Publicado originalmente pela Revista Eletrônica Jimbozine,
em 13/05/2016
Queijadas são patrimônio cultural em Sergipe.
Produção de queijadinhas é tradição em São Cristóvão (SE);
famoso doce se chama assim porque a receita original, trazida pelos
portugueses, levava queijo ao invés de coco.
Por Mie Francine Chiba
Fonte: ebc.com.br; aracajuconvention.com.br;
senoticias.com.br; agencia.se.gov.br
Uma prova de que uma receita pode se tornar patrimônio
imaterial de um Estado é a queijada. Essa iguaria cuja receita foi trazida
pelos portugueses mas adaptada pelos escravos foi considerada Patrimônio
Cultural Imaterial de Sergipe por meio de um decreto, em 2011. Isso porque a
produção do doce, - feito com farinha, manteiga, leite e doce de coco – é
tradição há mais de 200 anos na cidade de São Cristóvão, primeira capital de
Sergipe e quarta cidade mais antiga do País.
A queijada (ou queijadinha) é chamada assim porque a receita
era, originalmente, feita com queijo. Segundo o artigo “Memória, identidade, e
patrimônio: a doçaria na Festa de Passos em São Cristóvão-Sergipe”, de Ivan
Aragão (mestre pela Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC/BA) e Rosana Leal
(professora da Universidade Federal de Sergipe - UFSE), o doce como o
conhecemos hoje teve o queijo substituído pelo coco porque o fruto era
matéria-prima abundante no litoral do Nordeste brasileiro.
Outra diferença está no seu formato: a queijada tradicional
é composta por um doce de coco que é sobreposta a uma delicada capa feita da
farinha, da manteiga e do leite, como se fosse um biscoito, descrevem Rosana e
Aragão em seu artigo, citando Aglaé D´Ávila Fontes.
Até hoje a queijada é preparada pelos descendentes dos
escravos da cidade de São Cristóvão e é tradicional em eventos religiosos como
a Festa de Passos, que ocorre todo ano na quaresma e reúne romeiros que, em
procissão, refazem o caminho percorrido pelo Senhor dos Passos.
O Senhor dos Passos é um santo de vestes na cor roxa que
representa Jesus Cristo no trajeto desde a sua condenação à morte até o seu
sepultamento, após ser crucificado no Calvário.
D. Marieta Santos, bisneta de uma escrava de São Cristóvão,
mantém a produção de queijadas até hoje como fazia sua bisavó, de maneira
totalmente artesanal, na conhecida Casa da Queijada. A venda de doces no
período da Festa de Passos, segundo ela, chega a 2 mil queijadinhas.
O segredo da receita, conforme relatou D. Marieta em
reportagem da TV Brasil, está no ponto da massa, assada em forno a lenha. A
receita que aprendeu de sua bisavó leva coco ralado, açúcar, ovos, farinha de
trigo, cravos, manteiga e água.
Veja abaixo a reportagem que mostra a produção de queijadas
da D. Marieta, em São Cristóvão...
Texto, fotos e vídeo, reproduzidos do site: jimbozine.com.br


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