensibilidade infantis. Agora percebo...ciência, arte e literatura jorram da mesma fonte.”

O médico Antônio Carlos Sobral Sousa estreou na literatura não científica com o livro Entre linhas de minha vida, recentemente lançado numa prestigiada noite de autógrafos, abrindo de pronto o coração para nos revelar traços marcantes de sua vida.

Já sobejamente consagrado no panteão científico, onde pratica os postulados de Cardoso, um humanismo integral pelo saber, compreensão, paciência e humildade, ganha agora as letras sergipanas um novo e destacado militante, com a sua entrada na Academia de Letras.

Seja bem-vindo à confraria!

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Lucio Prado Dias

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Vamos louvar a quem merece...


Publicado originalmente no Facebook/Antonio Samarone, em 20 de outubro de 2018

Vamos louvar a quem merece...
Por Antônio Samarone

A turma do Arquidiocesano que completou 40 anos da conclusão do segundo grau, fez uma festa. Professores e a direção do Colégio foram convidados. Eu ensinava biologia. A atração foi a presença do diretor, o Cônego Carvalho.

Numa breve retrospectiva, o Cônego José de Carvalho Souza dirigiu o Arquidiocesano por cinquenta anos. Em 2012, foi afastado de forma abrupta pela Diocese. O Colégio nunca mais foi o mesmo.

O conservador Cônego Carvalho dirigia o Colégio democraticamente. Reinava um clima de liberdade, do livre pensar e do respeito as divergências no Colégio.

Durante a revolução de 1964, alguns alunos foram expulsos do Colégio Atheneu, acusados de subversão. O Cônego Carvalho abriu as portas do Arquidiocesano para recebe-los: Wellington Mangueira, Abelardo Souza e o poeta Mario Jorge (irmão da deputada Ana Lúcia). Não foi pouco!

Quando ingressei no Colégio, com professor de Biologia, fiquei preocupado. Como ensinar a Teoria da Evolução, claramente materialista, num colégio de padres? Estávamos na década de 1970, e a biologia moderna, cientifica, ainda era uma novidade nos livros didáticos.

Procurei o Cônego Carvalho, para saber a orientação do Colégio. Eu precisava do emprego. Expus o problema: padre, a biologia tem uma visão sobre a origem da vida e a sobre evolução que contrariam a doutrina cristã, o que fazer? O Cônego Carvalho foi sucinto: o senhor ensine biologia, que eu ensino o catecismo.

O corpo docente era infestado de esquerdistas, líderes estudantis, isso em plena ditadura. O padre sabia, mas o que cobrava é que fossemos bons professores. O Cônego Carvalho valorizava os professores. Era acessível, dialogava com os alunos. E foi um pioneiro no fortalecimento do esporte estudantil.

O Colégio Arquidiocesano foi um grande colégio, em grande parte, devido a dedicação e competência do Cônego José de Carvalho Souza. Foi o eu que ouvi dos ex-alunos, após 40 anos. Eu subscrevo!

blogdesamarone.blogspot.com

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone