sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Queijadas são patrimônio cultural em Sergipe



Publicado originalmente pela Revista Eletrônica Jimbozine, em 13/05/2016

Queijadas são patrimônio cultural em Sergipe.

Produção de queijadinhas é tradição em São Cristóvão (SE); famoso doce se chama assim porque a receita original, trazida pelos portugueses, levava queijo ao invés de coco.

Por Mie Francine Chiba
Fonte: ebc.com.br; aracajuconvention.com.br;
senoticias.com.br; agencia.se.gov.br

Uma prova de que uma receita pode se tornar patrimônio imaterial de um Estado é a queijada. Essa iguaria cuja receita foi trazida pelos portugueses mas adaptada pelos escravos foi considerada Patrimônio Cultural Imaterial de Sergipe por meio de um decreto, em 2011. Isso porque a produção do doce, - feito com farinha, manteiga, leite e doce de coco – é tradição há mais de 200 anos na cidade de São Cristóvão, primeira capital de Sergipe e quarta cidade mais antiga do País.

A queijada (ou queijadinha) é chamada assim porque a receita era, originalmente, feita com queijo. Segundo o artigo “Memória, identidade, e patrimônio: a doçaria na Festa de Passos em São Cristóvão-Sergipe”, de Ivan Aragão (mestre pela Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC/BA) e Rosana Leal (professora da Universidade Federal de Sergipe - UFSE), o doce como o conhecemos hoje teve o queijo substituído pelo coco porque o fruto era matéria-prima abundante no litoral do Nordeste brasileiro.

Outra diferença está no seu formato: a queijada tradicional é composta por um doce de coco que é sobreposta a uma delicada capa feita da farinha, da manteiga e do leite, como se fosse um biscoito, descrevem Rosana e Aragão em seu artigo, citando Aglaé D´Ávila Fontes.

Até hoje a queijada é preparada pelos descendentes dos escravos da cidade de São Cristóvão e é tradicional em eventos religiosos como a Festa de Passos, que ocorre todo ano na quaresma e reúne romeiros que, em procissão, refazem o caminho percorrido pelo Senhor dos Passos.

O Senhor dos Passos é um santo de vestes na cor roxa que representa Jesus Cristo no trajeto desde a sua condenação à morte até o seu sepultamento, após ser crucificado no Calvário.

D. Marieta Santos, bisneta de uma escrava de São Cristóvão, mantém a produção de queijadas até hoje como fazia sua bisavó, de maneira totalmente artesanal, na conhecida Casa da Queijada. A venda de doces no período da Festa de Passos, segundo ela, chega a 2 mil queijadinhas.

O segredo da receita, conforme relatou D. Marieta em reportagem da TV Brasil, está no ponto da massa, assada em forno a lenha. A receita que aprendeu de sua bisavó leva coco ralado, açúcar, ovos, farinha de trigo, cravos, manteiga e água.

Veja abaixo a reportagem que mostra a produção de queijadas da D. Marieta, em São Cristóvão...

Texto, fotos e vídeo, reproduzidos do site: jimbozine.com.br

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